Mostrando postagens com marcador Enxugando Lágrimas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Enxugando Lágrimas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Henrique - Livro Enxugando Lágrimas - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 13 - De volta do “Berçário Novo”




Henrique - Livro Enxugando Lágrimas - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 13


De volta do “Berçário Novo”


Mãe, abençoe seu filho. Sou eu mesmo, de volta.

Prometi pintar por aqui sempre que o pano fosse descoberto para a estrada, e venho desejar ao seu coração querido a paz que vem do Alto. Pano descoberto recorda os meninos de circo de que o pai falava em outros tempos. 

O que há, “Veia”, (1) é que não me sinto com matrícula neste colégio das mensagens. Falha o merecimento, mas estou na sua, de irmã dos que sofrem. Não por mim, o acesso a que me refiro, mas pela remuneração à professora que é você. Agradeço por tudo.

Nosso ambiente está mais sereno, como seu Henrique desejava. A princípio, aquele tumulto quase me enlouquecia, porque, por aqui também se perde o equilíbrio. Não seria paúra, mas uma espécie de chuva magnética dos raios mentais que me eram atirados. Foi assim e não foi assim. Henrique estava daquele modo e não estava. Que teria acontecido por trás das portas? 

E o negócio era esse aí. Barulho e perturbação. Movimento inútil de ondas que pareciam sempre longe da crista. E a ventania esquisita de forças me envolvia de todo, como se estivesse perdido numa estrada perdida, escutando seus chamados e vendo as suas lágrimas, na condição das pessoas que enxergam outras, quando algum relâmpago rompe as trevas. (2)

Depois… a tranquilidade. A tranquilidade que você me deu e pediu a todos os nossos, para mim. “Veia”, é isso. Não deixe a cabeça esquentar. 

Existe um Poder sobre nós que nos socorre sempre mais depressa quanto mais depressa se manifeste a nossa aceitação e a nossa paciência. Afinal de contas, a morte, como pessoa que ninguém deseja na Terra, caminha nas estradas do mundo todos os dias. (3)

Aquilo que me sucedeu, devia suceder. Uns chegam à experiência física para tempo curto; outros dobram as fieiras dos dias e varam um século. 

Hoje, compreendo. A idade por si não vale, porque deste lado vale apenas aquilo de bom que colocamos no rio do tempo. Cada dia é momento de se entregar algo de melhor à embarcação das horas. (4)

Por isso mesmo, deixar o corpo cansado ou vigoroso, bonito ou feio é cousa somenos. Estamos juntos. Agora é a ocasião de pegar em seus instrumentos de fé e caridade, e seu filho vem fazendo o possível para atender às novas obrigações. Fazer o bem aos outros é o melhor investimento nas menores atividades do campo empresarial.

A gente por aí lutando com tanto empenho por alguns mangos na poupança, e aqui reconhecemos que se perdeu muito tempo nisso, quando poderíamos acumular outras espécies de benefícios. (5)

Câmbio estranho o câmbio de Deus. De um lado, ele sugere ganhar e de outro indica o servir para ganhar com razão. Mas, toca prá lá. Isso é com a filosofia.

Estou aqui em nosso recado para dizer que temos recebido os seus votos de paz e de encorajamento.

Um neto, “Veia” querida, é um tesouro. A chegada do Luiz Henrique (muito obrigado pela lembrança de meu pobre nome) foi para nós todos, mesmo aqui, uma felicidade muito grande. Pedimos a Deus para que o menino cresça até que se faça um gigante de bondade e compreensão, trabalho e progresso. Isso entre parentes, que garantem o corujíssimo na tradição, não é desejar de mais. (6)

Agora, a fala da gratidão pelas flores do seu aniversário que as suas mãos nos levaram à terra que nos guardou a roupa em desgaste. Luta-se para não se falar em “cemitério”, em nossos papos daqui, mas a pessoa acaba na referência mesmo sem querer. Inventaremos ainda outra palavra para essa imagem inadequada, como, por exemplo, “Berçário Novo”. Estamos gratos. (7)

Aqui estão comigo o Izídio, (8) o Jurandir, (9) o Guimarães (10) e o Oscar, (11) todos muito reconhecidos às suas preces e às suas pétalas perfumadas. E outra notícia, temos recebido — digo eu, seu filho, — muito auxílio nas orações do nosso querido amigo Nicolau, (12) o “São Nicolau” de nossa casa. “Veia”, é isso que digo. Não nos falta proteção.

