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domingo, 30 de março de 2025

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 12 - Da Perfeição Moral - Paixões - Questão 912 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 12 - Da Perfeição Moral


Paixões 


912. Qual o meio mais eficiente de combater-se o predomínio da natureza corpórea?

“Praticar a abnegação.”


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez
Questão 912 comentada


O melhor meio de combater o predomínio da natureza corpórea é praticar o altruísmo em todas as circunstâncias. Quando o Espírito desce à carne, ele sofre a influência do corpo. Quanto mais inferior, mais se encontra preso às paixões. O método mais eficaz desse combate é a renúncia nos aspectos elevados que o Evangelho nos ensina.

Quando te forem dados os bens terrenos, compreende a necessidade da renúncia, de modo a ajudar teus irmãos. Se te vires na condição de político, lembra-te do desapego e combate o orgulho que sempre se encontra presente na vida humana. Quando o saber ganhar lugar de destaque na tua vida, esquece a lisonja e parte para a humildade, sem esqueceres de instruir os outros, sem interesse nos bens materiais. Sê generoso em todos os teus caminhos. Nunca deixes as paixões predominarem sobre teus sentimentos. Eles devem ser livres do egoísmo, avançando em valores morais, de modo que encontres em todos os meios amigos e irmãos que recebem e doam; que vivem e fazem viver; que amam e ofertam amor. Sê abnegado em todos os teus trabalhos, abandonando o interesse próprio e vivendo a lei de amor e de justiça.

Analisemos o que anotou Mateus, no capitulo seis, versículo trinta e um, nesta referência evangélica:

Portanto não vos inquieteis, dizendo:

Que comeremos? Que beberemos? ou: com que nos vestiremos?

Não precisamos duvidar de Deus; Ele cuida de todas as nossas necessidades materiais e espirituais; basta que O busquemos e batamos à Sua porta, que Ele nos atenderá nas nossas necessidades. Quando duvidamos de Deus, criamos barreiras nos nossos caminhos, dificultando as dádivas.

O Espírito é quem comanda a matéria, e não a matéria que comanda o Espírito. Compete a nós outros trabalhar como almas abnegadas, construindo nosso paraíso, abandonando as inferioridades, atingindo a vida livre e conhecendo a verdade. Aquele que pratica a abnegação aumenta seus valores espirituais e é capaz de sentir Deus comandando a sua consciência e o pulsar de Jesus no coração. Por que perder a confiança no Criador, por que não acreditar nas próprias forças?

Levanta-te da tua cama todos os dias alimentando a vontade de tudo fazer certo, de tudo compreender certo, e de amar a tudo, que a retidão de vida aparecerá na tua vida, mostrando-te a paz e a felicidade. A Doutrina dos Espíritos, sendo Jesus voltando ao mundo, é capaz de te guiar para a estabilidade de consciência e o domínio dos sentimentos.

A isenção de inferioridades é nota divina na vida do Espírito. Pensa em ti mesmo e vê o que deves fazer de melhor para a tua paz, que deste modo, estarás ajudando aos outros. Serve e continua servindo, que a natureza te servirá sempre. Plantando sementes de caridade, colherás frutos de amor.


Miramez 




Livro Filosofia Espírita Vol. 18 - João Nunes Maia
Cap. 45 - Predomíneo da natureza corpórea





Fonte: Filosofia Espírita Vol. 18-pdf; Kardecpedia

sábado, 15 de março de 2025

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 12 - Da perfeição moral - As virtudes e os vícios - Questão 905 (Miramez)



 Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 12 - Da perfeição moral


As virtudes e os vícios 


905. Alguns autores hão publicado belíssimas obras de grande moral, que auxiliam o progresso da Humanidade, das quais, porém, nenhum proveito tiraram eles. Ser-lhes-á levado em conta, como Espíritos, o bem a que suas obras hajam dado lugar?

“A moral sem as ações é o mesmo que a semente sem o trabalho. De que vos serve a semente, se não a fazeis dar frutos que vos alimentem? Grave é a culpa desses homens, porque dispunham de inteligência para compreender. Não praticando as máximas que ofereciam aos outros, renunciaram a colher-lhes os frutos.”


Allan Kardec




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez
Questão 905 comentada


O homem que escreve tem grandes responsabilidades com o que fala aos outros, principalmente se não passar a viver o que escreve. A vivência é o selo que mostra o maior entendimento do que escreve e fala.

O escritor, de certa maneira, é um pastor de ovelhas, capaz de educá-las e instruí-las sobre as leis da vida. A moral sem as ações não dá segurança a quem ouve ou lê. Como ensinar o bom caminho, se trilhamos pelo caminho do mal? As ovelhas certamente nos acompanham, não pela voz somente, mas pelo trilho por que passamos. Grave é a culpa desses homens que dirigem as ovelhas para caminhos que não escolheram para si. Entretanto, o tempo irá lhes ensinar em outras vidas, o que devem fazer.

A semente que lançamos ao solo deve dar frutos, e o exemplo de vida corresponde à boa semente que lançamos ao solo das mentes que nos ouvem e nos seguem. Somente o tempo, as provas e expiações são professores altamente capacitados para nos mostrar como educar, aprendendo melhor.

O Espiritismo com Jesus Cristo é uma universidade benfeitora, capaz de consolar e instruir, educando todos os povos na seqüência de vidas múltiplas, as quais chamamos de reencarnações. É no vestir vários corpos, tantos quanto forem necessários, que as almas despertarão todas as qualidades divinas de que o coração é depositário e a consciência vigilante.

Devemos ensinar vivendo a lição, para que ela se fixe mais no centro das vidas que nos acompanham. A vida tem regras, que as leis de Deus expressam, mostrando a todas as criaturas que são lições de Deus para a paz e o conforto de todos os Espíritos.

Muitos autores publicaram livros e mais livros de alta moral evangélica, mas se esqueceram da vivência desses preceitos. Eles irão, ou melhor, já estão, sofrendo as conseqüências, para depois aprenderem na forja da dor que a teoria sem a prática desmerece a caridade e pressiona a consciência. Dentro da alma existe um tribunal organizado por Deus, para julgar todos os nossos atos. Moral sem ação é enfermidade sem tratamento.

