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domingo, 14 de dezembro de 2025

Hammed - Livro Um Modo de Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 6 - Conscientização



Hammed - Livro Um Modo de Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 6


Conscientização


"Nesse dia comprendereis que estou em meu pai e vós em mim e eu em vós" (João, 14:20)


Quando não visualizamos os nossos erros, não admitimos que somos nós que produzimos as nossas dores. Quando não percebemos que nossos inimigos residem em nossa casa mental, apontamos os outros como a causa de nossos dissabores; quando não permitimos mudança no nosso no mundo interior, exigimos mudança do mundo exterior.

Quem se conscientiza do processo das leis divinas entende a dor, e encontra seu valor de contribuição para o engrandecimento da própria existência. Todas as experiências (positivas ou negativas) nos ensinam algo; basta estarmos dispostos a aprender. Nossas escolhas podem nos livrar, ou não, do cárcere da escravidão emocional.

A mensagem da Inteligência Universal é sempre aquela que incentiva a conscientização de nossas potencialidades e dons naturais. Quando despertamos espiritualmente, passamos a entender a dor por outro prisma.

A vida é um processo evolutivo no qual todos somos “criaturas caminhantes”.

Precisamos ainda percorrer um longo trajeto para atingir o desenvolvimento total de nossas aptidões inatas. A Consciência Divina apenas espera nosso despertar, ou seja, que saiamos do sono da inconsciência de nós mesmos.

O ser consciente é uma criatura renovada pela experiência interior.

Vive na iluminação íntima como uma pessoa comum no seio da coletividade. Seu eixo de sustentação não se encontra fora, mas dentro de si. Dispensou a segurança das expectativas e das idealizações do “eu inferior” porque tem a convicção e a estabilidade sublime do “Eu Superior”.

Não obstante a nossa origem sagrada, muitos entraves nos prendem à ideia de separação da Unidade Cósmica, contrariando o que o Mestre nos ensinou ao afirmar que “nesse dia compreendereis que estou em meu Pai e vós em mim e eu em vós”. Ele se identificou com a Paternidade Celestial, à “imagem e semelhança” da Divindade que o criou.

HAMMED.

Livro: Um Modo de Entender, uma nova forma de viver.

Francisco do Espírito Santo Neto.

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Hammed - Livro Um Modo de Entender - uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 44 - A religião natural



Hammed - Livro Um Modo de Entender - uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 44


A religião natural


“Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Coríntios, 3:16).

Uma das descobertas fundamentais do Dr. Carl Gustav Jung é a do inconsciente coletivo ou psique arquetípica.

A expressão inconsciente coletivo, segundo o conceito junguiano, é uma herança psicológica, um tipo de memória da raça ou da espécie, onde se encontram conteúdos de estrutura psíquica, padrões universais ou arquétipos (do grego archétypon – “o que é impresso desde o início”) existentes na intimidade de todos os seres humanos.

De acordo com suas teorias, há no inconsciente coletivo vários arquétipos, mas existe um, central e fundamental, que tem a função de unificar e reconciliar todos os outros e de reequilibrar todo o governo psíquico (consciente e inconsciente). Ele o denominou de Self ou Si-mesmo.

Ele é descrito como a autoridade mental suprema, e equivale à imago Dei. O Self é a sede da identidade objetiva, enquanto o ego é a sede da identidade subjetiva – o centro da personalidade consciente.

O Self contém em si tanto o consciente quanto o inconsciente e mantém o ego sob seu comando. Há outros nomes associados ao Si-mesmo: eixo central, totalidade criativa, centro da psique e união dos opostos. Podemos dizer que ele é o ponto onde Deus e o homem se encontram.

Jung afirmava que a religiosidade tem também uma função psíquica. Os arquétipos do inconsciente coletivo têm força e valores equivalentes aos pontos fundamentais ou princípios religiosos.

Quando Jung fazia menção à religião, não se reportava a um credo ou igreja especificamente. O que ele tinha em estudo era o comportamento religioso, o conteúdo da religiosidade no processo psíquico.

Na sua obra científica, ele se refere à religiosidade como um fenômeno universal encontrado desde os tempos mais antigos em cada grupo étnico, raça ou povo.

“Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas”, afirma Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”1.

Podemos dizer, sobre a existência de Deus, que há um “sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si”2. A religiosidade apresenta-se como fenômeno natural.

Para Jung, a imagem arquetípica de Deus se encontra no Self, cuja principal função é levar as emanações e efeitos da imago Dei à mente consciente do indivíduo.

No seu trabalho de analista, observou uma dimensão transpessoal que se manifesta em padrões ou imagens universais, os quais podem ser identificados em todas as mitologias e religiões do mundo.

Não são poucos os que ainda entendem a existência de Deus de forma simplista e bem estreita, adorando ídolos como sen vivessem na era mosaica ou na Idade Média.

É preciso nos inteirarmos de todas as áreas científicas, interagir no universo de todas as realidades filosóficas, uma vez que elas podem contribuir consideravelmente com a religião. Tudo provém de Deus, “pois nele vivemos, nos movemos e existimos”3.

“A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra, as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra”4.

Disse Albert Einstein: “A minha religião consiste numa admiração humilde ao Espírito Supremo e Ilimitado, que se revela a si mesmo nos mínimos pormenores, que estamos aptos a captar com as nossas fracas mentes e com profunda certeza de um Poder Superior, que se revela universal”.

A religião do futuro será reconhecida como uma realidade interna, será vivenciada individualmente pela criatura que superou o “ser religioso” e desenvolveu em si o “ser religiosidade”.

Como toda atividade psíquica, a religiosidade é suscetível de ser aprimorada, assimilada e investigada ou, também, de ser depreciada, adulterada e restringida. No entanto, sua força energética se manifesta de uma forma ou de outra e procura dar vazão, utilizando as mais variadas vias de expressão. Esse fenômeno de escoamento energético surge de modo inesperado e surpreendente, elegendo os deuses da música, do teatro, do cinema, do futebol e outros tantos.

Uma das maneiras de o conteúdo religioso se anunciar é por meio dos símbolos; aliás, a simbologia é a linguagem mais usada pelas antigas religiões.

Em muitas ocasiões, no lugar das imagens sacras e altares consagrados, surgem pessoas, objetos e componentes simbólicos,


Hammed 







1 “O Livro dos Espíritos”, Questão 6.
2 “O Livro dos Espíritos”, Questão 5
3 Atos, 17:28.
4 “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Capítulo I – Não vim destruir a lei – Aliança da Ciência e da Religião.




domingo, 25 de maio de 2025

Hammed - Livro Um Modo de Entender - uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 54 - Reino dividido



Hammed - Livro Um Modo de Entender - uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 54


Reino dividido


“Conhecendo os seus pensamentos, Jesus lhes disse: Todo reino dividido contra si mesmo acaba em ruína e nenhuma cidade ou casa dividida contra si mesma poderá subsistir”.
(Mateus, 12:25)

Na atualidade, a psiquiatria e a psicologia encontram no transtorno obsessivo compulsivo – TOC – um quadro clínico cada vez mais frequente e que atinge as diversas raças, culturas e nacionalidades.

Esse distúrbio, mais conhecido como “mania” ou “esquisitice”, é uma vontade compulsiva que cria pensamentos ambíguos e embaraçosos, de caráter intrusivo e obstinado, os quais ecoam na casa mental num ciclo persistente e desagradável, gerando muita angústia.

Trata-se de doença aflitiva, associada e uma ideia persistente, que constrange o indivíduo a manifestar atos repetitivos, impulsos estranhos ou rituais inexplicáveis com o intuito de produzir uma sensação de alívio ou mesmo reduzir a ansiedade interna.

Esse desconforto emocional pode levar a criatura a ter desde um leve distúrbio até uma incapacitação externa no seu cotidiano.

Segundo os estudiosos do TOC, a “chave mestra” para compreendermos um indivíduo com essa compulsão é entender que o circuito interno que detecta quando há algo errado em sua intimidade está acelerado ou funcionando além do necessário.

Esse circuito, alterado por um problema estrutural e/ou funcional, trabalha continuamente, mesmo quando o erro é corrigido. Deixa o indivíduo em constante apreensão e desconforto, como se alguma coisa sempre estivesse errada com ele.

Desse modo, a criatura se sente constrangida a corrigir, de modo incessante, seus equívocos ou erros, reais ou imaginários.

Comportamentos hipocondríacos, medo excessivo de contaminação, ideias frequente de alinhamento e simetria de objetos pessoais, preocupação exagerada com limpeza e lavagem, mania de verificação ou checagem, senso patológico de responsabilidade, culpa sem nexo, rituais de repetição, atitudes de colecionar objetos esdrúxulos e sem serventia. Esses são alguns entre os muitos comportamentos ligados às pessoas com o transtorno obsessivo compulsivo.

Elas, involuntariamente, possuem um padrão de raciocínio deste tipo: “Tenho minha própria proteção. Ela é forte e imprescindível para que eu possa socorrer os que estão sob meus cuidados. Tenho que afastar a incessante contaminação do mal que está em toda a parte. Através deste meu ritual, compenso com coisas boas para que as coisas não aconteçam”.

Outras, inconscientemente, alegam desta forma. “Sabe quais são as regras? É só contar e arrumar tudo milimetricamente, verificar sempre todas as coisas para que nada de errado aconteça. Eu sei disso, mas os outros podem não saber da existência do perigo. Preciso sempre fazer bem feito para contrabalançar o mal”.

Para melhor entendermos a atividade funcional do TOC, usaremos como elucidação a rede de células nervosas autônomas da estrutura humana.

Ela é assim chamada porque trabalha de modo inconsciente, não precisando, para tanto, de ordens conscientes.

O sistema autônomo de nervos transmite comandos vitais que mantêm em pleno funcionamento as funções do corpo. Regula os órgãos e os vasos sanguíneos – afetando a respiração, a circulação e o metabolismo – e ativa as ações glandulares e os músculos involuntários.

Se os órgãos internos podem funcionar de modo inconsciente, há situações e momentos em que os nervos sensoriais ativam intensamente o sistema autônomo. Por exemplo, se avistássemos ao longe um leopardo, uma mensagem seria disparada imediatamente para a rede de células nervosas autônomas, responsáveis pelas rápidas adaptações internas, em face de uma circunstância perigosa.

O automatismo nervoso entraria em ação, haveria uma aceleração do sistema respiratório, o coração pulsaria mais rápido, os brônquios se dilatariam, o sangue com maiores quantidades de adrenalina seria lançado aos músculos e outras reações ocorreriam para a preparação de um provável desgaste maior de energia, para a luta ou a fuga.

Agora, imaginemos que uma pessoa acione constantemente esse mecanismo autônomo diante de supostas sensações de ameaças ou de temores fictícios. A impressão de medo ora vem, mas logo em seguida passa, e ressurge novamente. Ela tenta se proteger de um perigo imaginário ou se defender de algo que não vê ou não entende, perpetuando uma atitude de defesa ante uma agressividade irreal.

Esse circuito descompensado é o que chamamos de compulsão repetitiva, pois, quanto mais o comportamento se repete, mais forçado a reproduzir-se.

No TOC, o distúrbio é uma “ruminação mental” onde impera uma constante sensação de erros e equívocos, ocasionando reiteradas correções e verificações cíclicas e aparentemente sem nexo.

Visando à clareza, utilizamos esta alegoria ao comparar dois mecanismos (o orgânico e o psicológico) que possuem certa similitude; no entanto não tivemos nenhuma pretensão de nos julgarmos especialista em qualquer tipo de conhecimento específico ou excepcional relativo ao assunto em pauta.

Um dos pensamentos obsessivos-compulsivos que provocam mais sofrimentos ao doente é aquele cujo conteúdo envolve o medo de causar dano ou morte a si mesmo ou a alguém a quem muito ama.

As pessoas que apresentam esse distúrbio criam rituais e gesticulações para controlar suas sensações, as quais, segundo elas, podem levar à doença ou à morte repentina, sua e de seus entes queridos. Por isso é que cumpre a elas fiscalizar e conter o teor de sua atividade mental, ainda que momentaneamente.

O problema é que essas pessoas supervalorizam a importância de seus pensamentos negativos, a ponto de considerar que tê-los é a mesma coisa que fazê-los acontecer, quando sabemos que simplesmente pensar não quer dizer, de jeito algum, que o que pensou vai se concretizar.

O indivíduo com ideias compulsivas não deveria dar créditos a elas, pois, em verdade, não são seus sentimentos e emoções que vão determinar o que vai acontecer ou não na vida dos outros, haja vista que cada ser recebe o legado de suas próprias experiências do ontem, com possibilidades de alterá-las conforme vivencia as do hoje.

Nossa vontade é força poderosa e determinante somente para nossa vida, não para a vida alheia (da família consanguínea ou da família do coração). Temos conosco o que procuramos, e os outros têm com eles o que procuram. Somos herdeiros de nossos próprios atos e atitudes.

Por essa razão é que Jesus de Nazaré, no episódio da cura de um obsedado, por conhecer a ação e o poder do pensamento sombrio, nos adverte: “Todo reino dividido contra si mesmo acaba em ruína e nenhuma cidade ou casa dividida contra si mesma poderá subsistir”.

Cada um de nós possui um “reino” ou “casa íntima” contendo uma vastidão de sentimentos e emoções, tendências e possibilidades, pensamentos e criações. Portanto, ter na própria intimidade o “reino dividido contra si mesmo” ou a “casa dividida contra si mesmo” equivale a dizer que: transitamos presos ao mundo das oposições, que se divide em dois, o de dentro e o de fora; vivemos temerosos entre erros e acertos, entre o bem e o mal, entre o certo e errado, entre a luz e as sombras, prisioneiros da polaridade.

Diz a sabedoria oriental: “os olhos e ouvidos são saqueadores externos; emoções, desejos, pensamentos são saqueadores internos. Mas, se a nossa mente estiver tranquila, alerta e desperta, poderá transitar serenamente entre esses saqueadores, sem os segregar ou dividir, e eles se transformarão em pacíficos membros do lar”.

Enquanto mantivermos uma luta discriminatória a fim de ter sob controle rigoroso nossos pensamentos, estaremos nos expondo ao risco de potencializá-los e de vê-los transformados em obsessões compulsivas. Não é preciso nem superestimá-los nem subestimá-los. A propósito, não querer pensar em alguém ou em alguma coisa já nos remete mecanicamente a pensar neles.

Os indivíduos que atribuem aos seus estímulos internos (pensamento, sentimento, emoção e outros tantos) um caráter absoluto, soberano e independente, não lhes dando um valor relativo, nem os colocando em contato direto com a realidade, se assemelham à “cidade ou casa dividida contra si mesma“.

Para que não se perpetue a desarmonia ou desequilíbrio na casa íntima é necessário tomarmos posse dos atributos considerados inerentes à alma humana: atividade, unidade, identidade, autonomia e posicionamento.

Sem comando mental, a criatura passa a ser influenciada pelos “saqueadores externos e internos”. É como se não agisse por si mesma, e sim como um ser de comportamento maquinal, executando tarefas ou seguindo ordens, destituído de consciência, raciocínio, vontade ou espontaneidade. Tudo o que sente, pensa e faz parece estar sendo dirigido por algo fora de sua autoridade.

Entreguemos nossas síndromes de ansiedade, medo e transtornos compulsivos nas mãos de Deus. Submetamos nossas enfermidades psíquicas sem causa específica à ação divinal.

Lembremo-nos de que o homem ávido de paz de espírito e de renovação mental esforça-se, confia e espera incessantemente, porque sabe que “a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam”. E, igualmente, não podemos nos esquecer de que, segundo o apóstolo João, devemos crer e jamais temer porque, em síntese “nós somos de Deus”.


Hammed 












terça-feira, 8 de abril de 2025

Hammed - Livro Um Modo de Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 20 - Justificando desacertos



Hammed - Livro Um Modo de Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 20


Justificando desacertos


“Não saia dos vossos lábios nenhuma palavra inconveniente, mas, na hora oportuna, a que for boa para edificação, que comunique graça aos que a ouvirem”. (Efésios, 4:29.)

Paulo de Tarso agiu com absoluta justeza quando aconselhou seus companheiros de Éfeso: “Não saia dos vossos lábios nenhuma palavra inconveniente”. As palavras possuem um caráter sagrado. Há muitas criaturas que as utilizam modificando-lhes o verdadeiro sentido e alterando lhes os traços essenciais. Nossas expressões apresentam qualidade superior quando precedem conceitos, ideias e planos sublimes da vida.

Todavia, “na hora oportuna, a que for boa para edificação, que comunique graça aos que a ouvirem”. Em nossas conversações podemos manifestar as mais altas aspirações de religiosidade; portanto, devemos nos servir dela utilizando o verbo que edifica e esclarece todos em nossa volta.

Tudo que não se entende, tudo que não se quer admitir, tudo aquilo que se quer negar, é justificado, de modo repetitivo, por meio de um antigo chavão: “É a vontade de Deus!”.

Em outras palavras, reiteramos constantemente essa frase stereotipada que, por ser usada de forma maquinal e indiscriminada, perde totalmente seu valor de expressão, tornandose vã. Por sinal, este é um dos mandamentos das antigas escrituras: “Não pronunciarás em vão o nome de teu Deus” (1).

Utilizamo-la para não assumir compromissos de mudança e, igualmente, como álibis filosóficos, evasivas cármicas ou autoabsolvição quando não queremos ser responsabilizados por atos e atitudes.

A expressão “É a vontade de Deus!” quase sempre é empregada para abonar nossos disparates, para dar explicações capengas para os nossos comportamentos inadequados ou para validar decisões equivocadas e precipitadas.

Essa frase feita é uma “salvação auspiciosa” que supostamente tudo cura: “Foi Deus que quis assim!”. E nós nos perguntamos: “Foi mesmo?”.

Todos temos tendência para fugir da realidade, desviando a mente para outros entretenimentos. O escapismo vige em nossos meios sociais e religiosos.

Ignoramos as relações dos seres vivos entre si ou com os meios orgânico e inorgânico com os quais interagem; por isso destruímos matas e florestas, poluímos as águas do Planeta, contaminamos a atmosfera com gases letais.

E, como consequência, grandes calamidades acontecem: secas horríveis, estiagens, ventanias devastadoras, ciclones destruidores, excesso de chuvas, subidas de maré, desabamentos causados por grandes enchentes. E depois repetimos tranquilos e inconscientes:

“Não temos nada a ver com isso; é a vontade de Deus”, ou mesmo,

“Tudo isso faz parte deste mundo de provas e expiações”.

Não somos moralizados, somos moralistas. Nossa concepção de moral é separada da singularidade dos indivíduos, ignora a distinção e a complexidade de cada ocasião e é baseada em preceitos tradicionais e preconceituosos.

A verdadeira ética considera as diferenças e as mudanças contínuas dos seres, e não se fecha numa visão unilateral; legitima, acima de tudo, o bem comum e os valores universais. Por estarmos distanciados da ética, não conseguimos avaliar com justiça e honestidade o que acontece ao nosso redor.

No entanto, quando indivíduos agem desonestamente, em benefício próprio ou de outrem, espoliando instituições e pessoas humildes, lesando o patrimônio público e privado, ficamos surpresos e perplexos e declaramos: “A lei divina os fará resgatar individual ou coletivamente”. Também nessa frase está implícita a vã utilização do nome de Deus.

Somos incapazes de tomar decisões sozinhos, o que nos leva a transferir nossas responsabilidades a um parceiro afetivo ou a outros familiares. Manipulamos as pessoas, fazemos complôs ou tramas secretas, superprotegemos filhos, mimando-os, e vivemos dependurados em relacionamentos passionais.

Em decorrência disso, podemos sofrer sérios desarranjos emocionais e/ou psicológicos, bem como lançar mão das mais diversas viciações como forma de compensar a pressão do desequilíbrio interno. No entanto, quando isso ocorre, tratamos o problema como se não tivéssemos absolutamente nada a ver com ele. Alegamos: “É a lei divina agindo, são cobranças do passado delituoso, atraindo obsessores e outros Espíritos infelizes”. Isso para não dizer: “É a vontade de Deus!”.

Escolhemos nos consorciar precipitadamente ou agimos impensadamente quando firmamos um vínculo conjugal. No amor romântico, formamos ideias, imagens e devaneios, servindo-nos de descrições fantasiosas e sonhadoras, e, quando elegemos alguémm como par, dizemos: “Encontrei minha alma gêmea”.

Depois de algum tempo (meses ou anos) de relacionamento diário, quando cessa a fase do doce encanto e aparecem as arestas e os desencontros, logo invalidamos a primeira afirmativa: “Não era não minha metade eterna, mas um ‘débito do passado’ ”.

Quando declaramos que o parceiro afetivo é “alma gêmea”, pressupomos ser uma indicação da vontade de Deus, mas, quando afirmamos que a relação conjugal é “débito do passado”, julgamos ser uma imposição da vontade de Deus.

Assim, tudo fica fora do nosso âmbito de ação e continuamos desconsiderando nossa capacidade de agir e decidir, não admitindo nenhuma responsabilidade sobre nossas escolhas. A responsabilidade por pensar, optar e determinar não é um processo automático.

Não somos marionetes movidas por meio de cordéis e manuseadas ocultamente por forças misteriosas e fora de nosso alcance. Estamos sempre escolhendo onde, como e com quem viver.

Precisamos lembrar que livre-arbítrio significa capacidade de pensar e agir. Vontade é sinônimo de arbítrio – um poder de ação essencial em nossa vida.

Somos insensatos se não assumimos responsabilidade pela própria vida. Aceitar nossos erros é sinal de amadurecimento interior; negá-los, ou justificá-los ilusoriamente como “vontade de Deus”, é infantilidade espiritual.

“Não saia dos vossos lábios nenhuma palavra inconveniente”. Frases e expressões podem preceder concepções e ideias que nos permitem entender ou distorcer a realidade.


Hammed


(1) Êxodo, 20:7.




VÍDEO: 

Cap. 20 - Justificando desacertos - Um modo de entender, uma nova forma de viver - Hammed

Apresentação: Thássia Santiago





sábado, 29 de março de 2025

Hammed - Livro Um Modo de Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 45 - Perante a dor



Hammed - Livro Um Modo de Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 45


Perante a dor


“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus”. Paulo (Romanos, 12:2.)

Nossas dores podem ser analisadas como fonte de aprendizagem ou cárcere de lamentação. Elas surgem para que possamos perceber o que precisamos melhorar ou reformular interiormente.

Dificuldades e conflitos são materializações de atos e atitudes íntimas que precisam ser avaliados. Portanto, não tomemos postura de vítima perante dores; antes busquemos em nós mesmos as causas que as motivaram.

Quem vive se justificando diante do sofrimento não quer renovar-se, e quem se acomoda transforma as dificuldades em conflito, fazendo da existência um verdadeiro tormento.

Talvez a falta de flexibilidade seja a causa primária de muitos de nossos desajustes. A vítima não quer ver a realidade, o equívoco e os limites humanos; simplesmente veste o “manto da infelicidade” e culpa o mundo que a rodeia.

Criaturas flexíveis e abertas utilizam-se de atitudes experimentais, jamais definitivas. Fazem novas “leituras de mundo” e reavaliam ideias e ideais, sempre que surjam novos fatos ou acontecimentos.

Eis a regra de ouro diante da dor: “jamais se imobilizar no tempo e nunca fechar as “cortinas da janela” da alma, pois isso leva a uma vida de ilusões e vazia de experiências”. O amanhã existe para que não fiquemos presos no hoje.

A “vontade de Deus” nada nos apresenta que não seja educativo e fecundo para o nosso crescimento e renovação interior. Examinemos cuidadosamente nossas aflições; nelas estão contidos os avisos e lembretes de que necessitamos para harmonizar a nossa existência.


Hammed










terça-feira, 18 de março de 2025

Hammed - Livro Um Modo De Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 23 - A "preço fisiológico"



Hammed - Livro Um Modo De Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 23


A "preço fisiológico" 
 

“O fariseu, vendo isso, ficou admirado de que ele não fizesse primeiro as abluções antes do almoço. O Senhor, porém, lhe disse: Agora vós, ó fariseus! Purificais o exterior do copo e do prato, e por dentro estais cheios de rapina e de perversidade! Insensatos! Quem fez o exterior não fez também o interior?”
(Lucas, 11:38 a 40)

O recém-nascido traz consigo das vidas pregressas mentalidade e sensibilidade suficientes para interagir ou reagir aos anos e comportamentos positivos ou não dos adultos com os quais convive.

Não obstante, há pessoas que são de parecer que não se educam os recém-nascidos, uma vez que ainda não desenvolveram integralmente os órgãos dos sentidos. Existe, todavia, uma educação inarticulada e inconsciente adquirida pelo bebê, que pode ter origem nas atitudes dos pais, mas totalmente despercebidas deles.

Os bebês possuem a capacidade de “estesia” – do grego aísthesis (sensação) -, uma característica congênita; em outras palavras, a sensibilidade mental, emocional e espiritual inerente a todo ser humano. Essa faculdade de perceber e captar informações sobre as mudanças no meio (externo e interno) e de a elas reagir através de sensações está presente em toda criança, ainda mesmo que ela não fale nem entenda corretamente o que dizemos.

Cada um de nós renasce para aprender e crescer sempre, abordando a nova existência com os olhos curiosos de um eterno aprendiz, livre para usar as vocações e disposições naturais.

Os preconceitos internalizados no berço levam as crianças, no futuro, às inseguranças, às fobias, às doenças psicossomáticas, que vão tolher ou distorcer a formação de sua mentalidade.

Apesar de os adultos reconhecerem no íntimo as singularidades dos filhos, continuam impondo conceitos, ideias, e tentando fazer deles seres idealizados segundo sua expectativa fantasiosa de perfeição e seu modelo de felicidade.

As regras e normas sociais e injustas, elaboradas por uma sociedade conflitada e desarmônica, estabelecem uma visão dualista entre o masculino e o feminino, desrespeitando e desmoralizando a individualidade das consciências em desenvolvimento.

Desde a infância, ensinamos aos filhos: jeito de falar e andar, posturas corporais, assuntos permitidos, profissões e roupas adequadas para cada sexo. Contudo, nos esquecemos de que o ato mais educativo, compassivo, pedagógico e de melhor adequação à formação psicoespiritual infantil, seria o de fornecer às crianças condições de defender suas opiniões e sentimentos, incutindo-lhes autorresponsabilidade por seus comportamentos e decisões, respeito incondicional pelos outros e discernimento na justeza de sua razão e juízo sobre o que elas podem ou não fazer.

