Miramez - Livro Alguns Ângulos dos Ensinos do Mestre - João Nunes Maia - Cap. 2
Jesus é o Filho de Deus
“E eu sei que seu mandamento é vida eterna. Assim que, o que eu digo, digo-o segundo mo disse o Pai.”. — (João, 12:50).
O Mestre jamais afirmou que era Deus. Não obstante, há grande confusão entre certos espiritualistas, que tomam a Jesus como um Deus. Longe estamos da época faraónica, quando os deuses eram venerados e faziam guerras entre si; vão distantes os tempos do antigo legislador hebreu, que sobe ao monte e dá conselhos ao seu Deus, visando aplacar-lhe a fúria. Mas, ainda hoje persiste a ideia, acalentada por muitos, da divindade do Messias. A esse respeito, preferimos afirmar, como Moisés: há um só Deus verdadeiro, senhor supremo, que se manifesta através dos efeitos, cuja causa primária foge, inteiramente, à nossa compreensão. Sentimos em nós Sua penetração, que se acentua a cada passo da escada que subimos.
Aceitamos, sim, um Deus que não fala diretamente pela boca de seus profetas, mas que tem condições de se fazer presente aos dotados de razão, pelos canais sensíveis da lei, Seu agente mais poderoso em toda a criação.
Jesus Cristo é nosso irmão maior. Sua alta condição evolutiva, que a fraca concepção de tempo e espaço, próprios da humanidade, não permitem compreender, interpreta com fidelidade a vontade de Deus, emanada como hálito Divino, em ondas etéreas, como se fora um anúncio permanente da própria voz do Todo-Poderoso.
Jesus clamava no meio de seus seguidores, que pensavam ser ele o Deus único propagado pelos profetas: "quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou". (1) E continuava: “eu sou o espelho, pelo qual podereis ver Aquele que é meu e vosso Pai”.
Afirmava, diariamente, que fora enviado: por conseguinte, não era Deus. Operava em nome do Pai Celestial; era Seu filho amado, por ser o mais obediente e o mais evoluído que, até então, pisara o solo terreno.
Sua missão diferia da de todos os outros mensageiros: o próprio Mestre anunciou que veio como a luz, para que ninguém ficasse nas trevas. Se os outros eram refletores, Jesus era o agente da claridade; se os outros eram portadores da paz, Jesus era a própria paz; se os outros eram caminhos para a verdade, Ele era a própria verdade, pois de sua boca, canal cósmico de Deus, saiu esta assertiva: ninguém vai ao Pai senão por mim”.
O Messias, na terra, é a fonte da água da vida, onde saciamos nossa sede com o líquido espiritual que procede de Deus. Ele representa o regulador de voltagens da natureza Divina. Absorve triliões de volts, no nascedouro, e os distribui, equitativamente, de acordo com a capacidade de cada um.
Essa distribuição é que permite ao homem os meios para viver, evoluindo, e sentir a grandeza dos céus, de acordo com a visão que possui. Isso, o grande Mestre faz, desde os primórdios do nosso planeta. Por isso, repetimos, com os que disseram primeiro; Cristo é o governador da terra, desde a aparição dessa nas franjas douradas do Sol.
À alguns, que o ouviam, e logo se esqueciam dos seus ensinamentos, o Nazareno, com todo amor, desprendendo forças sutis que ganhavam os corações, dizia: se alguém ouvir as minhas palavras, e não as guardar, eu não o julgo; pois eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo". (2)
Sabia Jesus que nem todos possuíam o mesmo desenvolvimento na escala espiritual. Aqueles que tinham ouvidos para entender, corações preparados para sentir suas palavras, é que iriam aceitá-lo, em espírito e em verdade; quem rejeitasse, iria se arrepender com o passar dos tempos: esses, quem vai julgar são as minhas próprias palavras”. (3)
No último dia, na última reencarnação do espírito nas hostes do mal, começa a julgamento: as verdades que ouviu ressoarão na acústica da própria alma.
Miramez
(1) Mas Jesus, elevando sua voz, disse: "O que crê em mim, não crê em mim, mas naquele que me enviou." — (João 12:44).
(2) E se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. — (João 12:47).
(3) "Aquele que me rejeita e não acolhe as minhas palavras tem quem o julgue; a palavra que preguei, essa o julgará no último dia". — (João 12:48).

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