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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Maria Dolores - Livro A Vida Conta - Chico Xavier - Cap. 32 - Deus te guarde



Maria Dolores - Livro A Vida Conta - Chico Xavier - Cap. 32


Deus te guarde


Deus te guarde, alma querida e boa,
Pela dor que não dizes,
Quando a injúria te induz a suportar
Os problemas e os atos infelizes.

Deus te compense a tolerância
Quando olvidas o mal,
Interpretando aquele que te agride
Por doente mental.

Deus te ilumine a frase de humildade
Ante o verbo agressor,
Quando te apagas para garantir
A presença do amor.

Deus te engrandeça o gesto de renúncia,
Onde a ambição, às tontas, se compraz,
Quando sabes perder conforto e benefício
Em proveito da paz.

Deus proteja o silêncio em que te esforças
Na compreensão que te sustém,
Quando toleras golpe ou desafio
Sem ferir a ninguém.

Por tudo o que há de bom que nos ofertas
Na jornada de luz que te bendiz,
Pelo perdão constante em que te nutres,
Deus te guarde, alma irmã, Deus te faça feliz.


Maria Dolores






VÍDEO:

Chico Xavier: "Testemunho do Brasil no momento da Grande Regeneração"






sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Maria Dolores - Livro A Vida Conta - Chico Xavier - Cap. 8 - A ponte de luz




Maria Dolores - Livro A Vida Conta - Chico Xavier - Cap. 8


A ponte de luz


Terminara Jesus a prédica no monte;
Nisso, o apóstolo Pedro se aproxima
E diz-lhe: “Senhor, existe alguma ponte
Que nos conduza ao Alto, ao Céu que brilha muito acima?
Conforme ouvi de tua própria voz,
Sei que o Reino do Amor está dentro de nós… 
Mas deve haver, no Além, o País da Beleza,
Mais sublime que o sol, em fulgor e grandeza…
Onde essa ligação, Senhor, esse divino acesso?”

Jesus silenciou, como entrando em recesso
Da palavra de luz que lhe fluía a jorro…
Circunvagou o olhar pelas pedras do morro
E, depois de comprida reflexão,
Falou ao companheiro: — “Ouve, Simão,
Em verdade, essa ponte que imaginas
Existe para a Vida Soberana,
Mas temos de atingi-la por estrada
Que não é bem a antiga estrada humana.”

— “Como será, Senhor, esse caminho?
Tornou Simão a perguntar.
E Jesus respondeu sem hesitar:
— “Coração que o escolha, às vezes, vai sozinho,
E quase que não tem
Senão renúncia e dor, solidão e amargura…
E conquanto pratique e viva a lei do bem,
Sofre o assédio do mal que o vergasta e procura
Reduzi-lo à penúria e a desfalecimento.

Quem busca nesta vida transitória,
Essa ponte de luz para a eterna vitória
Conhecerá, de perto, o sofrimento
E há de saber amar aos próprios inimigos,
Não contará percalços nem perigos
Para servir aos semelhantes,
Viverá para o bem a todos os instantes
E mesmo quando o mal pareça o vencedor,
Confiando-se a Deus, doará mais amor…

E ainda que a morte, Pedro, se lhe imponha,
Na injustiça ferindo-lhe a vergonha,
Aceitará pedradas sem ferir,
Desculpará injúria e humilhação
Se deseja elevar o coração
À ponte para o Reino do Porvir…”

Alguns dias depois, o Cristo flagelado,
Entregue à própria sorte
Encontrava na cruz o impacto da morte,
Silencioso, sozinho, desprezado…
Terminada que foi a gritaria
Da multidão feroz naquele dia,
Ante o Céu anunciando aguaceiro violento,
Pedro foi ao Calvário, aflito e atento,
Envergando disfarce…
Queria ver o Mestre, aproximou-se
Para sentir-lhe o extremo desconforto…

Simão chorou ao ver o amigo morto.

E ao fitá-lo, magoado, longamente
Ele ouviu, de repente,
Uma voz a falar-lhe das Alturas:
— “Pedro, segue, não temas, crê somente!… 
Recorda os pensamentos teus e meus…
Esta cruz que me arrasa e me flagela
É a ponte que sonhavas, alta e bela,
Para o Reino de Deus.


Maria Dolores





sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Maria Dolores - Livro A Vida Conta - Chico Xavier - Cap. 4 - Razões da vida




Maria Dolores - Livro A Vida Conta - Chico Xavier - Cap. 4


Razões da vida


Indagas, muita vez, alma querida e boa:
— “Meu Deus, por que essa dor que me atormenta o ser?”
E segues, trilha afora, em pranto oculto,
De sonho encarcerado, a lutar e a sofrer.

Anhelas outro clima, outro lar e outros rumos,
Entretanto, o dever te algema o coração dorido
Ao campo de trabalho que abraçaste,
Atendendo, na Terra, a divino sentido.

Antes de renascer, os seres responsáveis
Notam as próprias dívidas quais são
E suplicam a Deus lhes conceda no mundo
O caminho que os leve à redenção.

Não recalcitres, pois, contra os próprios encargos
Que te parecem fardos de problemas,
Encontras-te no encalço da conquista
De bênçãos imortais e alegrias supremas.

A lágrima que vertes padecendo
Longas tribulações, entre lutas e crises,
É um remédio da vida, em nossos olhos,
Que nos faculte ver os irmãos infelizes.

O abandono dos seres que mais amas,
Criando-te a aflição em que choras e anseias,
É um curso de lições em que aprendemos
Quanto custam na estrada as angústias alheias.

Familiares que te contrariam
Trazem-nos à lembrança os gestos rudes
Com que outrora ferimos entes caros
No fel de nossas próprias atitudes.

Afeição de outras eras que descubras,
Querendo-lhe debalde a presença e a união,
E instrumento de amor que te inspira a renúncia
Para o trabalho da sublimação.

A experiência humana é breve aprendizado
E essa tribulação que te fere e domina
É recurso dos Céus, em nosso amparo,
Zelo, defesa e luz da Bondade Divina.

Sofre sem reclamar a prova que te coube,
Mesmo que a dor te espanque, atingindo apogeus…
E, um dia exclamarás ante os sóis de outra vida:
— “Bendita seja a Terra!… Obrigado, meu Deus!…”


Maria Dolores