Mostrando postagens com marcador Da vida espírita. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Da vida espírita. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de março de 2025

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 2ª Parte - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos - Cap. VI - Da vida espírita - Escolha de provas - Questão 266 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 2ª Parte - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos - Cap. VI - Da vida espírita


Escolha de provas 


266. Não parece natural que se escolham as provas menos dolorosas?

“Pode parecer-vos a vós; ao Espírito, não. Logo que este se desliga da matéria, cessa toda ilusão e outra passa a ser a sua maneira de pensar.”

Sob a influência das idéias carnais, o homem, na Terra, só vê das provas o lado penoso. Tal a razão de lhe parecer natural sejam escolhidas as que, do seu ponto de vista, podem coexistir com os gozos materiais. Na vida espiritual, porém, compara esses gozos fugazes e grosseiros com a inalterável felicidade que lhe é dado entrever e desde logo nenhuma impressão mais lhe causam os passageiros sofrimentos terrenos. Assim, pois, o Espírito pode escolher prova muito rude e, conseguintemente, uma angustiada existência, na esperança de alcançar depressa um estado melhor, como o doente escolhe muitas vezes o remédio mais desagradável para se curar de pronto. Aquele que intenta ligar seu nome à descoberta de um país desconhecido não procura trilhar estrada florida. Conhece os perigos a que se arrisca, mas também sabe que o espera a glória, se lograr bom êxito.

A doutrina da liberdade que temos de escolher as nossas existências e as provas que devamos sofrer deixa de parecer singular, desde que se atenda a que os Espíritos, uma vez desprendidos da matéria, apreciam as coisas de modo diverso da nossa maneira de apreciá-los. Divisam a meta, que bem diferente é para eles dos gozos fugitivos do mundo. Após cada existência, vêem o passo que deram e compreendem o que ainda lhes falta em pureza para atingirem aquela meta. Daí o se submeterem voluntariamente a todas as vicissitudes da vida corpórea, solicitando as que possam fazer que a alcancem mais presto. Não há, pois, motivo de espanto no fato de o Espírito não preferir a existência mais suave. Não lhe é possível, no estado de imperfeição em que se encontra, gozar de uma vida isenta de amarguras. Ele o percebe e, precisamente para chegar a fruí-la, é que trata de se melhorar.

Não vemos, aliás, todos os dias, exemplos de escolhas tais? Que faz o homem que passa uma parte de sua vida a trabalhar sem trégua, nem descanso, para reunir haveres que lhe assegurem o bem-estar, senão desempenhar uma tarefa que a si mesmo se impôs, tendo em vista melhor futuro? O militar que se oferece para uma perigosa missão, o navegante que afronta não menores perigos, por amor da Ciência ou no seu próprio interesse, que fazem, também eles, senão sujeitar-se a provas voluntárias, de que lhes advirão honras e proveito, se não sucumbirem? A que se não submete ou expõe o homem pelo seu interesse ou pela sua glória? E os concursos não são também todos provas voluntárias a que os concorrentes se sujeitam, com o fito de avançarem na carreira que escolheram? Ninguém galga qualquer posição nas ciências, nas artes, na indústria, senão passando pela série das posições inferiores, que são outras tantas provas. A vida humana é, pois, cópia da vida espiritual; nela se nos deparam em ponto pequeno todas as peripécias da outra. Ora, se na vida terrena muitas vezes escolhemos duras provas, visando posição mais elevada, por que não haveria o Espírito, que enxerga mais longe que o corpo e para quem a vida corporal é apenas incidente de curta duração, de escolher uma existência árdua e laboriosa, desde que o conduza à felicidade eterna? Os que dizem que pedirão para ser príncipes ou milionários, uma vez que ao homem é que caiba escolher a sua existência, se assemelham aos míopes, que apenas vêem aquilo em que tocam, ou a meninos gulosos, que, a quem os interroga sobre isso, respondem que desejam ser pasteleiros ou doceiros.

O viajante que atravessa profundo vale ensombrado por espesso nevoeiro não logra apanhar com a vista a extensão da estrada por onde vai, nem os seus pontos extremos.

Chegando, porém, ao cume da montanha, abrange com o olhar quanto percorreu do caminho e quanto lhe resta dele a percorrer. Divisa-lhe o termo, vê os obstáculos que ainda terá de transpor e combina então os meios mais seguros de atingi-lo. O Espírito encarnado é qual viajante no sopé da montanha. Desenleado dos liames terrenais, sua visão tudo domina, como a daquele que subiu à crista da serrania. Para o viajor, no termo da sua jornada está o repouso após a fadiga; para o Espírito, está a felicidade suprema, após as tribulações e as provas.

Dizem todos os Espíritos que, na erraticidade, eles se aplicam a pesquisar, estudar, observar, a fim de fazerem a sua escolha. Na vida corporal não se nos oferece um exemplo deste fato? Não levamos, freqüentemente, anos a procurar a carreira pela qual afinal nos decidimos, certos de ser a mais apropriada a nos facilitar o caminho da vida? Se numa o nosso intento se malogra, recorremos a outra. Cada uma das que abraçamos representa uma fase, um período da vida. Não nos ocupamos cada dia em cogitar do que faremos no dia seguinte? Ora, que são, para o Espírito as diversas existências corporais, senão fases, períodos, dias da sua vida espírita, que é, como sabemos, a vida normal, visto que a outra é transitória, passageira?


Allan Kardec




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez
Questão 266 comentada

O Espírito, quando se encontra na erraticidade, não pensa em provas fáceis, principalmente o que já se acha desperto para a luz do entendimento. Ele vê seu caminho cheio de lutas e deseja lutar; reconhece que as coisas fáceis lhe trazem dificuldades inúmeras, capazes de lhe fazer voltar às tarefas terrenas para recomeçar de novo, enquanto quase todos que carregam o peso da carne já têm outros pensamentos, querendo ficar livres de todas as provas, e se lhes fosse dado escolher, já não escolheriam o que escolheram quando desencarnados, por estar a sua visão vedada pela baixa vibração como encarnado.

O Espiritismo veio abrir os olhos dos que caminham, influenciando-os de maneira a suportarem com paciência todos os entraves da carne, por saberem que se encontram na escala com amplas possibilidades de libertação, conhecendo as verdades espirituais. As mais difíceis nos entregam, com profundidade, lições valiosas. Já as muito fáceis, são motivos de variados escândalos.