Criam-se diretrizes existenciais diferentes para homens e para mulheres, sem análise dos fatores: disposição natural, aptidão, sentimento, vocação. Ser homem ou ser mulher é uma situação temporária, é uma roupagem que o Espírito veste a fim de adquirir conhecimento e intuição, razão e sensibilidade, abstração e concretude diante de sua caminhada existencial.

Mentalidade é o conjunto de crenças, costumes, hábitos e disposições psíquicas de um indivíduo. Jesus Cristo, vivendo entre seres fundamentalistas, ortodoxos e fanáticos – alicerçados sobre uma mentalidade rígida quanto a “normas” e “regras” estabelecidas pelas antigas religiões -, haveria de não ser compreendido por sua postura de relacionamento livre de preconceitos e por ensinar sempre novos aspectos de sentir, pensar e agir.

“Agora vós, ó fariseus! Purificais o exterior do copo e do prato, e por dentro estais cheios de rapina e de perversidade! Insensatos! Quem fez o exterior não fez também o interior?”

Nossos preconceitos são máscaras que, inicialmente, nos dão um aparente conforto e proteção, mas, depois, nos confinam entre grilhões e opressões. Talvez a causa da nossa insatisfação seja não estarmos fazendo o que queremos fazer, e sim o que os outros disseram que devemos fazer. Preconceitos enraizados são fonte de desprazer e de distonias emocionais que, com o tempo, se materializam em doenças físicas.

Na vida social pagamos as coisas a “preço de custo”, “preço de mercado”, “a qualquer preço”, mas os preconceitos nós os pagamos a “preço fisiológico”.


Hammed












domingo, 2 de março de 2025

Hammed - Livro Um Modo de Entender - uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 15 - Medo



Hammed - Livro Um Modo de Entender - uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 15


Medo


"Depois disto, que nos resta a dizer? Se Deus está conosco, quem estará contra nós?" (Romanos, 8:31)


O medo pode ser definido como um estado psíquico de inquietação constante, agitação ou impaciência diante de um perigo real ou imaginário.

O medo racional é saudável e necessário em nossa vida. Ele nos protege de nossa impulsividade e de nossos atos irrefletidos.

No entanto, quando o medo é patológico, torna-se destrutivo e tem como resultado a imobilidade de nossas forças mais íntimas.

Eis alguns sintomas emocionais de temores que nos complicam a existência:

• Agitação mental – incapacidade de relaxar e silenciar internamente, sendo preciso reler a mesma página diversas vezes.

• Pessimismo e insegurança – hesitação pertinaz em face não só das grandes como também das pequenas decisões existenciais.

• Dissociação mental – esquecimento constante das coisas mais naturais e simples do cotidiano.

• Agressividade exagerada – irritação contínua com tendência a atacar gratuitamente os outros com ofensas e insultos.

• Vulnerabilidade – sensação frequente de melancolia, como choro fácil e atmosfera de perseguição contumaz.

• Comportamento compulsivo – uso de atos ritualísticos propensos ao perfeccionismo; início de várias atividades ao mesmo tempo sem termino de nenhuma.

• Aura de fracasso – desculpa por qualquer coisa e sentimento de humilhação constante na frente dos outros.

• Falta de motivação – crises de perda de interesse pela vida, sensação de desânimo.

• Mente exaurida – isolação da vida social. A criatura só executa o que é estritamente necessário para a sua manutenção diária.

Não podemos afirmar que todos esses sintomas estão relacionados apenas como medo, mas, quando algum deles ocorrer, é necessário estarmos alerta, pois o medo pode está servindo de base às nossas emoções e atitudes perante a vida.

No espiritismo, encontramos as ferramentas essenciais e as técnicas sensatas para utilizar o medo na proporção certa e apropriada diante de cada fato ou acontecimento que tivermos de enfrentar.

O temor pode ser um ácido que venha consumir desnecessariamente nossas energias vitais. Entretanto não podemos esquecer que “Se Deus está conosco, quem estará contra nós?”.


Hammed









terça-feira, 19 de novembro de 2024

Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap 37 - Analfabetos do sentir



Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap 37


Analfabetos do sentir


“Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la em lugar escondido ou debaixo do alqueire, e sim sobre o candelabro, a fim de que os que entram vejam a luz”.
(Lucas, 11:33)

De modo geral, o vício e o analfabetismo do sentir são uma via de mão dupla: um realimenta o outro numa constante permuta energética.

Ao analisarmos profundamente o conceito de vício, constatamos que ele não é somente o uso de tóxicos, de álcool, de produtos farmacológicos, de nicotina, ou a prática de jogos de azar. Ele também compreende as atitudes destrutivas: as de julgar, de seduzir, de culpar, de gastar, de mentir, de martirizar-se, de exibir-se, e outras tantas.

Portanto, uma criatura que se encontra sob a dependência de quaisquer substâncias, de pessoas, de situações e de comportamentos pode ser considerada viciada.

São denominados “analfabetos do sentir” todos aqueles que não sabem exprimir, por palavras, gestos ou atitudes, suas emoções, vivendo num mar de conflitos por não identificarem corretamente seus sentimentos e emoções, e torná-los distintos.

Incontestavelmente, o vício e o analfabetismo do sentir exercem uma ação mútua. O analfabeto do sentir – aquele que não sabe expressar ou reconhecer o que realmente sente – pode entrar pelas portas da viciação como meio de fuga das “tensões torturantes”, julgando com isso tornar mais suportável a pressão existente em seu mundo íntimo desorganizado.

