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segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade - Direito de propriedade - Questão 880 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade

 
Direito de propriedade 


880. Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem?

“O de viver. Por isso é que ninguém tem o de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal.”


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 880 comentada


O maior direito natural do homem é o de viver na plenitude do seu crescimento espiritual. Desde quando a alma abriu os olhos para a luz da razão, passou a receber o primeiro direito de Deus. Esse direito é seu em qualquer lugar da casa universal e até os anjos de Deus respeitam esse direito, por terem passado pelas mesmas vias de crescimento.

O direito natural do Espírito e do homem é de viver sentindo a vida no que ela pode dar, na conjugação do verbo amar. Nada falta ao homem para a conservação da sua vida; somente falta o exercício da sua parte, no que toca ao respeito aos direitos dos outros, na pauta da vida.

Quando chegamos na plenitude do respeito e do desprendimento, copiamos a Jesus, que deu a Sua vida para que possamos viver melhor. Passou o Senhor da teoria para a prática, como reconhecemos pelo Evangelho, onde o Mestre aceitou a cruz, eternizando a lição de amor por todos nós.

E João, no capítulo três, versículo dezesseis, de sua primeira carta, nos diz deste modo:

Nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos.

Jesus somente via nos seus caminhos de luz as necessidades humanas em tudo que fazia e falava. Ele renunciou aos seus direitos na vida terrena para ajudar com mais eficiência. Mesmo suspenso na cruz, orou pelos Seus agressores, pedindo para eles o perdão do Pai. Verdadeiramente, eles não sabiam que estavam crucificando o Diretor da própria Terra, o Pastor de todos nós.

Jesus tanto pregou a Justiça como viveu o amor. Ele chegou ao mundo sob as bênçãos de Deus e saiu dele integrado na luz do Pai Celestial. Nunca blasfemou, nunca injuriou, nunca feriu, nunca diminuiu alguém. Foi sempre reto na sua conduta e ainda ensinou o respeito aos direitos dos homens, amando a Deus sobre todas as coisas e ajudando ao próximo em todas as suas deficiências morais. A decadência do homem atual é causada pelo desrespeito aos seus irmãos. Quando a política dos homens entender o que é democracia cristã, quando o socialismo de Jesus for entendido pelos homens, tudo nivelado pelo amor, e os direitos de cada um forem respeitados, aí as portas da felicidade começarão a abrir-se, aparecendo a esperança de viver para toda a humanidade.

Os direitos naturais são visíveis para os que têm olhos de ver; são audíveis, para os que têm ouvidos para ouvir. A natureza fala na dimensão que lhe compete dizer; é Deus nos ensinando a amar, pelos processos da vida humana e espiritual. Jesus nos mostrou o caminho para sermos felizes, quando ensinou o "Pai Nosso" para Seus discípulos.

A Doutrina dos Espíritos, que tem a primazia de fazer reviver o Cristo na Terra, nos mostra as leis de Deus, passando a descrevê-las pela escrita, para que os homens compreendam com mais facilidade seus deveres, que são direitos naturais. A consciência ativa é como que um tribunal dentro de nós, inspirando-nos diretrizes de vida e atenção às necessidades alheias.

Esperamos que todos os companheiros não somente ouçam e falem do amor, mas que vivam esse amor na plenitude da justiça de Deus, que adotem o lema "Fora da caridade não há salvação", para que a luz de Deus nosso Pai, desponte na vida, e a vida acorde no coração.


Miramez



Filosofia Espírita Volume XVIII - João Nunes Maia
Cap. 13 - Direitos naturais 









quarta-feira, 17 de março de 2021

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 11 — 10. Lei de justiça, de amor e de caridade - Caridade e amor do próximo - Questão 886 (Miramez)




Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 11 — 10. Lei de justiça, de amor e de caridade


Caridade e amor do próximo 


886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejaríamos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos.

