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domingo, 23 de março de 2025

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 13 - 7. Lei do progresso - Civilização - Questão 793 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 13 - 7. Lei do progresso


Civilização


793. Por que indícios se pode reconhecer uma civilização completa?

“Reconhecê-la-eis pelo desenvolvimento moral. Credes que estais muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções; porque vos alojais e vestis melhor do que os selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes banido os vícios que a desonram, e quando viverdes como irmãos, praticando a caridade cristã. Até então, sereis apenas povos esclarecidos, que percorreram a primeira fase da civilização.”

A civilização, como todas as coisas, apresenta gradações diversas. Uma civilização incompleta é um estado transitório, que gera males especiais, desconhecidos do homem no estado primitivo. Nem por isso, entretanto, constitui menos um progresso natural, necessário, que traz consigo o remédio para o mal que causa. À medida que a civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que gerou, males que desaparecerão todos com o progresso moral.

De duas nações que tenham chegado ao ápice da escala social, somente pode considerar-se a mais civilizada, na legítima acepção do termo, aquela onde exista menos egoísmo, menos cobiça e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais; onde a inteligência se puder desenvolver com maior liberdade; onde haja mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; onde menos enraizados se mostrem os preconceitos de casta e de nascimento, pois tais preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor do próximo; onde as leis nenhum privilégio consagrem e sejam as mesmas, assim para o último, como para o primeiro; onde com menos parcialidade se exerça a justiça; onde o fraco encontre sempre amparo contra o forte; onde a vida do homem, suas crenças e opiniões sejam mais respeitadas; onde exista menor número de desgraçados; enfim, onde todo homem de boa-vontade esteja certo de lhe não faltar o necessário. 


Allan Kardec




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez
Questão 793 comentada


Uma civilização completa , somente podemos reconhecê-la quando apresenta duas forças em harmonia: o desenvolvimento moral e o intelectual. A civilização que se educa nesses dois aspectos, faz desaparecer do seu seio as paixões inferiores que obscurecem todos os sentimentos da humanidade.

Nesse arrojo de vida pede-se a cada um o esforço próprio, para que esse esforço passe a ser coletivo, pertencente a todas as criaturas de Deus. O homem não pode nascer desde a primeira vez, pelas bênçãos da encarnação, já purificado, já tendo despertas em si todas as qualidades morais e tendências aperfeiçoadas em todos os rumos. Isto é fruto, como já falamos, do tempo, mas um tempo demorado, porque somos feitos iguais e a evolução acontece com todos, na seqüência das vidas sucessivas.

Quantos bilhões de anos não levou a Terra, esta simples casa de Deus, em comparação às outras mais velhas que bailam no espaço cósmico, no preparo, com a finalidade de facilitar a educação e instrução da humanidade? Deus tudo fez e espera pacientemente, por conhecer o ritmo da evolução.

Hoje em dia, quando se fala em um país "altamente civilizado", sabemos que nele proliferam as paixões mais tristes, o desregramento moral em todas as direções que uma inteligência mal formada pode conceber, faltando nas almas que compõem essa nação, o Evangelho de Jesus, único educador que assegura às almas a paz interior. Os homens aprendem alguma coisa e a aplicam na destruição, onde as dominantes são o orgulho e o egoísmo.

Todas as civilizações da Terra, algum dia, chegarão a se completar, de modo a podermos chamá-las de civilizações de luz, por se darem as mãos, por fundirem a educação dos sentimentos com a instrução. A humanidade, para ser realmente civilizada, na profundidade da palavra, deve banir do seu seio os vícios incompatíveis com a serenidade da alma. O egoísmo escurece todas as possibilidades valiosas dos Espíritos. A miséria humana se encontra sob a inspiração direta do orgulho e do egoísmo, geradores de todas as outras misérias dos caminhos humanos. Livrar-se deles é libertar o coração para a luz do Cristo.

Se se pretende aprender o desprendimento dos bens terrenos, é preciso buscar conhecer a história dos grandes personagens que deixaram rastros de luz nos seus caminhos, desprendendo-se das coisas transitórias, para valorizarem as eternas, os tesouros que existem no céu da intimidade.

Para se libertar de todos os sofrimentos, não se deve esperar um libertador exterior, como muitos o fazem; o Cristo interno é que comanda a liberdade divina. O povo sempre espera um libertador externo, de maneira a não exigir esforço próprio, pois ele fará tudo por todos. Como se engana a humanidade! Já na época de Jesus, muitos pensavam assim. Em João, no capítulo sete, versículo quarenta e um, ele assim se refere, para melhor esclarecimento nosso:

Outros diziam:

Ele é o Cristo; outros, porém, perguntavam:

Porventura o Cristo virá da Galiléia?

Todos os ensinamentos do Evangelho são de origem divina, que fazem entender a mensagem de Deus em todas as faixas evolutivas da Terra e dos planos espirituais. A Galiléia, e a descendência de Davi, estão, pois, na intimidade das consciências. Jesus é o despertador cósmico das consciências das almas, para que o Cristo nasça no coração de cada um. O Cristo volta, mas, desta vez, no mundo interno das criaturas, não de uma vez para todos, mas na gradação da escala a que pertence a alma. Jesus é o instrumento do preparo divino e humano de todos os povos.


 Miramez


Livro Filosofia Espírita Vol. 16 - João Nunes Maia
Cap. 28 - Civilização completa




VÍDEO: 

Conflitos da Atualidade, uma visão espírita - Artur Valadares
NEPE Paulo de Tarso | Evangelho e Espiritismo




Palestra realizada no dia 17/09/2023 no Centro Espírita Fé, Amor e Caridade, em Caçapava/SP.

sábado, 24 de setembro de 2022

Um Espírito Protetor - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. VIII - Bem-aventurados os que têm coração puro - Instruções dos Espíritos - Item 19 - Deixai que venham a mim as criancinhas



Um Espírito Protetor - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. VIII - Bem-aventurados os que têm coração puro - Instruções dos Espíritos


Deixai que venham a mim as criancinhas


19. Deixai venham a mim as criancinhas, pois tenho o leite que fortalece os fracos. Deixai venham a mim todos os que, tímidos e débeis, necessitam de amparo e consolação. Deixai venham a mim os ignorantes, para que eu os esclareça. Deixai venham a mim todos os que sofrem, a multidão dos aflitos e dos infortunados: eu lhes ensinarei o grande remédio que suaviza os males da vida e lhes revelarei o segredo da cura de suas feridas! Qual é, meus amigos, esse bálsamo soberano, que possui tão grande virtude, que se aplica a todas as chagas do coração e as cicatriza? É o amor, é a caridade! Se possuís esse fogo divino, que é o que podereis temer? Direis a todos os instantes de vossa vida: “Meu Pai, que a tua vontade se faça e não a minha; se te apraz experimentar-me pela dor e pelas tribulações, bendito sejas, porquanto é para meu bem, eu o sei, que a tua mão sobre mim se abate. Se é do teu agrado, Senhor, ter piedade da tua criatura fraca, dar-lhe ao coração as alegrias sãs, bendito sejas ainda. Mas, faze que o amor divino não lhe fique amodorrado na alma, que incessantemente faça subir aos teus pés o testemunho do seu reconhecimento!”

Se tendes amor, possuís tudo o que há de desejável na Terra, possuís preciosíssima pérola, que nem os acontecimentos, nem as maldades dos que vos odeiem e persigam poderão arrebatar. Se tendes amor, tereis colocado o vosso tesouro lá onde os vermes e a ferrugem não o podem atacar e vereis apagar-se da vossa alma tudo o que seja capaz de lhe conspurcar a pureza; sentireis diminuir dia a dia o peso da matéria e, qual pássaro que adeja nos ares e já não se lembra da Terra, subireis continuamente, subireis sempre, até que vossa alma, inebriada, se farte do seu elemento de vida no seio do Senhor.


Um Espírito protetor
Bordéus, 1861 









Fonte: Kardecpedia 

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII - Bem-aventurados os que têm coração puro - Pecado por pensamentos - Adultério



Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII - Bem-aventurados os que têm coração puro - Pecado por pensamentos


Adultério


Aprendestes que foi dito aos antigos: “Não cometereis adultério. Eu, porém, vos digo que aquele que houver olhado uma mulher, com mau desejo para com ela, já em seu coração cometeu adultério com ela.” (S. MATEUS, 5:27 e 28.)