Em resumo, aquele que é inabilitado para discernir ou avalizar claramente as sensações ou impressões internas, terá grande probabilidade de adquirir, mais dia, menos dia, algum tipo de vício ou, no mínimo, estará sujeito a alguma dependência.

Somos o que sentimos

Não somos o que os outros dizem que somos, nem somos o que pensamos que somos; somos o que sentimos. Sofremos porque não vivemos de acordo com nossos sentimentos e emoções, mas porque seguimos convenções fundamentadas em regras partidárias e normas sociais que discriminam características sexuais, étnicas, culturais e religiosas.

A Natureza não é diplomática, ela não negocia visando à defesa dos interesses pessoais.

Cada um é uma obra-prima de Deus; em vista disso, por mais que se criem leis, elas não conseguem regulamentar os seres únicos que somos. Os padrões da sociedade nunca conseguem abranger o âmago do ser, porque este foge dos parâmetros que o cercam tentando limitá-lo.

A criatura analfabeta do sentir, em princípio não tem a menor ideia de como identificar e começar a lidar com seus sentimentos e emoções. Por isso, solicitar a ela que diferencie as suas muitas emoções é como pedir a uma criança de pouco meses de idade que não seja birrenta ou chorosa.

Raiva, tristeza, ansiedade, angústia, solidão, cansaço, medo, vergonha, carinho ou amor não lhe dão a impressão de ser sensações diversificadas; para ela todas se apresentam confusamente misturadas.

“Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la em lugar escondido ou debaixo do alqueire, e sim sobre o candelabro, a fim de que os que entram vejam a luz”. Nessa passagem de Lucas, podemos comparar os sentimentos e emoções com a “Lâmpada sobre o candelabro”, que não deve ser escondida, mas exposta “a fim de que os que entram vejam a luz”.

Nossos sentimentos e emoções são tudo o que temos para perceber a “luz da vida”. Não experimentá-los nem expressá-los seria o mesmo que destruirmos o elo com nosso âmago; seria como colocarmos a lâmpada em “lugar escondido ou debaixo do alqueire”; seria vivermos em constante ilusão, distanciados do verdadeiro significado da vida.

Sentimentos e emoções não são errados ou impróprios; são apenas energias emocionais, e não traços de personalidade. Não precisamos nos culpar por experimentá-los.

Afinal, admitir medo ou raiva diante de fatos é perfeitamente compreensível, porque a energia da raiva nos proporciona um “estado de alerta”, para que possamos nos defender de algo ou de alguém, enquanto o medo é um mediador favorável diante de “situações de risco”.

Por exemplo, sentir inveja é muito diferente do agir com base nela. Não é porque temos eventuais crises de inveja que devemos ser considerados indivíduos “maus”; sentir inveja não é o mesmo que roubar, lesar ou causar dano a alguém. Da mesma forma, quando registramos súbitas sensações de compaixão e generosidade, também não podemos ser chamados de pessoas plenamente bondosas.

Sentimentos e emoções nos guiam e nos fornecem indicações importantes para nossa vida de relação. Se não sentimos, não analisamos os pensamentos que os acompanham e não sabemos o que nosso imo está tentando nos mostrar.

A palavra sentimento – do latim medieval sentimentum – indica a “faculdade inata de perceber as impressões afetivas” ou “de identificar fenômenos relativos à afetividade”. Emoção – do latim motio-onis – quer dizer “movimento para fora” e/ou “comoção que emerge em face de um possível estado interno”.

As emoções emergem através dos chacras – do sânscrito chakra (roda, círculo) – ligados diretamente aos plexos nervosos das áreas inferiores do corpo humano, enquanto os sentimentos transitam por intermédio dos chacras situados nas regiões superiores.

Podemos identificar sentimentos e emoções em níveis diversos de intensidade, de acordo com nosso grau de evolução, conceituando cada um com nomenclaturar diversificado. A propósito, fazem parte da mesma família do impulso da raiva: o melindre, a irritação, a mágoa, o ódio, a violência, a crueldade, bem como a bravura, o arrebatamento, o entusiasmo, a persistência, a determinação, a coragem.

Há inúmeras sensações emocionais, eis algumas nuances e variações do nosso sentir:

Tristeza + amor = saudade.

Tristeza + raiva = mágoa ou irritação.

Alegria + amor = ânimo.

Alegria + medo = ansiedade ou insegurança.

Medo + raiva = depressão ou desânimo.

Medo + tristeza = solidão.

Medo + alegria = vergonha.

Amor + medo = ciúme.

Amor + raiva = vingança.

Medo + orgulho = timidez.

Raiva + orgulho = desprezo.

Precisamos começar a desenvolver nossa própria educação do sentimento, aprendendo o que e como sentir.

Tornamo-nos emocionalmente educados quando nos permitimos sentir todas as sensações energéticas que partem do nosso universo interno, livres de julgamentos precipitados e de qualquer condenação, pois os sentimentos são bússolas que nos norteiam os caminhos da vida.

Assim como o vício e o analfabetismo do sentir andam de mãos dadas, da mesma forma se potencializam mutuamente a sanidade mental e a educação emocional.

Para que possamos adquirir um coração apaziguado e uma mente tranquila, devemos aprimorar nossa leitura interna, compreendendo o que os sentimentos querem nos dizer e utilizando-os apropriadamente para cada fato ou situação – devemos aprender a “escutá-los” adequadamente.

Olhamos e admiramos o Universo a um só tempo com nossas percepções interiores. O valor real de um sentimento ou emoção pode ser aferido. O valor real de um sentimento ou emoção pode ser aferido pela constância, determinação e hábitos que revelamos para interpretá-los.


Hammed 












quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Hammed - Livro Um Modo de Entender, uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 40 - Sintonia



Hammed - Livro Um Modo de Entender, uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 40


Sintonia


“Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto”. ( Mateus, 7:7 )

Todas as coisas que existem no Universo vivem em regime de afinidade. Desde o átomo até os arcanjos tudo é atração e sintonia. Nada que te alcança a existência é ocasional ou fruto de uma reação sem nexo.

Teu livre-arbítrio indica com precisão a posição que ocupas no Cosmo, uma vez que cada indivíduo deve a si mesmo a conjuntura favorável ou adversa em que se situa no momento atual.

Vieste da inconsciência – simples e ignorante – e, pela lei da evolução, caminhas para a consciência escolhendo a estrada a ser percorrida.

– Encontrarás o que buscas.

– Tens a posse daquilo que deste.

– Convives com quem sintonizas.

– Conhecerás o que aprendeste, mas somente incorporarás na memória o que vivenciaste.

– Avanças ou retrocedes de acordo com a tua casa mental.

– Felicidade e infelicidade são subprodutos de teu estado íntimo.

– Amigos são escolhas de longo tempo.

– Teu círculo doméstico é a materialização de teus anseios e de tuas necessidades de aprendizagem.

– Pelo teu jeito de ser, conquistarás admiração ou desconsideração.

– O que fizeres contigo hoje refletirá no teu amanhã, visto que o teu ontem decidiu o teu hoje.

Com teus pensamentos, atrais, absorves, impulsionas ou rechaças. Com tua vontade, conferes orientação e rumo, apontando para as mais variadas direções. Disse Jesus: “Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto”.

Sintonia é a base da existência de toda alma imortal. Seja na vida física seja na vida astral, a lei de afinidade é princípio divino regendo a ti, a todos os outros e a tudo.

Observa: viver no drama ou na realidade, na aflição ou na serenidade, na sombra ou na luz, é postura que está estritamente relacionada com teu modo de sentir, pensar e agir.


Hammed














quarta-feira, 24 de abril de 2024

Hammed - Livro Um Modo de Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 52 - Será que buscamos o que queremos?



Hammed - Livro Um Modo de Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 52


Será que buscamos o que queremos?


“Por isso vos digo: tudo quanto suplicardes e pedirdes, credes que recebestes, e assim será para vós” (Marcos, 11:24.)


Que queremos realmente da vida? Para que vivemos? Qual a nossa busca verdadeira?

Queremos mesmo viver a vida que levamos?

Queremos mesmo fazer o que fazemos?

Queremos mesmo estar com quem estamos?

Há pessoas que jamais questionam sobre essas coisas porque não querem saber nada sobre si mesmas.

São criaturas que agem impensadamente, sem medir o alcance de suas palavras e gestos, atos e atitudes. Não se dão conta das coisas em sua volta, não percebem as circunstâncias em que vivem. Agem de modo insensato e maquinal. São levianos e incoerentes, há neles ausência de reflexão – não têm nenhum domínio de suas faculdades naturais.

Por outro lado, não são poucos os que se satisfazem em apresentar para si e para os outros respostas prontas, regulamentadas, banais, corriqueiras. Não se pode entender nada daquilo que não tenha vindo das próprias experiências e vias inspirativas.

Igualmente, são inumeráveis aqueles que, julgando saber muito, limitam-se a repetir “frases feitas” retiradas de compêndios filosóficos e religiosos. Têm respostas para tudo, repisam conceitos ocos ou sem eco, tomam ares de intelectual, mas, em verdade, sentem enorme vazio interior.

Cremos ser de grande utilidade à nossa estrada evolutiva prestarmos atenção reflexiva às palavras do Cristo Jesus:

“Por isso vos digo: tudo quanto suplicardes e pedirdes, crede que recebestes, e assim será para vós”.

Pedimos de fato o que desejamos? Pode ser que nos darão tudo aquilo de que não gostamos.

Buscamos verdadeiramente nosso íntimo? Se não, acharemos coisas que nada têm a ver conosco.

Batemos na porta que queremos? Talvez abrirão portas pelas quais não queremos passar.

Se não sabemos o que queremos, para onde estamos indo?

Como a Vida Maior vai facilitar a nossa caminhada se não sabemos qual é nosso rumo ou meta?

Pensemos bem, reflitamos: sentir e viver a vida interior é muito mais do que ficar pensando nela.

Necessitamos tomar uma atitude de observação interna e externa, de atenção perceptiva, junto com o anseio de encontrarmos o nosso verdadeiro lugar na vida, de entendermos o sentido das coisas que nos acontecem, visto que tudo tem um significado implícito.

Cada criatura tem um jeito único de ser e crescer, um espaço exclusivo a ocupar neste mundo e um peculiar poder pessoal de mapear seu próprio caminho evolutivo.

O que resulta da opinião alheia e nela se fundamenta é conceito relativo. O que deriva da realidade das coisas – o que se sente e o que se vive, e nela se baseia – é fato autêntico.

A grande maioria das criaturas prefere enxergar por meio dos olhos dos outros; entretanto, devemos perceber a vida com nossos próprios olhos.

Sabemos mesmo o que pedimos? Do contrário, poderemos viver existencialmente, sem paradeiro, como ambulantes sem rumo e sem porto.

Diziam os antigos sábios: “Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir”. Quando temos um objetivo claro, o Universo inteiro conspira silenciosamente em nosso favor.


Hammed