quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Emmanuel - Livro Monte Acima - Chico Xavier - Cap. 8 - Questão de consciência



Emmanuel - Livro Monte Acima - Chico Xavier - Cap. 8


Questão de consciência


Guardemos a consciência tranquila.

A prática do bem ser-nos-á garantia da paz e a paz em nós se nos fará fonte de permanente alegria.

A criatura de consciência culpada é semelhante à pessoa que carrega uma carga superior às próprias forças, parecendo arrastar-se entre o cansaço e a irritação.


Emmanuel








Irmã Scheilla - Livro Taça de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 41 - O capital dos minutos



Irmã Scheilla - Livro Taça de Luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 41


O capital dos minutos


Mas Jesus lhes respondeu: "Meu Pai trabalha sem cessar, e eu trabalho também." (João 5:17)

No amanho da terra, em toda parte, surge a erva daninha.

Aqui, chama-se tiririca, além é joio imprestável, mais adiante guarda o nome de escalracho destruidor.

No fundo, é sempre mato inculto, impedindo a germinação da boa semente e consumindo a vitalidade do solo.

Extensos tratos de gleba proveitosa permanecem dominados por essa relva improdutiva e renascente, onde tanta árvore generosa poderia crescer e produzir para a alegria e segurança de todos.

Referimo-nos a esse elemento invasor para lembrar o vosso valioso capital dos minutos.

Quanta felicidade poderemos plantar com a bênção de meia hora? Quanto estudo nobre investir-nos-á na posse de elevados conhecimentos com apenas alguns instantes de leitura e reflexão?

Dez minutos na conversação digna ou na visita confortadora podem operar a renovação de muitos destinos. Um quarto de hora na assistência aos enfermos ou no trabalho gratuito em favor do próximo consegue prodígios na vitória do bem.

Entretanto, contra a plantação de semelhantes recursos nas leiras do tempo, encontramos a tiririca da maledicência, o joio do azedume verbal e o escalracho das críticas ociosas fantasiadas de interesse pela salvação apressada dos outros…

No fundo, porém, é sempre a conversa inútil que aniquila as mais nobres oportunidades de serviço e progresso.

Não olvidemos o capital dos minutos, — a riqueza capaz de comprar-nos a sublimação para a vida eterna, se atendermos à edificação da verdadeira fraternidade.

E com os talentos do amor e da fé, procuremos servir sem repouso, recordando a afirmação do Mestre Divino:

— “Meu Pai trabalha até hoje e eu trabalho também”. (João, 5:17)


Irmã Scheilla





Psicografia em Reunião Pública. Centro Espírita Luiz Gonzaga, na cidade de Pedro Leopoldo, Minas — 4-3-1957.



Irmã Scheilla - Livro Comandos do Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 2 - Evangelho e vida



Irmã Scheilla - Livro Comandos do Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 2


Evangelho e vida


No mundo de hoje, há boa vida e há vida boa.

Boa vida é bem-estar.

Vida boa é estar bem.

Por isso, temos criaturas de boa vida e criaturas de vida boa.

As primeiras servem a si mesmas.

As segundas respiram no auxílio incessante aos outros.

A boa vida tem rastros de sombra.

A vida boa apresenta marcas de luz.

A desordem favorece a boa vida.

A ordem garante a vida boa.

Palavra enfeitada costuma escorar boa vida.

Bom exemplo assegura vida boa.

Preguiça mora na boa vida.

Trabalho brilha na vida boa.

Ignorância escurece a boa vida.

Educação ilumina a vida boa.

Egoísmo alimenta a boa vida.

Caridade enriquece a vida boa.

Indisciplina é objetivo da boa vida.

Disciplina é roteiro da vida boa.

Vejamos as lições do Evangelho.

Madalena, obsidiada, perdera-se nos enganos da boa vida, mas, encontrou em nosso Divino Mestre a necessária orientação para a vida boa.

Zaqueu, afortunado, apegara-se em demasia às posses efêmeras da boa vida, entretanto, ao contato de Nosso Senhor, aprendeu como situar os próprios bens na direção da vida boa.

Judas, o discípulo invigilante, procurando a boa vida, entregou-se à deserção, e sentindo extrema dificuldade para voltar à vida boa, foi colhido pela loucura.

Simão Pedro, o apóstolo receoso tentando conservar a boa vida, instintivamente, negou o Divino Amigo por três vezes numa só noite, entretanto, regressando, prudente, à vida boa, abraçou o sacrifício pela própria ascensão, desde o dia do Pentecostes.

Pilatos, o juiz dúbio, interessado em desfrutar boa vida, lavou as mãos quanto ao destino do Excelso Benfeitor, adquirindo o arrependimento e o remorso que o distanciaram da vida boa.

Todos os que crucificaram Jesus pretendiam guardar-se nas ilusões da boa vida, no entanto, o Senhor preferiu morrer na cruz da extrema renúncia para ensinar-nos o caminho da vida boa.

Como é fácil observar, nas estradas terrestres, há muita gente de boa vida e pouca gente de vida boa,  porque a boa vida obscurece a alma e a vida boa mantém a consciência acordada para o desempenho das próprias obrigações.

Estejamos alertas quanto à posição que escolhemos, porquanto, pelo tipo de nossa experiência diária, sabemos com segurança em que espécie de vida seguimos nós.


Irmã Scheilla










Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

Batuíra - Livro Brilhe Vossa Luz - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 16 - Varando sombras




Batuíra - Livro Brilhe Vossa Luz - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Carlos A. Baccelli - Cap. 16


Varando sombras


Empeços, lutas, problemas, limitações, críticas…

Deixemos a mágoa de lado e sigamos em frente, trabalhando e compreendendo sempre.

Os que não desejam avançar, tentarão prejudicar-nos a caminhada.

Os que não querem servir, buscarão envolver-nos no desânimo.

Os que não acreditam no bem, assumirão atitudes estranhas contra nós.

Mas não recuemos. O nosso compromisso é com a própria consciência.

Varemos as sombras com o archote da fé operosa.

No serviço do Evangelho, ninguém se encontra sozinho.

Forças divinas suplementam as nossas forças e vozes tutelares inspiram os nossos passos.

Haveremos de triunfar.

A obra pertence ao Cristo de Deus e nada deterá a sua marcha vitoriosa.


Batuíra












segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 7 - Mundos regeneradores



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 7


Mundos regeneradores 
 

Quando passamos pelo mundo de expiações e provas, somos encaminhados para mundos de regeneração, onde se encontram almas que somente desejam melhorar; sofrem, por vezes, os estigmas do passado distante, sem contudo se revoltarem, exigirem ou blasfemarem, porque são almas regeneradas. Já não contraem mais dívidas, mas pagam as existentes com alegria.

Passe os olhos pelo céu estrelado, à noite, e o ausculte, na sua intimidade; tente imaginar quantos mundos circulam na casa de Deus, de todas as ordens; siga na direção de algum que o espera, para a sua iluminação...

E a confiança em Deus crescerá e palpitará junto aos seus sentimentos uma alegria diferente de viver e de amar!...

A Terra ainda é um mundo de expiações e provas, e até a natureza, de vez em quando, se revolta com os homens, assim como a consciência de cada um, que registra tudo o que se faz.

Analise os tumultos e os rumores de guerras, as revoltas dos homens, em relação aos seus próprios irmãos, os massacres.

O que há de bom na Terra, de conforto, de educação e instrução, é misericórdia do Senhor e, principalmente agora, nos fins dos tempos ruins, existe de tudo, para que haja a reparação, acordando a humanidade, e que ela acorde nos braços do Divino Mestre, para receber um mundo melhor, que há de lhe servir de berço de paz.

O Espiritismo surgiu na face da Terra dando um toque nos homens, com a finalidade de acordar valores que dormem na cidade interna, compreendendo o porquê e para que sofrem.