A Doutrina dos Espíritos é Jesus a nos falar, e devemos dar ouvidos a essa volta do Mestre, porque não ouvindo ao Senhor, notadamente não ouviremos a Deus. Escutemos as palavras do Mestre, registradas por Lucas, no capítulo dez, versículo dezesseis, onde podemos compreender como ensinar aos outros:

Quem vos der ouvidos, ouve-me a mim; e, quem vos rejeitar, a mim me rejeita; quem porém, me rejeitar, rejeita àquele que me enviou.

Estamos na hora de aproveitar o chamado do Senhor, compreendendo a vida e manifestando amor em tudo, para que Deus veja o nosso amor maior para com Ele. Podemos rejeitar a Deus e a Cristo, mas Eles não nos desprezam, dando-nos oportunidades de compreendê-los pela dor e pelos infortúnios.

O homem moralizado é igualmente o homem instruído, que serve de luz, iluminando os caminhos dos outros, ou despertando os companheiros que dormem. Estaremos prontos com Jesus, para ajudarmos o progresso da humanidade, usando todos os meios lícitos para tal desempenho. O código de moralização universal tem o emblema de Jesus, porque somente com Ele podemos nos tornar livres da ignorância, conquistando a nós mesmos e abrindo caminhos para a luz de Deus no coração.


Miramez 



Livro Filosofia Espírita Vol. 18 - João Nunes Maia 
Cap. 38- Moral sem ações







sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 12 - Da Perfeição Moral - Paixões - Questão 907 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 12 - Da Perfeição Moral


Paixões 


907. Será substancialmente mau o princípio originário das paixões, embora esteja na Natureza?

“Não; a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O abuso que delas se faz é que causa o mal.” 


Allan Kardec  



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez 
Questão 907 comentada 


As paixões em si constituem força poderosa que podem levar o homem a grandes realizações. É bom que se saiba do valor dos princípios das paixões, que não deixam de ser força a ativar o amor e a caridade, o bem em todos os ângulos da vida. O que se acrescenta nelas de exagero é que as coloca como sentimentos inferiores, tornando o homem malfeitor.

A Doutrina dos Espíritos nos leva a compreender todas as forças que podem cercar a personalidade, dando meios às almas para compreender como usar todas essas possibilidades benfeitoras que o bem sempre conduz. A paixão está no excesso que a vontade delibera. O mundo e as criaturas precisam muito de esclarecimento e, principalmente, dos ensinamentos do Evangelho, compreendendo que, por ele, se educarão melhor todos os seus sentimentos.

O princípio das paixões, que foi colocado no homem, como origem desse sentimento, o foi para impulsionar o bem, pela força do amor. Entretanto, isso foi mal compreendido pela ignorância e o uso ultrapassa o que não deveria.

É bom que observemos com mais profundidade que as paixões se desenvolveram exageradamente em todos os setores da atividade humana. As religiões fizeram-se instrumentos das paixões para adorar a Deus por variadas formas, capazes de fazer o ser humano esquecer o próprio Criador. Jesus, sabendo disto, disse com presteza, desta maneira registrada por João, no capítulo quatro, versículo vinte e um:

Disse-lhe Jesus:

Mulher, podes crer-me, que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai.

O Mestre cortou pela raiz a paixão dos incompreendidos, pedindo para adorarem a Deus em Espírito e verdade, orando secretamente, na intimidade do coração. As imagens de escultura, os deuses forjados pelos homens e os lugares sagrados, desapareceram com Jesus, porque Ele nos mostra que o Supremo Senhor se encontra dentro da consciência de cada um.

Se começas a apaixonar-te pelo bem, medita no amor verdadeiro; se te apaixonares pela caridade, consulta o bom senso; se te apaixonas pelo trabalho, busca a razão, para o equilíbrio das tuas forças. Não deixes que as paixões atinjam a inferioridade, para que não respondas por seres envolvido por elas, criando para os teus caminhos dificuldades maiores. Lembra-te de que as paixões podem levar-te a grandes realizações, se elas forem disciplinadas pelo conhecimento em Cristo. Aprende a ter conduta reta, pois a vida é reta em todos os ângulos. Confia na natureza, que ela evidencia corresponder a essa confiança, a cada momento.

A paixão em si não complica a nossa vida; ela nos faz mal no campo do excesso. Apaixonemo-nos pela alegria, mas não nos deixemos tomar pelo escândalo. A vida é harmonia e fé. Vivendo nas linhas do Cristo, teremos uma tranquilidade imperturbável no coração e na consciência. 


Miramez 






Livro Filosofia Espírita Vol. 18 - João Nunes Maia 
Cap. 40 - Paixões 






segunda-feira, 25 de março de 2024

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 7 - Da perfeição moral - As paixões



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 7 - Da perfeição moral


As paixões 


907. Será intrinsecamente mau o princípio originário das paixões, embora esteja na natureza?

“Não; a paixão está no excesso de que se acresceu a vontade, visto que o princípio que lhe dá origem foi posto no homem para o bem, tanto que as paixões podem levá-lo à realização de grandes coisas. O abuso que delas se faz é que causa o mal.”

908. Como se poderá determinar o limite onde as paixões deixam de ser boas para se tornarem más?

“As paixões são como um corcel, que só tem utilidade quando governado, e que se torna perigoso quando passa a governar. Uma paixão se torna perigosa a partir do momento em que deixais de poder governá-la, e que dá em resultado um prejuízo qualquer para vós mesmos ou para outrem.”

As paixões são alavancas que decuplicam as forças do homem e o auxiliam na execução dos desígnios da Providência. Mas se, em vez de as dirigir, deixa que elas o dirijam, cai o homem nos excessos e a própria força que, manejada pelas suas mãos, poderia produzir o bem, contra ele se volta e o esmaga.