A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque de indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as atenções e deferências lhe são dispensadas. Se for pobre, toda gente como que entende que não precisa preocupar-se com ela. No entanto, quanto mais lastimosa seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o infortúnio pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa.


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 886 comentada


A caridade segundo Jesus é uma ação benfeitora, capaz de modificar a criatura em todos os sentidos, tanto a quem oferta, quanto a quem recebe. Ela é o amor na sua mais alta expressão, é a benevolência conduzindo ao entendimento. Ela é a indulgência despertando a esperança divina no coração; é o esquecimento das ofensas transmutando toda a violência em paz para os sentimentos.

Quando o Mestre pediu para amarmos a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos, resumiu Ele o trabalho de caridade na sua claridade, onde se gera a união de todos os seres. A caridade pura não se restringe somente em comida, veste ou teto; ela se estende em todas as direções que possamos entender. Ela salva, porque todo. Gesto de amor nos leva a Deus e nos faz ver Jesus dentro de nós, sorrindo porque ajudou-nos a vencer a nós mesmos.

Desfrutamos a vida pela caridade de Deus, desfrutamo-la pelos valores do amor, pela caridade de Jesus. Em todo o trabalho que fizermos, não nos esqueçamos da caridade, pois ela ilumina a vida e nos faz viver na plenitude do amor. A benevolência é tão grande, que ela se manifesta de modo diferente para cada criatura, de acordo com o seu entendimento. Eis aí a justiça nos caminhos da fraternidade.

Quando encontramos um rico, devemos sentir o mesmo amor que ao depararmos com um pobre; devemos despertar a alegria por estarmos diante de um ser humano. Os bens materiais pertencem a um só dono e todos nós somos herdeiros, para usarmos sem que o abuso nos prejudique a vida.

Não podemos enganar a vida, manifestando o que não somos, para termos o que não possuímos. O polimento social tem o poder de mudar por fora, mas a intimidade permanece do modo que a evolução atingiu. As mudanças de dentro é que mudam por fora. O que conquistamos são valores eternos, e o que mostramos sem a conquista é breve e o vento leva.

A caridade não pode ser aparente, sem vida própria. A verdadeira é luz do coração, na maturidade da alma. Os que desejam viver na ilusão são como aqueles a quem se refere o Evangelho, que recebem a luz, mas permanecem nas trevas. Conforme citado em Atos, no capítulo sete, versículo cinqüenta e três, Estevão assim disse, com propriedade:

Vós que recebestes a lei por ministério de anjos, e não a guardastes.

As bênçãos dos Céus, não encontrando ressonância na intimidade, não podem fazer moradia nos escaninhos da alma. A caridade, como entendia Jesus, é solidária e justa em toda a sua amplitude; é ponderada, para escolher com mais discernimento; é alegria com pureza de sentimentos. Ela é o próprio amor querendo nos falar de Deus.

Jesus Cristo não somente entendia desta forma a caridade, mas, muito mais, era Ele a própria caridade na manifestação do Pai na Terra. O homem que conhece a caridade e a pratica, não se distancia de ninguém, por ser tal ou qual companheiro inferior em muitos aspectos. Ele se aproxima de todos com a mesma gratidão pela vida, ao colocá-lo junto a todos, compreendendo que todos são filhos do mesmo Deus.

Verifiquemos o sol, a chuva e o próprio ar, que não escolhem a quem clareia, a quem mata a sede e sobre quem sopra. A caridade a justiça, na mais alta vibração de amor.


Miramez



Filosofia Espírita – Volume XVIII - João Nunes Maia
Cap. 19 - A Caridade de Jesus




quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade - Justiça e direito natural - Questão 876 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade - Justiça e direito natural


Questão 876


Posto de parte o direito consagrado pela lei humana, qual é a base da justiça fundada sobre a lei natural?

