quinta-feira, 5 de junho de 2025

Hammed - Livro Um Modo de Entender - uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 44 - A religião natural



Hammed - Livro Um Modo de Entender - uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 44


A religião natural


“Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Coríntios, 3:16).

Uma das descobertas fundamentais do Dr. Carl Gustav Jung é a do inconsciente coletivo ou psique arquetípica.

A expressão inconsciente coletivo, segundo o conceito junguiano, é uma herança psicológica, um tipo de memória da raça ou da espécie, onde se encontram conteúdos de estrutura psíquica, padrões universais ou arquétipos (do grego archétypon – “o que é impresso desde o início”) existentes na intimidade de todos os seres humanos.

De acordo com suas teorias, há no inconsciente coletivo vários arquétipos, mas existe um, central e fundamental, que tem a função de unificar e reconciliar todos os outros e de reequilibrar todo o governo psíquico (consciente e inconsciente). Ele o denominou de Self ou Si-mesmo.

Ele é descrito como a autoridade mental suprema, e equivale à imago Dei. O Self é a sede da identidade objetiva, enquanto o ego é a sede da identidade subjetiva – o centro da personalidade consciente.

O Self contém em si tanto o consciente quanto o inconsciente e mantém o ego sob seu comando. Há outros nomes associados ao Si-mesmo: eixo central, totalidade criativa, centro da psique e união dos opostos. Podemos dizer que ele é o ponto onde Deus e o homem se encontram.

Jung afirmava que a religiosidade tem também uma função psíquica. Os arquétipos do inconsciente coletivo têm força e valores equivalentes aos pontos fundamentais ou princípios religiosos.

Quando Jung fazia menção à religião, não se reportava a um credo ou igreja especificamente. O que ele tinha em estudo era o comportamento religioso, o conteúdo da religiosidade no processo psíquico.

Na sua obra científica, ele se refere à religiosidade como um fenômeno universal encontrado desde os tempos mais antigos em cada grupo étnico, raça ou povo.

“Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas”, afirma Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”1.

Podemos dizer, sobre a existência de Deus, que há um “sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si”2. A religiosidade apresenta-se como fenômeno natural.

Para Jung, a imagem arquetípica de Deus se encontra no Self, cuja principal função é levar as emanações e efeitos da imago Dei à mente consciente do indivíduo.

No seu trabalho de analista, observou uma dimensão transpessoal que se manifesta em padrões ou imagens universais, os quais podem ser identificados em todas as mitologias e religiões do mundo.

Não são poucos os que ainda entendem a existência de Deus de forma simplista e bem estreita, adorando ídolos como sen vivessem na era mosaica ou na Idade Média.

É preciso nos inteirarmos de todas as áreas científicas, interagir no universo de todas as realidades filosóficas, uma vez que elas podem contribuir consideravelmente com a religião. Tudo provém de Deus, “pois nele vivemos, nos movemos e existimos”3.

“A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra, as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra”4.

Disse Albert Einstein: “A minha religião consiste numa admiração humilde ao Espírito Supremo e Ilimitado, que se revela a si mesmo nos mínimos pormenores, que estamos aptos a captar com as nossas fracas mentes e com profunda certeza de um Poder Superior, que se revela universal”.

A religião do futuro será reconhecida como uma realidade interna, será vivenciada individualmente pela criatura que superou o “ser religioso” e desenvolveu em si o “ser religiosidade”.

Como toda atividade psíquica, a religiosidade é suscetível de ser aprimorada, assimilada e investigada ou, também, de ser depreciada, adulterada e restringida. No entanto, sua força energética se manifesta de uma forma ou de outra e procura dar vazão, utilizando as mais variadas vias de expressão. Esse fenômeno de escoamento energético surge de modo inesperado e surpreendente, elegendo os deuses da música, do teatro, do cinema, do futebol e outros tantos.

Uma das maneiras de o conteúdo religioso se anunciar é por meio dos símbolos; aliás, a simbologia é a linguagem mais usada pelas antigas religiões.

Em muitas ocasiões, no lugar das imagens sacras e altares consagrados, surgem pessoas, objetos e componentes simbólicos,


Hammed 







1 “O Livro dos Espíritos”, Questão 6.
2 “O Livro dos Espíritos”, Questão 5
3 Atos, 17:28.
4 “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Capítulo I – Não vim destruir a lei – Aliança da Ciência e da Religião.




quarta-feira, 4 de junho de 2025

Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 42 - Afirmação e ação



Emmanuel - Livro Vinha de Luz - Chico Xavier - Cap. 42


Afirmação e ação

 
“Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer eu a vontade daquele que me enviou, e cumprir a sua obra.” — (JOÃO, 4.34)

Aqui e ali, encontramos crentes do Evangelho invariavelmente prontos a alegar a boa intenção de satisfazer os ditames celestiais. 

Entregam-se alguns à ociosidade e ao desânimo e, com manifesto desrespeito as sagradas noções da fé, asseguram ao amigo ou ao vizinho que vivem atendendo às determinações do Todo Poderoso.

Não são poucos os que não preveem, nem providenciam a tempo e, quando tudo desaba, quando as forças inferiores triunfam, eis que, em lágrimas, declaram que foram obedecidas as ordens do Altíssimo.

No que condiz, porém, com a atuação do Pai, urge reconhecer que, se há manifestação de sua vontade, há, simultaneamente, objetivo e finalidade que lhe são consequentes.

Programa elevado, sem concretização, é projeto morto.

Deus não expressaria propósitos a esmo.

Em razão disso, afirmou Jesus que vinha ao mundo fazer a vontade do Pai e cumprir-lhe a obra.

Segundo observamos, não se reportava somente ao desejo paternal, mas igualmente à execução que lhe dizia respeito.

Não é razoável permanecer o homem em referências infindáveis aos desígnios do Alto, quando não cogita de materializar a própria tarefa.

O Pai, naturalmente, guarda planos indevassáveis acerca de cada filho.   

É imprescindível, no entanto, que a criatura coopere na objetivação dos propósitos divinos em si própria, compreendendo que se trata de lamentável abuso muita alusão à vontade de Deus quando vivemos distraídos do trabalho que nos compete.


Emmanuel













Joanna de Ângelis - Livro Vida Desafios e Soluções - Divaldo P. Franco - Cap. 2 - Significado do ser existencial - Objetivos da vida humana



Joanna de Ângelis - Livro Vida Desafios e Soluções - Divaldo P. Franco - Cap. 2 - Significado do ser existencial


Objetivos da vida humana


Ninguém se encontraria reencarnado na Terra, não tivesse a existência física uma finalidade superior. O ser é produto de um largo processo de desenvolvimento dos infinitos valores que lhe dormem em latência, aguardando os meios propiciatórios à sua manifestação. Etapa a etapa, passo a passo, são realizados progressos que se fixam mediante os hábitos que se incorporam à individualidade, que resulta do somatório das vivências das multifárias reencarnações.

Erros e acertos constituem recursos de desdobramento da consciência para os logros mais grandiosos da sua destinação, que é a natureza cósmica, quando em perfeita sintonia com os planos e programas do Universo.

Passando o princípio inteligente por diversos patamares do processo da evolução, fixa todas as experiências que lhe constituem patrimônio de crescimento mental e moral, atravessando os períodos mais difíceis e laboriosos da fase inicial, para alcançar os níveis de lucidez que o capacitam a compreensão e vivência dos Soberanos Códigos que regem o Cosmo.

No período do pensamento primário tudo é feito mediante automatismo dos instintos, preservando os fenômenos inevitáveis da vida biológica, de modo a poder desenvolver as faculdades do discernimento sob a força do trabalho brutal, suavizando a própria faina com o esforço das conquistas operadas. Nesse ser primitivo as esperanças cantam as expectativas das glórias futuras. Ele olha o zimbório estrelado e não entende as lanternas mágicas rutilando ao longe, que lhe parece próximo.

A saga da evolução é longa e, por vezes, dolorosa, deixando-lhe sulcos profundos, que noutras fases, sob estímulos inesperados dos sofrimentos, ressurgem como angústia ou violência, desespero ou amargura que não consegue explicar. Constituir-lhe-ão arquétipos a exercerem grande influência no seu comportamento psicológico durante várias existências corporais, assinalando-lhe a marcha ascensional. Mesclam-se, em cada personalidade proveniente das reencarnações, dando surgimento a algumas personificações parasitárias e perturbadoras, que constituem o capítulo das personalidades múltiplas, em forma de comportamentos alienados. A sua evolução psicológica é, também, a mesma antropológica, especialmente nos passos primeiros.

Avançando lenta e seguramente, aprendendo com as forças vivas do Universo, entesoura os recursos preciosos do conhecimento que lhe custou sacrifícios inumeráveis no longo curso das experiências e agora se interroga a respeito da finalidade de todo esse curso de crescimento, descobrindo, por fim, que se encontra no limiar das realizações realmente plenificadoras e profundas, porque são as que significam libertação dos atavismos remanescentes, ampliando as aspirações na área das emoções mais nobres, portanto, menos afligentes, aquelas que não deixam as seqüelas do cansaço, da amargura ou do desânimo.

A criatura está fadada à felicidade, à conquista do Infinito, além das expressões do espaço.

A dor que hoje a comprime é camartelo de estimulação para que saia da situação que propicia esse desagradável fator de perturbação.

Compreendendo, por fim, a grandeza do amor, alça-se às cumeadas do trabalho pelo bem geral, empenhando-se na conquista de si mesma, do seu próximo, da vida em geral. Tudo quanto pulsa e vibra interessa-a, retira-a da pequenez e conduz à grandeza, trabalhando-lhe o íntimo que se expande e se harmoniza em um hino de confraternização com tudo e com todos, passando a fazer parte vibrante da Vida.

Esse significado existencial somente é descoberto quando atinge um grau de elevada percepção da realidade, que transcende o limite da forma física, transitória e experimental que, todavia, pode e deve ser cultivada com alegria e saúde integral.

Não se creia, portanto, equivocadamente, que a finalidade primeira da conjuntura existencial seja viver bem, no sentido de acumular recursos, fruir comodidades, gozar sensações que se renovam e exaurem, alcançando o pódio da glória competitiva e todos esses equivalentes anelos do pensamento mágico, partindo para as aspirações fenomênicas e miraculosas dos privilégios e das regalias que não harmonizam o indivíduo com ele mesmo.

Certamente, na pauta dos objetivos e do sentido existencial, constam as realizações sociais, econômicas, artísticas, culturais, religiosas, todas aquelas que fazem parte do mundo de relações interpessoais. Entretanto, não são exclusivas - metas finais das buscas e das lutas - desde que o ser transpõe os umbrais do túmulo e continua a viver, levando os seus programas de elevação gravados no imo profundo.

Lutar sem fadigas exaustivas por conquistar-se, superando-se quanto possível, enfrentando os desafios com alegria e compreendendo que são os degraus de ascensão diante dos seus passos - eis como incorporará ao cotidiano os objetivos essenciais do seu aprimoramento físico, emocional e mental.


Joanna de Ângelis












Objetivos da vida humana. Conflitos pessoais. Mitos, ilusão e realidade.



André Luiz - Livro Evolução em Dois Mundos - Chico Xavier / Waldo Vieira - 2ª Parte - Cap. 20 - Invasão microbiana



André Luiz - Livro Evolução em Dois Mundos - Chico Xavier / Waldo Vieira - 2ª Parte - Cap. 20


Invasão microbiana


— A invasão microbiana está vinculada a causas espirituais?

— Excetuados os quadros infecciosos pelos quais se responsabiliza a ausência da higiene comum, as depressões criadas em nós por nós mesmos, nos domínios do abuso de nossas forças, seja adulterando as trocas vitais do cosmo orgânico pela rendição ao desequilíbrio, seja estabelecendo perturbações em prejuízo dos outros, plasmam, nos tecidos fisiopsicossomáticos que nos constituem o veículo de expressão, determinados campos de ruptura na harmonia celular.

Verificada a disfunção, toda a zona atingida pelo desajustamento se toma passível de invasão microbiana, qual praça desguarnecida, porque as sentinelas naturais não dispõem de bases necessárias à ação regeneradora que lhes compete, permanecendo, muitas vezes, em derredor do ponto lesado, buscando delimitar-lhe a presença ou jugular-lhe a expansão.

Desarticulado, pois, o trabalho sinérgico das células nesse ou naquele tecido, aí se interpõem as unidades mórbidas, quais as do câncer, que, nesta doença, imprimem acelerado ritmo de crescimento a certos agrupamentos celulares, entre as células sãs do órgão em que se instalem, causando tumorações invasoras e metastáticas, compreendendo-se, porém, que a mutação, no início, obedeceu a determinada distonia, originária da mente, cujas vibrações sobre as células desorganizadas tiveram o efeito das projeções de raios X ou de irradiações ultravioleta, em aplicações impróprias. 

Emerge, então, a moléstia por estado secundário em largos processos de desgaste ou devastação, pela desarmonia a que compele a usina orgânica, a esgotar-se, debalde, na tarefa ingente da própria reabilitação no Plano carnal, quando o enfermo, sem atitude de renovação moral, sem humildade e paciência, espírito de serviço e devotamento ao bem, não consegue assimilar as correntes benéficas do Amor Divino que circulam, incessantes, em torno de todas as criaturas, por intermédio de agentes distintos e inumeráveis, a todas estimulando, para o máximo aproveitamento da existência na Terra.

Quando o doente, porém, adota comportamento favorável a si mesmo, pela simpatia que instila no próximo, as forças físicas encontram sólido apoio nas radiações de solidariedade e reconhecimento que absorve de quantos lhe recolhem o auxílio direto ou indireto, conseguindo circunscrever a disfunção aos neoplasmas benignos, que ainda respondem à influência organizadora dos tecidos adjacentes.

Sob o mesmo princípio de relatividade, a funcionar, inequívoco, entre doença e doente, temos a incursão da tuberculose e da lepra, da brucelose e da amebíase, da endocardite bacteriana e da cardiopatia chagásica, e de muitas outras enfermidades, sem nos determos na discriminação de todos os processos morbosos, cuja relação nos levaria a longo estudo técnico.

É que, geralmente, quase todos eles surgem como fenômenos secundários sobre as zonas de predisposição enfermiça que formamos em nosso próprio corpo, pelo desequilíbrio de nossas forças mentais a gerarem rupturas ou soluções de continuidade nos pontos de interação entre o corpo espiritual e o veículo físico, pelas quais se insinua o assalto microbiano a que sejamos mais particularmente inclinados pela natureza de nossas contas cármicas.

Consolidado o ataque, pela brecha de nossa vulnerabilidade, aparecem as moléstias sintomáticas ou assintomáticas, estabilizando-se ou irradiando-se, conforme as disposições da própria mente, que trabalha ou não para refazer a defensiva orgânica em supremo esforço de reajuste, ou que, por automatismo, admite ou recusa, segundo a posição em que se encontra no princípio de causa e efeito, a intromissão desse ou daquele fator patogênico, destinado a expurgir dela, em forma de sofrimento, os resíduos do mal, correspondentes ao sofrimento por ela implantado na vida ou no corpo dos semelhantes.

Não será licito, porém, esquecer que o bem constante gera o bem constante e que, mantida a nossa movimentação infatigável no bem, todo o mal por nós amontoado se atenua, gradativamente, desaparecendo ao impacto das vibrações de auxílio, nascidas, a nosso favor, em todos aqueles aos quais dirijamos a mensagem de entendimento e amor puro, sem necessidade expressa de recorrermos ao concurso da enfermidade para eliminar os resquícios de treva que, eventualmente, se nos incorporem, ainda, ao fundo mental.

Amparo aos outros cria amparo a nós próprios, motivo por que os princípios de Jesus, desterrando de nós animalidade e orgulho, vaidade e cobiça, crueldade e avareza, e exortando-nos à simplicidade e à humildade, à fraternidade sem limites e ao perdão incondicional, estabelecem, quando observados, a imunologia perfeita em nossa vida interior, fortalecendo-nos o poder da mente na autodefensiva contra todos os elementos destruidores e degradantes que nos cercam e articulando-nos as possibilidades imprescindíveis à evolução para Deus.


André Luiz


Pedro Leopoldo, 29/6/1958.


VÍDEO:

INVASÃO MICROBIANA - 2ª Parte do livro - Capítulo 20


Apresentação: André Luiz Ruiz




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Joanna de Ângelis - Livro Vida Plena - Divaldo P. Franco - Cap. 19 - Nunca desistir



Joanna de Ângelis - Livro Vida Plena - Divaldo P. Franco - Cap. 19


Nunca desistir 
 

Por que razão sofrer indevidamente, sem esperança de alterar o quadro para melhor?

Por que essa fatalidade de tudo que planejo resultar em insucesso?

Qual a razão dos desaires e dos tormentos que nos devoram por dentro, sem perspectiva de uma mudança para melhor?

São muitos aqueles indivíduos cujas existências são uma bênção longa em sucessivas manifestações. Por que comigo é exatamente o oposto?

Qual o significado de tantos desacertos existenciais?

São inúmeras interrogações pessimistas a afligir as pessoas que se encontram distantes da fé religiosa ou a possuem sem estrutura de reflexão e da planificação divina.

A jornada terrestre é um curso de aprendizagem e de aprimoramento na escola humana.

O Espírito possui em germe as excelentes qualidades da perfeição, que se irão manifestando no processo de conquista dos sentimentos e do conhecimento intelectual.

Normalmente, o mecanismo para a depuração exige aflição e dores compreensíveis e de breve duração, enquanto dura o esforço transformador.

Quando há no indivíduo a predominância das energias materiais e dos impulsos primários, esse inevitável trabalho de evolução é sacrificial e a ausência das forças morais empurra-o para a desistência.

Não se pode nem se deve desistir de si mesmo, nem do amor em todas as suas expressões.

Toda e qualquer tentativa redunda em prejuízo de tempo e harmonia pessoal.

Muito fácil desistir-se de atuar na edificação dos valores éticos e espirituais, detendo-se no sofrimento que se pretende evitar.

Todo e qualquer deságio tem o objetivo de promover o ser humano.

Quem hoje desfruta de facilidades iluminativas adquiriu-as nas experiências passadas. Aplicando-as em favor do autocrescimento e da promoção planetária.

Aqueles que defrontam obstáculos e derreiam com facilidade, sentem-se propelidos à desistência da mensagem educadora.

Indispensável repensar-se na finalidade ideal da reencarnação e aproveitar a divina concessão do bem-querer.

Cada atraso, postergando o dever que se apresenta, contribui para ampliar a carga de aflições que serão vivenciadas porque fazem parte das Soberanas Leis.

É equívoco que induz à desistência e a um estado de presunção e de soberba, graças ao qual o indivíduo despreza os dons da Natureza, negando-se o direito de aprendizagem feliz.

Nem sempre aquilo que hoje resulta favorável, depois apresenta facetas-problemas que não foram percebidos no momento do aparente triunfo e eis a presença de resultados perturbadores.

O êxito a que todos aspiram é um acontecimento fortuito que coroa um empreendimento e dá resultados adversos em outra circunstância.

Se um planejamento não logrou os resultados esperados, repete-o de outra maneira.

Verifica onde se encontra o ponto vulnerável ao resultado negativo e realiza-o com outros cuidados. Possivelmente agora as circunstâncias são favoráveis à tua disposição que agora é de firmeza.

Nunca desistas das experiências do bem, mesmo que a custo de labores sacrificiais. Nada do que foi conquistado se perde, servindo de passe para sustentar novas conquistas.

Sempre que te ocorra o desânimo, reage com a esperança e alegria do triunfo porvindouro.

Pequenas e repetidas doses de amargura injustificada empurram para a negação da vida, o suicídio.

O autocídio pode manifestar-se por meio de um surto ou vagarosamente, quando se vai cedendo ao pessimismo, à falta de trabalho.

Desse modo, busca a terapia de ajudar aos outros e serás beneficiado quando compartas, repartas, ofereças ao teu próximo.

O triunfo não é conseguido por uma ocorrência da sorte, do destino, mas de operações muito bem elaboradas desde o Mais-Além antes da investidura carnal.

Vê o Sol dourar a Terra após as mais terríveis tempestades e destruições. Graças a ele, porém, a vida existe, foi criada e se mantém.

Torna-te pequena estrela onde estejas: clareia, ajuda, transmite vida.

Vives hoje e sempre viverás, crescendo mediante o próprio esforço e sob a soberana luz do Sol de Primeira Grandeza, que é Jesus.

Ninguém se permita consumir pela ociosidade, o não feito, o cansaço do Bem.

Quem se permite desistir de algo que parece fácil de executar-se, está fadado a outros prejuízos mais graves.

O indivíduo se acostumou ao jogo fácil do agir, não agir e enfraquece-se cada vez mais até o momento grave e terrível da via física, cometendo o mais hediondo crime que é o suicídio.

Aprende a enfrentar dificuldades e transforma-as em degraus de evolução.

Observa as aves frágeis nas construções dos ninhos, utilizando um material muitas vezes sem resistência e sobrevive a tempestades e situações penosas. Quando são despedaçados, ressurgem noutro lugar sob cuidados que faltaram ao que foi desfeito.

Deus dotou o Espírito com a inteligência para que ele seja cocriador da vida no Universo.

Não desistas de lutar pelo bem-estar e pela arte sublime de viver.

Quem tropeça é porque está de pé e andando.

Sai de um desastre e avança com beleza e otimismo para a glória do aperfeiçoamento.

Não te permitas esmorecer ou acumular o desânimo, quando as tuas realizações derem resultados negativos.

A Natureza nunca deixa de ensinar-nos. Toda vez que é vencida por algum fenômeno infausto, refaz-se lentamente e estua em glória na face da Terra.


Joanna de Ângelis





VÍDEO:

VIDA PLENA#NUNCA DESISTIR-CAP.19






 
Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 23.11.2020, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia. Em 6.1.2023.

segunda-feira, 2 de junho de 2025

André Luiz - Livro Através do Tempo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16 - Aos “Obreiros da Boa Vontade”



André Luiz - Livro Através do Tempo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16


Aos “Obreiros da Boa Vontade”


Meus irmãos:

Jesus nos abençoe.

A obra do Senhor conta com servidores de todas as latitudes, tendências e direções.

Alguns somente cooperam em tarefas que lhes agradem.

São os obreiros caprichosos.

Outros não colaboram, se a multidão dos amigos não lhes observa os esforços.

São os obreiros vaidosos.

Alguns ajudam, segundo as circunstâncias do tempo.

São os obreiros inconstantes.

Vários comparecem, a fim de reparar as contribuições alheias.

São os obreiros levianos.

Diversos colaboram indicando os defeitos dos companheiros.

São os obreiros escarnecedores.

Muitos auxiliam, quando há benefícios imediatos.

São os obreiros oportunistas.

Não poucos surgem no serviço, reclamando as vantagens para o seu círculo pessoal.

São os obreiros egoístas.

Grande parte intervém no trabalho, discutindo direitos e prioridades, privilégios e favores para si ou para aqueles que se lhes façam simpáticos.

São os obreiros apaixonados.

Inúmeros aparecem nos quadros da ação, enganando o tempo e menosprezando-o, recebendo sem dar, desfrutando sem retribuir e absorvendo a luz e a benção sem irradiá-las.

São os obreiros infelizes.

Mas, o Mestre glorifica-se nos cooperadores que não cogitam de prerrogativa e remuneração, que servem onde, como e quando determina a sua Vontade Sábia e Soberana.

São os “Obreiros da Boa Vontade”.


André Luiz











domingo, 1 de junho de 2025

Joanna de Ângelis - Livro O Ser Consciente - Divaldo P. Franco - Cap. 39 - A conquista de si mesmo



Joanna de Ângelis - Livro O Ser Consciente - Divaldo P. Franco - Cap. 39


A conquista de si mesmo


A aquisição da consciência demanda tempo e esforço humano, tornandose o grande desafio do processo da evolução do ser.

Surgem-lhe os pródromos, na fase do instinto, abrindo espaço para a razão, como fenômeno natural do desenvolvimento antropológico-psicológicosocio-lógico da criatura.

O discernimento do bem e do mal, do certo e do errado, e as aquisições ético-morais aparecem, como se fossem o medrar espontâneo da essência divina de que é constituído o Espírito; todavia, o aprimoramento e a profundidade desses valores dependem do empenho, do interesse, das realizações de cada um.

Herdeiro dos arquétipos remotos dos seus antepassados, o indivíduo mantém por atavismos religiosos e culturais a consciência de culpa, especialmente os ocidentais, vitimados pelas heranças judaico-cristãs, no que diz respeito à desobediência de Eva, no paraíso, e ao fratricídio cometido por Caim contra Abel.

A divina punição de Deus pela rebeldia da mulher e pela insensatez do homem, que a seguiu no erro, responde pelo sofrimento que os acicata, assim como a expulsão do criminoso aumenta-lhe a angústia, dando-lhe margem ao ciúme doentio e à raiva, considerando a preferência injustificável de Deus por Abel, cujas oferendas mais O agradavam...

A absurda aceitação literal do texto bíblico, que tem um caráter simbólico, quiçá para demonstrar o momento em que surge a consciência, — quando o ser pode identificar o que deve, daquilo que não lhe é lícito realizar, saindo do automatismo do instinto para a seleção do discernimento racional, representados no mito da Árvore do conhecimento do bem e do mal —devido a interpretações apaixonadas e fanáticas, gerou conflitos que ainda remanescem nas vidas psicologicamente imaturas.

Na fase do instinto, os fenômenos biológicos automáticos não se fazem acompanhar das dores, que são maiores conforme mais seja apurada a sensibilidade, qual sucede na ocorrência do parto, que passou a ser punição divina, tornando a procriação um verdadeiro castigo, fruto ainda da desobediência que, milenarmente, transformou a comunhão sexual em condenável e imunda, do ponto de vista puritano e hipócrita.

Fonte de vida, o sexo é o instrumento para a perpetuação da espécie, não sendo credor de qualquer condenação. O ultraje e a vulgaridade, a nobreza e a elevação amorosa mediante os quais se expressa, dependem do seu usuário e não da sua função em si mesma.Igualmente a arbitrária eleição celeste de um por outro irmão, ambos gerados em circunstâncias iguais, teria que despertar ressentimentos contraditórios, de ciúme e de raiva, no rejeitado, que levariam inevitavelmente ao hediondo fratricídio...

De geração em geração, a criança que se sentia desprezada, desenvolveu esses sentimentos perversos, perturbando o desenvolvimento da consciência e a conseqüente conquista de si mesmo.

Em qualquer atividade, competitiva ou não, o inconsciente desatrela a insegurança infantil, ali adormecida, e surgem os conflitos, a infelicidade, a desconfiança desastrosa.Graças, porém, à reencarnação, o progresso do ser é imperioso, inevitável, e os mecanismos da evolução se expressam, trabalhando-o e promovendo-o a níveis e patamares cada vez mais elevados, até quando o ser, liberto dos conflitos, conquista os sentimentos que canalizará na direção de novas metas, que alcança realizando-se, plenificando-se.

Já não luta contra as coisas, mas luta pelas coisas, que aprende a selecionar e qualificar, abandonando, por superação, as paixões dissolventes e fixando os valores que enobrecem. 

Percebendo-se instrumento da vida, que faz parte da harmonia do Universo, o indivíduo supera a raiva, por ausência do ciúme, e não compete para destruir, mas trabalha para fomentar o progresso, no qual se engaja e se realiza.A conquista de si mesmo resulta, portanto, do amadurecimento psicológico, pela racionalização dos acontecimentos, e graças às realizações da solidariedade, que facultam a superação das provas e dos sofrimentos, os quais passam então a ter um comportamento filosófico dignificante — instrumentos de valorização da vida — ao invés de serem castigos àculpa oculta, jacente no mundo íntimo. 

A libertação dessa consciência doentia facilita o entendimento do mecanismo da responsabilidade no comportamento que estabelece o lema: A cada um conforme os seus atos, segundo ensinou o Terapeuta Galileu. 

Senhor do discernimento, o homem descobre que colhe de acordo com o que semeia, e que tudo quanto lhe acontece, procede, não tendo caráter castrador ou punitivo. Sente-se emulado a gerar novos futuros efeitos, agindo com consciência e produzindo com eqüidade. Tal conduta proporciona-lhe a alegria que provém da tranquilidade da realização, considerando que sempre é tempo de reparar, e postergação é-lhe prejuízo para a economia da sua plenificação. 

O homem que se conquista supera os mecanismos de fuga, de transferência de responsabilidade, de rejeição e outros, para enfrentar-se sem acusação. sem justificação, sem perdão. 

Descobre a vida e que se encontra vivo, que hoje é o seu dia, utilizando-o com propriedade e sabedoria. Não tem passado, nem futuro, neste tempo intemporal da relatividade terrestre, e a sua é uma consciência atual, fértil e rica de aspirações, que busca a integração na Cósmica, que já desfruta, vivendo-a nas expressões do amor a tudo e a todos intensamente. 

A conquista de si mesmo é lograda mediante o querer. 

Jesus afirmou que se poderia fazer tudo quanto Ele fez, se se quisesse, bastando empenhar-se e entregar-se à realização. Para tanto, necessário seria a fé em si mesmo, nos valores intrínsecos, que seriam desenvolvidos a partir do momento da opção. 

Francisco de Assis, o santo, assim quis e o conseguiu. 

Apóstolos do bem, da ciência e da fé, do pensamento e da ação quiseram, e o lograram. 

Homens e mulheres anônimos entregaram-se aos ideais que lhes vitalizaram as existências e, superando-se, autoconquistaram-se. 

A conquista de si mesmo está ao alcance do querer para ser, do esforçar-se para triunfar, do viver para jamais morrer...


Joanna de Ângelis