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quarta-feira, 28 de julho de 2021

Maria Dolores - Livro Seara de Fé - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15 - Vida e amor




Maria Dolores - Livro Seara de Fé - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15


Vida e amor


Ante as provas do mundo a que a vida te lance,
Não te sintas a sós, alma querida,
O amor é a luz dos Céus, em toda parte,
Para a sustentação da própria vida.

Se algo te fere o coração ou pisa o sonho,
Não chores, nem te inclines para trás,
Ama, serve e prossegue construindo
Que o bem se te fará conforto e paz.

Fui ao campo aprender simplicidade
E admirada vi, de alma surpresa,
Que toda a evolução do homem se realiza
Pelo extremado amor da Natureza.

O Solo me explicou: — há milênios recolho
Lixo, pancadaria, lodo e estrume
Mas devo responder aos golpes recebidos
Com celeiros de pão e vagas de perfume.

A Pedreira me disse: — o martelo me oprime,
A dinamite me estraçalha e arrasa
Para doar ao homem segurança,
Na proteção de sua própria casa.

Ouvi, no subsolo, a raiz da Roseira
A esclarecer-me sem quaisquer rancores:
— Ouço dizer que tenho rosas lindas,
Mas nunca vi as minhas próprias flores.

Disse o Minério Bruto: — sei que o fogo
Purificar-me-á, de pedaço em pedaço,
Enviando-me ao corpo do Progresso
Por vínculos de apoio e nervos de aço…

Então reconheci que, em toda a Terra,
Do recurso mais nobre aos mais plebeus
A vida inteira brilha e se aprimora
Sobre o amor e o perdão da grandeza de Deus.


Maria Dolores








sábado, 31 de outubro de 2020

Humberto de Campos - Livro Cura - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 24 - Vida e amor




Humberto de Campos - Livro Cura - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 24


Vida e amor


A cena desenrolou-se há quase cinco anos.

O apelo vinha de longe. O cansaço da velha amiga se lhe desenhava no rosto. E o rosto dela se nos refletia no espelho da mente.

Era D. Maria Eugênia da Cunha, que eu conhecera menina e moça em meus últimos tempos no Rio. Lembrava-nos a afeição, rogava socorro espiritual. A jovem de outra época era agora uma viúva, pobre, residindo por favor com o filho único, recém-casado.

O chamamento lhe fluía do ser, em nossa direção: “Meu amigo, em nome de Jesus, se é possível, auxilie-me… Não aguento mais!”

Utilizando os recursos do desencarnado, quando pode ganhar distância e tempo, fomos vê-la e encontramo-la, arrasada de angústia, ante as invectivas da nora. Maria Cristina, a boneca que lhe desposara Júlio, o filho que ela preparara com tanto mimo para a vida, não considerava nem mesmo a tempestade, lá fora, e ordenava:

— E a senhora saia daqui hoje…

— Mas hoje? Com esta noite? — arrazoava a sogra, em pranto.

— Estou farta, se eu fosse velha moraria no asilo.

— Preciso ver meu filho…

— Isso é que não. Quem manda nesta casa sou eu…

— Sou mãe.

— Seja o que for, saia daqui. A senhora tem sua irmã no Leblon, tem sobrinhos em Madureira… Pode escolher.

— Maria Cristina!…

— Não dramatize.

— Afinal, você me expulsa deste modo?! Que fiz eu?

— Não vou com a sua cara.

— Minha filha, pelo amor de Deus, não me atire assim pela porta fora…

— Arranque-se daqui ou não respondo pelo que possa acontecer.

— Júlio!… Quero ver Júlio!…

— A senhora não mais envenenará meu marido com as suas conversas…

— Ah! meu Deus!…

— Não se escore em Deus para mudar de assunto. Saia agora!

— Preciso arranjar minhas coisas, minha roupa…

— Nada disso… Amanhã, a senhora telefone, que eu mando seus cacarecos…

— Não posso sair assim…

— Vamos ver quem pode mais… Colocando algum dinheiro nas mãos da sogra, sacudiu-a com violência e, em seguida, puxou-a até a porta e gritou:

— Vá de táxi, vá de ônibus, vá como quiser, mas desapareça!

Inútil qualquer tentame de socorro. A moça, transtornada, não assimilava qualquer apelo à misericórdia.

Num momento, D. Maria Eugênia se viu empurrada para a rua. A pobre cambaleou, arrastou-se, e, mais alguns minutos de chuva e lágrimas nos olhos, o desastre… Projetada ao longe por pesado veículo, veio a fratura mortal.

No dia seguinte, identificada pelo filho numa casa de pronto-socorro, largou-se do corpo, ao anoitecer.

Abateu-se o infortúnio sobre o casal.

Júlio e Maria Cristina passaram à condição de doentes da alma. Por mais que a mulher engenhasse a escapatória, asseverando que a sogra teimara em sair em visita à irmã, debaixo do aguaceiro, o esposo desconfiava. Desconfiava e sofria.

D. Maria Eugênia, porém, na Espiritualidade, compadeceu-se dos filhos e, conquanto enriquecida de proteção e carinho, não se sentia tranquila ao sabê-los em desentendimento e dificuldade. Repetia preces, mobilizou relações e, depois de quatro anos, venceu o problema; tornando, de novo, à Terra…

Hoje, fui ver a velha amiga renascida no Rio. Renasceu de Júlio e Maria Cristina, lembrando uma flor de luz no mesmo tronco familiar. Os pais felizes, agindo intuitivamente, deram-lhe o mesmo nome: Maria Eugênia. O jovem genitor beijava-a enternecido e a ex-nora, transfigurada em mãezinha abnegada, guardava-a sobre o próprio seio, com a ternura de quem carrega um tesouro.

Meditava nos prodígios da reencarnação, à frente do trio, quando o irmão Felisberto, que me acompanhava, falou, entre a alegria e a emoção:

— Veja, meu amigo! Não adianta brigar, condenar, ofender, perseguir… A lei de Deus é o amor e o amor vencerá sempre.


Humberto de Campos
(Irmão X)