“Disse o Cristo: Querer para os outros o que quereis para vós mesmos. Deus colocou no coração do homem a regra de toda verdadeira justiça, pelo desejo de cada um de ver respeitados os seus direitos. Na incerteza do que ele deve fazer com relação ao seu semelhante numa dada circunstância, que o homem se pergunte como quereria que com ele agissem em semelhante circunstância: Deus não poderia dar-lhe um guia mais seguro do que sua própria consciência.”

Com efeito, o critério da verdadeira justiça está em querer para os outros o que se quer para si mesmo, e não em querer para si o que se quer para os outros, o que absolutamente não é a mesma coisa. Como não é natural querer o mal para si mesmo, tomando seu desejo pessoal por tipo ou ponto de partida, estaremos certos de querer apenas o bem para o próximo. Em todos os tempos, e em todas as crenças, o homem sempre buscou fazer prevalecer seu direito pessoal; o sublime da religião cristã foi em tomar o direito pessoal por base do direito do próximo.


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 876 comentada

Segundo a lei natural, o direito de um é o direito de outro, por serem todos iguais diante de Deus. Não é justo que uns tenham direitos diferentes dos outros, ante o Pai que se encontra na direção de tudo que existe.

Podemos observar a justiça interna, mesmo entre os órgãos que trabalham, sem nada exigir, para garantir a harmonia do conjunto sobre uma mente instintiva, recebendo ordens e mais ordens da consciência. Cada órgão, em seu lugar, tem trabalho a fazer. Segundo a lei natural, a lei de Deus é a mesma lei interna, que podemos observar quando despertados para tal, pelos processos que chamamos de dor e depois de amor.

Uma das nuances da lei da justiça é que cada um seja respeitado em seus direitos, sejam homens, países ou mesmo os mundos habitados. Os próprios átomos e planetas têm suas órbitas como sinal de respeito pelos que circulam por perto. O que chamamos de "lei da gravidade" nos mostra onde termina o direito do outro vizinho. Assim no mundo, com os pertences das criaturas: a lei se expressa em cercas, muros e papéis, afigurando o dono. Invadir os direitos dos outros passa a ser injustiça e falta grave, que merece punição.

Em Atos dos Apóstolos, capítulo nove, versículo vinte e quatro, passamos a ler o seguinte:

Porém o plano deles chegou ao conhecimento de Saulo; dia e noite guardaram também as portas para o matarem.

Vejamos aí a falta de respeito para com a vida alheia, a injustiça; por que Saulo não teria direito de pregar as idéias de vida e de justiça? Paulo sabia na carne o que era lutar contra Deus; o seu próprio mestre Gamaliel o informou sobre isso.

Desrespeitar a justiça é criar fogo para o seu próprio caminho. É o que não devem fazer os homens que estão lendo todos os dias o Evangelho. A primeira coisa que devemos fazer é respeitar os direitos dos outros, para que os outros respeitem os nossos. Se queremos colher bons frutos, não podemos esquecer as boas sementes. Busquemos a vida, que a vida mais intensa nos busca; demos a paz, ou estimulemos essa paz, que a paz vem ao nosso encontro, com todas as nuances de vida; perdoemos aos nossos ofensores, que eles tornar-se-ão nossos amigos do coração. Quando nos descuidamos dos nossos órgãos, eles se descuidam de nós; quando maltratamos as crianças, o coração sente.

As normas de vida mais excelentes são as dadas por Jesus em Seu Evangelho, porque ele estimula a vida e dá visão aos que padecem de cegueira.

Segundo a lei natural, é dando que recebemos; se escolhemos a dádiva, a vida, senão a lei, escolhe a recompensa na mesma dimensão. O verdadeiro critério de justiça começa na intimidade de cada um, porque a injustiça que pensamos fazer aos outros começa a ser deturpada dentro de nós mesmos.

Os erros alimentares são uma injustiça com o nosso próprio organismo. Os vícios são injustiça com muitos dos corpos que nos servem, para que tenhamos harmonia no coração. A perca do sono em demasia, por coisas vãs, é uma injustiça para com o instrumento de carne. O trabalho que ultrapassa nossas forças é, igualmente, injustiça com as nossas qualidades de servir.

A Doutrina Espírita é um manancial de orientações espirituais, que vão chegando do céu de acordo com as necessidades da alma. Não a desprezes, pois é na luta para compreendermos a justiça, que o amor nos chega ao coração.

Se acordamos para o direito pessoal, devemos saber em seguida que devemos respeitar o direito do próximo. Jesus não pediu aos homens para amarem ao próximo como a eles mesmos? Eis ai a lei com mais evidência, buscando-nos, para que nos tornemos felizes, no cumprimento dos nossos deveres.


Miramez



Filosofia Espírita – Volume XVIII. (João Nunes Maia).
Cap. 9 - Segundo a Lei Natural  





 Fonte: Instituto de Pesquisas Espíritas Allan KardecO Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3.ª Parte - Das leis morais - Cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade - Caridade e amor do próximo - Questão 886 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3.ª Parte - Das leis morais - Cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade


Caridade e amor do próximo


886. Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?

“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

O amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, pois amar o próximo é fazer-lhe todo o bem que nos seja possível e que desejaríamos nos fosse feito. Tal o sentido destas palavras de Jesus: Amai-vos uns aos outros como irmãos.

A caridade, segundo Jesus, não se restringe à esmola, abrange todas as relações em que nos achamos com os nossos semelhantes, sejam eles nossos inferiores, nossos iguais, ou nossos superiores. Ela nos prescreve a indulgência, porque de indulgência precisamos nós mesmos, e nos proíbe que humilhemos os desafortunados, contrariamente ao que se costuma fazer. Apresente-se uma pessoa rica e todas as atenções e deferências lhe são dispensadas. Se for pobre, toda gente como que entende que não precisa preocupar-se com ela. No entanto quanto mais lastimosa seja a sua posição, tanto maior cuidado devemos pôr em lhe não aumentarmos o infortúnio pela humilhação. O homem verdadeiramente bom procura elevar, aos seus próprios olhos, aquele que lhe é inferior, diminuindo a distância que os separa.


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 886 comentada


A caridade segundo Jesus é uma ação benfeitora, capaz de modificar a criatura em todos os sentidos, tanto a quem oferta, quanto a quem recebe. Ela é o amor na sua mais alta expressão, é a benevolência conduzindo ao entendimento. Ela é a indulgência despertando a esperança divina no coração; é o esquecimento das ofensas transmutando toda a violência em paz para os sentimentos.

Quando o Mestre pediu para amarmos a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos, resumiu Ele o trabalho de caridade na sua claridade, onde se gera a união de todos os seres. A caridade pura não se restringe somente em comida, veste ou teto; ela se estende em todas as direções que possamos entender. Ela salva, porque todo gesto de amor nos leva a Deus e nos faz ver Jesus dentro de nós, sorrindo porque ajudou-nos a vencer a nós mesmos.

Desfrutamos a vida pela caridade de Deus, desfrutamo-la pelos valores do amor, pela caridade de Jesus. Em todo o trabalho que fizermos, não nos esqueçamos da caridade, pois ela ilumina a vida e nos faz viver na plenitude do amor. A benevolência é tão grande, que ela se manifesta de modo diferente para cada criatura, de acordo com o seu entendimento. Eis aí a justiça nos caminhos da fraternidade.

Quando encontramos um rico, devemos sentir o mesmo amor que ao depararmos com um pobre; devemos despertar a alegria por estarmos diante de um ser humano. Os bens materiais pertencem a um só dono e todos nós somos herdeiros, para usarmos sem que o abuso nos prejudique a vida.

Não podemos enganar a vida, manifestando o que não somos, para termos o que não possuímos. O polimento social tem o poder de mudar por fora, mas a intimidade permanece do modo que a evolução atingiu. As mudanças de dentro é que mudam por fora. O que conquistamos são valores eternos, e o que mostramos sem a conquista é breve e o vento leva.

A caridade não pode ser aparente, sem vida própria. A verdadeira é luz do coração, na maturidade da alma. Os que desejam viver na ilusão são como aqueles a quem se refere o Evangelho, que recebem a luz, mas permanecem nas trevas. Conforme citado em Atos, no capítulo sete, versículo cinqüenta e três, Estevão assim disse, com propriedade:

Vós que recebestes a lei por ministério de anjos, e não a guardastes.

As bênçãos dos Céus, não encontrando ressonância na intimidade, não podem fazer moradia nos escaninhos da alma. A caridade, como entendia Jesus, é solidária e justa em toda a sua amplitude; é ponderada, para escolher com mais discernimento; é alegria com pureza de sentimentos. Ela é o próprio amor querendo nos falar de Deus.

Jesus Cristo não somente entendia desta forma a caridade, mas, muito mais, era Ele a própria caridade na manifestação do Pai na Terra. O homem que conhece a caridade e a pratica, não se distancia de ninguém, por ser tal ou qual companheiro inferior em muitos aspectos. Ele se aproxima de todos com a mesma gratidão pela vida, ao colocá-lo junto a todos, compreendendo que todos são filhos do mesmo Deus.

Verifiquemos o sol, a chuva e o próprio ar, que não escolhem a quem clareia, a quem mata a sede e sobre quem sopra. A caridade a justiça, na mais alta vibração de amor.


Miramez



Filosofia Espírita Volume XVIII - João Nunes Maia
Cap. 19 - A caridade de Jesus



Fonte: Ipeak - Instituto de Pesquisas Espíritas Allan KardecO Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez


segunda-feira, 27 de julho de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3.ª Parte - Das leis morais - Cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade - Caridade e amor do próximo - Questão 887 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3.ª Parte - Das leis morais - Cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade - Caridade e amor do próximo


Questão  887


Jesus também disse: Amai até mesmo os vossos inimigos. Ora, o amor aos inimigos não será contrário às nossas tendências naturais, e a inimizade não provirá de uma falta de simpatia entre os Espíritos?

“É certo que ninguém pode votar aos seus inimigos um amor terno e apaixonado. Não foi isso o que Jesus pretendeu dizer. Amar os inimigos é perdoar-lhes e lhes retribuir o mal com o bem. Aquele que assim procede se torna superior aos seus inimigos, ao passo que abaixo deles se coloca quem procura tomar vingança.”


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 887 comentada


Amar os inimigos constitui fator de paz. Quem revida ofensas, se coloca abaixo dos ofensores, e o Mestre, vendo a posição dos judeus, que eram na sua maioria violentos nos resguardos da lei mosaica, ensinou aos Seus discípulos que deveriam amar aos ofensores, para isolarem o ambiente de inimizade entre eles.

Certamente que não se consegue facilmente ter o mesmo sentimento para com os ofensores, como o que se tem pelas pessoas que nos dedicam carinho e confiança. No entanto, o amor aos que nos perseguem e caluniam pode receber do seu viver o esquecimento das ofensas e, quando preciso, ajudá-los, sem nos encontrarmos atrás destas criaturas, procurando-as para perdoá-las frente a frente.

Amor é vibração de serenidade e de entendimento. Podemos amar no silêncio, que esse amor interpenetra tudo e fala em sua linguagem de harmonia. O revide fortalece as ofensas, ao passo que o perdão abre caminho para a reconciliação, no amanho do amor.

O mundo ainda se encontra cultivando ódios em raízes milenárias, capazes de destruir trabalhos realizados por civilizações inteiras, somente para satisfazer o orgulho e a vaidade, o egoísmo e a prepotência. Não se deve acompanhar os homens que desconhecem os ensinamentos de Jesus. O Mestre se entregou ao sacrifício para estabelecer a paz entre a humanidade, mas a Sua seqüência de amor ainda deve gastar tempo para dominar os corações. Essa força de Deus tem marcha lenta, porém, é duradoura e marca sua posição na eternidade.

