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terça-feira, 21 de setembro de 2021

Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 34 - Cantiga da Vida




Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 34


Cantiga da Vida


Escuta, alma querida,
Se a provação te alcança
E te amarfanha a vida,
Não te dês à revolta
Nem percas a esperança.

Embora tolerando luta permanente,
Seja ela qual for,
Segue o dever que se desdobre à frente,
Sem maldizer a própria dor.

Deus modifica o sofrimento aceito,
Em grandeza, progresso, alegria, proveito…

Na Terra, em tudo aquilo que admiras,
Do chão que cria a erva ao céu que infunde a paz,
A qualquer tempo, em tudo encontrarás,
Semelhante lição na estrada em que respiras…

No solo retalhado a golpes de tratores,
O campo se converte em toucado de flores.

A semente largada à cova estranha e escura
Renasce do abandono, em beleza e verdura.

A árvore na poda, humilhada e desfeita,
Acrescenta a abastança e a força da colheita.

Da rocha perfurada a fonte se descerra,
Espalhando conforto e enriquecendo a terra.

Posto ao calor gigante, em supremo embaraço,
O minério dá forma às estruturas de aço.

Madeira que o serrote alinha, morde e apara
Faz-se na construção a peça nobre e rara.

Pérola de alto preço em brilho evanescente
É riqueza a surgir de uma ostra doente.

O pão que, em todo o mundo, é divino legado
É um presente do Céu no trigo massacrado.

Água que se sujeita aos preceitos da usina
Gera auxílio e poder, revigora e ilumina.

Assim também, alma querida e boa,
Ante a luz do trabalho, dia a dia,
Na lei da evolução para crentes e ateus,
A presença da dor que nos fere e avalia
É socorro da vida e proteção de Deus.


Maria Dolores







domingo, 1 de agosto de 2021

Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 1 - Palavras da Vida




Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 1


Palavras da Vida


Levanta-te, cada dia,
Pensa em Deus, louva e agradece,
Mesmo num lance de prece
A bênção de trabalhar
E cumpre as obrigações
Que a vida te deu às horas,
Doando a paz onde moras,
Partindo do próprio lar.

Se resguardas na lembrança
Alguma ofensa sofrida,
Deixa ofensa esquecida
Na luz eterna do bem;
Não busques descanso inútil,
Trabalho é apoio preciso,
Não afastes teu sorriso
Do coração de ninguém.

Exerce a beneficência…
Das palavras benfazejas,
Se não tens o que desejas,
Contenta-te no que tens;
Às vezes, para quem sofre,
Um momento de alegria
No abraço de simpatia
É sempre o melhor dos bens.

Nunca esmoreças. Trabalho
Aprimora o mundo todo,
Muita flor nasce do lodo
Muito amparo vem da dor…
Serve, ensina e reconforta
Na fé viva que te alcança,
Entre as luzes da esperança
Começa o reino do amor.


Maria Dolores







segunda-feira, 12 de abril de 2021

Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 6 - Não digas




Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 6


Não digas


Não digas: “não sou feliz”
Ante a dor que te acrisola;
A Terra é sublime escola,
Lembrando imenso jardim;
Fita o quadro que te cerca:
Do mar às mínimas fontes
Do abismo ao topo dos montes,
Tudo é vida aos Céus sem fim.

Não fales que vês apenas
Seres fracos e infelizes,
Trevas, chagas, cicatrizes,
Tristeza, nódoa, pesar…
Recorda que não cresceste,
Sem apoio, sem afetos,
Sem os laços prediletos
Que brilham no próprio lar.

Não fales que a solidão,
Fez-se-te o mal sem remédio,
Que nada te cura o tédio
Que não sabes de onde vem;
Sai de ti mesmo e olha em torno:
Verás, por todos os lados,
Os irmãos infortunados
Rogando o amparo de alguém.

Não digas que tudo falha,
Que acima de qualquer crença,
Vale mais a indiferença
Dos que se fazem ateus;
Conta as forças que te apoiam…
Decerto perceberás
Que a luta é o preço da paz
E tudo é bênção de Deus.


Maria Dolores





(Anuário Espírita 1978)

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 15 - Prece




Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 15


Prece


Senhor Deus do Amor Eterno,
Sabemos que nos renovas,
Por meio das grandes provas
Que abalam o coração;
Por isso, não te rogamos
Que nos retires da estrada,
Quase sempre atribulada
De acesso à renovação.

Estamos a suplicar-te
Acréscimo de energia
Nas lutas de cada dia
E amparo libertador!…
Necessitados de força,
Rogamos-te apoio amigo…
Queremos viver contigo
No reino do Eterno Amor.


Maria Dolores







quarta-feira, 25 de março de 2020

Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 14 - Amor e perdão




Maria Dolores - Livro Coração e Vida - Chico Xavier - Cap. 14


Amor e perdão




A Madalena fora ao túmulo querido 
Entre pedras de extremo desconforto…
Levava flores para o Mestre morto,
Tinha o peito magoado e enternecido.

O Sol reaparecia, resplendente,
A névoa da manhã fundia-se no ar,
Na dourada invasão das flamas do Nascente,
Maria estava ali, unicamente,
A fim de estar a sós, recolher-se e chorar.

A desfazer-se em pranto, ela arguia:
— “Por que, por que Senhor?
Tanta saudade e tanta dor?!…
Toda a felicidade que eu sentia
Jaz aqui sepultada…
Transformou-se-me a vida em sombra e nada
No ermo deste pouso derradeiro…”

Nisso, ela viu alguém… Seria um jardineiro?
Um zelador daquele campo santo?
Mas tomada de espanto,
Viu-se à frente do Mestre Nazareno,
O excelso benfeitor ressuscitado,
A envolver-lhe de paz o coração cansado…

Ela gritou: “Senhor!”
Ele disse: “Maria!”
Ela era a expressão da perfeita alegria,
Ele, o perfeito amor.

Madalena ajoelhou-se e quis beijar-lhe os pés…
— “Maria, por quem és” — explicou-se Jesus —
“Não me toques, porquanto
Não te esperava aqui neste recanto,
E ainda não fui ao Pai revestir-me de luz…”

Maria, surpreendida,
Indagou em seguida:
— “Senhor, onde estiveste?
Em que jardim celeste
Encontraste o descanso necessário,
Que vem de Deus, nos dons da paz completa?
Perdoa-me, Senhor, a pergunta indiscreta,
Dói-me, porém, pensar na angústia do Calvário,
Revolto-me, padeço, mas não venço
A mágoa de lembrar-te o sacrifício imenso”

Mas Jesus respondeu:
— “Não, Maria, não fui ainda ao Alto,
Nem me elevei sequer um palmo à luz do firmamento
Quem ama não consegue achar o Céu de um salto…
Ao invés de subir aos Altos Resplendores
Desci, mas desci muito aos reinos inferiores…
Despertando no túmulo, escutei
Os gritos da aflição de alguém que muito amei
E que muito amo ainda…
Embora visse Além, a Luz sempre mais linda
Sentia nesse alguém um amado companheiro,
Em crises de tristeza e de loucura…
Fui à sombra abismal para a grande procura
E ao reencontrá-lo amargurado e louco,
A ponto de não mais me conhecer,
Demorei-me a afagá-lo e, pouco a pouco
Consegui que ele, enfim, pudesse adormecer…”

“Senhor” — interrogou a Madalena —
“Quem é o amigo que te fez descer,
Antes de procurar a luz do Pai?”
Mas Jesus replicou, em voz clara e serena:
— “Maria
Um amigo não esquece a dor de outro amigo que cai…
Antes de me altear à Celeste Alegria,
Ao sol do mesmo amor a Deus, em que te enlevas,
Vali-me, após a cruz, das grandes horas mudas,
E desci para as trevas,
A fim de aliviar a imensa dor de Judas”.





Maria Dolores





Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano