segunda-feira, 1 de março de 2021

Emmanuel - Livro Bênçãos de Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 19 - Além da carne




Emmanuel - Livro Bênçãos de Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 19


Além da carne


Depois da morte do corpo:

a frase amiga que houvermos proferido no estímulo ao bem será um trecho harmonioso do cântico de nossa felicidade;

a opinião caridosa que formulamos, acerca dos outros, converter-se-á em recurso de benignidade da Justiça Divina, no exame de nossos erros;

o pensamento de fraternidade e compreensão, com que nos recordamos do próximo, transformar-se-nos-á em fator de equilíbrio;

o gesto de auxílio aos irmãos do nosso caminho oferecer-nos-á sublime colheita de alegria.

Mas, igualmente, além do túmulo:

a maledicência de nossa alma e de nossa boca será tremendo espinheiro a provocar-nos dilacerações e feridas;

a nossa indiferença para com as amarguras do próximo aparecerá por desoladora geleira à frente dos nossos passos;

a nossa preguiça surgirá como sendo um terrível gerador de miséria;

a nossa crueldade exibirá, na tela de nossas consciências a constante repetição dos quadros deploráveis de nossos delitos, compelindo-nos à aflitiva demora em escuras paisagens purgatoriais.

A morte é o retrato da vida.

A verdade revelará na chapa do teu próprio destino as imagens que estiveres criando, sustentando e movimentando, no campo da existência.

Se desejas, assim, a ventura e tranquilidade, além das fronteiras de cinza do sepulcro, semeia, enquanto é tempo, a luz e a sabedoria que pretendes recolher, nas sendas da ascensão eterna.

Hoje — plantação, segundo a nossa vontade.

Amanhã — seara, conforme a lei.

Se agora cultivamos a sombra, decerto encontraremos, depois, a resposta das trevas. Se, porém, semeamos o amor e a simpatia, onde nos encontramos, indiscutivelmente, mais tarde, penetraremos, ditosos, a beleza divina da Imortalidade Vitoriosa.


Emmanuel







Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

Chico Xavier - Livro Orações de Chico Xavier - Carlos A. Baccelli - Pág. 19 - Perdão




Chico Xavier - Livro Orações de Chico Xavier - Carlos A. Baccelli - Pág. 19


Perdão


Sem que nos disponhamos a perdoar uns aos outros, não suportaremos o peso das provações.


Chico Xavier 






Emmanuel - Livro Perante Jesus - Chico Xavier - Cap. 17 - O Evangelho no coração




Emmanuel - Livro Perante Jesus - Chico Xavier - Cap. 17


O Evangelho no coração


Quando o Evangelho vive somente em nossa cabeça, sofremos o perigo de queda nas discussões infindáveis, porque a intemperança mental é a vaidade sempre fazem a boa vizinhança.

Quando se localiza, exclusivamente, em nossos olhos, é provável desçamos da luminosa posição de companheiros para a condição de inquisidores e fiscais dos nossos melhores amigos, porquanto, é sempre mais fácil descobrir os erros alheios que surpreender os nossos.

Quando jaz situado simplesmente em nossos ouvidos, somos suscetíveis de perder valiosas sementeiras de fraternidade; de vez que a nossa vigilância imperfeita, sem qualquer dificuldade, se converte em suspeita.

Quando palpita, entretanto, em nosso coração, ( † ) o Evangelho renova-nos a vida. Brilha dentro de nós, por abençoada estrela de compreensão e misericórdia. Seus raios divinos apagam a malícia em nosso olhar, santificando-nos a audição e sublimando-nos os impulsos, intenções e motivos; elevam nossos sentimentos para o Céu, projetando-os simultaneamente na Terra, através de nossos braços, em obras genuínas de amor, fraternidade e sabedoria.

Quando encontrarmos o discípulo do Senhor, sem oportunidades de fixar as cicatrizes e defeitos do próximo, sem horas para guardar os tóxicos da maledicência e sem ocasião para salientar os males dos outros mantendo-se tranquilamente no santo serviço da caridade e da luz, a bem de todos, estejamos convencidos de que esse companheiro terá colocado o Testamento Redentor, no imo do peito, vivendo entre os necessitados e sofredores do caminho terrestre, na condição de abençoada lâmpada acesa que sombra alguma alcançará.


Emmanuel







Miramez - Livro Francisco de Assis - João Nunes Maia - Cap. 16 - Os Primeiros Passos




Miramez - Livro Francisco de Assis - João Nunes Maia - Cap. 16


Os Primeiros Passos


Francisco sentiu, por dentro, o atear de uma fogueira de revolta ante o padre, ao ver o seu desprezo pelas coisas de Deus. A igreja era um lugar sagrado, onde os fiéis se reuniam para meditar e fortalecer a fé. Mas, se controlou e respondeu com humildade:

- Desculpa-me, padre. Tenho necessidade de fazer alguma coisa de bom. Achei conveniente começar consertando a casa do Senhor, nosso Deus e, para isso, iniciei pedindo, sendo que encontrei na casa do vigário o que servia para a restauração do nosso Templo. Tive maior segurança em pedir, por se tratar de um vigário do Cristo; todavia, já que não as podes doar, diz-me o preço, que as comprarei.

Acertado o preço das pedras, Francisco as levou para a igreja, onde foram lizadas. Passando o prazo combinado, o restaurador de igreja não pôde pagar ao verendo, por lhe faltar o dinheiro para isso. O padre usurário não se fez esperar, indo à procura de Francisco e desacatando-o. Este humilde, escutou todos os impropérios do vigário, mas, no decorrer da conversa foi tomado de energia diferente e, num intervalo da fala do padre, começou a falar nestes termos:

- Senhor Vigário!... Tenho imenso respeito pelos padres, que sei e sinto, fazem lembrar a vida de Jesus, em todos os seus aspectos morais e espirituais; mas não posso calar-me no que se refere à falta de respeito, de sua parte, para com a igreja de Deus. Eu acho que o templo é um lugar coletivo, que merece todo o respeito e todo o carinho, e principalmente da tua parte, porque és seguidor do Divino Mestre e deves te sentir honrado com isto. Quero pagar-te as pedras, logo que tenha o dinheiro, porém, a minha consciência me fala no fundo d'alma, que o dever de restaurar as igrejas compete aos sacerdotes. São eles os vigilantes da casa do Senhor e é deles a obrigação de mantê-la limpa e bem cuidada. Estou querendo ajudar-te neste mister sagrado, coisa que, perdoa-me, a tua consciência ainda não deu de te avisar.

Peço-te, por caridade, que me ouças mais um pouco. Creio que Deus é como um Sol Divino, e se Ele é mais que o Sol que nos alumia todos os dias, banhando toda a Terra sem escolher quem possa receber seus raios benfeitores, é muito mais beneficente na sua estrutura universal, e assim como podes falar, sob a inspiração do Espírito Santo, sendo um dos filhos de Deus, nós outros poderemos igualmente, dependendo das condições espirituais, ou da necessidade de quem deve ouvir.

Somos influenciados pelos Anjos do Nosso Pai Celestial, porque somos lhos do mesmo Deus, e quanto às pedras, padre, eu estou decepcionado com a tua atitude. Nunca pensei que um padre pudesse fazer o que estás fazendo; lembrei-me fortemente de Judas com os trinta dinheiros. Que Deus te ajude para que não aconteça o mesmo contigo. Podes estar certo de que te pagarei, senão agora, mas hoje mesmo levarei à tua casa. Se não é muito dizer, é bom que nos lembremos que a vivência do Evangelho é renúncia, principalmente para um sacerdote. É desprendimento, principalmente para um discípulo de Cristo, principalmente a um cristão. E caridade, principalmente para um conselheiro do povo. É amor, principalmente para quem prega o Evangelho sob a égide da oficialidade.

Peço-te de coração, não fiques aborrecido comigo, porque acima de tudo sei que somente damos aquilo que podemos dar. Que Deus te abençoe, que Jesus guarde o teu coração da influência do mal, que a nossa Mãe Santíssima guie os teus sentimentos, e que jamais faltem ao teu redor os Anjos de Deus, a te inspirarem acerca das coisas certas.

O padre, diante de tudo o que ouviu da boca de um leigo como Francisco propôs-se a calar.
Regressou à sua mansão, irritado, pois sua consciência aprovava tudo o que Francisco lhe havia falado, e que seus ouvidos gravaram, entregando arquivo consciencial. O Filho de Bernardone, constrangido, pensava no que seria da doutrina do Cristo entregue àqueles homens. Qual o futuro do Evangelho de Jesus se continuassem os seus vigários, mantendo aquele tipo de atitude? Todavia, a mesma voz amiga reforçava o seu coração:

- Francisco!... O Evangelho desceu do céu, não foi escrito pelos homens. Veio com o objetivo de reformar as criaturas e não se aborrece em esperar o quanto for necessário; ele é a voz de Deus que se repete eternamente na alma, até esta compreender e ouvir o seu chamado. Nada se perde, porque Deus não é Deus de mentira. Segue avante, e vamos trabalhar na oportunidade que o Senhor te deu.

No mesmo momento, o filho de dona Picallini começou a cantarolar pelas ruas de Assis. Falava com um, falava com outro da necessidade de restaurar as igrejas, e já à tarde tinha o dinheiro que devia ao sacerdote. Com muita alegria, buscou o padre em sua residência. Bateu à porta. Abriu-a o vigário com o rosto desfigurado, dizendo:

- Já vens tu novamente! Que queres desta vez? Francisco respondeu com ponderação e alegria:

- Pagar o que te devo, senhor!...

Este estendeu a mão usurária e recebeu o dinheiro correspondente à divida. Francisco despediu-se novamente com dor no coração, não pelo dinheiro, mas pelo procedimento de um pastor de almas; entretanto, perdoou e abençoou o vigário.

O padre, naquela noite, não pôde conciliar o sono. Levantou-se e foi contar o ouro recebido de Francisco, e, ao levar a mão ao dinheiro, aconteceu um fenómeno tramado na consciência: suas mãos começaram a esquentar, o calor foi aumentando gradualmente e daí a instantes pegavam fogo, como se estivesse envolvidas chamas. Jogou as moedas no chão, notando que todas elas reluziam como se fossem brasas. Olhou para as suas mãos e viu o mesmo espetáculo. Começou a gritar, ao que os criados acudiram, sem nada verem ou sentirem, entretanto, as orações não resolviam o problema. Deitou-se na sua luxuosa cama, pegou o crucifixo, pondo-o no peito e fechou os olhos repetindo o Pai Nosso. Sua visão, sem querer, buscou Francisco, aquele mesmo rapaz humilde que comprara as suas pedras para consertar a igreja de Assis. Sentiu-se envergonhado, lembrou-se da sua missão diante da Igreja, do juramento que fizera com a mão no Evangelho, colocando mentalmente o Cristo no coração. Mandou os criados saírem do quarto, desceu os joelhos no chão, jogando de lado o grosso tapete que lhe servia de conforto. De mãos postas, qual criança que está aprendendo a orar, falou ansiosamente com Deus:

- "Senhor!.. Desde quando recebi a incumbência de pastorear almas, de orientar consciências e que, igualmente, recebi esta casa para morar, com escravos à minha disposição, vivo ardendo por dentro sem paz, sem alegria, sem acreditar em mim mesmo, e desconfiando de tudo. Reconheço, por dentro, que não estou certo. Ajuda-me a acertar, a descobrir o Teu Caminho e a Tua Verdade, senão a Tua Vida. Lembro-me bem que os Teus discípulos tudo entregaram aos pobres para Te seguir. Como posso ser Teu discípulo, carregando essa cruz dos bens materiais, deste conforto que desfruto, enquanto muitos pobres morrem de fome, são carentes de vestes e não têm onde morar? Será que sou Teu discípulo, configurando-me como rico egoísta que não pensa nos outros? Somente agora sinto que não. Abençoa o meu entendimento e ajuda-me a compreender o que ouvi de um leigo, que teve a coragem de dizer-me o que nunca ouvira de outros, que ouvem as minhas mentiras e que nunca tiveram a coragem de dizer-me a verdade..."


Miramez




Pág. 208 a 210


Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 15 - Fora da caridade não há salvação - O que é preciso para ser salvo - Parábola do bom Samaritano - Item 3




Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 15 - Fora da caridade não há salvação - O que é preciso para ser salvo


Parábola do bom Samaritano


3. Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinos, ele aponta essas duas virtudes como sendo as que conduzem à eterna felicidade: Bem-aventurados, disse, os pobres de espírito, isto é, os humildes, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros. Humildade e caridade, eis o que não cessa de recomendar e o de que dá, ele próprio, o exemplo. Orgulho e egoísmo, eis o que não se cansa de combater. E não se limita a recomendar a caridade; põe-na claramente e em termos explícitos como condição absoluta da felicidade futura.

No quadro que traçou do juízo final, deve-se, como em muitas outras coisas, separar o que é apenas figura, alegoria. A homens como os a quem falava, ainda incapazes de compreender as questões puramente espirituais, tinha ele de apresentar imagens materiais chocantes e próprias a impressionar. Para melhor apreenderem o que dizia, tinha mesmo de não se afastar muito das idéias correntes, quanto à forma, reservando sempre ao porvir a verdadeira interpretação de suas palavras e dos pontos sobre os quais não podia explicar-se claramente. Mas, ao lado da parte acessória ou figurada do quadro, há uma idéia dominante: a da felicidade que espera o justo e da infelicidade reservada ao mau.

Naquele julgamento supremo, quais os considerandos da sentença? Sobre que se baseia o inquérito? Pergunta, porventura, o juiz se o inquirido preencheu tal ou qual formalidade, se observou mais ou menos tal ou qual prática exterior? Não; inquire tão-somente de uma coisa: se a caridade foi praticada, e se pronuncia dizendo: Passai à direita, vós que assististes os vossos irmãos; passai à esquerda, vós que fostes duros para com eles. Informa-se, por acaso, da ortodoxia da fé? Faz qualquer distinção entre o que crê de um modo e o que crê de outro? Não, pois Jesus coloca o samaritano, considerado herético, mas que pratica o amor do próximo, acima do ortodoxo que falta com a caridade. Jesus não faz, pois, da caridade, uma das condições para a salvação, mas a única condição. Se outras houvesse a serem cumpridas, ele teria dito. Se ele coloca a caridade em primeiro lugar dentre as virtudes, é que ela implicitamente abrange todas as outras: a humildade, a brandura, a benevolência, a indulgência, a justiça, etc., e porque é a negação absoluta do orgulho e do egoísmo. 


Allan Kardec






Fabiano de Cristo - Livro Ideal Espírita - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 65 - Caridade: Solução




Fabiano de Cristo - Livro Ideal Espírita - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 65


Caridade: Solução


Diante do dever, pensa na caridade, serve e passa.

Diante da dor, pensa na caridade, socorre e passa.

Diante do infortúnio, pensa na caridade, auxilia e passa.

Diante da aflição, pensa na caridade, consola e passa.

Diante da sombra, pensa na caridade, ilumina e passa.

Diante da perturbação, pensa na caridade, esclarece e passa.

Diante da ignorância, pensa na caridade, ensina e passa.

Diante da injúria, pensa na caridade, perdoa e passa.

Diante do golpe, pensa na caridade, tolera e passa.

Diante da tentação, pensa na caridade, ora e passa.

Diante do obstáculo, pensa na caridade, espera e passa.

Diante da negação, pensa na caridade, confia e passa.

Diante do desânimo, pensa na caridade, ajuda e passa.

Diante da luta, pensa na caridade, abençoa e passa.

Diante do desequilíbrio, pensa na caridade, remedia e passa.

Diante da tristeza, pensa na caridade, reconforta e passa.

Diante de todo mal, pensa na caridade, faze todo bem ao alcance de tuas mãos e segue adiante.

“A cada dia basta o seu próprio trabalho” — diz-nos a sabedoria do Evangelho. 

Toda criatura, a caminho da perfeição, segue na estrada bendita da experiência.

Toda experiência é uma prova. Toda prova configura um problema. Caridade é a solução.


Fabiano de Cristo





(Psicografia de F. C. Xavier)

Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. 13 - Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita - Instruções dos Espíritos - A beneficência - Item 13




Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec - Cap. 13 - Não saiba a vossa mão esquerda o que dê a vossa mão direita - Instruções dos Espíritos


A beneficência 


13. Chamo-me caridade; sou o caminho principal que conduz a Deus. Acompanhai-me, pois sou a meta a que deveis todos visar.

Dei esta manhã o meu giro habitual e, com o coração amargurado, venho dizer-vos: Oh! meus amigos, que de misérias, que de lágrimas, quanto tendes de fazer para secá-las todas! Em vão, procurei consolar algumas pobres mães, dizendo-lhes ao ouvido: Coragem! há corações bons que velam por vós; não sereis abandonadas; paciência! Deus lá está; sois dele amadas, sois suas eleitas. Elas pareciam ouvir-me e volviam para o meu lado os olhos arregalados de espanto; eu lhes lia no semblante que seus corpos, tiranos do Espírito, tinham fome e que, se é certo que minhas palavras lhes serenavam um pouco os corações, não lhes reconfortavam os estômagos. Repetia-lhes: Coragem! Coragem! Então, uma pobre mãe, ainda muito moça, que amamentava uma criancinha, tomou-a nos braços e a estendeu no espaço vazio, como a pedir-me que protegesse aquele entezinho que só encontrava, num seio estéril, insuficiente alimentação.

Alhures vi, meus amigos, pobres velhos sem trabalho e, em conseqüência, sem abrigo, presas de todos os sofrimentos da penúria e, envergonhados de sua miséria, sem ousarem, eles que nunca mendigaram, implorar a piedade dos transeuntes. Com o coração túmido de compaixão, eu, que nada tenho, me fiz mendiga para eles e vou, por toda a parte, estimular a beneficência, inspirar bons pensamentos aos corações generosos e compassivos. Por isso é que aqui venho, meus amigos, e vos digo: Há por aí desgraçados, em cujas choupanas falta o pão, os fogões se acham sem lume e os leitos sem cobertas. Não vos digo o que deveis fazer; deixo aos vossos bons corações a iniciativa. Se eu vos ditasse o proceder, nenhum mérito vos traria a vossa boa ação. Digo-vos apenas: Sou a caridade e vos estendo as mãos pelos vossos irmãos que sofrem.

Mas, se peço, também dou e dou muito. Convido-vos para um grande banquete e forneço a árvore onde todos vos saciareis! Vede quanto é bela, como está carregada de flores e de frutos! Ide, ide, colhei, apanhai todos os frutos dessa magnificente árvore que se chama a beneficência. No lugar dos ramos que lhe tirardes, atarei todas as boas ações que praticardes e levarei a árvore a Deus, que a carregará de novo, porquanto a beneficência é inexaurível. Acompanhai-me, pois, meus amigos, a fim de que eu vos conte entre os que se arrolam sob a minha bandeira. Nada temais; eu vos conduzirei pelo caminho da salvação, porque sou – a Caridade. – Cárita, martirizada em Roma. (Lyon, 1861.)


Allan Kardec