segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 160 - Na luta vulgar



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 160


Na luta vulgar


“Pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.” — Paulo. (GÁLATAS, 6.7)


Não é preciso morrer na carne para conhecer a lei das compensações.

Reparemos a luta vulgar.

O homem que vive na indiferença pelas dores do próximo, recebe dos semelhantes a indiferença pelas dores que lhe são próprias.

Afastemo-nos do convívio social e a solidão deprimente será para nós a resposta do mundo.

Se usamos a severidade para com os outros, seremos julgados pelos outros com rigor e aspereza.

Se praticamos em sociedade ou em família a hostilidade e a aversão, entre parentes e vizinhos encontraremos a antipatia e a desconfiança.

Se insultamos nossa tarefa com a preguiça, nossa tarefa relegar-nos-á à inaptidão.

Um gesto de carinho para com o desconhecido na via pública granjear-nos-á o concurso fraterno dos grupos anônimos que nos cercam.

Pequeninas sementeiras de bondade geram abençoadas fontes de alegria.

O trabalho bem vivido produz o tesouro da competência.

Atitudes de compreensão e gentileza estabelecem solidariedade e respeito, junto a nós.

Otimismo e esperança, nobreza de caráter e puras intenções atraem preciosas oportunidades de serviço, em nosso favor.

Todo dia é tempo de semear.

Todo dia é tempo de colher.

Não é preciso atravessar a sombra do túmulo para encontrar a justiça, face a face. Nos princípios de causa e efeito, achamo-nos incessantemente sob a orientação dela, em todos os instantes de nossa vida.


Emmanuel














Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 28 - Disciplina - O canal da sugestão



Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 28


Disciplina - O canal da sugestão


As vias das sugestões alcançam sempre o mundo mental em condições de sintonia com o assunto ventilado e a sintonia de assuntos desta maneira, incorpora-se aos pensamentos, capaz de se transformar em ideias e, por vezes, em atos, no exercício de cada dia. A nossa vida sê encontra envolvida por sugestões exteriores, a se incorporarem na mente, transformando-se em ideias, de modo a alimentar a própria vida. 

Devemos nos esforçar para colocar ordem no nosso mundo mental, fazendo surgir a harmonia, impondo disciplina em nossos pensamentos. A força sugestiva obedece ao clima interior, no acoplamento do que vem do exterior. 

A organização do ambiente pensante somente se ajusta onde haja afinidade de vida e somente recebe as sugestões do exterior se sendo iguais às que emite. Vale dizer que precisamos mais de disciplina do que mesmo de alimento material, porque uma mente em paz tranquiliza o modo de ser do seu portador. Somente vem a nós o que oferecemos aos outros reinos alheios; é o trabalho da justiça divina, que sabe doar aos outros o que os outros ofertam pela emissão dos pensamentos. Esta é a lei que harmoniza todos os mundos e fala a muitos de Deus, fazendo reconhecer a presença de Jesus, pela sua vida sublimada.

Se já somos conscientes de que somente recebemos o que damos, vamos ofertar o melhor para aqueles com quem conversamos, com quem vivemos. Quando passamos a conhecer a nós mesmos e fazemos da caridade um instrumento de paz, que convém à nossa libertação e dignifica a nossa presença, nos servimos de canais para as altas vibrações de amor, que fluem como pensamentos, em forma de sugestões, aliviando os que sofrem, levantando os caídos e animando os tristes.

A alegria é remédio que surge em nossa intimidade em favor dos amargurados, ampliando a esperança nos corações sofredores. Devemos buscar todos os dias, onde houver com abundância, o amor, porque se ele é a presença de Deus, a sua ação superior a todos conforta, como lembrança do Pai Celestial.

Se desejas melhorar ante a espiritualidade, une- te à disciplina; se te sentes feliz com o trabalho, não te esqueças da disciplina; Se desejas a presença de Jesus em tua intimidade, esforça-te na disciplina, por ser ela também amor e caridade.

Ajusta-te, pois, aos preceitos evangélicos, que logo surgirão em tua intimidade a educação e o conhecimento, na faixa da alegria cristã, computando e ampliando todas as qualidades da Boa Nova de Jesus.

Sejamos canais das sugestões com o Senhor, mas antes do trabalho sugestivo, usemos a mente na análise daquilo que vamos falar e pensar, na segurança evangélica, de modo que a vida de trevas se tome em vida de luz. 

