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quarta-feira, 24 de julho de 2024

Sanson - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - Instrução dos Espíritos - A lei de amor - Item 10



Sanson - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - Instrução dos Espíritos - A lei de amor


Item 10


Meus caros condiscípulos, os Espíritos aqui presentes vos dizem, por meu intermédio: “Amai muito, a fim de serdes amados.” É tão justo esse pensamento, que nele encontrareis tudo o que consola e abranda as penas de cada dia; ou melhor: pondo em prática esse sábio conselho, elevar-vos-eis de tal modo acima da matéria que vos espiritualizareis antes de deixardes o invólucro terrestre. Havendo os estudos espíritas desenvolvido em vós a compreensão do futuro, uma certeza tendes: a de caminhardes para Deus, vendo realizadas todas as promessas que correspondem às aspirações de vossa alma. Por isso, deveis elevar-vos bem alto para julgardes sem as constrições da matéria, e não condenardes o vosso próximo sem terdes dirigido a Deus o pensamento.

Amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que queira que estes lhe façam; é procurar em torno de si o sentido íntimo de todas as dores que acabrunham seus irmãos, para suavizá-las; é considerar como sua a grande família humana, porque essa família todos a encontrareis, dentro de certo período, em mundos mais adiantados; e os Espíritos que a compõem são, como vós, filhos de Deus, marcados na fronte para se elevarem ao infinito. É por isso que não podeis recusar aos vossos irmãos o que Deus liberalmente vos outorgou, porquanto, de vossa parte, muito vos alegraria que vossos irmãos vos dessem aquilo de que necessitais. Para todos os sofrimentos, tende, pois, sempre uma palavra de esperança e de apoio, a fim de que sejais inteiramente amor e justiça.

Crede que esta sábia exortação: “Amai bastante, para serdes amados”, fará seu caminho; ela é revolucionária e segue a rota que é fixa, invariável. Mas, já ganhastes muito, vós que me ouvis, pois que já sois infinitamente melhores do que éreis há cem anos. Mudastes tanto, em proveito vosso, que aceitais de boa mente, sobre a liberdade e a fraternidade, uma imensidade de idéias novas, que outrora rejeitaríeis. Ora, daqui a cem anos, sem dúvida aceitareis com a mesma facilidade as que ainda vos não puderam entrar no cérebro.

Hoje, quando o movimento espírita há dado tão grande passo, vede com que rapidez as idéias de justiça e de renovação, constantes nos ditados espíritas, são aceitas pela parte mediana do mundo inteligente. É que essas idéias correspondem a tudo o que há de divino em vós. É que estais preparados por uma sementeira fecunda: a do século passado, que implantou no seio da sociedade terrena as grandes idéias de progresso. E, como tudo se encadeia sob a direção do Altíssimo, todas as lições recebidas e aceitas virão a encerrar-se na permuta universal do amor ao próximo. Por aí, os Espíritos encarnados, melhor apreciando e sentindo, se estenderão as mãos, de todos os confins do vosso planeta. Uns e outros reunir-se-ão, para se entenderem e amarem, para destruírem todas as injustiças, todas as causas de desinteligências entre os povos.

Grande pensamento de renovação pelo Espiritismo, tão bem exposto em O Livro dos Espíritos; tu produzirás o grande milagre do século vindouro, o da reunião de todos os interesses materiais e espirituais dos homens, pela aplicação desta máxima bem compreendida: “Amai bastante, para serdes amados.” Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris. (1863.)


Sanson











Fonte: Kardecpedia

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. X - Bem-aventurados os que são misericordiosos - O argueiro e a trave no olho - Item 10



Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. X - Bem-aventurados os que são misericordiosos


O argueiro e a trave no olho 


10. Uma das insensatezes da Humanidade consiste em vermos o mal de outrem, antes de vermos o mal que está em nós. Para julgar-se a si mesmo, fora preciso que o homem pudesse ver seu interior num espelho, pudesse, de certo modo, transportar-se para fora de si próprio, considerar-se como outra pessoa e perguntar: Que pensaria eu, se visse alguém fazer o que faço? Incontestavelmente, é o orgulho que induz o homem a dissimular, para si mesmo, os seus defeitos, tanto morais, quanto físicos. Semelhante insensatez é essencialmente contrária à caridade, porquanto a verdadeira caridade é modesta, simples e indulgente. Caridade orgulhosa é um contrassenso, visto que esses dois sentimentos se neutralizam um ao outro. Com efeito, como poderá um homem, bastante presunçoso para acreditar na importância da sua personalidade e na supremacia das suas qualidades, possuir ao mesmo tempo abnegação bastante para fazer ressaltar em outrem o bem que o eclipsaria, em vez do mal que o exalçaria? Por isso mesmo, porque é o pai de muitos vícios, o orgulho é também a negação de muitas virtudes. Ele se encontra na base e como móvel de quase todas as ações humanas. Essa a razão por que Jesus se empenhou tanto em combatê-lo, como principal obstáculo ao progresso.  


Allan Kardec















terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Allan Kardec - Livro O Céu e o Inferno - 2ª Parte - Da apreensão diante da morte - Por que os espíritas não são apreensivos diante da morte - Item 10



Allan Kardec - Livro O Céu e o Inferno - 2ª Parte - Da apreensão diante da morte


Por que os espíritas não são apreensivos diante da morte 


10. - A doutrina espírita muda inteiramente a maneira de encarar o futuro. A vida futura não é mais uma hipótese, mas uma realidade; o estado das almas depois da morte não é mais um sistema, mas um resultado de observação. O véu é levantado; o mundo espiritual aparece-nos em toda a sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que vêm descrever-nos sua situação; vemo-los aí em todos os graus da escala espiritual, em todas as fases da felicidade e da desgraça; assistimos a todas as peripécias da vida de além-túmulo. Aí está para os Espíritas a causa da calma com a qual encaram a morte, da serenidade de seus últimos instantes na terra. O que os sustenta não é somente a esperança, é a certeza; eles sabem que a vida futura não é mais do que a continuação da vida presente em melhores condições, e eles a aguardam com a mesma confiança com que aguardam o nascer do sol depois de uma noite de tempestade. Os motivos dessa confiança estão nos fatos de que foram testemunhas, e na concordância desses fatos com a lógica, a justiça e a bondade de Deus, e as aspirações íntimas do homem.

Para os Espíritas, a alma não é mais uma abstração; ela tem um corpo etéreo que faz dela um ser definido, que o pensamento abarca e concebe; já é muito para fixar as ideias sobre sua individualidade, suas aptidões e percepções. A lembrança daqueles que nos são caros repousa sobre algo real. Não são mais representados como chamas fugitivas que não lembram nada ao pensamento, mas sob uma forma concreta que os mostra melhor como seres vivos. Depois, em vez de ficarem perdidos nas profundezas do espaço, eles estão à nossa volta; o mundo corpóreo e o mundo espiritual estão em relação contínua, e assistem-se mutuamente. A dúvida sobre o futuro não sendo mais permitida, a apreensão da morte não tem mais razão de ser; vemo-la chegar com sangue frio, como uma libertação, como a porta da vida, e não como a porta do nada.


Allan Kardec













sábado, 3 de dezembro de 2022

Um Espírito Protetor - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. 13 - A caridade material e a caridade moral - Item 10



Um Espírito Protetor - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. 13


A caridade material e a caridade moral


10. Meus amigos, a muitos dentre vós tenho ouvido dizer: Como hei de fazer caridade, se amiúde nem mesmo do necessário disponho?

Amigos, de mil maneiras se faz a caridade. Podeis fazê-la por pensamentos, por palavras e por ações. Por pensamentos, orando pelos pobres abandonados, que morreram sem se acharem sequer em condições de ver a luz. Uma prece feita de coração os alivia. Por palavras, dando aos vossos companheiros de todos os dias alguns bons conselhos, dizendo aos que o desespero, as privações azedaram o ânimo e levaram a blasfemar do nome do Altíssimo: “Eu era como sois; sofria, sentia-me desgraçado, mas acreditei no Espiritismo e, vede, agora, sou feliz.” Aos velhos que vos disserem: “É inútil; estou no fim da minha jornada; morrerei como vivi”, dizei: “Deus usa de justiça igual para com todos nós; lembrai-vos dos obreiros da última hora.” Às crianças já viciadas pelas companhias de que se cercaram e que vão pelo mundo, prestes a sucumbir às más tentações, dizei: “Deus vos vê, meus caros pequenos”, e não vos canseis de lhes repetir essas brandas palavras. Elas acabarão por lhes germinar nas inteligências infantis e, em vez de vagabundos, fareis deles homens. Também isso é caridade.

Dizem, outros dentre vós: “Ora! somos tão numerosos na Terra, que Deus não nos pode ver a todos.” Escutai bem isto, meus amigos: Quando estais no cume da montanha, não abrangeis com o olhar os bilhões de grãos de areia que a cobrem? Pois bem: do mesmo modo vos vê Deus. Ele vos deixa usar do vosso livre-arbítrio, como vós deixais que esses grãos de areia se movam ao sabor do vento que os dispersa. Apenas, Deus, em sua misericórdia infinita, vos pôs no fundo do coração uma sentinela vigilante, que se chama consciência. Escutai-a, que somente bons conselhos ela vos dará. Às vezes, conseguis entorpecê-la, opondo-lhe o espírito do mal. Ela, então, se cala. Mas, ficai certos de que a pobre escorraçada se fará ouvir, logo que lhe deixardes aperceber-se da sombra do remorso. Ouvi-a, interrogai-a e com frequência vos achareis consolados com o conselho que dela houverdes recebido.

Meus amigos, a cada regimento novo o general entrega um estandarte. Eu vos dou por divisa esta máxima do Cristo: “Amai-vos uns aos outros.” Observai esse preceito, reuni-vos todos em torno dessa bandeira e tereis ventura e consolação.


Um Espírito protetor
Lião, 1860











terça-feira, 5 de julho de 2022

Paulo, o apóstolo - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. XV - Instrução dos Espíritos - Fora da caridade não há salvação



Paulo, o apóstolo - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. XV - Instrução dos Espíritos


Fora da caridade não há salvação 


Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, para o conduzir à Terra da Promissão. Ela brilha no céu como auréola santa, na fronte dos eleitos, e, na Terra, está gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai. Vós os reconhecereis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si. Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem, do que apresentando-a como regra, pois ela é o reflexo do mais puro Cristianismo. Tomando-a por guia, nunca o homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a compreender seu sentido profundo e suas consequências, a descobrir, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei todas as vossas ações ao controle da caridade e a vossa consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, mas também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa. Para fazer o bem precisa sempre a ação da vontade; para não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a indiferença.

Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que, observando-vos, se possa reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, pois todos os que praticam a caridade são discípulos de Jesus, seja qual for a seita a que pertençam.


Paulo, o apóstolo
Paris, 1860









domingo, 20 de fevereiro de 2022

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V - Bem-aventurados os aflitos - Item 10




Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. V


Bem-aventurados os aflitos 


10. Os Espíritos não podem aspirar à completa felicidade, enquanto não se tenham tornado puros: qualquer mácula lhes interdita a entrada nos mundos ditosos. São como os passageiros de um navio onde há pestosos, aos quais se veda o acesso à cidade a que aportem, até que se hajam expurgado. Mediante as diversas existências corpóreas é que os Espíritos se vão expungindo, pouco a pouco, de suas imperfeições. As provações da vida os fazem adiantar-se, quando bem suportadas. Como expiações, elas apagam as faltas e purificam. São o remédio que limpa as chagas e cura o doente. Quanto mais grave é o mal, tanto mais enérgico deve ser o remédio. Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à ideia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.

Allan Kardec










quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Paulo, o apóstolo - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. XV - Instrução dos Espíritos - Fora da caridade não há salvação - Item 10




Paulo, o apóstolo - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. XV - Instrução dos Espíritos


Fora da caridade não há salvação 


10. Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no céu, porque os que a houverem praticado acharão graças diante do Senhor. Essa divisa é o facho celeste, a luminosa coluna que guia o homem no deserto da vida, para o conduzir à Terra da Promissão. Ela brilha no céu como auréola santa, na fronte dos eleitos, e, na Terra, está gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: Passai à direita, benditos de meu Pai. Vós os reconhecereis pelo perfume de caridade que espalham em torno de si. Nada exprime com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina. Não poderia o Espiritismo provar melhor a sua origem, do que apresentando-a como regra, pois ela é o reflexo do mais puro Cristianismo. Tomando-a por guia, nunca o homem se transviará. Dedicai-vos, assim, meus amigos, a compreender seu sentido profundo e suas consequências, a descobrir, por vós mesmos, todas as aplicações. Submetei todas as vossas ações ao controle da caridade e a vossa consciência vos responderá. Não só ela evitará que pratiqueis o mal, mas também fará que pratiqueis o bem, porquanto uma virtude negativa não basta: é necessária uma virtude ativa. Para fazer o bem precisa sempre a ação da vontade; para não praticar o mal, basta as mais das vezes a inércia e a indiferença.

Meus amigos, agradecei a Deus o haver permitido que pudésseis gozar a luz do Espiritismo. Não é que somente os que a possuem hajam de ser salvos; é que, ajudando-vos a compreender os ensinos do Cristo, ela vos faz melhores cristãos. Esforçai-vos, pois, para que, observando-vos, se possa reconhecer que verdadeiro espírita e verdadeiro cristão são uma só e a mesma coisa, pois todos os que praticam a caridade são discípulos de Jesus, seja qual for a seita a que pertençam.


Paulo, o apóstolo
Paris, 1860









domingo, 25 de julho de 2021

Allan Kardec - Livro A Gênese - Cap. 1 - Caráter da revelação espírita - Item 10




Allan Kardec - Livro A Gênese - Cap. 1


Caráter da revelação espírita 


10. Só os Espíritos puros recebem a palavra de Deus com a missão de transmiti-la; mas, sabe-se hoje que nem todos os Espíritos são perfeitos e que existem muitos que se apresentem sob falsas aparências, o que levou S. João a dizer: “Não acrediteis em todos os Espíritos; vede antes se os Espíritos são de Deus.”(Epíst. 1ª, 4:4.)

Pode, pois, haver revelações sérias e verdadeiras como as há apócrifas e mentirosas. O caráter essencial da revelação divina é o da eterna verdade. Toda revelação eivada de erros ou sujeita a modificação não pode emanar de Deus. É assim que a lei do Decálogo tem todos os caracteres de sua origem, enquanto que as outras leis mosaicas, fundamentalmente transitórias, muitas vezes em contradição com a lei do Sinai, são obra pessoal e política do legislador hebreu. Com o abrandarem-se os costumes do povo, essas leis por si mesmas caíram em desuso, ao passo que o Decálogo ficou sempre de pé, como farol da Humanidade. O Cristo fez dele a base do seu edifício, abolindo as outras leis. Se estas fossem obra de Deus, seriam conservadas intactas. O Cristo e Moisés foram os dois grandes reveladores que mudaram a face ao mundo e nisso está a prova da sua missão divina. Uma obra puramente humana careceria de tal poder. 


Allan Kardec







terça-feira, 15 de junho de 2021

M., Espírito protetor - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. 26 - Não se pode servir a Deus e a Mamon - Instruções dos Espíritos - A verdadeira propriedade - Item 10




M., Espírito protetor - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. 26 - Não se pode servir a Deus e a Mamon - Instruções dos Espíritos


A verdadeira propriedade 


10. Os bens da Terra pertencem a Deus, que os distribui a seu grado, não sendo o homem senão o usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro e inteligente desses bens. Tanto eles não constituem propriedade individual do homem, que Deus frequentemente anula todas as previsões e a riqueza foge àquele que se julga com os melhores títulos para possuí-la.

Direis, porventura, que isso se compreende no tocante aos bens hereditários, porém, não relativamente aos que são adquiridos pelo trabalho. Sem dúvida alguma, se há riquezas legítimas, são estas últimas, quando honestamente conseguidas, porquanto uma propriedade só é legitimamente adquirida quando, da sua aquisição, não resulta dano para ninguém. Contas serão pedidas até mesmo de um único ceitil mal ganho, isto é, com prejuízo de outrem. Mas, do fato de um homem dever a si próprio a riqueza que possua, seguir-se-á que, ao morrer, alguma vantagem lhe advenha desse fato? Não são amiúde inúteis as precauções que ele toma para transmiti-la a seus descendentes? Decerto, porquanto, se Deus não quiser que ela lhes vá ter às mãos, nada prevalecerá contra a sua vontade. Poderá o homem usar e abusar de seus haveres durante a vida, sem ter de prestar contas? Não. Permitindo-lhe que a adquirisse, é possível haja Deus tido em vista recompensar-lhe, no curso da existência atual, os esforços, a coragem, a perseverança. Se, porém, ele somente os utilizou na satisfação dos seus sentidos ou do seu orgulho; se tais haveres se lhe tornaram causa de falência, melhor fora não os ter possuído, visto que perde de um lado o que ganhou do outro, anulando o mérito de seu trabalho. Quando deixar a Terra, Deus lhe dirá que já recebeu a sua recompensa. 


M., Espírito protetor
Bruxelas, 1861






sábado, 5 de junho de 2021

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII - Bem-aventurados os que têm coração puro - Simplicidade e pureza de coração - Item 10




Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII - Bem-aventurados os que têm coração puro


Simplicidade e pureza de coração 


10. Os judeus haviam desprezado os verdadeiros mandamentos de Deus para se aferrarem à prática dos regulamentos que os homens tinham estatuído e da rígida observância desses regulamentos faziam casos de consciência. A substância, muito simples, acabara por desaparecer debaixo da complicação da forma. Como fosse muito mais fácil praticar atos exteriores, do que se reformar moralmente, lavar as mãos do que expurgar o coração iludiram-se a si próprios os homens, tendo-se como quites para com Deus, por se conformarem com aquelas práticas, conservando-se tais quais eram, visto se lhes ter ensinado que Deus não exigia mais do que isso. Daí o haver dito o profeta: É em vão que este povo me honra de lábios, ensinando máximas e ordenações humanas.

Verificou-se o mesmo com a doutrina moral do Cristo, que acabou por ser atirada para segundo plano, donde resulta que muitos cristãos, a exemplo dos antigos judeus, consideram mais garantida a salvação por meio das práticas exteriores, do que pelas da moral. É a essas adições, feitas pelos homens à lei de Deus, que Jesus alude, quando diz: Arrancada será toda planta que meu Pai celestial não plantou.

O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o seu objetivo. Toda aquela em que o homem julgue poder apoiar-se para fazer o mal, ou é falsa, ou está falseada em seu princípio. Tal o resultado que dão as em que a forma sobreleva ao fundo. Nula é a crença na eficácia dos sinais exteriores, se não obsta a que se cometam assassínios, adultérios, espoliações, que se levantem calúnias, que se causem danos ao próximo, seja no que for. Semelhantes religiões fazem supersticiosos, hipócritas, fanáticos; não, porém, homens de bem.

Não basta se tenham as aparências da pureza; acima de tudo, é preciso ter a do coração.


Allan Kardec







quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. X - Bem-aventurados os que são misericordiosos - O argueiro e a trave no olho - Item 10




Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. X - Bem-aventurados os que são misericordiosos


O argueiro e a trave no olho 


10. Uma das insensatezes da Humanidade consiste em vermos o mal de outrem, antes de vermos o mal que está em nós. Para julgar-se a si mesmo, fora preciso que o homem pudesse ver seu interior num espelho, pudesse, de certo modo, transportar-se para fora de si próprio, considerar-se como outra pessoa e perguntar: Que pensaria eu, se visse alguém fazer o que faço? Incontestavelmente, é o orgulho que induz o homem a dissimular, para si mesmo, os seus defeitos, tanto morais, quanto físicos. Semelhante insensatez é essencialmente contrária à caridade, porquanto a verdadeira caridade é modesta, simples e indulgente. Caridade orgulhosa é um contrassenso, visto que esses dois sentimentos se neutralizam um ao outro. Com efeito, como poderá um homem, bastante presunçoso para acreditar na importância da sua personalidade e na supremacia das suas qualidades, possuir ao mesmo tempo abnegação bastante para fazer ressaltar em outrem o bem que o eclipsaria, em vez do mal que o exalçaria? Por isso mesmo, porque é o pai de muitos vícios, o orgulho é também a negação de muitas virtudes. Ele se encontra na base e como móvel de quase todas as ações humanas. Essa a razão por que Jesus se empenhou tanto em combatê-lo, como principal obstáculo ao progresso.  

Allan Kardec

















domingo, 6 de setembro de 2020

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XVII - Sede perfeitos - Instrução dos Espíritos - O homem no mundo - item 10



Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XVII - Sede perfeitos - Instrução dos Espíritos


O homem no mundo


10. Um sentimento de piedade deve sempre animar o coração dos que se reúnem sob as vistas do Senhor e imploram a assistência dos bons Espíritos; purificai, pois, os vossos corações; não deixeis que neles resida qualquer pensamento mundano ou fútil; elevai vosso espírito àqueles por quem chamais a fim de que, encontrando em vós as disposições necessárias, eles possam lançar em profusão a semente que deve germinar em vossos corações e aí produzir frutos de caridade e de justiça.

Não creiais, todavia, que excitando-vos sem cessar à prece e à evocação mental, nós vos exortemos a viver uma vida mística que vos conserve fora das leis da sociedade onde estais condenados a viver. Não, vivei com os homens da vossa época, como devem viver os homens; sacrificai às necessidades, às frivolidades mesmas do dia, mas sacrificai com um sentimento de pureza que as possa santificar.

Sois chamados a estar em contacto com espíritos de natureza diferente, de caracteres opostos: não choqueis nenhum daqueles com os quais vos encontrais. Sede alegres, sede felizes, mas da alegria que provém de uma boa consciência, da felicidade do herdeiro do céu que conta os dias que o aproximam de sua herança.

A virtude não consiste em revestir um aspecto severo e lúgubre, em repelir os prazeres que vossas condições humanas permitem; basta reportar todos os atos de sua vida ao Criador que a deu; basta, quando se começa ou acaba uma obra, elevar seu pensamento a esse Criador e lhe pedir, num impulso da alma, seja sua proteção para lograr êxito, seja sua bênção para a obra acabada. Em tudo o que fizerdes, remontai à Fonte de todas as coisas; jamais façais nada sem que a lembrança de Deus venha purificar e santificar vossos atos.

A perfeição está toda inteira, como disse o Cristo, na prática da caridade absoluta; mas os deveres da caridade se estendem a todas as posições sociais, desde o menor até o maior. O homem que vivesse sozinho não teria caridade a exercer; unicamente no contacto com os seus semelhantes, nas lutas mais árduas é que ele encontra ensejo de praticá-la. Aquele, pois, que se isola priva-se voluntariamente do mais poderoso meio de perfeição; não tendo de pensar senão em si, sua vida é a de um egoísta. (Cap. V, no 26.) Não imagineis, pois, que para viver em comunicação constante conosco, para viver sob as vistas do Senhor, seja preciso revestir o cilício e se cobrir de cinzas; não, não, ainda uma vez vos dizemos; sede felizes segundo as necessidades da Humanidade, mas que na vossa felicidade jamais entre nem um pensamento, nem um ato que possa ofendê-lo, ou fazer que aqueles que vos amam e dirigem cubram a face. Deus é amor, e abençoa aos que amam santamente. – Um Espírito Protetor. (Bordeaux, 1863.) 


Allan Kardec





Fonte: Ipeak - Instituto de Pesquisas Espíritas Allan Kardec

sábado, 15 de agosto de 2020

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XXVIII - Coletânea de preces Espíritas - I - Preces gerais - Para os médiuns



Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XXVIII - Coletânea de preces Espíritas - I - Preces gerais


Para os médiuns


Prece - Deus Todo Poderoso, permiti aos bons Espíritos me assistirem na comunicação que solicito. Preservai-me da presunção de crer-me ao abrigo dos maus Espíritos do orgulho que poderia me enganar sobre os valor do que obtenho; de todo sentimento contrário à caridade, com respeito aos outros médiuns. Se estou induzido ao erro, inspirai alguém o pensamento de me advertir e a mim a humildade que me fará aceitar a crítica com reconhecimento, e tomar para mim mesmo e não para os outros os conselhos que quererão me ditar os bons Espíritos.

Se estou tentado em abusar do que quer que seja ou de me envaidecer da faculdade que vos aprouve me conceder, eu vos peço me retirar, antes de permitir que seja desviada de seu fim providencial, que é o bem de todos e meu próprio adiantamento moral.


Allan Kardec







terça-feira, 4 de agosto de 2020

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - Instrução dos Espíritos - A lei de amor - Item 10



Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo - Instrução dos Espíritos - A lei de amor


Item 10


Meus caros condiscípulos, os Espíritos aqui presentes vos dizem, por meu intermédio: “Amai muito, a fim de serdes amados.” É tão justo esse pensamento, que nele encontrareis tudo o que consola e abranda as penas de cada dia; ou melhor: pondo em prática esse sábio conselho, elevar-vos-eis de tal modo acima da matéria que vos espiritualizareis antes de deixardes o invólucro terrestre. Havendo os estudos espíritas desenvolvido em vós a compreensão do futuro, uma certeza tendes: a de caminhardes para Deus, vendo realizadas todas as promessas que correspondem às aspirações de vossa alma. Por isso, deveis elevar-vos bem alto para julgardes sem as constrições da matéria, e não condenardes o vosso próximo sem terdes dirigido a Deus o pensamento.

Amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que queira que estes lhe façam; é procurar em torno de si o sentido íntimo de todas as dores que acabrunham seus irmãos, para suavizá-las; é considerar como sua a grande família humana, porque essa família todos a encontrareis, dentro de certo período, em mundos mais adiantados; e os Espíritos que a compõem são, como vós, filhos de Deus, marcados na fronte para se elevarem ao infinito. É por isso que não podeis recusar aos vossos irmãos o que Deus liberalmente vos outorgou, porquanto, de vossa parte, muito vos alegraria que vossos irmãos vos dessem aquilo de que necessitais. Para todos os sofrimentos, tende, pois, sempre uma palavra de esperança e de apoio, a fim de que sejais inteiramente amor e justiça.

Crede que esta sábia exortação: “Amai bastante, para serdes amados”, fará seu caminho; ela é revolucionária e segue a rota que é fixa, invariável. Mas, já ganhastes muito, vós que me ouvis, pois que já sois infinitamente melhores do que éreis há cem anos. Mudastes tanto, em proveito vosso, que aceitais de boa mente, sobre a liberdade e a fraternidade, uma imensidade de idéias novas, que outrora rejeitaríeis. Ora, daqui a cem anos, sem dúvida aceitareis com a mesma facilidade as que ainda vos não puderam entrar no cérebro.

Hoje, quando o movimento espírita há dado tão grande passo, vede com que rapidez as idéias de justiça e de renovação, constantes nos ditados espíritas, são aceitas pela parte mediana do mundo inteligente. É que essas idéias correspondem a tudo o que há de divino em vós. É que estais preparados por uma sementeira fecunda: a do século passado, que implantou no seio da sociedade terrena as grandes idéias de progresso. E, como tudo se encadeia sob a direção do Altíssimo, todas as lições recebidas e aceitas virão a encerrar-se na permuta universal do amor ao próximo. Por aí, os Espíritos encarnados, melhor apreciando e sentindo, se estenderão as mãos, de todos os confins do vosso planeta. Uns e outros reunir-se-ão, para se entenderem e amarem, para destruírem todas as injustiças, todas as causas de desinteligências entre os povos.

Grande pensamento de renovação pelo Espiritismo, tão bem exposto em O Livro dos Espíritos; tu produzirás o grande milagre do século vindouro, o da reunião de todos os interesses materiais e espirituais dos homens, pela aplicação desta máxima bem compreendida: “Amai bastante, para serdes amados.” Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris. (1863.)


Allan Kardec










Fonte: Ipeak - Instituto de Pesquisas Espíritas Allan Kardec

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XIII - Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita - Instruções dos Espíritos - A caridade material e a caridade moral - Item 10



Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XIII - Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita - Instruções dos Espíritos



A caridade material e a caridade moral 



10. Meus amigos, a muitos dentre vós tenho ouvido dizer: Como hei de fazer caridade, se amiúde nem mesmo do necessário disponho?

Amigos, de mil maneiras se faz a caridade. Podeis fazê-la por pensamentos, por palavras e por ações. Por pensamentos, orando pelos pobres abandonados, que morreram sem se acharem sequer em condições de ver a luz. Uma prece feita de coração os alivia. Por palavras, dando aos vossos companheiros de todos os dias alguns bons conselhos, dizendo aos que o desespero, as privações azedaram o ânimo e levaram a blasfemar do nome do Altíssimo: “Eu era como sois; sofria, sentia-me desgraçado, mas acreditei no Espiritismo e, vede, agora, sou feliz.” Aos velhos que vos disserem: “É inútil; estou no fim da minha jornada; morrerei como vivi”, dizei: “Deus usa de justiça igual para com todos nós; lembrai-vos dos obreiros da última hora.” Às crianças já viciadas pelas companhias de que se cercaram e que vão pelo mundo, prestes a sucumbir às más tentações, dizei: “Deus vos vê, meus caros pequenos”, e não vos canseis de lhes repetir essas brandas palavras. Elas acabarão por lhes germinar nas inteligências infantis e, em vez de vagabundos, fareis deles homens. Também isso é caridade.

Dizem, outros dentre vós: “Ora! somos tão numerosos na Terra, que Deus não nos pode ver a todos.” Escutai bem isto, meus amigos: Quando estais no cume da montanha, não abrangeis com o olhar os bilhões de grãos de areia que a cobrem? Pois bem: do mesmo modo vos vê Deus. Ele vos deixa usar do vosso livre-arbítrio, como vós deixais que esses grãos de areia se movam ao sabor do vento que os dispersa. Apenas, Deus, em sua misericórdia infinita, vos pôs no fundo do coração uma sentinela vigilante, que se chama consciência. Escutai-a, que somente bons conselhos ela vos dará. Às vezes, conseguis entorpecê-la, opondo-lhe o espírito do mal. Ela, então, se cala. Mas, ficai certos de que a pobre escorraçada se fará ouvir, logo que lhe deixardes aperceber-se da sombra do remorso. Ouvi-a, interrogai-a e com freqüência vos achareis consolados com o conselho que dela houverdes recebido.

Meus amigos, a cada regimento novo o general entrega um estandarte. Eu vos dou por divisa esta máxima do Cristo: “Amai-vos uns aos outros.” Observai esse preceito, reuni-vos todos em torno dessa bandeira e tereis ventura e consolação. – Um Espírito protetor. (Lião, 1860.)



Allan Kardec





Fonte: Kardecpedia

sábado, 16 de maio de 2020

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo, Item 10 - Instruções dos Espíritos - A lei de amor



Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XI - Amar o próximo como a si mesmo, Item 10 - Instruções dos Espíritos


A lei de amor



10. Meus caros condiscípulos, os Espíritos aqui presentes vos dizem, por meu intermédio: “Amai muito, afim de serdes amados.” É tão justo esse pensamento, que nele encontrareis tudo o que consola e abranda as penas de cada dia; ou melhor: pondo em prática esse sábio conselho,elevar-vos-eis de tal modo acima da matéria que vos espiritualizareis antes de deixardes o invólucro terrestre. Havendo os estudos espíritas desenvolvido em vós a compreensão do futuro, uma certeza tendes: a de caminhardes para Deus, vendo realizadas todas as promessas que correspondem às aspirações de vossa alma. Por isso, deveis elevar-vos bem alto para julgardes sem as constrições da matéria, e não condenardes o vosso próximo sem terdes dirigido a Deus o pensamento.

Amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que queira que estes lhe façam; é procurar em torno de si o sentido íntimo de todas as dores que acabrunham seus irmãos, para suavizá-las; é considerar como sua a grande família humana, porque essa família todos a encontrareis, dentro de certo período, em mundos mais adiantados; e os Espíritos que a compõem são, como vós, filhos de Deus, destinados a se elevarem ao infinito. Assim, não podeis recusar aos vossos irmãos o que Deus liberalmente vos outorgou, porquanto, de vosso lado, muito vos alegraria que vossos irmãos vos dessem aquilo de que necessitais. Para todos os sofrimentos, tende, pois, sempre uma palavra de esperança e de conforto, a fim de que sejais inteiramente amor e justiça.

Crede que esta sábia exortação: “Amai bastante, para serdes amados”, abrirá caminho; revolucionária, ela segue sua rota, que é determinada, invariável. Mas, já ganhastes muito, vós que me ouvis, pois que já sois infinitamente melhores do que éreis há cem anos. Mudastes tanto, em proveito vosso, que aceitais de boa mente, sobre a liberdade e a fraternidade, uma imensidade de idéias novas, que outrora rejeitaríeis. Ora, daqui a cem anos, sem dúvida aceitareis com a mesma facilidade as que ainda vos não puderam entrar no cérebro.

Hoje, quando o movimento espírita há dado tão grande passo, vede com que rapidez as idéias de justiça e de renovação, constantes nos ditados espíritas, são aceitas pela parte mediana do mundo inteligente. É que essas idéias correspondem a tudo o que há de divino em vós. É que estais preparados por uma sementeira fecunda: a do século passado, que implantou no seio da sociedade terrena as grandes idéias de progresso. E, como tudo se encadeia sob a direção do Altíssimo, todas as lições recebidas e aceitas virão a encerrar-se na permuta universal do amor ao próximo. Por aí, os Espíritos encarnados, melhor apreciando e sentindo, se estenderão as mãos, de todos os confins do vosso planeta. Uns e outros reunir-se-ão, para se entenderem e amarem, para destruírem todas as injustiças, todas as causas de desinteligências entre os povos.

Grande conceito de renovação pelo Espiritismo, tão bem exposto em O Livro dos Espíritos; tu produzirás o portentoso milagre do século vindouro, o da harmonização de todos os interesses materiais e espirituais dos homens, pela aplicação deste preceito bem compreendido: “Amai bastante, para serdes amados.” Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris. (1863.)



Allan Kardec







Fonte: Kardecpedia