
Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 5
Mundos superiores
Os Espíritos benfeitores da humanidade falam sobre mundos superiores em relação à Terra, dimensão em que estagiam companheiros de alta estirpe espiritual, com a função de estender o amor por onde passam, movidos pela fraternidade cósmica e por um perdão sublimado.
Imaginemos que, se na Terra existem momentos de alegria, esses mundos superiores ao planeta, como devem ser? Devemos considerar que o plano terreno é mundo de provas e expiações, e que esses mundos de que ora falamos são venturosos, capazes de oferecer aos Espíritos a eles recambiados um clima saudável, induzindo-o à caridade e à fé, à fraternidade e ao perdão, para que todos se apoiem no grande manancial a que denominamos de amor.
A Doutrina Espírita, sendo dotada de altos conceitos sobre a vida espiritual, nos traz com segurança notícias dos mundos superiores, nos servindo de incentivo para o trabalho com amor e a caridade como dever, sem as mesquinhas intenções do ganho fácil, da usura que muito preocupa os seres humanos e que os faz desviar da luz.
O ambiente da Terra nos predispõe às paixões inferiores, como o interesse a todos os tipos de imprudências, por duvidar das belezas imortais dos mundos superiores, aonde deveremos ir, quando limpos de coração e portadores de tranquilidade de consciência, o que alguns chamam de paz imperturbável. Não se deve esquecer que Deus existe e que somos todos Seus filhos, com os mesmos direitos e deveres compatíveis.
O Espiritismo é uma oportunidade valiosa de nos ajudar, encarnados e desencarnados, a compreender como ajustar as nossas vidas para entrarmos nesses mundos superiores, passando a educar os sentimentos e nos instruindo, deixando a fraternidade se estender em todo o mundo, servindo-nos de instrumento, levando sementes tiradas da árvore do bem, e semeando-as na grande lavoura de Deus.
É necessário que se observem os conceitos dos livros espíritas, principalmente os mediúnicos, esforçando-se para vivê-los na grande arte de acender a luz na intimidade, que os seres que já se libertaram passarão a ajudar nesse amanho de libertação, como sendo o sopro de Deus, alimentando os corações no labor da dignidade moral.
Abracemos o aprimoramento espiritual, confiando no Senhor, e avancemos em todas as direções no nosso campo interno para conhecermos a nós mesmos e vencermos todas as lutas travadas com nossas inferioridades. Se você fala muito do Evangelho mas não vive o que fala, não esmoreça; prossiga falando, dando conhecimento dessa luz de Deus, mas não se esqueça de se esforçar todos os dias, para que no amanhã fique mais fácil a vivência.
Conheça a existência dos mundos superiores por estar você lendo todos os dias as notícias do além túmulo, através dos que já se foram. Não tente enganar a si mesmo; cada libertação das trevas representa pingos de luz em sua vida, e em seu favor. Ninguém compra a entrada nos mundos venturosos, nem ilude a vida para o ingresso neste ambiente de luz.
A senha para tal entrada se chama caridade, que se faz a si mesmo e aos outros e, para essa moradia, a vida exige pureza de pensamentos, de palavras e de existência, que se envolve na fraternidade, filha do amor, aquele estado d’alma que desconhece ofensas, em que a injúria não tem ação nem faz mudanças contrárias ao amor nos seus sentimentos, em que o trabalho expressa o seu dever ante os seus compromissos, e em que o seu coração irradia a alegria íntima, em que todos sentem o perfume de vida, que emana do nosso Mestre Jesus.
Espírita!... Não enumere os defeitos alheios, pois, cada um é senhor do seu próprio mundo! Observe a sua vida, e veja o que existe para consertar nos seus caminhos, começando hoje mesmo, porque a aquisição moral é o seu trabalho. O mundo espiritual o ajuda, no entanto há que começar esse o seu maior trabalho e não se preocupe com os outros, que com o seu exemplo, eles passarão a melhorar também. Em vez de falar dos defeitos alheios, se está fazendo o mesmo, corrija primeiro, para depois falar pela vida que levar.
Enganar a si mesmo é contrariar a natureza e esquecer Aquele que tudo fez é não querer pensar em Jesus como nosso Guia em todos os rumos da Terra. Sem Deus, nada somos; Ele é tudo, e está em todos, no comando da própria vida universal. Quem não deseja ingressar nos mundos superiores? Todos nós o desejamos; entretanto, temos de passar pela porta estreita, mostrando que já descarregamos o fardo e aliviamos o jugo das coisas humanas, alcançando o divino, de modo que a consciência sente Deus e o coração é comandado, inspirando todos os sentimentos por Jesus, colocando-nos, onde estivermos, a viver os mundos superiores, naquela paz que somente o Senhor pode dar.
O rico encontra mais dificuldades para renunciar e para praticar a caridade para com o próximo; entretanto, isso não é impossível, dependendo da boa vontade e da persistência no bem até ao fim. Devemos reconhecer que a Doutrina Espírita é uma oportunidade valiosa de se melhorar espiritualmente, de avançar com coragem ante todos os obstáculos, vencendo-os e passando a reconhecer que as maiores lutas que devemos travar é em nós mesmos. Aquele que conseguir vencer a si mesmo é, pois, um bom vencedor.
A magnificência deve ser um ponto cardeal de todos os seres, que devem compreender melhor que toda a grandeza permanente é aquela que tem ressonâncias espirituais no convívio com o amor. Não se deve invejar aqueles que ainda permanecem na carne, por serem grandes personagens ou realezas terrenas, e cujas posições podem ser motivos de tropeços nos caminhos que percorrem.
Trabalhemos no silêncio, na aquisição de sublimidade espiritual, de modo a confortar os corações e dar rumo certo aos sentimentos que buscam a beleza da vida que é amar por amor, é fazer a caridade por caridade, é perdoar com alegria e esquecer as faltas. Esse o maior esplendor de quem pisa neste solo de um mundo de provas e expiações.
Que Deus abençoe os que se esforçam todos os dias, na melhoria com Jesus.
Miramez
Fonte: Máximas de Luz
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