Todas as paixões têm seu princípio num sentimento ou necessidade natural. O princípio das paixões não é, assim, um mal, pois que assenta numa das condições providenciais da nossa existência. A paixão propriamente dita é a exageração de uma necessidade ou de um sentimento. Está no excesso e não na causa, e este excesso se torna um mal quando tem como consequência um mal qualquer.

Toda paixão que aproxima o homem da natureza animal afasta-o da natureza espiritual.

Todo sentimento que eleva o homem acima da natureza animal denota predominância do espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição.

909. Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?

“Sim, e por vezes fazendo esforços bem pequenos. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”

910. Pode o homem achar nos Espíritos eficaz assistência para triunfar de suas paixões?

“Se o pedir a Deus e ao seu bom gênio, com sinceridade, os Espíritos bons lhe virão certamente em auxílio, porquanto isso é sua missão.” (459.)

911. Não haverá paixões tão vivas e irresistíveis que a vontade seja impotente para dominá-las?

“Há muitas pessoas que dizem: Quero, mas a vontade só lhes está nos lábios. Querem, porém muito satisfeitas ficam que não seja como “querem”. Quando o homem crê que não pode vencer as suas paixões, é que seu Espírito se compraz nelas, em consequência da sua inferioridade. Compreende a sua natureza espiritual aquele que as procura reprimir. Vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito sobre a matéria.”

912. Qual o meio mais eficiente de combater-se o predomínio da natureza corpórea?

“Praticar a abnegação.”


Allan Kardec













quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 7 - Da perfeição moral - Questão 895 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 7


Da perfeição moral


895. Postos de lado os defeitos e os vícios acerca dos quais ninguém se pode equivocar, qual o sinal mais característico da imperfeição?

“O interesse pessoal. Frequentemente, as qualidades morais são como, num objeto de cobre, a douradura que não resiste à pedra de toque. Pode um homem possuir qualidades reais, que levem o mundo a considerá-lo homem de bem. Mas essas qualidades, conquanto assinalem um progresso, nem sempre suportam certas provas, e às vezes basta que se fira a corda do interesse pessoal para que o fundo fique a descoberto. O verdadeiro desinteresse é coisa ainda tão rara na Terra que, quando se patenteia, todos o admiram como se fora um fenômeno.

“O apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade, porque, quanto mais se aferra aos bens deste mundo, tanto menos compreende o homem o seu destino. Pelo desinteresse, ao contrário, demonstra que encara de um ponto mais elevado o futuro.”


Allan Kardec 




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 895 comentada


A marca mais visível da inferioridade da alma é o interesse pessoal, gesto este nascido do egoísmo e, por vezes, do orgulho. Quando o Espírito descobre que tudo pertence a Deus, que todos somos Seus filhos e herdeiros dos bens, e que os bens, quando os possuímos, são de duração efêmera, passa ao desprendimento, e desprendimento com Jesus não é desperdício, é saber usar o que Deus colocou em nossas mãos.

Se queres melhorar espiritualmente, passa a combater o egoísmo, reação da ignorância, que costuma ter durabilidade infindável nos caminhos dos homens. Os bens materiais te prenderão cada vez mais, fazendo a alma esquecer dos bens imperecíveis do Espírito. é justo que cuides dos teus bens, se os tens, mas não com apego, de maneira a esquecer dos bens da vida eterna. Podes transformar o ouro em coisas santas e dignas de louvor, usá-lo em favor dos que padecem, servires dele para matar a fome e vestir os nus, dar teto aos desabrigados e amparar aos que choram em duras provas.

Sabendo que a reencarnação no amanhã te colocará em posição diferente da de hoje, deves saber o que fazer com as sobras. Elas são sementes que podes passar a semear. A inteligência nos convida a distribuir no serviço da caridade, pois somente ela salva e desapega os nossos corações do peso das inferioridades.

O verdadeiro desinteresse é muito raro na Terra e é encarado como fenômeno quando o encontramos. No mundo superior, ele é comum a todas as criaturas. Na Terra, é uma raridade encontrar homens que já se desprenderam, e desconhecem o egoísmo e o orgulho. Quando queremos as coisas para nós apenas, as paixões se alteram, buscando outras mais complicadas no certame da vida.

Certamente que o apego às coisas materiais, bem como às paixões, turba os corpos espirituais que a alma usa; eles entram em desarmonia e levam inquietação ao Espírito. O interesse pessoal por vezes surge até mesmo no meio religioso. Muitos fazem das casas de oração ponto comercial, usando a casa de Deus, visando ao ouro fácil. Busquemos em Lucas o capítulo dezenove, versículo quarenta e seis:

Dizendo-lhes:

Está escrito: A minha casa será casa de oração; mas vós a transformastes em covil de salteadores.

Vender as coisas santas, vender a palavra evangélica e cobrar pelo intercâmbio dos Espíritos com os homens, é o egoísmo na mais alta esfera das sombras. É a ignorância que se transforma em cegueira espiritual, é comércio dos mais ilícitos. é esquecer por completo da palavra santa e sábia de Jesus, quando ele disse: "Dai de graça o que de graça recebeste." Quem assim procede, está apagando a luz do seu próprio caminho.

O Evangelho de Jesus, em síntese, é o desprendimento. Ele nos ensina a usar os bens materiais e conquistar a luz espiritual pelo amor. Devemos lembrar que é dando que recebemos, é semeando que colhemos.

A Doutrina dos Espíritos chegou à Terra por misericórdia de Jesus, para mostrar à humanidade, que devemos usar e não abusar do ouro, dos bens terrenos. Eles poderão ser muito úteis, mas desde quando venham a servir para enxugar lágrimas e confortar corações em desespero. Todos os vícios devem ser combatidos, todavia, o interesse pessoal não pode existir no coração que deseja amar, servir, compreender e perdoar.

Se estás a serviço do Cristo, no momento em que fores permutar as coisas santas, convida-O para participar e te aconselhar sobre como deve ser feita essa transação. Se a consciência não te deixar fazer esse convite pelo peso que nela existe, abre pelo menos o Evangelho e pede a ele opinião. Se já estás familiarizado com os livros espíritas, não precisas dessas consultas; oferta de graça o que de graça Deus está te dando, que o sol da paz começa a despontar em teu coração.


Miramez


Filosofia Espírita – Volume XVIII - João Nunes Maia
Cap. 28 - Interesse pessoal







terça-feira, 29 de novembro de 2022

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte Terceira - Das leis morais - Cap. 12 - Da perfeição moral - As virtudes e os vícios - Questão 893 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte Terceira - Das leis morais - Cap. 12 - Da perfeição moral


As virtudes e os vícios 


893. Qual a mais meritória de todas as virtudes?

“Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtudes sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.”


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 893 comentada


Quando o Espírito passa a conhecer o mundo das virtudes, ele começa a acordar para a vida espiritual, e as virtudes devem ocupar o lugar dos vícios e hábitos inconvenientes para a paz espiritual.

Mesmo no estágio em que se encontra a humanidade, de maior interesse para as paixões inferiores, é de sentimento comum das criaturas defender e gostar da pessoa virtuosa, e com o espaço de tempo estudar, pregar e, por fim, passar à prática dessas qualidades nobres ensinadas por Jesus e descritas no evangelho da sua vida.

Virtude sem Jesus não tem conotação, e a que o amor domina se faz caridade entre os homens. O Cristo é o sol onde a humanidade aquece e vive a presença de Deus. Jesus foi, é e será sempre, a fonte, depois de Deus, para nós outros, onde deveremos buscar os exemplos das mais expressivas virtudes que com o amor se entrelaçam, na computação da verdade.

As virtudes são variadas; cada uma tem seu mérito próprio, é certo, no entanto, elas nascem da maior de todas, envolvida no sopro de Deus, que é o Amor. Ele se divide em mil ações comandadas pelas suas sensibilidades espirituais e fala da vida e da esperança em todos os seus contornos de vida.

Os vícios, que deverão ser afastados, esquecidos da vida diária, sendo que se encontram arraigados no ser, não podem ser extirpados de uma vez pelos processos da violência, entretanto, deixarão de existir, se persistirmos no trabalho das mudanças, apagando o que não deve ser, para acender a realidade pelo comando do amor.

Todas as virtudes são elevadas, quando a alma as compreende. A sua vivência, sacrificando ou fazendo desaparecer os contrários do amor, é o homem velho cedendo lugar ao novo homem, na sua transformação moral para entender melhor o chamado de Jesus. Pelo verbo da Divindade, conquistamos a nós mesmos.

A sublimidade da virtude está no sacrifício pessoal, se isso é sacrifício; para nós, sacrificar o mal é glória que a alma recebe por misericórdia, porque dessa decisão nasce no coração mais vida para Deus. Ele fica mais presente na vida de quem busca essa senda de luz, passando a viver o amor. As portas da espiritualidade superior se abrem e o candidato começa a vencer a si mesmo, vencendo o mundo e ganhando a paz espiritual.

Ouvir a respeito de Jesus nos dá esperança e abre perspectivas novas para o nosso futuro, porque por intermédio dele as nossas doenças e todos os tipos de desequilíbrios cessam. Ele nunca deixa de nos acompanhar, nos ajudando a carregar a nossa cruz, de problemas inúmeros.

Vamos escutar Lucas no capítulo cinco, versículo quinze, nos dizendo:

Porém, o que se dizia a seu respeito cada vez mais se divulgava, e grandes multidões afluíam para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades.

E o Mestre não só curava as chagas do corpo, como, igualmente, as do Espírito. A virtude mais elevada para quem a pratica, é aquela que se assenta na mais pura caridade, contudo, todas elas pendem para a benevolência. Porém, algumas pessoas se interessam mais por uma do que por outra. No final, na pureza de sentimentos, todas elas se transformaram em amor e o sol de Deus brilha em todas.

Compreende teu dever, em busca desses dons, que a vida em todos os seus aspectos tornar-se-á flores de claridades eternas em todas as tuas existências. Jesus passará a andar contigo visivelmente em todos os teus caminhos, ajudando-te a ser melhor e a descobrir Deus na consciência.


Miramez



Filosofia Espírita Vol 18 - João Nunes Maia
Cap. 26 - Virtudes






quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Cap. 12 - Das leis morais - Da perfeição moral - As virtudes e os vícios - Questão 906 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Cap. 12 - Das leis morais - Da perfeição moral


As virtudes e os vícios 


906. Será passível de censura o homem por ter consciência do bem que faz e por confessá-lo a si mesmo?

“Pois que pode ter consciência do mal que pratica, do bem igualmente deve tê-la, a fim de saber se andou bem ou mal. Pesando todos os seus atos na balança da lei de Deus e, sobretudo, na lei de justiça, amor e caridade, é que poderá dizer a si mesmo se suas obras são boas ou más, que as poderá aprovar ou desaprovar. Não se lhe pode, portanto, censurar que reconheça haver triunfado dos maus pendores e que se sinta satisfeito, desde que de tal não se envaideça, porque então cairia noutra falta.” (919)


Allan Kardec




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 906 comentada


A consciência do bem, todos devemos tê-la, sentir o bem que fazemos, porque desta maneira passamos a conhecer a nós mesmos e deixamos de fazer o mal, que às vezes praticamos. Não é censurado à criatura que ela examine a si mesma, no que se encontra fazendo.

Cada pessoa é um mundo, onde o comandante é a alma. Certamente que é preciso que conheçamos a nós mesmos, para que possamos escolher com maior entendimento o que é melhor para nós. O que não é certo, é divulgar o bem que se faz, ou se pretende realizar. Esse anúncio faz crescer a vaidade e o orgulho, bem como é capaz de nutrir certas paixões que estejam ligadas ao egoísmo e, ainda mais, à fascinação por si mesmo.

"O Livro dos Espíritos" é uma obra basilar, na qual todos os espíritas devem se inspirar, igualmente enriquecendo os conhecimentos no tocante à verdade. O que escrevemos sobre o Espiritismo não é influência dos homens, mas das leis de Deus que descobrimos em toda a natureza divina, que se apresenta na natureza humana.

Aos espíritas, falamos que não se deixem ser envolvidos nas paixões inferiores. O tempo já passou e estamos em época de reajuste espiritual, de crescimento d'alma para ficarmos em comunhão com Jesus Cristo, o nosso diretor espiritual que caminha conosco desde o princípio de todas as coisas.

Compete ao homem conhecer a si mesmo, principalmente nesta fase em que se encontra, de tanta teoria, para tomar as decisões que lhe cabem para direcionar a vida e compreender a verdade que liberta e que ilumina a alma.

Devemos fazer todo esse trabalho interno, não somente para nós, mas principalmente para servir de exemplo vivo para todos os povos. É preciso investir nas almas nossas irmãs, e não nas coisas. Vejamos o que João nos fala neste sentido, místico, mas eficaz:

E não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos. (João, 11:52)

O dever do homem de bem é trabalhar para reunir os filhos de Deus que se encontram dispersos pelo mundo afora, e que somente uma força poderosa pode e tem o poder de unir em família: é o amor.

Devemos conhecer o bem e os seus fundamentos, e o mal, no que ele é. Desta maneira, entreguemo-nos à caridade, em todas as suas vantagens internas, criando dentro d'alma uma luz própria e uma vida feliz, capaz de mostrar Deus no coração e Cristo na consciência, ativando todas as qualidades superiores nos caminhos que pretendemos trilhar. Caímos por vezes em muitas faltas, por desconhecermos o mal que as atitudes errôneas nos causam. Ter consciência de tudo nos faz melhor escolher as nossas atitudes.

A Terra está passando por momentos decisivos. Em todas as nações, muitos pensam o contrário, por serem cegos que às vezes guiam cegos. Estamos diante de perigos iminentes em muitos campos de trabalho, mas Deus está vendo tudo e registrando todos os acontecimentos. Ele é todo Justiça e ninguém destrói a Sua obra.

Ele sabe o que fazer no momento certo.

O que devemos despertar em nós com urgência é o conhecimento das leis naturais e torná-las como indicação para a nossa viagem na vida. Os conscientes das verdades ficarão livres do tribunal da própria consciência.


Miramez




Filosofia Espirita - Vol. 18 - João Nunes Maia
Cap. 39 - Consciência do bem





domingo, 27 de dezembro de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 7 - Da perfeição moral - Questão 895 (Miramez)




Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 7


Da perfeição moral


895. Postos de lado os defeitos e os vícios acerca dos quais ninguém se pode equivocar, qual o sinal mais característico da imperfeição?

“O interesse pessoal. Frequentemente, as qualidades morais são como, num objeto de cobre, a douradura que não resiste à pedra de toque. Pode um homem possuir qualidades reais, que levem o mundo a considerá-lo homem de bem. Mas essas qualidades, conquanto assinalem um progresso, nem sempre suportam certas provas, e às vezes basta que se fira a corda do interesse pessoal para que o fundo fique a descoberto. O verdadeiro desinteresse é coisa ainda tão rara na Terra que, quando se patenteia, todos o admiram como se fora um fenômeno.

“O apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade, porque, quanto mais se aferra aos bens deste mundo, tanto menos compreende o homem o seu destino. Pelo desinteresse, ao contrário, demonstra que encara de um ponto mais elevado o futuro.”


Allan Kardec 




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 895 comentada


A marca mais visível da inferioridade da alma é o interesse pessoal, gesto este nascido do egoísmo e, por vezes, do orgulho. Quando o Espírito descobre que tudo pertence a Deus, que todos somos Seus filhos e herdeiros dos bens, e que os bens, quando os possuímos, são de duração efêmera, passa ao desprendimento, e desprendimento com Jesus não é desperdício, é saber usar o que Deus colocou em nossas mãos.

Se queres melhorar espiritualmente, passa a combater o egoísmo, reação da ignorância, que costuma ter durabilidade infindável nos caminhos dos homens. Os bens materiais te prenderão cada vez mais, fazendo a alma esquecer dos bens imperecíveis do Espírito. é justo que cuides dos teus bens, se os tens, mas não com apego, de maneira a esquecer dos bens da vida eterna. Podes transformar o ouro em coisas santas e dignas de louvor, usá-lo em favor dos que padecem, servires dele para matar a fome e vestir os nus, dar teto aos desabrigados e amparar aos que choram em duras provas.

Sabendo que a reencarnação no amanhã te colocará em posição diferente da de hoje, deves saber o que fazer com as sobras. Elas são sementes que podes passar a semear. A inteligência nos convida a distribuir no serviço da caridade, pois somente ela salva e desapega os nossos corações do peso das inferioridades.

O verdadeiro desinteresse é muito raro na Terra e é encarado como fenômeno quando o encontramos. No mundo superior, ele é comum a todas as criaturas. Na Terra, é uma raridade encontrar homens que já se desprenderam, e desconhecem o egoísmo e o orgulho. Quando queremos as coisas para nós apenas, as paixões se alteram, buscando outras mais complicadas no certame da vida.

Certamente que o apego às coisas materiais, bem como às paixões, turba os corpos espirituais que a alma usa; eles entram em desarmonia e levam inquietação ao Espírito. O interesse pessoal por vezes surge até mesmo no meio religioso. Muitos fazem das casas de oração ponto comercial, usando a casa de Deus, visando ao ouro fácil. Busquemos em Lucas o capítulo dezenove, versículo quarenta e seis:

Dizendo-lhes:

Está escrito: A minha casa será casa de oração; mas vós a transformastes em covil de salteadores.

Vender as coisas santas, vender a palavra evangélica e cobrar pelo intercâmbio dos Espíritos com os homens, é o egoísmo na mais alta esfera das sombras. É a ignorância que se transforma em cegueira espiritual, é comércio dos mais ilícitos. é esquecer por completo da palavra santa e sábia de Jesus, quando ele disse: "Dai de graça o que de graça recebeste." Quem assim procede, está apagando a luz do seu próprio caminho.

O Evangelho de Jesus, em síntese, é o desprendimento. Ele nos ensina a usar os bens materiais e conquistar a luz espiritual pelo amor. Devemos lembrar que é dando que recebemos, é semeando que colhemos.

A Doutrina dos Espíritos chegou à Terra por misericórdia de Jesus, para mostrar à humanidade, que devemos usar e não abusar do ouro, dos bens terrenos. Eles poderão ser muito úteis, mas desde quando venham a servir para enxugar lágrimas e confortar corações em desespero. Todos os vícios devem ser combatidos, todavia, o interesse pessoal não pode existir no coração que deseja amar, servir, compreender e perdoar.

Se estás a serviço do Cristo, no momento em que fores permutar as coisas santas, convida-O para participar e te aconselhar sobre como deve ser feita essa transação. Se a consciência não te deixar fazer esse convite pelo peso que nela existe, abre pelo menos o Evangelho e pede a ele opinião. Se já estás familiarizado com os livros espíritas, não precisas dessas consultas; oferta de graça o que de graça Deus está te dando, que o sol da paz começa a despontar em teu coração.


Miramez


Filosofia Espírita – Volume XVIII - João Nunes Maia
Cap. 28 - Interesse pessoal





terça-feira, 13 de outubro de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Capítulo XII - Da perfeição moral - O egoísmo - Questão 917 (Miramez)




Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Capítulo XII - Da perfeição moral


O egoísmo 


917. Qual o meio de destruir-se o egoísmo?

“De todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de desenraizar-se, porque deriva da influência da matéria, influência de que o homem, ainda muito próximo de sua origem, não pôde libertar-se, e para cuja manutenção tudo concorre: suas leis, sua organização social, sua educação. O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominando sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão que o Espiritismo vos faculta, do vosso estado futuro real, e não desfigurado por ficções alegóricas. Quando, bem compreendido, se houver identificado com os costumes e as crenças, o Espiritismo transformará os hábitos, os usos, as relações sociais. O egoísmo assenta na importância da personalidade. Ora, o Espiritismo, bem compreendido, repito, mostra as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece, de certo modo, diante da imensidade. Destruindo essa importância, ou, pelo menos, reduzindo-a às suas legítimas proporções, ele necessariamente combate o egoísmo.

O choque que o homem experimenta do egoísmo dos outros é o que muitas vezes o faz egoísta, por sentir a necessidade de colocar-se na defensiva. Notando que os outros pensam em si próprios e não nele, ei-lo levado a ocupar-se consigo, mais do que com os outros. Sirva de base às instituições sociais, às relações legais de povo a povo e de homem a homem, o princípio da caridade e da fraternidade, e o homem pensará menos na sua pessoa ao ver que os outros com ele se preocupam; ele experimentará a influência moralizadora do exemplo e do contato. Em face desse extravasamento do egoísmo, faz-se necessária uma verdadeira virtude para que alguém faça abnegação da sua personalidade em proveito dos outros que, com freqüência, absolutamente lhe não agradecem. Principalmente para os que possuam essa virtude é que o reino dos céus se acha aberto. A esses, sobretudo, é que está reservada a felicidade dos eleitos, pois em verdade vos digo que, no dia da justiça, será posto de lado todo aquele que em si somente houver pensado; sofrerá, então, o próprio abandono.” (785) FÉNELON.

Louváveis esforços indubitavelmente se empregam para fazer que a Humanidade progrida. Os bons sentimentos são encorajados, estimulados e honrados mais do que em qualquer outra época. Entretanto, o egoísmo, verme roedor, continua a ser a chaga social. É um mal real, que se alastra por todo o mundo e do qual cada homem é mais ou menos vítima. Cumpre, pois, combatê-lo, como se combate uma enfermidade epidêmica. Para isso, deve-se proceder como procedem os médicos: ir à origem do mal. Procurem-se pois em todas as partes do organismo social, da família aos povos, da choupana ao palácio, todas as causas, todas as influências que, ostensiva ou ocultamente, excitam, alimentam e desenvolvem o sentimento do egoísmo. Conhecidas as causas, o remédio se apresentará por si mesmo. Só restará então destruí-las, senão totalmente, de uma só vez, ao menos parcialmente, e o veneno pouco a pouco será eliminado. Poderá ser longa a cura, porque numerosas são as causas, mas não é impossível. Contudo, ela só se obterá se o mal for atacado em sua raiz, isto é, pela educação; não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem. A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres, como se conhece a de manejar as inteligências, conseguir-se-á corrigi-los, do mesmo modo que se aprumam plantas novas. Essa arte, porém, exige muito tato, muita experiência e profunda observação. É grave erro pensar-se que, para exercê-la com proveito, baste possuir conhecimentos. Quem acompanhar, assim o filho do rico, como o do pobre, desde o instante do nascimento, e observar todas as influências perniciosas que sobre eles atuam, em conseqüência da fraqueza, da incúria e da ignorância dos que os dirigem, observando igualmente com quanta frequência falham os meios empregados para moralizá-los, não poderá espantar-se de encontrar pelo mundo tantas coisas erradas. Faça-se com o moral o que se faz com a inteligência e ver-se-á que, se há naturezas refratárias, muito maior do que se julga é o número das que apenas reclamam cultivo adequado, para produzir bons frutos. (872)

O homem deseja ser feliz e natural é o sentimento que dá origem a esse desejo. Por isso é que trabalha incessantemente para melhorar a sua posição na Terra, que pesquisa as causas de seus males, para remediá-los. Quando compreender bem que no egoísmo reside uma dessas causas, a que gera o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme, que a cada momento o ferem, a que perturba todas as relações sociais, provoca as dissensões, aniquila a confiança, a que o obriga a se manter constantemente na defensiva contra o seu vizinho, enfim a que do amigo faz inimigo, ele compreenderá também que esse vício é incompatível com a sua felicidade e, podemos mesmo acrescentar, com a sua própria segurança. E quanto mais haja sofrido por efeito desse vício, mais sentirá a necessidade de combatê-lo, como se combatem a peste, os animais nocivos e todos os outros flagelos. O seu próprio interesse a isso o induzirá. (784)

O egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade o é de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver a outra, tal deve ser o alvo de todos os esforços do homem, se quiser assegurar a sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro.


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 917 comentada


O egoísmo é o centro energético da ignorância, por estar muito ligado à origem material do homem. Isto, de certa forma, tem grande influência na personalidade humana. Como libertar-se das irradiações da matéria, vivendo nela e dentro dela? O homem pode e deve esforçar-se, que é um grande passo, mas, enquanto estiver nesta estância de vida, por lei, respira no seu clima. No entanto, os homens devem transformá-la em paraíso e nele viver em busca da felicidade.

O egoísmo se enfraquecerá no passar dos milênios e tenderá a desaparecer por lei universal, porque, se nascemos pelo amor e para o amor, haveremos de viver bem somente na sua influência divina. O egoísmo assenta-se na personalidade por analogia material, mas não continua por força da lei natural da evolução espiritual. Compete à razão mostrar como proceder diante dos seus efeitos constrangedores.

O choque que as almas sentem com o egoísmo das suas irmãs é que a fazem pensar nas modificações urgentes, e o bem-estar da caridade e do amor nos mostram que é o clima de Deus a crescer no coração humano. Vejamos quando reunimos mais pessoas para trabalhar ou mesmo se divertir: temos de ceder em alguma coisa em favor daquele que se reúne conosco. Por aí notamos que já começamos a combater o egoísmo, ainda que algo inconscientemente.

Jesus ensinou e Mateus anotou, no capítulo dezoito, versículo vinte:

Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.

Ativando a luz nesse despontar da verdade, a palavra do Mestre se faz ouvir em todas as dimensões da vida, para que as almas entendam e passem a trabalhar no surgimento da luz na sua intimidade. Na verdade, o egoísmo existe, mas ele já vem sendo combatido em todas as frentes. Ele está morrendo, desde quando surgiu Jesus na face da Terra. é demorada a sua extirpação, porém não pára de ser combatido por todos os meios.

Falamos aos espíritas, principalmente, que não esmoreçam nas lutas; que façam a sua parte, mostrando que podem viver sem essa influência. Quando o Mestre disse que conhecendo a verdade poderíamos nos tornar livres, Ele sabia o que estava falando. Todos os dias não vemos o sol saindo no horizonte? Reparemos o sol que está saindo no horizonte da nossa alma e deixemos que ele ilumine toda a nossa vida, e assim viveremos a felicidade de Deus dentro do nosso mundo interno.

O egoísmo é sombra que não suporta a luz. Quando o ser renuncia a qualquer coisa de seu, da sua conquista, em favor dos outros, ele é que está sendo beneficiado. Atrás dessa renúncia, se encontra Jesus, confortando seu coração e alimentando sua vida. As coisas invisíveis são as mais reais. Quem descrer, nos dois aspectos da existência, sofre o medo da perda. O Mestre já dizia que aquele que não vê e crê é mais agraciado pela paz.

O verdadeiro meio de destruir o egoísmo é a renúncia. O desprendimento nos coloca na libertação, onde nasce o amor. Ele é Deus a nos dizer: "Vem, meu filho, passa por Jesus e abraça meu coração em tudo o que tocares".

 
Miramez



Filosofia Espírita – Volume XVIII. - João Nunes Maia
Cap. 50 - Destruição do egoísmo




quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Parte 3.ª Das leis morais - Cap. XII - Da Perfeição Moral - O egoísmo - Questão 917 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Parte 3.ª - Das leis morais - Cap. XII - Da Perfeição Moral - O egoísmo


Questão 917


Qual o meio de destruir-se o egoísmo?

“De todas as imperfeições humanas, o egoísmo é a mais difícil de desenraizar-se porque deriva da influência da matéria, influência de que o homem, ainda muito próximo de sua origem, não pôde libertar-se e para cujo entretenimento tudo concorre: suas leis, sua organização social, sua educação. O egoísmo se enfraquecerá à proporção que a vida moral for predominante sobre a vida material e, sobretudo, com a compreensão, que o Espiritismo vos faculta, do vosso estado futuro, real e não desfigurado por ficções alegóricas. Quando, bem compreendido, se houver identificado com os costumes e as crenças, o Espiritismo transformará os hábitos, os usos, as relações sociais. O egoísmo assenta na importância da personalidade. Ora, o Espiritismo, bem compreendido, repito, mostra as coisas de tão alto que o sentimento da personalidade desaparece, de certo modo, diante da imensidade. Destruindo essa importância, ou, pelo menos, reduzindo-a às suas legítimas proporções, ele necessariamente combate o egoísmo.

“O choque, que o homem experimenta, do egoísmo os outros é o que muitas vezes o faz egoísta, por sentir a necessidade de colocar-se na defensiva. Notando que os outros pensam em si próprios e não nele, ei-lo levado a ocupar-se consigo, mais do que com os outros. Sirva de base às instituições sociais, às relações legais de povo a povo e de homem a homem o princípio da caridade e da fraternidade e cada um pensará menos na sua pessoa, assim veja que outros nela pensam. Todos experimentarão a influência moralizadora do exemplo e do contacto. Em face do atual extravasamento de egoísmo, grande virtude é verdadeiramente necessária, para que alguém renuncie à sua personalidade em proveito dos outros, que, de ordinário, absolutamente lhe não agradecem. Principalmente para os que possuem essa virtude, é que o reino dos céus se acha aberto. A esses, sobretudo, é que está reservada a felicidade dos eleitos, pois em verdade vos digo que, no dia da justiça, será posto de lado e sofrerá pelo abandono, em que se há de ver, todo aquele que em si somente houver pensado.” (785)

FÉNELON.


Louváveis esforços indubitavelmente se empregam para fazer que a Humanidade progrida. Os bons sentimentos são animados, estimulados e honrados mais do que em qualquer outra época. Entretanto, o egoísmo, verme roedor, continua a ser a chaga social. É um mal real, que se alastra por todo o mundo e do qual cada homem é mais ou menos vítima. Cumpre, pois, combatê-lo, como se combate uma enfermidade epidêmica. Para isso, deve-se proceder como procedem os médicos: ir à origem do mal.

Procurem-se em todas as partes do organismo social, da família aos povos, da choupana ao palácio, todas as causas, todas as influências que, ostensiva ou ocultamente, excitam, alimentam e desenvolvem o sentimento do egoísmo. Conhecidas as causas, o remédio se apresentará por si mesmo. Só restará então destruí-las, senão totalmente, de uma só vez, ao menos parcialmente, e o veneno pouco a pouco será eliminado. Poderá ser longa a cura, porque numerosas são as causas, mas não é impossível. Contudo, ela só se obterá se o mal for atacado em sua raiz, isto é, pela educação, não por essa educação que tende a fazer homens instruídos, mas pela que tende a fazer homens de bem. A educação, convenientemente entendida, constitui a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar os caracteres, como se conhece a de manejar as inteligências, conseguir-se-á corrigi-los, do mesmo modo que se aprumam plantas novas. Essa arte, porém, exige muito tato, muita experiência e profunda observação. É grave erro pensar-se que, para exercê-la com proveito baste o conhecimento da Ciência. Quem acompanhar, assim o filho do rico, como o do pobre, desde o instante do nascimento, o observar todas as influências perniciosas que sobre eles atuam, em conseqüência da fraqueza, da incúria e da ignorância dos que os dirigem, observando igualmente com quanta freqüência falham os meios empregados para moralizá-los, não poderá espantar-se de encontrar pelo mundo tantas esquisitices. Faça-se com o moral o que se faz com a inteligência e ver-se-á que, se há naturezas refratárias, muito maior do que se julga é o número das que apenas reclamam boa cultura, para produzir bons frutos. (872)

O homem deseja ser feliz e natural é o sentimento que dá origem a esse desejo. Por isso é que trabalha incessantemente para melhorar a sua posição na Terra, que pesquisa as causas de seus males, para remediá-los. Quando compreender bem que no egoísmo reside uma dessas causas, a que gera o orgulho, a ambição, a cupidez, a inveja, o ódio, o ciúme, que a cada momento o magoam, a que perturba todas as relações sociais, provoca as dissensões, aniquila a confiança, a que o obriga a se manter constantemente na defensiva contra o seu vizinho, enfim a que do amigo faz inimigo, ele compreenderá também que esse vício é incompatível com a sua felicidade e, podemos mesmo acrescentar, com a sua própria segurança.

E quanto mais haja sofrido por efeito desse vício, mais sentirá a necessidade de combatê-lo, como se combatem a peste, os animais nocivos e todos os outros flagelos. O seu próprio interesse a isso o induzirá. (784) O egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade o é de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver a outra, tal deve ser o alvo de todos os esforços do homem, se quiser assegurar a sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro. 


Allan Kardec


O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 917 comentada

O egoísmo é o centro energético da ignorância, por estar muito ligado à origem material do homem. Isto, de certa forma, tem grande influência na personalidade humana. Como libertar-se das irradiações da matéria, vivendo nela e dentro dela? O homem pode e deve esforçar-se, que é um grande passo, mas, enquanto estiver nesta estância de vida, por lei, respira no seu clima. No entanto, os homens devem transformá-la em paraíso e nele viver em busca da felicidade.

O egoísmo se enfraquecerá no passar dos milênios e tenderá a desaparecer por lei universal, porque, se nascemos pelo amor e para o amor, haveremos de viver bem somente na sua influência divina. O egoísmo assenta-se na personalidade por analogia material, mas não continua por força da lei natural da evolução espiritual. Compete à razão mostrar como proceder diante dos seus efeitos constrangedores.

O choque que as almas sentem com o egoísmo das suas irmãs é que a fazem pensar nas modificações urgentes, e o bem-estar da caridade e do amor nos mostram que é o clima de Deus a crescer no coração humano. Vejamos quando reunimos mais pessoas para trabalhar ou mesmo se divertir: temos de ceder em alguma coisa em favor daquele que se reúne conosco. Por aí notamos que já começamos a combater o egoísmo, ainda que algo inconscientemente.

Jesus ensinou e Mateus anotou, no capítulo dezoito, versículo vinte:

Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.

Ativando a luz nesse despontar da verdade, a palavra do Mestre se faz ouvir em todas as dimensões da vida, para que as almas entendam e passem a trabalhar no surgimento da luz na sua intimidade. Na verdade, o egoísmo existe, mas ele já vem sendo combatido em todas as frentes. Ele está morrendo, desde quando surgiu Jesus na face da Terra. é demorada a sua extirpação, porém não pára de ser combatido por todos os meios.

Falamos aos espíritas, principalmente, que não esmoreçam nas lutas; que façam a sua parte, mostrando que podem viver sem essa influência. Quando o Mestre disse que conhecendo a verdade poderíamos nos tornar livres, Ele sabia o que estava falando. Todos os dias não vemos o sol saindo no horizonte? Reparemos o sol que está saindo no horizonte da nossa alma e deixemos que ele ilumine toda a nossa vida, e assim viveremos a felicidade de Deus dentro do nosso mundo interno.

O egoísmo é sombra que não suporta a luz. Quando o ser renuncia a qualquer coisa de seu, da sua conquista, em favor dos outros, ele é que está sendo beneficiado. Atrás dessa renúncia, se encontra Jesus, confortando seu coração e alimentando sua vida. As coisas invisíveis são as mais reais. Quem descrer, nos dois aspectos da existência, sofre o medo da perda. O Mestre já dizia que aquele que não vê e crê é mais agraciado pela paz.

O verdadeiro meio de destruir o egoísmo é a renúncia. O desprendimento nos coloca na libertação, onde nasce o amor. Ele é Deus a nos dizer: "Vem, meu filho, passa por Jesus e abraça meu coração em tudo o que tocares".


Miramez 


Filosofia Espírita – Volume XVIII. (João Nunes Maia) 
Cap. 50 - Destruição do Egoísmo 




Fonte: O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito MiramezFilosofia Espírita – Volume XVIII-pdf