Disciplinando-nos, estamos amando a Deus; disciplinando-nos, estamos amando ao próximo, e o mais beneficiado é quem o faz, porque disciplinando-nos, estamos acendendo luzes no terreno de nossos corações.


Miramez











Humberto de Campos - Livro Contos e Apólogos - Chico Xavier - Cap. 18 - No caminho do amor



Humberto de Campos - Livro Contos e Apólogos - Chico Xavier - Cap. 18


No caminho do amor
 

Em Jerusalém, nos arredores do Templo, adornada mulher encontrou um nazareno, de olhos fascinantes e lúcidos, de cabelos delicados e melancólico sorriso, e fixou-o estranhamente.

Arrebatada na onda de simpatia a irradiar-se dele, corrigiu as dobras da túnica muito alva, colocou no olhar indizível expressão de doçura e, deixando perceber, nos meneios do corpo frágil, a visível paixão que a possuíra de súbito, abeirou-se do desconhecido e falou, ciciante:

— Jovem, as flores de Séforis encheram-me a ânfora do coração com deliciosos perfumes. Tenho felicidade ao teu dispor, em minha loja de essências finas…

Indicou extensa vila, cercada de rosas, à sombra de arvoredo acolhedor, e ajuntou:

— Inúmeros peregrinos cansados me buscam à procura do repouso que reconforta. Em minha primavera juvenil, encontram o prazer que representa a coroa da vida. É que o lírio do vale não tem a carícia dos meus braços e a romã saborosa não possui o mel de meus lábios. Vem e vê! Dar-te-ei leito macio, tapetes dourados e vinho capitoso… Acariciar-te-ei a fronte abatida e curar-te-ei o cansaço da viagem longa! Descansarás teus pés em água de nardo e ouvirás, feliz, as harpas e os alaúdes de meu jardim. Tenho a meu serviço músicos e dançarinas, exercitados em palácios ilustres!…

Ante a incompreensível mudez do viajor, tornou, súplice, depois de leve pausa:

— Jovem, por que não respondes? Descobri em teus olhos diferente chama e assim procedo por amar-te. Tenho sede de afeição que me complete a vida. Atende! atende!…

Ele parecia não perceber a vibração febril com que semelhantes palavras eram pronunciadas e, notando-lhe a expressão fisionômica indefinível, a vendedora de essências acrescentou um tanto agastada:

— Não virás?

Constrangido por aquele olhar esfogueado, o forasteiro apenas murmurou:

— Agora, não. Depois, no entanto, quem sabe?!…

A mulher, ajaezada de enfeites, sentindo-se desprezada, prorrompeu em sarcasmos e partiu.

Transcorridos dois anos, quando Jesus levantava paralíticos, ao pé do Tanque de Betesda, venerável anciã pediu-lhe socorro para infeliz criatura, atenazada de sofrimento.

O Mestre seguiu-a, sem hesitar.

Num pardieiro denegrido, um corpo chagado exalava gemidos angustiosos.

A disputada mercadora de aromas ali se encontrava carcomida de úlceras, de pele enegrecida e rosto disforme. Feridas sanguinolentas pontilhavam-lhe a carne, agora semelhante ao esterco da terra. Exceção dos olhos profundos e indagadores, nada mais lhe restava da feminilidade antiga. Era uma sombra leprosa, de que ninguém ousava aproximar.

Fitou o Mestre e reconheceu-o.

Era o mesmo mancebo nazareno, de porte sublime e atraente expressão.

O Cristo estendeu-lhe os braços, tocado de intraduzível ternura e convidou:

— Vem a mim, tu que sofres! Na Casa de Meu Pai, nunca se extingue a esperança.

A interpelada quis recuar, conturbada de assombro, mas não conseguiu mover os próprios dedos, vencida de dor.

O Mestre, porém, transbordando compaixão, prosternou-se fraternal, e conchegou-a, de manso…

A infeliz reuniu todas as forças que lhe sobravam e perguntou, em voz reticenciosa e dorida:

— Tu?… O Messias nazareno?… O Profeta que cura, reanima e alivia?!… Que vieste fazer, junto de mulher tão miserável quanto eu?

Ele, contudo, sorriu benevolente, retrucando apenas:

— Agora, venho satisfazer-te os apelos.

