quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Prefácio - Obrigado, Senhor!



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Prefácio


Obrigado, Senhor! 


Leitor amigo: este livro, gravitando em torno de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, cujas consolações e raciocínios pretende palidamente refletir, não tem outro objetivo senão convidar-nos ao estudo das sempre novas palavras de Cristo.

Muitos homens doutos falaram delas, através do tempo e alguns deles, decerto com a melhor intenção, alteraram-lhes, de algum modo, o sentido, para acomodá-las aos climas sociais e políticos em que vivem. 

“Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes do Céu”, entretanto, voltaram a interpretá-las, em sua expressão pura e simples, reafirmando-nos que, hoje quanto ontem, é possível a cada um de nós ouvir Jesus, no âmago da alma, a repetir-nos com segurança: “aquele que me segue não anda em trevas.” 

Das Esferas superiores, tornaram os mensageiros da Providência Divina, asseverando que Ele vive para sempre, junto de nós, sem desesperar de nossas fraquezas… 

Mestre abnegado, repete, indefinidamente, a mesma lição milhares de vezes; orientador, dá-nos serviço e aponta-nos o rumo certo na estrada a palmilhar; amigo, compreende-nos as faltas e incorreções sem privar-nos de auxílio; companheiro, caminha conosco, alentando-nos os sonhos, multiplicando-nos as alegrias das horas sem nuvens e enxugando-nos as lágrimas, nos dias de provação e desalento, sem humilhar-nos a pequenez.

Peregrinos da evolução, que todos ainda somos, — os que lutamos por regenerar-nos, melhorar-nos e aprimorar-nos na Terra, na condição de encarnados e desencarnados, — ouçamos, com Allan Kardec, a explicação clara dos princípios evangélicos, que nos certificam de que ninguém está desamparado, que todos os homens são filhos de Deus e que nenhum está órfão de consolação e ensinamento, desde que se apresente nas fontes vivas da Boa Nova, de espírito renovado e coração sincero!…

É por isso, leitor amigo, que em nos associando aos teus anseios de sublimação, que se nos irmanam na mesma trilha de necessidade e confiança, diante do Primeiro Centenário do O Evangelho segundo o Espiritismo, nós te rogamos permissão para nomear este livro despretensioso de servidor reconhecido, como sendo Livro da Esperança.

Obrigado, Senhor!

Há um século, convidaste Allan Kardec, o apóstolo de teus princípios, à revisão dos ensinamentos e das promessas que dirigiste ao povo, no Sermão da Montanha, e deste-nos “O Evangelho segundo o Espiritismo”.

Desejavas que o teu verbo, como outrora, se convertesse em pão de alegria para os filhos da Terra e chamaste-nos à caridade e à fé, para que se nos purificassem as esperanças nas fontes vivas do sentimento.

Mensagens de paz e renovação clarearam o mundo!

Diante das tuas verdades que se desentranharam da letra, abandonamos os redutos de sombra a que nos recolhíamos, magnetizados por nossas próprias ilusões, e ouvimos-te, de novo, a palavra solar da vida eterna!…

Agradecemos-te esse livro, em que nos induzes à fraternidade e ao trabalho, à compreensão e à tolerância, arrebatando-nos à influência das trevas, pela certeza de tuas perenes consolações…

Obrigado, Senhor, não somente por nós, que devemos a essas páginas as mais belas aspirações, nas tarefas do Cristianismo Redivivo, mas também por aqueles que as transfiguraram em bússola salvadora, nos labirintos da obsessão e da delinquência; pelos que as abraçaram, quais âncoras de apoio, em caliginosas noites de tentação e desespero; por aqueles que as consultaram, nos dias de aflição e desalento, aceitando-lhes as diretrizes seguras nas veredas da provação regenerativa; pelos que as transformaram em bálsamo de conforto e paciência, nos momentos de angústia; pelos que ouviram, junto delas, o teu pedido de oração e de amor a bem dos inimigos, esquecendo as afrontas que lhes retalharam os corações; pelos que as apertaram, de encontro ao peito, para não tombarem asfixiados pelo pranto da saudade e da desolação, à frente da morte; e por todos aqueles outros que aprenderam com elas a viver e confiar, servir e desencarnar, bendizendo-te o nome!…

Oh! Jesus! No luminoso centenário de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, em vão tentamos articular, diante de ti, a nossa gratidão jubilosa!… Permite, pois, agradeçamos em prece a tua abnegação tutelar e, enlevados ante o Livro Sublime, que te revive a presença entre nós, deixa que te possamos repetir, humildes e reverentes:
— Obrigado, Senhor!…


Emmanuel


Uberaba, 18 de abril de 1964.




VÍDEO: 

Luminosa cúpula - Artur Valadares 





Palestra realizada no dia 07/07/2024 durante a 51ª Feira do Livro Espírita de Ribeirão Preto/SP.

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Neio Lúcio - Livro Irmãos Unidos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 3 - Além da Terra



Neio Lúcio - Livro Irmãos Unidos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 3



Além da Terra


A transposição de Plano para a nossa mente é muito morosa, considerando as necessidades de preparação que nos cabe, à frente da vida superior.

Só a grande vida merece a grande morte.

Além da carne, não há libertação para quem não se liberta. O trabalho é desconhecido para quem não trabalha.

A Vida abundante, com relação à qual, tão claro foi Jesus nas lições da Boa Nova, apenas se revela ao coração que se devotou à vida intensa na prática do bem, desde aí.

A união espiritual é uma luz somente para aquele que, ainda na carne, a procura.

A nossa Esfera aqui é, sobretudo, de continuação ao que, aí, teve começo.

No Círculo físico, as possibilidades de iniciar ou reiniciar são imensas. Aqui, porém, pelo menos nas atividades vizinhas da Crosta Planetária, a lembrança, a memória e a ligação mental impõem prosseguimento.

Assim sendo, tudo aqui é sono ou semi-inconsciência para quem não despertou para o trabalho ativo na matéria densa; desagrado para quem somente tratou de agradar-se no campo emocional menos construtivo do corpo; angústia para quem não exercitou a paciência, atenuando as próprias aflições e desânimo ou perturbação para quem não aceitou os benefícios da luta ou entravou a marcha dos que buscavam lidar e lutar com nobreza.

Tudo lógico, vivo, natural. Nem poderia ser de outro modo. Se vocês não criarem interesse de elevação espiritual para a “Terra Próxima”, o domicílio do Além será menos interessante que a “Terra de Agora” para vocês.

É necessário reconhecer que os irmãos se encontram armados, na arena carnal, para muitas e valiosas conquistas.

Quem mais realizar com o bem, mais aquinhoado de dons divinos será fatalmente pelas forças que o representam.

Não se esqueçam de que pensamento e ação simbolizam sementeira e crescimento. Os dias se encarregam de amadurecer os frutos, de acordo com a nossa plantação.


Neio Lúcio













Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 56 - Ouçamos uns aos outros



Batuíra - Livro Mais Luz - Chico Xavier - Cap. 56


Ouçamos uns aos outros


Suspiramos pelo ensejo de viver inalteravelmente reunidos como sendo uma família só… e nas horas em que nos vemos sozinhos sofremos e nos desgastamos.

Em semelhantes minutos a sombra aparece e com a sombra vão chegando os que moram dentro dela, suscitando-nos pensamentos sombrios de tristeza e desânimo.

Lutemos contra isso. Abramos os nossos corações sinceros, como sempre, uns aos outros, e ouçamo-nos uns aos outros com entendimento e com amor.


Batuíra













Emmanuel - Livro Neste Instante - Chico Xavier - Cap. 3 - Indagações da vida



Emmanuel - Livro Neste Instante - Chico Xavier - Cap. 3


Indagações da vida


A Terra, de certo modo, assemelha-se a um palco imenso sobre o qual nós outros, as criaturas de Deus, somos os atores na peça que nos cabe representar, com o objetivo de aprender a amar e a servir.

A realidade permanece, na Vida Espiritual, na retaguarda dos bastidores, para onde todos volvemos, um dia, para a verificação dos nossos acertos e desacertos no trabalho realizado.

Os ensinamentos religiosos, em si, constituem o ponto, orientando o comportamento dos atores em cena.

Nesta exposição sintética, esboçamos uma resposta às indagações do cotidiano, na experiência física.

Por que existem pais em antagonismo com os filhos?

Por que se desfazem matrimônios respeitáveis, sob o pretexto de que terá secado a fonte da afeição de um cônjuge para com o outro?

Por que se esfria o devotamento entre pessoas que se estimaram durante longo tempo de convivência?

Por que determinadas mães, contrariamente aos princípios da natureza, enjeitam os próprios filhos?

Por que o ódio entre irmãos consanguíneos que se amavam enternecidamente na infância e não mais se suportam, na posição de adultos?

Por que aparecem criaturas que detestam a família em que nasceram?

Debalde se improvisam teorias, à base do materialismo, para a definição de semelhantes fenômenos.

Só a reencarnação possui lógica suficiente para explicá-los. E unicamente as lições do Cristo são claras na orientação da existência de cada um, a fim de que não venhamos a perder o ensejo de aprender a paciência e a renúncia, a humildade e a compreensão, a tolerância e a brandura construtiva, em regime de reciprocidade, na conquista do Amor.


Emmanuel














Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Léon Denis - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 16 - Fraternidade, Fraternidade!



Léon Denis - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 16


Fraternidade, Fraternidade!


No momento em que o homem terreno realiza uma pausa na corrida armamentista para sondar os espaços infinitos; no instante em que as experiências espaciais coletam dados antes imensuráveis e informações preciosas; na hora em que a Terra experimenta sofregamente, a dissolução dos costumes e uma dor angustiante se espalha por todos os quadrantes, conclamando as personalidades esquizoides ao suicídio e a posições inomináveis no campo da personalidade; no período em que as guerras calamitosas abrem as fauces hiantes, dilacerando as estruturas sociais da Civilização e exaurindo as inesgotáveis fontes de confiança do espírito humano; quando a Ciência atinge as mais elevadas manifestações do conhecimento tecnológico e o homem, simultaneamente, caminha obumbrado pelos corredores da amargura, retido ainda nos bastiões da ignorância e da loucura, merece que façamos uma análise dos acontecimentos da História Universal, e, fazendo-a, recordemos as epopeias que se desenrolaram às margens dos rios que foram matrizes das nobres culturas da antiguidade Oriental: o Nilo, o Tigre, o Eufrates, que prosseguem no ritmo multimilenário" das suas águas, lambendo os alicerces das cidades do passado, que pareciam fadadas à Eternidade e sucumbiram, seguindo modorrentas, lavando as pedras que se desconjuntaram das grandes construções ou que mergulharam no hoje fantástico açude, em Assuã, quase não mais evocando a memória semimorta dos povos pretéritos que, então, retornam à nossa mente indagadora: assírios e babilônios, os que viveram na opulência de Nínive ou na grandeza da Média, da Pérsia, como nos colossos do Egito, com as suas cidades faustosas, sejam Alexandria ou Mênfis caracterizadas pelo poder e pela abundância, transformadas em metrópoles que pareciam desafiar a posteridade dos tempos e o suceder dos espaços... E com elas lembramos os construtores de Impérios e os vencedores de exércitos que comandaram tropas sanguinárias, para serem vitimados logo após pela própria irracionalidade de propósitos, como sucedeu a Dario e Assurbanipal, aos Salmanaser e a Baltazar, a Nabucodonosor e Hamurabi, aos dois Sargãos e aos gloriosos dominadores das semi-eternas dinastias egípcias, que duraram um dia, mas de cuja glória somente as pedras talhadas guardam descoloridas impressões refletidas nas gastas efígies que o passar ininterrupto dos tempos, em vendavais contínuos, como o atritar incessante das areias em convulsões no intérmino das eras, modificaram profundamente.
 
Recordamos as glórias dos seus estados títeres e depois o desertar dos povos que os abandonaram, transformando-os em cidades mortas, — advertências graves à história do futuro nos seus fundamentos inabordáveis e raramente aproveitados! — Atingimos, pelo pensamento, as civilizações mediterrâneas da Europa, alcançamos o Egeu e evocamos a grandeza da Hélade, para logo após revermos Roma diante do Tirreno, recém saída do Lácio, e sentir-lhe as conquistas fabulosas que, da península Itálica à Ibérica se transformaram em matrizes de novas culturas, dando origem a cidades que se converteram em amontoados tristes, com as vidas fanadas, sejam essas originadas nas imensas e longínquas estepes nevadas ou hajam descido das cordilheiras quase inacessíveis, como consequência dos exércitos de Alexandre, o macedônio, ou remanescentes de Cambises, o persa, ou hajam surgido com os grandes conquistadores mongóis e bárbaros, rastreadas de sangue, cobertas de cinzas, sepultadas em lama ou afogadas pelos rios das lágrimas, vítimas dos impulsos, sob cujo guante caíram, no furor das loucuras dominadoras de um momento, passando a intérminas aflições de muitas gerações.

Rememoramos, também, o esforço da Cultura, tentando libertar-se da ignorância medieval, para estabelecer o empirismo indagador, a espocar logo depois, no renascimento das ideias e das artes, abrindo à História novos fastos e novas glórias que culminaram na Revolução da França, quando se pretenderam estabelecer os "direitos do homem" e proclamarem os ideais consubstanciados na liberdade, que é a lei da Vida, na igualdade, que é materialização daqueles Direitos humanos e na fraternidade, que é o corifeu das duas outras, a fim de sentir o eclodir das paixões que gritavam nas tubas vitoriosas de Napoleão e foram desmoralizadas pelo Carbonário, mais tarde, ao trair os ideais da República através do restabelecimento da decaída Monarquia...

Relembramos os colossos e aflições das lutas intérminas pela hegemonia dos Estados Italianos, pela reorganização da Prússia, pelas ambições, dos Estados Latinos e Anglo-Saxônicos para, nesta atualidade, rever a Humanidade dividida novamente em três grandes blocos decorrentes do egoísmo dominador: subdesenvolvida, desenvolvida e terceiro mundo, na vã, qual louca correria da dominação totalitária para estabelecer na Terra o estágio da posse bélica, tão transitória quanto as expressões da vaidade que perpassa como quadra primaveril e morre no entanguido da realidade do Tempo.

Somos, então, impulsionados a recordar Jesus, o Esteta da Fraternidade legítima, sulcando o solo dos corações e plantando na terra do amor os pilotis do santuário da compreensão humana, instaurando de logo o Reino da Tolerância, tendo como alicerce a Manjedoura da humildade e como ápice os braços rasgados de uma cruz de infâmia, formando todo um cendal de estrelas para aqueles que aspiram à imortalidade e à vida.

Ainda aí, todavia, evocamos mil disputas humanas, as "guerras de Religião" que ocultavam, nas suas manifestações intestinas, as ambições cruéis da política ultramontana dos homens, sempre ávidos pelas posições de destaque e do relevo mentiroso que se esfunam e convertem em cinzas da ilusão, como resultado do fogo desaparecido, ora reminiscências amargas...

Despertamos hoje, porém, em pleno fastígio do Espiritismo cristianizante que recoloca as balizas do período da fraternidade ideal no mundo de angústias, dando início à era do amor precioso para a elaboração verdadeira da felicidade no país desconhecido dos corações.

Diante das conquistas inabordáveis do homem, homem que já se fez hóspede inusitado do satélite pardo-acinzentado da Terra, somos constrangidos a reconhecer a vitória do engenho humano sobre as barreiras antes intransponíveis do seu habitat e simultaneamente verificamos a inexequibilidade das suas conquistas face às ambições desvairadas que o governam e as pretensões de transformar, talvez, Celene, dantes sonhadora em base míssil, para atacar os países ditos adversários, que se anteponham às ambições totalitárias dos governos arbitrários e loucos, que sempre sonham com Estados Moloques, cujas rédeas desejam reter nas mãos inábeis e nos espíritos furiosos.

Repetimos: Fraternidade, Fraternidade!

Disputavam antes o teu nome girondinos e jacobinos e proclamavam-te Robespierre e Danton, Marat e Condorcet, nos dias da loucura e do Terror, fazendo que silenciasses a voz sob o caudal de sangue que corria da arma de Joseph-Ignace Guillotin. Sobreviveste, porém, e cantas aos ouvidos do mundo a epopeia idealista dos dias de amanhã. Quando, cansado e sofrido, o espírito humano compreender que é necessário amar, que a evolução depende do conhecimento mas também de ti, então voltarás triunfalmente à Terra de todos para abraçares os homens numa só família. Nessa hora, o Rei Apoteótico e Singular, vencedor da sepultura vazia e da morte, cantará aos ouvidos do mundo a melodia do gozo decorrente da paz em pleno milênio de luz, que já agora amanhece, não obstante o crepúsculo profunda que experimentamos através de dores ásperas.

... E para que não tardem as primeiras claridades do empreendimento sublime e do entendimento entre os homens, dêmo-nos as mãos como elos preciosos da corrente da vida, onde quer que estejamos, vivendo a Fraternidade de agora: na célula da família ou no organismo da sociedade onde mourejamos, para que ela possa agigantar-se por toda a Terra partindo de nós, os cristãos novos que, acreditando na Imortalidade vivemos desde hoje, mediante o intercâmbio puro e santo entre as duas esferas da vida, bendizendo o nome Fraternidade, Fraternidade!, e esparzindo amor. 


Léon Denis








- Moloque, Moloc ou Moloch é o deus ao qual os amonitas, uma etnia de Canaã (povos presentes na península arábica e na região do Oriente Médio), cultuavam. Também é o nome de um demônio na tradição cristã e cabalística. 
- "fauces hiantes" é um recurso linguístico utilizado para transmitir a voracidade da miséria e a fome resultante das desigualdades sociais.
- "Esteta" pessoa que professa o culto do belo.
- "Pilotis" é um conjunto de colunas que sustentam uma obra.



sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Bezerra de Menezes - Livro Queda e ascensão da Casa dos Benefícios - Chico Xavier - 2ª Parte - Cap. 4 - Orientando os médiuns



Bezerra de Menezes - Livro Queda e ascensão da Casa dos Benefícios - Chico Xavier - 2ª Parte - Cap. 4


Orientando os médiuns


De mensagem recebida em 11.07.1952

O programa dos mediadores dedicados à luz divina entre as sombras humanas revela itens de sacrifícios a que nenhum trabalhador bem orientado poderá fugir: trabalhar sem recompensa, amparar a todos; servir sem pruridos de personalismo; humilhar-se para que a bondade do Alto seja devidamente exaltada; apagar-se a fim de que a lâmpada do Senhor brilhe com mais ampla intensidade em nosso roteiro pessoal; desdobrar as ações do bem e intensificá-las em todas as direções; semear com o Cristo sem desânimo; abrir os celeiros do coração para a fome de entendimento que devora os nossos irmãos da Terra; consagrarmo-nos de modo absoluto à felicidade alheia para recolher, com isso, a própria felicidade, são atitudes e medidas, determinações e bênçãos que precisamos sustentar, para que a luz do Céu encontre ressonância dentro de nós.

Pacificando os desejos e caprichos de nosso “eu”, ajustando-nos aos celestes desígnios, a sabedoria do Alto encontrará, em nossas energias, a instrumentalidade indispensável à manifestação do Senhor, onde respirarmos; e trabalhando com assiduidade e carinho, instalaremos a obra de reestruturação dos próprios destinos, à frente do porvir.

Vigiemos, assim, meus amigos, acendendo, cautelosamente, a lâmpada singela da humildade para que o tempo não se escoe vazio, nas nossas mãos necessitadas de boas obras.


Bezerra de Menezes












Miramez - Livro Médiuns - João Nunes Maia - Pág. 147 - Almas Afins



Miramez - Livro Médiuns - João Nunes Maia - Pág. 147


Almas Afins 


"Diariamente perseveraram unânimes no templo, partiam pio de casa em casa, e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração". Atos — Cap. 2, v. 46

Desde o princípio que Jesus se preocupou em reunir almas afins para seu apostolado de amor. Basta olhar para a natureza e notaremos analogia em tudo. A força que liga as coisas iguais é a do amor, argamassa divina que nos prende mais acentuadamente aos nossos iguais. E ê nesta conjunção por aliança que se destampa o clima da harmonia. As reuniões em um templo não deixam de ser também para estreitar laços de afeições na diligente força da fraternidade.

O Cristo, o maior dentre os homens em inteligência, escolheu, para seu rebanho mais íntimo, doze discípulos altamente afinados entre si e famintos pela sabedoria espiritual. O Mestre despejava sobre eles uma profusão de luzes nunca antes conhecida por homens da Terra. E eles se alimentavam e viviam com essas bênçãos celestiais. Para assegurar esta afirmação, escutemos Paulo, Coríntios, capítulo 10, versículo 3: "Todos eles comeram de um só manjar espiritual". Cada um dos apóstolos era como que um transformador dos tesouros evangélicos, computando riquezas do plano maior, e despejando-as em quem quer que fosse, desde que tivesse sede de amor e fome de justiça. Não obstante, necessário se fazia que houvesse entre os companheiros de Jesus homogeneidade de sentimentos, para que reinasse nos trabalhos de difusão da Boa Nova um ambiente nunca sentido por seres humanos e que prendesse as criaturas, por vicejar paz para quem cultivasse os preceitos disseminados por aquele punhado de homens, que se chamavam cristãos. E o interesse maior desses homens renovados em Cristo era fazer conhecer o Messias.

Podemos dizer que o Evangelho é uma constelação de ideias, orientadas pela singeleza do amor, na mais pura ciência da vida. E o mundo, já cansado e oprimido pelas estreitezas dos conceitos humanos, explodia em guerras, pestes e fomes, como se fosse a própria natureza orando ao criador, pedindo socorro. E Ele veio, na promessa de Isaías e em muitas das profecias antigas. Jesus Cristo foi a resposta divina, como consolo, instrução e amor, ampliando a justiça de Moisés para uma conceituação de fraternidade universal, colocando em meio ao "dente por dente", a misericórdia, e fazendo do deprimente estado de pecado, oportunidade para todos se redimirem pelo trabalho que o perdão inspirasse. Jesus é, por assim dizer, um mistério, dentre os mistérios da vida, porque onde não existe afinidade, Ele estimula a simpatia, e onde há escassez de amor, Ele ensina a caridade.

Médiuns! Escutai esta verdade: almas que se afinam em todas as múltiplas variedades do bem para com os outros criam lastros de riquezas imperecíveis, tornando-se doadores, sem que nunca falte o amor que oferecem. A mediunidade precisa da sabedoria tanto quanto do amor. São dois pilares que não podem faltar na casa biológica onde reside o santo e o sábio, e certamente o místico, pois todos os anjos amam a sabedoria. Nós fomos feitos para estarmos ligados uns aos outros. A vida é unidade: o que nos falta é lembrar que somos irmãos de tudo e de todos, e fazer a nossa parte com aproximação por alegria e confraternização por prazer. Vejamos o exemplo dos apóstolos:

"Diariamente perseveraram unânimes no templo, partiam pão de casa em casa, e tomavam suas refeições com alegria e singeleza de coração"


Miramez