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quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Bezerra de Menezes - Livro Novos Horizontes - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 10 - Festival de Amor ao Próximo



Bezerra de Menezes - Livro Novos Horizontes - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 10


Festival de Amor ao Próximo


Irmã Yolanda, o Senhor nos ilumine sempre.

Assumi a obrigação de vir ao seu encontro e ao encontro dos seus cooperadores e irmãs abnegadas, no Lar Oficina de sua criação, sob a proteção de Jesus.

Venho agradecer-lhe o Festival de Amor ao Próximo que realizaste na paz do Senhor Jesus. Foi Ele mesmo que disse: 

“Vinde a mim todos vós que sofreis e vos aliviarei.” (Mateus 11:28)

Entendemos que o Divino Mestre não prometeu solução total dos problemas de quem sofre, porquanto, afirmou:

“Eu vos aliviarei.”

Temos de reconhecer o Divino Servidor, como sendo o precursor da anestesia. Em verdade, não podia Ele derrubar as Leis do Criador, diante do sofrimento humano. Asseverou que aliviaria as provações de quantos se lhe apresentassem, rogando amparo e bênção.

E nos fizestes recordar na noite última que a dor dos que a experimentam não podia ser erradicada de imediato, mas que a Misericórdia Divina suaviza. Por essa mesma razão é nosso dever minimizar as provas e amargores de quantos se abeiram de nós, exibindo as chagas e aflições dos sofrimentos.

E honorificando o Sublime Aniversariante destes dias, puderam os amigos queridos aliviar o infortúnio de quantos se acham ainda agrilhoados às provações que eles próprios, de certo modo, foram autores nas estâncias do passado, que se foi, mas sem apagar as marcas das nossas próprias ilusões e desequilíbrios.

Desejo dizer que nos cabe respeitar a dor e a necessidade onde apareçam, mas fazendo quanto se nos faça possível para cumprir os estatutos na misericórdia das leis de amor, das quais foi Jesus o mensageiro.

Reunistes os caros irmãos, incluindo-me igualmente entre os necessitados, todos aqueles que injustamente se consideram desprezados por Deus, quando nos reconhecemos todos na posição de devedores perante a Justiça Divina.

Tantos são os companheiros que se reajustam no Mundo Físico que, de certo modo, parece-nos um grande mostruário de aflições e de lágrimas!

E vimos e abraçamos:

os filhos da penúria material;

os infelizes que se acham revoltados e, às vezes, cruéis na incompreensão das leis que nos regem;

os aleijados do raciocínio que trazem o cérebro doente, face às declarações e ações lamentáveis a que se entregaram em época remota ou recente;

os enfermos do corpo que choram, no silêncio, a inconformação que lhes vai no espírito, sem se deterem a pensar nos excessos que abraçaram em outras situações;

os desesperados com a perda de filhos queridos, resgatando o martírio que impuseram nas malhas da delinquência;

os que se sentem encurralados nos problemas de solução difícil, sem imaginar que foram responsáveis pela queda de muitos irmãos com as maquinações lastimáveis em que envolveram pessoas dignas, lançando-as a descrédito injusto;

os que abusaram das próprias faculdades no veículo físico e agora carregam consigo os prejuízos de semelhantes atitudes;

todos os que jazem emaranhados na carência dos mínimos recursos para viver confortáveis e felizes, por culpa da prodigalidade indébita em que consumiram a tranquilidade dos próprios pais…

Todos eles, quanto ocorre a mim mesmo, se sentiram aliviados pelo trabalho que efetuaram, dia por dia, na escola do lar em que sediaram o bendito Lar Oficina.

Todos devedores, quanto eu mesmo, no entanto, todos necessitados de amor e consolo para se fortalecerem e se curarem.

Indubitavelmente, que as queridas irmãs e os prezados companheiros algo poderiam fazer, de modo a diminuir as provas que abraçaram para si mesmos. E agradecemos à irmã Yolanda, ao seu coração amigo e ao coração de quantos se lhe uniram ao esforço para ajudar e, com o seu tirocínio, tivemos o festival do amor ao próximo que ontem se nos fez mais um passo para com o nosso Divino Mestre.

O serviço que desenvolveram atingiu às próprias crianças nascituras, ainda resguardadas nos ventres maternos. Aqui estou, pequenino trabalhador da Seara do Bem, para dizer-lhes: Muito obrigado!

Muito obrigado, irmã Yolanda, pelas suas horas de reflexão e sacrifício, para que a nossa festa fosse o melhor de nós mesmos. Irmã Yolanda, compreendemos a sua luta e pessoalmente nos sentimos satisfeitos em repetir no silêncio de seu coração:

Querida irmã, Deus a recompense. Também eu estou entre os beneficiados da promoção de paz e amor que realizaram e repetimos, juntamente de nosso querido Augusto, as nossas palavras de gratidão:

Muito obrigado! Deus a recompense sempre e que todos nós, uns com os outros, possamos exclamar, de alma aberta à luz do Eterno Bem:

— Louvado seja Deus!


Bezerra de Menezes






Adolfo Bezerra de Menezes, nascido em 29 de agosto de 1831, em Riacho Grande, Ceará, filho de Antonio Bezerra de Menezes e de Fabiana de Jesus Maria Bezerra. Em 1851 matriculou-se na Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro, doutorando-se em 1856. Ingressa em 1857 na Academia Imperial de Medicina assumindo como redator de 1859 a 1861. Em 1858 casa-se com a Sra. Maria Cândida de Lacerda, que veio a desencarnar em 1863, deixando-lhe dois filhos. Ingressa nesse mesmo ano no Exército como cirurgião-tenente. Em 1860 foi eleito Vereador à Câmara Municipal do Rio de Janeiro e reeleito em 1864. Contrai núpcias pela segunda vez em 1865 com a Sra. Cândida Augusta de Lacerda Machado. Eleito Deputado Federal em 1867, retorna à Câmara Municipal de 1873 a 1881, por mais duas legislaturas. De 1878 a 1881 foi Presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. De 1882 a 1885 foi reeleito Deputado Federal. Em 16 de agosto de 1886, aderiu publicamente ao Espiritismo. De 1887 a 1894 sob o pseudônimo de Max, participou com publicações no periódico O PAIZ, dirigido por Quintino Bocaiuva. Foi Presidente da Federação Espírita Brasileira em 1889 e de 1895 a 1900. Em 11 de abril de 1900 desencarna Dr. Bezerra de Menezes.

Dados extraídos do Livro “Bezerra, Chico e Você. Edição GEEM”.


Mensagem de 18.12.1993

sábado, 11 de março de 2023

Mamãe Noêmia - Livro Vozes da Outra Margem - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 17 - Casa de Eurípedes no Mundo Maior



Mamãe Noêmia - Livro Vozes da Outra Margem - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 17


Casa de Eurípedes no Mundo Maior


Quando o Sr. Edem recebeu em Uberaba, pelo lápis mediúnico de Chico Xavier, a 16 de junho de 1984, afetuosa carta de sua progenitora, D. Noêmia Natal Borges, prima de Eurípedes Barsanulfo, não esperava que, juntamente com notícias mais ligadas ao seu reduto familiar, ela trouxesse amplo noticiário da grande família “euripidiana”, já domiciliada no Plano Espiritual.

De fato, além dos consanguíneos, existe imensa família de corações, encarnada e desencarnada, gravitando em torno do missionário sacramentano que se doou à Humanidade, num apostolado de amor dos mais expressivos. Pois, em suas múltiplas funções: de destacado homem público, como jornalista e vereador; de emérito professor, com inovações pedagógicas avançadas para a época, aplicadas no Colégio Allan Kardec, que ele fundou em 1907; e de dedicadíssimo espírita, atuante em várias áreas, como orador, doutrinador e especialmente médium, dotado de várias faculdades, destacadamente a de cura — ele soube exemplificar a fé viva, o trabalho perseverante e a caridade sem limitações.

E, bem sabemos, suas atividades no Mais Além continuam, invariáveis, desde a sua desencarnação, em 1918.

Não é de estranhar, portanto, que a “Casa de Eurípedes”, localizada no Mundo Maior, conforme descrição da mensagem que transcreveremos a seguir, seja uma imensa instituição, “de extensão difícil de ser mostrada com frases terrestres”, refletindo, naturalmente, a extensão de recursos espirituais que irradiam desse tão querido servidor de Cristo:


CARTA DE NOÊMIA

Meu querido Edem, (1) Deus nos abençoe.

Agradeço a sua bondade filial, tentando a obtenção de notícias minhas.

Continuo melhorando, com calma e fé viva em Deus. A morte ou a separação do corpo pesado, quando se tem a consciência tranquila é semelhante ao entardecer, sem nuvens.

Sabia, de antemão, que não precisava temer visões terrificantes e nem dificuldades sem recursos para transpô-las. 

A prece foi para mim uma luz e uma bênção.

De certo, o coração materno parecia rebentado pelas saudades, que começavam a invadir as minhas forças. 

Ainda assim, as saudades não conseguiram destruir a minha paz e consegui dormir no grande sono, agradecendo a Deus sem lamentações a vida simples de mãe que eu tivera.

Os filhos eram a minha riqueza, o tesouro íntimo que eu transportaria comigo para a existência nova. Os braços vigorosos de parentes e amigos me sustentaram, para que o magnetismo do corpo inerme não me influenciasse com apelos inúteis e pude repousar realmente, procurando embora identificar aqueles rostos amigos que me sorriam.

Notei instintivamente que não me cabia esforçar-me em demasia e deixei-me conduzir pelas afeições queridas que me acolhiam com tanto amor. Creio que se não fosse a bênção do sono reparador de que me vi beneficiada, não teria forças para me afastar da família que morava e continua morando em meu coração.

Gastei alguns dias, segundo imagino, para acordar, de todo, com bastante lucidez e fui informada de que estava admitida à Casa de Eurípedes, onde cada coração dispõe de espaço suficiente para aprender e renovar-se. 

Ali reencontrei a querida vovó Meca, (2) o pai Manoel, (3) a Eulice, (4) a Mariquinhas, (5) o Homilton, (6) e quanta gente, meu Deus, que me lembrava o tempo em que perguntava pelos desencarnados queridos sem resposta.

Não sei como descrever a moradia de nosso querido Eurípedes, porque numa extensão difícil de ser mostrada com frases terrestres, ali se dividem o Lar, a Escola, o Hospital, o Recinto da Oração e os Parlatórios para diálogos entre os residentes e os visitantes à procura de orientações, incluindo os amigos ainda encarnados que chegam até nós em transitório desdobramento para receberem instruções que conseguem guardar de memória, quando despertam no mundo, como intuições e lembranças que muitos consideram fantasia.

Ali, numa união fraterna em que se entrelaçam os nossos melhores sentimentos, estavam Amália Ferreira, (7) Maria da Cruz, (8) Maria Duarte, (9) Sinhazinha Cunha, (10) e outras muitas companheiras de ideal e trabalho, cuja companhia nos facilita o aprendizado do amor verdadeiro.

Dentre os mais novos companheiros recém-chegados, destaco a Corina, (11) em preparativos para novas atividades na benemerência do ensino; o Ismael, do Alcides, (12) comprazendo-se em acompanhar a mãezinha e a esposa, os filhos e descendentes com o amor que lhe conhecemos; o Jerônimo, (13) sempre atraído para as boas obras de Palmelo; a Edalides, (14) ainda presa a São Carlos; e muitos outros amigos do bem que, unidos, nos inspiram a felicidade de crer no amor fraterno e no trabalho sem qualquer ideia de recompensa.

Como observa, estou a me renovar, porquanto, não mais confinada ao círculo doméstico, posso retornar aos meus ideais de natureza superior, na procura de conhecimentos novos. Isso não me faz esquecida do afeto e do carinho familiar. A nossa querida Sílvia Regina (15) e os netos Fabiano, Fabíola e Edem Júnior, para me referir unicamente ao seu lado, estão em meu íntimo como sempre.

Meu filho, continue acreditando na eficácia do bem e não admita o mal em suas cogitações de homem correto.

Não devo alongar-me. Por isso mesmo, por seu intermédio, deixo a todos os que nos fazem familiares e amigos as minhas muitas lembranças, pedindo ao seu carinho receber o carinho imenso da sua mamãe


Mamãe Noêmia

Noêmia Natal Borges. (16)




IDENTIFICAÇÕES


(1) Edem — Edem Araújo Borges, farmacêutico, residente na Praça Comendador Quintino, 31, em Uberaba, Minas.

(2) Vovó Meca — Meca era o apelido familiar de Jerônima Pereira de Almeida (Sacramento, MG, 11/10/1859 — 29/1/1952), mãe de Eurípedes Barsanulfo. Na verdade, tia de Noêmia, mas nos últimos tempos de sua vida física era chamada por quase todos, carinhosamente, de vovó Meca.