Quando a alma se encontra na carne, somente vê nas provas idéias negativas e, por vezes, sentem-se como grandes devedores, mas essa não é a realidade; são processos de despertamento espiritual necessários ao progresso de todos que assumiram compromissos, no mundo da verdade, para ganharem mais depressa a tranqüilidade de consciência.

Quantos escolheram, quando no mundo dos Espíritos, a lepra e, às vezes, junto com ela a pobreza e outros infortúnios parecidos, e derramaram lágrimas e mais lágrimas sentindo-se só no mundo pelo abandono dos seus queridos familiares, surgindo até a revolta!? Entretanto, ao retornarem à pátria espiritual, deram graças a Deus pelas chagas que lhes ajudaram a se libertar das paixões e de outros entraves à moral evangélica em seus corações!

Sabemos que não é fácil suportar com coragem determinadas provas; para tanto, temos as nossas experiências, e elas nos recomendam que procuremos como exemplos os grandes personagens que estiveram no mundo físico para dar testemunhos, como que a ajudarem os homens a terem fé na vitória do Espírito. As provas fáceis são para as almas fracas, pois o fardo pesa de acordo com as forças. Necessário se faz que tenhamos bom ânimo, em todos os aspectos da vida, que mãos espirituais de mais alta elevação se encontram assistindo a humanidade, por ordem de Deus. O Cristo não se esquece de ninguém.

Quanto mais sofrermos com coragem e fé, mais perto nos encontraremos das bem-aventuranças. A luz é para todos os que desejam conquistá-la. As portas largas são para os que ignoram as verdades eternas, e as estreitas para os sábios de entendimentos. Quanto mais se desprende da matéria, mais alegria se deve ter, ombreando o fardo da carne.

Os caminhos que devem despertar as qualidades espirituais mais elevadas são os do amor e da caridade, onde o Cristo se encontra mais visível. Aí é que devemos permanecer, lutando com Ele. Para certos Espíritos, logo que se desligam da matéria, cessa toda a sua ilusão, no que se refere às paixões mundanas e eles entregam as suas mãos para se movimentarem com as mãos de Jesus.

Concitamos a todos os nossos companheiros que se encontram ligados à Terra que não esmoreçam nas provas pois nada são, diante da felicidade que gozarão na eternidade, quando se tornarem livres pelo conhecimento da verdade.


Miramez




Livro Filosofia Espírita Vol. 6 - João Nunes Maia
Cap. 11 - Desafio das provas 





segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 2ª Parte - Cap. 6 - Da Vida Espírita - Relações de simpatia e de antipatia entre os Espíritos. Metades eternas - Questão 301 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 2ª Parte - Cap. 6 - Da Vida Espírita


Relações de simpatia e de antipatia entre os Espíritos. Metades eternas


301. Dois Espíritos simpáticos são complemento um do outro, ou a simpatia entre eles existente é resultado de identidade perfeita?

“A simpatia que atrai um Espírito para outro resulta da perfeita concordância de seus pendores e instintos. Se um tivesse que completar o outro, perderia a sua individualidade.” 


Allan Kardec  




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez 

Duas almas simpatizam uma com a outra devido os pendores, suas afinidades de sentimentos, seus ideais idênticos.

Nunca dois Espíritos simpáticos o são por um completar o outro. Se assim fosse, desapareceria a individualidade dos seres e a liberdade que tanto almejamos deixaria de existir.

O dever do cristão é, principalmente, alongar seus entendimentos para conhecer mais um pouco da verdade, porque somente ela nos libertará da ignorância que ainda existe dentro de nós.

Toda afeição vem de condicionamentos iguais, de vibrações idênticas, de comportamentos análogos, que com o tempo podem deixar de existir entre dois Espíritos, devido às mudanças que se processam no íntimo de cada um. Isso é comum, tanto entre encarnados, como no mundo dos Espíritos; no entanto, quando acontece com duas almas elevadas, somente se modificam os ideais na sua execução, ou por tarefas diferentes serem escolhidas, mas, o amor, força divina na divina esfera que habitamos, sempre se amplia para alcançar a universalidade maior.

Podemos observar uma simpatia mais profunda nos namorados, noivos e no casal; nesses momentos, um se identifica tanto com o outro que passa a haver uma dependência na sutileza que nos cabe analisar. Se eles fossem conscientes desse fato, não deixariam a simpatia se aprofundar tanto, porque quase sempre vêm certos distúrbios com o passar do tempo. Em raros casos, e quando a simpatia é espiritual, ela permanece, com fortes pendores ao amor verdadeiro, que deve agregar para sempre. Mas, na maioria dos casos, a concordância de idéias e sentimentos vibrando somente no físico vão se esfriando, e nota-se os desastres morais que se vêem todos os dias nos casais. Vêm as separações e se acumulam os infortúnios. Todo extremo no mundo é perigoso; ele cega os extremistas, levando-os a situações indesejáveis.

No alcance cristão que a Doutrina dos Espíritos se empenha a nos levar, conduzindo-nos com a segurança a tudo sentir e irradiar sem exagero dos sentimentos, há grande necessidade de duas almas se unirem na Terra para continuação da espécie, e dar oportunidades aos Espíritos voltarem à carne, grande escola de aprendizado. Mas tudo isso deve transcorrer com determinado equilíbrio nas linhas da ponderação, porque quase todos se encontram nos lares, para corrigir distúrbios do passado, e dilatar conhecimentos na garantia do futuro. O lar é uma célula de vida que sustenta a sociedade.

Devemos criar amizades duradouras e afeição espiritual, de modo que o amor e a fraternidade encontrem ambiente para crescer e prosperar com o Cristo de Deus no coração. A finalidade da vida é a harmonia em tudo, para que tudo nos ajude na paz de consciência.

Estendamos a nossa compreensão, sem escolha de lugares e pessoas; estendamos o nosso amor, onde quer que estejamos, e deixemos a caridade do exemplo no bem atingir todas as criaturas, sem exigências. Eis aí nossa parte na vida, porque, se fizermos a nossa parte com Deus e Cristo, a deles já foi feita. Obedeçamos às leis, que elas nos protegerão para sempre. Aumentemos a simpatia pela criação divina, a fim de nos sentirmos e nos alimentarmos na harmonia universal. 


Miramez 



Livro Filosofia Espírita Vol. 6 - João Nunes Maia 
Cap. 46 - Simpatia 








terça-feira, 5 de novembro de 2024

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 2ª Parte - Cap. 6 - Da vida espírita - Ensaio teórico da sensação nos Espíritos - Questão 257 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 2ª Parte - Cap. 6 - Da vida espírita


Ensaio teórico da sensação nos Espíritos 


257. O corpo é o instrumento da dor. Se não é a causa primária desta é, pelo menos, a causa imediata. A alma tem a percepção da dor: essa percepção é o efeito. A lembrança que da dor a alma conserva pode ser muito penosa, mas não pode ter ação física. De fato, nem o frio, nem o calor são capazes de desorganizar os tecidos da alma, que não é suscetível de congelar-se, nem de queimar-se. Não vemos todos os dias a recordação ou a apreensão de um mal físico produzirem o efeito desse mal, como se real fora? Não as vemos até causar a morte? Toda gente sabe que aqueles a quem se amputou um membro costumam sentir dor no membro que lhes falta. Certo que aí não está a sede, ou, sequer, o ponto de partida da dor. O que há, apenas, é que o cérebro guardou desta a impressão. Lícito, portanto, será admitir-se que coisa análoga ocorra nos sofrimentos do Espírito após a morte. Um estudo aprofundado do perispírito, que tão importante papel desempenha em todos os fenômenos espíritas; nas aparições vaporosas ou tangíveis; no estado em que o Espírito vem a encontrar-se por ocasião da morte; na ideia, que tão frequentemente manifesta, de que ainda está vivo; nas situações tão comoventes que nos revelam os dos suicidas, dos supliciados, dos que se deixaram absorver pelos gozos materiais; e inúmeros outros fatos, muita luz lançaram sobre esta questão, dando lugar a explicações que passamos a resumir.

O perispírito é o laço que à matéria do corpo prende o Espírito, que o tira do meio ambiente, do fluido universal. Participa ao mesmo tempo da eletricidade, do fluido magnético e, até certo ponto, da matéria inerte. Poder-se-ia dizer que é a quintessência da matéria. É o princípio da vida orgânica, porém, não o da vida intelectual, que reside no Espírito. É, além disso, o agente das sensações exteriores. No corpo, os órgãos, servindo-lhes de condutos, localizam essas sensações. Destruído o corpo, elas se tornam gerais. Daí o Espírito não dizer que sofre mais da cabeça do que dos pés, ou vice-versa.

Não se confundam, porém, as sensações do perispírito, que se tornou independente, com as do corpo. Estas últimas só por termo de comparação as podemos tomar e não por analogia. Liberto do corpo, o Espírito pode sofrer, mas esse sofrimento não é corporal, embora não seja exclusivamente moral, como o remorso, pois que ele se queixa de frio e calor. Também não sofre mais no inverno do que no verão: temo-los visto atravessar chamas, sem experimentarem qualquer dor. Nenhuma impressão lhes causa, conseguintemente, a temperatura. A dor que sentem não é, pois, uma dor física propriamente dita: é um vago sentimento íntimo, que o próprio Espírito nem sempre compreende bem, precisamente porque a dor não se acha localizada e porque não a produzem agentes exteriores; é mais uma reminiscência do que uma realidade, reminiscência, porém, igualmente penosa.

Algumas vezes, entretanto, há mais do que isso, como vamos ver.

Ensina-nos a experiência que, por ocasião da morte, o perispírito se desprende mais ou menos lentamente do corpo; que, durante os primeiros minutos depois da desencarnação, o Espírito não encontra explicação para a situação em que se acha. Crê não estar morto, por isso que se sente vivo; vê a um lado o corpo, sabe que lhe pertence, mas não compreende que esteja separado dele. Essa situação dura enquanto haja qualquer ligação entre o corpo e o perispírito. Disse-nos, certa vez, um suicida: “Não, não estou morto.” E acrescentava: No entanto, sinto os vermes a me roerem. Ora, indubitavelmente, os vermes não lhe roíam o perispírito e ainda menos o Espírito; roíam-lhe apenas o corpo. Como, porém, não era completa a separação do corpo e do perispírito, uma espécie de repercussão moral se produzia, transmitindo ao Espírito o que estava ocorrendo no corpo. Repercussão talvez não seja o termo próprio, porque pode induzir à suposição de um efeito muito material. Era antes a visão do que se passava com o corpo, ao qual ainda o conservava ligado o perispírito, o que lhe causava a ilusão, que ele tomava por realidade. Assim, pois não haveria no caso uma reminiscência, porquanto ele não fora, em vida, ruído pelos vermes: havia o sentimento de um fato da atualidade. Isto mostra que deduções se podem tirar dos fatos, quando atentamente observados.

Durante a vida, o corpo recebe impressões exteriores e as transmite ao Espírito por intermédio do perispírito, que constitui, provavelmente, o que se chama fluido nervoso. Uma vez morto, o corpo nada mais sente, por já não haver nele Espírito, nem perispírito. Este, desprendido do corpo, experimenta a sensação, porém, como já não lhe chega por um conduto limitado, ela se lhe torna geral. Ora, não sendo o perispírito, realmente, mais do que simples agente de transmissão, pois que no Espírito é que está a consciência, lógico será deduzir-se que, se pudesse existir perispírito sem Espírito, aquele nada sentiria, exatamente como um corpo que morreu. Do mesmo modo, se o Espírito não tivesse perispírito, seria inacessível a toda e qualquer sensação dolorosa. É o que se dá com os Espíritos completamente purificados. Sabemos que quanto mais eles se purificam, tanto mais etérea se torna a essência do perispírito, donde se segue que a influência material diminui à medida que o Espírito progride, isto é, à medida que o próprio perispírito se torna menos grosseiro.

Mas, dir-se-á, desde que pelo perispírito é que as sensações agradáveis, da mesma forma que as desagradáveis, se transmitem ao Espírito, sendo o Espírito puro inacessível a umas, deve sê-lo igualmente às outras. Assim é, de fato, com relação às que provêm unicamente da influência da matéria que conhecemos. O som dos nossos instrumentos, o perfume das nossas flores nenhuma impressão lhe causam. Entretanto, ele experimenta sensações íntimas, de um encanto indefinível, das quais ideia alguma podemos formar, porque, a esse respeito, somos quais cegos de nascença diante a luz. Sabemos que isso é real; mas, por que meio se produz? Até lá não vai a nossa ciência. Sabemos que no Espírito há percepção, sensação, audição, visão; que essas faculdades são atributos do ser todo e não, como no homem, de uma parte apenas do ser; mas, de que modo ele as tem? Ignoramo-lo. Os próprios Espíritos nada nos podem informar sobre isso, por inadequada a nossa linguagem a exprimir idéias que não possuímos, precisamente como o é, por falta de termos próprios, a dos selvagens, para traduzir idéias referentes às nossas artes, ciências e doutrinas filosóficas.

Dizendo que os Espíritos são inacessíveis às impressões da matéria que conhecemos, referimo-nos aos Espíritos muito elevados, cujo envoltório etéreo não encontra analogia neste mundo. Outro tanto não acontece com os de perispírito mais denso, os quais percebem os nossos sons e odores, não, porém, apenas por uma parte limitada de suas individualidades, conforme lhes sucedia quando vivos. Pode-se dizer que, neles, as vibrações moleculares se fazem sentir em todo o ser e lhes chegam assim ao sensorium commune, que é o próprio Espírito, embora de modo diverso e talvez, também, dando uma impressão diferente, o que modifica a percepção. Eles ouvem o som da nossa voz, entretanto nos compreendem sem o auxílio da palavra, somente pela transmissão do pensamento. Em apoio do que dizemos há o fato de que essa penetração é tanto mais fácil, quanto mais desmaterializado está o Espírito. Pelo que concerne à vista, essa, para o Espírito, independe da luz, qual a temos. A faculdade de ver é um atributo essencial da alma, para quem a obscuridade não existe. É, contudo, mais extensa, mais penetrante nas mais purificadas. A alma, ou o Espírito, tem, pois, em si mesma, a faculdade de todas as percepções. Estas, na vida corpórea, se obliteram pela grosseria dos órgãos do corpo; na vida extracorpórea, se vão desanuviando, à proporção que o invólucro semi-material se eteriza.

Haurido do meio ambiente, esse invólucro varia de acordo com a natureza dos mundos. Ao passarem de um mundo a outro, os Espíritos mudam de envoltório, como nós mudamos de roupa, quando passamos do inverno ao verão, ou do polo ao equador. Quando vêm visitar-nos, os mais elevados se revestem do perispírito terrestre e então suas percepções se produzem como no comum dos Espíritos. Todos, porém, assim os inferiores como os superiores, não ouvem, nem sentem, senão o que queiram ouvir ou sentir. Não possuindo órgãos sensitivos, eles podem, livremente, tornar ativas ou nulas suas percepções. Uma só coisa são obrigados a ouvir – os conselhos dos Espíritos bons. A vista, essa é sempre ativa; mas, eles podem fazer-se invisíveis uns aos outros. Conforme a categoria que ocupem, podem ocultar-se dos que lhes são inferiores, porém não dos que lhes são superiores. Nos primeiros instantes que se seguem à morte, a visão do Espírito é sempre turbada e confusa. Aclara-se, à medida que ele se desprende, e pode alcançar a nitidez que tinha durante a vida terrena, independentemente da possibilidade de penetrar através dos corpos que nos são opacos. Quanto à sua extensão através do espaço indefinito, do futuro e do passado, depende do grau de pureza e de elevação do Espírito.

Objetarão, talvez: toda esta teoria nada tem de tranquilizadora. Pensávamos que, uma vez livres do nosso grosseiro envoltório, instrumento das nossas dores, não mais sofreríamos e eis nos informais de que ainda sofreremos. Desta ou daquela forma, será sempre sofrimento. Ah! sim, pode dar-se que continuemos a sofrer, e muito, e por longo tempo, mas também que deixemos de sofrer, até mesmo desde o instante em que se nos acabe a vida corporal.

Os sofrimentos deste mundo independem, algumas vezes, de nós; muito mais vezes, contudo, são devidos à nossa vontade. Remonte cada um à origem deles e verá que a maior parte de tais sofrimentos são efeitos de causas que lhe teria sido possível evitar. Quantos males, quantas enfermidades não deve o homem aos seus excessos, à sua ambição, numa palavra: às suas paixões? Aquele que sempre vivesse com sobriedade, que de nada abusasse, que fosse sempre simples nos gostos e modesto nos desejos, a muitas tribulações se forraria. O mesmo se dá com o Espírito. Os sofrimentos por que passa são sempre a conseqüência da maneira por que viveu na Terra. Certo já não sofrerá mais de gota, nem de reumatismo; no entanto, experimentará outros sofrimentos que nada ficam a dever àqueles. Vimos que seu sofrer resulta dos laços que ainda o prendem à matéria; que quanto mais livre estiver da influência desta, ou, por outra, quanto mais desmaterializado se achar, menos dolorosas sensações experimentará. Ora, está nas suas mãos libertar-se de tal influência desde a vida atual. Ele tem o livre-arbítrio, tem, por conseguinte, a faculdade de escolha entre o fazer e o não fazer. Dome suas paixões animais; não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos; pratique o bem; não ligue às coisas deste mundo importância que não merecem; e, então, embora revestido do invólucro corporal, já estará depurado, já estará liberto do jugo da matéria e, quando deixar esse invólucro, não mais lhe sofrerá a influência. Nenhuma recordação dolorosa lhe advirá dos sofrimentos físicos que haja padecido; nenhuma impressão desagradável eles deixarão, porque apenas terão atingido o corpo e não a alma. Sentir-se-á feliz por se haver libertado deles e a paz da sua consciência o isentará de qualquer sofrimento moral.

Interrogamos, aos milhares, Espíritos que na Terra pertenceram a todas as classes da sociedade, ocuparam todas as posições sociais; estudamo-los em todos os períodos da vida espírita, a partir do momento em que abandonaram o corpo; acompanhamo-los passo a passo na vida de além-túmulo, para observar as mudanças que se operavam neles, nas suas idéias, nos seus sentimentos e, sob esse aspecto, não foram os que aqui se contaram entre os homens mais vulgares os que nos proporcionaram menos preciosos elementos de estudo. Ora, notamos sempre que os sofrimentos guardavam relação com o proceder que eles tiveram e cujas conseqüências experimentavam; que a outra vida é fonte de inefável ventura para os que seguiram o bom caminho. Deduz-se daí que, aos que sofrem, isso acontece porque o quiseram; que, portanto, só de si mesmos se devem queixar, quer no outro mundo, quer neste.


Allan Kardec 



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez:


O Espírito, quando reencarna, é ligado ao corpo por fios tenuíssimos em vários centros de força, refletores de outros centros da alma, no domínio de todas as células do campo somático. Quando o corpo físico começa a desagregar-se por desleixo da alma que não cuidou da sua vestimenta, ou por processos ligados ao passado, ou por leis de mudanças necessárias, não é ele que sofre as impressões dolorosas; é o Espírito, por sua alta sensibilidade, que capta essas impressões, pelas linhas que o prendem à argamassa física.

Esse processo de sofrimentos, é, pois, um campo de experiências, mediante o qual despertam os valores do Espírito que dormem na consciência profunda. Esses dons, quando aflorados, ambientam eles mesmos o ser espiritual para o equilíbrio das suas sensações, de modo a não sofrer com nenhuma reminiscência e a sua emotividade é direcionada para o amor, o perdão e a caridade.

Aquele que tenha qualquer aversão às leis que nos dirigem, feitas pelo Criador, ou tome caminhos não condizentes com as mesmas, sofrerá as conseqüências. Os Espíritos desencarnados que sofrem com a desagregação dos corpos, pela lei natural das transformações, é porque estão ligados às paixões humanas e deixaram de mudar suas idéias, ligando-as às diretrizes do Cristo, de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Devemos observar aonde nossos pensamentos encontram o sofrimento, pois aí se encontrará o nosso clima de vida. É bom que nos lembremos de Jesus, o que para nós é um grande prazer, quando Ele diz, e Mateus anota, no capítulo seis, versículo vinte e um: “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” Quando buscamos determinadas sensações e a elas nos ligamos pelo desejo, qual se fossem o nosso tesouro, ficamos presos a elas por tempo indeterminado.

Quando conhecemos Jesus e O acompanhamos, vêm as mudanças de costumes e alteramos o rumo das nossas sensações, buscando tesouros eternos, naquele bem que universaliza os nossos sentimentos. Vejamos essa afirmativa, que já dissemos alhures, mas que nos serve de orientação quando queremos nos referir à Doutrina Espírita: O livro espírita é força divina nas mãos humanas. Ele acompanha o progresso em todas as suas nuances, doando aos homens, com a maturidade necessária, os conceitos de Jesus que brilham na sua mais perfeita revivescência, ajudando os encarnados a se libertarem dos laços inferiores que os prendem às más sensações, e para aqueles que começarem a viver o amor e a caridade, ao passarem para o plano espiritual, as sensações serão outras, que lhes farão chorar de alegria, pela glória que seu esforço no bem lhes conferiu.

Com o conhecimento que agora se tem, trazido à luz pelo ensaio teórico do Codificador e com todas as experiências adquiridas ao longo do tempo, deve-se passar à vivência dos ensinos de Jesus, conhecendo a verdade que oferecerá a coroa de luz, marcando assim a sua dignidade como cidadão livre no campo da vida espiritual.

Lembremo-nos bem: onde estarão os nossos pensamentos?

Onde os nossos sentimentos estão ligados?

Eis ai nosso tesouro! Vejamos, atentemos se é o que o Cristo deseja de nós!


Miramez 



Filosofia Espírita Vol. 6 - João Nunes Maia
Cap. 2 - Sensação dos Espíritos



VÍDEO: 

O Livro dos Espíritos | questão 257
Luiza Almeida Monteiro







terça-feira, 28 de junho de 2022

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Da vida espírita - Escolha das provas - Questão 268 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Da vida espírita


Escolha das provas


268. Até que chegue ao estado do perfeita pureza, o Espírito tem de passar constantemente por provas?

– Sim, mas elas não são como as entendeis. Chamais provas às tribulações materiais, ora, o Espírito, chegado a um certo grau, mesmo sem ser perfeito, não tem mais nada a sofrer. Mas tem sempre deveres que o ajudam a se aperfeiçoar, e que não são penosos para ele, a não ser os de ajudar os outros a se aperfeiçoarem.


Allan Kardec





O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 268 comentada

O Espírito, em certas faixas evolutivas, passa por provas, por vezes duras, com o objetivo de despertar ou aprimorar suas qualidades espirituais, depositadas, em sua consciência, pelo Criador.

O progresso da alma tem um preço: a passagem pela porta estreita.

Em princípio, o homem abusa dos poderes que lhe foram concedidos, do ouro que lhe foi entregue por empréstimo do Pai; da saúde que a vida lhe ofertou, e a inferência disso são os sofrimentos de toda ordem, que vêm lhe ensinar o roteiro mais proveitoso a trilhar.

Quando a lição é aprendida, cessa a necessidade da presença da dor, mestra incomparável, que deixa o homem entregue a si mesmo, consciente dos seus deveres. As provas, portanto, têm um fim, e quando o Espírito já não necessita de passar por situações penosas, outros vêm a ser os seus deveres, quando ele empregará os valores conquistados, com alegria, no seu adiantamento e no progresso dos que se acham na retaguarda, assim como ele mesmo recebe do Alto a assistência nos seus caminhos de redenção.

Tudo na vida progride. A própria dor, que no mundo material é quase considerada como um fantasma apavorante, continua volatizada entre os Espíritos elevados, em outra faixa, também evoluída e que dá prazer, como deveres ante a Paternidade Universal.

As virtudes do Espírito têm cada uma sua expressão própria e com sua ascensão elas ganham pureza cada vez mais sublimada, de modo a iluminarem o Espírito em qualquer estágio em que ele se encontre.

Os motivos que fazem a criança chorar não são os mesmos que inquietam o adulto.

A visão de Jesus em relação à sociedade humana era uma, e a da humanidade em si era outra bem diferente. Foi por isso que Ele, em muitos casos, falou por parábolas, deixando de dizer muitas coisas que os homens não estavam preparados para ouvir.

As provas, se assim podemos chamá-las, para os benfeitores da humanidade, consistem em levá-los a auxiliar no progresso, com paciência, com amor e com energia, e sentem eles muita satisfação nessas lutas.

Cada vez que o Espírito muda de plano, alcançando mais um degrau na escala espiritual, ele sente a necessidade de deveres diferentes, reclamando a sua falta, pois sempre tem que lutar para se elevar.

