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sábado, 18 de outubro de 2025

Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 2 - Rei Triunfante



Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 2


Rei Triunfante


Roma distendera o seu manto esmagador sobre o mundo conhecido, e as legiões temíveis dominavam os povos afligidos...

O poder da águia perigosa estava em toda parte, e o sofrimento humano era a consequência natural da sua grandeza.

Júlio César substituíra os deuses-lares e tornara-se divino, embora viesse a sucumbir sob o punhal traiçoeiro de Brutus e de outros senadores infiéis, no apogeu das suas glórias.

A decadência do Primeiro Triunvirato deixara marcas de horror em toda parte, e o segundo esvaíra-se em face do suicídio de Antônio, após vencido na segunda Batalha de Filipos por Cássio, e da supremacia de Otávio, governador de Roma.

Era, naquele momento atroz, um império esfacelado, mas que estava em lutas de reabilitação.

Nesse novo regime começou a pairar uma onda de harmonia onde antes os abutres das guerras devoravam os cadáveres dos povos vencidos.

Uma psicosfera de paz espraiava-se pela paisagem humana, e filósofos, poetas, artistas e sábios preenchiam os imensos espaços com lições de altruísmo e beleza.

As rebeliões, sempre esmagadas com impiedade, amainaram, e o progresso passou a derramar bênçãos de alegria e de esperança...

Foi nesse clima de relativo equilíbrio social, político e artístico, que nasceu Jesus, numa gruta modesta na pequena Belém de Judá.

Israel experimentava, há mais de quatrocentos anos, um silêncio sepulcral a respeito das revelações em torno do seu Messias, produzindo uma grande expectativa de esperança e de alegrias, de modo que pudesse atenuar as dores e as amarguras do seu povo.

Repentinamente houve um tumulto produzindo renovação dos costumes e receios sob a arbitrária governança de Herodes, o Grande, portador de uma crueldade jamais conhecida. Ele não era judeu, e sim idumeu, detestando o povo que governava, enquanto, por sua vez, era odiado por aqueles que lhe sofriam o jugo impiedoso.

A matança tornara-se quase natural, fosse no palácio suntuoso em Jerusalém ou em qualquer burgo dos mais miseráveis...

A Humanidade não podia compreender o que se estava passando, quando se Lhe ouviu a voz dúlcida e forte envolta em paz, enfrentando os abutres das guerras que devoram os cadáveres das nações vencidas.

Uma psicosfera de harmonia encontrava-se instalando na paisagem humana a oportunidade do amor e da fraternidade, com novos padrões éticos existenciais.

As rebeliões, antes esmagadas com impiedade, amainavam, e o progresso começou a derramar bênçãos inesperadas.

Uma revolução de ideias, como nunca antes acontecera, passou a soar de quebrada em quebrada, alterando a geografia dos corações humanos antes em desespero...

Tratava-se de uma voz que nenhuma tempestade lograva silenciar ou diminuir-lhe o impacto incomum.

Nesse comenos, um pequeno grupo de homens amorosos constituiu o modelo de uma sociedade feliz.

A mensagem era qual lâmina aguçada que penetrava as carnes do coração, e todos que a ouvissem não mais conseguiam permanecer indiferentes.

Apesar de ser dirigida aos abandonados pelo mundo, alcançava patamares elevados e contribuía para a instalação da justiça e da solidariedade entre os que se hostilizavam terrivelmente.

Avançando das praias do lago de Genesaré, ou mar da Galileia, região pobre e desprezada por muitos judeus, atravessava o deserto escaldante e as montanhas, alcançando o Sinédrio formal e hipócrita e abalando-lhe as estruturas frágeis.

As multidões sempre perseguidas e exaustas pelos impostos injustos, a avareza e o poder temporal perversos chamavam a atenção de todos e despertava o rancor dos dominadores servis.

Ninguém ficava insensível à Sua música incomparável.

Vestido de peregrina luz, os Seus vassalos multiplicavam-se, aureolados de paz.

Jamais alguém se apresentara com tanta autoridade que se exteriorizava sem a necessidade de armas, de grupos defensores, dos miserandos recursos terrestres que atemorizam.

Ele aparecia com os Seus de repente em lugar estranho e, ao distender as Suas mãos, alterava a existência daqueles que passavam a conhecê-lO.

Ninguém que O encontrasse ficava insensível ao Seu magnetismo: amavam-nO ou odiavam-nO de imediato.

Não havia dúvida: Ele era o Rei que se esperava, mas para cujo Reino não se estava preparado.

Não atemorizava ninguém, exceto pela nobreza dos Seus argumentos; evitava quaisquer manifestações infelizes e disseminava o amor, renegava a intriga, enquanto sustentava os caídos e padecentes de toda natureza.

Pouco a pouco, dividiram-se aqueles que O ouviam.

Ele falava dos Céus, e quase todos queriam a Terra.

Ele denunciava o crime; a maioria, porém, se comprazia na sua prática.

Ele cantava a humildade e a renúncia, vivendo com total simplicidade, e desagradava aos que cultivavam o orgulho e a posse.

A inveja e a sordidez humanas passaram a segui-lO.

Não para aprender a Sua mensagem, mas para surpreendê-lO em qualquer dito que se Lhe pudesse transformar em acusações, criando armadilhas e sedições para O aniquilarem.

... E Ele a todos surpreendeu, porque viera para amar e servir, edificando um Reino de Bênçãos no ádito dos corações, embora nem sempre recebesse amor, fidelidade e gratidão.

Essa conduta não Lhe surpreendia, porque Ele sabia que a sementeira é imediata, mas o resultado exige tempo e oportunidade.

O Seu era o ministério de ensementar na História da Humanidade o poder do amor em confronto com as sombras dominadoras em toda parte.

Por isso, foi traído, negado, chibatado cruelmente e depois arrastou pelas estreitas ruas por onde passara antes em triunfo de mentira na direção do Calvário, que Lhe serviria de cenário para a ascensão a Deus.

Porque soubesse, desde então, que não havia lugar para Ele, prometeu enviar os Seus mensageiros em momento grave da sociedade, a fim de que a pudesse conduzir sob Sua tutela ao Reino dos Céus.

Surgiu o Espiritismo no Século das Luzes, que ora se expande e altera definitivamente a conduta da Humanidade para melhor.

Neste Natal, evoca-O, celebra-Lhe o nascimento, fazendo do próprio coração a Manjedoura para que Ele renasça e esparza a musicalidade sublime de que é portador, neste mundo em sombras que O aguarda.


Joanna de Ângelis





ÁDITO: Local reservado ou recôndito.

domingo, 12 de janeiro de 2025

Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 5 - Nunca subestimes o Amor



Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 5


Nunca subestimes o Amor


Estás combalido porque as tuas expectativas na área da afetividade resumiram-se em inesperados desencantos, que ora te confundem a maneira de pensar e, sobretudo, a forma de agir.

A tua carência afetiva fez-te acreditar em bem-sucedidas aparências de amor, e te permites confiar que valia a pena entregar o coração e acreditar nos sentimentos que te eram apresentados.

Terrível engano, porque, agora, em circunstância própria, a pessoa desvelou-se e apresenta-se destituída de equilíbrio no campo do comportamento que parecia não aceitar.

A ternura que vias na face de quem te demonstrava bondade era apenas máscara que ocultava o ser real, que teimavas por não enxergar.

No íntimo, uma intuição do bem te advertia que afetos negociados jamais possuem legitimidade.

Deixam-se comprar e jamais se comovem com os sentimentos de afabilidade e de carinho que os cercam.

Apresentam-se frios e de caráter forte, humilham-te, dando a impressão de que a ti se encontram superiores, em autovalorização, e silencias no teu aconchego de esperança, anelando por qualquer migalha de atenção que te ofereça em boa técnica de ludibriar-te e continuar contando contigo, sem permitir-te o inverso.

Aparentam cuidar de ti, numa forma de corresponder ao que recebem do teu coração afetuoso, e te encantas, supondo ser manifestação de afeto.

Como não te amam, devolvem-te em cuidados exteriores com que impressionam os outros, revelando uma bondade que estão longe de sentir.

Com muitas exceções, o amor entre as criaturas humanas ainda está assinalado por interesses escusos, embora os disfarces variados com que se apresentam.

Sentes um frio interior que te congela neste momento, ante a constatação do que já sabias intuitivamente.

Na tua ingenuidade, insistias, mantendo a expectativa de mudança alguma, até mesmo de compaixão, que não têm.

Aprende com a realidade a mover-te agora com a sabedoria da experiência doída que te crucifica na amargura.

Essa alma amiga a quem te entregaste e te relega não merece o teu sofrimento. Ergue a cabeça e avança no rumo da fraternidade. Talvez, nesta existência, não esteja no teu programa receber, senão apenas dares amor.

As paisagens mundanas ricas de sedução reduzem os sentimentos ao imediatismo do gozo, da sensação, da variedade dos prazeres.

A afetividade enriquece melhor, porque proporciona harmonia e beleza, encantamento e paz. Nada obstante, para que seja alcançado esse patamar de sentimento, é necessário que haja merecimento. Muitos afetos que se acariciam a toda hora quase sempre são superficiais, tentadores, exibicionistas, e alteram-se por ocasião de novidades que aparecem adiante.

Essa onda de melancolia e insegurança passará com mais rapidez se não permaneceres cultivando esperança de recomeço, de mudança.

A pessoa está adiante de ti, ama, aspira a outrem, contenta-se e desfruta desse carinho que lhe é compensador.

Aceita o desafio do abandono que te oferece e não olhes para trás.

Todas as palavras que antes te disse eram oferendas de sonho. Houve tempo em que procurou aquilatar as vantagens que fruiria ao teu lado e, por isso, permitiu-te esperar, sem comprometer-se, para, no momento próprio, rudemente afirmar-te que não te confirmou essa afeição, a que tu lhe dedicas.

A existência humana é um curso de aprendizagem transcendente, mediante a roupagem carnal, imanente.

Desperta para o amor verdadeiro, aquele que ilumina a noite dos sentimentos, e alarga a vereda por onde seguem os aflitos.

Desce do pedestal imaginário em que te encontras e passa a caminhar com aqueles que vivem em solidão e te olham com avidez, desejando estar contigo, pelo menos, um momento.

Investe neles, esses que também anelam pelo amor e não têm tido oportunidade sequer de receber uma quota de amizade.

Os relacionamentos humanos são imperiosa necessidade de viver em harmonia em si mesmo. O próximo somos nós do outro lado, com as mesmas carências e necessidades, aguardando a lapidação indispensável à vitória sobre as paixões amesquinhantes.

Renasceste na Terra para amar, ensinar o amor, cantar o amor e demonstrar a excelência do amor. Por enquanto, não está na pauta da tua evolução recebê-lo, adornar-te de alegria, usufruíres das suas bênçãos na condição de beneficiário.

A solidão é o teu caminho de aprendizagem, de amadurecimento, de serviço.