(3) pai Manoel — Trata-se, provavelmente, do Dr. Manoel Soares, grande colaborador do Grupo Espírita Esperança e Caridade, de Sacramento, como médium receitista e psicofônico. Sete meses após sua desencarnação ocorrida em Sacramento, a 19/1/1937, enviou bela carta ao seu filho Labieno, pelo médium Xavier, em Pedro Leopoldo, MG, a qual integra o livro Enxugando Lágrimas (F.C. Xavier, Espíritos Diversos, Elias Barbosa, IDE, Cap. 9.)

(4) Eulice — Eulice Dillan, irmã de Eurípedes, desencarnada em 1928.

(5) Mariquinhas — Irmã de Eurípedes, desencarnada em 1971.

(6) Homilton — Jornalista, poeta, professor e orador, Homilton Wilson foi um dos mais destacados irmãos de Eurípedes. Espírita dinâmico, muito colaborou com o Grupo Espírita Esperança e Caridade e com o Colégio Allan Kardec, do qual foi diretor e professor. Desencarnou no Rio de Janeiro, em 1971.

(7) Amália Ferreira — Amália Ferreira de Mello (Sacramento, MG, 1888-1963) foi devotada secretária de Barsanulfo por muitos anos e co-fundadora do Lar de Eurípedes. É um dos autores espirituais do livro Reencontros (F.C. Xavier, Espíritos Diversos, H.M.C. Arantes, IDE, Cap. 13 e 14.)

(8) Maria da Cruz — Dedicada seareira, foi pioneira da Campanha do Quilo em Sacramento e co-fundadora do Lar de Eurípedes. Desencarnada em 1965. Biografada no Anuário Espírita 1975, p. 109.

(9) Maria Duarte — Mais conhecida por D. Cota, foi contemporânea de Barsanulfo.

(10) Sinhazinha Cunha — Eurídice Cunha, mais conhecida por Sinhazinha, irmã de Eurípedes, desencarnada em 1963.

(11) Corina — Professora, jornalista e escritora, Corina Novelino (1912-1980) sempre revelou grandes virtudes que caracterizam um espírito missionário. Co-fundadora e diretora do Lar de Eurípedes, também dirigiu, por longos anos, o Colégio Allan Kardec, de Sacramento. Em 1957, psicografou o livro “Escuta, Meu Filho”, de Aura Celeste, e, em 1978, terminou o seu grande trabalho de pesquisa: “Eurípedes — o Homem e a Missão” (Ed. IDE), obra fartamente documentada e ilustrada. Foi biografada no Anuário Espírita 1981 e em “Grandes Vultos do Espiritismo” (Paulo A. Godoy, FEESP, S. Paulo, SP.)

(12) Ismael do Alcides — Ismael Vilela, filho do casal Elith Irani Vilela (irmã de Barsanulfo) e Alcides Vilela.

(13) Jerônimo — Jerônimo Cândido Gomide, mais conhecido por Jerônimo Candinho (1888-1981 ), foi aluno e discípulo de Eurípedes. Fundou em Goiás, a cidade espírita Palmelo, que concentra suas atividades em torno de várias obras assistenciais e culturais, especialmente os trabalhos de cura do Centro Espírita Luz da Verdade. (Anuário Espírita 1983, p. 189.)

(14) Edalides, ainda presa a São Carlos — Edalides Milan de Rezende, virtuosa irmã de Barsanulfo, desencarnou em São Carlos, SP, a 03/3/1984, três meses antes do recebimento dessa Carta. (Anuário Espírita 1985, p. 143.)

(15) Sílvia Regina — Esposa de Edem Araújo Borges. Fabiano, Fabíola e Edem Júnior são os filhos do casal.

(16) Noêmia Natal Borges — (03/11/1907 — 18/09/1982) Filha de Olímpio Cassimiro de Araújo (irmão de Hermógenes Ernesto de Araújo, “Vô Mogico”, progenitor de Barsanulfo) e Cassimira Maria de Jesus. Desencarnada, aos 74 anos, deixou viúvo Manoel Borges Oliveira. Seu filho Edem prestou-nos o seguinte depoimento, em carta de 21/6/86: “No momento em que recebi a carta mediúnica de Mamãe Noêmia, me senti bastante sensibilizado. Ela foi uma pessoa muito compreensiva, conformada e humilde, dedicando toda sua existência ao próximo, principalmente aos familiares, fazendo jus ao lugar que ocupa na Espiritualidade. Dentro dos recursos de que era possuidora, sempre se dedicou profundamente ao Espiritismo.”





terça-feira, 17 de agosto de 2021

Carlos Alberto - Livro Venceram - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 1 - Segunda Mensagem




Carlos Alberto - Livro Venceram - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 1


DEPOIMENTO


Durante a estruturação deste livro, em uma de nossas entrevistas, perguntamos o seguinte à genitora do Tato:

— D. Dirce, de que modo estão as coisas, depois de quase 10 anos de separação?

“Não houve separação, Dr. Caio. No início, quando o desespero me toldava o raciocínio, quando a dor me imobilizava no leito, tudo pareceu perdido. Mas houve um sol em nossas vidas — Chico Xavier, o amigo a quem tudo devemos.

Por seu intermédio, voltamos a conversar com o Tato: as mensagens tão autênticas de nosso filho trouxeram-nos a convicção de que apenas houve a separação física, mas o querido Tato continua existindo no Plano Espiritual e continua sempre conosco, visitando-nos, orientando-nos e participando dos problemas, das dificuldades e alegrias de nossa casa.

Eu e Severino nos vinculamos ativamente a tarefas junto aos que sofrem, qual nós sofremos e, de certa forma, procuramos ser mais úteis ao nosso semelhante.”


Segunda Mensagem


Querida mãezinha Dirce, peço ao seu querido coração de mãe abençoar-me as esperanças de filho.

Agradeço, mãezinha Di, o seu concurso de presença nestes dias, junto às tarefas em que nos achamos envolvidos, nas lembranças de nosso amigo Augusto Cezar, que se converteram em abençoados encontros de trabalho na oficina do bem.

Religo-me aos seus sentimentos de carinho, na cooperação com os amigos, e, de meu lado, estou na turma daqueles que se irmanam para cooperar nos contatos de outros companheiros em nossos momentos de oração.

Graças a Deus, estamos sempre juntos. Não me creia esquecido de nossas datas e lembranças. Felizmente, vejo-a mais tranquila e mais ajustada às nossas realidades presentes e, durante as suas reflexões, conserve a certeza de que o seu carinho me registra a presença com precisão quase que absoluta.

Nos dias que passaram, ambos desconhecíamos de que modo nos cabia controlar o sofrimento que raiava quase no desespero, mas, agora, no curso dos dias, pouco a pouco, convencemo-nos de que a aceitação é o melhor estado de prece, a fim de acumularmos forças para a caminhada.

