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quarta-feira, 26 de março de 2025

Hammed - Livro Um Modo de Entender - Uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 13 - Simplicidade



Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 13


Simplicidade


A vida de muitas criaturas, além de desvitalizada, é circunstanciada por miudezas dispensáveis, desperdiçada com detalhes desnecessários. A simplicidade traria enormes benefícios para elas, a tiraria do cativeiro dos valores estabelecidos pelas convenções arbitrárias, lhes clarearia a visão e lhes traria mais leveza e tranquilidade existencial.

Acumular informação sem pensar, se atopetar de pertences, entulhar roupas e abarrotar a casa de coisas supérfluas é uma característica muito difundida na sociedade moderna.

À medida que novos elementos se somam aos bens físicos e intelectuais já adquiridos, passamos a alimentar a compulsão de armazenar ainda mais coisas, levando-nos a agir em função de uma suposta vantagem imediata, sem analisar as utilidades e consequências futuras dessa prática. Muitos indivíduos, equivocadamente, associam simplicidade com pobreza, mas existe uma diferença fundamental.

A simplicidade é uma opção de vida tanto do rico como do pobre, enquanto que a pobreza é, por si só, a privação de valores morais, intelectuais e espirituais de um indivíduo, e não necessariamente, a falta de recursos materiais para a sua subsistência. Quando nos livramos de tudo que é inútil e secundário, passamos a tomar consciência do que verdadeiramente temos e do que precisamos. Abrir mão dos trastes, de informações desnecessárias e de objetos em desuso exercita o desapego e facilita-nos a libertação dos ecos do passado. A partir disso, somam-se novas concepções, e as velhas mágoas, as culpas, os ressentimentos, os conflitos se dissipam, habilitando-nos a viver plenamente o momento presente.

Os homens simples se comunicam com sabedoria e humildade, enquanto que os complicados falam com presunção e pedantismo, são enfadonhos e prolixos, por que estão repletos de idéias ultrapassadas; contam e recontam seus discursos e mesmo assim parecem não dizer nada. A simplicidade de alma induz o indivíduo a se expressar com clareza, segurança e objetividade. Capazes de elaborar idéias de forma lógica, coerente e harmoniosa, tais pessoas resumem tudo o que querem dizer por meio de expressões sintéticas.

Quem se apartou da simplicidade vive "na futilidade dos seus pensamentos, com entendimento entenebrecido, alienados da vida de Deus pela sua ignorância", por isso coleciona coisas neuroticamente, acreditando numa ilusória segurança, mas esquecendo que não pode encontrá-la fora de si mesmo, muito menos por trás de um amontoado de conceitos, informações, acessórios e pertences sem serventia.

Buda (Sidarta Gautama) ensinava: "Se você não conseguir em si mesmo, onde irá buscar?" Muita coisa no mundo da erudição é tida como formação cultural, quando, na verdade, nada mais é do que entulho intelectual.

Aquele que ignora seu "nível de necessidade" legítimo, determinado por sua realidade profunda, vive sobrecarregado pelo peso da repressão sociocultural, se distancia da simplicidade. Abrir mão de posses desnecessárias é ir ao encontro de uma vida pacífica e harmoniosa.

Muitas criaturas se abarrotam impensadamente das instruções obtidas nos jornais, na televisão, nas salas de aula, nos livros, como sendo verdades absolutas. Essas informações podem muito nos ajudar, desde que não as elejamos como a verdade. A verdade não está na conceituação das palavras ou textos que lemos, mas nas experiências que podemos ter com ela, e a partir dela.

As vozes inspirativas da alma são providas de síntese e simplicidade, que a Vida Providencial murmura em nossa intimidade. A simplicidade consiste em não ficar distante do que é natural e espontâneo, uma vez que aqueles que se afastam dela ficam "com entendimento entenebrecido" e "alienados da vida de Deus".


Hammed














domingo, 5 de janeiro de 2025

Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 24 - Aceitação



Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 24


Aceitação


“Entende o que eu digo; e o Senhor te dará compreensão em todas as coisas”. (II Timóteo, 2:7.)

Aceita a vida que Deus te deu.

Aceita-te como és.

Aceita teus familiares.

Aceita teus conflitos.

Aceita tuas decepções.

Aceita tua parentela.

Aceita tuas dificuldades financeiras.

Aceita tuas desilusões.

Aceita as ingratidões contra ti.

Aceita tudo e todos.

Aceita atos e atitudes e faze o melhor que puderes.

Aceitar não quer dizer aplaudir e fazer o mesmo, mas compreender que cada um de nós tem e faz o que pode, que cada indivíduo está num grau diferente de evolução. Portanto, aceita o próximo como ele é.

Tu, porém, aceita, mas trabalha em favor de teu adiantamento espiritual e autoconhecimento, e assim serás mais feliz, livre de amargores e sentimentos que te aprisionam a vida interior.

“Entende o que eu digo; e o Senhor te dará compreensão em todas as coisas”. A “compreensão de Deus” virá junto com a sabedoria, e ela te conduzirá à aceitação plena dos potenciais humanos, desenvolvidos ou não – seja de natureza intelectual, seja de natureza espiritual e emocional.

Portanto, aceita-te como és, aceita teu próximo e faze sempre o teu melhor.

Com isso alcançarás vitória sobre teus conflitos existenciais e encontrarás o devido valor para todas as coisas da vida. 



Hammed 













terça-feira, 29 de outubro de 2024

Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 30 - Direitos naturais



Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 30


Direitos naturais


“Caríssimos, se o nosso coração não nos acusa, temos confiança diante de Deus; e tudo o que lhe pedimos recebemos dele.” (I João, 3:21 e 22.)


Deus colocou no coração do homem o sentimento de justiça. Os Espíritos Superiores, em “O Livro dos Espíritos”, afirmam que “o progresso moral desenvolve, sem dúvida, esse sentimento, mas não o dá” visto que encontramos frequentemente, entre homens simples e humildes, noções mais precisas de justiça e de direito que entre os que têm muita cultura ou sabedoria.

Deus não olha para os teus atos externos ou para a tua aparência, nem para nada do que está situado do teu lado de fora. Deus apenas observa o teu coração e as tuas intenções. A Divina Providência jamais te negará auxílio, mas essa ajuda será sempre proporcional à expansão de tua consciência; em outras palavras, corresponderá à tua habilidade de discernir, avaliar e entender as leis naturais.

O apóstolo João afirma no Novo Testamento que: “se o nosso coração não nos acusa, temos confiança diante de Deus; e tudo o que lhe pedimos recebemos dele”.

Não podemos falar de forma efetiva em “justiça do coração” sem levarmos em conta a sinceridade e a intenção com que envolvemos nossos comportamentos.

O “sentimento de justiça” existente no coração consiste no respeito aos nossos direitos e no respeito aos direitos de cada um.

Quem não sabe proteger seus direitos quase sempre extrapola os limites dos outros.

Quando devo utilizar meus limites?

Sempre que me sentir invadido; sempre que minhas fronteiras pessoais forem ignoradas ou desprezadas por alguém.

Limites e bons relacionamentos andam de mãos dadas.

Vejamos alguns dos direitos naturais de todo o ser humano:

– Direito de ser ele mesmo, sem sentir que é inferior ou superior;

– Direito de mudar de opinião e de renovar-se;

– Direito a todos os seus sentimentos: direito de sentir medo, mágoa e tristeza; direito até de esperar que esses sentimentos desapareçam.

– Direito de cometer erros e de se achar vulnerável

– Direito de dizer não às coisas contrárias aos seus gostos e valores

– Direito de não ser responsável pelos atos e atitudes alheios

– Direito de conquistar amigos e de ficar feliz ao encontrá-los

– Direito de rir e de se divertir o mais saudavelmente possível

– Direito de amar e de receber amor, sem a pretensão de ser compreendido por todos.

Uma vida sem limites, direitos e deveres é como um barco sem leme num imenso oceano.


Hammed













quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Hammed - Livro Um modo de entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 25 - Segundo a aparência



Hammed - Livro Um modo de entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 25


Segundo a aparência


“Não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a justiça”. (João, 7:24.)

Personalidade é a roupa que o Espírito veste temporariamente. Corpos são passageiros, o importante é a essência divina que habita em todos nós.

No âmago reside a alma imortal, que atravessa vidas sucessivas, vivendo, ora acentuadamente masculina, ora acentuadamente feminina, em corpos físicos adaptados para cumprir seu aprendizado terreno.

Na romagem multimilenária do tempo, o Espírito em evolução se demorou no hermafroditismo das plantas.

Segundo a Botânica, as plantas são andróginas, isto é, possuem “androceu” ou estame (órgão masculino composto pelo filete que sustenta a antera, na qual se encontram os grãos de pólen) e “gineceu” (órgão feminino constituído por um ou mais pistilos, que compreende o ovário, o estilete e o estigma).

Em virtude disso, as diversas experiências físicas através dos milênios sedimentaram no organismo humano determinada porcentagem de genes masculinos e femininos. Da mesma forma, essas mesmas experiências contribuíram para que as individualidades em trânsito adquirissem traços psicológicos bissexuais.

“O homem, tendo tudo o que há nas plantas e nos animais, domina todas as outras classes por uma inteligência especial, indefinida, que lhe dá a consciência do seu futuro (…)” (1)

Transcorreu longo tempo a evolução da alma humana para que o instinto sexual se aperfeiçoasse e aparecesse diferenciado sob a ação das leis da genética. Lembramo-nos, porém, que apenas as características morfológicas dos órgãos sexuais são determinadas pelos gens, e não as disposições psíquicas da individualidade milenar, que possui características peculiares.

O Dr. Carl Gustav Jung denomina “anima” ao conteúdo feminino inconsciente no psiquismo do homem, e “animus” à masculinidade inconsciente no psiquismo da mulher.

Muito antes de ser aceita pela ciência acadêmica, a noção de bissexualidade do ser humano foi inspirada aos escritores grecolatinos através dos mitos dos andróginos, que eram seres ágeis e possantes, temidos pelos deuses do Olimpo. Conforme a mitologia, Zeus, para enfraquecê-los, os separou em metades. Desde então cada alma repartida procura ansiosamente sua outra metade, sua alma gêmea.

A separação de Adão em elemento masculino e feminino é um processo de alienação do homem de seu estado original. O mito do jardim do Éden – descrito no Velho Testamento – igualmente nos dá a noção de bissexualidade. Na criação de Eva, desmembrada de Adão, está subentendido que o homem original era, em princípio, hermafrodita, pois de outra forma não seria possível criar uma mulher a partir dele.

Pode ser que esse mito, através dos tempos, tenha sido descaracterizado pelas normas e costumes patriarcais dos hebreus, que desconsideravam o componente feminino na psique humana, relegando-o a uma simples costela de homem.

Disse o apostolo João: “não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a justiça”. A aparência é a roupagem carnal e a justiça é a visão nítida de quem vê a alma com olhos transcendentais.

Jesus Cristo é o protótipo do homem do futuro; por saber que todos somos “semente em germinação”, Ele a utilizou como metáfora em muitos de seus ensinamentos.

Assim como a semente contém todos os elementos vitais para a formação de uma árvore, também nós possuímos em germe todos os componentes de que necessitamos para crescer e nos desenvolver espiritualmente.

Ao longo do tempo, a “semente imanente” que existe em nós se transmuta, desenvolvendo potencialidades inatas, e, futuramente, transforma-nos num ser em plenitude.

Se porventura pudéssemos perguntar ao botão de rosa se ele tem consciência de que nele existe em potencial o perfume da roseira, provavelmente ele não acreditaria. Assim, analogamente pensam as criaturas que vivem na dualidade, distantes do estado de unidade consciencial.

Talvez não acreditemos que possuímos os dons masculinos e femininos. Isso é compreensível devido ao nosso grau evolutivo. Num futuro breve, no entanto, descobriremos os valores potencializados que existem dentro de nós. Os atributos do anjo também nos pertencem. 


Hammed




(1) “O Livro dos Espíritos”, questão 585.












terça-feira, 14 de maio de 2024

Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 35 - Paraíso Perdido



Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 35


Paraíso Perdido


“Diz o Senhor: Colocarei minhas leis na sua mente, e as inscreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus” (Hebreus, 8:10.)


Não é necessário buscar fora, não é preciso esperar que alguém nos diga: Siga por este ou por aquele caminho.

Assevera Paulo de Tarso que virá um momento existencial em que perceberemos que as leis divinas estão impressas em nós: por isso escreveu aos hebreus: “Colocarei minhas leis na sua mente, e as inscreverei no seu coração”.

Para que esperarmos que os outros nos digam e ensinem o que está inscrito dentro de nós? Basta despertamos para esta verdade e não desviarmos a nossa atenção para fora, apenas observarmos atentamente a voz sapiencial da própria alma.

Um dia nos tornaremos traduções vivas das leis naturais ou divinas na Terra.

Quando deixarmos de lado o nosso verdadeiro âmago, esquecemos quem somos realmente e passamos a viver distanciados de onde saímos – da Casa Paterna -, perdidos, porque fomos “expulsos do paraíso”, ou seja, separados da essência divinal.

Vivemos adormecidos, sem a consciência clara de quem somos, o que e porque fazemos as coisas; vivemos arrastados pelos instintos, praticamente inconscientes, apartados do “Eu”, essência que preside nossa vida interna e externa.

Eis algumas perguntas e respostas, subproduto de nossas experiências e reflexões no decurso de nossas meditações, retiradas do “paraíso perdido” durante o silêncio absoluto da mente. Essas idéias, entretanto, não devem ser acolhidas como preceitos superiores para todas as pessoas, pois não temos a pretensão de ditar máximas nem impor nossos pontos de vista. Nosso objetivo é, unicamente, expor o singelo resultado de nossas considerações reflexivas. Aqui estão elas:

O grande orientador? A voz da própria alma.

A religiosidade? Um valor que não tem preço.

O enigma a ser desvendado? A própria existência.

O pior empecilho? Não agir com naturalidade.

O melhor dia pra mudar? Hoje.

O único fracasso? Aquele com o qual nada se aprende.

O mais perigoso dos erros? Querer acertar sempre.

O egoísmo? Estado natural e transitório dos seres humanos.

O mais generoso dos sentimentos? O autoperdão.

A emoção que corrói? A mágoa.

A vida sem amor? Um profundo desânimo.

O maior de todos os riscos? Nunca querer correr riscos.

O presente mais querido? Amar e ser amado.

A raiz de todo bem? O respeito a tudo e a todos.

O resultado do medo? A perda da originalidade.

A autoaceitação? Uma existência serena.

O obstinado defeito? A busca apressada da perfeição.

O trabalho vocacional? Sensação de completude.

O pior dos inimigos? A falta de bom senso.

A mais eficaz meditação? Conhecer a si mesmo.

A necessidade incondicional? A entrega nas mãos de Deus.

A convivência ideal? Comunicação de sentimentos.

A melhor das descobertas? A autorresponsabilidade.

A primordial importância? A fé raciocinada.

O que se leva em conta? A sinceridade das intenções.

A ânsia de querer agradar a todos? Sensação de impotência.

A melhor das defesas? O sorriso espontâneo.

A fonte das insatisfações: Acreditar que os recursos que buscamos estão fora de nós.

O hábito de polemizar constantemente? Cultivo da guerra interior.

Os professores particulares? Os eventos do dia-a-dia.

O que mais ameaça ou protege? Busque a resposta dentro de si mesmo.

Para abolirmos o cativeiro da ignorância – que nos impede de desvendar o “livro sagrado”, ou a imago Dei, que reside em nós – é preciso integrar a compreensão do mundo exterior com o divino existente no reino interior.

Não se alcança a luz do Espírito nem por osmose ou símbolos, nem através de cerimônias ou determinações das autoridades religiosas, e sim entesourando os valores e as experiências provenientes da própria busca íntima.


Hammed














quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Hammed - Livro Um modo de entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 46 - Auxílios Invisíveis



Hammed - Livro Um modo de entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 46


Auxílios Invisíveis


“O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente na terra: ele dorme e acorda, de noite e de dia, mas a semente germina e cresce, sem que ele saiba como. A terra por si mesma produz fruto: primeiro a erva, depois a espiga e, por fim, a espiga cheia de grãos”. – (Marcos, 4:26 a 28.)

Nem sempre conseguimos perceber com lucidez os auxílios espirituais que recebemos de Mais Alto. No entanto, nossa existência é controlada por uma Fonte Divina, perfeita e harmônica, cuja única intenção é a evolução das almas.

O que nós conhecemos não é a realidade, mas o que a nossa instrumentalidade pode perceber sobre ela. A plenitude da realidade é muito maior do que a ideia ou imagem que concebemos do mundo.

Podemos definir como “míope espiritual” aquele que toma a parte pelo todo e impõe a si e aos outros essa parte como sendo o todo.

Da mesma forma que não podemos calcular com precisão, e de modo consciente, os benefícios da respiração, da água, dos alimentos e das energias da Natureza em nossa vida orgânica, igualmente não nos damos conta dos benefícios da movimentação desencadeada pelos processos transcendentais que nos alcançam a vida íntima.

O Criador, Guardião de tudo o que existe, Artífice da máquina da vida, nos protege de forma contínua, suprindo-nos interna e externamente, quer reconheçamos, ou não, como verdadeira a Vida providencial.

Na vida física, a criatura se desenvolve sem notar precisamente como ocorre esse fenômeno invisível em seu cosmo orgânico. Do mesmo modo, espiritualmente, progredimos e amadurecemos sem perceber como se processam os insights, isto é, a clareza súbita na mente, ou os saltos evolutivos promovidos no interior de todas as coisas e seres viventes.

Jesus de Nazaré se reportou a esse respeito, afirmando: “O Reino de Deus é como um homem que lançou a semente na terra: ele dorme e acorda, de noite e de dia, mas a semente germina e cresce, sem que ele saiba como. A terra por si mesma produz fruto: primeiro a erva, depois a espiga e, por fim, a espiga cheia de grãos”.

Não podemos acreditar que somos “órfãos do Universo”. Podemos chamar Deus de Providência, uma vez que o seu pensamento é que provê o espaço cósmico; podemos também intitulá-lo de Destino, pois ele é a Causalidade Excelsa. Igualmente podemos denominá-lo de Natureza, visto que tudo nasce de seu Psiquismo Criador.

Quando cremos que os auxílios invisíveis fazem parte de nossa existência, desenvolvemos o potencial de religiosidade – encontrar Deus em nós – e saímos das nossas zonas de conforto para níveis de consciência cada vez mais amplos e elevados.

No campo da fisiologia, o termo homeostase foi criado para definir o processo autorregulador pelo qual um organismo se mantém num adequado e constante ponto de equilíbrio.

É um mecanismo de proteção ou de compensação que o corpo físico dispõe para equilibrar as diversas funções e composições químicas internas, a saber: pressão arterial, temperatura corporal, pulsação cardíaca, taxa de açúcar no sangue e outras tantas.

Tomemos como exemplo a temperatura. Uma das funções da pele é ajudar a conter qualquer disposição do corpo de ficar demasiadamente quente ou frio.

O principal regulador da temperatura corporal acha-se localizado no cérebro (no hipotálamo). Ele possui termostatos para registrar a elevação e a queda de temperatura.

Ao menor sinal de excesso de calor, acelera-se a circulação do sangue na pele, e o calor dos órgãos internos se transporta para os pequenos vasos sanguíneos, abaixo da pele, ali se desfazendo.

O mesmo termostato estimula a atividade das glândulas sebáceas localizadas no fundo do tecido subcutâneo. O suor secretado pelas glândulas sudoríparas é destilado pelos poros através da transpiração, evaporando-se ao contato com o ar exterior, e isso proporciona um resfriamento eficaz.

Podemos traçar um paralelo entre o princípio da homeostase existente no organismo humano com o processo autorregulador atuante na estrutura da psique.

No inconsciente, o Self, arquétipo central que tem a função de unificar, reconciliar e reequilibrar todo o governo psíquico, mantém, de modo semelhante, uma sabedoria instintiva que pode corrigir desacertos e excessos da consciência, equilibrando-a e protegendo-a dos perigos da alienação.

Como psicólogo e psiquiatra, Jung foi quem melhor soube entender e respeitar a providencialidade do auxílio invisível que a tudo apoia e equilibra.

Jung colocou no centro de todo processo psicoterápico o princípio do “poder atuante e autônomo do inconsciente”. Em virtude disso, entendemos que a autêntica psicoterapia nada mais é do que “saber escutar e acompanhar” o outro, com ouvido empático, interpretando as manifestações e possibilidades oferecidas pelo poder criativo e atuante do próprio inconsciente.

Fazendo uma analogia da teoria do “poder criativo e autônomo do inconsciente” com os nossos conceitos, poderíamos interpretá-lo como a “onipresença e onipotência de Deus em nós”.

Com muita propriedade disse Cristo Jesus: “Em verdade vos digo: se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta montanha: transporta-te daqui para lá, e ela se transportará, e nada vos será impossível”[1].

A fé de que se fala aqui é a entrega incondicional aos desígnios de Deus. Essa fé não se limita à esfera religiosa, não se identifica com estudos teológicos e eclesiásticos e não se deixa restringir a nenhuma igreja ou seita. Ninguém possui o monopólio dessa fé, uma vez que ninguém pode viver sem ela.

O auxílio invisível chega a todos nós com a mesma sutileza com que os raios do sol fazem aparecer o dia. Justos e injustos recebem invariavelmente o suprimento divino, e ele desce imperceptível sobre as criações e as criaturas como um orvalho fecundo fundamental à nossa vida de espíritos imortais.


Hammed









[1] Mateus, 17:20.



sexta-feira, 4 de junho de 2021

Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 35 - Paraíso Perdido




Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 35


Paraíso Perdido


“Diz o Senhor: Colocarei minhas leis na sua mente, e as inscreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus” (Hebreus, 8:10.)


Não é necessário buscar fora, não é preciso esperar que alguém nos diga: Siga por este ou por aquele caminho.

Assevera Paulo de Tarso que virá um momento existencial em que perceberemos que as leis divinas estão impressas em nós: por isso escreveu aos hebreus: “Colocarei minhas leis na sua mente, e as inscreverei no seu coração”.

Para que esperarmos que os outros nos digam e ensinem o que está inscrito dentro de nós? Basta despertamos para esta verdade e não desviarmos a nossa atenção para fora, apenas observarmos atentamente a voz sapiencial da própria alma.

Um dia nos tornaremos traduções vivas das leis naturais ou divinas na Terra.

Quando deixarmos de lado o nosso verdadeiro âmago, esquecemos quem somos realmente e passamos a viver distanciados de onde saímos – da Casa Paterna -, perdidos, porque fomos “expulsos do paraíso”, ou seja, separados da essência divinal.

Vivemos adormecidos, sem a consciência clara de quem somos, o que e porque fazemos as coisas; vivemos arrastados pelos instintos, praticamente inconscientes, apartados do “Eu”, essência que preside nossa vida interna e externa.

Eis algumas perguntas e respostas, subproduto de nossas experiências e reflexões no decurso de nossas meditações, retiradas do “paraíso perdido” durante o silêncio absoluto da mente. Essas idéias, entretanto, não devem ser acolhidas como preceitos superiores para todas as pessoas, pois não temos a pretensão de ditar máximas nem impor nossos pontos de vista. Nosso objetivo é, unicamente, expor o singelo resultado de nossas considerações reflexivas. Aqui estão elas:

O grande orientador? A voz da própria alma.

A religiosidade? Um valor que não tem preço.

O enigma a ser desvendado? A própria existência.

O pior empecilho? Não agir com naturalidade.

O melhor dia pra mudar? Hoje.

O único fracasso? Aquele com o qual nada se aprende.

O mais perigoso dos erros? Querer acertar sempre.

O egoísmo? Estado natural e transitório dos seres humanos.

O mais generoso dos sentimentos? O autoperdão.

A emoção que corrói? A mágoa.

A vida sem amor? Um profundo desânimo.

O maior de todos os riscos? Nunca querer correr riscos.

O presente mais querido? Amar e ser amado.

A raiz de todo bem? O respeito a tudo e a todos.

O resultado do medo? A perda da originalidade.

A autoaceitação? Uma existência serena.

O obstinado defeito? A busca apressada da perfeição.

O trabalho vocacional? Sensação de completude.

O pior dos inimigos? A falta de bom senso.

A mais eficaz meditação? Conhecer a si mesmo.

A necessidade incondicional? A entrega nas mãos de Deus.

A convivência ideal? Comunicação de sentimentos.

A melhor das descobertas? A autorresponsabilidade.

A primordial importância? A fé raciocinada.

O que se leva em conta? A sinceridade das intenções.

A ânsia de querer agradar a todos? Sensação de impotência.

A melhor das defesas? O sorriso espontâneo.

A fonte das insatisfações: Acreditar que os recursos que buscamos estão fora de nós.

O hábito de polemizar constantemente? Cultivo da guerra interior.

Os professores particulares? Os eventos do dia-a-dia.

O que mais ameaça ou protege? Busque a resposta dentro de si mesmo.

Para abolirmos o cativeiro da ignorância – que nos impede de desvendar o “livro sagrado”, ou a imago Dei, que reside em nós – é preciso integrar a compreensão do mundo exterior com o divino existente no reino interior.

Não se alcança a luz do Espírito nem por osmose ou símbolos, nem através de cerimônias ou determinações das autoridades religiosas, e sim entesourando os valores e as experiências provenientes da própria busca íntima.


Hammed









segunda-feira, 12 de abril de 2021

Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 13 - Simplicidade




Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 13


Simplicidade


A vida de muitas criaturas, além de desvitalizada, é circunstanciada por miudezas dispensáveis, desperdiçada com detalhes desnecessários. A simplicidade traria enormes benefícios para elas, a tiraria do cativeiro dos valores estabelecidos pelas convenções arbitrárias, lhes clarearia a visão e lhes traria mais leveza e tranquilidade existencial.

Acumular informação sem pensar, se atopetar de pertences, entulhar roupas e abarrotar a casa de coisas supérfluas é uma característica muito difundida na sociedade moderna.

À medida que novos elementos se somam aos bens físicos e intelectuais já adquiridos, passamos a alimentar a compulsão de armazenar ainda mais coisas, levando-nos a agir em função de uma suposta vantagem imediata, sem analisar as utilidades e consequências futuras dessa prática. Muitos indivíduos, equivocadamente, associam simplicidade com pobreza, mas existe uma diferença fundamental.

A simplicidade é uma opção de vida tanto do rico como do pobre, enquanto que a pobreza é, por si só, a privação de valores morais, intelectuais e espirituais de um indivíduo, e não necessariamente, a falta de recursos materiais para a sua subsistência. Quando nos livramos de tudo que é inútil e secundário, passamos a tomar consciência do que verdadeiramente temos e do que precisamos. Abrir mão dos trastes, de informações desnecessárias e de objetos em desuso exercita o desapego e facilita-nos a libertação dos ecos do passado. A partir disso, somam-se novas concepções, e as velhas mágoas, as culpas, os ressentimentos, os conflitos se dissipam, habilitando-nos a viver plenamente o momento presente.

Os homens simples se comunicam com sabedoria e humildade, enquanto que os complicados falam com presunção e pedantismo, são enfadonhos e prolixos, por que estão repletos de idéias ultrapassadas; contam e recontam seus discursos e mesmo assim parecem não dizer nada. A simplicidade de alma induz o indivíduo a se expressar com clareza, segurança e objetividade. Capazes de elaborar idéias de forma lógica, coerente e harmoniosa, tais pessoas resumem tudo o que querem dizer por meio de expressões sintéticas.

Quem se apartou da simplicidade vive "na futilidade dos seus pensamentos, com entendimento entenebrecido, alienados da vida de Deus pela sua ignorância", por isso coleciona coisas neuroticamente, acreditando numa ilusória segurança, mas esquecendo que não pode encontrá-la fora de si mesmo, muito menos por trás de um amontoado de conceitos, informações, acessórios e pertences sem serventia.

Buda (Sidarta Gautama) ensinava: "Se você não conseguir em si mesmo, onde irá buscar?" Muita coisa no mundo da erudição é tida como formação cultural, quando, na verdade, nada mais é do que entulho intelectual.

Aquele que ignora seu "nível de necessidade" legítimo, determinado por sua realidade profunda, vive sobrecarregado pelo peso da repressão sociocultural, se distancia da simplicidade. Abrir mão de posses desnecessárias é ir ao encontro de uma vida pacífica e harmoniosa.

Muitas criaturas se abarrotam impensadamente das instruções obtidas nos jornais, na televisão, nas salas de aula, nos livros, como sendo verdades absolutas. Essas informações podem muito nos ajudar, desde que não as elejamos como a verdade. A verdade não está na conceituação das palavras ou textos que lemos, mas nas experiências que podemos ter com ela, e a partir dela.

As vozes inspirativas da alma são providas de síntese e simplicidade, que a Vida Providencial murmura em nossa intimidade. A simplicidade consiste em não ficar distante do que é natural e espontâneo, uma vez que aqueles que se afastam dela ficam "com entendimento entenebrecido" e "alienados da vida de Deus".


Hammed














segunda-feira, 22 de março de 2021

Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 9 - Anjos




Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 9


Anjos


“O Senhor declara: Pondo as minhas leis nos seus corações e inscrevendo-as na sua mente”. (Hebreus, 10:16.)


Anjos são Espíritos puros, mensageiros de Deus, cujas ordens executam para a manutenção da harmonia universal.

É errônea a opinião dos que admitem a existência de seres criados perfeitos e superiores a todas as outras criaturas, pois eles também percorrem os graus da escala evolutiva.

Toda criatura de Deus carrega na consciência a lei divina, afirmam os Benfeitores de Luz a Allan Kardec. E da mesma maneira “o Senhor declara: Pondo as minhas leis nos seus corações e inscrevendo-as na sua mente”.

A expressão “consciência”, utilizada pelos Mentores do Bem, tem o mesmo significado de “Espírito”, visto que, se as leis divinas ou naturais estivessem unicamente na área consciencial do ego, não teríamos maiores dificuldades de entendê-las ou colocá-las em prática.

Espíritos angelicais possuem a consciência plena de luminosidade e, por conseqüência, as leis de Deus nela contidas se revestem do mais alto grau de clareza.

Por metáfora, anjos podem ser designações das próprias leis divinas agindo para a harmonia do Cosmo.

A “consciência iluminada” é a salvação das almas, e o “Reino dos Céus” não despertará em nosso mundo interior se estivermos atrelados a padrões externos – pessoas, formas ou objetos modelados.

À proporção que caminhamos no fluxo divino, seres angelicais nos protegem e intervêm em nossa vida como instrumentos da onipresença, onisciência e onipotência do Criador.

Existe uma Determinação Universal, e ela sempre se faz presente, apesar de não a compreendermos. O desejo de Deus sempre está bem perto, dentro e, ao mesmo tempo, em volta de nós.

Os anjos assemelham-se a sóis cujos raios resplandecentes são comparados às leis celestiais que a tudo vêem e proveem.

Espíritos puros emitem os clarões luminosos da compaixão, do trabalho, da humildade, da igualdade, do progresso, da fraternidade, da naturalidade, da liberdade, da justiça, do amor e da generosidade.

Nosso anjo benfeitor tem a força exata da energia do bem que existe em nós.

O escudo que nos protege contra as batalhas existenciais tem firmeza, consistência e compacidade diretamente proporcionais à qualidade de nossos atos e atitudes íntimas.

Por vezes, o apoio de Deus através dos seres angélicos é silencioso e imperceptível, mas vale lembrar que, nesse auxílio providencial, se incluem as nossas tarefas diárias de responsabilidade e prudência. Essa parcela cabe a nós, no entanto isso não quer dizer que devemos tentar controlar o curso do destino, acreditando que a Consciência Cósmica passou por nós sem nos perceber.

Anjos estão “de guarda” ou anjos estão “descuidados”, em perfeita simultaneidade de tempo e/ou espaço da própria “guarda” ou “distração” interior.

A aparência e as vestes que atribuímos às almas sublimes são perfeitamente ajustadas aos nossos valores, crenças, conceitos ou graus de religiosidade.

Dentro de cada um de nós, existe um sol (anjo) em formação, cujos feixes luminosos (leis divinas) já começam a se revelar.

Anjos são energias de luz que auxiliam as criaturas pelas mãos do Criador.


Hammed







domingo, 8 de novembro de 2020

Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 35 - Paraíso perdido




Hammed - Livro Um Modo de Entender: uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 35


Paraíso perdido


“Diz o Senhor: Colocarei minhas leis na sua mente, e as inscreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus” (Hebreus, 8:10.)


Não é necessário buscar fora, não é preciso esperar que alguém nos diga: Siga por este ou por aquele caminho.

Assevera Paulo de Tarso que virá um momento existencial em que perceberemos que as leis divinas estão impressas em nós: por isso escreveu aos hebreus: “Colocarei minhas leis na sua mente, e as inscreverei no seu coração”.

Para que esperarmos que os outros nos digam e ensinem o que está inscrito dentro de nós? Basta despertamos para esta verdade e não desviarmos a nossa atenção para fora, apenas observarmos atentamente a voz sapiencial da própria alma.

Um dia nos tornaremos traduções vivas das leis naturais ou divinas na Terra.

Quando deixarmos de lado o nosso verdadeiro âmago, esquecemos quem somos realmente e passamos a viver distanciados de onde saímos – da Casa Paterna -, perdidos, porque fomos “expulsos do paraíso”, ou seja, separados da essência divinal.

Vivemos adormecidos, sem a consciência clara de quem somos, o que e porque fazemos as coisas; vivemos arrastados pelos instintos, praticamente inconscientes, apartados do “Eu”, essência que preside nossa vida interna e externa.

Eis algumas perguntas e respostas, subproduto de nossas experiências e reflexões no decurso de nossas meditações, retiradas do “paraíso perdido” durante o silêncio absoluto da mente. Essas idéias, entretanto, não devem ser acolhidas como preceitos superiores para todas as pessoas, pois não temos a pretensão de ditar máximas nem impor nossos pontos de vista. Nosso objetivo é, unicamente, expor o singelo resultado de nossas considerações reflexivas. Aqui estão elas:

O grande orientador? A voz da própria alma.

A religiosidade? Um valor que não tem preço.

O enigma a ser desvendado? A própria existência.

O pior empecilho? Não agir com naturalidade.

O melhor dia pra mudar? Hoje.

O único fracasso? Aquele com o qual nada se aprende.

O mais perigoso dos erros? Querer acertar sempre.

O egoísmo? Estado natural e transitório dos seres humanos.

O mais generoso dos sentimentos? O autoperdão.

A emoção que corrói? A mágoa.

A vida sem amor? Um profundo desânimo.

O maior de todos os riscos? Nunca querer correr riscos.

O presente mais querido? Amar e ser amado.

A raiz de todo bem? O respeito a tudo e a todos.

O resultado do medo? A perda da originalidade.

A autoaceitação? Uma existência serena.

O obstinado defeito? A busca apressada da perfeição.

O trabalho vocacional? Sensação de completude.

O pior dos inimigos? A falta de bom senso.

A mais eficaz meditação? Conhecer a si mesmo.

A necessidade incondicional? A entrega nas mãos de Deus.

A convivência ideal? Comunicação de sentimentos.

A melhor das descobertas? A autorresponsabilidade.

A primordial importância? A fé raciocinada.

O que se leva em conta? A sinceridade das intenções.

A ânsia de querer agradar a todos? Sensação de impotência.

A melhor das defesas? O sorriso espontâneo.

A fonte das insatisfações: Acreditar que os recursos que buscamos estão fora de nós.

O hábito de polemizar constantemente? Cultivo da guerra interior.

Os professores particulares? Os eventos do dia-a-dia.

O que mais ameaça ou protege? Busque a resposta dentro de si mesmo.

Para abolirmos o cativeiro da ignorância – que nos impede de desvendar o “livro sagrado”, ou a imago Dei, que reside em nós – é preciso integrar a compreensão do mundo exterior com o divino existente no reino interior.

Não se alcança a luz do Espírito nem por osmose ou símbolos, nem através de cerimônias ou determinações das autoridades religiosas, e sim entesourando os valores e as experiências provenientes da própria busca íntima.


Hammed