Trabalho aqui, temos nós na dose que se deseja. E o trabalho no bem gera sempre mais alegria. Aí, tínhamos nós dois dias de que não me esqueço: o 28 de agosto para chorar o papai e o 8 de outubro para a nossa alegria no bolo de seu natal, bolo que você recusava e que, na verdade, não deixávamos para trás. (13)

Agora, mamãe, não deixe que a luz da alegria esmoreça em nosso grupo. As nuvens passaram. Queremos alegria e paz, porque ninguém aí na Terra esteja na ilusão de escapar. O reencontro é fatal porque a morte é certa. 

Mas não faço o apontamento por nota de menosprezo a ninguém. É só apelação para que você esteja calma e paciente, aguardando o dia diferente dos outros.

Envio muitas lembranças para Eduardo, Márcia e Angela, Mário Lúcio, Luiz Antônio (14) e um beijão aos sobrinhos.

Dona Lélia, receba o nosso respeito e reconhecimento. Nossos amigos Antenor de Amorim e Alvicto Nogueira (15) estão presentes e rogam-lhe confiança no coração de filha e esposa.

Mamãe, eu queria terminar esta carta com um poema, no entanto, ofereço a você aquele nosso do violão. O “Menino da Porteira” (16) fica sendo a canção de seu Henrique para você. Já varei a porteira da vida espiritual, mas continuo sendo o seu menino de sempre. 

Deixe que lhe beije as mãos. Mamãe, você sabe que um beijo de filho saudoso e reconhecido para as mães vem a ser uma estrela. A estrela de seu filho é tão pálida, mas é sua, porque o meu beijo é seu.

“Veia”, fique com Deus e me dê sua bênção. Trouxe flores também, mas com uma diferença — elas são lágrimas de alegria e gratidão a Deus, por ser sempre mais seu. O pai Gastão e o Vovô Manoel (17) estão comigo e deixaram um abraço.

Receba, querida mamãe, o coração inteirinho de seu filho, sempre mais seu por dentro do coração.

Seu sempre


Henrique








FAZER O BEM: O MELHOR INVESTIMENTO

Da segunda carta de Henrique, transmitida através do médium Xavier, a 12 de novembro de 1976, salientemos alguns pontos dos muitos destacáveis que existem ao longo de toda a página.

1 — Dentro da mesma linguagem de que se serviu para a transmissão da primeira mensagem — rica de gírias — e ainda nomeando a genitora por “Veia”, qual o costume que adotava quando encarnado, Henrique nos convida a atenção, de início, para um assunto de suma importância: o do merecimento para se comunicar através da instrumentalidade mediúnica.

No caso, deixa claro, não somente por modéstia de sua parte, mas, talvez, por se tratar da realidade, que o mérito pertence ao coração maternal.

De fato, ao que sabemos, as comunicações são permitidas quando os Benfeitores da Vida Maior verificam que elas reverterão em benefício de várias criaturas, encarnadas ou desencarnadas.

De qualquer modo, Henrique nos alerta para uma questão de muito interesse, dentro das fileiras espíritas, a recordar-nos a recomendação de Allan Kardec: “passar tudo pelo crivo da razão.”

2 — Cessamento de “barulho e perturbação” e chegada da tranquilidade, depois da atitude materna: perdão para o acusado.

3 — “Existe um Poder sobre nós que nos socorre sempre mais depressa quanto mais depressa se manifeste a nossa aceitação e a nossa paciência.”

Afinados com as Forças Superiores da Vida, tudo se nos torna mais fácil para a liquidação justa de todos os problemas. Ou por outras palavras: aceitação e paciência — primeiro passo para que a solução adulta de todos os obstáculos, por mais graves que sejam do ponto de vista humano.

4 — “Aquilo que me sucedeu, devia suceder. Uns chegam à experiência física para tempo curto; outros dobram as fieiras dos dias e varam um século. Hoje, compreendo. A idade por si não vale, porque deste lado vale apenas aquilo de bom que colocamos no rio do tempo. Cada dia é momento de se entregar algo de melhor à embarcação das horas.”

5 — “A gente por aí lutando com tanto empenho por alguns mangos na poupança, e aqui reconhecemos que se perdeu muito tempo nisso, quando poderíamos acumular outras espécies de benefícios.”

