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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Santo Agostinho - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. XII — Da perfeição moral - Conhecimento de si mesmo - Questão 919 (Miramez)



Santo Agostinho - O Livro dos Espíritos - Allan Kardec - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. XII — Da perfeição moral


Conhece-te a ti mesmo


919. Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal?

— Um sábio da Antiguidade vos disse: “Conhece-te a ti mesmo”.

919-a. Compreendemos toda a sabedoria dessa máxima, mas a dificuldade está precisamente em se conhecer a si próprio. Qual o meio de chegar a isso?

— Fazei o que eu fazia quando vivi na Terra: no fim de cada dia interrogava a minha consciência, passava em revista o que havia feito e me perguntava a mim mesmo se não tinha faltado ao cumprimento de algum dever, se ninguém teria tido motivo para se queixar de mim. Foi assim que cheguei a me conhecer e ver o que em mim necessitava de reforma. Aquele que todas as noites lembrasse todas as suas ações do dia, e, se perguntasse o que fez de bem ou de mal, pedindo a Deus e ao seu anjo guardião que o esclarecessem, adquiriria uma grande força para se aperfeiçoar, porque, acreditai-me, Deus o assistirá. Formulai, portanto, as vossas perguntas, indagai o que fizestes e com que fito agistes em determinada circunstância, se fizestes alguma coisa que censuraríeis nos outros, se praticastes uma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda isto: Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, ao entrar no mundo dos Espíritos, onde nada é oculto, teria eu de temer o olhar de alguém? Examinai o que pudésseis ter feito contra Deus, depois contra o próximo e por fim contra vós mesmos. As respostas serão motivo de repouso para vossa consciência ou indicarão um mal que deve ser curado.

O conhecimento de si mesmo é portanto a chave do melhoramento individual. Mas, direis, como julgar a si mesmo? Não se terá a ilusão do amor-próprio, que atenua as faltas e as torna desculpáveis? O avaro se julga simplesmente econômico e previdente, o orgulhoso se considera tão somente cheio de dignidade. Tudo isso é muito certo, mas tendes um meio de controle que não vos pode enganar. Quando estais indecisos quanto ao valor de uma de vossas ações, perguntai como a qualificaríeis se tivesse sido praticada por outra pessoa. Se a censurardes em outros, ela não poderia ser mais legítima para vós, porque Deus não usa de duas medidas para a justiça. Procurai também saber o que pensam os outros e não negligencieis a opinião dos vossos inimigos, porque eles não têm nenhum interesse em disfarçar a verdade e geralmente Deus os colocou ao vosso lado como um espelho, para vos advertirem com mais franqueza do que o faria um amigo. Que aquele que tem a verdadeira vontade de se melhorar explore, portanto, a sua consciência, a fim de arrancar dali as más tendências como arranca as ervas daninhas do seu jardim; que faça o balanço da sua jornada moral como o negociante o faz dos seus lucros e perdas, e eu vos asseguro que o primeiro será mais proveitoso que o outro. Se ele puder dizer que a sua jornada foi boa, pode dormir em paz e esperar sem temor o despertar na outra vida.

Formulai, portanto, perguntas claras e precisas e não temais multiplicá-las: pode-se muito bem consagrar alguns minutos à conquista da felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias para ajuntar o que vos dê repouso na velhice? Esse repouso não é o objeto de todos os vossos desejos, o alvo que vos permite sofrer as fadigas e as privações passageiras? Pois bem: o que é esse repouso de alguns dias, perturbado pelas enfermidades do corpo, ao lado daquilo que aguarda o homem de bem? Isto não vale a pena de alguns esforços? Sei que muitos dizem que o presente é positivo e o futuro incerto. Ora, aí está, precisamente, o pensamento que fomos encarregados de destruir em vossas mentes, pois desejamos fazer-vos compreender esse futuro de maneira a que nenhuma dúvida possa restar em vossa alma. Foi por isso que chamamos primeiro a vossa atenção para os fenômenos da Natureza que vos tocam os sentidos e depois vos demos instruções que cada um de vós tem o dever de difundir. Foi com esse propósito que ditamos O Livro dos Espíritos.


Santo Agostinho




Muitas faltas que cometemos nos passam despercebidas. Se, efetivamente, seguindo o conselho de Santo Agostinho, interrogássemos mais amiúde a nossa consciência, veríamos quantas vezes falimos sem que o suspeitemos, unicamente por não perscrutarmos a natureza e o móvel dos nossos atos.

A forma interrogativa tem alguma coisa de mais preciso do que as máximas, que muitas vezes deixamos de aplicar a nós mesmos. Aquela exige respostas categóricas, por um sim ou um não, que não abrem lugar para qualquer alternativa e que são outros tantos argumentos pessoais. E, pela soma que derem as respostas, poderemos computar a soma de bem ou de mal que existe em nós.


Allan Kardec




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito 
Miramez
Questão 919 comentada


A indução do mal é constante na alma que começa a chegar à maturidade espiritual, no entanto, é nesta oportunidade que ela assimila conhecimentos espirituais, capazes de levá-lo à libertação.

Conhecer-se a si mesmo é a chave preciosa de despertamento dos valores internos, onde o coração é a porta e a consciência, a sala de meditação. Deves, ao final de cada dia, se possível, pensar nos teus atos e analisá-los com bastante rigor, procurando, no outro dia, corrigir alguma coisa que não podes desejar para os outros.

O mal, por vezes, é necessário, como diz Jesus, no tocante ao escândalo, pois é por seu intermédio que passamos a valorizar o bem. Ele é o mesmo bem invertido. Todos, sem exceção, praticamos o inconveniente. Como agricultor ao chegar à mata virgem, que somente encontra dificuldades, depois de tudo pronto, a lavoura medra no terreno, dando-lhes prazer, como frutos do trabalho que venceu todas as dificuldades. Deves fazer qual o comerciante precavido, que sempre, em todo final de dia, dá um balanço na sua organização, para saber o que deve mudar para melhor, conhecendo a intimidade da sua casa comercial. Por que não fazer assim, com o comércio dos teus pensamentos no dia-a-dia, observando o que deve ser mudado para melhor, moralmente? É um trabalho algo pesado, mas que o bom senso pede urgência, principalmente entre os espíritas conscienciosos, que estudam com sinceridade a Doutrina dos Espíritos. Aí os benfeitores espirituais vêm em auxílio aos de boa vontade, ajudando-os no conhecimento de si mesmos.

Conhece-te a ti mesmo é a alta iniciação que a maturidade oferta à alma porque, passando a conhecer-se, fica mais fácil conhecer e respeitar os outros. Podemos dizer que o Espírito, em qualquer posição em que esteja, na carne ou no mundo espiritual, que conhece a si mesmo, encontrou a medula da vida, de onde poderá confortar o corpo e o próprio Espírito, abrindo a visão para a vida transcendental, onde nos aguardam a esperança e a certeza de que não existe morte, porque os sentidos crescem em todas as direções, nos mostrando vida em tudo, desde o vírus até os acúmulos dos mundos que circulam dentro da criação de Deus. Deus é vida.

Para se conhecer a si mesmo, o primeiro passo é o desprendimento, mas que seja feito com certo discernimento, principalmente na época em que vives.

E se emprestais àqueles de quem esperais receber qual é a vossa recompensa? Também os ímpios emprestam aos ímpios, para receberem outro tanto. (Lucas, 6:34)

A usura empana a mente, onde pode dirigir o coração. O interesse pessoal é capaz de turvar os sentimentos de amor, dando outra direção à força do bem, de sorte que o egoísmo cresça e o orgulho passe a dominar o ambiente de paz, surgindo a guerra, e enquanto houver essa luta, jamais o homem entenderá o conhece-te a ti mesmo.

Deus fez as leis espirituais, por saber que começaríamos a vida, torcendo os mandamentos. As leis formuladas por Ele nos ajudam a compreendê-Lo na sua profundidade. A ignorância, ao desaparecer, vai cedendo lugar à compreensão, e a alma percebe que existe a felicidade, pelos raios de paz na consciência que vão surgindo, pela marca do amor.

A Doutrina dos Espíritos, pelos processos da mediunidade, estabelece na Terra modalidades variáveis de aprendizado, pela variação dos sentimentos humanos. Isso é justiça, dando a cada um a lição que merece, ajustando suas forças na força de Cristo.

Sê atento aos meios por que Deus fala ao teu coração, e não percas oportunidade no aprendizado. A tua senda de crescimento somente tu entendes, porque Deus não falha nos teus caminhos nem Cristo te abandona nas tuas lutas.

Esforça-te para não te esqueceres dessa máxima atribuída a Sócrates, mas que é repetição do mesmo que disseram outras almas do passado. Verdadeiramente ela é de Jesus, vinda d`Ele pelos processos do mediunismo mais puro, para almas que viviam à luz da fraternidade.


Miramez




Livro Filosofia Espírita Vol. 12 - João Nunes Maia
Cap. 1 - Conhece-te a ti mesmo







Fontes: Filosofia Espírita Vol. 12-pdfKardecpedia


Santo Agostinho - Livro Taça de Luz - Chico Xavier - Cap. 46 - Convite ao Evangelho



Santo Agostinho - Livro Taça de Luz - Chico Xavier - Cap. 46


Convite ao Evangelho


Quem transmite as lições do Evangelho distribui as riquezas do Senhor e quem as ouve acumula na própria alma os tesouros da Luz Eterna.


Santo Agostinho












sábado, 6 de dezembro de 2025

Agostinho - Livro Doutrina e Aplicação - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 3 - Servir em silêncio



Agostinho - Livro Doutrina e Aplicação - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 3


Servir em silêncio


Meu caro Átila. (1)

O discípulo do Senhor não é chamado tão somente ao curso verbal.

Aprendizado e aplicação constituem a realização.

Não te prendas, desse modo, à indagação que perde o valor do tempo.

Pensa e age ao padrão de idealismo redentor que abraçaste.

As sementes divinas devem frutificar em nossos próprios caminhos, através do esforço perseverante.

Na fase evolutiva que nos é própria, vemos aqueles que possuem a vida e os que são possuídos por ela.

Os primeiros aproveitam o dia, enriquecendo-se de valores permanentes, no rumo das aquisições eternas.

Os segundos são aproveitados pelas forças que orientam as horas, no jogo das circunstâncias fatais.

Uns criam luz e sabedoria.

Outros descansam e sofrem os conflitos da sombra.

Governando com as diretrizes superiores, convertem-se na instrumentalidade dos Celestes Desígnios.

Submetendo-se às causas de ordem inferior, perseguem a ociosidade, ainda mesmo quando o regalo inútil se lhes apresente aos olhos mortais com rotulagem fascinante.

Necessário se faz marcharmos, com desassombro e serenidade, dilatando a capacidade receptiva, à frente da Majestade Criadora.

O fenômeno nos Círculos físicos e espirituais não têm outro objetivo senão acordar a mente para a revelação do Mais Alto.

Provar a divindade em nós — herdeiros da Grandeza Universal — é muito mais que positivar a sobrevivência, além da morte.

Guardar a bondade e o entendimento na direção do Amor Supremo vale mais que o poder de demonstrar a existência dos anjos.

O Reino do Senhor começará no indivíduo ou jamais se estabelecerá na Terra, porque Deus visita o homem e educa-o através do próprio homem.

O processo de autoaprimoramento, na sublimação do raciocínio e do sentimento transforma-nos em servos da Lei Soberana e Compassiva, constituindo, em nossa esfera de edificações presentes, o ministério maior.

Espiritualizemo-nos, portanto, no caminho da perfeição e prossigamos com Jesus.

Não importa a incompreensão.

Cada criatura vê o horizonte que os próprios olhos podem abranger.

Quem ama não discute.

Serve em silêncio, semeia o bem à distância da preocupação de recompensa e segue adiante.

O trabalho cristão é a nossa alavanca renovadora.

Busquemos a ciência, realizando a santidade.

Os dias escoam-se apressados.

As formas refundem-se, incessantemente.

A morte que modifica e seleciona, pune e corrige, atinge os próprios mundos.

Detendo o Tesouro do Conhecimento Divino, elevemos nosso coração aos santuários eternos.

Responsáveis pelas dívidas que criamos no passado, com a falsa aplicação das bênçãos recebidas, somos também candidatos à riqueza imperecível do futuro.

Situados entre os séculos que se foram e os milênios que virão, temos um diamante sublime a lapidar para o Supremo Senhor — nosso próprio coração, que dorme ainda no berço de aspirações primárias, bafejado pelos raios de luz celeste.

Aperfeiçoemos o caminho, aperfeiçoando-nos.

Trabalha e auxilia sempre, auxiliando a ti mesmo.

Unamo-nos espiritualmente, em derredor do Cristo. Gravitemos, felizes, em torno d’Ele.

O sol comunica-se com o verme, a milhões de quilômetros. 

O Mestre sustentar-nos-á, igualmente, nas profundezas de nossa humildade, abençoando-nos os propósitos de ascensão, com a luz do Seu Inextinguível Amor.


Agostinho
(Santo Agostinho)







[1] [Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, dirigida a um irmão e amigo, na noite de 29/6/1948, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas.]


Agostinho - Livro Abençoa Sempre - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15 - Modelo celeste



Agostinho - Livro Abençoa Sempre - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15


Modelo celeste


Átila, meu filho. Deus te ilumine.

Mediunidade é espelho vivo da alma para refletir a luz divina.

É diamante do espírito destinado a fixar os raios celestes.

Por vezes, o espelho jaz sob as trevas, incapaz de exibir a face cristalina.

Em muitas ocasiões, o brilhante dorme nos seixos da serra, esperando os atritos da evolução e a passagem do tempo, a fim de surgir, sublime e belo, a pleno sol.

A experiência terrestre é processo de limpeza e burilamento.

A instrumentalidade humana caminha para o ministério da angelitude.

Não te aflijas, assim, se a iluminação parece tardia.

A sede de luz no viajor que ainda atravessa as regiões da sombra é fatalidade.

Os filhos da noite gozam a tranquilidade aparente dos ângulos obscuros do Universo, como os batráquios se rejubilam na paz ilusória do charco.

Dia virá, contudo, em que a caridade vitoriosa expulsará a escuridão das furnas, como chegará um momento em que o monte curará as feridas barrentas do solo.

A consciência que recebeu o silencioso convite à ascensão, entretanto, nunca se contentará com a fantasia.

Regozija-te, assim, com o serviço de iluminação a que foste conduzido.

O sofrimento interior, incompreensível e inacessível aos mais amados no mundo, é arado do Senhor, na terra do coração.

E bem sabes que a semente, em germinando sem preparo do meio, é quase sempre sufocada pela resistência da crosta planetária ou exterminada por vermes cruéis, inevitáveis na leira que o zelo não visita.

Guarda a tua perseverança no bem, nos alicerces da serenidade, antes de tudo.

Os mensageiros da paz não prescindem da calma e porque os emissários do amor somente poderão ser entendidos pelos que amam, não desprezes a ciência de perdoar e amparar sempre.

A estrada é longa.

Os problemas são imensos.

O objetivo é supremo.

Enche-te de fortaleza para marchar.

Penetra a escola do conhecimento para solucionar as questões redentoras.

Reveste-te de paciência para atingirmos a meta.

De alma desperta, agora, no santuário da fé, mantém acesa a lâmpada viva da prece para que a sintonia com o Plano Superior te favoreça com o esclarecimento mais amplo, nos instantes difíceis.

A oração é o único sistema de intercâmbio positivo entre os servos e o Senhor, através das linhas hierárquicas do Reino Eterno.

Lembra-te de que cada dia tem o seu trabalho e não te esqueças de que nos encontramos ainda longe do êxtase santificador, ante o altar das revelações imperecíveis.

Até lá, sofre na purificação, aprende na luta edificante e serve a todos indistintamente para que outros te sirvam, junto às fontes gloriosas do suprimento espiritual.

E convence-te, meu filho, de que o nosso progresso efetivo somente é medido pela nossa capacidade de refletir a Vontade, o Amor e a Sabedoria do Pai Celestial, onde estivermos.

Todos os patrimônios da matéria, ainda mesmo em nos referindo à substância sublimada, são suscetíveis de transformação nos variados e infinitos Planos do Ilimitado.

Só a herança divina torna divinos os herdeiros do Universo.

Nas forças vivas da Criação, somos cooperadores da Inteligência Suprema.

Dignifica a hora, pelo serviço no bem, para que o século te engrandeça.

Soldados do Cristo, não esmoreçamos na batalha pela vitória do superior nos círculos de nossa personalidade.

Aperfeiçoemo-nos, de raciocínio e sentimentos voltados para Ele, o Modelo Celeste.

Edifiquemos em nós o Templo da Humanidade a fim de que Ele nos confie o Altar Divino. E, de espírito centralizado no Imortal Amor, trabalha e confia em nós, amparado pela certeza de que o Divino Mestre permanecerá conosco até o fim.


Agostinho
(Santo Agostinho)






(Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em Leopoldina, Minas, na noite de 1.º de julho de 1947, no Centro Espírita “Amor ao Próximo”, destinada ao amigo Átila.)


sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Santo Agostinho - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano V, Abril de 1862 - Dissertações espíritas - Perseguição



Santo Agostinho - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano V, Abril de 1862 - Dissertações espíritas


Perseguição


Bem! Bravo, meus filhos! Estou satisfeito de ver-vos reunidos, lutando com zelo e persistência. Coragem! Trabalhai arduamente no campo do Senhor, porque eu vos digo que chegará o momento em que não será apenas a portas fechadas que será necessário pregar a doutrina santa do Espiritismo.

A carne foi flagelada. É preciso flagelar o Espírito. Ora, em verdade vos digo, quando isso acontecer, estareis prestes a entoardes em uníssono o cântico de ação de graças, e estaremos em vésperas de ouvir um só e mesmo grito sobre a Terra. Mas, eu vo-lo digo, antes da idade de ouro e do reinado do espírito, são necessários grandes sofrimentos, lágrimas e ranger de dentes.

As perseguições já começaram. Espíritas! Sede firmes e mantende-vos de pé. Estais marcados pela unção do Senhor. Sereis chamados de insensatos, de loucos, de visionários. Não mais ferverão o óleo nem erguerão cadafalsos e fogueiras, mas o fogo que usarão para vos levar à renúncia às vossas crenças será mais intenso e ainda mais vivo.

Espíritas! Despojai-vos, portanto, do homem velho, pois é ao homem velho que farão sofrer. Que vossas novas túnicas sejam brancas. Cingi as vossas frontes com coroas e preparai-vos para entrar na liça. Sereis amaldiçoados. Deixai que vossos irmãos vos digam racca1; em contrapartida, orai por eles e afastai de suas cabeças o castigo que o Cristo disse estar reservado aos que dissessem racca aos seus irmãos!

Preparai-vos para as perseguições pelo estudo, pela prece, pela caridade. Os servos serão expulsos das casas de seus patrões e tratados como loucos, mas à porta da casa encontrarão o Samaritano e, embora pobres e nus, ainda partilharão com ele as suas vestes e o último pedaço de pão. Ante tal espetáculo, os patrões pergunta­rão: “Mas, quem são essas criaturas que expulsamos de nossa casa? Só têm um pedaço de pão para esta noite e o dão! Só têm uma capa e a dividem com um estranho!”

Então suas portas serão reabertas, pois vós é que sois os servidores do Mestre. Mas dessa vez eles vos acolherão e vos abraçarão. Pedir-vos-ão que os abençoeis e lhes ensineis a amar. Não mais vos chamarão de servos ou escravos, mas vos dirão: “Meu irmão, vem assentar-te à minha mesa. Há uma só e mesma família na Terra, como há um só e mesmo Pai no Céu”.

Ide, ide meus irmãos! Pregai, e sobretudo sede unidos. O Céu vos está preparado.

 
Santo Agostinho










1 - Racca é um termo de desprezo que pode significar tolo, estúpido.




quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Santo Agostinho - Revista Espírita - Ano V - Março de 1862 - Ensinos e dissertações espíritas - A vinha do Senhor



Santo Agostinho - Revista Espírita - Ano V - Março de 1862 - Ensinos e dissertações espíritas


A vinha do Senhor


Todos, enfim, virão trabalhar na vinha. Já os vejo que correm e chegam numerosos. Vamos à obra, filhos! Eis que Deus quer que todos vós trabalheis.

Semeai, semeai, e um dia colhereis com abundância. Vede o belo Sol no Oriente, como se ergue radioso e deslumbrante! Vem aquecer-vos e fazer crescerem os frutos da vinha. Vamos, filhos! As vindimas serão esplêndidas e cada um de vós virá beber a taça do vinho sagrado da regeneração. É o vinho do Senhor que será servido no banquete da fraternidade universal! Aí todas as nações serão reunidas em uma só e mesma família e cantarão louvores a um mesmo Deus. Armai-vos, pois, de arados e cutelos, vós que quereis viver eternamente. Amarrai as cepas, para que não caiam e se mantenham eretas, e suas pontas subirão ao Céu. Umas terão cem côvados, e os Espíritos dos mundos etéreos virão espremer os bagos e refrescar-se; o suco será de tal modo poderoso que dará força e coragem aos fracos. Será o leite a alimentar as crianças.

Eis a vindima que se vai fazer, e já se faz. Preparam-se os vasos que devem conter o sagrado licor. Aproximai os lábios, vós que quereis provar, porque esse licor vos embriagará de celeste ebriez e vereis Deus em vossos sonhos, enquanto esperais que a realidade suceda ao sonho.

Filhos! Essa vinha esplêndida que deve erguer-se para Deus é o Espiritismo. Adeptos fervorosos, é necessário mostrá-la pujante e forte e vós, crianças, é necessário que ajudeis os fortes a mantê-la e propagá-la. Cortai os brotos e plantai-os em outro campo. Eles produzirão novas vinhas e outros brotos em todos os países do mundo.

Sim, digo eu, enfim todo o mundo beberá do suco da vinha e bebereis no reino do Cristo, com o Pai celeste! Sede, pois, fortes e dispostos e não vivais vida austera. Deus não pede que vivais em austeridades e privações; não pede que vos cubrais com o cilício; quer que vivais apenas conforme a caridade e o coração. Ele não quer mortificações que destroem o corpo. Ele quer que cada um se aqueça ao seu Sol, e se fez uns raios mais frios que outros, foi para dar a compreender a todos quanto é forte e poderoso. Não, não vos cubrais de cilício; não sevicieis a vossa carne aos golpes da disciplina. Para trabalhar na vinha é necessário ser robusto e poderoso. O homem deve ter o vigor que Deus lhe deu. Ele não criou a Humanidade para transformá-la em raça bastarda e esquálida; ele a fez com a manifestação de sua glória e de seu poder.

Vós que quereis viver a verdadeira vida, estais nas vias do Senhor quando tiverdes dado o pão aos infelizes, o óbolo aos sofredores e a vossa prece a Deus. Então, quando a morte vos fechar as pálpebras, o anjo do Senhor proclamará os vossos benefícios e vossa alma, transportada nas asas brancas da caridade, subirá para Deus tão bela e pura quanto o lírio que se abre pela manhã a um sol primaveril.

Orai, amai e fazei a caridade, meus irmãos. A vinha é grande. O campo do Senhor é grande. Vinde, vinde, que Deus e o Cristo vos chamam e eu vos abençoo.


Santo Agostinho
Sociedade espírita de Paris. Médium: Sr. E. Vézy









Fonte: 

domingo, 19 de junho de 2022

Santo Agostinho - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. 3 - Há muitas moradas na casa de meu pai - Mundos regeneradores




Santo Agostinho - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. 3 - Há muitas moradas na casa de meu pai


Mundos regeneradores


Entre as estrelas que cintilam na abóbada azul do firmamento, quantos mundos não haverá como o vosso, destinados pelo Senhor à expiação e à provação! Mas, também os há mais miseráveis e melhores, como os há de transição, que se podem denominar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, a deslocar-se no espaço em torno de um centro comum, arrasta consigo seus mundos primitivos, de exílio, de provas, de regeneração e de felicidade. Já se vos há falado de mundos onde a alma recém-nascida é colocada, quando ainda ignorante do bem e do mal, mas com a possibilidade de caminhar para Deus, senhora de si mesma, na posse do livre-arbítrio. Já também se vos revelou de que amplas faculdades é dotada a alma para praticar o bem. Mas, ah! há as que sucumbem, e Deus, que não as quer aniquiladas, lhes permite irem para esses mundos onde, de encarnação em encarnação, elas se depuram, regeneram e voltam dignas da glória que lhes fora destinada.

Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se. Sem dúvida, em tais mundos o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para ele, cumprindo-lhe as leis.

Nesses mundos, todavia, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. O homem lá é ainda de carne e, por isso, sujeito às vicissitudes de que libertos só se acham os seres completamente desmaterializados. Ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação. Comparados à Terra, esses mundos são bastante ditosos e muitos dentre vós se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade, a convalescença após a moléstia cruel. Contudo, menos absorvido pelas coisas materiais, o homem divisa, melhor do que vós, o futuro; compreende a existência de outros gozos prometidos pelo Senhor aos que deles se mostrem dignos, quando a morte lhes houver de novo ceifado os corpos, a fim de lhes outorgar a verdadeira vida. Então, liberta, a alma pairará acima de todos os horizontes. Não mais sentidos materiais e grosseiros; somente os sentidos de um perispírito puro e celeste, a aspirar as emanações do próprio Deus, nos aromas de amor e de caridade que do seu seio emanam.

Mas, ah! nesses mundos, ainda falível é o homem e o Espírito do mal não há perdido completamente o seu império. Não avançar é recuar, e, se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam.

Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que um mundo regenerador vos abra seu seio, após a expiação na Terra.


Santo Agostinho 
Paris, 1862









segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Santo Agostinho - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Capítulo 5 - Bem-aventurados os aflitos - Item 19 - O mal e o remédio




Santo Agostinho - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Capítulo 5 - Bem-aventurados os aflitos 


O mal e o remédio
 

19. Será a Terra um lugar de gozo, um paraíso de delícias? Já não ressoa mais aos vossos ouvidos a voz do profeta? Não proclamou ele que haveria prantos e ranger de dentes para os que nascessem nesse vale de dores? Esperai, pois, todos vós que aí viveis, causticantes lágrimas e amargo sofrer e, por mais agudas e profundas sejam as vossas dores, volvei o olhar para o Céu e bendizei do Senhor por ter querido experimentar-vos ... Ó homens! dar-se-á não reconheçais o poder do vosso Senhor, senão quando ele vos haja curado as chagas do corpo e coroado de beatitude e ventura os vossos dias? Dar-se-á não reconheçais o seu amor, senão quando vos tenha adornado o corpo de todas as glórias e lhe haja restituído o brilho e a brancura? Imitai aquele que vos foi dado para exemplo. Tendo chegado ao último grau da abjeção e da miséria, deitado sobre uma estrumeira, disse ele a Deus: “Senhor, conheci todos os deleites da opulência e me reduzistes à mais absoluta miséria; obrigado, obrigado, meu Deus, por haverdes querido experimentar o vosso servo!” Até quando os vossos olhares se deterão nos horizontes que a morte limita? Quando, afinal, vossa alma se decidirá a lançar-se para além dos limites de um túmulo? Houvésseis de chorar e sofrer a vida inteira, que seria isso, a par da eterna glória reservada ao que tenha sofrido a prova com fé, amor e resignação? Buscai consolações para os vossos males no porvir que Deus vos prepara e procurai-lhe a causa no passado. E vós, que mais sofreis, considerai-vos os afortunados da Terra.

Como desencarnados, quando pairáveis no Espaço, escolhestes as vossas provas, julgando-vos bastante fortes para as suportar. Por que agora murmurar? Vós, que pedistes a riqueza e a glória, queríeis sustentar luta com a tentação e vencê-la. Vós, que pedistes para lutar de corpo e espírito contra o mal moral e físico, sabíeis que quanto mais forte fosse a prova, tanto mais gloriosa a vitória e que, se triunfásseis, embora devesse o vosso corpo parar numa estrumeira, dele, ao morrer, se desprenderia uma alma de rutilante alvura e purificada pelo batismo da expiação e do sofrimento.

Que remédio, então, prescrever aos atacados de obsessões cruéis e de cruciantes males? Só um é infalível: a fé, o apelo ao Céu. Se, na maior acerbidade dos vossos sofrimentos, entoardes hinos ao Senhor, o anjo, à vossa cabeceira, com a mão vos apontará o sinal da salvação e o lugar que um dia ocupareis. . . A fé é o remédio seguro do sofrimento; mostra sempre os horizontes do infinito diante dos quais se esvaem os poucos dias brumosos do presente. Não nos pergunteis, portanto, qual o remédio para curar tal úlcera ou tal chaga, para tal tentação ou tal prova. Lembrai-vos de que aquele que crê é forte pelo remédio da fé e que aquele que duvida um instante da sua eficácia é imediatamente punido, porque logo sente as pungitivas angústias da aflição.

O Senhor pôs o seu selo em todos os que nele creem. O Cristo vos disse que com a fé se transportam montanhas e eu vos digo que aquele que sofre e tem a fé por amparo ficará sob a sua égide e não mais sofrerá. Os momentos das mais fortes dores lhe serão as primeiras notas alegres da eternidade. Sua alma se desprenderá de tal maneira do corpo que, enquanto se estorcer em convulsões, ela planará nas regiões celestes, entoando, com os anjos, hinos de reconhecimento e de glória ao Senhor.

Ditosos os que sofrem e choram! Alegres estejam suas almas, porque Deus as cumulará de bem-aventuranças.


Santo Agostinho 
Paris, 1863.








terça-feira, 16 de março de 2021

Santo Agostinho - Livro Abençoa Sempre - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10 - Inextinguível amor




Santo Agostinho - Livro Abençoa Sempre - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10


Inextinguível amor


Meu caro Átila. O discípulo do Senhor não é chamado tão somente ao curso verbal. Aprendizado e aplicação constituem a realização.

Não te prendas, desse modo, à indagação que perde o valor do tempo. Pensa e age ao padrão de idealismo redentor que abraçaste.

As sementes divinas devem frutificar em nossos próprios caminhos, através do esforço perseverante.

Na fase evolutiva que nos é própria, vemos aqueles que possuem a vida e os que são possuídos por ela.

Os primeiros aproveitam o dia, enriquecendo-se de valores permanentes, no rumo das aquisições eternas.

Os segundos são aproveitados pelas forças que orientam as horas, no jogo das circunstâncias fatais.

Uns criam luz e sabedoria.

Outros descansam e sofrem os conflitos da sombra.

Governando com as diretrizes superiores, convertem-se na instrumentalidade dos Celestes Desígnios. Submetendo-se às causas de ordem inferior, perseguem a ociosidade, ainda mesmo quando o regalo inútil se lhes apresente aos olhos mortais com rotulagem fascinante.

Necessário, pois, marcharmos, com desassombro e serenidade, dilatando a capacidade receptiva, à frente da Majestade Criadora.

O fenômeno nos Círculos físicos e espirituais não têm outro objetivo senão acordar a mente para a revelação do Mais Alto.

Provar a divindade em nós — herdeiros das Bênçãos Universais — é muito mais que positivar a sobrevivência, além da morte.

Guardar a bondade e o entendimento na direção do Amor Supremo vale mais que o poder de demonstrar a existência dos anjos.

O Reino do Senhor começará no indivíduo ou jamais se estabelecerá na Terra, porque Deus visita o homem e educa-o através do próprio homem.

O processo de autoaprimoramento, na sublimação do raciocínio e do sentimento, transforma-nos em servos da Lei Soberana e Compassiva, constituindo, em nossa esfera de edificações presentes, o ministério maior.

Espiritualizemo-nos, portanto, meu amigo, no caminho da perfeição e prossigamos com Jesus.

Não importa a incompreensão.

Cada criatura vê o horizonte que os próprios olhos podem abranger.

Quem ama não discute. Serve em silêncio, semeia o bem à distância da preocupação de recompensa e segue adiante.

O trabalho cristão é a nossa alavanca renovadora.

Busquemos a ciência, realizando a sublimação.

Os dias escoam-se apressados. As formas refundem-se, incessantemente.

A morte que modifica e seleciona, pune e corrige, atinge os próprios mundos.

Detendo o Tesouro do Conhecimento Divino, elevemos nosso coração aos santuários eternos.

Responsáveis pelas dívidas que criamos no passado, com a falsa aplicação das bênçãos recebidas, somos também candidatos à riqueza imperecível do futuro.

Situados entre os séculos que se foram e os milênios que virão, temos um diamante sublime a lapidar para o Supremo Senhor — nosso próprio coração que dorme ainda no berço de aspirações primárias, bafejado pelos raios de luz celeste.

Aperfeiçoemos o caminho, aperfeiçoando-nos. Trabalha e auxilia sempre, auxiliando a ti mesmo.

Unamo-nos espiritualmente, em derredor do Cristo. Gravitemos, felizes, em torno d’Ele.

O sol comunica-se com o verme, a milhões de quilômetros. O Divino Mestre sustentar-nos-á, igualmente, nas profundezas de nossa humildade, abençoando-nos os propósitos de ascensão, com a luz do seu inextinguível amor.


Agostinho
(Santo Agostinho)






(Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, dirigida a um irmão e amigo, na noite de 29/6/1948, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas.)

Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

segunda-feira, 15 de março de 2021

Santo Agostinho - Revista Espírita - Allan Kardec - Jornal de estudos psicológicos - Agosto, 1862 - Sociedade Espírita de Constantina




Santo Agostinho - Revista Espírita - Allan Kardec - Jornal de estudos psicológicos - Agosto, 1862


Sociedade Espírita de Constantina


Os espíritas de Constantina nos pediram solicitássemos de Santo Agostinho o seu patrocínio espiritual para a sua sociedade. Ele nos deu a respeito esta comunicação:

Dirigindo-se, para começar, aos membros da Sociedade de Paris, diz ele:

“Bem andaram os nossos filhos da Nova França ligando-se a vós; fizeram bem em não se separarem do tronco. Ficai sempre unidos e os bons Espíritos estarão convosco.” Continua dirigindo-se aos de Constantina.

Amigos, sinto-me feliz por me haverdes escolhido para vosso guia espiritual. Ligado à Terra por uma grande missão que deve regenerá-la, estou satisfeito por poder encorajar mais especialmente um grupo de Pensadores que se ocupam com a grande idéia e por presidir aos seus trabalhos. Ponde, pois, o meu nome à frente dos vossos, e os Espíritos da minha ordem virão afastar os maus Espíritos que sempre rondam à porta das assembléias onde se discutem as leis da moral e do progresso. Que a fraternidade e a concórdia permaneçam em vosso meio. Lembrai-vos de que todos os homens são irmãos e que o grande objetivo do Espiritismo é reuni-los um dia no mesmo lar e de fazer que se sentem à mesa do Pai Comum: Deus.

Como é bela essa missão! Assim, com que alegria vimos a vós para vos dar a conhecer os desígnios divinos! Para vos revelar as maravilhas do além-túmulo! Mas vós, que já sois iniciados nessas sublimes verdades, espalhai a semente em vosso derredor e a recompensa será bela. Gozareis, na Terra, as suas primícias. Que alegria! Marchai sempre na via do ensino, do amor e da caridade!

Pronunciai meu nome com confiança nas horas de temor e de dúvida: logo os vossos corações serão aliviados da amargura e do fel que podem conter. Não esqueçais que estarei em todos os pontos da Terra onde tiverdes de levar o apostolado evangélico. Eu vos encerrarei a todos em minh’alma, para um dia vos depositar numa alma mais vasta e mais forte. Estarei sempre convosco, como aqui estou; minha voz terá para vós a doçura que reconheceis, porque nem gosto dos gritos, nem dos sons agudos. Incessantemente ouvir-me-eis repetir: amai-vos, amai-vos! Poupai-me de me armar do açoite com que se deve ferir o mau. Posto isso por vezes seja necessário, não sejais nunca desse número. Tempo virá em que a humanidade marchará dócil à voz do bom pastor. Sois vós, filhos, que deveis ajudar-nos nessa regeneração e que deveis ouvir soar a primeira hora. Porque eis o rebanho que se reúne e o pastor que chega.


OBSERVAÇÃO: O Espírito alude a uma revelação de subida importância, feita pela primeira vez num grupo espírita de pequena cidade africana, nos confins do deserto, por um médium completamente iletrado. Essa revelação, que nos foi transmitida imediatamente, chegou simultaneamente de diversas paragens da França e do estrangeiro. Desde então numerosos documentos muito característicos e mais minuciosos vieram lhe dar uma espécie de consagração. Dar-lhe-emos publicidade em tempo oportuno.

Trabalhai, pois, e tende coragem. Nas vossas reuniões discuti friamente, sem arroubos; pedi o nosso conselho, a nossa opinião, afim de não cairdes em erro, em heresia. Sobretudo nem formuleis artigos de fé, nem dogmas. Lembrai-vos que a religião de Deus é a religião do coração; que ela tem por base apenas um princípio: a caridade; por desenvolvimento: o amor à humanidade.

Jamais corteis o galho da árvore. Esta é mais verde com todos os seus ramos e estes morrem quando separados do tronco que lhes deu origem. Lembrai-vos que o Cristo compreendeu que a sua igreja se assentasse sobre a própria pedra, a fim de ser sólida, do mesmo modo que ordena não tenha o Espiritismo senão uma raiz, para que esta tenha mais força de penetração em toda a superfície do solo, por mais árida e ressecada que seja.

Um Espírito encarnado foi escolhido para vos dirigir, para vos conduzir. Submetei-vos com respeito, não às suas leis, pois ele não dá ordens, mas aos seus desejos. Por essa submissão provareis aos vossos inimigos que tendes o necessário espírito de disciplina para fazerdes parte da nova cruzada contra o erro e a superstição; o necessário espírito de amor e de obediência para marchardes contra a barbárie. Envolvei-vos na bandeira da civilização moderna: o Espiritismo sob um só chefe e derrubareis essas idéias esquisitas de frontes cornudas e de grandes caudas que devem ser destruídas.

Esse chefe, cujo nome não direi, bem o conheceis. Está na frente: marcha sem temor às dentadas venenosas das serpentes e répteis da inveja e do ciúme que o cercam; ficará de pé, porque ungimos o seu corpo, para que seja sempre sólido e robusto. Segui-o, então. Mas em vossa marcha as tempestades cairão sobre as vossas cabeças e alguns de vós não encontrarão refúgio nem abrigo. Que esses se resignem com coragem, como os mártires cristãos e pensem que a grande obra pela qual tiverem sofrido é a vida, é o despertar das nações adormecidas e que por isso serão largamente compensados um dia, no remo do Pai.


Santo Agostinho






(Sociedade Espírita de Paris, 29 de junho, 1862 – Médium: Sr. E. Vézy)



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Santo Agostinho - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. XIV - Honrai a vosso pai e a vossa mãe - Instruções dos Espíritos - A ingratidão dos filhos e os laços de família




Santo Agostinho - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. XIV - Honrai a vosso pai e a vossa mãe - Instruções dos Espíritos


A ingratidão dos filhos e os laços de família


A ingratidão é um dos frutos mais diretos do egoísmo. Revolta sempre os corações honestos. Mas, a dos filhos para com os pais apresenta caráter ainda mais odioso. É, em particular, desse ponto de vista que a vamos considerar, para lhe analisar as causas e os efeitos. Também nesse caso, como em todos os outros, o Espiritismo projeta luz sobre um dos grandes problemas do coração humano.

Quando deixa a Terra, o Espírito leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza e se aperfeiçoa no espaço, ou permanece estacionário, até que deseje receber a luz. Muitos, portanto, se vão cheios de ódios violentos e de insaciados desejos de vingança; a alguns dentre eles, porém, mais adiantados do que os outros, é dado entrevejam uma partícula da verdade; apreciam então as funestas conseqüências de suas paixões e são induzidos a tomar resoluções boas. Compreendem que, para chegarem a Deus, uma só é a senha: caridade. Ora, não há caridade sem esquecimento dos ultrajes e das injúrias; não há caridade sem perdão, nem com o coração tomado de ódio.

Então, mediante inaudito esforço, conseguem tais Espíritos observar os a quem eles odiaram na Terra. Ao vê-los, porém, a animosidade se lhes desperta no íntimo; revoltam-se à idéia de perdoar, e, ainda mais, à de abdicarem de si mesmos, sobretudo à de amarem os que lhes destruíram, quiçá, os haveres, a honra, a família. Entretanto, abalado fica o coração desses infelizes. Eles hesitam, vacilam, agitados por sentimentos contrários. Se predomina a boa resolução, oram a Deus, imploram aos bons Espíritos que lhes dêem forças, no momento mais decisivo da prova.

Por fim após anos de meditações e preces, o Espírito se aproveita de um corpo em preparo na família daquele a quem detestou, e pede aos Espíritos incumbidos de transmitir as ordens superiores permissão para ir preencher na Terra os destinos daquele corpo que acaba de formar-se. Qual será o seu procedimento na família escolhida? Dependerá da sua maior ou menor persistência nas boas resoluções que tomou. O incessante contacto com seres a quem odiou constitui prova terrível, sob a qual não raro sucumbe, se não tem ainda bastante forte a vontade. Assim, conforme prevaleça ou não a resolução boa, ele será o amigo ou inimigo daqueles entre os quais foi chamado a viver. É como se explicam esses ódios, essas repulsões instintivas que se notam da parte de certas crianças e que parecem injustificáveis. Nada, com efeito, naquela existência há podido provocar semelhante antipatia; para se lhe apreender a causa, necessário se torna volver o olhar ao passado.

Ó espíritas! Compreendei agora o grande papel da Humanidade; compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se fielmente a cumprirdes. Os vossos cuidados e a educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado à vossa guarda? Se por culpa vossa ele se conservou atrasado, tereis como castigo vê-lo entre os Espíritos sofredores, quando de vós dependia que fosse ditoso. Então, vós mesmos, assediados de remorsos, pedireis vos seja concedido reparar a vossa falta; solicitareis, para vós e para ele, outra encarnação em que o cerqueis de melhores cuidados e em que ele, cheio de reconhecimento, vos retribuirá com o seu amor.

Não escorraceis, pois, a criancinha que repele sua mãe, nem a que vos paga com a ingratidão; não foi o acaso que a fez assim e que vo-la deu. Imperfeita intuição do passado se revela, do qual podeis deduzir que um ou outro já odiou muito, ou foi muito ofendido; que um ou outro veio para perdoar ou para expiar. Mães! Abraçai o filho que vos dá desgostos e dizei convosco mesmas: Um de nós dois é culpado. Fazei-vos merecedoras dos gozos divinos que Deus conjugou à maternidade, ensinando aos vossos filhos que eles estão na Terra para se aperfeiçoar, amar e bendizer. Mas, oh! muitas dentre vós, em vez de eliminar por meio da educação os maus princípios inatos de existências anteriores, entretêm e desenvolvem esses princípios, por uma culposa fraqueza, ou por descuido, e, mais tarde, o vosso coração, ulcerado pela ingratidão dos vossos filhos, será para vós, já nesta vida, um começo de expiação.

A tarefa não é tão difícil quanto vos possa parecer. Não exige o saber do mundo. Podem desempenhá-la assim o ignorante como o sábio, e o Espiritismo lhe facilita o desempenho, dando a conhecer a causa das imperfeições da alma humana.

Desde pequenina, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz da sua existência anterior. A estudá-los devem os pais aplicar-se. Todos os males se originam do egoísmo e do orgulho. Espreitem, pois, os pais os menores indícios reveladores do gérmen de tais vícios e cuidem de combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas. Façam como o bom jardineiro, que corta os rebentos defeituosos à medida que os vê apontar na árvore. Se deixarem se desenvolvam o egoísmo e o orgulho, não se espantem de serem mais tarde pagos com a ingratidão. Quando os pais hão feito tudo o que devem pelo adiantamento moral de seus filhos, se não alcançam êxito, não têm de que se inculpar a si mesmos e podem conservar tranqüila a consciência. À amargura muito natural que então lhes advém da improdutividade de seus esforços, Deus reserva grande e imensa consolação, na certeza de que se trata apenas de um retardamento, que concedido lhes será concluir noutra existência a obra agora começada e que um dia o filho ingrato os recompensará com seu amor. (Cap. XIII, nº 19.)

Deus não dá prova superior às forças daquele que a pede; só permite as que podem ser cumpridas. Se tal não sucede, não é que falte possibilidade: falta a vontade. Com efeito, quantos há que, em vez de resistirem aos maus pendores, se comprazem neles. A esses ficam reservados o pranto e os gemidos em existências posteriores. Admirai, no entanto, a bondade de Deus, que nunca fecha a porta ao arrependimento. Vem um dia em que ao culpado, cansado de sofrer, com o orgulho afinal abatido, Deus abre os braços para receber o filho pródigo que se lhe lança aos pés. As provas rudes, ouvi-me bem, são quase sempre indício de um fim de sofrimento e de um aperfeiçoamento do Espírito, quando aceitas com o pensamento em Deus. É um momento supremo, no qual, sobretudo, cumpre ao Espírito não falir murmurando, se não quiser perder o fruto de tais provas e ter de recomeçar. Em vez de vos queixardes, agradecei a Deus o ensejo que vos proporciona de vencerdes, a fim de vos deferir o prêmio da vitória. Então, saindo do turbilhão do mundo terrestre, quando entrardes no mundo dos Espíritos, sereis aí aclamados como o soldado que sai triunfante da refrega.

De todas as provas, as mais duras são as que afetam o coração. Um, que suporta com coragem a miséria e as privações materiais, sucumbe ao peso das amarguras domésticas, pungido da ingratidão dos seus. Oh! que pungente angústia essa! Mas, em tais circunstâncias, que mais pode, eficazmente, restabelecer a coragem moral, do que o conhecimento das causas do mal e a certeza de que, se bem haja prolongados despedaçamentos d’alma, não há desesperos eternos, porque não é possível seja da vontade de Deus que a sua criatura sofra indefinidamente? Que de mais reconfortante, de mais animador do que a idéia que de cada um dos seus esforços é que depende abreviar o sofrimento, mediante a destruição, em si, das causas do mal? Para isso, porém, preciso se faz que o homem não retenha na Terra o olhar e só veja uma existência; que se eleve, a pairar no infinito do passado e do futuro. Então, a justiça infinita de Deus se vos patenteia, e esperais com paciência, porque explicável se vos torna o que na Terra vos parecia verdadeiras monstruosidades. As feridas que aí se vos abrem, passais a considerá-las simples arranhaduras. Nesse golpe de vista lançado sobre o conjunto, os laços de família se vos apresentam sob seu aspecto real. Já não vedes, a ligar-lhes os membros, apenas os frágeis laços da matéria; vedes, sim, os laços duradouros do Espírito, que se perpetuam e consolidam com o depurarem-se, em vez de se quebrarem por efeito da reencarnação.

Formam famílias os Espíritos que a analogia dos gostos, a identidade do progresso moral e a afeição induzem a reunir-se. Esses mesmos Espíritos, em suas migrações terrenas, se buscam, para se gruparem, como o fazem no espaço, originando-se daí as famílias unidas e homogêneas. Se, nas suas peregrinações, acontece ficarem temporariamente separados, mais tarde tornam a encontrar-se, venturosos pelos novos progressos que realizaram. Mas, como não lhes cumpre trabalhar apenas para si, permite Deus que Espíritos menos adiantados encarnem entre eles, a fim de receberem conselhos e bons exemplos, a bem de seu progresso. Esses Espíritos se tornam, por vezes, causa de perturbação no meio daqueles outros, o que constitui para estes a prova e a tarefa a desempenhar.

Acolhei-os, portanto, como irmãos; auxiliai-os, e depois, no mundo dos Espíritos, a família se felicitará por haver salvo alguns náufragos que, a seu turno, poderão salvar outros.


Santo Agostinho
Paris, 1862 





Fonte: Kardecpedia