Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 43
Misericórdia
"Sede indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações e o Senhor usará de indulgência para convosco, como de indulgência houverdes usado para com os outros." (ESE - Cap. X - Item 17)*
Devemos ser indulgentes para com os nossos irmãos em estado de ignorância, porque a indulgência pede a mesma coisa para nós.
O que semeamos, colhemos; o que damos, recebemos. Se temos misericórdia para com os nossos companheiros, recebemos misericórdia de quantos encontramos nos caminhos.
É a consciência das leis espirituais que nos fazem respeitar os outros. É do dever de cada um corrigir as faltas de si mesmos, sem se preocupar com os erros alheios; cada vida é um mundo que pertence a cada um.
Podemos ajudar aos outros pela força do exemplo, na subtilidade do próprio tempo. Entendemos que misericórdia é amor, que veste na roupagem diferente, mas com os mesmos sinais de caridade, ali viam as criaturas nas duras provas da vida, nas frequentes lutas para melhorar.
Os Espíritos superiores falam muito em indulgência, porque eles são indulgentes para connosco; passam por nós servindo, por vezes em diálogos, vivendo os conceitos ensinados e vivenciados por Jesus; mais tarde, certamente faremos o mesmo.
O Evangelho Segundo o Espiritismo nos apresenta muitas mensagens no seu farto repositório de luz, em que muitos Espíritos falam sobre a indulgência, valorizando-a como uma das portas que mostra o amor de Deus, já vibrando no coração de quem a expressa.
Não devemos somente esquecer os ofensores; é preciso também nos lembrarmos daqueles por nós ofendidos; é o dever do cristão semear o amor e a caridade no lugar da violência, no lugar do orgulho e do egoísmo.
A vida da alma tem de se transformar em harmonia, harmonia em todos os sentimentos. É desta forma que nasce a felicidade, e ser feliz é um estado d’alma difícil de ser explicado; somente os sentimentos podem dela dar notícias, no mundo interno.
Jesus veio à Terra mostrar os primeiros sinais da glória do Espírito, vivendo essa verdade, e deixando como herança o Evangelho, para que possamos dar início à nossa transformação, para a paz interna. Bem-aventurados os misericordiosos, que receberão misericórdia: recebemos o que damos, esta é a lei divina.
Desta forma, ativamos o interesse de crescer à indulgência, de modo que ela se mude para o amor. Em nossas preces, pedimos ao Senhor para perdoar as nossas ofensas, compreendendo a lei da justiça. É o que devemos fazer todos os dias; sempre desculpar os algozes, porque eles não sabem o que fazem.
Quem ama, encontra amor; quem é benevolente, encontra benevolência; quem perdoa, é perdoado; quem dá, recebe dádiva; quem ilumina, só anda no meio das claridades.
Em toda a criação universal, as leis são iguais; as diferenças, quando existem, diante das leis, referem-se ao crescimento espiritual, caminho de todos os Espíritos, ordenado pela lei de justiça.
A indulgência nos mostra outras qualidades, que devemos despertar no nosso mundo interno, de que nós mesmos somos os beneficiados.
Miramez
*O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. X - Bem-aventurados os que são misericordiosos - Instruções dos Espíritos - A indulgência
17. Sede indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações e o Senhor usará de indulgência para convosco, como de indulgência houverdes usado para com os outros.
Sustentai os fortes: animai-os à perseverança. Fortalecei os fracos, mostrando-lhes a bondade de Deus, que leva em conta o menor arrependimento; mostrai a todos o anjo da penitência estendendo suas brancas asas sobre as faltas dos humanos e velando-as assim aos olhares daquele que não pode tolerar o que é impuro. Compreendei todos a misericórdia infinita de vosso Pai e não esqueçais nunca de lhe dizer, pelos pensamentos, mas, sobretudo, pelos atos: “Perdoai as nossas ofensas, como perdoamos aos que nos hão ofendido.” Compreendei bem o valor destas sublimes palavras, nas quais não somente a letra é admirável, mas principalmente o ensino que ela veste.
Que é o que pedis ao Senhor, quando implorais para vós o seu perdão? Será unicamente o olvido das vossas ofensas? Olvido que vos deixaria no nada, porquanto, se Deus se limitasse a esquecer as vossas faltas, Ele não puniria, é exato, mas tampouco recompensaria. A recompensa não pode constituir prêmio do bem que não foi feito, nem, ainda menos, do mal que se haja praticado, embora esse mal fosse esquecido. Pedindo-lhe que perdoe os vossos desvios, o que lhe pedis é o favor de suas graças, para não reincidirdes neles, é a força de que necessitais para enveredar por outras sendas, as da submissão e do amor, nas quais podereis juntar ao arrependimento a reparação.
Quando perdoardes aos vossos irmãos, não vos contenteis com o estender o véu do esquecimento sobre suas faltas, porquanto, as mais das vezes, muito transparente é esse véu para os olhares vossos. Levai-lhes simultaneamente, com o perdão, o amor; fazei por eles o que pediríeis fizesse o vosso Pai celestial por vós. Substituí a cólera que conspurca, pelo amor que purifica. Pregai, exemplificando, essa caridade ativa, infatigável, que Jesus vos ensinou; pregai-a, como ele o fez durante todo o tempo em que esteve na Terra, visível aos olhos corporais e como ainda a prega incessantemente, desde que se tornou visível tão-somente aos olhos do Espírito. Segui esse modelo divino; caminhai em suas pegadas; elas vos conduzirão ao refúgio onde encontrareis o repouso após a luta. Como ele, carregai todos vós as vossas cruzes e subi penosamente, mas com coragem, o vosso calvário, em cujo cimo está a glorificação. – João, bispo de Bordéus. (1862.)
Fonte: Máximas de Luz; Kardecpedia

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