Verdade inconcussa, esta que lembra Allan Kardec, no Capítulo XVI de O Evangelho segundo o Espiritismo, e que a maioria de nós outros, os reencarnados, nos recusamos a encarar frente a frente, alegando as conjunturas da sociedade mercantilista, não passando tudo isso de simples racionalização de nossa parte.

6 — “Um neto, “Veia” querida, é um tesouro.”

Refere-se a Luiz Henrique Gregoris Rabelo, nascido a 28 de setembro de 1976.

7 — Novamente a problemática das palavras. Seria bom, sem dúvida, que a expressão “cemitério” fosse substituída pelo sugestivo nome “Berçário Novo”

Tempo virá, com o desenvolvimento da Psicolinguística, que dá seus primeiros passos, em que a Semântica alcançará seu florescimento máximo.

8 — Izídio: Izídio Inácio da Silva, desencarnado a 26 de fevereiro de 1974, com 19 anos de idade, em desastre automobilístico, sobre quem falaremos nos próximos capítulos.

9 — Jurandir: Jurandir Nascimento, desencarnado em acidente, a 23 de maio de 197o, com 20 anos de idade, filho de Gabriel e de D. Santinha Nascimento.

10 — Guimarães: Geraldo Guimarães Rosa, desencarnado a 25 de outubro de 1974, em consequência de acidente, com 23 anos de idade, filho de Geraldo e D. Guilhermina Rosa.

11 — Oscar: Oscar Masaaki Tsuruda, desencarnado em acidente, a 11 de agosto de 1973, com 24 anos de idade, filho de Aiki e Tamiko Tsuruda.

12 — “Nosso querido amigo Nicolau, o “São Nicolau” de nossa casa”: Trata-se de Nicolau Calixto Hezin, desencarnado a 26 de dezembro de 1975.

Fato admirável que demonstra de modo irretorquível a autenticidade da mensagem, é que os quatro primeiros nomes citados são de amigos íntimos de Henrique, companheiros que cresceram junto dele, e que eram assim chamados, inclusive o de origem nipônica.

13 — As datas citadas — 28 de agosto e 8 de outubro coincidem com a realidade.

Mais um detalhe comprobatório. Aparentemente simples, mas muito importante.

14 — Eduardo, Márcia e Ângela; Mário Lúcio e Luiz Antônio: Cf. os itens 4, 10 e 12 do capítulo anterior.

15 — Dona Lélia, Antenor de Amorim e Alvicto Nogueira: Nossos conhecidos de capítulos anteriores e grandes amigos da família de Henrique.

16 — “O ‘Menino da Porteira’ fica sendo a canção de seu Henrique para você.”

O “Menino da Porteira”, de Teddy Vieira e Luisinho (YouTube), com efeito, segundo a genitora do comunicante, era a toada que Henrique e Eduardo tocavam no violão e cantavam acompanhados pelo carinho materno. Detalhe, a nosso ver, igualmente dos mais preciosos também.

17 — Pai Gastão e Vovô Manoel: Nossos conhecidos de capítulos anteriores, Gastão, Henrique Gregoris e Manoel Soares, sendo este último, o avô materno, seguidor da tarefa abençoada de Eurípedes Barsanulfo, em Sacramento, Minas Gerais, e desencarnado a 19 de janeiro de 1937, como já tivemos ocasião de ver, páginas atrás.

Agradeçamos ao Criador e ao Divino Mestre pela bênção da Mediunidade Espírita-cristã, rogando de igual modo a bênção da saúde e da alegria para o médium Xavier, pelo seu Meio Século de Mediunidade com Jesus e Kardec, marcado em 8 de julho de 1977.


Elias Barbosa






domingo, 14 de março de 2021

Antenor - Livro Enxugando Lágrimas - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 9 - Rememorando os dias terrestres




Antenor - Livro Enxugando Lágrimas - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 9


Rememorando os dias terrestres


Querida Lélia, minha querida filha. Deus nos ampare sempre.

Não sei porque seria eu quem devesse escrever nesta manhã de paz e luz. Talvez isso ocorra por haver demonstrado o desejo imenso e ardente de falar a você, na condição de pai.

Confesso. Chorei na oração, suplicando esta hora; entretanto, diante deste momento, quis recuar.

Vejo tantos corações na doce expectativa de recolher a palavra da Espiritualidade que, sinceramente, me envergonho de usufruir a dádiva de conversar com o seu coração filial.