A palavra adultério não deve absolutamente ser entendida aqui no sentido exclusivo da acepção que lhe é própria, porém, num sentido mais geral. Muitas vezes Jesus a empregou por extensão, para designar o mal, o pecado, todo e qualquer pensamento mau, como, por exemplo, nesta passagem: “Porquanto se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, dentre esta raça adúltera e pecadora, o Filho do homem também se envergonhará dele, quando vier acompanhado dos santos anjos, na glória de seu Pai.” (S. MARCOS, 8:38.)

A verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento, porquanto aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal. Foi o que Jesus quis dizer: ele condena o pecado, mesmo em pensamento, porque é sinal de impureza.

Esse princípio suscita naturalmente a seguinte questão: Sofrem-se as conseqüências de um pensamento mau, embora nenhum efeito produza?

Cumpre se faça aqui uma importante distinção. À medida que avança na vida espiritual, a alma que enveredou pelo mau caminho se esclarece e despoja pouco a pouco de suas imperfeições, conforme a maior ou menor boa vontade que demonstre, em virtude do seu livre-arbítrio. Todo pensamento mau resulta, pois, da imperfeição da alma; mas, de acordo com o desejo que alimenta de depurar-se, mesmo esse mau pensamento se lhe torna uma ocasião de adiantar-se, porque ela o repele com energia. É indício de esforço por apagar uma mancha. Não cederá, se se apresentar oportunidade de satisfazer a um mau desejo. Depois que haja resistido, sentir-se-á mais forte e contente com a sua vitória.

Aquela que, ao contrário, não tomou boas resoluções, procura ocasião de praticar o mau ato e, se não o leva a efeito, não é por virtude da sua vontade, mas por falta de ensejo. É, pois, tão culpada quanto o seria se o cometesse.

Em resumo, naquele que nem sequer concebe a ideia do mal, já há progresso realizado; naquele a quem essa ideia acode, mas que a repele, há progresso em vias de realizar-se; naquele, finalmente, que pensa no mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da sua força. Num, o trabalho está feito; no outro, está por fazer-se. Deus, que é justo, leva em conta todas essas gradações na responsabilidade dos atos e dos pensamentos do homem.


Allan Kardec












Fonte: Kardecpedia

sábado, 5 de junho de 2021

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII - Bem-aventurados os que têm coração puro - Simplicidade e pureza de coração - Item 10




Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII - Bem-aventurados os que têm coração puro


Simplicidade e pureza de coração 


10. Os judeus haviam desprezado os verdadeiros mandamentos de Deus para se aferrarem à prática dos regulamentos que os homens tinham estatuído e da rígida observância desses regulamentos faziam casos de consciência. A substância, muito simples, acabara por desaparecer debaixo da complicação da forma. Como fosse muito mais fácil praticar atos exteriores, do que se reformar moralmente, lavar as mãos do que expurgar o coração iludiram-se a si próprios os homens, tendo-se como quites para com Deus, por se conformarem com aquelas práticas, conservando-se tais quais eram, visto se lhes ter ensinado que Deus não exigia mais do que isso. Daí o haver dito o profeta: É em vão que este povo me honra de lábios, ensinando máximas e ordenações humanas.

Verificou-se o mesmo com a doutrina moral do Cristo, que acabou por ser atirada para segundo plano, donde resulta que muitos cristãos, a exemplo dos antigos judeus, consideram mais garantida a salvação por meio das práticas exteriores, do que pelas da moral. É a essas adições, feitas pelos homens à lei de Deus, que Jesus alude, quando diz: Arrancada será toda planta que meu Pai celestial não plantou.

O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o seu objetivo. Toda aquela em que o homem julgue poder apoiar-se para fazer o mal, ou é falsa, ou está falseada em seu princípio. Tal o resultado que dão as em que a forma sobreleva ao fundo. Nula é a crença na eficácia dos sinais exteriores, se não obsta a que se cometam assassínios, adultérios, espoliações, que se levantem calúnias, que se causem danos ao próximo, seja no que for. Semelhantes religiões fazem supersticiosos, hipócritas, fanáticos; não, porém, homens de bem.

Não basta se tenham as aparências da pureza; acima de tudo, é preciso ter a do coração.


Allan Kardec







sábado, 8 de agosto de 2020

Léon Denis - Livro O Gênio Céltico e o Mundo Invisível - Cap. VIII - Palingenesia: preexistências e vidas sucessivas. A lei das reencarnações



Léon Denis - Livro O Gênio Céltico e o Mundo Invisível - Cap. VIII - Palingenesia: preexistências e vidas sucessivas

A lei das reencarnações 


Para todos aqueles que consideraram a variedade e a desigualdade das condições humanas, seja do ponto de vista das diferenças de raças, de culturas, de civilização, seja no que se refere à duração da existência, o enigma da vida ficava indecifrável, mas eis que, pela sucessão das existências da alma, tudo se encadeia e se harmoniza em uma lógica rigorosa.

O terrível problema da dor também aí encontra a sua solução e se explica melhor que certas pessoas conheçam o sofrimento desde o berço e o suportem até o túmulo.

Todas essas vidas obscuras, atormentadas, dolorosas, são cadinhos onde a alma se desfaz de suas impurezas, onde o fel se consome, onde as paixões do mal, por uma alquimia divina, se transformam pouco a pouco em paixões do bem.

Sem dúvida, o progresso não é sempre sensível e a alma, frequentemente, se revolta ante o sofrimento, mas, quando o tempo da provação passou, constata-se que ela não foi estéril e a alma se beneficiou.

E, do mesmo modo, o problema do mal que, no seu conjunto, é um dos aspectos da mesma questão. Este problema, que provocou tantas discussões estéreis, foi facilmente resolvido pelos druídas: Deus dá ao homem uma parte de liberdade proporcional ao seu grau de evolução, e a liberdade humana gerou o mal. A primeira “Tríade” enuncia entre as três unidades primitivas “o ponto de liberdade onde se equilibram todas as oposições”.

Deus não teria podido suprimir o mal sem suprimir a liberdade, o que teria falseado, inteiramente, a lei de evolução e, com ela, o princípio vital, a própria razão do Universo.  O livre arbítrio somente assegura o livre jogo da iniciativa, da vontade de onde decorrem os méritos necessários para adquirir os bens espirituais, alvo supremo da evolução. O ser humano deve adquirir, por seus esforços, no correr dos tempos, a sabedoria, a ciência, o talento e, para eles, a felicidade, a ventura, isto é, tudo que leva à grandeza e à beleza da vida, pois não se aprecia realmente, não se gosta, senão do que se adquire por si mesmo.

Se o mal parece dominar sobre a Terra, é que ela forma um grau inferior na escala dos mundos e por ser a maioria dos seus habitantes espíritos jovens, ainda ignorantes, inclinados às paixões. Mas, à medida que se evolui na grande escala cósmica, o mal diminui pouco a pouco, depois se dissipa, e o bem se realiza em virtude da lei geral da evolução.


Léon Denis








Fonte: O Gênio Céltico e o Mundo Invisível -pdf

terça-feira, 14 de julho de 2020

Romeu Grisi - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Cap. VIII - Na "Peregrinação”



Romeu Grisi - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Cap. VIII


Na "Peregrinação” 


Desde a mudança de Chico para Uberaba, todos os sábados ele se reunia com elementos de seu grupo e os amigos espíritas, para realizar a caminhada em visita aos lares carentes na área onde hoje se estende a maior parte do Parque das Américas.

Em uma das vezes que estivemos na “peregrinação” – nome dado àquelas caminhadas – soubemos que, no sábado anterior, alguns meninos das cercanias também acompanhavam o grupo.

Entre as traquinagens com seus coleguinhas, um deles acabou por cair num poço que estava sendo aberto.

Em meio à consternação causada, Chico logo soube e pediu que se providenciasse uma corda. Enquanto esperavam por ela, ficaram em prece.