Agradeço a paz com que você, querida mãe Di, tem sabido orientar o papai Severino e a consolar os paizinhos outros, tio Olavo e tia Amelinha. Muitas lutas foram já superadas e esperamos que o seu equilíbrio continue harmonizando a todos os nossos no caminho a ser percorrido.

Faça os nossos compreenderem que ninguém se realiza e nem realiza algo de bom na Terra sem problemas e sem lutas.

Quando o calor das crises subir ao clima de alta tensão, proceda como vem fazendo, interpondo a sua palavra de serenidade e de harmonia, paz e segurança, entre os argumentos menos felizes que os nossos entes amados apresentem, e tudo seguirá bem, com as bênçãos de nossos Benfeitores da Vida Superior.

Tenho acompanhado a evolução do Andrezinho e envio a ele os meus parabéns. É um garoto assombroso esse meu irmão, que tenho sob os melhores votos de amparo espiritual.

Mãezinha Di, sei quão difíceis são os problemas para a sua sensibilidade no tempo que se desdobra, sem que a minha presença mais imediata e mais concreta esteja a oferecer-lhe o suporte preciso à confiança em si mesma, no entanto, mãezinha, observe que isso acontece imaginariamente.

Digo isso porque tenho sido, com a bênção de Jesus, e embora eu não mereça, a esperança em suas horas difíceis, o seu apoio nos momentos de incerteza, a resposta às suas indagações e sobretudo, aquela voz que lhe fala por dentro do coração, induzindo-a à calma e à coragem necessárias para atravessar todos os obstáculos.

Não se deixe vencer pelos empeços e aflições das experiências na vida material. Eleve a sua fé para os cimos da vida e observará que Deus é amor que nunca se esgota e luz que não se extingue.

A vovó Zezé (1) tem estado junto de mim compartilhando de nossas tarefas, tanto quanto a outra avó, sempre atenta ao carinho de que necessitamos para reforçar os nossos recursos no trabalho do cotidiano.

Temos colaborado, quanto possível, em benefício da vovó Deolinda e da tia Amélia, no setor da saúde, rogando a Jesus as conserve satisfeitas e felizes. Peço dizer ao papai Severino e ao papai Olavo que nos tempos mais difíceis, quais os nossos de agora, o pensamento circunscreve os próprios voos às atividades julgadas mais simples, a fim de não provocarmos falsas impressões a nosso respeito.

Quanto mais simplicidade nas situações, maior será o apoio que recolheremos do Mais Alto, porque os Espíritos Superiores igualmente encontram com isso mais amplas oportunidades para o auxílio em nosso favor.

Agradeço à tia Alzira que nos dispensa tamanho amor, conservando na memória as recordações do seu filho que deseja a todos os nossos o Maior Bem. Alzirinha e Alexandre me falam alto ao coração, como também todos os nossos que nos honram com o seu habitual carinho. (2)

Peço a você, mãezinha Di, e ao papai Severino, transmitirem ao nosso irmão Fonseca, os nossos agradecimentos pelos estímulos que nos tem doado aos corações, a fim de prosseguirmos em nossa jornada para a frente.

Com tantos amigos ao nosso lado e considerando as bênçãos que temos recebido, de maneira incessante, não temos senão motivos para sermos gratos a Deus.

Mãezinha Di, tenho tido a alegria de continuar trabalhando em nossa equipe juvenil de serviço cujas atividades se ampliaram intensamente depois dos nossos livros de parceria e agora tenho minhas tarefas acrescentadas com uma boa ponta de trabalho em favor dos doentes, com a supervisão do nosso estimado médico Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho, (3) orientador de grande escola de realizações beneméritas em toda a orla de que a nossa querida cidade de Santos é uma parcela das mais importantes.

Dou para o seu carinho estas notícias por saber que a sua dedicação materna se sentirá feliz em saber seu filho trabalhando com esperança e alegria.

Agradeço as suas preces e flores de sempre e estou encantado com as suas conversações comigo, junto de meu retrato. Nada fiz por merecer tanto carinho de sua ternura e da confiança de meu querido papai Severino, mas creiam os dois que tudo farei por ser digno do crédito com que me honram.

Estamos felizes com as lembranças oferecidas ao nosso querido amigo Augusto e envio a meu pai, ao Andrezinho, à tia Amélia e ao tio Olavo, com a vovó Deolinda e todos os nossos as alegrias destes momentos de paz e encorajamento que estamos desfrutando na união espiritual completa, uns com os outros.

Mãezinha Di, não posso alongar-me. Agradeço ainda aos nossos amigos da experiência diária por todas as preces e referências confortadoras que formulam em meu benefício.

Com os pensamentos de carinho concentrados em meu pai e em nosso Andrezinho, peço ao seu coração de mãe e à sua alma querida de Estrela do Meu Caminho, receber todo o amor e toda a gratidão do seu filho e companheiro de todos os momentos, sempre o seu Tato,


Carlos Alberto Da Silva Lourenço
30 de Setembro de 1979   



(1) Vovó Zezé ou, também, vovó Pessoa, Maria Josefa Pessoa dos Santos, bisavó desencarnada em Portugal há algumas décadas. A outra avó é a vovó Bonfim, Alvarina Jorge Bonfim, também domiciliada no Plano Espiritual, desde a década de 1940.

(2) Tia Alzira: Alzira Bonfim da Silva Vitorino, irmã de D. Dirce. Alzirinha: Alzira Maria Bonfim Faria Santos, genitora do Alexandre, é prima do Carlos Alberto.

(3) Grande vulto da Medicina Brasileira, fundador da Faculdade de Medicina de São Paulo.



Carlos Alberto da Silva Lourenço (Tato)
Santos (SP), 25 de junho de 1956 — São Bernardo do Campo (SP), 17 de setembro de 1974


segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Henrique - Livro Enxugando Lágrimas - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 13 - De volta do “Berçário Novo”




Henrique - Livro Enxugando Lágrimas - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 13


De volta do “Berçário Novo”


Mãe, abençoe seu filho. Sou eu mesmo, de volta.

Prometi pintar por aqui sempre que o pano fosse descoberto para a estrada, e venho desejar ao seu coração querido a paz que vem do Alto. Pano descoberto recorda os meninos de circo de que o pai falava em outros tempos. 

O que há, “Veia”, (1) é que não me sinto com matrícula neste colégio das mensagens. Falha o merecimento, mas estou na sua, de irmã dos que sofrem. Não por mim, o acesso a que me refiro, mas pela remuneração à professora que é você. Agradeço por tudo.

