terça-feira, 27 de julho de 2021

Carlos Augusto - Livro Opúsculos - Chico Xavier - Cap. 9 - Pingo de luz




Carlos Augusto - Livro Opúsculos - Chico Xavier - Cap. 9


Pingo de luz


PREFÁCIO

Leitor Amigo,

Imagina-te numa noite escura, numa estrada invadida de trevas. O lar ainda está distante. Os caminhos se entrecruzam. A bússola está presente, no entanto, em semelhante momento é uma preciosidade revestida de escuridão. Mas lembra-te de alguns fósforos que poupaste e vales-te de um deles acendendo humilde lanterna. Faz-se diminuta chama. É o pingo de luz que te clareia a direção e podes caminhar corretamente.

Este livro é comparável no tamanho estreito à lanterna acesa para a marcha. Cada frase ou trecho assemelha-se ao pingo de luz que nos ilumina o pensamento para a diretriz necessária. Pequeno escrínio contendo joias lapidadas por nosso amigo Carlos Augusto, aproveitemos as lições que nos descortina, lembrando as palavras de Jesus o nosso Divino Mestre, quando nos afirmou: “…Quem me segue não anda em trevas.”


Emmanuel


Uberaba, 20 de janeiro de 1994.



REFLEXÕES DE CARLOS AUGUSTO


Com os jovens do cotidiano, não lhes estranhes as expressões sentimentais quando semelhantes explosões venham a ocorrer.

Não devemos desconhecer que a juventude na Terra é um caminho difícil de transitar.

São tantas e tamanhas as pedras da estrada que mais vale a serenidade em qualquer julgamento, porquanto, essa ou aquela apreciação nos momentos delicados, quase sempre, nos arrojam a opiniões precipitadas e imprudentes.

A vida não cessa de trazer-nos novas lições.

O amor vence a morte.

A fé alivia a dor.

Contemos com a proteção de Jesus e com os calmantes do tempo.

Muita gente mostra madureza por fora, no entanto, conserva a infantilidade por dentro.

Somos jardineiros, colhendo rosas no espinheiral, semeadores compelidos a tolerar a lama do solo para que a nossa lavoura produza para o bem e, operários da luz, constrangidos a suportar o assédio da sombra, para que a nossa tarefa se faça proveitosamente cumprida. 

Recebamos as pessoas difíceis de nossa estrada na condição de instrumentos de nossa própria melhoria.

Sei que a dor e a desilusão, de quando em quando, varrem a paisagem de nossa vida, arrebatando-nos flores preciosas que nos prometiam alegria e elevação…

Compreendo quanta aflição nos assalta em semelhantes lance da existência, contudo, é necessário nos sintamos resguardados na calma e na perseverança no bem.

Emergimos do passado com lutas enormes por vencer.

A jornada para a Vida Superior é qual se fosse grande assembleia de viajores que começam juntos elevado empreendimento, é a integração com Jesus. No primeiro instante, muita gente… Nas primeiras horas, festividade e júbilo, afirmações e promessas… Depois, a caravana escasseia em quantidade… Só a qualidade persevera… E ante as inquietações e responsabilidades que se aliam ao regozijo fácil, permanecem apenas aqueles que fazem da Cruz do Divino Mestre o motivo central da vida, peregrinando com firmeza e fidelidade ao encontro da própria redenção. 

Para vencer os obstáculos da estrada que se nos descerra ante os nossos objetivos de elevação, é preciso servir sem desanimar e compreender sem exigência.

Confiemos no Cristo, a fim de que o Cristo confie em nós.

A vitória espiritual no Plano Físico reclama o esquecimento de toda sombra, para que a luz não nos encontre inabordáveis. 

Em qualquer dificuldade, asilemos o pensamento na oração.

Ante a luz da prece, os problemas se reduzem e a paz triunfa. 

Sigamos com firmeza na realização de nossos ideais mas sem pressa…

Por agora, nossa peregrinação na Terra árida não consegue divisar o esplendor da meta…

Há muita neblina de inquietação e ansiedade, entre nós…

Apesar disso, caminhemos…

Saudade é anseio sem ser angústia, sede espiritual sem ser desespero.  

Não existe problema sem razão.

Não existe grande sofrimento cujas causas não se entrelacem à distância.

Em conjunto adquirimos débitos que, no conjunto, sob o nome de família, devemos ressarcir.

Atendamos às exigências das provas inevitáveis, recebendo na dor a presença de uma instrutora necessária.

Realizaremos o melhor, oferecendo o melhor de nós mesmos aos companheiras mais necessitados do que nós, que nos esperam no caminho em que transitamos.

O serviço de nosso próprio burilamento íntimo é obra essencial que nos cabe realizar.

E esse trabalho não pode ser efetuado senão na oficina da adversidade, em cuja forja de tentação e sofrimentos, problemas e lutas consolidamos a nossa fé.

Tenhamos o espírito em dia com o entendimento e a paciência.

Todas as sombras se desfarão. E a desarmonia é comparável à nuvem que acaba sempre por dissolver-se ao toque da energia solar.

Nas boas obras, a questão mais grave se resume no verbo continuar, de vez que é difícil, pois, em qualquer obra digna, consagrada à beneficência, tão logo começada, aparecem os espinhos e problemas.

Onde estivermos, necessitamos de amor para compreender, paciência para servir sem reclamar, humildade para construir e coragem para aceitarmos os desígnios da Vida Superior, a fim de que a paz possível nos fortaleça.

Surgem para nós, na Terra, problemas e questões, comparáveis à sombra. E compreendamos que dentro da noite, qualquer movimentação é difícil.

Por mais acendamos a lâmpada, com a luz de nossas possibilidades reduzidas, há sempre trevas por todos os lados, desfavorecendo-nos a visão. A alvorada de um novo dia, porém, chegará sempre.

Tolere com paciência as desilusões e os desencontros da caminhada.

Não desanime, nem desfaleça. Os homens são os homens, mas Jesus é o nosso Divino Mestre.

A distância faz a separação e a separação traz o sofrimento.

A saudade de alguém segue para o coração desse alguém, com endereço exato, através das ondas que evoluem de alma para alma.

Correm os dias, multiplicam-se as experiências, surgem provações, mas o amor é inalterável.

A plantação de valores para a Vida Espiritual será realmente regada a suor e lágrimas se pretendemos obter a sublimação no campo íntimo.

Nos trechos espinhosos do caminho a seguir, procuremos servir e saibamos pensar.

No Mais Além igualmente, há dificuldades, enganos, desacertos e inibições, mas é preciso continuar trabalhando para conquistar o triunfo sobre nós mesmos…

Com a esperança, as águas caminham para a vastidão das grandes águas e, através dela, avançamos do berço para as experiências maiores.

Esmorecer é dificultar ou perder.

O perigo no caminho que fomos chamados a trilhar é aquele das companhias menos desejáveis que habitualmente nos alteram os propósitos e os pensamentos, sem que tenhamos imediata consciência de sua influenciação.

Quanto mais intenso se nos fizer o esforço de agir, segundo os ensinamentos de Jesus, mais ampla assistência receberemos de Jesus para a concretização de nossos projetos.

Não nos encontramos reunidos por acaso nas ações e provações da atualidade…

O hoje é um eco do ontem…

Quantos dissabores serão evitados com a medicação preventiva da prece!…

O exemplo nobre é o capítulo mais luminoso no livro de nossa vida…


Carlos Augusto






Identificação

CARLOS AUGUSTO, também conhecido pelo nome de Gugu, chama-se Carlos Augusto Ferraz Lacerda, é filho do médico Dr. Oswaldo Lacerda, de saudosa memória e de D. Ynayá Ferraz Lacerda, residente na Capital do Rio de Janeiro. Carlos Augusto faleceu no desabamento do Cine Rink, em Campinas, Estado de São Paulo, em 16 de setembro de 1951. — Nota do Médium.





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