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quarta-feira, 2 de abril de 2025

Allan Kardec - A Gênese - Cap. 3 - O Bem e o Mal - O instinto e a inteligência - Item 19



Allan Kardec - A Gênese - Cap. 3 - O Bem e o Mal


O instinto e a inteligência


19. O homem que só agisse pelo instinto poderia ser muito bom, mas conservaria adormecida a sua inteligência. Seria qual criança que não deixasse o andador e não soubesse utilizar-se de seus membros. Aquele que não domina as suas paixões pode ser muito inteligente, mas, ao mesmo tempo, muito mau. O instinto se aniquila por si mesmo; as paixões só se domam pelo esforço da vontade.


Allan Kardec













sexta-feira, 28 de março de 2025

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. I - Da lei divina ou natural - O bem e o mal - Questão 642 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. I - Da lei divina ou natural - O bem e o mal


Questão 642


– Será suficiente não se fazer o mal, para ser agradável a Deus e assegurar uma situação futura? 

“Não: é preciso fazer o bem, no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.” 


Allan Kardec 



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez
Questão 642 comentada


Deus é um Pai amoroso e santo, e o proceder dos homens para com Ele deve ser em espírito e verdade. Há muitas criaturas dentre as quais muitos intelectuais, que acham que Deus é uma matéria fluídico dissolvida em toda a criação. E nós dizemos que Deus é uma individualidade. No entanto, os Seus atributos têm a capacidade de estender Seus sentidos por toda parte, de fazer da criação o Seu próprio corpo, de estar presente nas consciências humanas.

Deus é isso e muito mais, de modo que a nossa capacidade, mesmo sendo imagem e semelhança d'Ele, não O pode compreender da maneira que Ele é. As nossas mentes, mesmo as dos Espíritos mais evoluídos, são finitas, e não podem conceber o que é infinito.

Deus tem todos os poderes perfeitos, Deus é perfeito em tudo o que faz. Para que nós possamos agradar a Ele, não basta que esqueçamos o mal; é necessário que façamos o bem, para o qual fomos criados. Quem não faz o bem, já abre caminhos para que os impulsos do mal apareçam em suas intenções.

Convém que todas as criaturas, principalmente os espíritas, para quem estamos especialmente falando, procurem fazer o bem de todas as formas possíveis, porque somente ele desvia as pessoas do mal. O Espírito deve estar sempre ocupado com coisas nobres, pois que se mostrará como nobre também.

Se Deus é harmonia, o que chamamos de mal é desarmonia. Não podemos agradar a dois senhores; assim, procura harmonizar a tua vida, desde o abrir dos olhos, ao levantar, até a hora de descansar das lides diárias. As grandes coisas começarão pelas pequenas.

Um grande feito por vezes nasce de simples pensamentos, bem como uma grande calamidade social foi primeiramente pensada e criada a partir de idéias sobre tal evento. É neste sentido que alertamos sempre os homens para educarem seus pensamentos em tudo que fazem, desde o mínimo gesto de beber um copo de água, até assinar um decreto que envolve uma nação. Deves pensar, meditar no que fazer e, quando o fizeres, procurar, em todos os seus contornos, fazer com perfeição.

Na Doutrina Espírita já há muitas obras sobre a educação da mente, sobre as coisas certas, sobre a harmonia divina e humana. Por que não começar a entender a sensibilidade do Criador, a ordem do universo? Se quem busca acha, deves buscar, mas com sinceridade.

Deus é o Doador Supremo, que não se esquece de Seus filhos de boa vontade. Agrada a Deus amando, servindo sem exigências e trabalhando sempre na co-criação de oportunidades que elevam e que mostram a paz, insuflando o amor em todas as criaturas.

Não desprezes a ordem, pois ela gera o progresso, e quando fizeres alguma coisa, não podes esquecer Jesus, força divina que mostra a Sua divina presença em toda a Terra, manifestando-se em todos os homens, educando-os e instruindo-os, na mais alta função de amar.

Aos afoitos no trabalho, que parecem querer recuperar o tempo perdido, em apenas alguns anos, nós lhes dizemos que façam o bem, nos limites das suas forças, para que não venham a se cansar antes de atingir a meta de servir, e os compromissos firmados com o senhor da vinha. O equilíbrio, na altura em que se encontra a humanidade, é o caminho do meio, como nos fala um provérbio chinês.

Vamos agradar a Deus com bons pensamentos, boas palavras e boas ações. Mesmo que a tua vida esteja tomada pelas trevas, não esmoreças nas reformas; luta e crê, que Deus te abençoará, para que venças a ti mesmo.

Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes crer, tudo é possível ao que crê. (Marcos, 9:23)

E para crer, necessário se faz que trabalhes na aquisição dos valores da alma, de amor e bondade, de fé e entendimento, que somando surgirá a pérola divina em teus passos que se chama, e está escrito no dicionário do céu: Amor.


Miramez





Filosofia Espírita – Volume XIII (João Nunes Maia)
Cap. 30 - Para agradar a Deus






Fontes: Filosofia Espírita Vol. 13-pdf
, Kardecpedia

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das Leis Morais - Da Lei Divina ou Natural - O Bem e o Mal - Questão 629 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das Leis Morais - Da Lei Divina ou Natural


O Bem e o Mal


629. Que definição se pode dar da moral?

“A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.” 


Allan Kardec

 


O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez
Questão 629 comentada


A moral é uma regra de bem proceder, e torna-se uma sequência de valores onde o homem encontra a paz de consciência. Todo o Evangelho de Jesus fundamenta-se na educação dos seres humanos; portanto é uma escola de moralidade divina.

Para a criatura humana que começa a se educar dentro da regra moral do Evangelho, a sua vida vai mudando, pela transformação que se opera no seu íntimo, e a conseqüência é a transformação do seu comportamento exterior.

A honestidade não se baseia somente em uma virtude; ela passa a ser o conjunto de qualidades, onde se vê os valores intercambiarem para maior segurança da criatura. Não há neste mundo outro código moral mais perfeito que o Evangelho de Jesus, porque Ele não apenas ensinou os bons costumes à humanidade; Ele viveu o que dispôs para os filhos da Terra.

O Cristo uniu teoria e prática, sem alterar, nem violentar as condições dos seres humanos. O trabalho de Jesus é paciente; há milhares de anos que as Suas mãos operam em plena função de normas elevadas, fazendo os homens entenderem que somente o amor salva, e as divisões desse amor, como sendo alta moral, é para não agredir Seu rebanho na aquisição de procedimentos elevados.

O homem honesto, pela sua própria disposição, já encontra caminhos que atrai por sintonia com o bem comum. A moral se enriquece na vida de uma pessoa quando esta, em tudo que faz de bom, pensa sempre no bem-estar da coletividade, quando nunca se separa dos seus irmãos em caminho e sabe que o próximo é a sua extensão na vida. Essa é a proclamação do amor, na extensão infinita em que ele se mostra pela fraternidade universal.