O local estava escuro, mal se via o buraco do poço. Quando a corda chegou, foi lançada ao fundo e o menino, agarrando-se a ela, foi retirado são e salvo. Aparentemente tudo acontecera de forma natural.

No dia seguinte, contudo, alguém, para tirar dúvidas quanto ao que presenciara, conseguiu ter em mãos a mesma corda usada na véspera e repetiu seu lançamento à luz do sol, a fim de verificar até onde ela chegava.

Qual não foi sua surpresa ao constatar que sua extensão alcançava um pouco mais da metade da profundidade do poço, visto ser esta bem maior do que se pensara na véspera.

E o garoto não sofrera nenhum dano!

A testemunha que nos contava, pois o médium não queria que se divulgasse o fato.

É fácil entender o cuidado de Chico ante o fenômeno que ocorrera, pois, se divulgado, seria considerado como miraculoso pela população das cercanias, dando uma conotação que não interessava ao trabalho junto às famílias carentes.

E, para os amigos espíritas, vindos dos mais distantes pontos do país, a “peregrinação” era também uma aula ao vivo de como praticar a caridade, enfatizando o contato direto com os necessitados. O médium sempre insistia no mister de estarmos próximos dos desfavorecidos da vida, para nos melhorarmos na vivência do Evangelho do Cristo.


Romeu Grisi








Fonte: Julio Miyamoto

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Joanna de Ângelis - Livro Plenitude - Divaldo P. Franco - Cap. VIII - Caminhos para a Saúde



Joanna de Ângelis - Livro Plenitude - Divaldo P. Franco - Cap. VIII


Caminhos para a Saúde


O sofrimento é via de redenção espiritual, em face do incompleto desenvolvimento moral do indivíduo. Opção pessoal, é roteiro destituído de qualquer ação punitiva, educando ou reeducando por meio dos mesmos mecanismos, graças aos quais houve comprometimento, desvio de rota, desrespeito às leis da vida. A sua presença vige, enquanto se faz necessária a depuração. As únicas exceções se apresentam nos quadros de iluminação coletiva, quando os missionários do bem e do amor mergulham nas sombras do mundo, a fim de clareá-las com os seus exemplos. Não mais lhes sendo necessárias as dores físicas e morais, elegem-nas ou aceitam-nas como holocaustos espontâneos, a fim de ensinarem coragem, abnegação e sacrifício aos que estão na retaguarda, comprometidos com a ignorância e a ilusão, a rebeldia e a violência, o egoísmo e a negação do dever, todos eles geradores de sofrimentos, de enfermidades e dores.

A saúde integral, a paz, a alegria interior resultam da lucidez mental, que elege os atos corretos para a existência modeladora da ascensão.

Enquanto não se convençam as criaturas de realizar o equilíbrio, a homeostase ideal entre o psiquismo e o corpo físico, debater-se-ão nas malhas de qualquer tipo de sofrimento. Advertência ao desvio da linha de harmonia, ele se apresenta em forma de energia comprometida, bloqueada ou desequilibrada, facultando a instalação de doenças, de desares, de padecimentos de qualquer natureza.

Certamente, as terapias convencionais ajudam na recuperação da saúde, na sua relativa manutenção. Todavia, somente os fatores internos que respondem pelo comportamento emocional e social podem criar as condições permanentes de bem-estar, erradicando as causas penosas, proporcionando outras novas que compensarão aquelas, se não superadas, promovendo o equilíbrio estrutural do ser.

Jesus sintetizou no amor a força poderosa para a anulação das causas infelizes do sofrimento e para a sua compensação pelo bem.

Allan Kardec, por meio da observância das lições do Evangelho e das diretrizes propostas pelos Espíritos superiores, aludindo a Jesus, apresentou a caridade como sendo a via real para a salvação, a aquisição da saúde integral.

A caridade, que é o amor na sua expressão mais elevada, para ser real exige a iluminação de quem a pratica, facultando-lhe, ao mesmo tempo, um constante aprimoramento de propósitos que induzem à abnegação e à vitória sobre as tendências primitivas, que permanecem dominadoras.

Pelo seu extraordinário conteúdo emocional, a caridade dulcifica aquele que a pratica e abençoa quem recebe, dignificando-o, promovendo-o e ajudando-o a superar-se. Por isso, verdadeiramente, a sua é uma ação de profundidade, que exige requisitos especiais, adquiridos pelo esforço de constante aprimoramento espiritual.

Buda, no passado, recomendava uma via de salvação, em 8 passos, que são indispensáveis para a iluminação pelo amor e a plenitude pela felicidade.

A criatura humana sempre crê, até naquilo que nega. O seu ato de negar é uma força de crer, que defende com entusiasmo e vigor. A negação, por isso mesmo, é um tipo de afirmação.

Demonstrando a crença natural ou racional em torno da sua convicção.

Crer, retamente, porém, é direcionar o pensamento de forma positiva, edificante, firmando-o em propósitos saudáveis, que favorecem a realização excelente dos postulados, nos quais se crê.

Essa é uma crença estimuladora que enriquece de beleza e aciona os mecanismos da vida, alterando, profundamente, o comportamento para melhor e propondo uma vivência pautada na força da crença.

Diante de todos os enfermos que O buscavam, Jesus era peremptório, quanto ao ato do paciente crer n'Ele e na recuperação da saúde.

A sua resposta positiva criava a reação orgânica favorável à movimentação da energia bloqueada pelos condicionamentos doentios, pelas sequelas cármicas propiciadoras dos distúrbios degenerativos, nas áreas do corpo, da mente ou da emoção. A abertura mental e emocional do enfermo à certeza de que era possível a recuperação, e que Jesus podia consegui-lo, proporcionava-lhe a receptividade necessária ao imediato processo de cura.

Assim, a fé tudo pode, pois aciona inexplorados mecanismos íntimos do homem, geradores de forças não utilizadas, modificando por completo a paisagem interna, depois externa do ser.

“A fé remove montanhas”, acentuou Jesus. Ela é a canalização de todas as possibilidades psíquicas alterando a ação das forças habituais. Quando se apresenta, estimula à ação e vibra interiormente, gerando energias que vitalizam toda a maquina pela qual se movimenta.

A crença reta faculta uma visão otimista da vida, que se enriquece de motivações, que nada perturba. Sabe esperar e estimula ao prosseguimento da empresa, mesmo quando as circunstâncias parecem conspirar contra, ocasionando confusão ao projeto abraçado.

Todas as conquistas da Humanidade tiveram início no ato de crer corretamente, graças ao qual se movimentavam as pessoas, persistindo na execução dos planos mentais transferidos para a realidade objetiva.

Nicolau Copérnico, por acreditar retamente no sistema heliocêntrico, sofreu humilhações constantes e lutou contra o sectarismo, a intolerância, o fanatismo e a ignorância, até provar que estava com a razão.

Cristóvão Colombo, recordando-se psiquicamente das terras que eram desconhecidas da civilização europeia, apesar de desestimulado e ironizado pelas Cortes as quais pediu ajuda, e pelos seus contemporâneos, por crer retamente, descobriu a América, provando que estava certo.

Crer retamente conduz ao querer retamente.

Umas das razões do sofrimento humano é o querer equivocadamente, conforme a ilusão do prazer imediatista e alucinado, que elege o dispensável em detrimento do essencial, de acordo com o transitório e não com o permanente. E para lográ-lo, age segundo as tendências negativas, comprometendo-se moral e espiritualmente.

Esse querer equivocado escraviza o ser às paixões inferiores, cujas algemas o retêm inexoravelmente aos efeitos infelizes da eleição.

Para o seu prazer, o indivíduo quer o que não lhe convém, permitindo que o egoísmo se sobreponha aos interesses gerais prejudicando todos aqueles que possam constituir-lhe impedimento ou provocar-lhe dificuldade.

Querer retamente propõe métodos compatíveis com os objetivos da crença anelada. Os meios incorretos não são justificáveis quando usados para fins nobres, porquanto degeneram os ideias que devem permanecer pulcros. Sem o uso dos meios correspondentes, as realizações perdem a qualidade de que se devem revestir.

As supostas facilidades muito aneladas pelas criaturas são uma forma de evitar os meios hábeis, complexos às vezes, que compõem o quadro do querer de maneira elevada.