Se o Cristo em nós é motivo de glória, no dizer de Paulo, vamos despertar essa luz no coração, para que ela clareie a consciência. Se continuarmos a negar o Divino Mestre, nos acontecerá como Ele mesmo disse, anotado por João no capítulo sete, versículo trinta e quatro:

Haveis de procurar-me, e não me achareis; também onde estou, vós não podeis ir.

Significa que, tampando os ouvidos à Sua voz e fechando o entendimento para os preceitos de luz que safam dos Seus lábios, é perda de tempo procurar o Senhor, somente para saber onde Ele está. E onde Ele estiver, quem poderá ir, envolvido nas paixões inferiores?

Somente quem perdoar aos que os ofendem e caluniam, somente quem amar no sentido exato da palavra, somente quem usar seus valores espirituais para ajudar, servindo de modelo para os que vêm na retaguarda, os caridosos, os justos, poderão procurar o Mestre e encontrá-Lo na Sua plenitude, por saberem, desta forma, onde Ele se encontra. Os que assim procedem se encontram acima dos seus inimigos, ainda mais, ajudando-os a despertar na, intimidade dos sentimentos, o amor.

A Doutrina dos Espíritos nos mostra com profundidade o que pode ser uma vingança; ela destrói as possibilidades humanas e inverte os valores do coração. Os grandes Espíritos de todos os tempos foram homens que esqueceram completamente as ofensas, tomando os ofensores como filhos do coração. Eis porque alcançaram a serenidade imperturbável da consciência.

Mesmo que alguém nos prejudique, não lhe façamos o mesmo, pois ele não sabe o que faz. Confiemos em Deus e não nos esqueçamos dos exemplos de Jesus, que a nossa vida entrará em estado de luz, ganhando o ritmo da vida em estado de graça.


Miramez




Filosofia Espírita Volume XVIII - João Nunes Maia
Cap. 20 - Amar os inimigos




Fonte: O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito MiramezIpeak - Instituto de Pesquisas Espíritas Allan Kardec

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade - Questão 875 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade


Questão 875 


Como se pode definir a justiça?

“A justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais.”

a) – Que é o que determina esses direitos?

“Duas coisas: a lei humana e a lei natural. Tendo os homens formulado leis apropriadas a seus costumes e caracteres, elas estabeleceram direitos que podem ter variado, com o progresso das luzes. Vede se hoje as vossas leis, sem serem perfeitas, consagram os mesmos direitos que as da Idade Média. Entretanto, esses direitos antiquados, que agora se vos afiguram monstruosos, pareciam justos e naturais naquela época. Nem sempre, pois, é acorde com a justiça o direito que os homens estabelecem. Ademais, este direito regula apenas algumas relações sociais, quando é certo que, na vida particular, há uma imensidade de atos unicamente da alçada do tribunal da consciência.”

Allan Kardec


O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 875 comentada

Define-se a justiça em um dos seus inumeráveis ângulos: o respeito aos direitos alheios. Podemos observar até onde chegam nossos direitos e começam os nossos deveres. Olhando por este prisma, encontraremos sempre a paz. Não fazer aos outros o que não desejamos para nós, eis a justiça interna ditada pela consciência, força poderosa, em ação para nos comandar.

A definição da justiça, na sua amplitude é impossível no campo das ações humanas, porque a justiça é o mesmo amor, agindo em dimensão diferente, com os mesmos objetivos, dando alegria e fazendo homens mais humanos em busca da tranqüilidade espiritual.

A verdadeira justiça está escrita na natureza, e essa força divina inspira aos legisladores, de maneira que eles transcrevem nas leis humanas alguns reflexos da justiça divina. No entanto, essas leis humanas obedecem ao progresso, acompanham a marcha do despertamento das almas, ao passo que a justiça de Deus é por excelência imutável.

Como definição da justiça em maior grau para todos nós, devemos dizer que a justiça é amor. A natureza nos dá exemplos insubstituíveis, em toda a sua floração de vida. É Deus nos mostrando o Seu caminho para todos e tudo criado por Ele. A lei humana é necessária para mostrar a lei natural da Justiça, e ela passa a viver em nós e por nós. Em tudo o que fizermos não nos esqueçamos da justiça, mesmo nas coisas materiais.

Justiça é harmonia. Os próprios átomos se agregam por lei de afinidade elementar; isso é harmonia e justiça. Assim acontece com os astros, assim na vida, assim com os homens, lares e nações. Os homens estabeleceram e estabelecem leis mutáveis, que avançam com o progresso, e Deus estabeleceu leis que nunca mudam. O que muda é o modo de ser do homem, de sorte a compreender melhor a vida.

Quem deseja meditar mais sobre Deus e Suas leis, deve fazê-lo, que os conhecimentos irão chegando à mente e se enraizando no coração. Se queremos modificar o homem velho, necessário se faz que ele morra, para nascer novo homem, com novas perspectivas para amar. Vamos lembrar João novamente, no capítulo onze, versículo catorze, nesta referência:

Então Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu.

Morreu o Lázaro velho e nasceu o novo Lázaro, para nova vida espiritual. Nasceu em Cristo, entendendo e ensinando as coisas do Céu.

Não devemos temer a morte da nossa personalidade cheia de paixões inferiores, desde quando nos encontramos dispostos às devidas mudanças. Nasceremos renovados em Jesus, para a vida cheia de valores imortais. Aí, as mesmas leis humanas deverão mudar, de acordo com a nossa personalidade. Os raios de sol descem para todos, no entanto, cada um tira deles segundo o que faz jus, pela evolução dos seus talentos.

As leis criadas pelos homens no passado, hoje não têm mais razão de ser, no entanto, as leis de Deus no passado eram as mesmas, são e sempre o serão eternidade afora.

As leis eternas de Deus existem, como sendo um tribunal para regular nossas emoções e nos fazer seguros de comportamento, dentro da consciência, centro de luz, ainda desconhecida dos homens e de muitos Espíritos fora do corpo.

Miramez





Filosofia Espírita – Volume XVIII. (João Nunes Maia) 
Cap. 8 - Definição da Justiça




quinta-feira, 25 de junho de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade - Justiça e direito natural - Questão 876 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. XI - 10. Lei de justiça, de amor e de caridade - Justiça e direito natural


Questão 876


Posto de parte o direito consagrado pela lei humana, qual é a base da justiça fundada sobre a lei natural?

“Disse o Cristo: Querer para os outros o que quereis para vós mesmos. Deus colocou no coração do homem a regra de toda verdadeira justiça, pelo desejo de cada um de ver respeitados os seus direitos. Na incerteza do que ele deve fazer com relação ao seu semelhante numa dada circunstância, que o homem se pergunte como quereria que com ele agissem em semelhante circunstância: Deus não poderia dar-lhe um guia mais seguro do que sua própria consciência.”

Com efeito, o critério da verdadeira justiça está em querer para os outros o que se quer para si mesmo, e não em querer para si o que se quer para os outros, o que absolutamente não é a mesma coisa. Como não é natural querer o mal para si mesmo, tomando seu desejo pessoal por tipo ou ponto de partida, estaremos certos de querer apenas o bem para o próximo. Em todos os tempos, e em todas as crenças, o homem sempre buscou fazer prevalecer seu direito pessoal; o sublime da religião cristã foi em tomar o direito pessoal por base do direito do próximo.