O homem procede bem quando tudo faz pelo bem da humanidade. Tudo que copiamos das leis de Deus é serviço da moral. Mesmo que estejamos sofrendo em qualquer faixa da vida, se nos estribamos na moral, a dor se transforma em confiança, a confiança em fé e a fé em alegria. Onde reina o amor puro, está feito o ambiente para a felicidade da alma.

Jesus Cristo, dotado de todos os poderes, é a moral viva de Deus a irradiar-se na Terra. O poder de curar que d'Ele sai é oriundo da Sua moral.

E todos da multidão procuravam tocar-Lhe, porque Dele saía poder e curava a todos. (Lucas, 6:19)

Os poderes que concentramos em nós são, certamente, originários da vida que levamos com honestidade, e a posição que atingimos nos níveis do amor. A posição do que quer beneficiar alguém deve ser de procurar orar, passando a vigiar, pois a oração busca e o policiamento moraliza, para que entre em intervenção, servindo de instrumento para a Luz Maior, que somente sintoniza com as qualidades superiores da alma.

Existem dois caminhos, que levam a alma para a luz ou para as trevas: o bem e o mal. O bem são as leis naturais que o Espírito deve passar a obedecer, e o mal são linhas diversas, que a alma procura para a sua própria satisfação passageira. A moral é, pois, uma regra áurea de vida, de vida no bem, onde o amor é a energia sutil, provinda de Deus, que a alimenta.


Miramez

Filosofia Espírita Vol. 13 - João Nunes Maia
Cap. 17 - Moral 











sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Allan Kardec - O Livro Dos Espíritos - 3ª Parte - Das Leis Morais, Cap. I - Da Lei Divina ou Natural - O bem e o mal (Miramez)



Allan Kardec - O Livro Dos Espíritos - 3ª Parte - Das Leis Morais, Cap. I - Da Lei Divina ou Natural


O bem e o mal


633. A regra do bem e do mal, que se poderia chamar de reciprocidade ou de solidariedade, é inaplicável ao proceder pessoal do homem para consigo mesmo. Achará ele, na lei natural, a regra desse proceder e um guia seguro?

 “Quando comeis em excesso, verificais que isso vos faz mal. Pois bem, é Deus quem vos dá a medida daquilo de que necessitais. Quando excedeis dessa medida, sois punidos. Em tudo é assim. A lei natural traça para o homem o limite das suas necessidades. Se ele ultrapassa esse limite, é punido pelo sofrimento. Se atendesse sempre à voz que lhe diz - chega, evitaria a maior parte dos males, cuja culpa lança à Natureza.” 


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

A regra divina da vida está sempre pronta para nos defender de todos os males, no entanto, nós outros é que fechamos os olhos e interrompemos nossa audição, para não ver, nem escutar. É nesse impasse que entra a dor, pois somente ela pode nos impedir de continuarmos nos caminhos de espinhos, cheio de ilusões passageiras.

Nós já fomos programados por Deus, pela ciência divina que escapa ao raciocínio, para saber o que queremos e entender as nossas limitações. Quem não sabe o limite da bebida mesmo que a água seja para todos um precioso líquido? Quem não sabe o limite da comida, mesmo que ela seja para as criaturas um motivo de vida física? Quem não reconhece o limite do bem vestir, os limites do sono, do lazer, e mesmo do trabalho? Todos são dotados de sensibilidades para manter o próprio bem e equilíbrio da natureza divina e humana. São regras escritas por Deus na natureza, e que todos percebem, porque no ser humano elas se encontram escritas na consciência.

Com o interesse em acertar, as leis de Deus que brilham por dentro de nós se afloram, ficando mais visíveis, atendendo aos esforços no aprendizado. Isso é lindo, e nos parece que a natureza é inteligente: como nos ama e atina pelos nossos apelos em todas as direções!

Quando comes com excesso, o aparelho digestivo avisa por muitos meios, e qual é o teu dever? Diminuir a carga de alimentos, pois, se não o fizeres, sofrerás pela invigilância. Assim é tudo na vida. Deste modo, Deus está em toda parte, vigilante, para conservar a harmonia em toda a Sua criação. A nossa parte, mesmo sendo pequena, é de nosso dever cuidar dela, para que possamos conquistar a paz, que é caminho para a felicidade.

Os ensinamentos dos Espíritos são claros, de modo que a própria razão responderá à realidade. As leis naturais traçam para os homens seus limites, de modo que eles possam viver em paz consigo mesmos. Quando eles persistem nos caminhos de desarmonias, certamente que eles são punidos pelo seu desleixo, e com a dor, aumentam suas experiências. Ao voltar, em outras vidas que se sucedem, a sua mente não precisará mais nem usar a razão para encontrar o certo; a intuição agirá, de modo a preservar o seu próprio equilíbrio. O "modus vivendi" está assegurado pelas experiências, fruto de muitos infortúnios e de muitas vestimentas carnais.

A natureza está cheia de regras áureas, de sorte a nos educar. Quem já se encontra em caminho com elas sente a felicidade no andar e no viver junto a essas regras, por amar a disciplina e sentir o amor por tudo que existe na vida, criado por Deus. Compete a nós estudarmos todos os dias as lições da natureza e, se não aprendemos ainda, busquemos nos livros dos homens, aqueles que já sabem copiar as lições onde Deus escreveu, ou buscar na própria consciência.

Tudo depende um pouco de maturidade espiritual, e antes que chegue essa hora, usa a tua inteligência, analisa as coisas e não percas tempo a ver somente os defeitos alheios, que são sempre frutos dos primeiros impulsos, quando estamos caminhando para a libertação. Acordemos, pois o julgamento não nos leva a nada.

Sempre que pudermos, observemos a nós mesmos, onde existe muito trabalho a ser feito.

Por que vês tu o argueiro no olho do teu irmão porém não reparas na trave que está no teu próprio? (Lucas, 6:41)

Podes ser um hábil observador, no entanto, quando saíres dos limites da tua pesquisa, passando a observar e propagar os defeitos alheios, sofrerás corrigendas à altura dos teus desequilíbrios. Deves observar com todo empenho as leis naturais que agem dentro e fora de ti, a te convidarem para o bem. 


Miramez







João Nunes Maia - Filosofia Espírita Vol. 13 
Cap. 21 - A Regra Áurea



segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Allan Kardec - Livro A Gênese - Cap. 3 - O bem e o mal - O instinto e a inteligência



Allan Kardec - Livro A Gênese - Cap. 3 - O bem e o mal


O instinto e a inteligência



Qual a diferença entre o instinto e a inteligência? Onde acaba um e o outro começa? Será o instinto uma inteligência rudimentar, ou será uma faculdade distinta, um atributo exclusivo da matéria?

O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles. Nos atos instintivos não há reflexão, nem combinação, nem premeditação. É assim que a planta procura o ar, se volta para a luz, dirige suas raízes para a água e para a terra nutriente; que a flor se abre e fecha alternativamente, conforme se lhe faz necessário; que as plantas trepadeiras se enroscam em torno daquilo que lhes serve de apoio, ou se lhe agarram com as gavinhas. É pelo instinto que os animais são avisados do que lhes convém ou prejudica; que buscam, conforme a estação, os climas propícios; que constroem, sem ensino prévio, com mais ou menos arte, segundo as espécies, leitos macios e abrigos para as suas progênies, armadilhas para apanhar a presa de que se nutrem; que manejam destramente as armas ofensivas e defensivas de que são providos; que os sexos se aproximam; que a mãe choca os filhos e que estes procuram o seio materno. No homem, só em começo da vida o instinto domina com exclusividade; é por instinto que a criança faz os primeiros movimentos, que toma o alimento, que grita para exprimir as suas necessidades, que imita o som da voz, que tenta falar e andar. No próprio adulto, certos atos são instintivos, tais como os movimentos espontâneos para evitar um risco, para fugir a um perigo, para manter o equilíbrio do corpo; tais ainda o piscar das pálpebras para moderar o brilho da luz, o abrir maquinal da boca para respirar, etc.

A inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. É incontestavelmente um atributo exclusivo da alma.

Todo ato maquinal é instintivo; o ato que denota reflexão, combinação, deliberação é inteligente. Um é livre, o outro não o é.

O instinto é guia seguro, que nunca se engana; a inteligência, pelo simples fato de ser livre, está, por vezes, sujeita a errar.

Ao ato instintivo falta o caráter do ato inteligente; revela, entretanto, uma causa inteligente, essencialmente apta a prever. Se se admitir que o instinto procede da matéria, ter-se-á de admitir que a matéria é inteligente, até mesmo bem mais inteligente e previdente do que a alma, pois que o instinto não se engana, ao passo que a inteligência se equivoca.

Se se considerar o instinto uma inteligência rudimentar, como se há de explicar que, em certos casos, seja superior à inteligência que raciocina? Como explicar que torne possível se executem atos que esta não pode realizar? Se ele é atributo de um princípio espiritual de especial natureza, qual vem a ser esse princípio? Pois que o instinto se apaga, dar-se-á que esse princípio se destrua? Se os animais são dotados apenas de instinto, não tem solução o destino deles e nenhuma compensação os seus sofrimentos, o que não estaria de acordo nem com a justiça, nem com a bondade de Deus. (Cap. II, 19.)

Segundo outros sistemas, o instinto e a inteligência procederiam de um único princípio. Chegado a certo grau de desenvolvimento, esse princípio, que primeiramente apenas tivera as qualidades do instinto, passaria por uma transformação que lhe daria as da inteligência livre.

Se fosse assim, no homem inteligente que perde a razão e entra a ser guiado exclusivamente pelo instinto, a inteligência voltaria ao seu estado primitivo e, quando o homem recobrasse a razão, o instinto se tornaria inteligência e assim alternativamente, a cada acesso, o que não é admissível.

Aliás, é frequente o instinto e a inteligência se revelarem simultaneamente no mesmo ato. No caminhar, por exemplo, o movimento das pernas é instintivo; o homem põe maquinalmente um pé à frente do outro, sem nisso pensar; quando, porém, ele quer acelerar ou demorar o passo, levantar o pé ou desviar-se de um tropeço, há cálculo, combinação; ele age com deliberado propósito. A impulsão involuntária do movimento é o ato instintivo; a calculada direção do movimento é o ato inteligente. O animal carnívoro é impelido pelo instinto a se alimentar de carne, mas as precauções que toma e que variam conforme as circunstâncias, para segurar a presa, a sua previdência das eventualidades são atos da inteligência.

Outra hipótese que, em suma, se conjuga perfeitamente à ideia da unidade de princípio, ressalta do caráter essencialmente previdente do instinto e concorda com o que o Espiritismo ensina, no tocante às relações do mundo espiritual com o mundo corpóreo.

Sabe-se agora que muitos Espíritos desencarnados têm por missão velar pelos encarnados, dos quais se constituem protetores e guias; que os envolvem nos seus eflúvios fluídicos; que o homem age muitas vezes de modo inconsciente, sob a ação desses eflúvios.

Sabe-se, ao demais, que o instinto, que por si mesmo produz atos inconscientes, predomina nas crianças e, em geral, nos seres cuja razão é fraca. Ora, segundo esta hipótese, o instinto não seria atributo nem da alma, nem da matéria; não pertenceria propriamente ao ser vivo, seria efeito da ação direta dos protetores invisíveis que supririam a imperfeição da inteligência, provocando os atos inconscientes necessários à conservação do ser. Seria qual a andadeira com que se amparam as crianças que ainda não sabem andar. Então, do mesmo modo que se deixa gradualmente de usar a andadeira, à medida que a criança se equilibra sozinha, os Espíritos protetores deixam entregues a si mesmos os seus protegidos, à medida que estes se tornam aptos a guiar-se pela própria inteligência.

Assim, o instinto, longe de ser produto de uma inteligência rudimentar e incompleta, sê-lo-ia de uma inteligência estranha, na plenitude da sua força, inteligência protetora, supletiva da insuficiência, quer de uma inteligência mais jovem, que aquela compeliria a fazer, inconscientemente, para seu bem, o que ainda fosse incapaz de fazer por si mesma, quer de uma inteligência madura, porém, momentaneamente tolhida no uso de suas faculdades, como se dá com o homem na infância e nos casos de idiotia e de afecções mentais.

Diz-se proverbialmente que há um deus para as crianças, para os loucos e para os ébrios. É mais veraz do que se supõe esse ditado. Aquele deus, outro não é senão o Espírito protetor, que vela pelo ser incapaz de se proteger, utilizando-se da sua própria razão.

Nesta ordem de idéias, ainda mais longe se pode ir. Por muito racional que seja, essa teoria não resolve todas as dificuldades da questão.

Se observarmos os efeitos do instinto, notaremos, em primeiro lugar, uma unidade de vistas e de conjunto, uma segurança de resultados, que cessam logo que a inteligência o substitui. Demais, reconheceremos profunda sabedoria na apropriação tão perfeita e tão constante das faculdades instintivas às necessidades de cada espécie. Semelhante unidade de vistas não poderia existir sem a unidade de pensamento e esta é incompatível com a diversidade das aptidões individuais; só ela poderia produzir esse conjunto tão harmonioso que se realiza desde a origem dos tempos e em todos os climas, com uma regularidade, uma precisão matemáticas, cuja ausência jamais se nota. A uniformidade no que resulta das faculdades instintivas é um fato característico, que forçosamente implica a unidade da causa. Se a causa fosse inerente a cada individualidade, haveria tantas variedades de instintos quantos fossem os indivíduos, desde a planta até o homem. Um efeito geral, uniforme e constante, há de ter uma causa geral, uniforme e constante; um efeito que atesta sabedoria e previdência há de ter uma causa sábia e previdente. Ora, uma causa dessa natureza, sendo por força inteligente, não pode ser exclusivamente material.