Não que as realizações mais fáceis signifiquem desvio de meta. Elas ocorrem amiúde, como é natural, não devendo tornar-se regra geral, que desencoragem as demais que proponham esforço, persistência e sacrifício.

Quem elege a montanha não evita a ascensão difícil, porquanto faz parte da aspiração que se sustenta interiormente.

O ato de querer tornar menos ásperos os desafios e as dificuldades.

Querendo retamente difundir a mensagem de Jesus, Paulo aplicou os mais desgastantes esforços, padecendo, enfermidades, abandono, apedrejamento e quase morte, afirmando, confiante: “Ai de mim se não pregar o Evangelho”, vivendo com sacrifício o ideal que o abrasava.

A preservação do querer com retidão rechaça as propostas ignóbeis, mesmo quando se apresentam como fórmulas salvacionistas, solucionadoras.

O que não tem a chancela da retidão desmerece a qualidade da ação.

Jesus sempre quis retamente e sempre assim agiu, tornando a Sua mensagem uma luz inapagável a varar os séculos, superando desfigurações, interpolações e adulterações lamentáveis.

Quando se crê e se quer retamente, fala-se com a mesma qualidade de intenção, e essas palavras, conforme se refere o Evangelho, exteriorizam o de que está cheio o coração.

Indispensável, portanto, a vivência íntima das aspirações superiores, a fim de que a música da palavra traduza-as para o exterior retamente.

A palavra é valioso instrumento de comunicação, que tem entorpecido grandes ideais da humanidade, por não ser fiel aos sentimentos que deveria expressar.

Fala-se por falar-se; fala-se para dissimular emoções e ideias; fala-se com objetivos sórdidos e prejudiciais.

A palavra que liberta, igualmente faz-se meio de escravidão.

Por isso, a arte de falar impõe requisitos que são essenciais para expressar-se retamente.

Deve-se pôr na palavra a discrição que sabe como e quando falar, evitando gerar constrangimento e amargura.

Não faltam, no mundo, acusadores e palradores da inutilidade, das ideias vazias de conteúdo, de ironias e sentidos dúbios. Eles inquietam e anatematizam, infelicitam e desajustam, dominados por idealismos falsos e paixões inferiores.

O falar retamente fomenta o progresso, desenvolvendo as aspirações que se exteriorizam em ideais de liberdade e amor, impulsionando as criaturas para a frente, para o bem.

Falando retamente, Sócrates desenvolveu a filosofia, elevando-a às cumeadas e dignificando os princípios éticos e morais que ainda constituem base ao idealismo, ao Espiritualismo.

As boas palavras enrijecem o caráter, dulcificam o coração e iluminam a vida. As más, entorpecem os sentimentos, deformam a conduta e matam os ideias de enobrecimento.

Crer, querer e falar retamente produzem uma vibração de paz que fomenta a saúde, alterando o comportamento emocional que refaz o equilíbrio da energia, modificando o campo no qual se instalam as enfermidades.

São, inevitavelmente, caminhos para uma existência saudável.

Logo surge o momento da ação, que equivale à diretriz do opera retamente.

Os requisitos anteriores alcançam o seu momento máximo na ação, sem o que deixam de influenciar, como necessário, o comportamento, que retrata a realidade íntima da pessoa.

A retidão impõe-se em todos os passos da existência humana.

Um coração tranquilo é resultado de uma conduta reta, e por consequência, fator basilar para uma consciência de paz.

Interdependem-se, portanto, esses elementos, para uma vida feliz, desde que, olhar-se para trás sem remorsos, agir-se sem medo, em face dos sentimentos enobrecidos, produzem um estado de paz que nada perturba, porque enraizada na maneira de operar, conduzindo a caminhada retamente.

O mundo progrediu sempre graças àqueles que agem com retidão. Os seus exemplos de dedicação às causas dignificadoras tornaram-se a base do processo de engrandecimento da vida e das demais criaturas.

Conscientes das suas responsabilidades não temeram as perseguições, as lutas ásperas, os sacrifícios, nem mesmo o holocausto, quando este se fazia necessário, desde que permanecesse impoluto o ideal que sustentavam. Sabiam que a morte do corpo não destrói a ideia grandiosa, e que é no sangue do martirológico que a semente da verdade germina, a fim de poder frondejar mais tarde, abençoando com flores e frutos.

Como se mede a grandeza ou a pequenez das criaturas graças aos ideais que possuem, é na ação que se avalia a excelência das suas aspirações, pois que ai, ao operá-las, trazê-las ao mundo objetivo, é que elas experimentam a intensidade dos fornos onde são lançadas antes de se tornarem realidade.

Entre companheiros doentes e em uma sociedade injusta, é um verdadeiro desafio operar retamente. As propostas da insensatez se multiplicam, os conchavos da desonestidade bem urdidos e disfarçados de legais enxameiam, as concessões morais e conivências fazem-se quase normais, dificultando a ação correta. Quem age com retidão parece alienado, é malvisto, tido por excêntrico, ou como se o fizesse para pretender chamar a atenção. Há uma oposição sistemática, ancestral, arquitetada contra o correto, de modo a impedir o desmascarar da fraude e da corrupção em predomínio.

Operar retamente é técnica de terapia preventiva quanto curadora para o sofrimento.

Quem não atua errado, não tem necessidade de repetir a experiência, refazer o caminho, ressarcir débitos...

Tal ação, entretanto, começa nas pequenas decisões, nas realizações mais simples e de aparente significação sem importância.

Tudo é importante na vida. Os pequenos atos são preparatórios dos gestos grandiosos e das realizações vultosas.

Manter o mesmo nível de conduta reta em uma pequena como noutra atividade de relevo é forma de treinamento para uma vivência equilibrada.

Viver retamente é, portanto, o passo seguinte.

As ações que se sucedem, transformam-se no modus operandi de cada indivíduo que aí passa a ter o seu modus vivendi.

Quem age retamente, vive retamente.

O seu hoje representa as ações antes realizadas e o seu amanhã defluirá das suas atividades hoje desenvolvidas.

Não se homizia no erro, não se exalta, não se deprime.

Suas horas transcorrem harmoniosas e as suas lutas, mesmo quando desgastantes, não o infelicitam, porque elas são conquistas de patamares mais elevados, que aguardam.

A vida adquire sentido e significação, porque não se acabando no túmulo, amplia-se ao infinito, rica de oportunidades excelentes de aprendizagem e plenificação.

Ghandi recomendava a igualdade radical, de deveres e direitos. Todavia, para que os seus fossem ideais legitimamente respeitados, vivia conforme preconizava, trabalhando no tear e acolhendo os párias no seu ashram, a eles concedendo a mesma consideração que dispensava a qualquer outra pessoa.

Viveu pobremente, de acordo com o que se considerava as necessidades básicas para a vida, que prescrevia para as demais criaturas.

Jesus não tinha “uma pedra para reclinar a cabeça”, embora “as aves do céu tivessem os seus ninhos e as feras os seus covis”, porque para Ele uma só coisa era importante: dar-se, num mundo de coisas que valem o que se lhes atribui, já que não têm valor real... 

Uma vivência de tal natureza impõe um grande esforço, já que é larga a porta que conduz à perdição.

O passo imediato é esforçar-se retamente.

Sem esforço, nenhum empreendimento se torna possível, muito menos se faz vitorioso.

A intensidade do esforço desvela a qualidade do caráter.

Sem uma disciplina que o exercício prodigaliza, o esforço deperece e as aspirações morrem.

Essa força, que decorre do querer, é responsável pelos resultados das aspirações colocadas na prática.

As pessoas que não se esforçam por preservar os ideais de enobrecimento perdem as batalhas da evolução antes mesmo de iniciá-las, perturbando a marcha do progresso geral.

Afirma-se, muito, como justificativa para não se esforçar, que não se logra manter o nível do ideal necessário. No entanto, a execução dos hábitos viciosos dá-se mediante esforços que se incorporam ao cotidiano como fenômeno natural.

A libertação deles somente é possível através do investimento de energias que se lhes opõem.

Não raro, os indivíduos, em razão do prazer que experimentam na vivência viçosa, sacrificam-se, aplicando todos os valores imagináveis, a fim de continuarem com as sensações a que se escravizam. Quando se lhes propõe, no entanto, a mudança para as emoções duradouras, negam-se ao esforço, por acomodação ao que já fruem, mesmo que lhes seja desgastante.

Ninguém vive sem esforço. Ultrapassados os limites dos fenômenos automáticos, a vida exige o empenho da vontade, a aplicação e direcionamento das energias.

Quem se esforça em um sentido, realiza-o também em outro, se quiser.

Esforçar-se retamente é saber aplicar a capacidade dos seus recursos naquilo que propicia felicidade real, duradoura, sem as aflições dos prazeres fugidos, que necessitam de repetir-se sem cessar, não lhes aplacando a sede, antes aumentando-a, perturbadoramente.

No esforço bem dirigido as energias se retemperam e as motivações, por serem elevadas, mais atraem a novos tentames, que se sobrepõem aos limites e desgastes dos sofrimentos.

A mente, colocada em áreas nobres, anestesia as sensações dos desajustes e das enfermidades, emulando na conquista da harmonia, que se alcança mediante esforço retamente aplicado.

Das pequenas e constantes tentativas de agir corretamente se desenvolvem as forças que serão canalizadas para os grandes cometimentos, mesmo que desconhecidos das demais pessoas.

A constante renovação moral e todo o trabalho de alterar a estrutura do comportamento exigem o reto esforço que leva ao êxito. De natureza íntima, decorrem do crer nas metas a alcançar, do valor que possuem, a fim de querer com afinco, de modo a envidar a capacidade de ação, sem o que o tentame malogra.

Esse esforço decorre da aplicação do pensar retamente.

O que se cultiva no pensamento transborda para a esfera objetiva, constituindo-se elemento existencial no comportamento humano.

O pensamento é fonte geradora e dínamo condutor da Vida para a vida.

A energia encontra-se presente em tudo, aguardando que o pensamento a comande, e direcione.

No que tange aos sofrimentos, na sua multiface, a ação mental é relevante.

Todo aquele que se deixa dirigir pelo pessimismo e pela depressão faz quadros enfermiços, debatendo-se nas malhas de dores perfeitamente dispensáveis. Por um processo de natural afinidade, sintoniza com as doenças, abrindo brechas nas próprias resistências para a instalação de males e perturbações afligentes. O bombardeio constante contra os sutis mecanismos da emoção e da aparelhagem orgânica termina por desarticular-lhes o equilíbrio, produzindo o desajustamento que facilita a penetração dos agentes degeneradores.

A ação do pensamento reto, pelo contrário, produz o fortalecimento do campo psicofísico, expulsando as doenças e gerando sucessivas ondas de bem-estar, que são responsáveis pela saúde.

Acrescente-se a esse quadro a interferência dos espíritos desencarnados no cotidiano das criaturas humanas.

Os raios mentais direcionados em um outro sentido facultam a sintonia com Entidades de teor vibratório correspondente. Não é, pois, de surpreende, o atual surto epidêmico de obsessões, que decorre da afinidade mental e moral existente entre os homens aturdidos e os Espíritos infelizes, com os quais os primeiros mantém convivência ideológica.

Ideoplastias enfermiças, formas-pensamento extravagantes e doentias terminam por criar uma psicosfera viciada que intoxica as pessoas, aumentando o quadro das enfermidades, estas últimas de diagnose difícil pela Medicina convencional e cuja terapia terá que partir do próprio paciente, por meio de uma radical mudança de comportamento mental e moral, a fim de desatrelar-se das vibrações que o envolvem.

Pensar retamente faculta harmonia psicológica e sintonia com os Benfeitores da Humanidade, em cuja convivência psíquica se haurem energias benéficas propiciadoras de saúde, que vão atuar nas causas dos sofrimentos alterando-lhes a vigência e os efeitos.

Quem pensa retamente encontra-se consigo mesmo, com o seu próximo e com Deus.

O hábito saudável de pensar conduz à etapa final, que é meditar retamente.

Fixam-se nos painéis da memória, por educação mental perniciosa, em maior quantidade, as impressões infelizes, os atos reprocháveis, as aspirações inferiores, e, por isso, afirma-se com leviandade que meditar é muito difícil.

Basta, porém, que se mude a direção dos hábitos mentais e se criarão as bases da meditação.

Como não se vive sem pensar, exceção feita aos portadores de psicopatologias graves, deve-se fazê-lo sempre de forma positiva e otimista, gerando novo costume no campo mental até que seja absorvido e transformado em automatismo pela repetição natural.

Por mau hábito, quando algo de negativo acontece, a pessoa se deixa consumir, entregando-se, comentando, repetindo e fixando, quando a atitude a tomar deveria ser totalmente oposta. No entanto, quando algo de bom e útil acontece, raramente se analisa, penetra e revive, logo substituindo-o por outro fato desagradável, acostumando-se com o último em detrimento do anterior.

Natural que, desacostumado à reflexão em torno do bem e da paz, da saúde e da alegria, tenha dificuldade em meditar retamente.

Nas primeiras tentativas, os arquivos da memória liberam as impressões deprimentes, perniciosas, e o candidato desiste, quando deveria prosseguir com esforço para liberar-se dessas e fixar as novas imagens e aspirações geradoras de saúde, de felicidade.

A concentração é a fixação da mente, por interesse ou seleção, em qualquer pensamento, em alguma ideia especial que se deseje analisar ou reter.

Meditar é aplicar a concentração na busca de Deus, interiormente, com determinação e constância. Seu objetivo único é o de atingir o fluxo divino e conhecer Deus, senti-Lo e alimentar-se da Sua energia. É o estado de quietação mental.

Jesus afirmou: “O teu olho é a luz do teu corpo. Se o teu olho for um só, todo o teu corpo será luminoso”.

Se o indivíduo permitir-se olhar para dentro, todo ele se torna uma só ideia visual; ao captar a luz divina, igualmente todo fara luminoso, e nenhum sofrimento o perturbará, graças à aquisição da saúde integral.

A meditação reabastece de energias salutares, refazendo a harmonia do psiquismo e este, a do organismo físico.

Quem medita retamente, crê, quer, fala, opera, vive, esforça-se e pensa com retidão, adquire os valores indispensáveis à salvação. Nesse estágio, a pessoa doa-se e já não mais vive, sendo o “Cristo quem vive” nela.

...Liberta-se, por fim, do sofrimento.


Joanna de Ângelis





sábado, 30 de maio de 2020

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII - Bem-aventurados os que têm coração puro - Pecado por pensamentos - Adultério



Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII - Bem-aventurados os que têm coração puro - Pecado por pensamentos


Adultério


Aprendestes que foi dito aos antigos: “Não cometereis adultério. Eu, porém, vos digo que aquele que houver olhado uma mulher, com mau desejo para com ela, já em seu coração cometeu adultério com ela.” (S. MATEUS, 5:27 e 28.)

A palavra adultério não deve absolutamente ser entendida aqui no sentido exclusivo da acepção que lhe é própria, porém, num sentido mais geral. Muitas vezes Jesus a empregou por extensão, para designar o mal, o pecado, todo e qualquer pensamento mau, como, por exemplo, nesta passagem: “Porquanto se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, dentre esta raça adúltera e pecadora, o Filho do homem também se envergonhará dele, quando vier acompanhado dos santos anjos, na glória de seu Pai.” (S. MARCOS, 8:38.)

A verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento, porquanto aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal. Foi o que Jesus quis dizer: ele condena o pecado, mesmo em pensamento, porque é sinal de impureza.

Esse princípio suscita naturalmente a seguinte questão: Sofrem-se as conseqüências de um pensamento mau, embora nenhum efeito produza?

Cumpre se faça aqui uma importante distinção. À medida que avança na vida espiritual, a alma que enveredou pelo mau caminho se esclarece e despoja pouco a pouco de suas imperfeições, conforme a maior ou menor boa vontade que demonstre, em virtude do seu livre-arbítrio. Todo pensamento mau resulta, pois, da imperfeição da alma; mas, de acordo com o desejo que alimenta de depurar-se, mesmo esse mau pensamento se lhe torna uma ocasião de adiantar-se, porque ela o repele com energia. É indício de esforço por apagar uma mancha. Não cederá, se se apresentar oportunidade de satisfazer a um mau desejo. Depois que haja resistido, sentir-se-á mais forte e contente com a sua vitória.

Aquela que, ao contrário, não tomou boas resoluções, procura ocasião de praticar o mau ato e, se não o leva a efeito, não é por virtude da sua vontade, mas por falta de ensejo. É, pois, tão culpada quanto o seria se o cometesse.

Em resumo, naquele que nem sequer concebe a ideia do mal, já há progresso realizado; naquele a quem essa ideia acode, mas que a repele, há progresso em vias de realizar-se; naquele, finalmente, que pensa no mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da sua força. Num, o trabalho está feito; no outro, está por fazer-se. Deus, que é justo, leva em conta todas essas gradações na responsabilidade dos atos e dos pensamentos do homem.


Allan Kardec









Fonte: Kardecpedia

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII - Bem-aventurados os que têm coração puro - Instruções dos Espíritos - Item 19 - Deixai que venham a mim as criancinhas



Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VIII - Bem-aventurados os que têm coração puro - Instruções dos Espíritos


Deixai que venham a mim as criancinhas


19. Deixai venham a mim as criancinhas, pois tenho o leite que fortalece os fracos. Deixai venham a mim todos os que, tímidos e débeis, necessitam de amparo e consolação. Deixai venham a mim os ignorantes, para que eu os esclareça. Deixai venham a mim todos os que sofrem, a multidão dos aflitos e dos infortunados: eu lhes ensinarei o grande remédio que suaviza os males da vida e lhes revelarei o segredo da cura de suas feridas! Qual é, meus amigos, esse bálsamo soberano, que possui tão grande virtude, que se aplica a todas as chagas do coração e as cicatriza? É o amor, é a caridade! Se possuís esse fogo divino, que é o que podereis temer? Direis a todos os instantes de vossa vida: “Meu Pai, que a tua vontade se faça e não a minha; se te apraz experimentar-me pela dor e pelas tribulações, bendito sejas, porquanto é para meu bem, eu o sei, que a tua mão sobre mim se abate. Se é do teu agrado, Senhor, ter piedade da tua criatura fraca, dar-lhe ao coração as alegrias sãs, bendito sejas ainda. Mas, faze que o amor divino não lhe fique amodorrado na alma, que incessantemente faça subir aos teus pés o testemunho do seu reconhecimento!”

Se tendes amor, possuís tudo o que há de desejável na Terra, possuís preciosíssima pérola, que nem os acontecimentos, nem as maldades dos que vos odeiem e persigam poderão arrebatar. Se tendes amor, tereis colocado o vosso tesouro lá onde os vermes e a ferrugem não o podem atacar e vereis apagar-se da vossa alma tudo o que seja capaz de lhe conspurcar a pureza; sentireis diminuir dia a dia o peso da matéria e, qual pássaro que adeja nos ares e já não se lembra da Terra, subireis continuamente, subireis sempre, até que vossa alma, inebriada, se farte do seu elemento de vida no seio do Senhor. – Um Espírito protetor. (Bordéus, 1861.)


Allan Kardec







Fonte: Kardecpedia 

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Joanna de Ângelis - Livro Plenitude - Divaldo P. Franco - Cap. VIII - Caminhos para a Saúde



Joanna de Ângelis - Livro Plenitude - Divaldo P. Franco - Cap. VIII


Caminhos para a Saúde



O sofrimento é via de redenção espiritual, em face do incompleto desenvolvimento moral do indivíduo. Opção pessoal, é roteiro destituído de qualquer ação punitiva, educando ou reeducando por meio dos mesmos mecanismos, graças aos quais houve comprometimento, desvio de rota, desrespeito às leis da vida. A sua presença vige, enquanto se faz necessária a depuração. As únicas exceções se apresentam nos quadros de iluminação coletiva, quando os missionários do bem e do amor mergulham nas sombras do mundo, a fim de clareá-las com os seus exemplos. Não mais lhes sendo necessárias as dores físicas e morais, elegem-nas ou aceitam-nas como holocaustos espontâneos, a fim de ensinarem coragem, abnegação e sacrifício aos que estão na retaguarda, comprometidos com a ignorância e a ilusão, a rebeldia e a violência, o egoísmo e a negação do dever, todos eles geradores de sofrimentos, de enfermidades e dores.

A saúde integral, a paz, a alegria interior resultam da lucidez mental, que elege os atos corretos para a existência modeladora da ascensão.

Enquanto não se convençam as criaturas de realizar o equilíbrio, a homeostase ideal entre o psiquismo e o corpo físico, debater-se-ão nas malhas de qualquer tipo de sofrimento. Advertência ao desvio da linha de harmonia, ele se apresenta em forma de energia comprometida, bloqueada ou desequilibrada, facultando a instalação de doenças, de desares, de padecimentos de qualquer natureza.

Certamente, as terapias convencionais ajudam na recuperação da saúde, na sua relativa manutenção. Todavia, somente os fatores internos que respondem pelo comportamento emocional e social podem criar s condições permanentes de bem-estar, erradicando as causas penosas, proporcionando outras novas que compensarão aquelas, se não superadas, promovendo o equilíbrio estrutural do ser.

Jesus sintetizou no amor a força poderosa para a anulação das causas infelizes do sofrimento e parra a sua compensação pelo bem.

Allan Kardec, por meio da observância das lições do Evangelho e das diretrizes propostas pelos Espíritos superiores, aludindo a Jesus, apresentou a caridade como sendo a via real para a salvação, a aquisição da saúde integral.

A caridade, que é o amor na sua expressão mais elevada, para ser real exige a iluminação de quem a pratica, facultando-lhe, ao mesmo tempo, um constante aprimoramento de propósitos que induzem à abnegação e à vitória sobre as tendências primitivas, que permanecem dominadoras.

Pelo seu extraordinário conteúdo emocional, a caridade dulcifica aquele que a pratica e abençoa quem recebe, dignificando-o, promovendo-o e ajudando-o a superar-se. Por isso, verdadeiramente, a sua é uma ação de profundidade, que exige requisitos especiais,adquiridos pelo esforço de constante aprimoramento espiritual.

Buda, no passado, recomendava uma via de salvação,em 8 passos, que são indispensáveis para a iluminação pelo amor e a plenitude pela felicidade.

A criatura humana sempre crê, até naquilo que nega. O seu ato de negar é uma força de crer, que defende com entusiasmo e vigor. A negação, por isso mesmo, é um tipo de afirmação.

Demonstrando a crença natural ou racional em torno da sua convicção.

Crer, retamente, porém, é direcionar o pensamento de forma positiva, edificante, firmando-o em propósitos saudáveis, que favorecem a realização excelente dos postulados, nos quais se crê.

Essa é uma crença estimuladora que enriquece de beleza e aciona os mecanismos da vida, alterando, profundamente, o comportamento para melhor e propondo uma vivência pautada na força da crença.

Diante de todos os enfermos que O buscavam, Jesus era peremptório, quanto ao to do paciente crer n'Ele e na recuperação da saúde.

A sua resposta positiva criava a reação orgânica favorável à movimentação da energia bloqueada pelos condicionamentos doentios, pelas sequelas cármicas propiciadoras dos distúrbios degenerativos, nas áreas do corpo, da mente ou da emoção. A abertura mental e emocional do enfermo à certeza de que era possível a recuperação, e que Jesus podia consegui-lo, proporcionava-lhe a receptividade necessária ao imediato processo de cura.

Assim, a fé tudo pode, pois aciona inexplorados mecanismos íntimos do homem, geradores de forças não utilizadas, modificando por completo a paisagem interna, depois externa do ser.

“A fé remove montanhas”, acentuou Jesus. Ela é a canalização de todas as possibilidades psíquicas alterando a ação das forças habituais. Quando se apresenta, estimula à ação e vibra interiormente, gerando energias que vitalizam toda a maquina pela qual se movimenta.

A crença reta faculta uma visão otimista da vida, que se enriquece de motivações, que nada perturba. Sabe esperar e estimula ao prosseguimento d empresa, mesmo quando as circunstâncias parecem conspirar contra, ocasionando confusão ao projeto abraçado.

Todas as conquistas da Humanidade tiveram início no ato de crer corretamente, graças ao qual se movimentavam as pessoas, persistindo na execução dos planos mentais transferidos para a realidade objetiva.

Nicolau Copérnico, por acreditar retamente no sistema heliocêntrico, sofreu humilhações constantes e lutou contra o sectarismo, a intolerância, o fanatismo e a ignorância, até provar que estava com a razão.

Cristóvão Colombo, recordando-se psiquicamente das terras que eram desconhecidas da civilização europeia, apesar de desestimulado e ironizado pelas Cortes as quais pediu ajuda, e pelos seus contemporâneos, por crer retamente, descobriu a América, provando que estava certo.

Crer retamente conduz ao querer retamente.

Umas das razões do sofrimento humano é o querer equivocadamente, conforme a ilusão do prazer imediatista e alucinado, que elege o dispensável em detrimento do essencial, de acordo com o transitório e não com o permanente. E para lográ-lo, age segundo as tendências negativas, comprometendo-se moral e espiritualmente.

Esse querer equivocado escraviza o ser às paixões inferiores, cujas algemas o retêm inexoravelmente aos efeitos infelizes da eleição.

Para o seu prazer, o indivíduo que o que não lhe convém, permitindo que o egoísmo se sobreponha aos interesses gerais prejudicando todos aqueles que possam constituir-lhe impedimento ou provocar-lhe dificuldade.

Querer retamente propõe métodos compatíveis com os objetivos da crença anelada. Os meios incorretos não são justificáveis quando usados para fins nobres, porquanto degeneram os ideias que devem permanecer pulcros. Sem o uso dos meios correspondentes, as realizações perdem a qualidade de que se devem revestir.

As supostas facilidades muito aneladas pelas criaturas são uma forma de evitar os meios hábeis, complexos às vezes, que compõem o quadro do querer de maneira elevada.

Não que as realizações mais fáceis signifiquem desvio de meta. Elas ocorre amiúde, como é natural, não devendo tornar-se regra geral, que desencoragem as demais que proponham esforço, persistência e sacrifício.

Quem elege a montanha não evita a ascensão difícil, porquanto faz parte da aspiração que se sustenta interiormente.

O ato de querer tornar menos ásperos os desafios e as dificuldades.

Querendo retamente difundir a mensagem de Jesus, Paulo aplicou os mais desgastantes esforços, padecendo, enfermidades, abandono, apedrejamento e quase morte, afirmando, confiante: “Ao de mim se não pregar o Evangelho”, vivendo com sacrifício o ideal que o abrasava.

A preservação do querer com retidão rechaça as propostas ignóbeis, mesmo quando se apresentam como fórmulas salvacionistas, solucionadoras.

O que não tem a chancela da retidão desmerece a qualidade da ação.

Jesus sempre quis retamente e sempre assim agiu, tornando a Sua mensagem uma luz inapagável a varar os séculos, superando desfigurações, interpolações e adulterações lamentáveis.

Quando se crê e se quer retamente, fala-se com a mesma qualidade de intenção, e essas palavras, conforme se refere o Evangelho, exteriorizam o de que está cheio o coração.

Indispensável, portanto, a vivência íntima das aspirações superiores, a fim de que a música da palavra traduza-as para o exterior retamente.

A palavra é valioso instrumento de comunicação, que tem entorpecido grandes ideais da humanidade, por não ser fiel aos sentimentos que deveria expressar.

Fala-se por falar-se; fala-se para dissimular emoções e ideias; fala-se com objetivos sórdidos e prejudiciais.

A palavra que liberta, igualmente faz-se meio de escravidão.

Por isso, a arte de falar impõe requisitos que são essenciais para expressar-se retamente.

Deve-se pôr na palavra a discrição que sabe como e quando falar, evitando gerar constrangimento e amargura.

Não faltam, no mundo, acusadores e palradores da inutilidade, das ideias vazias de conteúdo, de ironias e sentidos dúbios. Eles inquietam e anatematizam, infelicitam e desajustam, dominados por idealismos falsos e paixões inferiores.

O falar retamente fomenta o progresso, desenvolvendo as aspirações que se exteriorizam em ideais de liberdade e amor, impulsionando as criaturas para a frente, para o bem.

Falando retamente, Sócrates desenvolveu a filosofia, elevando-a às cumeadas e dignificando os princípios éticos e morais que ainda constituem base ao idealismo, ao Espiritualismo.

As boas palavras enrijecem o caráter, dulcificam o coração e iluminam a vida. As más, entorpecem os sentimentos, deformam a conduta e matam os ideias de enobrecimento.

Crer, querer e falar retamente produzem uma vibração de paz que fomenta a saúde, alterando o comportamento emocional que refaz o equilíbrio da energia, modificando o campo no qual se instalam as enfermidades.

São, inevitavelmente, caminhos para uma existência saudável.

Logo surge o momento da ação, que equivale à diretriz do opera retamente.

Os requisitos anteriores alcançam o seu momento máximo na ação, sem o que deixam de influenciar, como necessário, o comportamento, que retrata a realidade íntima da pessoa.

A retidão impõe-se em todos os passos da existência humana.

Um coração tranquilo é resultado de uma conduta reta, e por consequência, fator basilar para uma consciência de paz.

Interdependem-se, portanto, esses elementos, para uma vida feliz, desde que, olhar-se para trás sem remorsos, agir-se sem medo, em face dos sentimentos enobrecidos, produzem um estado de paz que nada perturba, porque enraizada na maneira de operar, conduzindo a caminhada retamente.

O mundo progrediu sempre graças àqueles que agem om retidão. Os seus exemplos de dedicação às causas dignificadoras tornaram-se a base do processo de engrandecimento da vida e das demais criaturas.

Conscientes das suas responsabilidades não temeram as perseguições, as lutas ásperas, os sacrifícios, nem mesmo o holocausto, quando este se fazia necessário, desde que permanecesse impoluto o ideal que sustentavam. Sabiam que a morte do corpo não destrói a ideia grandiosa, e que é no sangue do martirológico que a semente da verdade germina, a fim de poder frondejar mais tarde, abençoando com flores e frutos.

Como se mede a grandeza ou a pequenez das criaturas graças aos ideais que possuem, é na ação que se avalia a excelência das suas aspirações, pois que ai, ao aperá-las, trazê-las ao mundo objetivo, é que elas experimentam a intensidade dos fornos onde são lançadas antes de se tornarem realidade.

Entre companheiros doentes e em uma sociedade injusta, é um verdadeiro desafio operar retamente. As propostas da insensatez se multiplicam, os conchavos da desonestidade bem urdidos e disfarçados de legais enxameiam, as concessões morais e conivências fazem-se quase normais, dificultando a ação correta. Quem age com retidão parece alienado, é malvisto, tido por excêntrico, ou como se o fizesse para pretender chamar a atenção. Há uma oposição sistemática, ancestral, arquitetada contra o correto, de modo a impedir o desmascarar da fraude e da corrupção em predomínio.

Operar retamente é técnica de terapia preventiva quanto curadora para o sofrimento.

Quem não atua errado, não tem necessidade de repetir a experiência, refazer o caminho, ressarcir débitos...

Tal ação, entretanto, começa nas pequenas decisões, nas realizações mais simples e de aparente significação sem importância.

Tudo é importante na vida. Os pequenos atos são preparatórios dos gestos grandiosos e das realizações vultosas.

Manter o mesmo nível de conduta reta em uma pequena como noutra atividade de relevo é forma de treinamento para uma vivência equilibrada.

Viver retamente é, portanto, o passo seguinte.

As ações que se sucedem, transformam-se no modus operandi de cada indivíduo que aí passa a ter o seu modus vivendi.

Quem age retamente, vive retamente.

O seu hoje representa as ações antes realizadas e o seu amanhã defluirá das suas atividades hoje desenvolvidas.

Não se homizia no erro, não se exalta, não se deprime.

Suas horas transcorrem harmoniosas e as suas lutas, mesmo quando desgastantes, não o infelicitam, porque elas são conquistas de patamares mais elevados, que aguardam.

A vida adquire sentido e significação, porque não se acabando no túmulo, amplia-se ao infinito, rica de oportunidades excelentes de aprendizagem e plenificação.

Ghandi recomendava a igualdade radical, de deveres e direitos. Todavia, para que os seus fossem ideais legitimamente respeitados, vivia conforme preconizava, trabalhando no tear e acolhendo os párias no seu ashram, a eles concedendo a mesma consideração que dispensava a qualquer outra pessoa.

Viveu pobremente, de acordo com o que se considerava as necessidades básicas para a vida, que prescrevia para as demais criaturas.

Jesus não tinha “uma pedra para reclinar a cabeça”, embora “as aves do céu tivessem os seus ninhos e as feras os seus covis”, porque para Ele uma só coisa era importante: dar-se, num mundo de coisas que valem o que se lhes atribui, já que não têm valor real... 

Uma vivência de tal natureza impõe um grande esforço, já que é larga a porta que conduz à perdição.

O passo imediato é esforçar-se retamente.

Sem esforço, nenhum empreendimento se torna possível, muito menos se faz vitorioso.

A intensidade do esforço desvela a qualidade do caráter.

Sem uma disciplina que o exercício prodigaliza, o esforço deperece e as aspirações morrem.

Essa força, que decorre do querer, é responsável pelos resultados das aspirações colocadas na prática.

As pessoas que não se esforçam por preservar os ideais de enobrecimento perdem as batalhas da evolução antes mesmo de iniciá-las, perturbando a marcha do progresso geral.

Afirma-se, muito, como justificativa para não se esforçar, que não se logra manter o nível do ideal necessário. No entanto, a execução dos hábitos viciosos dá-se mediante esforços que se incorporam ao cotidiano como fenômeno natural.

A libertação deles somente é possível através do investimento de energias que se lhes opõem.

Não raro, os indivíduos, em razão do prazer que experimentam na vivência viçosa, sacrificam-se, aplicando todos os valores imagináveis, a fim de continuarem com as sensações a que se escravizam. Quando se lhes propõe, no entanto, a mudança para as emoções duradouras, negam-se ao esforço, por acomodação ao que já fruem, mesmo que lhes seja desgastante.

Ninguém vive sem esforço. Ultrapassados os limites dos fenômenos automáticos, a vida exige o empenho da vontade, a aplicação e direcionamento das energias.

Quem se esforça em um sentido, realiza-o também em outro, se quiser.

Esforçar-se retamente é saber aplicar a capacidade dos seus recursos naquilo que propicia felicidade real, duradoura, sem as aflições dos prazeres fugidos, que necessitam de repetir-se sem cessar, não lhes aplacando a sede, antes aumentando-a, perturbadoramente.

No esforço bem dirigido as energias se retemperam e as motivações, por serem elevadas, mais atraem a novos tentames, que se sobrepõem aos limites e desgastes dos sofrimentos.

A mente, colocada em áreas nobres, anestesia as sensações dos desajustes e das enfermidades, emulando na conquista da harmonia, que se alcança mediante esforço retamente aplicado.

Das pequenas e constantes tentativas de agir corretamente se desenvolvem as forças que serão canalizadas para os grandes cometimentos, mesmo que desconhecidos das demais pessoas.

A constante renovação moral e todo o trabalho de alterar a estrutura do comportamento exigem o reto esforço que leva ao êxito. De natureza íntima, decorrem do crer nas metas a alcançar, do valor que possuem, a fim de querer com afinco, de modo a envidar a capacidade de ação, sem o que o tentame malogra.

Esse esforço decorre da aplicação do pensar retamente.

O que se cultiva no pensamento transborda para a esfera objetiva, constituindo-se elemento existencial no comportamento humano.

O pensamento é fonte geradora e dínamo condutor da Vida para a vida.

A energia encontra-se presente em tudo, aguardando que o pensamento a comande, e direcione.

No que tange aos sofrimentos, na sua multiface, a ação mental é relevante.

Todo aquele que se deixa dirigir pelo pessimismo e pela depressão faz quadros enfermiços, debatendo-senas malhas de dores perfeitamente dispensáveis. Por um processo de natural afinidade, sintoniza com as doenças, abrindo brechas nas próprias resistências para a instalação de males e perturbações afligentes. O bombardeio constante contra os sutis mecanismos da emoção e da aparelhagem orgânica termina por desarticular-lhes o equilíbrio, produzindo o desajustamento que facilita a penetração dos agentes degeneradores.

A ação do pensamento reto, pelo contrário, produz o fortalecimento do campo psicofísico, expulsando as doenças e gerando sucessivas ondas de bem-estar, que são responsáveis pela saúde.

Acrescente-se a esse quadro a interferência dos espíritos desencarnados no cotidiano das criaturas humanas.

Os raios mentais direcionados em um outro sentido facultam a sintonia com Entidades de teor vibratório correspondente. Não é, pois, de surpreende, o atual surto epidêmico de obsessões, que decorre da afinidade mental e moral existente entre os homens aturdidos e os Espíritos infelizes, com os quais os primeiros mantém convivência ideológica.

Ideoplastias enfermiças, formas-pensamento extravagantes e doentias terminam por criar uma psicosfera viciada que intoxica as pessoas, aumentando o quadro das enfermidades, estas últimas de diagnose difícil pela Medicina convencional e cuja terapia terá que partir do próprio paciente, por meio de uma radical mudança de comportamento mental e moral, a fim de desatrelar-se das vibrações que o envolvem.

Pensar retamente faculta harmonia psicológica e sintonia com os Benfeitores da Humanidade, em cuja convivência psíquica se haurem energias benéficas propiciadoras de saúde, que vão atuar nas causas dos sofrimentos alterando-lhes a vigência e os efeitos.

Quem pensa retamente encontra-se consigo mesmo, com o seu próximo e com Deus.

O hábito saudável de pensar conduz à etapa final, que é meditar retamente.

Fixam-se nos painéis da memória, por educação mental perniciosa, em maior quantidade, as impressões infelizes, os atos reprocháveis, as aspirações inferiores, e, por isso, afirma-se com leviandade que meditar é muito difícil.

Basta, porém, que se mude a direção dos hábitos mentais e se criarão as bases da meditação.

Como não se vive sem pensar, exceção feita aos portadores de psicopatologias graves, deve-se fazê-lo sempre de forma positiva e otimista, gerando novo costume no campo mental até que seja absorvido e transformado em automatismo pela repetição natural.

Por mau hábito, quando algo de negativo acontece, a pessoa se deixa consumir, entregando-se, comentando, repetindo e fixando, quando a atitude a tomar deveria ser totalmente oposta. No entanto, quando algo de bom e útil acontece, raramente se analisa, penetra e revive, logo substituindo-o por outro fato desagradável, acostumando-se com o último em detrimento do anterior.

Natural que, desacostumado à reflexão em torno do bem e da paz, da saúde e da alegria, tenha dificuldade em meditar retamente.

Nas primeiras tentativas,os arquivos da memória liberam as impressões deprimentes, perniciosas, e o candidato desiste, quando deveria prosseguir com esforço para liberar-se dessas e fixar as novas imagens e aspirações geradoras de saúde, de felicidade.

A concentração é a fixação da mente, por interesse ou seleção, em qualquer pensamento, em alguma ideia especial que se deseje analisar ou reter.

Meditar é aplicar a concentração na busca de Deus, interiormente, com determinação e constância. Seu objetivo único é o de atingir o fluxo divino e conhecer Deus, senti-Lo e alimentar-se da Sua energia. É o estado de quietação mental.

Jesus afirmou: “O teu olho é a luz do teu corpo. Se o teu olho for um só, todo o teu corpo será luminoso”.

Se o indivíduo permitir-se olhar para dentro, todo ele se torna uma só ideia visual; ao captar a luz divina, igualmente todo fara luminoso, e nenhum sofrimento o perturbará, graças à aquisição da saúde integral.

A meditação reabastece de energias salutares, refazendo a harmonia do psiquismo e este, a do organismo físico.

Quem medita retamente, crê, quer, fala, opera, vive, esforça-se e pensa com retidão, adquire os valores indispensáveis à salvação. Nesse estágio, a pessoa doa-se e já não mais vive, sendo o “Cristo quem vive” nela.

...Liberta-se, por fim, do sofrimento.



Joanna de Ângelis