Nosso ambiente está mais sereno, como seu Henrique desejava. A princípio, aquele tumulto quase me enlouquecia, porque, por aqui também se perde o equilíbrio. Não seria paúra, mas uma espécie de chuva magnética dos raios mentais que me eram atirados. Foi assim e não foi assim. Henrique estava daquele modo e não estava. Que teria acontecido por trás das portas? 

E o negócio era esse aí. Barulho e perturbação. Movimento inútil de ondas que pareciam sempre longe da crista. E a ventania esquisita de forças me envolvia de todo, como se estivesse perdido numa estrada perdida, escutando seus chamados e vendo as suas lágrimas, na condição das pessoas que enxergam outras, quando algum relâmpago rompe as trevas. (2)

Depois… a tranquilidade. A tranquilidade que você me deu e pediu a todos os nossos, para mim. “Veia”, é isso. Não deixe a cabeça esquentar. 

Existe um Poder sobre nós que nos socorre sempre mais depressa quanto mais depressa se manifeste a nossa aceitação e a nossa paciência. Afinal de contas, a morte, como pessoa que ninguém deseja na Terra, caminha nas estradas do mundo todos os dias. (3)

Aquilo que me sucedeu, devia suceder. Uns chegam à experiência física para tempo curto; outros dobram as fieiras dos dias e varam um século. 

Hoje, compreendo. A idade por si não vale, porque deste lado vale apenas aquilo de bom que colocamos no rio do tempo. Cada dia é momento de se entregar algo de melhor à embarcação das horas. (4)

Por isso mesmo, deixar o corpo cansado ou vigoroso, bonito ou feio é cousa somenos. Estamos juntos. Agora é a ocasião de pegar em seus instrumentos de fé e caridade, e seu filho vem fazendo o possível para atender às novas obrigações. Fazer o bem aos outros é o melhor investimento nas menores atividades do campo empresarial.

A gente por aí lutando com tanto empenho por alguns mangos na poupança, e aqui reconhecemos que se perdeu muito tempo nisso, quando poderíamos acumular outras espécies de benefícios. (5)

Câmbio estranho o câmbio de Deus. De um lado, ele sugere ganhar e de outro indica o servir para ganhar com razão. Mas, toca prá lá. Isso é com a filosofia.

Estou aqui em nosso recado para dizer que temos recebido os seus votos de paz e de encorajamento.

Um neto, “Veia” querida, é um tesouro. A chegada do Luiz Henrique (muito obrigado pela lembrança de meu pobre nome) foi para nós todos, mesmo aqui, uma felicidade muito grande. Pedimos a Deus para que o menino cresça até que se faça um gigante de bondade e compreensão, trabalho e progresso. Isso entre parentes, que garantem o corujíssimo na tradição, não é desejar de mais. (6)

Agora, a fala da gratidão pelas flores do seu aniversário que as suas mãos nos levaram à terra que nos guardou a roupa em desgaste. Luta-se para não se falar em “cemitério”, em nossos papos daqui, mas a pessoa acaba na referência mesmo sem querer. Inventaremos ainda outra palavra para essa imagem inadequada, como, por exemplo, “Berçário Novo”. Estamos gratos. (7)

Aqui estão comigo o Izídio, (8) o Jurandir, (9) o Guimarães (10) e o Oscar, (11) todos muito reconhecidos às suas preces e às suas pétalas perfumadas. E outra notícia, temos recebido — digo eu, seu filho, — muito auxílio nas orações do nosso querido amigo Nicolau, (12) o “São Nicolau” de nossa casa. “Veia”, é isso que digo. Não nos falta proteção.

Trabalho aqui, temos nós na dose que se deseja. E o trabalho no bem gera sempre mais alegria. Aí, tínhamos nós dois dias de que não me esqueço: o 28 de agosto para chorar o papai e o 8 de outubro para a nossa alegria no bolo de seu natal, bolo que você recusava e que, na verdade, não deixávamos para trás. (13)

Agora, mamãe, não deixe que a luz da alegria esmoreça em nosso grupo. As nuvens passaram. Queremos alegria e paz, porque ninguém aí na Terra esteja na ilusão de escapar. O reencontro é fatal porque a morte é certa. 

Mas não faço o apontamento por nota de menosprezo a ninguém. É só apelação para que você esteja calma e paciente, aguardando o dia diferente dos outros.

Envio muitas lembranças para Eduardo, Márcia e Angela, Mário Lúcio, Luiz Antônio (14) e um beijão aos sobrinhos.

Dona Lélia, receba o nosso respeito e reconhecimento. Nossos amigos Antenor de Amorim e Alvicto Nogueira (15) estão presentes e rogam-lhe confiança no coração de filha e esposa.

Mamãe, eu queria terminar esta carta com um poema, no entanto, ofereço a você aquele nosso do violão. O “Menino da Porteira” (16) fica sendo a canção de seu Henrique para você. Já varei a porteira da vida espiritual, mas continuo sendo o seu menino de sempre. 

Deixe que lhe beije as mãos. Mamãe, você sabe que um beijo de filho saudoso e reconhecido para as mães vem a ser uma estrela. A estrela de seu filho é tão pálida, mas é sua, porque o meu beijo é seu.

“Veia”, fique com Deus e me dê sua bênção. Trouxe flores também, mas com uma diferença — elas são lágrimas de alegria e gratidão a Deus, por ser sempre mais seu. O pai Gastão e o Vovô Manoel (17) estão comigo e deixaram um abraço.

Receba, querida mamãe, o coração inteirinho de seu filho, sempre mais seu por dentro do coração.

Seu sempre


Henrique








FAZER O BEM: O MELHOR INVESTIMENTO

Da segunda carta de Henrique, transmitida através do médium Xavier, a 12 de novembro de 1976, salientemos alguns pontos dos muitos destacáveis que existem ao longo de toda a página.

1 — Dentro da mesma linguagem de que se serviu para a transmissão da primeira mensagem — rica de gírias — e ainda nomeando a genitora por “Veia”, qual o costume que adotava quando encarnado, Henrique nos convida a atenção, de início, para um assunto de suma importância: o do merecimento para se comunicar através da instrumentalidade mediúnica.

No caso, deixa claro, não somente por modéstia de sua parte, mas, talvez, por se tratar da realidade, que o mérito pertence ao coração maternal.

De fato, ao que sabemos, as comunicações são permitidas quando os Benfeitores da Vida Maior verificam que elas reverterão em benefício de várias criaturas, encarnadas ou desencarnadas.

De qualquer modo, Henrique nos alerta para uma questão de muito interesse, dentro das fileiras espíritas, a recordar-nos a recomendação de Allan Kardec: “passar tudo pelo crivo da razão.”

2 — Cessamento de “barulho e perturbação” e chegada da tranquilidade, depois da atitude materna: perdão para o acusado.

3 — “Existe um Poder sobre nós que nos socorre sempre mais depressa quanto mais depressa se manifeste a nossa aceitação e a nossa paciência.”

Afinados com as Forças Superiores da Vida, tudo se nos torna mais fácil para a liquidação justa de todos os problemas. Ou por outras palavras: aceitação e paciência — primeiro passo para que a solução adulta de todos os obstáculos, por mais graves que sejam do ponto de vista humano.

4 — “Aquilo que me sucedeu, devia suceder. Uns chegam à experiência física para tempo curto; outros dobram as fieiras dos dias e varam um século. Hoje, compreendo. A idade por si não vale, porque deste lado vale apenas aquilo de bom que colocamos no rio do tempo. Cada dia é momento de se entregar algo de melhor à embarcação das horas.”

5 — “A gente por aí lutando com tanto empenho por alguns mangos na poupança, e aqui reconhecemos que se perdeu muito tempo nisso, quando poderíamos acumular outras espécies de benefícios.”

Verdade inconcussa, esta que lembra Allan Kardec, no Capítulo XVI de O Evangelho segundo o Espiritismo, e que a maioria de nós outros, os reencarnados, nos recusamos a encarar frente a frente, alegando as conjunturas da sociedade mercantilista, não passando tudo isso de simples racionalização de nossa parte.

6 — “Um neto, “Veia” querida, é um tesouro.”

Refere-se a Luiz Henrique Gregoris Rabelo, nascido a 28 de setembro de 1976.

7 — Novamente a problemática das palavras. Seria bom, sem dúvida, que a expressão “cemitério” fosse substituída pelo sugestivo nome “Berçário Novo”

Tempo virá, com o desenvolvimento da Psicolinguística, que dá seus primeiros passos, em que a Semântica alcançará seu florescimento máximo.

8 — Izídio: Izídio Inácio da Silva, desencarnado a 26 de fevereiro de 1974, com 19 anos de idade, em desastre automobilístico, sobre quem falaremos nos próximos capítulos.

9 — Jurandir: Jurandir Nascimento, desencarnado em acidente, a 23 de maio de 197o, com 20 anos de idade, filho de Gabriel e de D. Santinha Nascimento.

10 — Guimarães: Geraldo Guimarães Rosa, desencarnado a 25 de outubro de 1974, em consequência de acidente, com 23 anos de idade, filho de Geraldo e D. Guilhermina Rosa.

11 — Oscar: Oscar Masaaki Tsuruda, desencarnado em acidente, a 11 de agosto de 1973, com 24 anos de idade, filho de Aiki e Tamiko Tsuruda.

12 — “Nosso querido amigo Nicolau, o “São Nicolau” de nossa casa”: Trata-se de Nicolau Calixto Hezin, desencarnado a 26 de dezembro de 1975.

Fato admirável que demonstra de modo irretorquível a autenticidade da mensagem, é que os quatro primeiros nomes citados são de amigos íntimos de Henrique, companheiros que cresceram junto dele, e que eram assim chamados, inclusive o de origem nipônica.

13 — As datas citadas — 28 de agosto e 8 de outubro coincidem com a realidade.

Mais um detalhe comprobatório. Aparentemente simples, mas muito importante.

14 — Eduardo, Márcia e Ângela; Mário Lúcio e Luiz Antônio: Cf. os itens 4, 10 e 12 do capítulo anterior.

15 — Dona Lélia, Antenor de Amorim e Alvicto Nogueira: Nossos conhecidos de capítulos anteriores e grandes amigos da família de Henrique.

16 — “O ‘Menino da Porteira’ fica sendo a canção de seu Henrique para você.”

O “Menino da Porteira”, de Teddy Vieira e Luisinho (YouTube), com efeito, segundo a genitora do comunicante, era a toada que Henrique e Eduardo tocavam no violão e cantavam acompanhados pelo carinho materno. Detalhe, a nosso ver, igualmente dos mais preciosos também.

17 — Pai Gastão e Vovô Manoel: Nossos conhecidos de capítulos anteriores, Gastão, Henrique Gregoris e Manoel Soares, sendo este último, o avô materno, seguidor da tarefa abençoada de Eurípedes Barsanulfo, em Sacramento, Minas Gerais, e desencarnado a 19 de janeiro de 1937, como já tivemos ocasião de ver, páginas atrás.

Agradeçamos ao Criador e ao Divino Mestre pela bênção da Mediunidade Espírita-cristã, rogando de igual modo a bênção da saúde e da alegria para o médium Xavier, pelo seu Meio Século de Mediunidade com Jesus e Kardec, marcado em 8 de julho de 1977.


Elias Barbosa






segunda-feira, 26 de julho de 2021

Henrique - Livro Claramente Vivos - Familiares diversos / Chico Xavier - Cap. 6 - Somos o que sentimos




Henrique - Livro Claramente Vivos - Familiares diversos / Chico Xavier - Cap. 6 - Somos o que sentimos



“Veia” (1) querida, abençoe seu filho, enquanto rogo a Deus nos proteja a todos. É verdade por dentro do coração.

Creio que ainda não havia encontrado uma noite de Natal com a sua companhia, na alegria iluminada de preces e lágrimas, quanto a de hoje.

Creia, Dona Augustinha, que o Livro da Vida é feito de páginas vivas, que às vezes nos sangram o coração. Mas não apenas pelas impressões de interpretação difícil do sofrimento que observamos nos outros, mas sobretudo de alegria indefinível ante o mergulho de nosso entendimento nas Leis de Deus.

Agora, vejo melhor. A dor é uma oportunidade. A luta da Terra é um desafio à nossa capacidade de compreender e auxiliar.

Hoje, tivemos uma noite da Família Maior. Em cada criatura que visitamos, vi a imagem dos nossos entes queridos. Estranho pensar que precisamos, por vezes, de perder o espólio das células físicas para enxergarmos a realidade.

Por aí, a gente promete, promete e promete, mas raramente não se adia a execução dos votos formulados. Não sei realmente se teria penetrado a beleza do Natal, se estivesse aí vestindo a farda do corpo denso.

Talvez que numa hora desta, com certeza falaria em Natal, distanciadamente, qual se Jesus houvesse sido no mundo um nome raro ou um grande artista da bondade que nos bastaria admirar.

Entretanto, “Veia” querida, meus companheiros de festa, hoje, em sua companhia, foram meu pai Gastão, foi o amigo Oscar, o meu avô Manoel e o meu tio Labieno, sem falar do nosso caro amigo Alvicto (2) e outros muitos que partilhamos a visitação fraterna, em nome do Eterno Amigo.

O nome de Jesus soou nesta noite para seu filho com novo sentido. O nome santo que eu nem sempre soube entender, demonstrava o pranto de alegria dos enfermos algemados aos catres de purgação, significava a expectativa de tantas crianças que fitavam o pão como quem encontra um tesouro; expressava a esperança das mães agoniadas de dor com a perda de filhos queridos, e me obrigava a refletir que as provações alheias são talvez sempre mais complicadas e mais dolorosas do que as nossas.

E aqui a caravana fazia pausa, a fim de ouvir os irmãos “do avesso” — o lado em que nos encontramos —, a região dos que perderam o corpo e ainda não conseguiram desvincular os pensamentos, desarraigando-os da Terra ou das situações obscuras da Terra.

Não sei aclarar pra vocês o que se passa com a gente, por aqui. Um nó na garganta parece atar as ideias na cabeça e liberar as lágrimas no coração. O cérebro se prende ao dever de meditar sobre nós mesmos, e a alma chora de júbilo pela possibilidade de se redescobrir.

Recebi tanto de você e doei tão pouco, mas tão pouco em se referindo a mim mesmo: Tive um pai maravilhoso, e em você o anjo maternal que me guiava sem que eu quisesse aceitar de todo o caminho que a sua ternura me indicava, um irmão amigo em nosso Eduardo, irmãs queridas em Márcia e Ângela, (3) e outros irmãos devotados no Mário Lúcio e no Luiz Antônio. (4)

Tive o tio Wilson a me obter trabalho e a tia Gilca, (5) que é sempre um retrato de sua bondade maternal —, entretanto, penso no que poderia ter feito e não fiz. Você dirá que não é assim, que fui um modelo no seu figurino de virtudes, e compreendo que toda mãe é assim mesmo — “um anjo de Deus velando sobre nós”. 

Mas por dentro de mim, vou recolhendo instruções para uma iniciação que me conduza a uma Vida Superior. Digo assim, porque agora percebo que a paisagem externa é o nosso próprio reflexo.

Somos o que sentimos, vivemos naquilo que pensamos, e criamos naquilo que estejamos fazendo. Uma página humana ao vivo, vale por muitas lições lidas.

Peça, querida mãe, a Deus por seu Henrique. Desejo melhorar-me, compreender e fazer alguma luz nas sombras de minh'alma. Os exemplos de serenidade e paz dos corações humildes são luzes que nos descobrem perante nós mesmos.

Até confrontarmos as nossas provas com as dificuldades dos outros, as escamas do egoísmo nos recobrem a visão, e caminhar para diante escalando as pedreiras do progresso espiritual é muito difícil para os destreinados, qual ainda sou, distanciado que vivi das telas de angústia silenciosa de tantos que sabem aceitar a dor por instrutora íntima de nossas experiências.

Agradeço o Natal que o seu carinho me deu, e embora me reconheça de mãos vazias, ofereço a você a renovação de minhas promessas de rapaz, no sentido de seguir cada vez mais integrado no ritmo de seus passos, no anseio de elevar-me aos cimos do bem. 

Não há pretensão nos meus anseios, porquanto confesso com os meus desejos a incapacidade espiritual em que ainda me encontro para a identificação mais ampla dos ensinamentos do Cristo. 

Deus acumule as suas reservas de abnegação e paciência no caminho em que jornadeamos juntos, de vez que nos achamos escorados em seu carinho e em seu trabalho.

“Veia”, você tem razão como sempre. Necessitamos aprender a servir com intensidade constante e crescente. Não importa que alguém nos considere birutados pela fé religiosa. É preciso esquecer essas jogadas dos que brincam de viver e sacar a Verdade de nós, por nós mesmos.

Silêncio para qualquer apontamento irônico. Os que adoram indiferença ou sarcasmo, voltarão um dia ao rumo certo. 

E quem avança na estrada, não dispõe de tempo a fim de passar recibo em ofensas, ou retirar sarrafos que se nos atirem. 

O próximo é a ponte ou o viaduto, em que nos aproximamos cada vez mais de Deus, quando seguimos adiante, procurando auxiliar e esquecer.

Mãe querida, muito obrigado. É tudo o que lhe posso dizer. Agradeço a você não ficar parada em casa, cozinhando lembranças amargas. Estamos juntos e caminharemos unidos para a frente. Você, “Veia”, está me apontando a senda verdadeira para o reencontro com a Família Maior, em que todos nós integramos.

Nosso Alvicto abraça a nossa irmã Lélia, e pede-lhe prosseguir na humildade e no silêncio de mãe, em que ela vem conhecendo sob novos prismas. Ele declara que a filha Simone, tanto quanto o Luiz e o Antenorzinho, (6) estão sempre em seus braços de trabalhador — braços de vigilância e carinho com que nosso amigo continua velando pelo campo doméstico. Ninguém consegue desinteressar-se do mundo, no que se reporte ao mundo daqueles que lhe são amados. Estamos todos magneticamente interligados uns com os outros, na marcha.

Dia a dia, a melhora vai pintando em nós um novo quadro de compreensão humana. Por isso é que peço a você muita serenidade e confiança em Deus e na vida.

Enquanto a porteira estiver fechada do lado de cá, isso é sinal de que o seu menino Henrique não pode abri-la. E isso acontece, “Veia”, porque as Leis de Deus querem você ainda por aí nas tarefas do auxílio.

É preciso fazermos força e aceitar a luta que se nos oferece. A evolução é vagarosa.

A cabeça não dá para conter todos os ensinamentos da vida, de uma só vez, e nem o coração é caixa forte, tão forte, que consiga guardar todas as emoções de que necessitamos para a promoção.

Hoje é um contratempo, amanhã uma desilusão, depois de amanhã é uma prova maior contendo novas exortações, e a gente vai indo…

De quando em quando, um companheiro tropeça ou cai ribanceira abaixo, mas a equipe estaca, na medida possível, e presta socorro indispensável ao companheiro em problemas de omissão.

De qualquer modo, regozijemo-nos. Regozijemo-nos porque um Natal diferente está acontecendo em nós.

Amigos diversos se reúnem agora conosco. Um deles, o nosso caro Júnior, (7) solicita seja você a intérprete do carinho e das lembranças dele à família. Sem dúvida, comunicou-se atarantado, qual nos ocorre muitas vezes, e deu a impressão de que usou cerimônia e algum desinteresse para com os parentes.

Mas não é fácil escrever pela mediunidade, ao redor de muita gente. Se nos internamos em ternura, mesmo autêntica, para com os nossos entes amados, fornecemos a impressão de Espíritos agarrados às convenções humanas, e se evidenciamos algum equilíbrio, exportamos a ideia de que andamos por aqui desmemoriados ou indiferentes.

Mas não é bem assim. Quando nos expressamos na mediunidade pelas primeiras vezes, parecemo-nos com os estreantes de palco. Muitas vezes, esquecemos o papel a representar, e fica a impressão de que estamos distantes daquilo que é mais nosso.

Sigamos, porém, para a frente, contando as bênçãos, e a soma das bênçãos excederá de muito a conta dos nossos supostos lapsos de atenção.

A vida é um cântico de amor, e não existem notas dissonantes suscetíveis de desfigurá-lo. Amar-nos-emos sempre, e amar-nos-emos cada vez mais.

“Veia” querida, por meu pai Gastão e por todos os nossos, deixamos aqui, a você, os nossos votos de Feliz Natal e Feliz Ano Novo, entendendo sempre que a nossa felicidade real se inicia do ponto em que começamos a trabalhar em favor dos outros.

Terminando, peço a você dizer ao tio Wilson que o tio Jorginho (8) tem visitado a todos os nossos, e que vem se promovendo cada vez mais no serviço ao próximo — escola em que nem todos aceitam com facilidade, onde estamos.

A todos os nossos aquele plá do Natal, carregado com as diferenças que estou registrando; aceitar Jesus mais e permanecer menos conosco, de vez que só Jesus nos arranca de nossos pensamentos inferiores.

Muita alegria e paz a todos, e para você, querida Dona Augustinha, o coração de seu filho na forma de uma estrela de esperança, a esperança de merecer o seu carinho e prosseguir aprendendo com os seus passos.

Muitos beijos em sua fronte querida, com todo o carinho e gratidão de seu filho, sempre cada vez mais seu,


Henrique





ALEGRIA ILUMINADA DE PRECES E LÁGRIMAS

Remetendo o leitor à obra Enxugando Lágrimas, n onde comparece Henrique e existem dados biográficos mais extensos sobre o jovem Autor Espiritual, limitemo-nos, aqui, aos elementos indispensáveis para o estudo do capítulo a que denominamos “Somos o que sentimos”.

Filho de Gastão Henrique Gregoris e de D. Augusta Soares Gregoris, nasceu Henrique Emmanuel Gregoris em Goiânia, a 7 de julho de 1952, aí desencarnando a 10 de fevereiro de 1976, em consequência de acidente com arma de fogo.

O amigo com quem Henrique se encontrava, no local da ocorrência, foi, meses depois, absolvido pela Justiça.

A família Gregoris, não concordando com semelhante determinação, apelou à Instância Superior, mas, para surpresa de todos, o médium Chico Xavier, dois dias depois, em Goiânia, pessoalmente, transmitiu o recado do Espírito de Henrique, solicitando à D. Augustinha que perdoasse o amigo.

E assim foi feito.

(1) — “Veia “: Henrique prossegue usando o tratamento carinhoso, ao se dirigir à sua genitora.

(2) — Pai Gastão, amigo Oscar, avô Manoel, tio Labieno e amigo Alvicto: Sobre os nomes citados — Gastão Henrique Gregoris; Oscar Masaaki Tsuruda; Manoel Soares; Labieno Soares e Alvicto Osoris Nogueira — Cf. Enxugando Lágrimas, págs. 63-68 e 94-136.

(3) — Eduardo, Márcia e Ângela: Irmãos de Henrique.

(4) — Mário Lúcio e Luiz Antônio: Cunhados do comunicante.

(5) — Tio Wilson e tia Gilca: Trata-se do Sr. Wilson e D. Gilca Fidalgo, residentes em Brasília, D.F.

(6) — Lélia, Simone, Luiz e Antenorzinho: Familiares do Espírito de Alvicto, residentes e muito estimados em Goiânia.

(7) — Júnior: O Espírito se refere a Juarez Távora de Azeredo Coutinho Júnior, filho do Sr. Juarez Távora de Azeredo Coutinho e de D. Glória Coutinho, desencarnado em acidente, a 15 de dezembro de 1976.

(8) — Jorginho: Alusão ao filho do Sr. Jorge Fidalgo e de D. Maria Fidalgo, desencarnado, há alguns anos, em Brasília, DF., vítima de acidente.

A mensagem de Henrique, psicografada pelo médium Xavier, em sua residência, na noite de Natal — 24 de dezembro de 1977, em Uberaba, Minas, com efeito, dá-nos o que pensar.

Observemos, apenas, os seguintes passos:

a) “Somos o que sentimos, vivemos naquilo que pensamos, e criamos naquilo que estejamos fazendo. Uma página humana ao vivo, vale por muitas lições lidas.” Quando as criaturas humanas compreenderem a realidade desta passagem, a nosso ver, a Terra já terá passado à condição de Mundo de Regeneração. Que todos nós, sem perda de tempo, principalmente os que lavram o campo da paternidade e da maternidade, nos conscientizemos de semelhante verdade, a fim de que possamos colaborar para que a Terra, quanto antes, conclua o seu abençoado estágio de Mundo de Expiações e Provas.

b) Sobre o egoísmo, cujas escamas nos recobrem a visão, consultemos os n.os 913 a 917 de O Livro dos Espíritos, e o nº 11 do Cap. XI de O Evangelho segundo o Espiritismo, ambos de Allan Kardec.

c) “Necessitamos aprender a servir com intensidade constante e crescente. Não importa que alguém nos considere birutados pela fé religiosa. É preciso esquecer essas jogadas dos que brincam de viver e sacar a Verdade de nós, por nós mesmos.” — Quantos há que se afastam das atividades religiosas, com medo de que alguém os tenha à conta de fracos? Lembremo-nos, a propósito, das palavras do Codificador do Espiritismo, ao final da questão nº 148 de O Livro dos Espíritos, quando nos recorda que se a nossa sociedade fosse fundada sobre o materialismo, “os seus membros se despedaçariam entre si, como animais ferozes.”

d) Depois de nos recomendar “silêncio para qualquer apontamento irônico”, — e de nos mostrar que a evolução é longa, e de que é preciso fazermos força e aceitar a luta que se nos oferece, arremata Henrique:

“De qualquer modo, regozijemo-nos. Regozijemo-nos porque um Natal diferente está acontecendo em nós.”