Os Espíritos Superiores sentem alegria em amanhar o bem onde quer que sejam chamados a servir e estão atentos à vontade de Deus, sob as vistas do Divino Mestre.

As provas dolorosas são breves, as lutas não. O esforço próprio para evoluir cada vez mais é, pois, eterno. Quando se encerra um ciclo evolutivo, inicia-se outro, em dimensão diferente. Essa é a vida, dentro da vida de Deus.

Os Espíritos que estão na Terra, se movendo em um corpo de carne, podem avaliar suas atividades e notar a que grau pertencem na ascensão para a libertação.

Conscientes do que precisamos, devemos trabalhar para nos melhorarmos moralmente. Esse é o dever de todos nós, nos dois planos da vida.

Vale a pena trabalhar pelo bem, na lavoura íntima, e essa se reflete em tudo o que fazemos, tornando-nos conhecidos pelas nossas obras.

No fim das provas brotará em nossa consciência a tranquilidade imperturbável.


Miramez




Filosofia Espírita - Vol. VI - João Nunes Maia
Cap. 13 - As provas têm um fim?









sexta-feira, 17 de junho de 2022

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Cap. 6 - Da vida espírita - Escolha das provas - Questão 258a (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Cap. 6 - Da vida espírita


Escolha das provas  


258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena?

"Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar, e nisso consiste o seu livre-arbítrio."

a) - Não é Deus, então, que lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?

"Nada ocorre sem a permissão de Deus, porquanto foi Deus que estabeleceu todas as leis que regem o Universo. Ide agora perguntar por que decretou Ele esta lei e não aquela! Dando ao Espírito a liberdade de escolher, Deus lhe deixa a inteira responsabilidade de seus atos e das conseqüências que estes tiverem. Nada lhe estorva o futuro; abertos se lhe acham, assim, o caminho do bem, como o do mal. Se vier a sucumbir, restar-lhe-á a consolação de que nem tudo se lhe acabou, e que a bondade divina lhe concede a liberdade de recomeçar o que foi mal feito. Ademais, cumpre se distinga o que é obra da vontade de Deus do que o é da do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós quem o criou e sim Deus. Vosso, porém, foi o desejo de a ele vos expordes, por haverdes visto nisso um meio de progredirdes, e Deus o permitiu."


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez
Questão 258 comentada


A razão nos convida a apreciar com profundidade esse assunto de escolha de provas, quando o Espírito está na erraticidade. Temos o livre-arbítrio, mas em uma escala progressiva, e até certo ponto, porque Deus é quem comanda tudo, dentro da Sua autoridade total.

O Espírito pode escolher as provas que haverá de enfrentar na Terra, mas, quando passa dos limites, quando a sua usura, o seu orgulho falam mais alto do que as suas necessidades de se educar, a mão de Deus intervém, dando-lhe o que pode suportar e que lhe serve de aprendizado. É, pois, engenhosa essa escolha; nem sempre a alma pode escolher o que quer, porque por vezes não sabe optar pelo que realmente lhe convém.

No caso de Espíritos envolvidos nas paixões inferiores, que se encontram na inconsciência do que devem escolher, certamente que esses não podem programar as suas provas, assim como a criança, o velho esclerosado ou o retardado mental não podem sair para as ruas à hora que desejarem.

Para esse trabalho de escolha e assistência, aos reencarnantes, Deus colocou falanges e mais falanges de anjos benfeitores, conscientes de seus deveres ante os necessitados.

Nunca se pode generalizar esses casos de escolhas; elas são variadas, de acordo com o reencarnante, e muitos Espíritos, já com categoria espiritual elevada, pedem conselhos aos Espíritos que os guiam nas escolhas das suas provas, sobre a família e o meio social em que deverão reencarnar. São almas que desejam acertar e não querem negligenciar nas diretrizes do bem e da verdade, e ainda pedem aos seus mentores espirituais para avisar-lhes sobre os perigos, no momento em que estiverem à beira do abismo. São Espíritos com a maturidade que os assemelha à lavoura cuja colheita se aproxima. E que Deus nos abençoe e que existam muitos deles na Terra.

Mas quando o Espírito tem a liberdade de escolher suas provas e avança para certas dificuldades que pesam em seus ombros, e Deus o permite, Ele, o Senhor, é misericordioso e oferta muitos recursos para que a alma aproveite as lições. Nada é perdido em lugar algum do universo porque a Sabedoria Divina tudo vê, e Suas mãos sempre abençoam, convertendo o mal em bem, o ódio em amor, a violência em paz, a inimizade em perdão. Mesmo que o Espírito se desvie da estrada nobre que desejou seguir, ele acumula experiências e torna a voltar, revestindo-se de novo corpo, com mais facilidade de acertar.

Podemos ponderar sobre os nossos feitos na Terra e as decisões que tomamos no decorrer da nossa existência. Temos o livre-arbítrio de escolher, no entanto, muitas escolhas não acontecem, porque o Senhor não achou conveniente ao nosso tamanho evolutivo. Isso sucede todos os dias; basta observarmos os acontecimentos na sutileza da vida. Situações há em que determinada pessoa escolhe, por exemplo, dirigir um país e quase toda nação assim o deseja. Entretanto, Deus não permite que assim aconteça.

Assim também se passa no mundo dos Espíritos: quem pode escolher, escolhe as provas; a quem não pode, elas são impostas, e outros pedem conselhos aos benfeitores maiores, sobre o que e melhor para eles. Enfim, tudo é escola, tudo são lições, porque nada se perde na casa de Deus. A Sua vontade é sempre soberana.


Miramez




Filosofia Espírita - Volume VI - João Nunes Maia
Cap. 3- Escolha de provas






quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 2ª Parte - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos - Capítulo 6 - Da vida espírita - Questão 258 - Escolha das provas (Miramez)




Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 2ª Parte - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos - Capítulo 6 - Da vida espírita


Escolha das provas


258. No estado errante, antes de nova existência corpórea, o Espírito tem consciência e previsão do que lhe vai acontecer durante a vida?

– Ele mesmo escolhe o gênero de provas que deseja sofrer, nisto consiste o seu livre arbítrio.

258-a. Não é Deus quem lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?

– Nada acontece sem a permissão de Deus, porque foi Ele quem estabeleceu todas as leis que regem o universo. Perguntareis agora por que Ele fez tal lei em vez de tal outra! Dando ao Espírito a liberdade de escolha, deixa-lhe toda a responsabilidade dos seus atos e das suas conseqüências, nada lhe estorva o futuro, o caminho do bem está à sua frente, como o do mal. Mas se sucumbir, ainda lhe resta uma consolação, a de que nem tudo se acabou para ele, pois Deus, na sua bondade, permite-lhe recomeçar o que foi mal feito. É necessário distinguir o que é obra da vontade de Deus e o que é da vontade do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós que o criastes, mas Deus, tivestes, porém, a vontade de vos expordes a ele, porque o considerastes um meio de adiantamento, e Deus o permitiu.


Allan Kardec





O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 258 comentada


A razão nos convida a apreciar com profundidade esse assunto de escolha de provas, quando o Espírito está na erraticidade. Temos o livre-arbítrio, mas em uma escala progressiva, e até certo ponto, porque Deus é quem comanda tudo, dentro da Sua autoridade total.

O Espírito pode escolher as provas que haverá de enfrentar na Terra, mas, quando passa dos limites, quando a sua usura, o seu orgulho falam mais alto do que as suas necessidades de se educar, a mão de Deus intervém, dando-lhe o que pode suportar e que lhe serve de aprendizado. É, pois, engenhosa essa escolha; nem sempre a alma pode escolher o que quer, porque por vezes não sabe optar pelo que realmente lhe convém.

No caso de Espíritos envolvidos nas paixões inferiores, que se encontram na inconsciência do que devem escolher, certamente que esses não podem programar as suas provas, assim como a criança, o velho esclerosado ou o retardado mental não podem sair para as ruas à hora que desejarem.

Para esse trabalho de escolha e assistência, aos reencarnantes, Deus colocou falanges e mais falanges de anjos benfeitores, conscientes de seus deveres ante os necessitados.

Nunca se pode generalizar esses casos de escolhas; elas são variadas, de acordo com o reencarnante, e muitos Espíritos, já com categoria espiritual elevada, pedem conselhos aos Espíritos que os guiam nas escolhas das suas provas, sobre a família e o meio social em que deverão reencarnar. São almas que desejam acertar e não querem negligenciar nas diretrizes do bem e da verdade, e ainda pedem aos seus mentores espirituais para avisar-lhes sobre os perigos, no momento em que estiverem à beira do abismo. São Espíritos com a maturidade que os assemelha à lavoura cuja colheita se aproxima. E que Deus nos abençoe e que existam muitos deles na Terra.

Mas quando o Espírito tem a liberdade de escolher suas provas e avança para certas dificuldades que pesam em seus ombros, e Deus o permite, Ele, o Senhor, é misericordioso e oferta muitos recursos para que a alma aproveite as lições. Nada é perdido em lugar algum do universo porque a Sabedoria Divina tudo vê, e Suas mãos sempre abençoam, convertendo o mal em bem, o ódio em amor, a violência em paz, a inimizade em perdão. Mesmo que o Espírito se desvie da estrada nobre que desejou seguir, ele acumula experiências e torna a voltar, revestindo-se de novo corpo, com mais facilidade de acertar.

Podemos ponderar sobre os nossos feitos na Terra e as decisões que tomamos no decorrer da nossa existência. Temos o livre-arbítrio de escolher, no entanto, muitas escolhas não acontecem, porque o Senhor não achou conveniente ao nosso tamanho evolutivo. Isso sucede todos os dias; basta observarmos os acontecimentos na sutileza da vida. Situações há em que determinada pessoa escolhe, por exemplo, dirigir um país e quase toda nação assim o deseja. Entretanto, Deus não permite que assim aconteça.

Assim também se passa no mundo dos Espíritos: quem pode escolher, escolhe as provas; a quem não pode, elas são impostas, e outros pedem conselhos aos benfeitores maiores, sobre o que é melhor para eles. Enfim, tudo é escola, tudo são lições, porque nada se perde na casa de Deus. A Sua vontade é sempre soberana.


Miramez






Filosofia Espírita – Volume VI - João Nunes Maia

quinta-feira, 19 de março de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Da vida espírita - Escolha das provas - Questão 268 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Da vida espírita


Escolha das provas


268. Até que chegue ao estado do perfeita pureza, o Espírito tem de passar constantemente por provas?

– Sim, mas elas não são como as entendeis. Chamais provas às tribulações materiais, ora, o Espírito, chegado a um certo grau, mesmo sem ser perfeito, não tem mais nada a sofrer. Mas tem sempre deveres que o ajudam a se aperfeiçoar, e que não são penosos para ele, a não ser os de ajudar os outros a se aperfeiçoarem.


Allan Kardec





O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 268 comentada

O Espírito, em certas faixas evolutivas, passa por provas, por vezes duras, com o objetivo de despertar ou aprimorar suas qualidades espirituais, depositadas, em sua consciência, pelo Criador.

O progresso da alma tem um preço: a passagem pela porta estreita.

Em princípio, o homem abusa dos poderes que lhe foram concedidos, do ouro que lhe foi entregue por empréstimo do Pai; da saúde que a vida lhe ofertou, e a inferência disso são os sofrimentos de toda ordem, que vêm lhe ensinar o roteiro mais proveitoso a trilhar.

Quando a lição é aprendida, cessa a necessidade da presença da dor, mestra incomparável, que deixa o homem entregue a si mesmo, consciente dos seus deveres. As provas, portanto, têm um fim, e quando o Espírito já não necessita de passar por situações penosas, outros vêm a ser os seus deveres, quando ele empregará os valores conquistados, com alegria, no seu adiantamento e no progresso dos que se acham na retaguarda, assim como ele mesmo recebe do Alto a assistência nos seus caminhos de redenção.

Tudo na vida progride. A própria dor, que no mundo material é quase considerada como um fantasma apavorante, continua volatizada entre os Espíritos elevados, em outra faixa, também evoluída e que dá prazer, como deveres ante a Paternidade Universal.

As virtudes do Espírito têm cada uma sua expressão própria e com sua ascensão elas ganham pureza cada vez mais sublimada, de modo a iluminarem o Espírito em qualquer estágio em que ele se encontre.

Os motivos que fazem a criança chorar não são os mesmos que inquietam o adulto.

A visão de Jesus em relação à sociedade humana era uma, e a da humanidade em si era outra bem diferente. Foi por isso que Ele, em muitos casos, falou por parábolas, deixando de dizer muitas coisas que os homens não estavam preparados para ouvir.

As provas, se assim podemos chamá-las, para os benfeitores da humanidade, consistem em levá-los a auxiliar no progresso, com paciência, com amor e com energia, e sentem eles muita satisfação nessas lutas.

Cada vez que o Espírito muda de plano, alcançando mais um degrau na escala espiritual, ele sente a necessidade de deveres diferentes, reclamando a sua falta, pois sempre tem que lutar para se elevar.

Os Espíritos Superiores sentem alegria em amanhar o bem onde quer que sejam chamados a servir e estão atentos à vontade de Deus, sob as vistas do Divino Mestre.

As provas dolorosas são breves, as lutas não. O esforço próprio para evoluir cada vez mais é, pois, eterno. Quando se encerra um ciclo evolutivo, inicia-se outro, em dimensão diferente. Essa é a vida, dentro da vida de Deus.

Os Espíritos que estão na Terra, se movendo em um corpo de carne, podem avaliar suas atividades e notar a que grau pertencem na ascensão para a libertação.

Conscientes do que precisamos, devemos trabalhar para nos melhorarmos moralmente. Esse é o dever de todos nós, nos dois planos da vida.

Vale a pena trabalhar pelo bem, na lavoura íntima, e essa se reflete em tudo o que fazemos, tornando-nos conhecidos pelas nossas obras.

No fim das provas brotará em nossa consciência a tranqüilidade imperturbável.


Miramez








sábado, 14 de março de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 2ª Parte - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos - Capítulo 6 - Da vida espírita - Questão 258 - Escolha das provas (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 2ª Parte - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos - Capítulo 6 - Da vida espírita


Escolha das provas


258. No estado errante, antes de nova existência corpórea, o Espírito tem consciência e previsão do que lhe vai acontecer durante a vida?

– Ele mesmo escolhe o gênero de provas que deseja sofrer, nisto consiste o seu livre arbítrio.

258-a. Não é Deus quem lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?

– Nada acontece sem a permissão de Deus, porque foi Ele quem estabeleceu todas as leis que regem o universo. Perguntareis agora por que Ele fez tal lei em vez de tal outra! Dando ao Espírito a liberdade de escolha, deixa-lhe toda a responsabilidade dos seus atos e das suas conseqüências, nada lhe estorva o futuro, o caminho do bem está à sua frente, como o do mal. Mas se sucumbir, ainda lhe resta uma consolação, a de que nem tudo se acabou para ele, pois Deus, na sua bondade, permite-lhe recomeçar o que foi mal feito. É necessário distinguir o que é obra da vontade de Deus e o que é da vontade do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós que o criastes, mas Deus, tivestes, porém, a vontade de vos expordes a ele, porque o considerastes um meio de adiantamento, e Deus o permitiu.


Allan Kardec





O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 258 comentada


A razão nos convida a apreciar com profundidade esse assunto de escolha de provas, quando o Espírito está na erraticidade. Temos o livre-arbítrio, mas em uma escala progressiva, e até certo ponto, porque Deus é quem comanda tudo, dentro da Sua autoridade total.

O Espírito pode escolher as provas que haverá de enfrentar na Terra, mas, quando passa dos limites, quando a sua usura, o seu orgulho falam mais alto do que as suas necessidades de se educar, a mão de Deus intervém, dando-lhe o que pode suportar e que lhe serve de aprendizado. É, pois, engenhosa essa escolha; nem sempre a alma pode escolher o que quer, porque por vezes não sabe optar pelo que realmente lhe convém.

No caso de Espíritos envolvidos nas paixões inferiores, que se encontram na inconsciência do que devem escolher, certamente que esses não podem programar as suas provas, assim como a criança, o velho esclerosado ou o retardado mental não podem sair para as ruas à hora que desejarem.

Para esse trabalho de escolha e assistência, aos reencarnantes, Deus colocou falanges e mais falanges de anjos benfeitores, conscientes de seus deveres ante os necessitados.

Nunca se pode generalizar esses casos de escolhas; elas são variadas, de acordo com o reencarnante, e muitos Espíritos, já com categoria espiritual elevada, pedem conselhos aos Espíritos que os guiam nas escolhas das suas provas, sobre a família e o meio social em que deverão reencarnar. São almas que desejam acertar e não querem negligenciar nas diretrizes do bem e da verdade, e ainda pedem aos seus mentores espirituais para avisar-lhes sobre os perigos, no momento em que estiverem à beira do abismo. São Espíritos com a maturidade que os assemelha à lavoura cuja colheita se aproxima. E que Deus nos abençoe e que existam muitos deles na Terra.

Mas quando o Espírito tem a liberdade de escolher suas provas e avança para certas dificuldades que pesam em seus ombros, e Deus o permite, Ele, o Senhor, é misericordioso e oferta muitos recursos para que a alma aproveite as lições. Nada é perdido em lugar algum do universo porque a Sabedoria Divina tudo vê, e Suas mãos sempre abençoam, convertendo o mal em bem, o ódio em amor, a violência em paz, a inimizade em perdão. Mesmo que o Espírito se desvie da estrada nobre que desejou seguir, ele acumula experiências e torna a voltar, revestindo-se de novo corpo, com mais facilidade de acertar.

Podemos ponderar sobre os nossos feitos na Terra e as decisões que tomamos no decorrer da nossa existência. Temos o livre-arbítrio de escolher, no entanto, muitas escolhas não acontecem, porque o Senhor não achou conveniente ao nosso tamanho evolutivo. Isso sucede todos os dias; basta observarmos os acontecimentos na sutileza da vida. Situações há em que determinada pessoa escolhe, por exemplo, dirigir um país e quase toda nação assim o deseja. Entretanto, Deus não permite que assim aconteça.

Assim também se passa no mundo dos Espíritos: quem pode escolher, escolhe as provas; a quem não pode, elas são impostas, e outros pedem conselhos aos benfeitores maiores, sobre o que é melhor para eles. Enfim, tudo é escola, tudo são lições, porque nada se perde na casa de Deus. A Sua vontade é sempre soberana.


Miramez






Filosofia Espírita – Volume VI - João Nunes Maia