Felizes são aqueles que compreendem o dever de ajudar, mesmo quando estão necessitando de socorro. Dessa forma, compreende melhor o significado do auxílio que podes dispensar.

Aqueles que te veem sorrindo, como se estivesses pleno de alegrias, não imaginam as horas de tristezas e de ansiedades que afogas em lágrimas vertidas pelo coração.

Apesar disso, ama assim mesmo.

Não te desencantes com o amor, que é hálito divino sustentando a vida e a grandeza universal.

Os seres humanos estão, somente agora, descobrindo a grandeza do amor desinteressado e enternecedor, e compreendendo que ninguém alcançará o topo da subida sem uma alma cireneia ao lado, auxiliando.

Treina, portanto, o bem-estar, neste momento de agrura e soledade, de tal maneira que aquele que te subestima não se dê conta de que já não é tão importante para a tua felicidade.

Além do mais, recorda-te de que, no Mundo espiritual, existem afetos profundos que se te dedicam, que te acalentam e socorrem, jamais te abandonando, seja em qual circunstância for.

... E, se o teu amor é verdadeiro, permanece amigo de quem talvez até te desdenhe na sua vanglória momentânea.

Ascenderás espiritualmente, e nesse caminho de evolução pode ser alcançarás as metas existenciais e irás distender teus braços e mãos amigas a esse afeto que, então, bendirá a tua ajuda.

Volve agora à alegria de viver e de poderes agir sem contar com a ajuda de outrem, conforme ontem te iludias.

Possuis mais forças e recursos do que imaginas.

Os heróis revelam-se nas horas dos combates, e não nos momentos tranquilos de paz.

Jesus, que é Luz do mundo, provou da escuridão resultante do abandono de quase todos aos quais amou, permanecendo confiante e meigo em relação a eles, a ponto de retornar após a morte, para prosseguir amando-os. 


Joanna de Ângelis 





COMBALIDO: Enfraquecido, deprimido, desanimado, sem forças morais.

ESCUSO: Escondido; oculto, recôndito.

AQUILATAR: Apreciar o valor (de algo), avaliar.

VEREDA: Orientação de uma vida, de uma ação; rumo, direção, caminho.

AVIDEZ: Desejo inflamado, intenso.

IMPERIOSO: (Fig.) Que urge; impreterível, premente.

CIRENEU: (Fig.) Que ou o que ajuda ou colabora, especialmente em trabalho difícil.

AGRURA: (Fig.) Sofrimento físico ou espiritual; aflição.

VOLVER: Voltar ou fazer voltar; regressar, retornar, regredir.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 3 - Triunfo da imortalidade



Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 3


Triunfo da imortalidade


O trânsito carnal festivo e quente que envolve o ser, pela sua própria estrutura, resulta das sucessivas transformações que se operam no curso existencial.

Obedecendo às leis do movimento, átomos e suas partículas alteram a constituição em que se apresentam conforme a natureza do conjunto.

No caso da organização humana, reúnem-se em perfeita integração perispiritual que lhe faculta apresentar-se na forma conhecida, alterando-se conforme as energias emitidas pelo Espírito no seu processo evolutivo.

Por essa razão, o corpo físico sofre contínuas modificações decorrentes dos campos vibratórios programados para a jornada orgânica. Em consequência, tudo, na relatividade do tempo e do espaço, impõe alterações estruturais que culminam no fenômeno biológico da morte.

Enigma filosófico desafiador, a morte tem sido a grande incógnita de cada vida.

Enquanto algumas escolas de pensamento confirmam o prosseguimento da vida, outras aí assinalam o seu encerramento.

Pensadores dignos através da História têm procurado confirmar a sobrevivência do ser, da sua energia pensante à disjunção molecular, enquanto a presunção de inumeráveis outros, em razão do sofrimento e dos desencantos que experimentaram, colocam-lhe o ponto final.

Entre ambas as correntes comportamentais, os fenômenos mediúnicos, sob variada denominação, demonstram a continuidade da transcendência e, por efeito, da indestrutibilidade da vida.

Em toda a cadeia da existência não são raras as demonstrações da continuidade dos acontecimentos, apresentando alterações naturais que testemunham o prosseguimento existencial.

Lamentando, porém, a sua interrupção, quando os prazeres se multiplicam, esses aficionados em amargura determinam a destruição do ser na disjunção da forma.

Assim pensando, comportam-se em incessante busca de compensações prazerosas enquanto no corpo, exaurindo-o na luxúria e mediante os tóxicos da alucinação.

Glórias e desgraças na Terra são fenômenos do existir para facultar a aprendizagem das Leis Soberanas no processo iluminativo das reencarnações.

Causam espanto, sim, as alterações do corpo nos períodos que sucedem à infância e à juventude.

As carnes frescas e lisas de repente são convertidas em máscaras de horror mediante as rugas profundas e as degenerações inevitáveis, provocando pranto e dor.

Vezes outras, enfermidades deformadoras instalam-se no vaso carnal e formas estranhas, algumas aberrantes e assustadoras, convertem os indivíduos em espectros que aparvalham e geram piedade...

Não raro, apresentam-se essas deformações da aparência no monte das exposições degeneradas dentro das quais respira a vida, com ânsia ou não de morrer.

A vida, que promana de Deus, no entanto, aí se homizia, nesses rescaldos de horror, agarrando-se ao corpo desgastado e disforme.

Nada obstante, um organismo, mesmo sob os camartelos do sofrimento, constitui bênção de alto significado para a experiência iluminativa.

Razões ponderáveis de existências passadas contribuíram para a ocorrência necessária.

Desse modo, seja qual for a manifestação orgânica em que o Espírito se apresente revestido, constitui bênção de Deus, que se deve valorizar, a fim de purificar-se interiormente.

Bendize toda e qualquer circunstância em que te encontres, porque te constitui instrumento de elevação moral.

A beleza de um dia cobra imposto em favor do futuro e, quando utilizada de forma enganosa, plasma alterações correspondentes às necessidades da harmonia.

Utiliza-te de cada instante para aprimorar-te, insculpindo no pensamento e na emoção o amor para modelares o futuro radioso, sempre organizado em experiência anterior.

A filosofia da imortalidade é a mais compatível para proporcionar felicidade ao ser humano, pelo ato de o transformar no grande escultor da própria alma.

Mediante o pensamento em contínua edificação, elabora um programa de compreensão ética e moral para a existência transitória.

Insiste sem desânimo no aprimoramento dos teus sentimentos, oferecendo chances a todos de ascenderem às cumeadas do progresso, em cujo curso se encontram todas as criaturas, muitas vezes, sem dar-se conta.

Se te equivocas e ages mal, recua para refazer o caminho. Não deixes marcas aberrantes por onde transitas.

Urge que imprimas no íntimo o anseio de plenitude, trabalhando sem cessar pelo bem.

Quando não possas ajudar, não contribuas para aumentar a ruína, a desdita de outrem.

Renasceste para crescer e desenvolver o "deus interno" que jaz nos refolhos do ser profundo que és.

Adquire o hábito salutar de ser aquele que compreende e ajuda mesmo desconhecido. Não é importante que se saiba quem o bem faz, mas que ele seja feito, porquanto os seus efeitos edificam o mundo melhor.

A vida, por isso mesmo, é um curso incessante que jamais se interrompe, semelhante a um córrego de nascente perpétua a fluir com intensidade, enfrentando o leito desafiador.

As dúvidas pairavam mesmo entre os Seus discípulos a respeito da ressurreição que Ele prometera.

Estavam desapontados e aturdidos.

Tudo era sombrio, e as expectativas eram ainda piores.

Foi quando Ele ressurgiu em imortalidade triunfante, conforme era antes, e mais belo do que nas ocasiões passadas.

Assim também acontecerá contigo, e, de forma idêntica, os teus amores que retornaram antes ressurgirão em gloriosa madrugada para sustentar-te na saudade e na dor.

Aguardam-te em contentamento, e não te abandonam jamais.

Vive, no mundo físico, de maneira que amealhes um tesouro de harmonia íntima por todo o bem que possas realizar.

Nunca permitas que o mal dos perversos te aturda na caminhada de libertação, recordando Jesus, que, a cada passo, enfrentou o cinismo e o cepticismo daqueles que viviam apenas para as rápidas ilusões da matéria. 


Joanna de Ângelis 








APARVALHAR: Tornar(-se) parvo; embasbacar(-se), apalermar(-se).

PROMANAR: Ter como agente, autor ou criador.

CAMARTELO: (Fig.) Qualquer instrumento ou objeto usado para quebrar, demolir, bater repetidamente. 




Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 21 - Perseguições espirituais



Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 21


Perseguições espirituais


Considere-se que a morte não é mais do que a separação do organismo material em relação à essência espiritual.

A dissociação orgânica liberta o Espírito, que durante algum tempo se sente aturdido em decorrência da circunstância diferente que experimenta.

Retido em hábitos a que se ajusta por um período, sente-se fixado às impressões que lhe eram comuns e somente a pouco e pouco se integra à nova paisagem vibratória de onde se encontra.

Especialmente os seus apegos e aspirações permanecem conduzindo-o dentro do antigo padrão de comportamento.

Suas convicções e anelos continuam conforme lhe eram habituais.

Nesse sentido, o número daqueles que permanecem em sua volta é maior do que se supõe normalmente.

Toda vez quando uma criatura humana se vincula a uma ideia, a um hábito novo, atrai Espíritos que se encontram nessa faixa de vibrações e passam a influenciá-lo conforme as suas inclinações.

Tendo-se em vista a posição moral da Terra na escala da evolução, como planeta de provas e de expiações, há por enquanto forte predominância de perturbados e perturbadores, perversos e gozadores.

Vinculados a crenças primitivas ou bárbaras, ou mesmo a nenhuma, quando não há adversários individualmente ou em grupo, geram desequilíbrios, turbações.

Como cada pessoa tem a sua história - os acontecimentos de existências passadas –, conduz necessidades de libertação ou expiações às quais se vinculam as suas vítimas. Se foram perdoados por aqueles aos quais infelicitam, não se encontram livres das consequências dos seus atos e são conduzidos à reabilitação.

O caminho mais seguro para a recomposição espiritual é a conduta do amor, pautando a existência nas diretrizes éticas da fraternidade.

Ao voltar-se para a prática do bem, aqueles que os não perdoaram lutam com afinco para dificultar-lhes a conquista dos valores iluminativos e reparadores.

Não seja, portanto, estranhável a sua presença maléfica ao lado dos servidores da ordem e do dever, com propósitos infelizes.

Noutras circunstâncias, ativos em obsessões cruéis não pretendem mudar de atitude e agridem todos aqueles que se lhes colocam em frente.

Há verdadeiras batalhas bem planificadas para impedir que os sentimentos superiores predominem e a paz reine soberana nos corações.

Invejosos quanto ignorantes das verdades que exornam a vida, são teimosos e impertinentes, maliciosos e traiçoeiros.

Igualmente são nossos irmãos da retaguarda espiritual, necessitados de ajuda e de misericórdia.

Fizeram-se inimigos do amor, no entanto devem ser amados, a fim de que cedam às inclinações superiores que se encontram adormecidas no cerne.

Toda vez quando te vincules a obras que objetivam o progresso pessoal e da sociedade, que trabalham pela evolução dos sentimentos, não te descures da oração. Ela é fundamental para o êxito de todo e qualquer empreendimento.

Reflexiona em torno das tuas fragilidades e robustece-te na prece ungida de energias superiores que te fortalecerão no desiderato.

Sê fiel aos objetivos que programas e não te permitas deter nas questões inditosas que surgem repentinamente.

Tem cuidado com os comentários desairosos e observações desestimuladoras que se avolumam em toda parte.

Faze silêncio quando não puderes auxiliar alguém que, infelizmente, não possui forças morais para prosseguir com elevação, mas não aumentes o coro dos acusadores perversos e inúteis.

Evita a valorização do ego, gerador da vaidade e da presunção, insiste nos propósitos que abraças.

Não te permitas desanimar ante a agressão de outros companheiros que se comprazem em criar embaraços para aqueles que se lhes não subordinam na ociosidade e nos pantanais da indignidade moral e não acreditam nos demais que são portadores de ideais e de vida.

Não tenhas pressas em alcançar os resultados almejados e aprende a confiar em Deus, especialmente nos momentos difíceis.

Diante de algum insucesso que te produza sofrimento, entende que apraz ao Senhor essa realização diferente de como a estás realizando.

Repete a boa ação tantas vezes quantas te façam exigíveis com o entusiasmo da primeira tentativa.

Nunca te rebeles com os teus perseguidores. Eles não sabem o que estão fazendo. Conquistá-los-ás com paciência e amor, desde que a tua é a intenção de servir e de fazer o melhor.

As pessoas são diferentes na sua evolução espiritual, na forma de encarar os problemas e desafios, de sentir ideais e de lutar.

Sê tu mesmo, imprimindo em todos os teus atos, a tua maneira especial de ser e de fazer.

Se alguém te serve de modelo, lembra-te que também ele tem outrem que lhe serve de exemplo e guia, sendo falível como tu. Oferece-lhe, portanto, o direito de exercer os seus valores como lhe é melhor ao sentimento.

Não pretendas que a tua maneira de agir é a melhor. Certamente é de grande utilidade para a tua realização pessoal, porém não serve de referência para as realizações de outras pessoas.

Tem a humildade honesta de conhecer os teus limites e não te ames menos por isso. Chegarás ao ponto culminante da tua trajetória, mas no momento próprio, quando seja possível.

No mundo injusto de hoje como de ontem, todos os indivíduos defrontam inimigos, obstáculos, dificuldades. Isso é muito natural. O importante, porém, é não se constituir adversário, impedimento ou parede que dificulta o acesso adiante.

Mesmo Jesus, que era o amor encarnado, defrontou essa onda de problematizados e perseguidores, e sofreu-os com generosa compaixão e até hoje trabalha em favor da regeneração de todos.


Joanna de Ângelis







TURBAÇÃO: Perturbação, desordem, tumulto EXORNAR: Pôr ornamento em; adornar, enfeitar, ornar.

CERNE: (Fig.) Parte essencial; âmago, fulcro, íntimo.

DESIDERATO: O que se deseja; aspiração.

APRAZER: Causar ou sentir prazer; contentar(-se); agradar(-se), deleitar(-se); prazer.

PRETENDER: Assegurar a veracidade de; sustentar, afirmar, asseverar.

DEFRONTAR: Pôr(-se) frente a frente com; confrontar(-se). 







sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 6 - Convivência



Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 6


Convivência 
 

O Evangelho de Jesus é o mais completo tratado para realizar a formação do caráter social do ser humano.

A convivência social constitui na Terra um desafio dos mais significativos, em razão da sua complexidade.

Cada criatura humana é um universo de experiências especiais, em face do seu estágio evolutivo e das possibilidades de crescimento que se lhe tornam possíveis. Em consequência, não existe uma forma de comportamento genérico, que facilite um intercâmbio equilibrado e saudável.

Pelo fato de viver as emoções que lhe são compatíveis, aquilo que propicia júbilo a alguns a outros se apresenta como provocação ou demérito.

Indispensável a compreensão natural de que o interesse de conviver é destituído de qualquer sentimento que transpire abuso ou exploração.

Atraídos ou recusados uns pelos outros, os indivíduos tornam-se simpáticos ou não pelas ondas vibratórias que os atraem ou os repelem, favorecendo a aproximação ou o afastamento responsável pelas reações afetivas desse comportamento decorrentes.

Não poucas vezes, a identificação de ideais e de sentimentos aproximam umas pessoas das outras, o que produz afeições significativas, que penetram nos escaninhos do ser, que pode perceber as dificuldades e problemas de que se revestem.

Por aguardar-se benefícios imediatos das relações, a afetividade inicial esfria, por uma espécie de decepção ao constatar-se a diferença entre o que se pensava e a realidade.

Cada ser humano é uma faixa de emoções e raciocínios diferentes, razão pela qual se produzem os choques afetuosos, por pensar-se que o tratamento feliz é aquele que se aplica, sem dar-se conta dos conflitos e sofrimentos que os tipificam.

O ego sempre dispõe de uma face, enquanto o Self tem outra identidade, quase sempre oculta. Portanto, o que agrada ao exterior nem sempre corresponde aos anseios do íntimo.

Não havendo um real sentimento de afeto, desfazem-se as amizades, e é muito comum surgirem ou apresentarem-se a animosidade, a desconfiança, as reações nefastas.

Todos os seres humanos necessitam de amparo e afeição. Ninguém existe completo, autossuficiente.

A tolerância, então, faz-se indispensável para a compreensão e a bondade, a fim de diminuir o choque de desidentidade, e auxilia com os recursos da lealdade mediante os impulsos de ascensão e de caridade.

Invariavelmente, porém, exige-se conduta irrepreensível daqueles que se fazem amigos, sem que, por sua vez, tenham-na ilibada.

Acredita-se melhor, que amigo e censura não se relacionam bem, sendo indispensável um comportamento equilibrado.

Na família inicia-se a aprendizagem dos relacionamentos que produzem convivência saudável, mediante o espírito de fraternidade real que deve viger entre os seus membros.

Mediante as diversas fases do desenvolvimento orgânico e emocional, adquirem-se hábitos mentais de cooperação como de reproche, que trabalham para as condutas posteriores no meio social.

A educação formal se encarrega da cultura e do entendimento com largueza para a socialização e convívio compensador.

O Evangelho de Jesus é o mais completo tratado para realizar a formação do caráter social do ser humano.

Todo ele trabalhado no esforço individual para a iluminação interior, proporciona-lhe os instrumentos hábeis para o crescimento intelecto-moral necessários à evolução.

Suas máximas, constituídas de diretrizes edificantes, em trecho algum propõem recusa de amor e de bondade em todas as circunstâncias.

As Suas parábolas, nascidas no cotidiano de todos, são histórias vivas e estuantes que ensinam e propiciam os tesouros da generosidade e da contribuição de exemplos ímpares em favor da harmonia e do crescimento moral.

São preciosas as conquistas proporcionadas pela Ciência e tecnologia, mas sem a vivência do amor fraterno o vazio existencial assinala a existência e leva-a à solidão, à soberba de considerar-se melhor, mais astuto, quando não mais lúcido, capaz de tudo fazer e imitar.

Considerando-se as conquistas intelectuais da tua marcha, não abandones ou desconsideres as excelentes lições da Boa-nova, que permanecem insuperáveis em confronto com as escolas filosóficas que parecem apaziguar o ser, mas que o anestesiam nos sentimentos e dão brilho exterior sem conteúdo de harmonia.

Conviver é uma ciência e arte do comportamento que se aprende a todo momento.

O tratamento que é dirigido a uma pessoa nem sempre funciona com êxito quando aplicado a outra.

A melhor maneira de identificar o que apraz a cada indivíduo é respeitar-lhe a individualidade, tornando-se agradável no conviver, de forma que o relacionamento seja edificante e frutífero.

Todos desejam melhorar-se e tornar-se especiais, o que é compreensível, por necessidade gregária.

Os melhores amigos são aqueles que ajudam a evoluir, que contribuem para a reforma íntima e, em consequência, para a iluminação espiritual.

Temas vulgares, conversações de censuras ou maledicências, assuntos que revelam orgulho e preconceito são prejudiciais sob todos os aspectos considerados, deixando patente que, de igual maneira, será também crucificado na crítica pertinaz quando se encontre afastado por qualquer razão.

A convivência feliz é um alimento para a alma, que se nutre de alegria e experimenta o calor do próximo, mesmo quando em dificuldade.

Jesus, em todos os tempos, desde quando esteve na Terra, modulou a canção do amor universal e tocou profundamente os Seus discípulos sinceros, as suas vidas, fazendo-as felizes.

Não te alijes das incomparáveis formulações do Evangelho e busca participar do banquete fecundo da convivência, em trabalho de renovação das paisagens humanas da atualidade com o pensamento fixado nos gloriosos dias do amanhã que te esperam.


Joanna de Ângelis









SELF: O ego é o centro da consciência, o Si ou Self é o centro da totalidade. Self, ou Eu superior, ou Si, equivale dizer a parte divina do ser.

NEFASTO: Que pode trazer dano, prejuízo; desfavorável, nocivo, prejudicial.

ILIBADO: Não tocado; sem mancha; puro.

PERTINAZ: Que tem muita tenacidade; persistente, pervicaz.

ALIJAR: Lançar fora; livrar(-se).  



quinta-feira, 7 de março de 2024

Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 23 - Críticas



Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 23


Críticas


No sentido literal, a crítica é uma análise neutra de um fato, um escrito, um comportamento, uma obra de arte...

A crítica deve ter o cuidado de contribuir em favor do aperfeiçoamento daquilo que se encontra sob a sua observação.

É valioso contributo para a qualificação e o aprimoramento de toda e qualquer obra colocada sob a óptica dos estudos sérios.

Desse modo, pode ser construtiva ou destrutiva.

Possivelmente, em razão dos muitos equívocos apontados no exame do que se encontrava em observação, passou a sofrer considerações maldosas e prejudiciais.

A capacidade de análise de qualquer coisa caracteriza também a seriedade de que se reveste o objeto e o interesse do seu autor em alcançar o objetivo a que se propõe… 

Quaisquer imperfeições ou deslizes que sejam apontados, ao serem sinalizados, podem ser corrigidos e aquilo passa a ter mais qualidade.

Em face dos sentimentos morais e da evolução espiritual daqueles que dispõem das condições exigíveis para o mister, afasta-se da finalidade e passa a apontar os erros e imperfeições que detecta, sem o valor ético de ajudar, de contribuir em benefício do progresso, do aperfeiçoamento, da beleza.

Muitos problemas nos relacionamentos humanos resultam das críticas perversas e desqualificadoras, que geram dúvidas e perturbam imaginações e idealismos credores de respeito… 

Como natural consequência, os críticos profissionais, que muito podem contribuir com o embelezamento da Humanidade, fazem-se impiedosos nas suas observações e aniquilam principiantes necessitados de orientação.

Ei-los em toda parte, severos e cruéis; portadores de conflitos, descarregam-nos no labor a que se dedicam, em processo de transferência psicológica.

A maledicência e a calúnia são filhas nefastas da crítica infeliz e carregada de má-fé.

Ninguém é capaz de produzir algo irretocável, só excepcionalmente, em algum detalhe que mereça correção.

É necessário que o candidato à realização possua humildade para reconhecer os pontos criticados e busque corrigi-los, desde que honesta reconheça a análise negativa.

Não é o fato de alguém discordar do que observa, apontar erros, que se deva aceitar as suas anotações sem poder justificar a sua obra.

Igualmente, cabe ao crítico a postura de contestador sem ressentimento, porque cada qual tem a possibilidade de julgar conforme a própria maneira de ser e de entender.

São muitas as facetas emocionais de cada pessoa, que imprimem no que fazem sem o perceber.

Assim também o crítico é portador de emoções e especificidades e nem sempre consegue a neutralidade exigível para um julgamento isento de suas preferências ou antipatias.

A crítica bem direcionada contribui largamente em favor da harmonia e do equilíbrio que devem viger no grupo social.

Narra-se que oportunamente em Roma, durante o império, várias damas ricas criticavam outras, malsinando-lhes a existência.

Encontrava-se no grupo Cornélia, de ascendência patrícia e honorável, que as circunstâncias aziagas haviam-na reduzido à pobreza com dignidade.

Subitamente, uma das senhoras frívolas, ajaezada de pedras preciosas, perguntou à amiga com certa ironia:

– Quais são as tuas joias, Cornélia?

A senhora abraçou os dois filhos que estavam próximos e redarguiu muito emocionada.

– Eis aqui as minhas joias, os meus filhos.

Tratava-se de Tibério e Caio, que lutaram muito na política de Roma, especialmente depois das Guerras Púnicas, em favor das questões agrárias. Seus adversários, muito poderosos, assassinaram Tibério, e Caio Graco, porque era desonroso, o suicídio, solicitou a um servidor que o matasse...

As suas eram lutas de justiça em favor da divisão de terras, que os latifundiários não permitiam.

Ainda hoje existe uma estátua em Roma, próxima ao Coliseu, recordando Cornélia, a mãe dos Gracos...

São inumeráveis os exemplos em todas as áreas do comportamento humano, especialmente na arte...

Toda vez que surge uma revolução cultural, os críticos apaixonados levantam-se para maldizer e perseguir os idealistas e reformadores, às vezes levados à ruína, para serem consagrados após a sua morte.

Tem cuidado com as tuas críticas a respeito do teu próximo e de tudo que te surpreende e apedrejas de imediato.

Talvez te arrependas, porque o futuro é incerto e irá aplaudir aquele que ora tem sido escarnecido.

Ademais, na Terra, ninguém é perfeito a ponto de não ser censurável de uma ou de outra maneira.

Usa a tua inteligência para edificar, porque as pessoas estão muito cansadas de serem desestimuladas e levadas sempre para o lado oposto das questões, o que gera conflitos, mal-estar e arma sempre contra...

A construção, não poucas vezes, é demorada, cuidadosa, sacrificial, e nem todos estão vinculados a esse nobre sentimento que ergue o mundo à sua condição sublime.

A destruição é rápida, perigosa, e necessita de cuidados e responsabilidades muito especiais.

No teu cotidiano, tem cautela nas tuas observações, pois os teus comentários críticos podem destruir vidas que anelam pelo crescimento, pelo direito de amar e de ser.

Dialoga quando percebas algo que pode ser melhorado e ajuda.

O mundo está exaurido pelas forças perversas da crítica malévola, invejosa, ácida e mesquinha.

Sê tu quem edifica e coopera em favor do engrandecimento da Humanidade.

Se alguém te critica negativamente e o faz para destruir-te, não lhe dês importância e segue além.

Criticado perversamente pelos fariseus e demais presunçosos que O conheceram, Jesus permaneceu inalterado no Seu ministério, como a luz que o mundo preteriu pelas sombras da ignorância.


Joanna de Ângelis













segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 13 - Ingratidão



Joanna de Ângelis - Livro Vidas Vazias - Divaldo P. Franco - Cap. 13


Ingratidão


Quando não puderes retribuir ao teu benfeitor algo do muito que ele te ofereceu, passa a outrem a colaboração da amizade, o sorriso de simpatia, a ajuda que seja possível ofertares.

O processo antropológico da evolução é muito lento e as modificações, adaptações e conquistas psicossociológicas ocorrem ao longo do tempo. A princípio é toda uma evolução aritmética, passo a passo, e, logo depois, alcançados determinados patamares, dá-se o desenvolvimento geométrico.

Ao ser atingido o estágio elevado da inteligência, do discernimento, da compreensão, da ética e do sentido moral da existência, ocorrem conquistas em saltos quânticos que facultam atingir a plenitude.

Nada obstante, o desempenho do ego no processo de libertação das paixões exige cuidados e perseverança constantes, de modo a não permitir que as más inclinações, que procedem das etapas anteriores, sobreponham-se às experiências iluminativas.

Não raro, o candidato à elevação espiritual debate-se nas mazelas que estão fixadas como hábitos, tropeçando e reincidindo de maneira contínua, sem o avanço permanente, que naturalmente é o ideal.