E, recordando-lhe as palavras do primeiro encontro, acentuou, compassivo:

— Descubro em teus olhos diferente chama e assim procedo por amar-te.


Humberto de Campos
(Irmão X)












domingo, 28 de agosto de 2022

Miramez - Livro Horizontes da Fala - João Nunes Maia - Cap. 8 - Pensamentos decadentes



Miramez - Livro Horizontes da Fala - João Nunes Maia - Cap. 8


Pensamentos decadentes


Os pensamentos decadentes arruínam a conversação, poluem a atmosfera individual e, em muitos casos, enfraquecem a dos vizinhos que convivem com aquele que fala mal. É um desastre que usa os recursos da luz, sem procurar enxergar o que existe diante da ignorância. A boca fala o que pensas, no entanto, antes de falar aos outros, deves usar os meios que existem para selecionar ideias, a fim de que elas não se transformem em palavras vazias. Uma exposição de pensamentos bem formados pode modificar vidas, dar alento a almas à beira do abismo e mostrar aos cegos que existe luz.

O poder do verbo transcende o simples atendimento. Podes falar aqui, agora, onde estiveres, e muitos planos espirituais te ouvirem, como também conversar e somente tu escutares. Depende do que imprimires aos tons da tua palavra. A tua boca é uma oficina grandiosa na qual o artista é  o Espírito. Seleciona, meu irmão, o que vais falar, e fala as coisas bem escolhidas, que a vida te recompensará pelo que deres aos outros com amor. Não entres na faixa da decadência de pensamentos, porque, na verdade, não existe a morte; porém, ela está onde não existe respeito às leis que regem e sustentam desde a minúscula partícula às galáxias que bailam no infinito da Criação.

Se pretendes viver em paz, não deixes de modificar as tuas ideias, quando elas não condizerem com os bons princípios e, para o estudante da verdade, é um absurdo escapar-lhes pensamentos pelos canais da palavra que não condizem com sua estrutura de discípulo do Senhor. A engrenagem para pensar é muito mais difícil do que podes imaginar. O gasto de energia sublimada é muito grande e as ideias que formulas para viver exigem que o corpo todo trabalhe.

O centro da fala, que a ciência localiza na cabeça, na verdade provém de todo o corpo e de campos de forças estendidos no complexo humano e espiritual. O crânio humano é como um amplificador de sons em harmonia. Quando vais falar, partem sons microcósmicos de todas as células, que a vontade, mesmo na inconsciência do maravilhoso, canaliza para ele, que redistribui pelas vias da palavra, já com a composição das vibrações no entendimento que se lhe apraz.

Nada se perde no universo fisiológico. Tudo é transmutado em valores maiores, para que a riqueza da mente se engrandeça na feição do bem que nunca morre. Cada célula do corpo é um pequeno dínamo de vida, até então desconhecido pelos homens na sua profunda intimidade.  Os pensamentos negativos que as criaturas alimentam, são bem piores que o lixo das casas, que não deixamos acumular por não suportarmos o mau odor, de onde poderiam nascer enfermidades variadas. E esse lixo, muitas vezes espalhamos em toda a casa física, e, quando intentamos passar para os outros, através da palavra, e as condições não fornecem segurança, espalhamos ao nosso redor vibrações fétidas, que o vento cósmico arremessa por todas as latitudes, denunciando a existência de um enfermo.

Os recursos da palavra e da escrita não fornecem meios para falarmos o suficiente sobre o fenômeno malfazejo da conversação inferior. Ela nos atinge muito mais do que falamos em mensagens e em livros. Cuidemos, pois, dos nossos pensamentos, palavras e obras, para que a nossa vida de trevas se transforme em vida de luz, fazendo-nos alcançar a felicidade que tanto procuramos.

Uma palavra mal empregada pode matar, destruir várias e mais vidas; todavia, uma conversação sadia, percorrendo os caminhos do Cristo, salva, devolve a vida, cura enfermos e engrandece, porque descobre a luz…..

Observemos Lucas, capítulo sete, versículo sete: “Por isso, eu mesmo não me julguei digno de ir ter contigo, porém, manda com uma palavra e o meu rapaz será curado”. E a palavra do Mestre foi, e o rapaz ficou curado. Eis o valor da palavra, quando esta é nascida do amor! Faze o mesmo. Usa tua palavra para salvar, para alegrar consciências, para despertar os tesouros que existem dentro de todas as criaturas, no cofre do coração, depositados por Deus e velados por Jesus, esperando que cada um, com a ajuda de todos, cuide dessa fortuna divina, movimentando-se para que se dê a multiplicação.


Miramez








Hammed - Livro As Dores da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 16 - Irresponsabilidade



Hammed - Livro As Dores da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 16


Irresponsabilidade


Somos nós mesmos que fazemos os nossos caminhos e depois os denominamos de fatalidade.

Não é coerente que cada um de nós trabalhe para alcançar a própria felicidade? Não é lógico que devemos nos responsabilizar apenas por nossos atos? Não nos afirma a sabedoria do Evangelho que seríamos conhecidos, exclusivamente, pelas nossas obras?

Fazer os outros seguros e felizes é missão impossível de realizar, se acreditarmos que depende unicamente de nós a plenitude de sua concretização. Se assim admitimos, passamos, a partir então, a esperar e a cobrar retribuição; em outras palavras, a reciprocidade. Não seria mais fácil que cada um de nós conquistasse sua felicidade para que depois pudesse desfrutá-la, convivendo com alguém que também conquistou por si mesmo? Qual a razão de a ofertarmos aos outros e, por sua vez, os outros a concederem a nós? Por certo, só podemos ensinar ou partilhar o que aprendemos.

Assim disse Pedro, o apóstolo: “Não tenho ouro nem prata; mas o que tenho, isso te dou.”(9)

Dessa maneira, vivemos constantemente colocando nossas necessidades em segundo plano e, ao mesmo tempo, nos esquecendo de que a maior de todas as responsabilidades é aquela que temos para com nós mesmos.

Os acontecimentos exteriores de nossa vida são os resultados direta de nossas atitudes internas. A princípio, podemos relutar para assimilar e entender esse conceito, porque é melhor continuarmos a acreditar que somos vítimas indefesas de forças que não estão sob o nosso controle. Efetivamente, somos nós mesmos que fazemos os nossos caminhos e depois os denominamos de fatalidade.

“Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? (…) são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre-arbítrio?”, pergunta Kardec aos Semeadores da Nova Revelação. E eles respondem: “A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar (…) Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino…”(10)

É inevitável para todos nós o fato de que vivemos, invariavelmente, escolhendo. A condição primordial do livre-arbítrio é a escolha e, para que possamos viver, torna-se indispensável escolher sempre. Nossa existência se faz através de um processo interminável de escolhas sucessivas.

Eis aqui um fato incontestável da vida: o amadurecimento do ser humano inicia-se quando cessam suas acusações ao mundo.

Entretanto, há indivíduos que se julgam perseguidos por um destino cruel e censuram tudo e todos, menos eles mesmos. Recusam, sistematicamente, a responsabilidade por suas desventuras, atribuindo a culpa às circunstâncias e às pessoas, bem como não reconhecem a conexão existente entre os fatos exteriores e seu comportamento mental. No íntimo, essas pessoas não definiram limites em seu mundo interior e vivem num verdadeiro emaranhado de energias desconexas. Os limites nascem das nossas decisões profundas sobre o que acreditamos ser nossos direitos pessoais.

Nossas demarcações estabelecem nosso próprio território, cercam nossas forças vitais e determinam as linhas divisórias de nosso ser individual. Há um espaço delimitado onde nós terminamos e os outros começam.

Algumas criaturas aprenderam, desde a infância, o senso dos limites com pais amadurecidos. Isso os mantém firmes e saudáveis dentro de si mesmas. Outras, porém, não. Quando atingiram a fase adulta, não sabiam como distinguir quais são e quais não são suas responsabilidades. Muitas construíram muros de isolamento que as separaram do crescimento e da realização interior, ou ainda paredes com enormes cavidades que as tornaram suscetíveis a uma confusão de suas emoções com as de outras pessoas.

Limites são o portal dos bons relacionamentos. Têm como objetivo nos tornar firmes e conscientes de nós mesmos, a fim de sermos capazes de nos aproximar dos outros sem sufocá-los ou desrespeitá-los. Visam também evitar que sejamos constrangidos a não confiar em nós mesmos.

Ser responsável implica ter a determinação para responder pelas conseqüências das atitudes adotadas.

Ser responsável é assumir as experiências pessoais, para atingir uma real compreensão dos acertos e dos desenganos.

Ser responsável é decidir por si mesmo para onde ir e descobrir a razão do próprio querer.

Não existem “vítimas da fatalidade”; nós é que somos os promotores do nosso destino. Somos a causa dos efeitos que ocorrem em nossa existência.

Aceitar o princípio da responsabilidade individual e estabelecer limites descomplica nossa vida, tornando-os cada vez mais conscientes de tudo o que acontece ao nosso derredor.

Escolhendo com responsabilidade e sabedoria, poderemos transmutar, sem exceção, as amarguras em que vivemos na atualidade. A auto-responsabilidade nos proporcionará a dádiva de reconhecer que qualquer mudança de rota no itinerário de nossa “viagem cósmica” dependerá, invariavelmente, de nós.

O indivíduo que não aceita a responsabilidade por seus atos e, constantemente, cria álibis e recorre a dissimulações, culpando os outros, é denominado imaturo.

Nosso modo de pensar atrai nossas experiências, pois pensar é um contínuo ato de escolher. Evitar não pensar é também uma escolha; portanto, somos nós que fabricamos as fibras que confeccionarão a textura da nossa existência.

Quando selecionamos um determinado comportamento, cujo resultado é possível prever, estamos também escolhendo esse mesmo resultado e, obviamente, devemos aceitar a responsabilidade de tal fato.

Somos responsáveis pela maneira como nos relacionamos com as pessoas, isto é, cônjuges, filhos, parentes, amigos e conhecidos, porque, certamente, ninguém nos obriga a agir desta ou daquela forma, mas, se assim acontecer, é porque nós mesmos cedemos diante da exigência dos outros.

Considerando que nossas atitudes são como grãos de areia, repetindo-as, com regularidade, criaremos pequenos montes. Tudo se inicia com diminutos grãos de areia. Inicialmente, formam uma colina, logo depois, um morro e, com a constante repetição dessas mesmas atitudes, erguem-se enormes montanhas e, finalmente, uma cordilheira.

Somos responsáveis por tudo o que experimentamos em nós mesmos; enfim, criamos nossa própria realidade.

“Pode o homem, pela sua vontade e por seus atos, fazer que não se dêem acontecimentos que deveriam verificar-se e reciprocamente? Pode-o, se essa aparente mudança na ordem dos fatos tiver cabimento na sequência da vida que ele escolheu…”(11)

Assim sendo, os Espíritos Sábios, afirmam que a mudança de nosso destino ocorre quando, realmente, assumimos a responsabilidade por nossa vida, usando de determinação e vontade. Essa transformação, entretanto, não é realizada de um momento para o outro, ou mesmo, não se trata de um simples querer caprichoso; em verdade, é o produto de uma sequência de escolhas ao longo de inumeráveis experiências e acontecimentos.

O indivíduo que não aceita a responsabilidade por seus atos e, constantemente, cria álibis e recorre a dissimulações, culpando os outros, é denominado imaturo.

O homem adulto se caracteriza pelo fato de que ele próprio delimita seu código de conduta moral, já alcançou um certo grau de independência interior e faz seus julgamentos baseado em sua autonomia.

Os amadurecidos atingiram um bom nível de relacionamento consigo mesmos e, consequentemente, com os outros; por isso, resolvem facilmente tanto os conflitos internos como os externos. Dessa maneira, assumem as responsabilidades que lhes competem e estão despertos para a realidade.

A fase primordial da vida se inicia na total inconsciência e, a partir de então, o princípio inteligente progride de maneira gradativa e constante rumo a uma cada vez maior consciência de si, isto é, à crescente iluminação de suas faculdades e atividades íntimas. As criaturas começam a notar primeiramente os princípios que lhes parecem vir de fora e, no decorrer de seu progresso espiritual, percebem que tudo se encontra em sua intimidade. Não é o mundo que se transforma; o que acontece é que elas mudam de níveis de consciência, alterando o mundo em si mesmas.

Em virtude disso, o emérito pensador e escritor espírita Léon Denis resumiu e estruturou, de modo coerente e homogêneo, que o psiquismo dorme no mineral, sonha no vegetal, sente no animal, pensa no hominal e, por fim, que ele atinge vasta habilidade intuitiva na fase angelical, dando prosseguimento a seu processo evolutivo pelo universo infinito.

A proposta do “despertar” das almas é antiquíssima e é encontrada em diversas passagens do Novo Testamento. O apóstolo Paulo, o incomparável divulgador da Boa Nova, escrevendo aos Efésios, no capítulo V, versículo 14, assim se reporta: “Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos…”(12).

Despertar, entretanto, é condição inadiável para que atinjamos as verdades transcendentes, reavivando em nós a consciência para os objetivos essenciais da eternidade.

Todos os esforços da criatura servem a um único objetivo: torna-la mais consciente, isto é, ampliar o seu próprio modo de ver as coisas. Não nos esqueçamos, pois, de que a evolução de nossas almas nada cria de novo; o que ela faz é melhorar, progressivamente, nossa visão sobre aquilo que sempre existiu.

Sobre essa questão, os Espíritos Superiores asseveram, com muita sabedoria, que a alteração no rumo dos acontecimentos, provocada pelo homem, pode dar-se “…se essa aparente mudança na ordem dos fatos tiver cabimento na sequência da vida que ele escolheu…”. Portanto, não poderá haver maturidade vivencial sem que o indivíduo se conscientize plenamente de seu livre-arbítrio e de que tudo o que sofre, goza, percebe e experimenta nada mais é do que o reflexo de si mesmo.


Hammed




(9) Atos 3:6

(10) Questão 851 – Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? Quer dizer: todos os acontecimentos são predeterminados? E, neste caso, que vem a ser do livre-arbítrio?
“A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar; desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a conseqüência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois, pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir. Ao vê-lo fraquejar, um bom Espírito pode vir-lhe em auxílio, mas não pode influir sobre ele de maneira a dominar-lhe a vontade. Um Espírito mau, isto é, inferior; mostrando-lhe, exagerando aos seus olhos um perigo físico, o poderá abalar e amedrontar. Nem por isso, entretanto, a vontade do Espírito encarnado deixa de se conservar livre de quaisquer peias.”

(11) Questão 860 – Pode o homem, pela sua vontade e por seus atos, fazer que se não deem acontecimentos que deveriam verificar-se e reciprocamente?
“Pode-o, se essa aparente mudança na ordem dos fatos tiver cabimento na seqüência da vida que ele escolheu. Acresce que, para fazer o bem, como lhe cumpre, pois que isso constitui o objetivo único da vida, facultado lhe é impedir o mal, sobretudo aquele que possa concorrer para a produção de um mal major.”

(12) Efesios 5:14



Fonte: As Dores da Alma -pdf

Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 27 - Sementes de luz



Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 27


Sementes de luz


Renasceste para ser feliz e pontuar alegria pelo caminho percorrido, mesmo que as circunstâncias não se apresentem, de momento, favoráveis.

É inadiável a ensementação do bem em todas as variáveis possíveis.

Imenso é o matagal da ignorância que asfixia as plântulas da esperança e da solidariedade humana no atual momento da civilização. Não somente nos solos dominados pelo escalracho, senão por outras pragas adversárias da plantação dignificante.

Aqui, apresenta-se a aridez do terreno humano mediante a indiferença aos sofrimentos humanos que se multiplicam exaustivamente; ali, o abandono a que se encontram relegados os canteiros de trabalho auspicioso; mais adiante, a abundância de aves que se alimentam dos escassos e frágeis grãos, e o campo se apresenta deserto, destruído.

Os seres humanos, sem dar-se conta, desumanizam-se graças à multiplicação das ocorrências danosas e cruéis com as quais se vão acostumando.

Por outro lado, o volume de divertimento e de experimentos perturbadores atraem multidões desassisadas, e as sufocam no bafio pestilento das alucinações e dominam as aspirações, os sentimentos.

As imagens obscenas e as condutas agressivas quão vulgares invitam a sensualidade animal, em espetáculos chãos de prazer voluptuoso, sem sentido emocional ou relevante.

As pessoas, quase em geral, aturdem-se e imitam os tipos exóticos com o objetivo de chamar a atenção pelo chocante e grosseiro.

As lutas de classes e os anseios de cidadania das minorias raciais, comportamentais, sociais aceleram as animosidades e culminam sempre na miséria dos vencidos, que perdem a oportunidade de ascender, de renovar-se.

A perda de sentido existencial alastra-se velozmente, e as massas desarvoradas fazem-se imediatistas e agressoras, investindo contra a ordem ou deixando-se vencer pelo desânimo, que as leva à depressão, à fuga pelo suicídio...

Embora os notáveis avanços da ciência médica, por exemplo, com frequência surgem epidemias ameaçadoras, que substituem outras que arrebataram vidas incontáveis, em demonstração da fragilidade do poder humano e as suas utopias de controle sobre a Natureza.

Fenômenos sísmicos constantes desestruturam cidades e ceifam criaturas de maneira aterradora e submetem os seres humanos aos seus movimentos e condições geológicas...

Sucede que este é um mundo de provas e expiações, ainda em processo de depuração da sua massa, de eliminação dos seus terríveis gases tóxicos.

Amanhece, porém, com dificuldade, embora um dia novo em luta contra a treva teimosa da noite que passa, apesar de ainda não se ter ido por definitivo.

Confundem-se glórias humanas com desgraças morais e espirituais, num espetáculo de primitivas apresentações.

É, no entanto, nesse imenso território que se travam as lutas transformadoras do amor.

O espectro da insensatez é obrigado a ceder lugar a novo comportamento, àquele que há dois mil anos vem sendo proposto por Jesus e pelos Seus mensageiros.

Tudo chama a atenção para a grande mudança que já se vem operando no mundo terrestre.

Indispensável o esforço de semeação sobre esses destroços, nesses solos que devem ser lavrados com carinho, sem postergação de tempo.

Trata-se da sementeira de luz.

Grãos de misericórdia devem ser bondosamente colocados nos solos das paisagens sofridas e desoladas, a fim de ser modificado o orbe terrestre, recoberto pelo verdor da esperança, onde a vida se expresse em toda a sua grandiosidade.

Quando passar este verão ardente e abrasador, quando a Natureza exaurida nas suas energias receber as abençoadas chuvas fertilizadoras e alterar-se o clima de horror, a beleza e a harmonia arrebentarão os esconderijos nos quais dormem e tudo se renovará em colorida primavera de bênçãos.

Assim também ocorrerá com a Humanidade destes dias desafiadores.

Sucedem-se os períodos inexoravelmente, surge o abençoado momento de renovação que, desta vez, deverá ser permanente.

Esse fenômeno, porém, depende sobretudo das criaturas humanas, dos seus pensamentos, condutas, sentimentos ante as circunstâncias e as possibilidades que se apresentem.

Renasceste neste período desafiador para contribuir com a nova ordem e na ampliação dos horizontes do serviço abnegado de amor.

Imprescindível compreender que tudo se origina na mente humana, que é a cocriadora do Universo, que oferece as vibrações enérgicas como bem ou como mal, que elege o que lhe parece necessário para a existência.

Nesse sacrário, que é a sede do pensamento, estão as potências da vida, que são neutras, podendo ser usadas para um sentido útil e venturoso ou para ocorrências vãs e devastadores.

O teu é um compromisso com os emissários da Vida Indestrutível, veladores do cosmo em nome do Pai Criador.

Não te importem aqueles que permanecem insensíveis, distanciados, inermes ou perdidos nos descaminhos da ilusão material de breve duração.

A ti cabe o mister de acender luz na escuridão sem reclamar as trevas, de carpir o solo que te cabe semear, assim tornar lugar clareado, jardim e pomar de vital importância.

Renasceste para ser feliz e pontuar alegria pelo caminho percorrido, mesmo que as circunstâncias não se apresentem, de momento, favoráveis.

Semeia estrelas de claridade luminescente.

Não te inquietem as sombras nem as ameaças de borrascas.

Tudo isto logo passará, e é imprescindível que haja metas fulgurantes à frente.

Não te deixes tisnar pela treva que deves diluir.

Semeia e semeia luz.

Quando Jesus veio à Terra, a desolação e o ódio triunfavam, o poder arbitrário dominava as vidas e a miséria moral reinava poderosa.

Lentamente, Ele renovou as paisagens morais, abençoou a Natureza, acendeu a luz que permanece inapagável até hoje.

Crucificaram-No, e o Seu triunfo tornou-se incontestável.

O mesmo acontece agora.

Estes são dias iguais àqueles, com as dificuldades naturais que facultam a soberba e o vício.

Insiste, sorrindo dos vícios e enganadores, sendo-Lhe fiel até o fim.

O Senhor segue contigo e jamais te deixará a sós.


Joanna de Ângelis





ENSEMENTAR: Lançar sementes a; semear.
ESCALRACHO: Planta daninha invasora das searas.
DESASSISADO: Que ou quem não tem siso, juízo; desatinado, dessisudo, desvairado, doido.
INVITAR: Requisitar a presença, o comparecimento de; convidar.
CHÃO: (Fig.) Moralmente baixo, vulgar.
ESPECTRO: Conjunto ou série de elementos que formam um todo.
BORRASCA: (Por mtf.) Contratempo que gera transtorno ou inquietação; contrariedade inopinada.
FULGURANTE: Que brilha, fulge; brilhante, lampejante.
TISNAR: Sujar(-se) com mancha ou nódoa; macular(-se), sujar(-se).

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 9 - Pré-ocupação



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 9


Pré-ocupação


“... Observai os pássaros do céu: eles não semeiam nem colhem...”
“... Observai como crescem os lírios dos campos: eles não trabalham nem fiam...”
“... não estejais inquietos pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. 
A cada dia basta o seu mal.” ESE - (Cap. 25, item 6) 


A estratégia da preocupação é nos manter distantes do momento presente, imobilizando as realizações do agora em função de coisas que poderão ou não acontecer.

Desperdiçamos, por consequência, tempo e energias preciosas, obcecados com os eventos do porvir, sobre os quais não temos qualquer tipo de comando, pois olvidamos que tudo que podemos e devemos dirigir é somente nossas próprias vidas.

São realmente diversas as preocupações sobre as quais não temos nenhum controle: a doença dos outros, a alegria dos filhos, o amor das pessoas, o julgamento alheio sobre nós, a morte de familiares e outras tantas. Podemos, porém, nos “pré-ocupar” o quanto quisermos com essas questões, que não traremos a saúde, a felicidade, o amor, a consideração ou mesmo o retorno à vida, porque todas elas são coisas que fogem às nossas possibilidades.

Outra questão é quando passamos por enormes desequilíbrios causados pelo desgaste emocional de nos ocuparmos antes do tempo certo com coisas e pessoas, o que ocasiona insônias, decepções e angústias pelo temor antecipado do que poderá vir a acontecer no amanhã.

Não confundamos “pré-ocupação” com “previdência”, porque se preparar ou ser precavido para realizar planos para dias vindouros é tino de bom senso e lógica; mas prudência não é preocupação, porque enquanto uma é sensata e moderada, a outra é irracional e tolhe o indivíduo, prejudicando-o nos seus projetos e empreendimentos do hoje.

Nossa educação social estimula o vício do “pensamento preocupante”, principalmente no convívio familiar, onde teve início o fato de relacionarmos preocupação com “dar proteção”.

Passamos a nos comportar afirmando: “Lógico que eu me preocupo com você, eu o amo”, “Você tem que se preocupar com seus pais”, “Quem tem filhos vive em constante preocupação”. 

Pensamos que estamos defendendo e auxiliando os entes queridos, quando na verdade estamos confinando-os e prejudicando-os por transmitir-lhes, às vezes, de modo imperceptível, medo, insegurança e pensamentos catastróficos.

“Não estejais inquietos pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. A cada dia basta seu mal”.

O Criador provê suas criaturas como necessário, porquanto seria impossível a Natureza criar em nós uma necessidade sem nos dar meios para supri-la. “Vede os pássaros do céu, vede os lírios dos campos”.

Além do mais, pedia-nos que fizéssemos observações de como a vida se comporta e que deixássemos de nos “pré-ocupar”, convidando-nos a olhar para nossa criação divina que a todos acolhe.

O Mestre queria dizer com essas afirmativas que tudo o que vemos tem ligação conosco e com todas as partes do Universo e que somos, em realidade, participantes de uma Natureza comum.

As mesmas causas que cooperam para o benefício de uns cooperam da mesma forma para o de outros. Quando há confiança, existe fé; e é essa fé que abre o fluxo divino para a manutenção e prosperidade de nossa existência, dando-nos juntamente a proteção que buscamos em todos os níveis de nossa vida.


Hammed











Fonte: Renovando Atitudes-pdf