Ainda assim, querida filha, escuto a leitura de hoje e observo que o texto encerra o clarão da misericórdia, e o Natal, minha filha, é compaixão divina.

Sou o irmão acolhido pelo amor de todos os que se reúnem aqui, buscando paz e reconforto. Eles me perdoarão se falo, se me imponho a eles, dirigindo-me a você.

Seu pai, no Natal, será um amigo que volta de longe, pelos caminhos do tempo… Revejo os dias primeiros de nossa experiência no lar, e penso que tantos pais e mães aqui enlaçados espiritualmente conosco se reconhecerão qual me vejo, entre agradecimentos e lágrimas.

Regressamos todos daquelas paredes abençoadas do princípio em que nos identificamos reunidos na Terra, à feição de pássaros em abençoado ninho de amor.

Nossos amigos que me recebem com tanto carinho nestes dois lados da experiência em que nos reconhecemos aqui, também se sentirão emocionados quanto nós mesmos, em nossas lembranças dos dias que se foram no espaço, e que permanecem conosco no templo da memória pelo milagre do amor que nunca desaparece.

Feliz Natal a todos!

Digamos isso, querida Lélia, nós dois juntos. Nossas palavras são a mensagem de nosso reconhecimento. E de minha parte, guarde, querida filha, toda a gratidão de seu pai, hoje, companheiro e irmão, numa Vida Maior.

Agradeço a você o carinho com que escorou a transferência de nossa querida Nayá para o clima de seu coração.

Sua mãe é mais que uma benfeitora para nós. É uma estrela, cuja luz devemos acalentar neste mundo, juntamente a vocês, tanto quanto se nos faça possível.

Não preciso dizer dos sacrifícios que lhe marcaram a vida. Baste-nos, filha, rememorar os dias terrestres, em que me via por vezes tão distante espiritualmente do lar, sem perceber que fazia isso. Baste-nos recordar aquela abnegação com que procurava nossa querida Nayá substituir-me.

Hoje tenho você em meu próprio lugar a fim de resguardá-la no caminho que nos merece. Diga-lhe, filha querida, que nós estamos juntos, que a vida nos reuniu para sempre e que o tempo e a morte não existem onde o amor se eleva por luz incessantemente acalentada no coração. Não nos perdemos uns dos outros. Continuo ao pé de todos os corações queridos.

Nosso Leônidas é objeto de minha atenção constante e cada uma de vocês, as filhas abençoadas, é um laço de amor a reter-me nas vizinhanças da Terra.

Nesse sentido, posso dizer a você que o mesmo sucede ao nosso Alvicto. A desencarnação não lhe alterou os sentimentos de esposo e pai. Vela pelos filhos e por você, e preocupa-se pela felicidade de nossa querida Simone com o mesmo carinho com que me entrego ao trabalho pela felicidade de nossa Lelé. Cito-a em particular porquanto, de todas vocês, ela é a filha que, presentemente, mais luta e problemas encontra para afirmar-se no próprio reajustamento.

Caminharemos, Lélia, sempre mais juntos. Agradeço as tarefas que você me proporciona ao lado de nossos irmão, considerados velhinhos em nossa mansão de paz.

Recebo os seus pensamentos e lembranças, quando você imagina ver-me e ver o nosso Alvicto em nossos irmãos, por vezes, mais abatidos e mais doentes.

Querida Lélia, continue; a felicidade vem à nossa vida por ação reflexa, porque é a felicidade que criamos para os outros que se transforma em nossa alegria.

Você não será desamparada em seus ideais e nunca estará sozinha. Aqueles amigos e irmãos de nossas preces e de nossos cuidados são também nossos filhos.

Enterneço-me ao verificar que em suas mãos permanece hoje o serviço que sempre desejei, depois de voltar para a morada em que todos nos reuniremos um dia.

Seja o nosso esforço singelo, aquele esforço de quem procura um Natal permanente.

Não permita que tristeza ou desânimo se lhes insinuem no coração. A Vida é bela — é caminho de luz para uma vida melhor e maior. Abençoe os obstáculos, as dificuldades, os problemas, as lutas…

Amando e servindo, venceremos, vencendo a nós mesmos de modo a nos integrarmos, uns aos outros, em Cristo.

Um dia, minha querida filha, você e a nossa Nayá com todos os nossos entes amados, reconheceremos juntos que só o bem — o bem aos outros — se nos fará sempre a verdadeira fortuna.

Quanto desejaria falar ainda mais, entretanto, quando as lágrimas querem tomar a posição das palavras, as palavras desfalecem na mente.

Receba, filha querida, o coração de seu pai, neste Natal de bênçãos. Não é o coração que desejava oferecer como sendo o relicário de lembranças queridas, pois sei que nem sempre lhe deixei motivos para reminiscências de paz e luz, no entanto, ainda é o coração de um pai que ama sempre.

Nossa irmã Luzía Seabra recomenda-me pedir a sua intervenção amiga junto da filha, nossa estimada Maria, que lhe vem recebendo toda a assistência materna. Rogue a nossa Maria coragem e fé. Com a bênção do trabalho a que se dedica, em nosso campo evangélico a favor dos necessitados, nossa querida irmã vencerá.

Querida Lélia, conduza a nossa Nayá e a todos os nossos os meus melhores pensamentos, e guarde em suas preces o coração reconhecido do papai reconhecido de sempre,


Antenor








quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Antenor - Livro Enxugando Lágrimas - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 6 - Jesus não é um mestre morto




Antenor - Livro Enxugando Lágrimas - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 6


Jesus não é um mestre morto


Minha querida Nayá, minha querida Lélia, rogo a Deus nos abençoe.

A oração é assim como um passo de tranquilidade e refazimento no caminho. Esse caminho — o da vida na Terra — é por vezes queimado a fogo de provação e, de outras, enregelado de lágrimas. Oremos, sim. Aprendi também isso. 

A estrada é longa, alcança regiões difíceis — tão difíceis que outra alternativa não encontramos senão a de nos devotarmos à prece, recorrendo à Bondade Infinita de Deus.

Venho, Nayá, rogar a você muita coragem à frente da luta em que a Vontade Sábia do Senhor nos colocou. Acompanho sua abnegação por nossa Lelé e espero em Jesus que ela se refaça. Você e Lélia sabem. 

Foram anos e anos de condicionamento espiritual. Ela amou profundamente a missão esposada. Viveu-a. Agora para desfazer-se de todas as responsabilidades assim, de momento para outro, seria preciso um arrojo sobre-humano, impossível na Terra. 

Ajudemos a filhinha com entendimento e serenidade. Ela não está desvalida à frente dos tutores espirituais que a protegem da vida mais alta. 

Há perseguição no mundo, mas existe amor no Céu, amor bastante para envolver até mesmo os que tentam conturbar as Obras da Bondade de Deus. 

Que ela avance para a frente, sem ressentimentos no coração. Jesus não é um mestre morto e a cruz abraçada por Ele ainda é para nós todos uma luz que jamais deve esmorecer.

A pouco e pouco, a nossa filhinha se readaptará, reconhecerá de mais perto os quadros do mundo de conflitos e provas, tribulações e sofrimentos que sempre foi tão nosso.

Lembre, Nayá, do carinho com que você amparou a mim mesmo, da paciência com que você renovou o coração gradativamente, e não estranhe os obstáculos do momento. Estamos unidos e nossas filhas queridas, tanto quanto o nosso Leônidas, estão conosco. 

Vejo nossa querida Lélia ainda extremamente abatida e rogo a ela não se render às ideias de solidão e desalento. Sei que ela faz o possível para não se entregar… Isso mesmo, filha querida. Lutar pelo bem e confiar em Deus, colocando-nos ao dispor dos Celestes Desígnios.

Nosso Alvicto vai bem, restaurando-se dia a dia. A princípio, o choque, o choque natural da desencarnação de improviso. Mas o tempo, com a Misericórdia de Deus, está funcionando. Em muitas circunstâncias, já tem vindo ver você, minha filha, sustentado ainda, como é justo, pela dedicação dos amigos que o assistem. E regozija-se ao notar-lhe o valor e a conformidade. Viva, sim, e viva para auxiliá-lo cada vez mais.

Os filhos queridos estão na memória dele, tanto quanto você. Nosso Nogueira tinha na família o centro de seus interesses mais altos. 

Pensemos nisso e reconheceremos que a saudade é a felicidade em forma de esperança no rumo da alegria outra vez.

Creia que você recebeu e está recebendo tratamento constante da parte de benfeitores diversos. Suas forças estão sendo refeitas. Às vezes, surpreendo-a indagando a si mesma, no silêncio da prece “Meu Deus, que fazer de minha vida agora?” Não se entristeça, porém, diante da luta. Continuemos. 

Agora, você fará por você e pelo esposo que está em vida transformada, mas não ausente. Esperemos que ele e você juntos, pelos abençoados laços da alma, venham a prosseguir realizando o máximo em favor dos que sofrem.

Querida Lélia, permaneçamos firmes na fé e perseveremos com o bem, para a vitória do bem. 

Tudo, filha, se encadeia na vida, a fim de que a Bondade do Senhor nos dê aquilo de que mais carecemos. 

Recorde o Alvicto com a bênção de sua resignação e de seu otimismo. Ele virá, de novo, guiar suas mãos e orientar os seus pensamentos no trabalho edificante em que os dois sempre estiveram juntos. Será a inspiração de seus passos, tanto quanto, para ele, será você o instrumento para o cultivo da felicidade nova, com o bem por base. 

Você sabe, filha, que a vida só é grande e bela, justa e rica pela alegria que se possa criar em favor dos outros. Você é e será a estrela para a família que Deus lhe confiou, mas é e será sempre uma luz no caminho de quantos enfrentam penúria e perturbação.

Estaremos novamente unidos na beneficência e no ideal de servir, conscientes que somos de que a Seara do Bem é o ponto de nosso reencontro com o Cristo — o Eterno Benfeitor de nossas almas.

Nayá, minha querida Lélia, encerrarei esta carta, porque não posso ser mais extenso, entretanto, o coração está e estará com vocês. Peço a Deus por vocês e vocês orem por mim. Apesar do tempo em que me vi renovado, estou igualmente ainda em abençoada readaptação. Recebam vocês duas, todo o coração e todo o carinho no abraço saudoso do companheiro e pai sempre reconhecido,


Antenor




ESPOSO EM VIDA TRANSFORMADA, MAS NÃO AUSENTE

De início, o Autor Espiritual se refere à oração, assunto a que Allan Kardec dedicou todo o capítulo XXVIII de O Evangelho segundo o Espiritismo. 

Em seguida, referindo-se à filha Lelé com suas lutas (tanto o apelido de Adelaide Siqueira de Amorim quanto o fato de ter sido ela distinta religiosa franciscana durante 32 anos e de cujas atividades se despediu naturalmente contra a sua própria vocação, e encontrando novo ânimo nas leituras espíritas, detalhes desconhecidos do médium), chega a afirmar, peremptório: “Que avance para a frente, sem ressentimentos no coração. Jesus não é um mestre morto e a cruz abraçada por Ele ainda é para nós todos uma luz que jamais deve esmorecer.”

Antenor de Amorim nasceu na cidade de Pirenópolis, Estado de Goiás, a 17 de julho de 1875, e desencarnou no Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, a 26 de março de 1948. Era casado com a Sra. Nayá S. Amorim, deixando os filhos Lélia n casada com Alvicto, desencarnado em desastre automobilístico; Leônidas, que reside, hoje, nos Estados Unidos da América do Norte, e Adelaide (Lelé).

Do princípio ao fim da mensagem, notamos a preocupação do Espírito em consolar a esposa que se transformou em viúva, segundo a terminologia humana, mas que ele mesmo não a considera com tal, já que se refere ao genro desencarnado como sendo o “esposo que está em vida transformada, mas não ausente”.

Preocupa-se, ademais, em consolar a filha que se teria convertido em viúva não fora continuar Alvicto Nogueira vivo, no Mundo Espiritual, recuperando-se do “choque natural da desencarnação de improviso.”

Ao mesmo tempo dá forças à filha que, transferida da vida monástica à vida prática, se entrega às tarefas da Doutrina Espírita; e não se esquece do filho que moureja no Exterior.

Antes de terminar a missiva referta de ensinamentos para todos nós, os reencarnados que lavramos o campo bendito do Espiritismo, Antenor assim se expressa, dirigindo-se à Dona Lélia: “Você sabe, filha, que a vida só é grande e bela, justa e rica pela alegria que se possa criar em favor dos outros.”

Segundo informações da família, o comunicante foi católico, mas simpatizante do Espiritismo. Acompanhava constantemente sua mulher, D. Nayá, espírita convicta, às sessões doutrinárias, onde era muito querido.


Conclusões:

1ª) necessidade da oração, a fim de que possamos trilhar com serenidade o caminho da vida na Terra, por vezes queimado a fogo de provação, e, de outras vezes enregelado de lágrimas;

2ª) cabe-nos viver sem mágoas, quando perseguições e dificuldades surgirem no caminho, certos de que os tutores espirituais nos protegem da vida mais alta;

3ª) não nos rendermos à ideias de desalento, ante as provações necessárias e inadiáveis;

4ª) lembrarmo-nos de que tudo se encadeia na vida, a fim de que a Bondade do Senhor nos dê aquilo de que mais carecemos;

5ª) permanecermos unidos na beneficência e no ideal de servir, conscientes quais somos de que a Seara do Bem é o ponto de nosso reencontro com o Cristo — o Eterno Benfeitor de nossas almas.


Elias Barbosa



segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Gastão - Livro Enxugando Lágrimas - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 11 - O filho tombado em prova




Gastão - Livro Enxugando Lágrimas - Familiares Diversos / Chico Xavier - Cap. 11


O filho tombado em prova


Querida Augusta, minha querida Augustinha, a bênção de Deus nos reconforte.

Cumpro a palavra. Disse a você que me expressaria por nosso amigo, e tento o recado.

O tempo que me distancia do corpo que se desfez, não me habilita a escrever como desejaria.

O trabalho é uma escola incessante para quem deseja prosseguir em caminho melhor e, felizmente, a sua luta abençoada é igualmente minha.

Você sabe que nunca nos separamos. Seus problemas com a família e as suas aflições maternas seguiram meus passos, porque você sempre seguia nos meus. Nossa união não poderia ser diferente.

O amor é uma luz que Deus acende no coração. E onde o amor persiste não há sombra.

Estimaria escrever ao seu carinho em momentos de primavera, como se estivesse a endereçar-lhe uma carta de noivado, falando de meu agradecimento e de minha ternura. Entretanto, quis a lei que formulasse estas linhas com a marca de nossas lágrimas.

Ambos trocamos os corações à frente de Henrique tombado em prova. Pergunta-me você se eu sabia, indaga o seu carinho porque não teria agido no momento certo, barrando o projétil que eliminou a existência jovem do nosso querido rapaz.

Mas posso afirmar a você, querida Augusta, que os nossos encargos continuam aqui sem sermos anjos. Tudo fazemos ao alcance de nossas possibilidades estreitas, para socorrer os entes amados, entretanto conseguimos pouco.

Penso que tudo isso deve ser assim, porque seria um erro furtar nossos filhos à experiência humana, como se nos pertencessem, quando, na essência, pertencemos todos a Deus.

Creia que seu marido fez força. Ainda assim, a lei das provas nos reclamava a tempestade de fevereiro passado. Era preciso enfrentar as dificuldades, sofrer as tribulações e entregar tudo à Providência Divina.

Graças a Jesus, você está fortalecida na fé, e os nossos filhos queridos nos compreendem. Seu pai e até mesmo nosso Eurípedes, com outros amigos, nos sustentaram e nos guardam a segurança espiritual. Estou na sua condição; pai humano com alguns passos apenas na estrada adiante.

Admito que nossos Benfeitores da Espiritualidade Maior tudo sabiam por antecipação, porque fomos, você e eu, amparados de imediato.

Augusta, peço a você coragem. Você que tem ensinado seu Velho a trabalhar, você que suportou quase sozinha, do ponto de vista físico, a luminosa carga de serviço na condução da família que a desencarnação me obrigou a deixar, você que nunca se intimidou com provações e necessidades, continuará sem pausa nas tarefas que são nossas.

Nosso querido Henrique chegou aos nossos braços na condição de quem caiu ao lado da Cruz de Cristo. Não veio com sentimentos de pesar contra ninguém e, se acordou inquieto, foi pensando em você, nas dificuldades que ficariam para o seu coração de mãe.

Agora, somos nós e falo também por ele: — que pedimos a você e Eduardo, Márcia e Ângela, nossos genros-filhos, e nossos familiares tratem o assunto na base da oração. Um grande silêncio pode alimentar uma prece maior.

Augustinha, falei por seus lábios que nosso filho voltava para o Além sem haver ferido a ninguém e isso nos foi uma bênção

Que a paz envolva aos que ficaram, que o amor de Jesus cubra a nós todos, que a Luz do Bem não se apague e que a fé em Deus nos faça sentir que todos somos capazes de errar.

E se hoje, Augustinha, sofremos por resultados de ações que se foram, é que nós também erramos perante as Leis Divinas.

Agradeço o seu depoimento de mãe, inspirado na compreensão que o processo inspira, porquanto os filhos de outros pais e de outras mães são também nossos filhos. Entendimento para nós todos, tranquilidade para nós todos é o que peço a Deus.

Seu pai me auxilia a escrever, mesmo porque receava ferir com qualquer palavra menos adequada nossa confiança de espíritas-cristãos na Bondade Divina, em favor de todos. E quem sabe? Nosso Henrique se fará restaurado. Você terá mais um companheiro nas suas atividades com a bênção de Jesus e eu terei aqui um filho a proporcionar-me aquela luz que nosso querido Henrique sabia distribuir.

O Bem para os outros é saúde e paz para nós. Não se admita enferma e fatigada ao ponto de permanecer unicamente em casa, pensando em sombras que Deus nos ajudará a transformar em luzes novas.

Não queira vir mais depressa ao nosso encontro. Esperemos o tempo, trabalhando. Um dia você e nós estaremos mais juntos e digo mais porque juntos sempre estivemos.

Agradeçamos as lágrimas abençoadas que lavam nossos corações por dentro. Elas nos ensinam a visão espiritual a fim de seguirmos adiante em rumo certo.

Agradeço as amigas de Goiânia que trouxeram a sua presença em nosso encontro. Amigos daqui também me amparam.

Saiba que a sua fortaleza é a base de minha fé, que o seu devotamento é o meu clima de segurança, que as suas esperanças, me fazem os melhores estímulos para a vida espiritual e que os seus exemplos no trabalho são ainda a melhor escola em que vou formando um novo destino para o nosso Amanhã Melhor.

Perdoe se escrevo assim, misturando alegria e dor, dificuldade de compreender e aspiração no sentido de melhorar-me.

Sou ainda um esposo humano e um pai que, ao seu lado, viveu sempre na certeza de que nossos filhos são tesouros de Deus em nossas mãos.

Auxilie-me para que eu possa ser útil nas tarefas em que a vida nos situa.

E colocando meu coração como sempre em seu carinho, receba tudo o que posso ser de melhor, e toda a minha esperança de melhorar sempre, com todo o amor e reconhecimento do seu, sempre seu,


Gastão



Dados biográficos:

Nasceu Gastão Henrique Gregoris a 1° de março de 1928, em Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, filho de Eduardo Gregoris e de Ana Silva Souza Gregoris.

Nessa cidade, passou toda a sua infância, transferindo-se na adolescência para Goiânia, a convite de um tio, Alfredo Feresin, que lhe conseguiu colocação na Empresa Goiana de Cinemas, onde permaneceu por alguns anos.

Casou-se aos 21 anos de idade com Augusta Soares Gregoris, filha de Manoel Soares e Augusta de Oliveira Soares, natural de Sacramento, Estado de Minas Gerais.

Tiveram quatro filhos: Márcia, Henrique Emanuel, Ângela e Eduardo.

Gastão continuou seus estudos depois de casado, formando-se em Contabilidade, na Escola Técnica de Comércio de Campinas, bairro de Goiânia, em 1960.

Fundou com seu pai e irmão a casa comercial, “Móveis Tupy”, da qual era Diretor-gerente.

No dia 28 de agosto de 1964, a convite de amigos, saiu para uma pescaria no Rio Meia Ponte, em Goiânia, onde desencarnou, vítima de afogamento.

Foi professor na Escola em que se diplomara com louvor, sendo considerado na época, pelo seu Diretor, Professor Rubens Carneiro, o melhor aluno desde a fundação, dez anos antes.

Seus alunos o estimavam e respeitavam, com imenso apreço. Espírita praticante, empenhava-se com sinceridade na prática da Doutrina.

Junto da esposa, durante alguns anos, foi responsável pela “Obra do Berço” (enxovais para recém-nascidos), na Irradiação Espírita Cristã, na capital do Estado de Goiás.

Também ali, participava das reuniões evangélicas e do trabalho de orientação mantido pelo Benfeitor Espiritual Bezerra de Menezes, juntamente com seu grande amigo, Dr. Oswaldo Godoy, que continua na obra de dedicação e bondade, em auxílio ao próximo.

Gastão desencarnou aos 36 anos de idade.

Tinha adoração pelos filhos, e, em suas preces diárias, pedia de início: “— Senhor, abençoa meus filhos.”