Não se nos deparando nas criaturas, encarnadas ou desencarnadas, as qualidades necessárias à produção de tal resultado, temos que subir mais alto, isto é, ao próprio Criador. Se nos reportamos à explicação dada sobre a maneira por que se pode conceber a ação providencial (cap. II, nº 24); se figurarmos todos os seres penetrados do fluido divino, soberanamente inteligente, compreenderemos a sabedoria previdente e a unidade de vistas que presidem a todos os movimentos instintivos que se efetuam para o bem de cada indivíduo. Tanto mais ativa é essa solicitude, quanto menos recursos tem o indivíduo em si mesmo e na sua inteligência. Por isso é que ela se mostra maior e mais absoluta nos animais e nos seres inferiores, do que no homem.

Segundo essa teoria, compreende-se que o instinto seja um guia seguro. O instinto materno, o mais nobre de todos, que o materialismo rebaixa ao nível das forças atrativas da matéria, fica realçado e enobrecido. Em razão das suas conseqüências, não devia ele ser entregue às eventualidades caprichosas da inteligência e do livre-arbítrio. Por intermédio da mãe, o próprio Deus vela pelas suas criaturas que nascem.

Esta teoria de nenhum modo anula o papel dos Espíritos protetores, cujo concurso é fato observado e comprovado pela experiência; mas, deve-se notar que a ação desses Espíritos é essencialmente individual; que se modifica segundo as qualidades próprias do protetor e do protegido e que em parte nenhuma apresenta a uniformidade e a generalidade do instinto. Deus, em sua sabedoria, conduz ele próprio os cegos, porém confia a inteligências livres o cuidado de guiar os clarividentes, para deixar a cada um a responsabilidade de seus atos. A missão dos Espíritos protetores constitui um dever que eles aceitam voluntariamente e lhes é um meio de se adiantarem, dependendo o adiantamento da forma por que o desempenhem.

Todas essas maneiras de considerar o instinto são forçosamente hipotéticas e nenhuma apresenta caráter seguro de autenticidade, para ser tida como solução definitiva. A questão, sem dúvida, será resolvida um dia, quando se houverem reunido os elementos de observação que ainda faltam. Até lá, temos que limitar-nos a submeter as diversas opiniões ao cadinho da razão e da lógica e esperar que a luz se faça. A solução que mais se aproxima da verdade será decerto a que melhor condiga com os atributos de Deus, isto é, com a bondade suprema e a suprema justiça. (Cap. II, nº 19.)

Sendo o instinto o guia e as paixões as molas da alma no período inicial do seu desenvolvimento, por vezes aquele e estas se confundem nos efeitos. Há, contudo, entre esses dois princípios, diferenças que muito importa se considerem.

O instinto é guia seguro, sempre bom. Pode, ao cabo de certo tempo, tornar-se inútil, porém nunca prejudicial. Enfraquece-se pela predominância da inteligência.

As paixões, nas primeiras idades da alma, têm de comum com o instinto o serem as criaturas solicitadas por uma força igualmente inconsciente. As paixões nascem principalmente das necessidades do corpo e dependem, mais do que o instinto, do organismo. O que, acima de tudo, as distingue do instinto é que são individuais e não produzem, como este último, efeitos gerais e uniformes; variam, ao contrário, de intensidade e de natureza, conforme os indivíduos. São úteis, como estimulante, até à eclosão do senso moral, que faz nasça de um ser passivo, um ser racional. Nesse momento, tornam-se não só inúteis, como nocivas ao progresso do Espírito, cuja desmaterialização retardam. Abrandam-se com o desenvolvimento da razão.

O homem que só pelo instinto agisse constantemente poderia ser muito bom, mas conservaria adormecida a sua inteligência. Seria qual criança que não deixasse as andadeiras e não soubesse utilizar-se de seus membros. Aquele que não domina as suas paixões pode ser muito inteligente, porém, ao mesmo tempo, muito mau. O instinto se aniquila por si mesmo; as paixões somente pelo esforço da vontade podem domar-se. 



Allan Kardec




TEXTOS RELACIONADOS:

O Livro dos Espíritos - 1ª. Parte  - Das causas primárias - Cap. 4 - Do princípio vital - Inteligência e instinto

11. Qual a diferença entre o instinto e a inteligência? Onde acaba um e o outro começa? Será o instinto uma inteligência rudimentar, ou será uma faculdade distinta, um atributo exclusivo da matéria?

O instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a conservação deles. Nos atos instintivos não há reflexão, nem combinação, nem premeditação. É assim que a planta procura o ar, se volta para a luz, dirige suas raízes para a água e para a terra nutriente; que a flor se abre e fecha alternativamente, conforme se lhe faz necessário; que as plantas trepadeiras se enroscam em torno daquilo que lhes serve de apoio, ou se lhe agarram com as gavinhas. É pelo instinto que os animais são avisados do que lhes convém ou prejudica; que buscam, conforme a estação, os climas propícios; que constroem, sem ensino prévio, com mais ou menos arte, segundo as espécies, leitos macios e abrigos para as suas progênies, armadilhas para apanhar a presa de que se nutrem; que manejam destramente as armas ofensivas e defensivas de que são providos; que os sexos se aproximam; que a mãe choca os filhos e que estes procuram o seio materno. No homem, só em começo da vida o instinto domina com exclusividade; é por instinto que a criança faz os primeiros movimentos, que toma o alimento, que grita para exprimir as suas necessidades, que imita o som da voz, que tenta falar e andar. No próprio adulto, certos atos são instintivos, tais como os movimentos espontâneos para evitar um risco, para fugir a um perigo, para manter o equilíbrio do corpo; tais ainda o piscar das pálpebras para moderar o brilho da luz, o abrir maquinal da boca para respirar, etc.

12. A inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. É incontestavelmente um atributo exclusivo da alma.

Todo ato maquinal é instintivo; o ato que denota reflexão, combinação, deliberação é inteligente. Um é livre, o outro não o é.

O instinto é guia seguro, que nunca se engana; a inteligência, pelo simples fato de ser livre, está, por vezes, sujeita a errar.

Ao ato instintivo falta o caráter do ato inteligente; revela, entretanto, uma causa inteligente, essencialmente apta a prever. Se se admitir que o instinto procede da matéria, ter-se-á de admitir que a matéria é inteligente, até mesmo bem mais inteligente e previdente do que a alma, pois que o instinto não se engana, ao passo que a inteligência se equivoca.

Se se considerar o instinto uma inteligência rudimentar, como se há de explicar que, em certos casos, seja superior à inteligência que raciocina? Como explicar que torne possível se executem atos que esta não pode realizar? Se ele é atributo de um princípio espiritual de especial natureza, qual vem a ser esse princípio? Pois que o instinto se apaga, dar-se-á que esse princípio se destrua? Se os animais são dotados apenas de instinto, não tem solução o destino deles e nenhuma compensação os seus sofrimentos, o que não estaria de acordo nem com a justiça, nem com a bondade de Deus. (Cap. II, 19.)

13. Segundo outros sistemas, o instinto e a inteligência procederiam de um único princípio. Chegado a certo grau de desenvolvimento, esse princípio, que primeiramente apenas tivera as qualidades do instinto, passaria por uma transformação que lhe daria as da inteligência livre.

Se fosse assim, no homem inteligente que perde a razão e entra a ser guiado exclusivamente pelo instinto, a inteligência voltaria ao seu estado primitivo e, quando o homem recobrasse a razão, o instinto se tornaria inteligência e assim alternativamente, a cada acesso, o que não é admissível.

Aliás, é frequente o instinto e a inteligência se revelarem simultaneamente no mesmo ato. No caminhar, por exemplo, o movimento das pernas é instintivo; o homem põe maquinalmente um pé à frente do outro, sem nisso pensar; quando, porém, ele quer acelerar ou demorar o passo, levantar o pé ou desviar-se de um tropeço, há cálculo, combinação; ele age com deliberado propósito. A impulsão involuntária do movimento é o ato instintivo; a calculada direção do movimento é o ato inteligente. O animal carnívoro é impelido pelo instinto a se alimentar de carne, mas as precauções que toma e que variam conforme as circunstâncias, para segurar a presa, a sua previdência das eventualidades são atos da inteligência.

14. Outra hipótese que, em suma, se conjuga perfeitamente à ideia da unidade de princípio, ressalta do caráter essencialmente previdente do instinto e concorda com o que o Espiritismo ensina, no tocante às relações do mundo espiritual com o mundo corpóreo.

Sabe-se agora que muitos Espíritos desencarnados têm por missão velar pelos encarnados, dos quais se constituem protetores e guias; que os envolvem nos seus eflúvios fluídicos; que o homem age muitas vezes de modo inconsciente, sob a ação desses eflúvios.

Sabe-se, ao demais, que o instinto, que por si mesmo produz atos inconscientes, predomina nas crianças e, em geral, nos seres cuja razão é fraca. Ora, segundo esta hipótese, o instinto não seria atributo nem da alma, nem da matéria; não pertenceria propriamente ao ser vivo, seria efeito da ação direta dos protetores invisíveis que supririam a imperfeição da inteligência, provocando os atos inconscientes necessários à conservação do ser. Seria qual a andadeira com que se amparam as crianças que ainda não sabem andar. Então, do mesmo modo que se deixa gradualmente de usar a andadeira, à medida que a criança se equilibra sozinha, os Espíritos protetores deixam entregues a si mesmos os seus protegidos, à medida que estes se tornam aptos a guiar-se pela própria inteligência.

Assim, o instinto, longe de ser produto de uma inteligência rudimentar e incompleta, sê-lo-ia de uma inteligência estranha, na plenitude da sua força, inteligência protetora, supletiva da insuficiência, quer de uma inteligência mais jovem, que aquela compeliria a fazer, inconscientemente, para seu bem, o que ainda fosse incapaz de fazer por si mesma, quer de uma inteligência madura, porém, momentaneamente tolhida no uso de suas faculdades, como se dá com o homem na infância e nos casos de idiotia e de afecções mentais.

Diz-se proverbialmente que há um deus para as crianças, para os loucos e para os ébrios. É mais veraz do que se supõe esse ditado. Aquele deus, outro não é senão o Espírito protetor, que vela pelo ser incapaz de se proteger, utilizando-se da sua própria razão.

15. Nesta ordem de idéias, ainda mais longe se pode ir. Por muito racional que seja, essa teoria não resolve todas as dificuldades da questão.

Se observarmos os efeitos do instinto, notaremos, em primeiro lugar, uma unidade de vistas e de conjunto, uma segurança de resultados, que cessam logo que a inteligência o substitui. Demais, reconheceremos profunda sabedoria na apropriação tão perfeita e tão constante das faculdades instintivas às necessidades de cada espécie. Semelhante unidade de vistas não poderia existir sem a unidade de pensamento e esta é incompatível com a diversidade das aptidões individuais; só ela poderia produzir esse conjunto tão harmonioso que se realiza desde a origem dos tempos e em todos os climas, com uma regularidade, uma precisão matemáticas, cuja ausência jamais se nota. A uniformidade no que resulta das faculdades instintivas é um fato característico, que forçosamente implica a unidade da causa. Se a causa fosse inerente a cada individualidade, haveria tantas variedades de instintos quantos fossem os indivíduos, desde a planta até o homem. Um efeito geral, uniforme e constante, há de ter uma causa geral, uniforme e constante; um efeito que atesta sabedoria e previdência há de ter uma causa sábia e previdente. Ora, uma causa dessa natureza, sendo por força inteligente, não pode ser exclusivamente material.

Não se nos deparando nas criaturas, encarnadas ou desencarnadas, as qualidades necessárias à produção de tal resultado, temos que subir mais alto, isto é, ao próprio Criador. Se nos reportamos à explicação dada sobre a maneira por que se pode conceber a ação providencial (cap. II, nº 24); se figurarmos todos os seres penetrados do fluido divino, soberanamente inteligente, compreenderemos a sabedoria previdente e a unidade de vistas que presidem a todos os movimentos instintivos que se efetuam para o bem de cada indivíduo. Tanto mais ativa é essa solicitude, quanto menos recursos tem o indivíduo em si mesmo e na sua inteligência. Por isso é que ela se mostra maior e mais absoluta nos animais e nos seres inferiores, do que no homem.

Segundo essa teoria, compreende-se que o instinto seja um guia seguro. O instinto materno, o mais nobre de todos, que o materialismo rebaixa ao nível das forças atrativas da matéria, fica realçado e enobrecido. Em razão das suas conseqüências, não devia ele ser entregue às eventualidades caprichosas da inteligência e do livre-arbítrio. Por intermédio da mãe, o próprio Deus vela pelas suas criaturas que nascem.

16. Esta teoria de nenhum modo anula o papel dos Espíritos protetores, cujo concurso é fato observado e comprovado pela experiência; mas, deve-se notar que a ação desses Espíritos é essencialmente individual; que se modifica segundo as qualidades próprias do protetor e do protegido e que em parte nenhuma apresenta a uniformidade e a generalidade do instinto. Deus, em sua sabedoria, conduz ele próprio os cegos, porém confia a inteligências livres o cuidado de guiar os clarividentes, para deixar a cada um a responsabilidade de seus atos. A missão dos Espíritos protetores constitui um dever que eles aceitam voluntariamente e lhes é um meio de se adiantarem, dependendo o adiantamento da forma por que o desempenhem.

17. Todas essas maneiras de considerar o instinto são forçosamente hipotéticas e nenhuma apresenta caráter seguro de autenticidade, para ser tida como solução definitiva. A questão, sem dúvida, será resolvida um dia, quando se houverem reunido os elementos de observação que ainda faltam. Até lá, temos que limitar-nos a submeter as diversas opiniões ao cadinho da razão e da lógica e esperar que a luz se faça. A solução que mais se aproxima da verdade será decerto a que melhor condiga com os atributos de Deus, isto é, com a bondade suprema e a suprema justiça. (Cap. II, nº 19.)

18. Sendo o instinto o guia e as paixões as molas da alma no período inicial do seu desenvolvimento, por vezes aquele e estas se confundem nos efeitos. Há, contudo, entre esses dois princípios, diferenças que muito importa se considerem.

O instinto é guia seguro, sempre bom. Pode, ao cabo de certo tempo, tornar-se inútil, porém nunca prejudicial. Enfraquece-se pela predominância da inteligência.

As paixões, nas primeiras idades da alma, têm de comum com o instinto o serem as criaturas solicitadas por uma força igualmente inconsciente. As paixões nascem principalmente das necessidades do corpo e dependem, mais do que o instinto, do organismo. O que, acima de tudo, as distingue do instinto é que são individuais e não produzem, como este último, efeitos gerais e uniformes; variam, ao contrário, de intensidade e de natureza, conforme os indivíduos. São úteis, como estimulante, até à eclosão do senso moral, que faz nasça de um ser passivo, um ser racional. Nesse momento, tornam-se não só inúteis, como nocivas ao progresso do Espírito, cuja desmaterialização retardam. Abrandam-se com o desenvolvimento da razão.

19. O homem que só pelo instinto agisse constantemente poderia ser muito bom, mas conservaria adormecida a sua inteligência. Seria qual criança que não deixasse as andadeiras e não soubesse utilizar-se de seus membros. Aquele que não domina as suas paixões pode ser muito inteligente, porém, ao mesmo tempo, muito mau. O instinto se aniquila por si mesmo; as paixões somente pelo esforço da vontade podem domar-se. 




Fonte: IPEAK

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. I - Da lei divina ou natural - O bem e o mal - Questão 632 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. I - Da lei divina ou natural


O bem e o mal


632. Estando sujeito ao erro, não pode o homem enganar-se na apreciação do bem e do mal, e crer que pratica o bem quando em realidade pratica o mal?

“Jesus disse: vede o que quereríeis que vos fizessem ou não vos fizessem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis.”


Allan Kardec 




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 632 comentada

O engano entre o mal e o bem, para os de boa vontade, para os que procuram Deus em tudo que fazem, é mais difícil. Necessário se faz crer em Deus porque, acreditando n'EIe como Pai de amor, estaremos sempre à procura das Suas leis, para que possamos vivê-las.

Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles. (Lucas, 6:31)

Nesse regime de justiça, de amor e de fraternidade, ninguém se engana na escolha, a menos que deseje escolher o mal, o que não acreditamos. Apóia-te no Evangelho de Jesus, que serás seguro em todas as tuas obras, porque o Mestre é a verdade, é o caminho e a vida.

A humanidade, sendo consciente dos seus deveres perante o Criador e ante o Mediador entre Deus e os homens, não se engana na escolha dos seus caminhos. A inteligência, irmanada com o coração, se ilumina e a intuição se faz em todo o seu esplendor. Deus, quando fez o homem, dotou-o de todas as sensibilidades da vida, acentuando na sua consciência - "faze a tua parte, que te ajudarei".

O discernimento vem do esforço de acertar. Existem pessoas que desejam enganar a si mesmas, conscientemente. Essas precisam sofrer para despertar do engano imposto a si mesmas por inércia. Os homens estão rodeados de inúmeros Espíritos, a ajudá-los mais do que pensam: no entanto, essas entidades espirituais encarregadas de inspirá-los ficam esperando a decisão de cada um.

Decide para o bem, que esse bem será encaminhado para o teu caminho. O "buscais e achareis" de Jesus é um incentivo para o teu esforço, e Ele, o Mestre, te ajudará na tua busca. Com o Espiritismo na análise do Cristianismo, ficou mais fácil a busca, pelas verdades que ele expõe para todas as criaturas de boa vontade. Os livros espíritas sérios estão circulando por toda parte, e àquele que deseja obtê-lo, logo lhe chega às mãos um deles como resposta, porque muitos Espíritos encarregados de difundir essas verdades estão a postos e ajudam a quem quer que seja na procura, sem que aquele que busca o perceba. Na profundidade do termo, em se comparando com as leis eternas que dominam todas as coisas, não existem enganos; existem, sim, caminhos mais difíceis.

Os tempos são chegados de a luz se fazer em toda a humanidade, por meios diversos e seguros. Não apenas o Brasil, mas vários outros países já conhecem a Doutrina Espírita, tomando conhecimento da Verdade, procurando-a com sinceridade e amor. Deus é justiça e todos somos Seus filhos do coração. Allan Kardec foi um instrumento da verdade, que Jesus enviou à França, para fazer conhecido o Evangelho em Espírito e verdade. A velha Europa não pode dizer que não viu e não sentiu a luz do sol espiritual, entretanto, ela rejeitou a instrução espiritual, que foi direcionada então, para o Brasil, mas Jesus se mostra com os braços abertos, para receber todos os povos que queiram aprender e amar dentro da fraternidade universal. Em Espírito, Ele se acha envolvido no ar que podes respirar e na água que podes sorver, nos alimentos que matam a fome e, muito mais, na vida dos brasileiros, que sempre têm algo de Jesus para mostrar nos lances de suas vidas.

Povos de todas raças! Buscai no Brasil vossas orientações espirituais, que nunca errareis os caminhos do bem. A caridade nesta nação corre nas veias dos que tiveram o privilégio de nascer nestas terras, privilégio este por conquistas, pelas reencarnações em diferentes nações do mundo.


