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domingo, 4 de fevereiro de 2024

O Espírito de Verdade - Revista Espírita - Allan Kardec - Ano VII - Dezembro de 1864 - Comunicação Espírita - A propósito da Imitação do Evangelho



O Espírito de Verdade - Revista Espírita - Allan Kardec - Ano VII - Dezembro de 1864 - Comunicação Espírita


A propósito da Imitação do Evangelho


Acaba de aparecer um novo livro; é uma luz mais brilhante que vem clarear a vossa marcha. Há dezoito séculos, por ordem de meu Pai, vim trazer a palavra de Deus aos homens de boa vontade. Esta palavra foi esquecida pela maioria dos homens, e a incredulidade, o materialismo vieram abafar o bom grão que eu tinha depositado em vossa Terra. Hoje, por ordem do Eterno, os bons Espíritos, seus mensageiros, vêm a todos os pontos do globo fazer ouvir a trombeta retumbante. Escutai suas vozes; são destinadas a vos mostrar o caminho que conduz aos pés do Pai celestial. Sede dóceis aos seus ensinos; os tempos preditos são chegados; todas as profecias serão cumpridas.

Pelos frutos se conhece a árvore. Vede quais são os frutos do Espiritismo: casais onde a discórdia tinha substituído a harmonia voltaram à paz e à felicidade; homens que sucumbiam ao peso de suas aflições, despertados pelos acordes melodiosos das vozes de além-túmulo, compreenderam que seguiam o caminho errado e, envergonhados de suas fraquezas, arrependeram-se e pediram força ao Senhor para suportarem as suas provações.

Provações e expiações, eis a condição do homem na Terra. Expiação do passado, provações para o fortalecer contra a tentação, para desenvolver o Espírito pela atividade da luta, habituá-lo a dominar a matéria e prepará-lo para as alegrias puras que o esperam no mundo dos Espíritos.

Há muitas moradas na casa de meu Pai, disse-lhes eu há dezoito séculos. O Espiritismo veio tornar compreensíveis estas palavras. E vós, meus bem-amados, trabalhadores que suportais o calor do dia, que credes ter de vos lamentar da injustiça da sorte, abençoai vossos sofrimentos; agradecei a Deus, que vos dá meios de quitar as dívidas do passado. Orai, não com os lábios, mas com o coração melhorado, a fim de que possais ocupar melhor lugar na casa de meu Pai. Como sabeis, os grandes serão humilhados, mas os pequenos e os humildes serão exaltados.


O Espírito de Verdade



Bordeaux, Maio de 1864. Grupo de São João. – Médium: Sr. Rul.











sexta-feira, 4 de junho de 2021

Allan Kardec - Revista Espírita - Ano VII, Fevereiro de 1864 - Dissertações espíritas - Estudos sobre a reencarnação - A reencarnação e as aspirações do homem




Allan Kardec - Revista Espírita - Ano VII, Fevereiro de 1864 - Dissertações espíritas - Estudos sobre a reencarnação


A reencarnação e as aspirações do homem
 

As aspirações da alma arrastam à sua realização, e essa realização é conseguida na reencarnação, enquanto o Espírito está no trabalho material. Explico-me. Tomemos o Espírito em seu início na carreira humana. Estúpido e bruto, ele sente, contudo, a centelha divina em si, pois adora um Deus que ele materializa conforme a sua materialidade. Nesse ser ainda vizinho do animal há uma aspiração instintiva, quase inconsciente, para um estado menos inferior. Ele começa por desejar satisfazer seus apetites materiais e inveja os que vê num estado melhor que o seu. Assim, numa encarnação seguinte, escolhe ele mesmo, ou antes, é arrastado a um corpo mais aperfeiçoado, e sempre, em cada uma de suas existências, deseja um melhoramento material. Jamais se sentindo satisfeito, quer subir sempre, porque a aspiração à felicidade é a grande alavanca do progresso.

À medida que suas sensações corporais se tornam maiores, mais requintadas, suas sensações espirituais também despertam e crescem. Então começa o trabalho moral, e a depuração da alma se une à aspiração do corpo para chegar ao estado superior.

Esse estado de igualdade de aspirações materiais e espirituais não é de longa duração, porque em breve o Espírito eleva-se acima da matéria, e suas sensações não mais podem ser por ela satisfeitas. Ele necessita mais; precisa de coisa melhor; mas aí, tendo o corpo sido levado à sua perfeição sensitiva, não pode acompanhar o Espírito, que agora o domina e dele se destaca cada vez mais, como de um instrumento inútil. Ele direciona todos os seus desejos, todas as suas aspirações para um estado superior; sente que as aspirações materiais que lhe eram um motivo de felicidade em suas satisfações, não são mais que um aborrecimento, uma degradação, uma triste necessidade da qual ele aspira libertar-se para gozar, sem entraves, de todas as venturas espirituais que pressente.


Allan Kardec


Sociedade Espírita de Paris - Médium Srta. A. C.