Equivale a dizer que em cada reencarnação torna-se necessário libertar-se dos atavismos infelizes e dos comportamentos doentios que se impõem como forma de prazer.

Não são poucos os impositivos do passado que remanescem como formas de conduta dominadora.

Entre os mais danosos que insistem em permanecer, o egoísmo torna-se o comandante em chefe das imperfeições morais pelo tormento de acreditar-se merecedor de todas as deferências e considerações.

Herança perversa do período egocêntrico, quando se acreditava ser a razão pela qual o Sol brilhava, ele está presente na maioria das decisões e das tentativas de crescimento intelecto-moral.

Indispensável, portanto, que haja uma conscientização lúcida e firme de trabalhar-se mental e emocionalmente para derrocá-lo, ampliando os horizontes felizes da fraternidade, mediante o reconhecimento de quanto é necessária a convivência em grupo e quão feliz é todo aquele que sabe conviver e repartir alegria com o seu próximo.

Muitas vezes, o egoísmo é resultado de transtornos mentais ou emocionais, isolando o indivíduo que, dessa forma, sente-se superior aos demais, evitando misturar-se com a massa, assim se destacando do grupo social pelo temperamento enfermiço.

Nesse estágio é comum a pessoa supor-se credora do esforço dos outros, do seu trabalho, das suas gentilezas e dependência, girando a sua volta, porém, distante fisicamente para não gerar incômodos ou aborrecimentos no sempre insatisfeito egotista.

Conhecendo-se, e não tendo interesse em modificar-se, por sentir-se bem na situação inusitada, faz-se simpático para conquistar os demais, sabe atingir os pontos vulneráveis das pessoas generosas e torna-se parasita a roubar-lhes a confiança, a afeição, que jamais correspondem ou sequer consideram como valiosas. Sempre se acreditam mais merecedores e soberbos.

Com facilidade desprezam quem os ajuda e os estima, permanecendo vazios de valores emocionais para entender quanto prejudicam os demais com a sua maneira atrevida de conviver.

Igualmente, quando percebem que já não impressionam com os seus arroubos e gentilezas forçados, disfarçam e tentam reconquistar quem se afasta, para continuar no seu desar habitual… A ingratidão é doença do Espírito, que deve ser combatida por todos quantos lhe são vítimas.

Pedro, que conviveu com o Mestre em intimidade e d’Ele recebeu indiscutíveis tesouros de amor e de socorro, negou-O três vezes, apesar de advertido sobre o egoísmo que ainda permanecia no seu caráter.

Caindo em si, porém, soube conquistar a humildade e ofereceu-se com entranhada dedicação à pregação e à vivência dos formosos ensinamentos do Senhor, doando a existência em um sublime holocausto de amor.

Judas, que igualmente Lhe recebeu as mais variadas demonstrações de ternura e de afetividade, não resistiu à tentação de vendê-Lo, a fim de lucrar as moedas da traição, caindo, logo mais, em si, e optando pelo suicídio infame.

Esses exemplos altamente significativos de ingratidão podem ser catalogados como de traição ao amor, ao devotamento e à confiança que o Rabi lhes ofereceu aos sentimentos, e eles não souberam ou não conseguiram compreender.

O ingrato é, também, em consequência, um traidor da confiança e do respeito que lhe tem sido oferecido.

No momento áspero, ante dificuldades, foi beneficiado pela bondade do amigo e, a partir daí, todas as bênçãos que lhe advieram tornaram-se consequência feliz do ato inicial que o libertou do problema, da aflição.

Nunca se pode retribuir devidamente um ato de bondade salvador, uma entrega de ternura e um gesto de compreensão. Todavia, adquire-se uma dívida perante a Consciência Cósmica, que aguardará momento para que o gesto seja levado adiante em benefício de outrem que se encontre em situação equivalente.

Um grande mal que o ingrato produz naquele que lhe é benfeitor consiste no efeito emocional que o seu comportamento produz, diminuindo a intensidade do espírito fraternal ou tornando indiferente aquele que acreditava na generosidade, no socorro imediato.

Por fim, o ingrato é pessoa realmente infeliz, porque nem sequer possui sensibilidade para amar realmente alguém. Toda e qualquer expressão de afetividade está sob o impositivo da retribuição de algo.

Felizes são aqueles que não desanimam, mesmo quando traídos, enganados e esquecidos após o bem que fazem.

A semente abandonada no subsolo um dia germina, quando as condições lhe forem favoráveis.

Assim é a bondade que se oferece ao próximo.

Não te deixes afetar pela crueldade dos ingratos e prossegue gentil, porque é sempre melhor para aquele que oferece e é bondoso.

A existência terrena, por mais longa se apresente, é sempre de breve durabilidade.

Muitas vezes, quando ocorrem inimizades e alguém deseja a vingança, ao consegui-la, experimenta um prazer momentâneo, enquanto perdoando fruirá de alegria para sempre.

Não te perturbes com aqueles que te exploraram, que te enganaram, que mentiram para conseguir o que desejavam. Eles aprenderão com as experiências a que serão submetidos e tu prosseguirás amando, porque o bem que se faz é moeda de amor que se converte em soberana luz de bem-estar.

Quando não puderes retribuir ao teu benfeitor algo do muito que ele te ofereceu, passa a outrem a colaboração da amizade, o sorriso de simpatia, a ajuda que seja possível ofertares.

O mundo está repleto de ingratos, mas o amor lentamente vence as resistências do egoísmo e esparze ternura, afeto e gratidão em toda parte.


Joanna de Ângelis