Miramez



Filosofia Espírita - Vol. 13 - João Nunes Maia
Cap. 20 - O engano consciente 






sábado, 12 de junho de 2021

Allan Kardec - Livro A Gênese - Cap. 3 - O bem e o mal - Origem do bem e do mal - Item 6




Allan Kardec - Livro A Gênese - Cap. 3 - O bem e o mal


Origem do bem e do mal 


6. Porém, os males mais numerosos são os que o homem cria pelos seus vícios, os que provêm do seu orgulho, do seu egoísmo, da sua ambição, da sua cupidez, de seus excessos em tudo. Aí a causa das guerras e das calamidades que estas acarretam, das dissenções, das injustiças, da opressão do fraco pelo forte, da maior parte, afinal, das enfermidades. Deus promulgou leis plenas de sabedoria, tendo por único objetivo o bem. Em si mesmo encontra o homem tudo o que lhe é necessário para cumpri-las. A consciência lhe traça a rota, a lei divina lhe está gravada no coração e, ao demais, Deus lha lembra constantemente por intermédio de seus messias e profetas, de todos os Espíritos encarnados que trazem a missão de o esclarecer, moralizar e melhorar e, nestes últimos tempos, pela multidão dos Espíritos desencarnados que se manifestam em toda parte. Se o homem se conformasse rigorosamente com as leis divinas, não há duvidar de que se pouparia aos mais agudos males e viveria ditoso na Terra. Se assim procede, é por virtude do seu livre-arbítrio: sofre então as consequências do seu proceder. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, nos 4, 5, 6 e seguintes.)


Allan Kardec






segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Parte terceira - Das leis morais - Cap. I - Da lei divina ou natural - O bem e o mal - Questão 642 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Parte terceira - Das leis morais - Cap. I - Da lei divina ou natural - O bem e o mal


Questão 642


– Será suficiente não se fazer o mal, para ser agradável a Deus e assegurar uma situação futura? 

“Não: é preciso fazer o bem, no limite das próprias forças, pois cada um responderá por todo o mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer.” 


Allan Kardec 




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 642 comentada



Deus é um Pai amoroso e santo, e o proceder dos homens para com Ele deve ser em espírito e verdade. Há muitas criaturas dentre as quais muitos intelectuais, que acham que Deus é uma matéria fluídico dissolvida em toda a criação. E nós dizemos que Deus é uma individualidade. No entanto, os Seus atributos têm a capacidade de estender Seus sentidos por toda parte, de fazer da criação o Seu próprio corpo, de estar presente nas consciências humanas.

Deus é isso e muito mais, de modo que a nossa capacidade, mesmo sendo imagem e semelhança d'Ele, não O pode compreender da maneira que Ele é. As nossas mentes, mesmo as dos Espíritos mais evoluídos, são finitas, e não podem conceber o que é infinito.

Deus tem todos os poderes perfeitos, Deus é perfeito em tudo o que faz. Para que nós possamos agradar a Ele, não basta que esqueçamos o mal; é necessário que façamos o bem, para o qual fomos criados. Quem não faz o bem, já abre caminhos para que os impulsos do mal apareçam em suas intenções.

Convém que todas as criaturas, principalmente os espíritas, para quem estamos especialmente falando, procurem fazer o bem de todas as formas possíveis, porque somente ele desvia as pessoas do mal. O Espírito deve estar sempre ocupado com coisas nobres, pois que se mostrará como nobre também.

Se Deus é harmonia, o que chamamos de mal é desarmonia. Não podemos agradar a dois senhores; assim, procura harmonizar a tua vida, desde o abrir dos olhos, ao levantar, até a hora de descansar das lides diárias. As grandes coisas começarão pelas pequenas.

Um grande feito por vezes nasce de simples pensamentos, bem como uma grande calamidade social foi primeiramente pensada e criada a partir de idéias sobre tal evento. É neste sentido que alertamos sempre os homens para educarem seus pensamentos em tudo que fazem, desde o mínimo gesto de beber um copo de água, até assinar um decreto que envolve uma nação. Deves pensar, meditar no que fazer e, quando o fizeres, procurar, em todos os seus contornos, fazer com perfeição.

Na Doutrina Espírita já há muitas obras sobre a educação da mente, sobre as coisas certas, sobre a harmonia divina e humana. Por que não começar a entender a sensibilidade do Criador, a ordem do universo? Se quem busca acha, deves buscar, mas com sinceridade.

Deus é o Doador Supremo, que não se esquece de Seus filhos de boa vontade. Agrada a Deus amando, servindo sem exigências e trabalhando sempre na co-criação de oportunidades que elevam e que mostram a paz, insuflando o amor em todas as criaturas.

Não desprezes a ordem, pois ela gera o progresso, e quando fizeres alguma coisa, não podes esquecer Jesus, força divina que mostra a Sua divina presença em toda a Terra, manifestando-se em todos os homens, educando-os e instruindo-os, na mais alta função de amar.

Aos afoitos no trabalho, que parecem querer recuperar o tempo perdido, em apenas alguns anos, nós lhes dizemos que façam o bem, nos limites das suas forças, para que não venham a se cansar antes de atingir a meta de servir, e os compromissos firmados com o senhor da vinha. O equilíbrio, na altura em que se encontra a humanidade, é o caminho do meio, como nos fala um provérbio chinês.

Vamos agradar a Deus com bons pensamentos, boas palavras e boas ações. Mesmo que a tua vida esteja tomada pelas trevas, não esmoreças nas reformas; luta e crê, que Deus te abençoará, para que venças a ti mesmo.

Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes crer, tudo é possível ao que crê. (Marcos, 9:23)

E para crer, necessário se faz que trabalhes na aquisição dos valores da alma, de amor e bondade, de fé e entendimento, que somando surgirá a pérola divina em teus passos que se chama, e está escrito no dicionário do céu: Amor.



Miramez





Filosofia Espírita – Volume XIII (João Nunes Maia)
Cap. 30 - Para agradar a Deus



Fontes: O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez, Kardecpedia

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3.ª Parte - Das leis morais - Cap. I - Da lei divina ou natural - O bem e o mal - Questão 629 (Miramez)




Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3.ª Parte - Das leis morais - Cap. I - Da lei divina ou natural - O bem e o mal


Questão 629


Que definição se pode dar da moral?

“A moral é a regra de bem proceder, isto é, a distinção entre o bem e o mal. Funda-se na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.”


Allan Kardec 


O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 629 comentada


A moral é uma regra de bem proceder, e torna-se uma seqüência de valores onde o homem encontra a paz de consciência. Todo o Evangelho de Jesus fundamenta-se na educação dos seres humanos; portanto é uma escola de moralidade divina.

Para a criatura humana que começa a se educar dentro da regra moral do Evangelho, a sua vida vai mudando, pela transformação que se opera no seu íntimo, e a conseqüência é a transformação do seu comportamento exterior.

A honestidade não se baseia somente em uma virtude; ela passa a ser o conjunto de qualidades, onde se vê os valores intercambiarem para maior segurança da criatura. Não há neste mundo outro código moral mais perfeito que o Evangelho de Jesus, porque Ele não apenas ensinou os bons costumes à humanidade; Ele viveu o que dispôs para os filhos da Terra.

O Cristo uniu teoria e prática, sem alterar, nem violentar as condições dos seres humanos. O trabalho de Jesus é paciente; há milhares de anos que as Suas mãos operam em plena função de normas elevadas, fazendo os homens entenderem que somente o amor salva, e as divisões desse amor, como sendo alta moral, é para não agredir Seu rebanho na aquisição de procedimentos elevados.

O homem honesto, pela sua própria disposição, já encontra caminhos que atrai por sintonia com o bem comum. A moral se enriquece na vida de uma pessoa quando esta, em tudo que faz de bom, pensa sempre no bem-estar da coletividade, quando nunca se separa dos seus irmãos em caminho e sabe que o próximo é a sua extensão na vida. Essa é a proclamação do amor, na extensão infinita em que ele se mostra pela fraternidade universal.

O homem procede bem quando tudo faz pelo bem da humanidade. Tudo que copiamos das leis de Deus é serviço da moral. Mesmo que estejamos sofrendo em qualquer faixa da vida, se nos estribamos na moral, a dor se transforma em confiança, a confiança em fé e a fé em alegria. Onde reina o amor puro, está feito o ambiente para a felicidade da alma.

Jesus Cristo, dotado de todos os poderes, é a moral viva de Deus a irradiar-se na Terra. O poder de curar que d'Ele sai é oriundo da Sua moral.

E todos da multidão procuravam tocar-Lhe, porque Dele saía poder e curava a todos. (Lucas, 6:19)

Os poderes que concentramos em nós são, certamente, originários da vida que levamos com honestidade, e a posição que atingimos nos níveis do amor. A posição do que quer beneficiar alguém deve ser de procurar orar, passando a vigiar, pois a oração busca e o policiamento moraliza, para que entre em intervenção, servindo de instrumento para a Luz Maior, que somente sintoniza com as qualidades superiores da alma.

Existem dois caminhos, que levam a alma para a luz ou para as trevas: o bem e o mal. O bem são as leis naturais que o Espírito deve passar a obedecer, e o mal são linhas diversas, que a alma procura para a sua própria satisfação passageira. A moral é, pois, uma regra áurea de vida, de vida no bem, onde o amor é a energia sutil, provinda de Deus, que a alimenta.


Miramez



Filosofia Espírita – Volume XIII (João Nunes Maia)
Cap. 17 - Moral




Fonte: Kardecpedia, O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

sábado, 4 de julho de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. I - Da lei divina ou natural - O bem e o mal - Questão 637 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. I - Da lei divina ou natural - O bem e o mal


Questão 637


Será culpado o selvagem que, cedendo ao seu instinto, se nutre de carne humana?

“Eu disse que o mal depende da vontade. Pois bem: tanto mais culpado é o homem, quanto melhor sabe o que faz.”

As circunstâncias dão relativa gravidade ao bem e ao mal. Muitas vezes, comete o homem faltas que, nem por serem conseqüência da posição em que a sociedade o colocou, se tornam menos repreensíveis. Mas a sua responsabilidade é proporcional aos meios de que ele dispõe para compreender o bem e o mal. Assim, mais culpado é, aos olhos de Deus, o homem esclarecido que pratica uma simples injustiça, do que o selvagem ignorante que se entrega aos seus instintos.


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 637 comentada


O saber acarreta mais responsabilidade ao ser humano, porque a criatura mais intelectualizada sabe mais que o homem primitivo; por conseguinte, o homem civilizado tem mais culpa quando pratica o mal. Mas, mesmo assim, Deus ainda vê atenuantes para os civilizados, devido ao meio ambiente em que vivem, cheio de paixões inferiores que, em se somando tudo, constitui processos de despertamento das almas.

O homem primitivo, como o indígena, carrega gravadas na consciência as leis de Deus e, visto viver em um ambiente de simplicidade, tem mais razão de conceber essas leis pelos instintos, tanto assim que nas suas tabas existem leis feitas por eles, para manter ali uma certa moral, estabelecendo ordem entre as famílias. Na vida dos selvagens é de se notar um senso de justiça bem acentuado; quem erra é punido, seja ignorante ou sábio, no sentido de levar a marca da corrigenda e sustar outras investidas em faltas.

Devemos prestar bem atenção à resposta dada em "O Livro dos Espíritos", para daí deduzirmos os meios usados pela natureza na corrigenda aos que erram. Ei-la: "Eu disse que o mal depende da vontade. Pois bem! Tanto mais culpado é o homem, quanto melhor sabe o que faz."

Isso, porém, é muito sutil para o pesquisador interessado em aprender os aspectos da lei. Em certas circunstâncias, o selvagem sabe mais que o civilizado, principalmente no que diz respeito aos que dirigem a tribo; o seu instinto é tão forte que em sua mente vem às claras o que deve ou não fazer. Se ele teima, por orgulho ou mesmo por egoísmo, errando o que não deveria errar, é mais punido que o intelectual, conforme as circunstâncias.

Também pode acontecer inversamente; anotemos bem a fala dos Espíritos: "- Tanto mais culpado é o homem, quanto melhor sabe o que faz".

Neste caso, valem muito as intenções de cada alma. Vejamos o que disse Jesus, anotado por Marcos:

Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra. (Marcos, 4:26)

Neste caso, a semente é a intenção. Pelos sentimentos, a semente tem vida e o pensamento cria o que deve ser feito e cresce, de sorte que quem semeou é responsável pelo seu plantio. Aí, então, será ele culpado. A culpa é variável: nunca há dois casos iguais. As mudanças diversificam-se umas com as outras, de acordo com os sentimentos de quem semeou. Tudo isso, "porque o reino de Deus", disse Jesus, "está dentro de nós".

No dia em que tivermos pureza de coração, no dia em que a nossa consciência tiver uma paz imperturbável, nossa alma estará no céu, mesmo que estagiar nas sombras; de dentro dela irradiará a suavidade da vida. Nós seremos julgados pela consciência, e não pelo falar dos homens. A consciência registra tudo o que pensamos, tudo o que sentimos na criação de imagens, e é ela que nos absolve ou condena. Ela não vende informações e nem compra, porque é a voz de Deus dentro de nós.

A Doutrina Espírita retira mais um véu que empanava a nossa visão, nos ajudando a caminhar em direção à luz. Se o céu está dentro de nós, o maior interesse do Espírito é viver e trabalhar no interno eterno, onde se encontram Deus, o Céu e os próprios anjos. Vencer a nós mesmos deve ser a nossa meta.


Miramez



Filosofia Espírita – Volume XIII (João Nunes Maia)
Cap. 25 - Responsabilidade e Culpa




Fontes: Ipeak - Instituto de Pesquisas Espíritas Allan Kardec; O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez