quinta-feira, 6 de julho de 2023

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 24 - Aparências



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 24


Aparências


A árvore que produz maus frutos não é boa, e a árvore que produz bons frutos não é má; porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto. Não se colhem figos dos espinheiros e não se cortam cachos de sobre as sarças..." (Lc 6, 43 - 44)


Fugimos constantemente de nossos sentimentos interiores por não confiarmos em nosso poder pessoal de transformação e, dessa forma, forjamos um "disfarce" para sermos apresentados perante os outros.

Anulamos qualquer emoção que julgamos ser inconveniente dizendo para nós mesmos: "eu nunca sinto raiva", "nunca guardo mágoa de ninguém", vestindo assim, uma aparência de falsa humildade e compreensão.

Máscaras fazem parte de nossa existência, porque todos nós não somos totalmente bons ou totalmente maus e não podemos fugir de nossas lutas internas. Temos que confrontá-las, porque somente assim é que desbloquearemos nossos conflitos que são as causas que nos mantêm prisioneiros frente à vida.

Devemos nos analisar como realmente somos.

Nossos problemas íntimos, se resolvidos com maturidade, responsabilidade e aceitação são ferramentas facilitadoras para construirmos alicerces mais vigorosos e adquirirmos um maior nível de lucidez e crescimento.

Nunca, porém, mantê-los escondidos de nós próprios, como se fossem coisas hediondas, e sim, aceitarmos essas emoções que emergem do nosso lado escuro, para que possamos nos ver como somos realmente.

Por não admitirmos que evoluir é experimentar choques existenciais e promover um constante estado de transformação interior é que, às vezes, deixamos que os outros decidam quem realmente nós somos, colocando-nos, então, num estado de enorme impotência perante nossas vidas.

A maneira de como os outros nos percebem tem grande influência sobre nós mesmos. Amigos opressores, religiosos fanáticos, pais dominadores e cônjuges inflexíveis podem ter exercido muita influência sobre nossas aptidões e até sobre nossa personalidade.

Portanto, não nos façamos de superiores, aparentando comportamentos de "perfeição apressada": isso não nos fará bem psiquicamente e nem ao menos nos dará chance de fazermos autoburilamento.

Deixemos de falsas aparências e analisemos nossas emoções e sentimentos, burilando-os e canalizando nossas energias, fazendo delas uma catarse dos fluxos negativos e transmutando-as a fim de integrá-las adequadamente.

Aceitar nossa porção amarga é o primeiro passo para a transformação, e nunca fugirmos para novo local, emprego ou novos afetos, porque isso não nos curará do sabor indesejável, mas somente nos transportará a um novo quadro exterior. Os nossos conflitos não conhecem as divisas da Geografia e, se não encarados de frente e resolvidos, eles nos acompanharão e estarão conosco onde quer que estejamos na Terra.

Para que possamos fazer alquimia das correntes energéticas que circulam em nossa alma, façamos autobservação e autoanálise de nossa vida interior, sem jamais negá-la a nós mesmos.

Lembremo-nos que, por mais que se esforcem as más árvores para parecerem boas, mesmo assim elas não produzirão bons frutos. Também os homens serão reconhecidos, não pelos aparentes "frutos", não por manifestarem atos e atitudes mascarados de virtudes, mas sim, por serem criaturas resolvidas interiormente e conscientes de como funciona seu mundo emocional.

Somente pessoas providas dessa atitude estarão aptas a serem árvores produtoras de frutos realmente bons.


Hammed












André Luiz - Livro Ideal Espírita - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 78 - No curso da vida



André Luiz - Livro Ideal Espírita - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 78


No curso da vida


Exemplifique o bem desinteressado.
Os nossos atos demonstram a proximidade ou a distância em que vivemos da Lei Divina.

Viva com alegria.
O presente já faz parte de nossa vida imortal.

Pondere cada atitude.
Tanto é difícil saber fazer quanto saber não fazer.

Evite o isolamento sistemático.
Somos peças integrantes do ambiente em que existimos.

Entenda a função da posse efêmera.
Nem a riqueza e nem a privação expressam virtude.

Não fuja ao começo.
A caridade corrige qualquer erro.

Estude incansavelmente.
Alcançar novos conhecimentos é formular novas indagações.

Cultive confiança.
Com temor não há progresso.

Seja paciente na dor.
Crise, muitas vezes, é o nome que aplicamos à transformação do mal em bem.

Amolde-se aos padrões do Evangelho.
Na essência, o mundo atual permanece quase o mesmo da época de Jesus.


André Luiz










(Psicografia de Waldo Vieira)
Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

Emmanuel - Livro Busca e Acharás - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier - Cap. 42 - Compadece-te dos teus



Emmanuel - Livro Busca e Acharás - Emmanuel / André Luiz - Chico Xavier - Cap. 42


Compadece-te dos teus


A nossa petição pode parecer estranha: “compadece-te daqueles que mais amas”.

Entretanto, o apelo não pode ser outro naquilo que pretendemos dizer, porquanto, no Plano Físico, não raro, externamos a capacidade afetiva com enorme peso de autoridade.

Compadece-te de teus pais no mundo.

Nem sempre pairam eles na altura espiritual que desejas. Doaram-te, no entanto, o corpo em que vives. Protegeram-te carinhosamente na infância. E se não puderam sustentar a harmonia recíproca ou se foram defrontados por lutas e conflitos que se viram incapazes de sobrestar, amas, mesmo assim, fora de exigências e críticas, porque também eles se acham a caminho do Entendimento Maior.

Compadece-te de teus filhos.

Se não conseguiram abraçar experiências semelhantes às tuas ou se não dispõem de recursos para te concretizarem os planos de família é que carregam no mundo encargos diferentes. Amas na estrutura espiritual com que te vieram aos braços, conforme as induções das Leis Divinas e libertas de qualquer cativeiro afetivo, conquanto auxiliando-os tanto quanto se te faça possível, para que se realizem nas tarefas que trouxeram de novo à existência.

Compadece-te dos familiares e dos amigos.

Embora te respeitem e te estimem, no curso de muitas ocasiões, encontram empeços e tribulações que desconheces. E, em muitos casos, precisam de tua paz a fim de que se entrosem no campo de determinadas obrigações.

Compadece-te dos corações queridos a que te vinculas.

Apesar do imenso afeto que te consagram, em certos lances da estrada humana, são eles chamados a resgates e provas, por vezes difíceis, e de que nem sempre se desvencilham senão com largas coberturas de trabalho e de tempo.

Amar é servir, compreender, auxiliar, abençoar, libertar…

Que o teu amor seja paz e vida, alegria e esperança naqueles a quem ofertas dedicação e carinho.

Não te permitas entravar os passos dos entes queridos com grilhões psicológicos, porque toda afeição possessiva é sinônimo de sofrimento.

Ama e obterás a bênção do amor. Compreende e colherás compreensão. 

E se em teu devotamento surgirem crises de apreensão e medo, perante as lutas dos seres amados, procura esquecer receios e inquietações, amparando a cada um, na fonte viva da prece, a recordar, antes de tudo, que eles e nós pertencemos a Deus.


Emmanuel










Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

domingo, 2 de julho de 2023

Chico Xavier - Livro Plantão de Respostas - Entrevistas - Emmanuel / Chico Xavier - Cap. 21 - Evolução



Chico Xavier - Livro Plantão de Respostas - Entrevistas - Emmanuel / Chico Xavier - Cap. 21


Evolução


Pergunta: Por que vivemos cada vez mais pensando apenas nas coisas materiais e pouquíssimo nas espirituais?

Resposta: O homem atual vive deslumbrado com os bens materiais, que são colocados à sua disposição pela tecnologia que avança a cada dia através de uma propaganda que insiste em colocá-los como caminho da felicidade. Porém, quando os adquirimos não compramos a solução para os verdadeiros problemas da alma, que são as frustrações, as angústias, a solidão e tantos outros.

Entretanto, espiritualizar-se não significa ser miserável, nem tão pouco deixar de desfrutar de maneira racional os bens materiais que o homem com sua inteligência e seu trabalho já criou. Espiritualizar-se é conduzir a vida no caminho do Bem, do amor ao próximo e da caridade material e espiritual; é fazer esforço constante para corrigir seus defeitos e domar seus maus instintos; enfim, é fazer crescer o reino de Deus dentro de nós.

Pergunta: Seria o esclarecimento diferente de evolução espiritual? Se for, como manter-se equilibrado, uma vez que os nossos erros tornam-se muito mais claros em nossas mentes?

Resposta: Sim, o esclarecimento é diferente de evolução porque conduz à evolução espiritual.

Quando se tem de percorrer uma estrada longa e cheia de pedregulhos, isto não se torna mais fácil quando esta estrada está iluminada? Contudo, o trajeto se torna mais curto ou menos cansativo porque o viajante consegue enxergar o final da estrada?

O esclarecimento apenas nos mostra a direção correta a tomar, mas não poupa a caminhada para se chegar ao objetivo final que é a perfeição.

Assim, para manter-se equilibrado, basta persistir no caminho iluminado, mesmo que os pedregulhos, às vezes, firam nossos pés. Se resistirmos à tentação de buscarmos “atalhos” na escuridão, porque as pedras no caminho estejam nos parecendo muito grandes, estaremos adquirindo o aprendizado que, no final do caminho, terá nos proporcionado a evolução espiritual.

Não devemos temer nossos erros; eles são janelas a nos indicarem o caminho a seguir. Seria impossível vencê-los, se não os identificássemos tais quais são, nem maiores, nem menores.

Pergunta: A Doutrina Espírita busca o amor no seu mais amplo sentido. As sucessivas encarnações ocorrem para evoluir o Espírito até o Amor Maior. Será que para pagar” ou “evoluir” é necessário que um Espírito seja encarnado numa pessoa que vive na miséria absoluta, como em Biafra, etc.?

Resposta: Se um Espírito reencarna em condições aparentemente desfavoráveis é porque obteve o merecimento para tanto. Isto porque, se ele solicita uma oportunidade de resgate de uma dívida do passado, esta oportunidade só lhe é dada quando ele demonstra possuir todos os instrumentos para vencer os obstáculos com os quais deva se deparar nesta nova existência. Se ele falha, foi porque optou por não usar as qualidades que tem, preferindo manter-se na mesma atitude de encarnações anteriores.

Por outro lado, pode-se interpretar o reencarne em condições desfavoráveis também como uma missão, onde o Espírito vem preparado para suplantar dificuldades e beneficiar a todos os que o circundam. É o caso dos grandes descobridores de curas na medicina, de grandes inventores, etc. O principal é que a humanidade, em geral, se desenvolve quando surgem problemas que a obrigam a buscar soluções novas. É preciso lembrar, no entanto, que os problemas só são vencidos quando lhes damos a devida proporção.

Pergunta: O desenvolvimento espiritual está apenas relacionado com a atual vida do Espírito encarnado ou se junta às experiências anteriores (outras encarnações)?

Resposta: O estágio de desenvolvimento espiritual do ser não se relaciona com as ações presentes, mas profundamente reflete as vidas anteriores. Entretanto, o mais importante é que se continue trabalhando na Seara do Bem, a fim de que as reencarnações futuras se processem dentro de padrões de moral sempre mais elevados.

Pergunta: O que poderá acontecer ao Espírito que após várias encarnações não consegue se tornar um bom Espírito?

Resposta: O homem não pode conservar-se indefinidamente na ignorância, porque tem que atingir a finalidade que a Providência lhe assinalou. Ele se instrui por força das sucessivas reencarnações, e as mudanças morais e intelectuais se estabelecem pouco a pouco.

Nessas condições, o homem, utilizando-se da liberdade de escolha, processa sua evolução ao longo dos tempos, pois, como nos dizem os Espíritos, somos todos por Deus criados já predestinados a nos tornarmos um dia Espíritos puros.

Pergunta: É necessário para o Espírito atingir o grau máximo de evolução espiritual, aprender todos os conceitos do conhecimento terreno, como os da Física, da Química, da Antropologia e outros?

Resposta: Em “O Livro dos Espíritos” Kardec pergunta: (…) “Os seres a que chamamos anjos, arcanjos e serafins formam uma categoria especial, de natureza diferente da dos outros Espíritos?” (…) Respondem os Espíritos: (…) “Não, são os Espíritos puros; os que se acham no mais alto grau da escala e reúnem todas as perfeições”.

Logo, cada Espírito tem necessidade de experimentação no conhecimento da inteligência, procurando por si mesmo enfatizar o imperativo do próprio aperfeiçoamento no campo moral.


Chico Xavier











Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

Emmanuel - Livro Mãos Marcadas - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 6 - Resposta do Alto



Emmanuel - Livro Mãos Marcadas - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 6


Resposta do Alto


Reconhecida a verdade de que Nosso Pai Celestial responde aos bons corações, através dos corações que se fazem melhores, não olvidemos a nossa possibilidade de servir na condição de valiosos instrumentos da Divina Bondade.

Nós, que somos tão apressados e tão pródigos no “pedir”, lembremo-nos de que podemos, também dar.

Auxiliemos a Divina Providência no abençoado serviço do intercâmbio.

Ninguém pode contar com a felicidade perfeita, num círculo de recursos puramente materiais; no entanto, toda vez que derramarmos o coração, em favor de nossos semelhantes, semearemos a verdadeira alegria.

Todos podemos, em nome do Senhor, responder às rogativas dos que lutam e sofrem mais do que nós mesmos.

Uma visita ao doente é sagrado recurso da fraternidade ao que suplica a assistência do Céu, em desespero.

A desculpa sincera é uma bênção de alívio para quem sofre o peso da culpa.

Um gesto de carinho é plantação de simpatia na terra escura da alma que se arrojou aos precipícios da revolta ou da incompreensão.

Um sorriso amigo é uma resposta de bom-ânimo e da amizade, refundindo as forças daquele que está prestes a cair.

Recorda que o Senhor espera por tua vontade, por teus pensamentos, por tuas palavras e por teus braços, a fim de responder com a paz e com a esperança aos que te cercam.

Ainda que tudo seja aspereza e secura, em torno de teus pés, ama sempre.

Através da corrente viva do amor, em teu coração, interpretarás a cooperação do Céu para os que te acompanham e receberás, constantemente, as respostas do Alto aos teus próprios problemas.


Emmanuel












Emmanuel - Livro Luz no Caminho - Chico Xavier - Cap. 1 - Terra nossa escola



Emmanuel - Livro Luz no Caminho - Chico Xavier - Cap. 1


Terra nossa escola 


Contempla a beleza da Terra — a nossa velha escola — para que a treva do pessimismo não te negreje a estrada, anulando-te o tempo na regeneração do destino.

Não será fazer lirismo inoperante, mas sim descerrar os olhos no painel das realidades objetivas:

Repara o Sol que é luz sublime e infatigável…

O céu a constelar-se em turbilhões de estrelas, novas pátrias de luz, exaltando a esperança…

A fonte que se entrega, mitigando-te a sede…

A árvore generosa a proteger-te os passos…

A semente minúscula abrindo-se em flor e pão…

O lar aconchegante a guardar-te, ditoso…

Tudo no altar da natureza é prazer de auxiliar e glória de servir. Entretanto, muitas vezes, trazemos em nós próprios, tristeza e crueldade por tóxicos da vida.

E renascentes do ontem, cujos minutos gastamos na edificação do próprio infortúnio, temos o coração como um pote de fel, aniquilando em nós as bênçãos da alegria.

Não podemos negar a condição de espíritos prisioneiros, quando se nos desdobra a experiência no corpo, entretanto, é nesse cárcere oportuno e valioso que recapitulamos as nossas lições perdidas.

É na veste da carne que tornamos ao adversário do pretérito, à afeição mal vivida, ao obstáculo que se fez resultado de nossa própria incúria.

Não há, na Terra, mal senão em nós mesmos — mal de nossa rebeldia multimilenária diante da Eterna Lei gerando os males que nos marcam a imprevidência.

Descerremos, desse modo, as portas de nossa alma à luz da grande compreensão e buscando aprender com os recursos do mundo, que nos amparam em nome da Providência, reajustemo-nos no amor que entende e auxilia, purifica e serve sempre, na certeza de que, refletindo em nós os Propósitos Divinos do bem que nunca morre, encontraremos, desde agora, nas complexidades e nevoeiros da Terra, o precioso trilho de nossa ascensão para o Céu.


Emmanuel








Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier - Vol. V - 2ª Parte - Textos paralelos de Atos dos apóstolos e Paulo e Estêvão - Cap. 103 - A visão de Jesus na Igreja de Corinto e o início das epístolas



Emmanuel - Livro O Evangelho por Emmanuel - Chico Xavier -  Vol. V - 2ª Parte - Textos paralelos de Atos dos apóstolos e Paulo e Estêvão - Cap. 103


A visão de Jesus na Igreja de Corinto e o início das epístolas
 

O Senhor disse a Paulo, à noite, através de uma visão: não temas, mas fala e não silencies, porque eu estou contigo; e ninguém te atacará para te fazer mal porque tenho um povo numeroso nesta cidade. — (Atos 18:9, 10)

Com a presença de Paulo, a igreja de Corinto adquiria singular importância e quase diariamente chegavam emissários das regiões mais afastadas. Eram portadores da Galácia a pedirem providências para as igrejas de Pisídia; companheiros de Icônio, de Listra, de Tessalônica, de Chipre, de Jerusalém. Em torno do Apóstolo formou-se um pequeno colégio de seguidores, de companheiros permanentes, que com ele cooperavam nos mínimos trabalhos. Paulo, entretanto, preocupava-se intensamente. Os assuntos eram urgentes quão variados. Não podia olvidar o trabalho de sua manutenção: assumira compromissos pesados com os irmãos de Corinto; devia estar atento à coleta destinada a Jerusalém; não podia desprezar as comunidades anteriormente fundadas.

Aos poucos, compreendeu que não bastava enviar emissários. Os pedidos choviam de todos os sítios por onde perambulara, levando as alvíssaras da Boa Nova. Os irmãos, carinhosos e confiantes, contavam com a sua sinceridade e dedicação, compelindo-o a lutar intensamente.

Sentindo-se incapaz de atender a todas as necessidades ao mesmo tempo, o abnegado discípulo do Evangelho, valendo-se, um dia, do silêncio da noite, quando a igreja se encontrava deserta, rogou a Jesus, com lágrimas nos olhos, não lhe faltasse com os socorros necessários ao cumprimento integral da tarefa.

Terminada a oração, sentiu-se envolvido em branda claridade. Teve a impressão nítida de que recebia a visita do Senhor. Genuflexo, experimentando indizível comoção, ouviu uma advertência serena e carinhosa:

— Não temas — dizia a voz —, prossegue ensinando a verdade e não te cales, porque estou contigo.

O Apóstolo deu curso às lágrimas que lhe fluíam do coração. Aquele cuidado amoroso de Jesus, aquela exortação em resposta ao seu apelo, penetravam-lhe a alma em ondas cariciosas. A alegria do momento dava para compensar todas as dores e padecimentos do caminho. Desejoso de aproveitar a sagrada inspiração do momento que fugia, pensou nas dificuldades para atender às várias igrejas fraternas. Tanto bastou para que a voz dulcíssima continuasse:

— Não te atormentes com as necessidades do serviço. É natural que não possas assistir pessoalmente a todos, ao mesmo tempo. Mas é possível a todos satisfazeres, simultaneamente, pelos poderes do espírito.

Procurou atinar com o sentido justo da frase, mas teve dificuldade íntima de o conseguir.

Entretanto, a voz prosseguia com brandura:

— Poderás resolver o problema escrevendo a todos os irmãos em meu nome; os de boa vontade saberão compreender, porque o valor da tarefa não está na presença pessoal do missionário, mas no conteúdo espiritual do seu verbo, da sua exemplificação e da sua vida. Doravante, Estêvão permanecerá mais conchegado a ti, transmitindo-te meus pensamentos, e o trabalho de evangelização poderá ampliar-se em benefício dos sofrimentos e das necessidades do mundo.

O dedicado amigo dos gentios viu que a luz se extinguira; o silêncio voltara a reinar entre as paredes singelas da igreja de Corinto; mas, como se houvera sorvido a água divina das claridades eternas, conservava o Espírito mergulhado em júbilo intraduzível. Recomeçaria o labor com mais afinco, mandaria às comunidades mais distantes as notícias do Cristo.

De fato, logo no dia seguinte, chegaram portadores de Tessalônica com notícias desagradabilíssimas. Os judeus haviam conseguido despertar, na igreja, novas e estranhas dúvidas e contendas. Timóteo corroborava com observações pessoais. Reclamavam a presença do Apóstolo com urgência, mas este deliberou pôr em prática o alvitre do Mestre, e recordando que Jesus lhe prometera associar Estêvão à divina tarefa, julgou não dever atuar por si só e chamou Timóteo e Silas para redigir a primeira de suas famosas epístolas.

Assim começou o movimento dessas cartas imortais, cuja essência espiritual provinha da Esfera do Cristo, através da contribuição amorosa de Estêvão — companheiro abnegado e fiel daquele que se havia arvorado, na mocidade, em primeiro perseguidor do Cristianismo.

Percebendo o elevado espírito de cooperação de todas as obras divinas, Paulo de Tarso nunca procurava escrever só; buscava cercar-se, no momento, dos companheiros mais dignos, socorria-se de suas inspirações, consciente de que o mensageiro de Jesus, quando não encontrasse no seu tono sentimental as possibilidades precisas para transmitir os desejos do Senhor, teria nos amigos instrumentos adequados.

Desde então, as cartas amadas e célebres, tesouro de vibrações de um mundo superior, eram copiadas e sentidas em toda parte. E Paulo continuou a escrever sempre, ignorando, contudo, que aqueles documentos sublimes, escritos muitas vezes em hora de angústias extremas, não se destinavam a uma igreja particular, mas à cristandade universal. As epístolas lograram êxito rápido. Os irmãos as disputavam nos rincões mais humildes, por seu conteúdo de consolações, e o próprio Simão Pedro, recebendo as primeiras cópias, em Jerusalém, reuniu a comunidade e, lendo-as, comovido, declarou que as cartas do convertido de Damasco deviam ser interpretadas como cartas do Cristo aos discípulos e seguidores, afirmando, ainda, que elas assinalavam um novo período luminoso na história do Evangelho.


Emmanuel