O Cristo desceu de planos resplandecentes trazendo diretamente a Sua palavra de luz, por amor ao Seu rebanho, e ainda mantém a vigilância de várias formas, para que não nos percamos, pois o Pai quer que ninguém se perca, restabelecendo a todos pelo Seu amor, e que a caridade crie um ambiente de alegria em todos os lares, mostrando a cada um de onde veio e para onde está destinado.

A Terra está em preparo para a modificação, renascendo e mudando de dimensão, como herança de Deus aos filhos que desejam melhorar.

Breve a estaremos vendo rolando pelo infinito com o dístico de luz Mundo Regenerado, mas deixando a sua história para as humanidades que deverão aprender as duras lições em outros mundos primitivos.

Assim como as almas, até os mundos nascem e renascem, mudando de faixas e ofertando aos Espíritos condições de vidas melhores, para ascensão em busca cada vez mais intensa da perfeição!

Os Anjos, os Espíritos purificados, as almas redimidas e felizes conquistaram pelo próprio esforço esse estado; não existe doação neste sentido, pois cada um deve esforçar-se todos os dias na sua própria melhora, na sua própria conquista.

Se a Doutrina Espírita lhe oferece tantas oportunidades, por que não aproveitar esses ensejos de luz, de que os benfeitores espirituais servem de instrumentos, para ouvir a palavra de Deus?

Não perca tempo; esqueça as misérias inferiores, as paixões, os ciúmes, a rebeldia disfarçada nas falsas asas da hipocrisia, de querer ser maior do que seus irmãos, para mostrar aos ignorantes.

Quando você notar que passa a iludir a você mesmo, pare e pense, ore e peça a Jesus que o oriente. 

Quantas pessoas assistimos pedir a Deus para melhorar, sem se esforçarem na melhora!

Peça a Jesus que o ajude, no entanto, coloque-se na condição de ser ajudado, para não perder os falsos lugares que ocupa por misericórdia de Deus.

A palavra reforma significa mudança de vida, pela vida que leva.

Concentre-se na humildade todos os dias, não naquela que se faz somente com o rosto, mas na vida, na realidade, sem alimentar ilusões, que os iludidos somos nós mesmos.


Miramez



ESE-Cap. III Itens 16 a 18

16. Entre as estrelas que cintilam na abóbada azul do firmamento, quantos mundos não haverá como o vosso, destinados pelo Senhor à expiação e à provação! Mas, também os há mais miseráveis e melhores, como os há de transição, que se podem denominar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, a deslocar-se no espaço em torno de um centro comum, arrasta consigo seus mundos primitivos, de exílio, de provas, de regeneração e de felicidade. Já se vos há falado de mundos onde a alma recém-nascida é colocada, quando ainda ignorante do bem e do mal, mas com a possibilidade de caminhar para Deus, senhora de si mesma, na posse do livre-arbítrio. Já também se vos revelou de que amplas faculdades é dotada a alma para praticar o bem. Mas, ah! há as que sucumbem, e Deus, que não as quer aniquiladas, lhes permite irem para esses mundos onde, de encarnação em encarnação, elas se depuram, regeneram e voltam dignas da glória que lhes fora destinada.

17. Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes. A alma penitente encontra neles a calma e o repouso e acaba por depurar-se. Sem dúvida, em tais mundos o homem ainda se acha sujeito às leis que regem a matéria; a humanidade experimenta as vossas sensações e desejos, mas liberta das paixões desordenadas de que sois escravos, isenta do orgulho que impõe silêncio ao coração, da inveja que a tortura, do ódio que a sufoca. Em todas as frontes, vê-se escrita a palavra amor; perfeita equidade preside às relações sociais, todos reconhecem Deus e tentam caminhar para ele, cumprindo-lhe as leis.

Nesses mundos, todavia, ainda não existe a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. O homem lá é ainda de carne e, por isso, sujeito às vicissitudes de que libertos só se acham os seres completamente desmaterializados. Ainda tem de suportar provas, porém, sem as pungentes angústias da expiação. Comparados à Terra, esses mundos são bastante ditosos e muitos dentre vós se alegrariam de habitá-los, pois que eles representam a calma após a tempestade, a convalescença após a moléstia cruel. Contudo, menos absorvido pelas coisas materiais, o homem divisa, melhor do que vós, o futuro; compreende a existência de outros gozos prometidos pelo Senhor aos que deles se mostrem dignos, quando a morte lhes houver de novo ceifado os corpos, a fim de lhes outorgar a verdadeira vida. Então, liberta, a alma pairará acima de todos os horizontes. Não mais sentidos materiais e grosseiros; somente os sentidos de um perispírito puro e celeste, a aspirar as emanações do próprio Deus, nos aromas de amor e de caridade que do seu seio emanam.

18. Mas, ah! nesses mundos, ainda falível é o homem e o Espírito do mal não há perdido completamente o seu império. Não avançar é recuar, e, se o homem não se houver firmado bastante na senda do bem, pode recair nos mundos de expiação, onde, então, novas e mais terríveis provas o aguardam.

Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que um mundo regenerador vos abra seu seio, após a expiação na Terra. —Santo Agostinho. (Paris, 1862.)




Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 100 - Auxílios do Invisível



Emmanuel - Livro Caminho, Verdade e Vida - Chico Xavier - Cap. 100


Auxílios do Invisível

 
“E, depois de passarem a primeira e segunda guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma; e, tendo saído, percorreram uma rua e logo o anjo se apartou dele.” — (ATOS, 12.10)


Os homens esperam sempre ansiosamente o auxílio do Plano espiritual. Não importa o nome pelo qual se designe esse amparo. 

Na essência é invariavelmente o mesmo, embora seja conhecido entre os espiritistas por “proteção dos guias”, nos ambientes católicos por “intervenção dos eleitos” e nos círculos protestantes por “manifestações do Espírito Santo”.

As denominações apresentam interesse secundário. Essencial é considerarmos que semelhante colaboração constitui elemento vital nas atividades do crente sincero.

No entanto, a contribuição recebida por Pedro, no cárcere, representa lição para todos.

Sob cadeias pesadíssimas, o pescador de Cafarnaum vê aproximar-se o anjo do Senhor, que o liberta, atravessa em sua companhia os primeiros perigos na prisão, caminha ao lado do mensageiro, ao longo de uma rua; contudo, o emissário afasta-se, deixando-o novamente entregue à própria liberdade, de maneira a não desvalorizar-lhe as iniciativas.

Essa exemplificação é típica.

Os auxílios do Invisível são incontestáveis e jamais falham em suas multiformes expressões, no momento oportuno; mas é imprescindível não se vicie o crente com essa espécie de cooperação, aprendendo a caminhar sozinho, usando a independência e a vontade no que é justo e útil, convicto de que se encontra no mundo para aprender, não lhe sendo permitido reclamar dos instrutores a solução de problemas necessários à sua condição de aluno.


Emmanuel









quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Ermance Dufaux - Livro Prazer de Viver - Wanderley S. de Oliveira - Cap. 9 - Significado da Caridade



Ermance Dufaux - Livro Prazer de Viver - Wanderley S. de Oliveira - Cap. 9


Significado da Caridade


"A verdadeira caridade não consiste apenas na esmola que dais, nem, mesmo, nas palavras de consolação que lhe aditeis. Não, não é apenas isso o que Deus exige de vós. A caridade sublime, que Jesus ensinou, também consiste na benevolência de que useis sempre e em todas as coisas para com o vosso próximo.". (O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. XI - item 14.)

Caridade! Ela é a alma da vida na criação, porque alimenta o Engenho Divino e Universal pela cooperação e permuta.

Caridade é o movimento sublime da alma na construção do bem.

Entendê-la como mero ato compulsivo ou agendado de beneficiar alguém ou alguma obra será limitar seu conceito cósmico.

Caridade é ação educativa.

Nem sempre, no entanto, ela tem educado, reduzindo-se ao amparo amenizador de dores e necessidades, que não ultrapassa a conotação de simples dever social conferido a todos na humanidade.

A ação no bem, antes de tudo, é estímulo e experiência para quem a pratica.

Do contrário, restringe-se a exercícios de doação para desafrouxar" sentimentos, ato não menos meritório, mas distante do significado sagrado da palavra que foi descrita por Adolfo, bispo de Argel, na inspirada poesia que diz: "Caridade!

Sublime palavra que sintetiza todas as virtudes, és tu que hás-de conduzir os povos à felicidade". 

Constatam-se frequentemente nos nossos ambientes educativos do Espiritismo, várias almas distraídas quanto aos deveres mais profundos na aferição e no proveito pessoal nesse assunto.

Empenham-se em movimentos espetaculares de filantropia, asilando sonhos de grandeza espiritual para depois da morte, como se obtivessem garantia automática de redenção e paz interior. 

Ninguém pode, em são juízo, afirmar que exista alguma ação no bem sem proveito.

Reflitamos, porém, que as expectativas e o entendimento de muitos corações iluminados pelas concepções doutrinárias, penetram o reino da ilusão por esperar "saltos evolutivos no além" em razão dos pequenos passos de altruísmo, que apenas começaram a dar.

A decepção, no entanto, estarrece tais corações quando libertos da matéria.

Constatam que fizeram luz para muitos, não conquistando sua luz pessoal e inalienável.

A luz que espalhamos aos outros sempre será avalista dos mais prestimosos créditos de amparo na carne ou fora dela. Entretanto, não constitui saldo defensivo contra as investidas do mal que ainda brota do próprio imo.

A transformação dos impulsos infelizes e o desenvolvimento de valores nobres são as únicas credenciais de autoridade e harmonia no trajeto da Terra para o mundo espiritual.

Milhões de almas, bem-intencionadas e solidárias, encontram-se em estágios de dor na imortalidade devido à negligência com a qual se portaram ante os mais singelos deveres morais de cidadania, saúde e conduta recta.

Entre esses, encontram-se muitos espíritas, devotos da actividade assistencial.

A caridade material é regime abençoado no exercício do afecto e da empatia, auxiliando o homem a se libertar dos grilhões do egoísmo.

Entretanto, em razão de nossas lutas interiores, essa conotação da caridade pode nos acostumar facilmente, ao automatismo, à compulsão, acrescidos das deformadas noções de quitação de carmas pelos serviços assistenciais, arruinando excelentes chances de crescimento, auto-avaliação e desenvolvimento de habilidades.

Assevera Isabel de França:

A caridade sublime, que Jesus ensinou, também consiste na benevolência de que useis sempre e em todas as coisas para com o vosso próximo".

Caridade em bom conceito é interesse emocional edificante pelo outro.

O ato verdadeiro da caridade encerra em si a benevolência - o sentimento de amor ao semelhante no que há de mais puro e alteritário.

Somente nesse patamar de emoção nobre, igualmente nos beneficiamos da acção caritativa, atingindo, então a finalidade maior no exercício do bem, que é consolida-lo em nós, além daquilo que pudermos realizar pelo outro.

O bem tem de ser Dom e gerar valores, antes de tudo, para quem o faz.

Uma reflexão merece a atenção de todos nós, nas tarefas abençoadas de amor ao próximo, no seio de nossas agremiações espíritas:
acima das práticas devemos colocar o relacionamento.

A ilusão, infelizmente, tem dilatado e incentivado ideias de salvacionismo fácil por meio de práticas que algumas vezes não passam de mecanismos do ego Para aplacar a ansiedade de destaque e prestígio de criaturas em vivências personalistas.

Sem nenhum sentimento de menosprezo, e com todo o respeita e carinho filca nosso convite aos trabalhadores da seara para uma reavaliação com fins de melhoria em todas as nossas iniciativas doutrinárias em nome do bem.

Quem não admite a possibilidade de melhora e mudança nos roteiros de acção doutrinária, possivelmente terá estacionado no proveito individual perante as realizações que exerce, ainda podendo estimular outros à estagnação.

Repensemos com proveito nossas tarefas de amor.

Tomemos por base um dos conceitos mais completos nesse tema:

"Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, como a entendia Jesus?"

"Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.


Ermance Dufaux