quinta-feira, 5 de junho de 2025

Hammed - Livro Um Modo de Entender - uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 44 - A religião natural



Hammed - Livro Um Modo de Entender - uma nova forma de viver - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 44


A religião natural


“Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (I Coríntios, 3:16).

Uma das descobertas fundamentais do Dr. Carl Gustav Jung é a do inconsciente coletivo ou psique arquetípica.

A expressão inconsciente coletivo, segundo o conceito junguiano, é uma herança psicológica, um tipo de memória da raça ou da espécie, onde se encontram conteúdos de estrutura psíquica, padrões universais ou arquétipos (do grego archétypon – “o que é impresso desde o início”) existentes na intimidade de todos os seres humanos.

De acordo com suas teorias, há no inconsciente coletivo vários arquétipos, mas existe um, central e fundamental, que tem a função de unificar e reconciliar todos os outros e de reequilibrar todo o governo psíquico (consciente e inconsciente). Ele o denominou de Self ou Si-mesmo.

Ele é descrito como a autoridade mental suprema, e equivale à imago Dei. O Self é a sede da identidade objetiva, enquanto o ego é a sede da identidade subjetiva – o centro da personalidade consciente.

O Self contém em si tanto o consciente quanto o inconsciente e mantém o ego sob seu comando. Há outros nomes associados ao Si-mesmo: eixo central, totalidade criativa, centro da psique e união dos opostos. Podemos dizer que ele é o ponto onde Deus e o homem se encontram.

Jung afirmava que a religiosidade tem também uma função psíquica. Os arquétipos do inconsciente coletivo têm força e valores equivalentes aos pontos fundamentais ou princípios religiosos.

Quando Jung fazia menção à religião, não se reportava a um credo ou igreja especificamente. O que ele tinha em estudo era o comportamento religioso, o conteúdo da religiosidade no processo psíquico.

Na sua obra científica, ele se refere à religiosidade como um fenômeno universal encontrado desde os tempos mais antigos em cada grupo étnico, raça ou povo.

“Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas”, afirma Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”1.

Podemos dizer, sobre a existência de Deus, que há um “sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si”2. A religiosidade apresenta-se como fenômeno natural.

Para Jung, a imagem arquetípica de Deus se encontra no Self, cuja principal função é levar as emanações e efeitos da imago Dei à mente consciente do indivíduo.

No seu trabalho de analista, observou uma dimensão transpessoal que se manifesta em padrões ou imagens universais, os quais podem ser identificados em todas as mitologias e religiões do mundo.

Não são poucos os que ainda entendem a existência de Deus de forma simplista e bem estreita, adorando ídolos como sen vivessem na era mosaica ou na Idade Média.

É preciso nos inteirarmos de todas as áreas científicas, interagir no universo de todas as realidades filosóficas, uma vez que elas podem contribuir consideravelmente com a religião. Tudo provém de Deus, “pois nele vivemos, nos movemos e existimos”3.

“A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra, as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra”4.

Disse Albert Einstein: “A minha religião consiste numa admiração humilde ao Espírito Supremo e Ilimitado, que se revela a si mesmo nos mínimos pormenores, que estamos aptos a captar com as nossas fracas mentes e com profunda certeza de um Poder Superior, que se revela universal”.

A religião do futuro será reconhecida como uma realidade interna, será vivenciada individualmente pela criatura que superou o “ser religioso” e desenvolveu em si o “ser religiosidade”.

Como toda atividade psíquica, a religiosidade é suscetível de ser aprimorada, assimilada e investigada ou, também, de ser depreciada, adulterada e restringida. No entanto, sua força energética se manifesta de uma forma ou de outra e procura dar vazão, utilizando as mais variadas vias de expressão. Esse fenômeno de escoamento energético surge de modo inesperado e surpreendente, elegendo os deuses da música, do teatro, do cinema, do futebol e outros tantos.

Uma das maneiras de o conteúdo religioso se anunciar é por meio dos símbolos; aliás, a simbologia é a linguagem mais usada pelas antigas religiões.

Em muitas ocasiões, no lugar das imagens sacras e altares consagrados, surgem pessoas, objetos e componentes simbólicos,


Hammed 







1 “O Livro dos Espíritos”, Questão 6.
2 “O Livro dos Espíritos”, Questão 5
3 Atos, 17:28.
4 “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Capítulo I – Não vim destruir a lei – Aliança da Ciência e da Religião.




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