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sábado, 24 de junho de 2023

Ermance Dufaux - Livro Reforma Íntima Sem Martírio - Wanderley S. Oliveira - Cap. 21 - Depressões Reeducativas



Ermance Dufaux - Livro Reforma Íntima Sem Martírio - Wanderley S. Oliveira - Cap. 21


Depressões Reeducativas


“Sabeis por que, às vezes, uma vaga tristeza se apodera dos vossos corações e vos leva a considerar amarga a vida?” François de Genève. (Bordeaux) 

O Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. V, Item 25


Dores existenciais, quem não as experimenta?

A pergunta do Espírito François de Genève foi elaborada num tempo em que os avanços das ciências psíquicas não tinham alcançado as profícuas conquistas da atualidade. Com o título “melancolia” e utilizando o saber espírita, esse colaborador da Equipe Verdade deu a primeira palavra sobre a grave questão dos transtornos de humor e sua relação com a vida espiritual.

À luz da ciência, depressão primária é o quadro cuja doença não depende de fatores causais para surgir, sendo, em si mesma, causa e efeito. Depressão secundária é aquela que decorre de um fator causal que pode ser, por exemplo, uma outra doença grave que resulta em levar o paciente a ficar deprimido.

Boa parcela dos episódios de “depressão primária crônica”, aqueles que se prolongam e agravam no tempo mas que permanecem nos limites da neurose, ou seja, que não alcançam o nível de perda da realidade, são casos que merecem uma análise sob o enfoque espiritual graças à sua íntima vinculação com o crescimento interior.

À luz da imortalidade, as referidas depressões são como uma “tristeza do espírito” que ampliam a consciência de si. Um processo que se inicia, na maioria dos casos, antes do retorno à vida corporal quando a alma, em estado de maior “liberdade dos sentidos”, percebe com clareza a natureza de suas imperfeições, suas faltas e suas necessidades, que configuram um marcante sentimento de falência e desvio das Leis Naturais. A partir dessa visão ampliada, são estabelecidos registros profundos de inferioridade e desvalor pessoal em razão da insipiência na arte do perdão, especialmente do autoperdão. Nessa hora, quando a criatura dispõe de créditos mínimos para suportar esse “espelho da consciência”, seu processo corretivo inicia-se na própria vida extrafísica em tratamentos muitos similares aos dos nosocômios terrestres, até que haja um apaziguamento mental que lhe permita o retorno ao corpo. O mesmo não ocorre com quantos experimentam a “dura realidade” de se verem como são após a morte, mas que tombam nas garras impiedosas das trevas a que fizeram jus, regressando à vida corporal em condições expiatórias sob domínio de severas psicoses para olhar os frutos das sementes que lançou.

Nessa ótica, depressão é um doloroso estado de desilusão que acomete o ser em busca de sua recuperação perante a própria consciência na vida física.

Essa análise amplia o conceito de reforma íntima por levar-­nos a concluir que soa para alma o instante divino para a reparação, conclamando-a, após esbanjar a “Herança do Pai”, assim como o “Filho Pródigo” da parábola evangélica, ao recomeço progressivo no “Colo Paternal”, onde encontrará descanso e segurança – valores perdidos há milênios nos terrenos de sua vida afetiva.

Semelhantes depressões, portanto, são o resultado mais torturante da longa trajetória no egoísmo, porque o núcleo desse transtorno chama-­se desapontamento ou contrariedade, isto é, a incapacidade de viver e convier com a frustração de não poder ser como se quer e ter que aceitar a vida como ela é, e não como se gostaria que fosse. Considerando o egoísmo como o hábito de ter nossos caprichos pessoais atendidos, a contrariedade é o preço que pagamos pelo esbanjamento do interesse individualista em milênios afora, mas, igualmente, é o sentimento que nos fará refletir na necessidade de mudança em busca de uma postura ajustada com as Leis Naturais da vida.

Para a maioria de nós, contrariedade significa que algo ou algum acontecimento não saiu como esperávamos, por isso algumas criaturas costumam dizer: “nada na minha vida deu certo”. É tudo uma questão de interpretação. Quase sempre essa expressão “não deu certo” quer dizer que não saiu conforme nosso egoísmo. O desapontamento, portanto, é altamente educativo quando a alma, ao invés de optar pela tristeza e revolta, prefere enxergar um futuro diverso daquele que planejou e, no qual, a grande meta da felicidade pode e deve estar incluída.

O renascimento corporal é programado para que a criatura encontre nas ocorrências da existência os ingredientes precisos à sua transformação. Brota então, espontaneamente, o desajuste, em forma de insatisfação crônica com a vida, funcionando como canal de expulsão de culpas armazenadas no tempo, controladas com a força de mecanismos mentais defensivos ainda desconhecidos da ciência humana e eclodindo sem possibilidade de contenção. Um “expurgo psíquico” em doses suportáveis…

Os sintomas a partir de então são muitos conhecidos da medicina humana: a insônia, tristeza persistente, ideias de auto-extermínio, vazio existencial e outros tantos. Poderíamos asseverar que almas comprometidas com esse quadro psicológico já renascem com um “ego frágil”, suscetível a uma baixa tolerância com suas falhas e estilo de vida, uma dolorosa incapacidade de se aceitar; menos ainda de se amar. No fundo permanece o desejo impotente de querer a vida conforme seus planos, mas tudo conspira para que tenha a vida que precisa em vista de suas necessidades de aperfeiçoamento.

A rebeldia, no entanto, que é a forma revoltante de reagir perante os convites renovadores, pode agravar ainda mais a prova íntima. Nesse caso o homem soçobra em dores emocionais acerbas que o martirizam no clímax da dor-­resgate. Medo, revolta, suscetibilidade, impotência diante dos desafios são algumas das expressões afetivas que podem alcançar a morbidez, quando sustentadas pela teimosia em não aceitar os alvitres das circunstâncias que lhe contrariam os sonhos e fantasias de realização e gozo. Forma-­se então um quadro de insatisfação crônica com a vida.

Como já dissemos, esse é sem dúvida o mais infeliz efeito do nosso egoísmo, o qual age “contra” nós próprios ao decidirmos abandonar a suposta supremacia e grandeza que pensávamos possuir, em nossas ilusões milenares de orgulho que se desfazem ao sopro renovador da Verdade.

Eis as mais conhecidas facetas provacionais da vida mental e emocional do espírito que experimenta a dor das “depressões primárias crônicas”, cujo processo detona sua melhoria espiritual que já vem sendo relegada ao longo dos evos:

* Aflição antecipada com perdas – “neurose de apego”.
* Medo da frustração – “neurose de perfeccionismo”.
* Extrema resistência com a autoaceitação – “neurose de vergonha”.
* Desgaste energético pelo esforço para manter controle – “neurose de domínio”.
* Formas sutis de autopunição – “neurose de culpa”.
* Nítida sensação de que o esforço de melhoria é infrutífero – “neurose de ansiedade”.
* Acentuada suscetibilidade nos fatos corriqueiros – “neurose de autopiedade”.
* Surgimento imprevisto e sem razões de preocupações inúteis – “neurose de martírio”.

A depressão assim analisada é uma forma de focar o mundo provocada por fatores intrínsecos, endógenos, desenvolvidos em milênios de egoísmo e orgulho. Chamamo-­la em nosso plano de “silenciosa expiação reparadora”.

Acostumados a impor nossos desejos e a imprimir a marca do individualismo, somos agora chamados pela dor reeducativa a novos posicionamentos que nos custam, quase sempre, a cirurgia dos quistos de pretensão e onipotência, ao preço de “silenciosa expiação” no reino da vida mental. Somos “contrariados” pela vida para que eduquemos nossas potencialidades.

Infelizmente, com raras exceções, nossos gostos são canteiros de ilusões onde semeamos os interesses pessoais, em franca indiferença às necessidades do próximo, colhendo frutos amargos que nos devolvem à realidade.

Há que se ter muita humildade para aceitar a vida como ela é, compreender suas “reclamações” endereçadas à nossa consciência e tomar uma postura reeducativa. O orgulho é o “manto escuro” que tecemos com o fio do egoísmo, com o qual procuramos nos proteger da inferioridade que recalcitramos aceitar em nós mesmos de longa data.

Bom será quando tivermos a coragem de nos mirar no “espelho da honestidade” e aprender a conduta excelsa do perdão, porque quem perdoa conquista sua alforria das celas da mágoa e da culpa. Conquanto a princípio o sentimento de culpa possa fazer parte da reconstrução de nossos caminhos, temos a assinalar que a sua presença ainda é sinal de orgulho por expressar nossa inconformação com o que somos, ou nossa rebeldia em aceitar nossa falibilidade. Se o orgulho é um “manto”, com o qual ingenuamente acreditamos estar protegidos dos alvitres vindos de fora concitando-­nos à autenticidade, a culpa é a lâmina cortante vindo de dentro que nos retira o controle e exige um novo proceder.

Apesar do quadro expiatório, as depressões reeducativas quando vencidas trazem como prêmio um extraordinário domínio de si mesmo, sem que isso signifique “querer viver a vida a seu gosto”, e também um largo autoconhecimento. Passada a prova, ficará o aprendizado.

Essa depressão reeducativa afiniza-­se, sobremaneira, com a visão de François de Genève porque a maior aspiração da alma é se libertar das ilusões da vida material e gozar das companhias eleitas. Assim expressa o autor: “Se, no curso desse degredo-­provação, exonerando-vos dos vossos encargos, sobre vós desabarem os cuidados, as inquietações e tribulações, sede fortes e corajosos para os suportar. Afrontai-os resolutos. Duram pouco e vos conduzirão à companhia dos amigos por quem chorais e que, jubilosos por ver-vos de novo entre eles, vos estenderão os braços, a fim de guiar-­vos a uma região inacessível às aflições da Terra”.


Ermance Dufaux









Fonte: Reforma Íntima Sem Martírio -pdf

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Ermance Dufaux - Livro Emoções que Curam: Culpa, raiva e medo como forças de libertação - Wanderley S. Oliveira - Cap. 3 - Transforme sua raiva em soluções



Ermance Dufaux - Livro Emoções que Curam: Culpa, raiva e medo como forças de libertação - Wanderley S. Oliveira - Cap. 3


Transforme sua raiva em soluções


“O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes uma comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. Que sucede então? – Entregai-vos à cólera.”  Um Espírito protetor (Bordéus, 1863). O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 9, item 9.


''[...] A mágoa é uma dor que nos sacode para que descubramos velhas ilusões no campo mental.

[...] Para tornar mais prática e compreensível as nossas anotações sobre esse sentimento, examinemos uma de suas máscaras mais pertinentes no comportamento humano, a mágoa.

A raiva é uma emoção, e a mágoa, por sua vez, brota de uma forma inadequada de lidar com aquele acontecimento ofensivo e recebe a qualificação de estado porque perdura no tempo. Aliás, esta talvez seja uma das variações emocionais com maior capacidade de persistir no tempo.

Esse estado de mágoa passa a gerenciar vários padrões de pensamento e comportamento que nos sufocam a níveis emocionais tão severos que podem se transformar em ódio, vingança e tragédia.

Quem se faz de vítima diante da mágoa usa sua raiva contra o outro tentando ignorar sua parcela de responsabilidade para que o fato lesivo ocorresse. Mágoa, todavia, é um contrato bilateral das relações humanas, ou seja, ela não existe sem que haja um ofensor e um ofendido, sem alguém que faça algo para que o outro se sinta lesado mesmo que não tenha havido essa intenção. No entanto, lesar ou ser lesado depende muito das formas de construir a relação e do entendimento de cada qual nesse processo.

Não importa em que situação estejamos, se houve mágoa, encontramo-nos diante de um alerta da vida emocional dizendo: “Sua autenticidade está sendo ameaçada, sua vida está precisando de proteção, você está esperando da vida ou das pessoas o que elas não podem ou querem dar a você.”. É o alerta da raiva propondo proteção.

Cientes de que a mágoa pertence à órbita da raiva, cuja função é acionar soluções para nos proteger, as perguntas seriam:

-O que a mágoa sufoca em mim?

-Que lesão essa mágoa causou em mim para que eu me sinta ofendido?

-Até onde fui responsável pela existência desse sentimento?

-Que alternativas na conduta posso adotar para evitar a natureza das lesões que me magoaram?

Com as respostas a essas perguntas, podemos encontrar caminhos criativos de saída para a raiva, porque ela será direcionada para desenvolver um processo interior de criatividade a respeito do acontecido e formular ações eficientes e protetivas. Por outro lado, ao nos abstrairmos desse uso terapêutico e libertador, encarceramo-nos no calabouço da ofensa e sofremos a tortura da dor do ressentimento.

Para que perguntas dessa natureza funcionem, basta pensar em algum episódio do relacionamento recente, em como ele aconteceu e em como nos sentimos feridos, e iniciar essa investigação corajosa focada em nós, e não no ofensor, formulando as perguntas anteriormente indicadas e outras que possam nos ajudar a decifrar a finalidade defensiva daquela dor.

Uma das razões mais presentes para camuflarmos a raiva em nossa conduta é a necessidade de passarmos aos outros uma imagem de que estamos no controle, de que somos fortes o suficiente para suportar aquela ferida e de que nada nos atinge. É assim que, além da dor interior, ainda nos impomos uma força que não possuímos para sustentar uma imagem falsa de nós mesmos. Isso aumenta ainda mais o ciclo de raiva e sofrimento, porque o ressentimento não é outra coisa senão a lesão que nós imputamos a nós mesmos por não sabermos lidar bem com a lesão que o outro deixou em nós.

Podemos concluir, depois desse exame singelo sobre a mágoa, que a raiva mal orientada, por certo, é um dos sentimentos que mais nos afasta de nós mesmos, de nossa autenticidade, de nossa real condição interior, e nos fragiliza e agride em contextos que não estamos nos dispondo a avaliar. Não será exagero afirmar que, quando a raiva se apodera de nosso coração em relação a alguém, existe uma enorme chance de estarmos decepcionados é com nós mesmos, e isso é bem mais difícil e desconfortável de examinar, considerando que o padrão mental do orgulho é um dos gestores mais habituais da mágoa.

“O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes uma comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece. Que sucede então? – Entregai-vos à cólera.”

Como é raro admitir em nós a existência daquilo que dizem sobre nós ou ter a coragem de saber usar com habilidade a raiva diante dos golpes da vida, para encontrar caminhos inteligentes que nos coloquem em condições de crescer e avançar!

As hostilidades da vida que nos causam tanta dor e descontrole são como um buril que visa a lapidar nossas arestas, transformando-nos em diamantes ricos de beleza, que possam refletir a luz celeste do bem e do amor. Tudo depende de como nos comportamos diante das lapidações que a vida nos apresenta.''

Ermance Dufaux - Livro Emoções que Curam: Culpa, raiva e medo como forças de libertação - Wanderley S. Oliveira - Cap. 6 - Efeitos energéticos da carência afetiva e da solidão



Ermance Dufaux - Livro Emoções que Curam: Culpa, raiva e medo como forças de libertação - Wanderley S. Oliveira - Cap. 6


Efeitos energéticos da carência afetiva e da solidão


"Vem um dia em que ao culpado, cansado de sofrer, com o orgulho afinal abatido, Deus abre os braços para receber o filho pródigo que se lhe lança aos pés." Santo Agostinho (Paris, 1862). O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. 14, item 9.


À luz do dicionário emocional, carência significa falta de nutrição afetiva básica, constituindo-se em mais um dos efeitos nocivos da conduta egoísta ao longo de vidas sucessivas.

Agravada pela educação infantil deficiente, a baixa autoestima ou a autoaversão é um dos traços psíquicos e emocionais da maioria dos habitantes da Terra. Considerada na medicina do mundo astral como uma doença matriz, a baixa autoestima é o alicerce de uma enorme variedade de sofrimentos humanos.

A carência de afeto pode ser definida como um processo de "anorexia emocional" ou de desnutrição de alimento essencial para a saúde integral.

Essa desnutrição pode impulsionar o coração humano ao padecimento de algumas doenças, como rejeição, descrença, insatisfação crônica, pânico, depressão, dependência, sensação de incompetência e outros graves quadros agudos que configuram o dilacerante estado interior de insegurança emocional e solidão. Na raiz dessa dor, o ser humano encontra-se angustiado e desesperado por ser amado.

A insegurança e a solidão desvitalizam progressivamente o sistema energético de defesa, abrindo os chacras às mais diversas agressões predatórias astrais de bactérias, vírus e micro-organismos capazes de adoecer o corpo físico. A energia emanada pela insegurança é uma poderosa usina de forças catalisadoras, isto é, ela atrai as chamadas forças invasoras ambientais, fragilizando a saúde física e energética.

Essa usina funciona como um ímã puxando, sugando e rastreando sem interrupção o que pode preencher a carência, a falta de nutrição. É como uma perturbação nos corpos sutis da criatura estabelecendo condições favoráveis aos mais diversos quadros, incluindo a vampirizarão energética de encarnados.

Quando nos sentimos carentes, é comum embarcarmos em relacionamentos confusos, pois buscaremos no outro o amor que não conseguimos desenvolver para sustento pessoal. Quanto mais carentes, menos gostamos de nós e mais desesperada será a busca pelo outro para preencher a nossa vida. 0 clima astral de quem vive assim é vulnerável e agrega um alimento emocional de baixa qualidade nos ambientes e nas pessoas de sua convivência.

A carência afetiva é uma doença que solicita tratamento, apoio e orientação. Essa insatisfação com nós mesmos, que chega até os limites da aversão, tem um poder extraordinário de camuflagem e, por essa razão, impede-nos de verificar com exatidão qual a raiz de muitos de nossos comportamentos perante a vida.

Condutas nascidas da raiva, do medo, do orgulho, da tristeza e da culpa costumam esconder esse desgosto de nós mesmos.

A parábola do filho pródigo(1) narrada no Evangelho é a história de nossa evolução. Depois de cansados de esbanjar a herança divina com nossas escolhas infelizes, estamos fazendo o caminho de volta para Deus, resgatando o divino dentro de nós. Retornamos cansados, pobres e infelizes. Deus, porém, como narra o texto evangélico, nos acolhe com bondade, oferecendo-nos o melhor.(2) A bondade do Criador, no entanto, não nos dispensa de colher o fruto de nossa plantação. Carência é resultado de egoísmo milenar. E' efeito de quem não entrou em comunhão com a vida, com o próximo e com as leis superiores do bem e do amor.

A nenhum de nós faltarão as condições de superação e reeducação. Se desejarmos sinceramente retomar nosso caminho em direção a uma vida farta, preenchedora e sob a presença da alegria, compete-nos o aprendizado de transformar os impulsos personalistas em valores morais. Parece um paradoxo: o que nos falta para superar o estado de carência é saber nos cuidar não mais com egoísmo centralizador, não mais com caprichos pessoais atendidos, mas com aceitação, amor, acolhimento, coragem e humildade.

Uma das mais velhas feridas evolutivas da alma é a sensação de abandono, sendo a carência afetiva e a solidão suas máscaras. Idealizar um mundo perfeito com pessoas irreais e ignorar a fé em forças maiores são caminhos diretos para a prisão do autodesamparo.

Reeducar nossa carência e solidão significa ajustar nossa vida mental e emocional à realidade. Quem espera mais do que aquilo que o outro pode dar vive escravo da mágoa. Quem descrê que existem forças capazes de acolher seus esforços no bem estaciona nos pátios da acomodação e do pessimismo.

O carente espera demais. 0 solitário descrê.

0 carente magoa-se. 0 solitário desanima.

Quem espera muito ou desanima com facilidade está na contramão do fluxo da vida, que é dar, realizar e continuar sem cessar.

Carência e solidão são resolvidas quando fazemos o movimento contrário. Ao invés de exigir e esperar, fazer e escolher.

Os outros não têm o poder de travar nossas vidas, a menos que lhes confiramos essa capacidade. A vida não está contra nossos anseios de luz, a menos que acreditemos nessa ilusão.

De fato, todos precisamos ser amados, pois essa é uma necessidade básica. Mas em muitas ocasiões, no canteiro da vida, haveremos de primeiramente colher os frutos indesejáveis de nossa plantação, posteriormente plantar as novas sementes do bem, e mais adiante colher o amor que desejamos.

Plante sem temor. Quem se lança ao trabalho de semear, ainda que necessitando do alimento, terá gratas e louváveis surpresas no caminho.

Qualquer ato de amor, por menor que seja, é devolvido com bênçãos que nem imaginamos. Mesmo precisando ser amados, amemos e confiemos na misericórdia das leis celestes, recordando a fala sábia de Santo Agostinho: "Vem um dia em que ao culpado, cansado de sofrer, com o orgulho afinal abatido, Deus abre os braços para receber o filho pródigo que se lhe lança aos pés."


Ermance Dufaux




(1) Lucas 15:11 a 32.
(2) Lucas 15:22


Fonte: Emoções que Curam: Culpa, raiva e medo como forças de libertação

Ermance Dufaux - Livro Emoções que Curam: Culpa, raiva e medo como forças de libertação - Wanderley S. Oliveira - Cap. 9 - Psicologia da alegria na transformação interior



Ermance Dufaux - Livro Emoções que Curam: Culpa, raiva e medo como forças de libertação - Wanderley S. Oliveira - Cap. 9


Psicologia da alegria na transformação interior


Ora, se encarando as coisas deste mundo da maneira por que o Espiritismo faz que ele as considere, o homem recebe com indiferença, mesmo com alegria, os reveses e as decepções que o houveram desesperado noutras circunstâncias, evidente se torna que essa força, que o coloca acima dos acontecimentos, lhe preserva de abalos a razão, os quais, se não fora isso, a conturbariam. (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 5 - item 14)


A alegria não é a ausência de problemas ou a certeza de ter todos os sonhos realizados. Estas definições estão conectadas com uma visão materialista do mundo, que define o prazer e o bem-estar como satisfação plena de interesses pessoais. Essa conduta é responsável pela cultura do menor esforço, cuja proposta central é a eliminação do sofrimento, das frustrações, das contrariedades da nossa vida, como se essa fosse a única condição para a conquista da felicidade e da paz.

O que não se percebe nessa ação de evitar a dor e os dissabores é que a paixão por uma vida idealizada, sem tropeços ou desafios, aumenta ainda mais o sofrimento através do medo que incendeia a mente com acontecimentos infelizes e imaginários. Sem notar, a criatura se torna refém de condições elaboradas pela vida mental a fim de permitir-se a alegria que depende das circunstâncias e expectativas a respeito da pessoa que ama ou da forma que os acontecimentos devem se desenrolar. Essas miragens exigem uma enorme quantidade de energia para serem controladas de acordo com os modelos de satisfação que foram idealizados.

Imaginar um modelo de felicidade para as pessoas que amamos e para o modo como a vida deve acontecer causa sofreguidão e nos distancia da realidade.

E nesse esforço sobre-humano para alcançar os modelos de felicidade, a criatura se abandona para atender as exigências ou suportar as situações que ela acredita serem necessárias para merecer algo melhor, gerando frequentemente as mais amargas experiências de desamor, como a depressão, a solidão, a mágoa, a inveja tóxica, o derrotismo e a revolta.

Alegria não é ausência de frustração. Alegria legítima também pode florir no campo das frustrações e decepções da vida, sendo o lírio que surge no pântano, exuberante, enriquecendo a paisagem de beleza e fulgor. A alegria é aquela certeza interior que a criatura conquista depois de desenvolver algumas habilidades afetivas na escola das provas diárias, insculpindo uma reação consciente e lúcida diante das dores e desafios.

A gratidão, a resiliência, a compreensão e a serenidade são algumas dessas habilidades que pavimentam o caminho de harmonia interior no clima do humor sadio. 

A alegria nos preenche, revitaliza e produz abundância energética, levando-nos a agir com contínua resistência diante das dificuldades e com reações mais saudáveis aos desapontamentos. É um sentimento que promove naturalmente leveza, a proteção espiritual e energética. Pessoas alegres se imunizam das ondas vibratórias do pessimismo e da maldade. O clima emocional dos que buscam o hábito de ser alegres forma uma couraça de energias imunizadoras de autoamor. 

Essa é também a emoção de quem tem conseguido um nível melhor de aceitação da realidade. Aceitar é uma forma terapêutica de viver, porque quem aceita vive com mais otimismo diante dos acontecimentos da vida. Esse clima interior de acolhimento à realidade produz a resignação e evita fixações nos aspectos sombrios da vida mental.

Diante dessas reflexões sobre alegria, observemos a relação deste tema com a reforma íntima.

Nosso lado sombrio não existe para ser eliminado, e sim para ser transformado. A primeira condição para essa transformação é a construção de uma convivência pacífica com nós mesmos e da expressão de acolhimento amoroso a nós mesmos. O vetor emocional da alegria de se renovar é o amor. Pessoas que se amam e que amam a vida sentem‐se preenchidas, e quem se preenche de amor só tem razões para se expressar em júbilo e prazer. 

Diante da proposta libertadora da reforma íntima, quase sempre assumimos uma atitude de desamor diante dos esforços nem sempre sucedidos do nosso ideal de melhora, aprisionando-nos aos climas da culpa, da mágoa, da raiva e da infelicidade, que frequentemente formam a atmosfera psíquica do desânimo e do mau humor. É a psicologia do perfeccionismo.

A maioria de nós não foi preparada para acolher e ser indulgente, nem para ter uma atitude amorosa com nossas imperfeições. Fomos educados para cobrar e pensar que damos conta de quem gostaríamos de ser ou quem achamos que deveríamos ser.

A ilusão da perfeição é uma doença severa e que nos afasta da saudável alegria de ter o que aprender todos os dias. Sem essa alegria, os nossos erros se transformam em fontes de remorso e martírio.

Não existe nada para aprender com o perfeccionismo. 

Aceitação da realidade espiritual e ternura no trato com nós mesmos são comportamentos que ainda estão bem distantes de muitos de nós e que nos convidam desenvolver limites mais toleráveis para atingirmos a sanidade e a paz no coração.

Tomados desse desamor, caminhamos na reforma íntima como se subíssemos uma ladeira íngreme carregando um peso desproporcional ás nossas forças. O resultado é o cansaço, a tristeza, a apatia e, por fim, em casos diversos, a desistência dos ideais de renovação e melhora.

Reforma íntima com alegria é uma condição de quem decidiu se aceitar, compreender-se e acolher-se com ternura e carinho. É uma postura de autoamor legítimo que estimula, educa e cura. 

Alegria não é ausência de dor e muito menos de deslizes morais. A verdadeira alegria, ao contrário, é um sintoma claro de que seu portador aprendeu a driblar a dor e a ter paciência construtiva com suas imperfeições, de que seu portador aprendeu o sentido terapêutico das provas.

Reforma íntima com alegria é a escola de Jesus que convida seus discípulos a ser alguém melhor, e não o melhor de todos. Na escola do Mestre, os discípulos são convocados a acreditar que merecem também o melhor. Seguir a Jesus é carregar sobre os ombros a cruz das dores necessárias sem que isso signifique que teremos de sofrer indefinidamente com esse movimento. A dor é necessária, o sofrimento é uma escolha. Jesus espera uma atitude corajosa dos seus aprendizes diante das dores. A alegria pode ser uma delas. Alias, o Evangelho de Cristo é uma mensagem de alegria. 

O corpo de todos os seres humanos é construído com um DNA da alegria, uma emoção básica da evolução humana. Buscá-la é um instinto natural, pois essa é uma emoção estrutural, básica para a sanidade. Não fomos criados para a tristeza, e nem mesmo os espíritos em dolorosas provas são privados dessa condição orgânica, podendo ativar esse recurso quando desejarem ou quando escolherem o caminho do autoaprimoramento em clima de celebração da vida e do bem.

Como diz o trecho de apoio anterior: "(...) o homem recebe com indiferença, mesmo com alegria, os reveses e as decepções que o houverem desesperado noutras circunstâncias, (...)".

Uma atitude alegre diante das dificuldades da vida é o termômetro mais fiel do quanto os conceitos doutrinários fizeram seu percurso vitorioso descendo dos raciocínios brilhantes, e muitas vezes estéreis, para o coração, onde são gestadas as habilidades genuínas que promovem a libertação consciencial do ser, por meio da aquisição de sublimes conquistas afetivas e morais.


Ermance Dufaux 







Fonte: Emoções que Curam: Culpa, raiva e medo como forças de libertação

sábado, 29 de agosto de 2020

Ermance Dufaux - Livro Prazer de Viver - Wanderley S. Oliveira - Prefácio - Nada ficará oculto em nossas vidas



Ermance Dufaux - Livro Prazer de Viver - Wanderley S. Oliveira - Prefácio


Nada ficará oculto em nossas vidas


"Pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente." S.Lucas, 8:16 e 17. (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XXIV, item 2)


Jesus, o cuidador de almas por excelência, teve ensejo de indagar-nos: "Sois Deuses?"(1). Que indagação mais educativa pode pronunciar alguém dirigida ao reino consciencial de cada um de nós? Eis algumas interpretações para a pergunta do Mestre: Sentimo-nos capazes? Queremos a vitória? Estamos usando nossos potenciais divinos? Acreditamos na força pessoal de transformação? Quando nos apropriaremos do patrimônio celeste em nossa intimidade? 

Indagando sobre nossa divindade potencial, em verdade, Ele recorda outro de Seus belíssimos ensinos sobre o inconsciente, anotado em Marcos, capítulo 4, versículo 22: "Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto".

É da Lei Divina o processo revelador de nossa individualidade. Queiramos ou não, a vida submersa no inconsciente é um constante clamor em direção à luz da perfeição. Nada pode, pois, permanecer eternamente encoberto, como pontua Jesus.

Retomamos o patrimônio das vidas anteriores em plena infância, depois de alguns anos de hipnose cerebral. Na juventude fazemos os primeiros contatos com a sombra estruturada em vidas sucessivas. É o período das turbulências e instabilidades. Muitas vezes, à custa de elevada dose de recalques diante de frustrações e desapontamentos, construímos a fortaleza defensiva do ego.

Assim, o Espírito, com raríssimas variações, entrega-se aos deveres da reencarnação trazendo a alma oprimida por velhas bagagens morais de sua trajetória. E somente na metade da vida carnal, a criatura retoma de forma mais incisiva e amadurecida o contato com todas as suas pendências eternas. A meia-idade, estudada com atenção por Jung, constitui mais um ciclo revelador da vida mental. Para muitos, será a última estação de parada antes da morte, a fim de que os conteúdos do inconsciente possam sacudir as mais enraizadas crenças e concepções da existência. Sem dúvida, tal etapa da vida vem acompanhada de severas ameaças à nossa "zona de conforto" e segurança. Tomar contato com os conteúdos velados da vida íntima é um desafio doloroso de desilusão. É o momento da ousadia que pede paciência para não tombar na irresponsabilidade. É o instante da coragem que vai solicitar o desapego da vida ideal - aquela do jeito que queríamos - para assumirmos a vida real.

Como atravessar a ponte das concepções e projetos pessoais? Como fazer essa caminhada tornar-se um passo decisivo para a verdadeira felicidade? Como reconstruir nossas crenças? Que ações tomar para que o nosso querer não seja apenas mais uma ilusão? Que decisões tomar para que as escolhas não sejam apenas uma rota de fuga? Aliás, como distinguir o que é fuga, quando brota do inconsciente o convite para o contato com todo o conjunto de expressões afetivas? A infelicidade, a depressão, o vazio existencial e tantas outras manifestações de tédio interior não serão, igualmente, mensagens da vida íntima atestando fugas de nossas necessidades mais esquecidas no aprimoramento espiritual?

Companheiros queridos, iluminados com o conhecimento doutrinário, assumiram para si mesmos o sublime compromisso de erguimento consciencial. Todavia, um rastro de descuido tem permeado as lições de muitos aprendizes neste tema. O primeiro deles é a aceitação da dor como único instrumento de redenção. O segundo é a nociva negação do dinamismo de nossa vida interior. No primeiro temos a crença derrotista, um ato de desamor. No segundo o medo do confronto, uma manifestação sutil da rebeldia em não aceitar quem somos. No primeiro deles, a ausência de autoamor. No segundo, um efeito do orgulho.

É necessário elevado discernimento para distinguir o ato responsável da fuga orgulhosa.

O foco do prazer de viver é este: A perda de quem achávamos que éramos, o falso eu, e o encontro com o eu real. A busca da autenticidade. A identidade psicológica do Ser.

Cuidemos, com vigilância, para que o espiritismo, essa ferramenta de evolução, não se torne mais um instrumento de tortura em nossa vida. Em nossas casas de amparo na erraticidade, muitos corações sinceros e exemplares no desprendimento e na ação do bem encontraram pela frente a aflição e a angústia, tombando em lamentáveis crises de descrença e revolta. A razão? Descuidaram de si próprios. Negaram o contato com sua realidade interior. Deixaram de pedir ajuda. Acreditaram em uma personalidade mentalmente projetada e perderam o contato com suas emoções mais profundas. Alguns deles se renderam confiantes a conceitos e estruturas organizacionais reconhecidas e consagradas na comunidade, e somente aqui puderam aferir a extensão da ilusão que cultivaram.

Hipnotizaram-se com cargos, mediunidades, talentos verbais, ações beneficentes e outras tantas iniciativas abençoadas. Esqueceram-se do mais importante, esqueceram a humanidade da qual somos portadores. Negaram a condição de criaturas simplesmente humanas.

No fundo de suas mais espinhosas decepções estava um sentimento nuclear em assuntos de aprimoramento espiritual, o medo. O medo do confronto com os próprios sentimentos.

O espiritismo é um convite à vida consciente e responsável. Conhecer a sombra não significa adotá-la. Entretanto, a título de responsabilidade, muitos amigos da caminhada de espiritualização equivocam-se em relação ao ensino oportuno de Jesus que recomenda negar a si mesmo, conforme se lê em Lucas, capítulo 9, versículo 23. Adotam a fuga silenciosa, postergando para o desencarne a incursão no seu mundo interior.

Cuidemos melhor de nossas vidas. Olhar para os pendores e tendências, entrar em contato com o que sentimos, admitir o que gostaríamos da vida, essas são três das muitas ações a que somos chamados na trilha solitária do autodescobrimento. Após essas iniciativas, perguntemos a nós mesmos: o que fazer com todo o patrimônio que identifica meu ser espiritual? Logo a seguir, adote um projeto de vida que contenha os seguintes ingredientes morais: paciência, humildade para pedir ajuda, oração para visualizar o futuro, coragem para fazer escolhas.

A tormenta na vida espiritual depois da morte não tem raízes apenas nas ações que são registradas nos sagrados fóruns da consciência, mas, igualmente, na sensação infeliz de vazio em razão de não fazer o que já tínhamos condições para fazer, de descobrir o que já estamos prontos para descobrir e de sondar o lado oculto de nós mesmos que, inevitavelmente, há de ser revelado algum dia.

Coragem! O Pai não permitirá carregarmos fardos mais pesados do que possamos suportar.

A esperança de meu coração repousa na intenção de ser útil e consolidar ainda mais a amizade sincera com os amigos e leitores na vida física.

Que as anotações contidas neste livro sejam quais pequenos lampejos de luz que auxiliem no erguimento de um mundo melhor e dias mais venturosos e ricos de prazer de viver.

Pelo carinho que tenho recebido de todos, recebam a minha bênção de gratidão e amor eterno.

O foco do prazer de viver é este: A perda de quem achávamos que éramos, o falso eu, e o encontro com o eu real. A busca da autenticidade. A identidade psicológica do Ser.


Ermance Dufaux




(1) João, 10:34.




Fonte: Prazer de Viver 

Ermance Dufaux - Diferenças não são defeitos: A riqueza da diversidade nas relações humanas - Wanderley S. Oliveira - Cap. 6 - A importância do olhar



Ermance Dufaux - Diferenças não são defeitos: A riqueza da diversidade nas relações humanas - Wanderley S. Oliveira - Cap. 6


A importância do olhar


"O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, que consistem em ver cada um, apenas superficialmente, os defeitos de outrem e esforçar-se por fazer que prevaleça o que há nele de bom e virtuoso,porquanto, embora o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre há, nalgumas de suas dobras mais ocultas, o gérmen de bons sentimentos, centelha vivaz da essência espiritual." - Dufêtre, bispo de Nevers. (Bordeaux)  (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. X - A indulgência, item 18)


Abraço, afago, carinho, beijo, sorriso, palmas, sexualidade, aperto de mãos, acenos, braços entrelaçados - expressões corporais de afeto.

Depois da sexualidade, o olhar é o instrumento de comunicação corporal mais poderoso que temos. É a tela que se estampa na face dinamizando a linguagem vibratória dos sentimentos.

Jesus já ressaltava: "A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz". Mateus, 6:22.

Pelo olhar expressamos os mais secretos sentimentos da alma, até mesmo aqueles que queremos esconder de nós próprios. O dominador, hábil leitor das emoções através do olhar, sabe bem o que isso significa. 

Força ativa de propulsão e despertamento da atração, antena emissora e receptora das emoções, os olhares são como espelhos daquilo que sentimos. Mesmo havendo desenvolvido o hábito de disfarçar o olhar, na tentativa de esconder do outro o que realmente se sente, é preciso que o homem encarnado se conscientize de que a vibração energética daí decorrente não consegue se ocultar de ninguém. Deixamos sempre os ambientes impregnados do que cultivamos no coração, provocando encontros e reencontros orquestrados por leis magnéticas determinantes e ainda pouco conhecidas.

"Teus olhos são a candeia do corpo" disse Jesus na sua sabedoria profunda, acrescendo que, se tiverem luz, todo o teu corpo irradiará em luminosidade.

A visão é o sentido físico que mais processa informações para o cérebro. Estima-se que nove décimos dos estímulos captados do exterior sejam veiculados pelos olhos,enquanto um décimo seria dividido entre os outros quatro sentidos.

Uma cor, um movimento, uma paisagem, uma frase, um minúsculo episódio, tudo isso captado pela visão pode alterar o campo psíquico e emocional com mudanças instantâneas.

A forma como vemos a vida, as pessoas e tudo o que acontece à nossa volta tem decisivo valor sobre o mundo íntimo, no que diz respeito a mantê-lo afinado ou desafinado com as propostas de crescimento e libertação espiritual.

Sabendo disso, vigiemos e estudemos com atenção os olhares, sobretudo aqueles que lançamos uns sobre os outros na vida interpessoal. Cuidemos de estabelecer uma análise rigorosa e sem temores sobre os sentimentos movimentados em nosso íntimo ante as estimulações provocadas pela presença alheia em nossa vida.

O que sentimos sobre o que vemos é aquilo que, de fato, somos. O olhar para fora nos revela o mundo inconsciente desconhecido de nós mesmos, razão pela qual se torna fonte fecunda de autoconhecimento.

Os olhares, em todos os tempos, têm sido os canais de comunicação dos sentimentos, formando os climas psíquicos das relações humanas, construindo a felicidade ou a derrocada moral.

Existem olhares de interesse, lascívia, censura, aprovação, desdém, repulsa, carinho, doçura, energia, autoridade, paixão, tristeza, paz e alegria. Existem olhares de domínio, que hipnotizam e fazem sofrer; e olhares de elevação, que libertam e dulcificam.

Aprendamos a sondar nossa vida afetiva pela visão espiritual, habilitando-nos à leitura do magnetismo visual, e utilizemos esse recurso potencial em favor de nossa melhoria na educação afetiva a que nos propomos à luz das diretrizes do amor.

Que os nossos olhos sejam sempre uma fonte viva na estimulação dos mais elevados sentimentos com quantos venhamos a conviver, refletindo nas atitudes o espírito do bem em nossas vidas.

Para quem anseia por liberdade e leveza em torno de seus passos, não existe atitude mais apropriada do que extrair o lado melhor da vida, dos acontecimentos e do próximo, mantendo sempre o olhar na luz que clareia o raciocínio e sublima o sentimento.

Como ensina o bispo de Nevers: "embora o coração humano seja um abismo de corrupção, sempre há, nalgumas de suas dobras mais ocultas, o gérmen de bons sentimentos, centelha vivaz da essência espiritual".


Ermance Dufaux






quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Ermance Dufaux - Escutando Sentimentos - Wanderley S. Oliveira - Cap. 7 - Carta de Misericórdia



Ermance Dufaux - Escutando Sentimentos - Wanderley S. Oliveira - Cap. 7


Carta de Misericórdia


"Como é que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, quando não vedes uma trave no vosso olho? - Ou, como é que dizeis ao vosso irmão: Deixa-me tirar um argueiro ao teu olho, vós que tendes no vosso uma trave? - Hipócritas, tirai primeiro a trave ao vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão. (S. Mateus, cap. VII, vv. 3 a 5). ESE - Cap. 10 - Item 14

Um dos efeitos mais inconfessáveis da arrogância em nossos relacionamentos é a nossa falta de habilidade para conviver com honestidade emocional perante o brilho dos êxitos alheios.

Com rara facilidade, sob ação fascinadora da arrogância, julgamos-nos os melhores naquilo que fazemos. Esse é um efeito dos mais perceptíveis do estado orgulhoso de ser, isto é, a propriedade mental de nos toldar a visão para enxergar o quanto nos iludimos com as fantasias do ego.

O senhor Allan Kardec teve ensejo de destacar: "Com efeito, como poderá um homem, bastante presunçoso para acreditar na importância da sua personalidade e na supremacia das suas qualidades, possuir ao mesmo tempo abnegação bastante para fazer ressaltar em outrem o bem que o eclipsaria, em vez do mal que o exalçaria?" (1).

Na maioria das vezes, o mérito alheio ainda é recebido no nosso coração como uma ameaça ou até mesmo uma afronta. Raramente, admitimos tal verdade. O hábito milenar de racionalizar nossos sentimentos constitui uma couraça psicológica enrijecida pelo orgulho.

"O orgulho vos induz a julgar-vos mais do que sois; a não suportardes uma comparação que vos possa rebaixar; a vos considerardes, ao contrário, tão acima dos vossos irmãos, quer em espírito, quer em posição social, quer mesmo em vantagens pessoais, que o menor paralelo vos irrita e aborrece." Um Espírito protetor. (Bordéus, 1863). (2)

A educação dos sentimentos depende de abundante honestidade emocional para conduzir-nos à verdade sobre nós mesmos. Sem consciência de suas raízes, jamais admitiremos a presença do ciúme e da inveja - monstros roedores da paz interior.

Combalidos por antigas frustrações, desgostosos conosco mesmo, sentimo-nos desvalorizados, tomados por uma sensação de inutilidade e abandono que tentamos mascarar com alegrias fictícias e conquistas perecíveis. Nesse clima psicológico, como cultivar empatia e entusiasmo com as virtudes alheias?

Os relacionamentos a todo instante sofrem os efeitos indesejáveis da carga vibratória dessas desconhecidas sombras íntimas, criando estados de desconforto que estipulam a antipatia ou mesmo a aversão, sem que haja, de nossa parte, qualquer intenção nesse sentido. São reflexos automáticos que trazemos na vida mental, com enorme poder de ação sobre as atitudes, sem que disso tenhamos consciência.

E o que é mais grave: por desconhecer a natureza dessas emoções, vemos o argueiro no olho alheio, sendo que temos uma trave em nossa visão espiritual, conforme a assertiva evangélica. Sentimos que as relações não vão bem, mas por incapacidade ou falta de habilidade em analisar a nós próprios, instintivamente fazemos uma projeção na tentativa de descobrir do lado de fora, aquilo que, em verdade, está dentro de nós.

Que nenhum discípulo de Jesus, perante os fracassos e perdas na vida interpessoal, julgue-se derrotado ou mal-intencionado. Nos serviços da Obra Cristã nos quais somos colaboradores iniciantes, jamais devemos nos permitir desacreditar nas intenções sinceras que sustentam nossos ideais de ascensão. Quase sempre, elas constituem nossa única garantia legítima em direção aos projetos de iluminação espiritual que abraçamos.

Se assim nos pronunciamos é porque, mesmo entre os discípulos da Boa Nova, a nobreza de intenções não é suficiente para impedir os efeitos lamentáveis da altivez que carregamos em nossos corações. Por muito tempo ainda, lutaremos tenazmente na colheita infeliz dos reflexos de prepotência e competição, que assinalam nossos impulsos uns perante os outros.

É um processo natural da evolução. Nada há de errado em sentir o que sentimos. O problema surge quando rebelamos em aceitar e investigar a existência de semelhantes atitudes de cada hora.

Não agimos assim por mal. Deliberadamente. São as compulsões morais que geramos nas experiências sucessivas da ambição e da loucura nas vitórias perecíveis.

Perdoar e nos perdoar sempre será a solução. Olhemos para nós com lealdade, mas, igualmente, com carinho e misericórdia. Somos almas recém egressas das fileiras do mal. Estamos, a exemplo do Filho Pródigo da passagem evangélica, retomando nossos caminhos após as atitudes enfermiças do esbanjamento psicológico e emocional, que nos aprisionaram nas refregas do vazio existencial.

Segundo o benfeitor Calderaro, o capítulo dez de O Evangelho Segundo o Espiritismo, "Os Que São Misericordiosos", deveria ser um dos textos mais estudados entre nós, os seguidores da Doutrina Espírita.

Os ambientes educativos dos centros espíritas que não cultivarem a misericórdia terão enormes obstáculos com o conflito improdutivo - resultado da maledicência e da hipocrisia, da severidade e da intolerância.

Tolerância, indulgência, perdão, compaixão e benevolência são algumas das expressões morais imprescindíveis no trato de uns para com os outros. Sem essas atitudes de amor, como nos suportaremos?

A comunidade doutrinária espírita avizinha o momento de seu desabrochar para a maioridade. A consciência da extensão de nossas enfermidades nos levará a concluirmos que nosso movimento libertador é um hospital de vastas proporções e especificidade. Como doentes em busca da cura, reconheceremos as necessidades do amor, sem o qual adiaremos nossa alta médica. E que manifestação de amor aplicado mais palpável pode existir que a misericórdia?

Nada dói tanto aos seguidores sinceros de Jesus quanto a ofensa não intencional, as rusgas não desejadas, as perdas afetivas, as reações inesperadas de ingratidão, o vício em colecionar certezas irremovíveis que traduzem prepotência, a indiferença e o menosprezo. São os frutos da ausência de misericórdia no coração humano.

Enquanto procurarmos as causas das decepções de nossas relações no estudo das imperfeições, não encontraremos respostas satisfatórias às nossas indagações e nem consolo para nossa alma. Somente compreendendo sinceramente quais lições evangélicas deixamos de aplicar em cada passo do caminho, obteremos alento, orientação e estímulo. Misericórdia para com as imperfeições alheias, piedade para com nossas faltas!

Portanto, as casas espíritas orientadas pelas atitudes de amor adotem sem demora o projeto da misericórdia fraternal. Grupos que se reúnam em vivências de honestidade emocional. Que tenham bondade para tratar de seus sentimentos e discuti-los em equipe. Sinceros, porém, acolhedores. Grupos que possam olhar de frente para a arrogância que ainda nos domina, e que tenham coragem de confrontá-la em público. Grupos que saibam pedir perdão. Conjuntos doutrinários dispostos a estimular o brilho das qualidades uns dos outros e dispostos à compaixão com os defeitos e motivados pela abolição da rigidez mórbida.

No Hospital Esperança, Dona Modesta desenvolve uma atividade de fidelidade aos sentimentos. Chama-se Tribuna da Humildade. É um recurso terapêutico aplicado em pacientes depois de certo tempo de tratamento emocional. Depoimentos, cartas, pedidos de perdão, histórias de vida, fracassos e vitórias são apresentados como forma de cuidar dos sentimentos secretos, não admitidos durante a vida física.

Gostaríamos de passar aos amigos de ideal na carne a síntese de uma carta que foi lida por destacado líder espírita ao ocupar, oportunamente, a Tribuna. Não importa o que se passou ou o que virá, nosso intuito é pensarmos, a todo instante, que a aplicação da misericórdia é a virtude que abranda nossos corações e o testemunho da leveza em nossas almas.

Senhores e senhoras, irmãos de doutrina, paz na alma.

Vir aqui falar de meus sentimentos é uma honra. Só lamento que tenha descoberto tão tarde o bem que me faz falar do que sinto.

A vida física brindou-me com a benção de ser espírita. Três décadas e meia em ininterrupta e afanosa atividade doutrinária.

Sou uma vítima de mim mesmo. É incrível como ouvi tantas e tantas vezes, assim como acredito que tenha ocorrido igualmente com muitos aqui presentes, sobre a importância de perdoar e, no entanto, tal esclarecimento ficou apenas no cérebro. Impermeável ao coração.

Tenho aprendido sob custódia de Dona Modesta que, quando a lembrança de alguém vem em nossa mente e desperta maus sentimentos, estamos magoados. Segundo ela, a mágoa que permanece por mais de uma hora em nossa cabeça, desce para o coração. E só Deus sabe quando sairá daí...

É o meu caso! Deixei a mágoa por mais de uma hora na cabeça!

Talvez alguém possa perguntar: por que apenas sessenta minutos de mágoa na cabeça?

Segundo Dona Modesta, os sessenta minutos são suficientes para perguntar a nós mesmos por que nos magoamos, e descobrir em nós próprios os remédios para curar-nos. Livrar-nos das algemas da ofensa.

A princípio, pode parecer uma atitude ingênua e desproposital, mas somente quem já sofreu o bastante com as mágoas sabe da importância de exonerá-las o quanto antes da intimidade. Ao adquirir coincidência dos males que ela nos traz, temos mais motivos ainda para extirpá-las.

Eu trouxe durante décadas a lembrança desagradável de pessoas e situações que permiti morarem em meu pensamento por mais de uma hora na condição de opositores.

Olhei demais para fora e a doença desceu da cabeça para o coração.

Pois bem! Isso me custou um câncer, o desencarne prematuro, perdas afetivas muito caras, lágrimas sem conta, angústia interminável e isolamento.

Aqui estou eu diante de mim mesmo. E os meus supostos inimigos, aqueles que me feriram, onde e como estão?

Certamente seguem seus caminhos e não levam más lembranças, especialmente de minha pessoa.

Meus amigos, o drama é um só! Tivesse lucidez suficiente e bastariam sessenta minutos para descobri-lo!

Faltou-me honestidade emocional para admitir que fosse invejoso, ciumento, competitivo, avesso a críticas e melindroso. Meu orgulho impediu-me de admitir que outras pessoas fossem tão boas quanto eu naquilo que eu fazia. Fracassei em um dos testes mais difíceis da jornada humana: exaltar a importância do outro com legítima alegria no coração e "diminuir para que o Cristo crescesse". (3)

Em meu favor, apenas tenho as minhas intenções. Em nenhum momento, conscientemente, calculei conflitos ou interesses pessoais. Sou vítima de mim mesmo, do meu passado de semeadura na arrogância.

Tudo passou no tempo, mas ainda trago a mente presa ao passado. Isso é a mágoa no coração.

Permiti-me adoecer. Magoar é admitir ser ferido, machucado.

A cicatrização pode demorar. A minha está se processando somente depois da morte.

Como? Como cicatrizar essas úlceras que eu mesmo provoquei? Como esquecer? Foram as perguntas que fiz desesperadamente ao tomar maior consciência do quanto me faziam sofrer.

Dona Modesta, aqui presente, é testemunha da minha dor.

Como religiosos, raramente escapamos de uma velha armadilha: a presunção. Eu não escapei.

Por presunção tornei-me um exímio juiz dos atos alheios, recheado de certezas sobre a conduta dos outros, um psicólogo implacável do comportamento do próximo. Tinha nos lábios as explicações perfeitas para a atitude de todos que me ofenderam. Quanto a mim, sempre me desculpava.

Como pude ser tão descuidado!

Olhei demais para o argueiro do próximo e não vi minha própria trave.

É preciso muita coragem para nos confrontar! Admitir a presença da inveja. Reconhecer que todos os nossos dissabores começam em nós mesmos. Conscientizar que somos os únicos responsáveis pelo que sentimos. Que podemos a qualquer momento retomar nossa alegria, nossas metas, nosso processo de crescimento, conforme a orientação evangélica que já possuímos.

Foi então que surgiu uma palavra fundamental na minha recuperação. Misericórdia. Compaixão.

Permitam-me a leitura de um parágrafo que se tornou a fonte de inspiração para minha recuperação:

"Espíritas, jamais vos esqueçais de que, tanto por palavras, como por atos, o perdão das injúrias não deve ser um termo vão. Pois que vos dizeis espíritas, sede-o. Olvidai o mal que vos hajam feito e não penseis senão numa coisa: no bem que podeis fazer. Aquele que enveredou por esse caminho não tem que se afastar daí, ainda que por pensamento, uma vez que sois responsáveis pelos vossos pensamentos, os quais todos Deus conhece. Cuidai, portanto, de os expungir de todo sentimento de rancor. Deus sabe o que demora no fundo do coração de cada um de seus filhos. Feliz, pois, daquele que pode todas as noites adormecer, dizendo: Nada tenho contra o meu próximo. Simeão (Bordéus, 1862)". (4)

Misericórdia! Ao invés de estudar as razões das ofensas, passei a pensar e aplicar a atitude de misericórdia. Mentalizei meus supostos adversários que me traziam más recordações e os envolvia em luzes de cores calmantes. Orei com sinceridade pedindo a Deus por eles.

Lamentavelmente não pude fazer o que faria hoje se estivesse no corpo: os procuraria para um abraço sincero.

Misericórdia, inclusive para mim, foi o que pratiquei, pois perdi, além de tudo, a minha paz. Autoperdão, admitir a minha participação em tudo aquilo que tinha motivo para queixar. Como é doloroso tomar contato com as nossas ilusões.

Incrível! Hoje tenho conhecido dramas terríveis de pessoas que foram efetivamente feridas e dilaceradas na vida física, e que se encontram aqui nessa casa de amor em estados melhores que o meu.

Como nós espíritas nos ferimos sem motivos reais para tanto!

Somente quando conseguirmos rir das atitudes que nos feriram, estaremos nos curando.

Quanta arrogância totalmente necessária em uma obra que nem nos pertence!

Que vergonha a minha! Como eu gostaria que tudo tivesse sido diferente! Sem dissensões, inimizades, perdas.

Só tenho uma virtude em toda a minha história. Não desisti de refazer meus caminhos. Talvez por isso sofra tanto. Por isso estou aplicando a misericórdia comigo também.

Não existe para mim conceito mais claro de misericórdia que acolher com afeto e carinho, estímulo e alegria o valor alheio, ceder da minha importância pessoal em favor da motivação de outrem para sua caminhada.

Hoje, creio sinceramente que se concedermos apenas uma hora para analisarmos as imperfeições e usarmos o restante do tempo para nos amar, a vida nos presenteará com mais motivos para ser feliz.

Penso muito em Jesus. Sabendo de todas as nossas mazelas, mesmo hoje como espíritas, continua contando conosco.

Essa tem sido a minha força.

Saber que o Mestre ainda conta comigo tem sido meu descanso, minha motivação.

Obrigado a todos por me ouvirem.


(1) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 10 - Item 10
(2) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 9 - Item 9
(3) João, 3:30
(4) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 10 - Item 14