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 876 comentada

Segundo a lei natural, o direito de um é o direito de outro, por serem todos iguais diante de Deus. Não é justo que uns tenham direitos diferentes dos outros, ante o Pai que se encontra na direção de tudo que existe.

Podemos observar a justiça interna, mesmo entre os órgãos que trabalham, sem nada exigir, para garantir a harmonia do conjunto sobre uma mente instintiva, recebendo ordens e mais ordens da consciência. Cada órgão, em seu lugar, tem trabalho a fazer. Segundo a lei natural, a lei de Deus é a mesma lei interna, que podemos observar quando despertados para tal, pelos processos que chamamos de dor e depois de amor.

Uma das nuances da lei da justiça é que cada um seja respeitado em seus direitos, sejam homens, países ou mesmo os mundos habitados. Os próprios átomos e planetas têm suas órbitas como sinal de respeito pelos que circulam por perto. O que chamamos de "lei da gravidade" nos mostra onde termina o direito do outro vizinho. Assim no mundo, com os pertences das criaturas: a lei se expressa em cercas, muros e papéis, afigurando o dono. Invadir os direitos dos outros passa a ser injustiça e falta grave, que merece punição.

Em Atos dos Apóstolos, capítulo nove, versículo vinte e quatro, passamos a ler o seguinte:

Porém o plano deles chegou ao conhecimento de Saulo; dia e noite guardaram também as portas para o matarem.

Vejamos aí a falta de respeito para com a vida alheia, a injustiça; por que Saulo não teria direito de pregar as idéias de vida e de justiça? Paulo sabia na carne o que era lutar contra Deus; o seu próprio mestre Gamaliel o informou sobre isso.

Desrespeitar a justiça é criar fogo para o seu próprio caminho. É o que não devem fazer os homens que estão lendo todos os dias o Evangelho. A primeira coisa que devemos fazer é respeitar os direitos dos outros, para que os outros respeitem os nossos. Se queremos colher bons frutos, não podemos esquecer as boas sementes. Busquemos a vida, que a vida mais intensa nos busca; demos a paz, ou estimulemos essa paz, que a paz vem ao nosso encontro, com todas as nuances de vida; perdoemos aos nossos ofensores, que eles tornar-se-ão nossos amigos do coração. Quando nos descuidamos dos nossos órgãos, eles se descuidam de nós; quando maltratamos as crianças, o coração sente.

As normas de vida mais excelentes são as dadas por Jesus em Seu Evangelho, porque ele estimula a vida e dá visão aos que padecem de cegueira.

Segundo a lei natural, é dando que recebemos; se escolhemos a dádiva, a vida, senão a lei, escolhe a recompensa na mesma dimensão. O verdadeiro critério de justiça começa na intimidade de cada um, porque a injustiça que pensamos fazer aos outros começa a ser deturpada dentro de nós mesmos.

Os erros alimentares são uma injustiça com o nosso próprio organismo. Os vícios são injustiça com muitos dos corpos que nos servem, para que tenhamos harmonia no coração. A perca do sono em demasia, por coisas vãs, é uma injustiça para com o instrumento de carne. O trabalho que ultrapassa nossas forças é, igualmente, injustiça com as nossas qualidades de servir.

A Doutrina Espírita é um manancial de orientações espirituais, que vão chegando do céu de acordo com as necessidades da alma. Não a desprezes, pois é na luta para compreendermos a justiça, que o amor nos chega ao coração.

Se acordamos para o direito pessoal, devemos saber em seguida que devemos respeitar o direito do próximo. Jesus não pediu aos homens para amarem ao próximo como a eles mesmos? Eis ai a lei com mais evidência, buscando-nos, para que nos tornemos felizes, no cumprimento dos nossos deveres.


Miramez



Filosofia Espírita – Volume XVIII. (João Nunes Maia).
Cap. 9 - Segundo a Lei Natural  






 Fonte: Instituto de Pesquisas Espíritas Allan KardecO Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez