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terça-feira, 13 de outubro de 2020

Chico Xavier - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi / Gerson Sestini - Cap. XIV, Pág.107 - Preces que não se perdem




Chico Xavier - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi / Gerson Sestini - Cap. XIV, Pág.107


Preces que não se perdem


(...) alguns confrades, embora concordando com o médium a respeito da necessidade de se ter religião, levantaram dúvidas sobre os inconvenientes de certas seitas religiosas que dispensam as preces para os desencarnados, porque, segundo a doutrina que professam, o destino dele já estaria selado.

Chico conta-lhes, então, o que observara em desdobramento:

- Certa noite, fora do corpo físico, vi no cemitério um “crente” repelindo o auxílio de Benfeitores Espirituais que queriam retirá-lo de lá. Ele negou-se porque estava “aguardando o Juízo Final”.

Alguém pergunta:

- Vale a pena, então, Chico, orar para quem se encontra nesse estado?
Ao que ele prontamente responde:

- A prece vale porque não se perde; sua energia permanece formando como que um círculo em torno do espírito, esperando que ele se sensibilize, desperte e a absorva.


Chico Xavier 







sábado, 25 de julho de 2020

Romeu Grisi - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Cap. X - Um Caso Ibérico



Romeu Grisi - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Cap. X 


Um Caso Ibérico


Aproxima-se do Chico uma senhora grávida com um filho cego nos braços.

Uma dúvida atormentava-a; roga, então, ao médium, em favor daquele que trazia no ventre:

- Chico, será que esta criança, que está para nascer, também será cega?

Ele a recebeu carinhosamente e, segurando sua mão começou a falar.

Muito emocionada, ouviu dele palavras de conforto, acrescidas da amorosa energia de sua compaixão, pedindo-lhe que confiasse na Providência Divina. Mas a resposta esperada por ela não foi dada; no entanto, pareceu-nos que sua ansiedade, enfim, se acalmara.

Como estivesse próximo, ouvi parte do diálogo entre ambos. Em seguida o médium chamou-me e disse:

- Romeu, este é um caso ibérico.

Não entendi. O que seria “caso ibérico.”

Aproximei-me novamente do médium e indaguei diretamente sobre o significado da expressão.

Então, ele explicou:

O caso ibérico a que estou me referindo tem a ver com resgates e expiações oriundos das perseguições aos hereges...

Imaginei como deveriam ser numerosos os casos ibéricos em nosso país, colonizado por Portugal, como sabemos, e os associei à imigração de espíritos vindos da península ibérica nos últimos séculos.

Visitando no Rio a notável médium Yvonne Pereira, contei-lhe que fiquei admirado por ver considerável número de cegos a esmolar na ocasião em que estivera em Lisboa. Ela confirmou o que Chico disse: nefastas consequências da Inquisição implantada nos países ibéricos, lá e cá.


Romeu Grisi  









Fonte: Julio Miyamoto

Romeu Grisi - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Cap. XIV - Mentiras e Verdades



Romeu Grisi - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Cap. XIV


Mentiras e Verdades


O assunto versava sobre as mentiras; aquelas que são ditas para encobrir falhas morais ou para não ferir o bom relacionamento com parentes e amigos.

Chico estava ouvindo uma senhora, mas, ao mesmo tempo, estava atento aos comentários. Então, um seu amigo, um tanto irreverente, interrompe o diálogo e pergunta-lhe:

- Chico, você mente?

O médium ficou sério. Em seguida disse, sorrindo:

- Muitas vezes, a verdade deve ser adiada.


Romeu Grisi







Fonte: Julio Miyamoto

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Romeu Grisi - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Cap. IX, Pág. 58 - Duas Entidades se Identifiquem e Agradecem



Romeu Grisi - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Cap. IX, Pág. 58


Duas Entidades se Identifiquem e Agradecem 


O amigo Farid Mussi passava por momentos angustiosos. Deprimia-se com ele e desejava abrir-se com alguém que pudesse ouvi-lo. Consultava-se intimamente, mas não conseguia relacionar nenhum de seus familiares ou amigos com o qual pudesse fazê-lo.

Certo dia, encontrando-se casualmente comigo, num dos cafés no centro da cidade, abriu-me o coração, expondo suas mágoas.

Compadecido e intuído, lembrei-lhe que procurasse o Chico. Talvez ele tivesse algo a dizer, embora sua presença junto do médium pudesse bastar para que sua alma conturbada se acalmasse.

Ao ouvir-me, notei um raio de esperança despontar em seu coração. Aceitando minha sugestão, assim que pôde, dirigiu-se a Uberaba.

Mais de trezentos quilômetros separavam São José do Rio Preto daquela cidade por estradas com vários trechos de terra batida. Vivia-se a década de 1960.

Lá chegando, postou-se na fila das pessoas a serem atendidas pelo Chico. Qual não foi sua surpresa quando alguém veio busca-lo, pois o médium o estava chamando!

Ao abraçar o Chico, já não continha as lágrimas a embaçar-lhe a vista, pela atenção que o Alto lhe dera ao intuir o médium para trazê-lo junto de si. Passou então a narrar-lhe seus padecimentos. Em dado ponto da entrevista, em meio a palavras confortadoras, Chico falou-lhe:

- Está presente, no momento, uma entidade que se identifica como Maura de Araújo Javarini. Talvez você a conhecesse, pois está me dizendo que residiu em Rio Preto. Ela está agradecendo as preces que lhe foram feitas na ocasião de sua desencarnação. Você se lembra do caso?

Num átimo o consulente recordou-se do drama de Maura. Diante de sua mente o quadro desdobrava-se, levando-o ao passado.

Lembrou-se do féretro que se aproximava no momento em que conversava com o Sr. Antônio Marino, dono de uma alfaiataria, ali perto, quando este comentou, tirando o chapéu.

- O corpo da esposa do padeiro não poderá passar pela igreja para ser recomendado pelo padre, porque ela é suicida. Dizem que tomou uma dose letal de lisol.

Penalizado com o gesto infeliz daquela mulher, lembrou-se da reunião que teriam logo mais e indagou ao amigo:

- Vamos colocar o seu nome esta noite, associando-o às vibrações em favor dos necessitados, na Comunhão do Pensamento? Aquele, também emocionado, observando o acompanhamento que passava diante deles, assentiu. E assim o fizeram.

Voltando daquela memória reativada, Farid confirmou:

- Chico, meu amigo, este fato se passou há muitos anos: foi em 1932, eu me lembro bem, pois fiquei muito impressionado com o desencarne da irmã, que ora se encontra presente. Na época eu frequentava o Círculo Esotérico – por isso estou me lembrando do ano – e o seu nome foi colocado no tattwa. (*)

O médium comentou com Farid:

- Suas valiosas preces, feitas há mais de trinta anos, não foram esquecidas pelo bem que fizeram a esse espírito na atormentada fase vivida no plano espiritual, devido ao suicídio.

Vendo que o consulente se animava, melhorando seu estado mental, o médium deu-lhe outra notícia:

- Está a nosso lado outra entidade feminina que dá o nome de “Madame Sinhá”. Ela me informa que mantinha uma pensão de mulheres em Rio Preto, em um estabelecimento chamado “Bataclã”.

Farid concentrou-se e lembrou-se do telefonema que recebera do conhecido cabaré.

“Madame Sinhá” apresentava-se a ele um tanto contrafeita e solicitara-lhe a atenção ao narrar que, em certa ocasião, um viajante, que estivera em sua pensão, recomendara-lhe a leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Acatando a sugestão que lhe fora dada e sabendo-o espírita, desejava que fosse o portador do livro até o “Bataclã”, pois, de acordo com seu conhecido, o referido livro era um manancial de consolações para os necessitados, de apoio moral, que era o que ela tanto precisava naquele momento.

O medianeiro continuou:

- Embora estranhasse o pedido, e sabendo-se alvo de possíveis comentários maldosos, você enfrentou o preconceito: atendeu à solicitação e dirigiu-se à pensão com a encomenda.

O espírito de “Madame Sinhá” está me dizendo que você presenteou-a com o livro de Allan Kardec, e que este seu pequeno gesto muito a ajudou em sua triste caminhada.

Com sua fala mansa, Chico disse-lhe, em tom mais baixo, junto ao seu ouvido:

- Por esse ato de amor ao próximo, ela aqui está para agradecer o bem que lhe fez e está dizendo:

- Este livro modificou minha vida!

Nosso amigo Farid voltou a São José do Rio Preto renovado com a poderosa dose de energia recebida através do Chico; mostrava-se mais disposto a enfrentar suas dificuldades com maiores esperanças e firme determinação para resolvê-las.

Quando me reencontrou, agradeceu-me a feliz intuição que tive em recomendar-lhe que procurasse o médium. Passou, então, a narrar-me, entusiasmado, o que se passara em Uberaba.

Ainda uma vez, era testemunhada a sublime personalidade de Chico Xavier, que, pela sua prodigiosa faculdade mediúnica, podia fazer muito em favor dos que procuravam, dando provas da imortalidade e identificando espíritos presentes.


Romeu Grisi









Fonte: Julio Miyamoto

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Romeu Grisi - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Cap. XII, Pág. 80 - Sobre a obsessão



Romeu Grisi - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Cap. XII, Pág. 80


Sobre a obsessão


Certa noite, rodeado de confrades, que lhe levaram como tema os trabalhos de desobsessão, Chico, depois de aconselhá-los, falou de suas primeiras experiências neste campo.

- Quando iniciamos nossas sessões de desobsessão não tínhamos muita prática.

Apresentaram-nos, certo dia, em Pedro Leopoldo, três moças obsidiadas, que estavam hospedadas em casa de amigos, para serem tratadas em nosso grupo. Uma delas tinha o estranho hábito de mastigar vidros, o que deixava os abnegados anfitriões assustados e preocupados.

O médium observou a reação dos ouvintes e continuou:

- José, meu irmão, era o doutrinador.

Iniciada a primeira série de sessões, as entidades começaram a se manifestar. Dentre elas havia antigos escravos, e um deles, o mais endurecido, manifestando-se através de um de nossos médiuns, fez pungente narrativa sobre os fatos ocorridos no tempo da escravatura, quando eles eram tratados impiedosamente pelas três jovens.

Como sinhás da fazenda, na existência passada, elas usavam a força e o poder através de cruéis capatazes. Uma delas, por motivo fútil fez enterrar um escravo - o espírito que se manifestava – deixando apenas a cabeça fora da terra.

Em seguida mandou que a besuntassem com mel, a fim de atrair os isentos. Lá permaneceu ele, sozinho, em intermináveis sofrimentos, até encontrar a morte.

Nas horas finais, em desespero ele clamava:

- Sinhá! Se existe alma depois desta vida, eu vou me vingar...
Chico então justificou:

- Esta, entre outros dolorosos fatos do passado, era a causa da forte obsessão que acometera aquelas três moças.

E procurando encerrar a narrativa:

- As pacientes permaneceram em tratamento espiritual na nossa cidade alguns meses até que os espíritos fossem esclarecidos, e elas pudessem retornar aos seus lares curadas da obsessão.

O ambiente ficara silencioso e cismarento. O médium, olhando os circunstantes concluiu o relato:

- Findo o tratamento, José me procurou e disse:

- Chico, eu não vou mais ser doutrinador.

- Por quê? Perguntei-lhe admirado. Ele, então, falou:

- Eu tomei o partido dos obsessores...

Todos, inclusive o médium, riram-se do desfecho do caso, e José, segundo o narrador, a despeito do desabafo, acabou por retomar a tarefa de doutrinador de espíritos.


Romeu Grisi







Fonte: Julio Miyamoto

terça-feira, 14 de julho de 2020

Romeu Grisi - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Cap. VIII - Na "Peregrinação”



Romeu Grisi - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Cap. VIII


Na "Peregrinação” 


Desde a mudança de Chico para Uberaba, todos os sábados ele se reunia com elementos de seu grupo e os amigos espíritas, para realizar a caminhada em visita aos lares carentes na área onde hoje se estende a maior parte do Parque das Américas.

Em uma das vezes que estivemos na “peregrinação” – nome dado àquelas caminhadas – soubemos que, no sábado anterior, alguns meninos das cercanias também acompanhavam o grupo.

Entre as traquinagens com seus coleguinhas, um deles acabou por cair num poço que estava sendo aberto.

Em meio à consternação causada, Chico logo soube e pediu que se providenciasse uma corda. Enquanto esperavam por ela, ficaram em prece.

O local estava escuro, mal se via o buraco do poço. Quando a corda chegou, foi lançada ao fundo e o menino, agarrando-se a ela, foi retirado são e salvo. Aparentemente tudo acontecera de forma natural.

No dia seguinte, contudo, alguém, para tirar dúvidas quanto ao que presenciara, conseguiu ter em mãos a mesma corda usada na véspera e repetiu seu lançamento à luz do sol, a fim de verificar até onde ela chegava.

Qual não foi sua surpresa ao constatar que sua extensão alcançava um pouco mais da metade da profundidade do poço, visto ser esta bem maior do que se pensara na véspera.

E o garoto não sofrera nenhum dano!

A testemunha que nos contava, pois o médium não queria que se divulgasse o fato.

É fácil entender o cuidado de Chico ante o fenômeno que ocorrera, pois, se divulgado, seria considerado como miraculoso pela população das cercanias, dando uma conotação que não interessava ao trabalho junto às famílias carentes.

E, para os amigos espíritas, vindos dos mais distantes pontos do país, a “peregrinação” era também uma aula ao vivo de como praticar a caridade, enfatizando o contato direto com os necessitados. O médium sempre insistia no mister de estarmos próximos dos desfavorecidos da vida, para nos melhorarmos na vivência do Evangelho do Cristo.


Romeu Grisi








Fonte: Julio Miyamoto

sábado, 11 de julho de 2020

Chico Xavier - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Pág. 129 - O Endereço dos Espíritos



Chico Xavier - Livro Inesquecível Chico - Romeu Grisi e Gerson Sestini / Chico Xavier - Pág. 129


O Endereço dos Espíritos


Um senhor, conhecido nosso, pergunta ao médium:

- Chico, quando nossos familiares e amigos desencarnam, como saber se eles permanecem ainda no ambiente onde viveram ou se já partiram para outras esferas?

O médium sorriu assumindo uma atitude muito peculiar para responder a perguntas como aquela, lhe disse:

- Ah, meu irmão! Nem sempre é fácil sabermos onde eles se encontram! Algumas vezes eu tenho me surpreendido com a situação de amigos e familiares no Além.

Fez uma pausa como a rememorar uma de suas vivências no plano espiritual e falou:

- Vou contar um fato que talvez sirva de lição para todos nós aqui presentes:

Um trabalhador da seara do Mestre, muito amigo nosso, fora alertado por Dr. Bezerra para que cuidasse melhor da alimentação, diminuindo ingestão das substâncias calóricas que o faziam engordar.

Não sabemos o motivo, mas ele não seguiu as orientações do estimado mentor. E, como já estivesse se esgotando o tempo da sua permanência no plano físico, veio a desencarnar obeso.

Certa noite, desdobrei-me do corpo e, querendo notícias suas, vim a encontrá-lo na casa onde havia morado, aqui no plano físico.

Estranhei o fato de ele continuar ali, pois era um espírito esclarecido e com méritos.

Observando que já gozava de suficiente lucidez para dialogarmos, perguntei-lhe a razão de que o fazia permanecer ainda preso ao ambiente familiar.

Acabrunhado ele me respondeu:

- Estou aqui porque tenho que “perder peso” para ganhar outras esferas. Dr. Bezerra avisou-me que será um processo lento e gradativo, como se eu estivesse ainda encarnado.

E o Chico concluiu:

- De fato, no seu caso, o organismo espiritual necessitava do ambiente físico para se despojar dos fluidos que o impediam de se desprender do meio imediato em que vivera, tanto assim que ele fora avisado pelo mentor.

Veja o irmão como são variadas as circunstâncias – como neste caso específico – que nos impedem muitas vezes de saber como e onde estão nossos amigos e familiares no Além...

E o senhor, assumindo um tom jocoso, completou:

- A menos que o “telefone” toque para nos dar notícias e o “endereço” deles, não é mesmo?

Chico riu-se conosco da observação do amigo e lembrou-o de que a melhor notícia que podemos dar, através da mediunidade, é a de que continuamos vivos depois que partirmos deste mundo. Não importa se próximos ou distantes dos entes queridos, estaremos sempre vivos...


Chico Xavier







Fonte: Julio Miyamoto