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terça-feira, 5 de maio de 2026

Vianna de Carvalho - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo Pereira Franco - Cap. 46 - O destino



Vianna de Carvalho - Livro Antologia Espiritual - Espíritos Diversos / Divaldo Pereira Franco - Cap. 46


O destino


Examinado pelas diferentes escolas de pensamento através dos tempos, o destino vem recebendo complexas contribuições, conforme a estrutura filosófica de cada uma delas.

Na Mitologia grega, afirmava-se que o Destino é uma fatalidade imposta por Zeus, inevitável, portanto personificado, e graças às suas características, ora partia do deus máximo ou com ele se confundia, sendo representado conforme a sua expressão por deidades diferentes, às vezes ao próprio Destino todos eram submetidos.

Platão estabeleceu no destino uma causalidade de natureza metafísica que se manifesta na existência humana como efeito de uma predeterminação.

A escola estóica assim como a cínica, pelas suas raízes materialistas, propunham razões fatalistas, irrevogáveis, que afetavam as criaturas que se lhe deviam submeter com coragem, conforme a primeira ou com indiferença zombeteira, na opinião da última.

Com o surgimento do Cristianismo se apresentou o conceito da Providência Divina, estabelecendo as linhas de comportamento definidas para a sujeição do ser humano que, face à aceitação ou rebeldia das suas injunções, seria feliz ou desgraçado, num desenho antecipado do destino final no Céu ou no Inferno.

A interpretação teológica do pensamento de Jesus sofreu alterações através dos séculos, dando lugar ao aparecimento das doutrinas da graça — com predestinação para a felicidade eterna de alguns eleitos, em detrimento da maioria; da indulgência — como recurso de reparação dos arrependidos e piedosos; — e outras que desencadearam reações violentas, pela estultice e absurdo de que se constituíam.

A doutrina da unicidade das existências corporais sempre enfrentou dificuldades intransponíveis para explicar com lucidez as diferenças dos destinos das criaturas terrestres.

A mesma Energia Geradora de Vida e de Inteligência, por qual sortilégio ou para qual terrível propósito, criaria pessoas ditosas e infelizes, umas saudáveis e outras enfermas, algumas belas e diversas horrendas, inteligentes e idiotas amadas e as demais odiadas, estas generosas e as outras perversas e ímpias, os seres portadores de valores múltiplos e tantos mais sem qualquer atributo, desprezados, miseráveis?...

Como gerar uma sociedade tão diferente, com a mesma procedência, concedendo brilho e plenitude a uma minoria, e sombra, ignorância, carência à maioria predominante?

Ademais, em consequência da jornada terrestre, como condenar todos, irrevogavelmente, alguns às bênçãos, e a quase totalidade ao degredo, às desgraças?

Somente a reencarnação faculta a perfeita compreensão e a plena justiça em torno do destino dos seres.

Todos são criados puros, simples, ignorantes, com as mesmas possibilidades em germe, estimulados a desenvolver esses recursos latentes mediante o esforço e a opção pessoal.

Ninguém, ho entanto, que esteja fadado à destruição, ao infortúnio, ao nsofrimento eterno. A experiência terrestre constitui-lhes mecanismo propiciador de aprendizagem, de desenvolvimento dos potenciais que lhes dormem no íntimo, aguardando as condições para o despertar e o desenvolver.

As diferenças que se apresentam entre os seres decorrem da maturidade de cada um, lograda a esforço próprio, ou da maioridade espiritual, como ser peregrino da vastidão evolutiva há mais tempo crescendo que outros, ainda titubeantes, que também alcançarão os momentos culminantes.

Compatível com a sabedoria e o amor de Deus, a reencamação é o instrumento que trabalha o destino, graças à conduta de cada qual que, em se esforçando, apressa a marcha e conquista os tesouros que nele jaz, podendo utilizá-los com eficiência para incessante burilamento e iluminação.

O destino, portanto, é o resumo das ações antes praticadas, que propiciam os acontecimentos a se sucederem na marcha de ascensão que todos os espíritos percorrem, desde o átomo até o anjo.

Quando a astúcia e a fraude, o crime e o engodo tentam burlar os imperativos da Lei que favorece o destino, o infrator defronta adiante acontecimentos inesperados que o reconduzem à trilha abandonada, impondo-lhe a aceitação dos efeitos dos atos que desejou anular.

Por isso, os comportamentos ignóbeis, as façanhas da arbitrariedade, as malhas tecidas pela sordidez, jamais logram propiciar felicidade real, não indo além de fenômenos de alegrias e triunfos fugazes que a realidade coarcta e modifica.

Ninguém foge de si mesmo, do seu destino, que elabora em cada pensamento, palavra e gesto, alterando a panorâmica da vida a cada instante, conforme a diretriz que se imponha.

O destino bifurca-se no determinismo — nascer, viver e morrer — e no livre-arbítrio. Conforme o comportamento que o homem se permita, a felicidade ou o sofrimento — como fanal escolhido — estará aguardando o viajante da evolução.

Com o Espiritismo, as luzes da reencarnação propõem a utilização sábia e coerente de cada momento da existência corporal, resgatando das sombras da ignorância o destino ditoso que é a meta fascinante que brilha a frente para todos.


Vianna de Carvalho












terça-feira, 24 de março de 2026

Espírito Vianna de Carvalho - Livro À luz do Espiritismo - Divaldo P. Franco - Cap. 7 - Liberdade e Evangelho



Espírito Vianna de Carvalho - Livro À luz do Espiritismo - Divaldo P. Franco - Cap. 7


Liberdade e Evangelho


Em nome da hegemonia política, Esparta esmagou Atenas, em guerras sangrentas, depois de vencer Tebas, Mantinéia, Megalópolis, senhoreando-se das demais ilhas gregas, plantando seus marcos de triunfo nas terras conquistadas. Enquanto toda a Hélade chora a dor dos filhos, Esparta canta um hino de triunfo e liberdade nas ruas engalanadas.

Em regozijo à sua eleição como povo escolhido, Israel trucida os filisteus e todos os povos nômades de sua fronteira, em lutas lamentáveis e demoradas e, clamando por liberdade, insurge-se posteriormente contra o romano dominador que lhe arrebata o cetro.

E em todos os tempos, enquanto os dominadores exaltam a liberdade, os dominados clamam por ela.

Testemunhando seu amor a Jesus, Pedro, o Eremita, inicia a pregação das Cruzadas, na Europa, para libertar o túmulo vazio do Mestre, na Ásia, desencadeando a série de guerras desnecessárias que enlutaram tantas nações.

Foi igualmente em nome da liberdade que a França desencadeou a terrível hecatombe que ensanguentou a Europa no último quartel do século XVIII.

E até hoje o panorama continua o mesmo. A prepotência estabeleceu as diretrizes da dominação e, em nome dos direitos humanos, a força sobrepõe-se à fraqueza, na posição de protetora e, como não dizer, também de algoz.

No Evangelho de Jesus, anunciado há vinte séculos, a liberdade atinge seu mais nobre lugar. Através da revolução pacífica da moral e dos costumes, o Cristo é o protótipo do homem livre.

Diante de Pilatos, escarnecido e humilhado, permanece digno e nobre. Atado ao poste do suplício, alça-se a Deus e comunga com Ele. Pregado à cruz entre apupos e zombarias, mantém o padrão elevado da liberdade, perdoando aos próprios algozes.

Assassinado, volta do túmulo em esplendorosa manhã, caminhando livremente ao lado dos companheiros atônitos e receosos.

O Evangelho é a grande lição de liberdade que o mundo conhece.

Durante dezesseis séculos fez-se dele peia e açoite, sem conseguirem destruí-lo, entretanto.

A História nos fala de santos e mártires que experimentaram punições cruéis e atrozes suplícios, vivendo na liberdade gloriosa da fé cristã, embora presos e martirizados até à morte. E que o Mestre expressara, na sua eloquência sábia, que liberdade é condição de alma isenta de paixões. Por isso, alentou os discípulos, indagando: "Que medo podem fazer aqueles que matam apenas o corpo e nada podem fazer à alma?"

Liberdade não é, portanto, estado de movimentação para o corpo, mas condição de alma no corpo.

Acreditava-se, antes, que o Evangelho era uma cadeia a jungir o crente ao carro o dever, proibindo tudo, tudo condenando. Graças, porém, à Revelação Espírita, o Evangelho passa a ser encarado na sua legítima situação de dínamo poderoso, capaz de transformar homens tíbios em gigantes, dando energia para a vitória sobre todos os males. Porque o Evangelho é mensagem de luz e esclarecimento, e o homem, beneficiado pelo conhecimento evangélico, opera o autodescobrimento que o felicita e liberta.

Evangelho - caminho da liberdade rumo à perfeição. Liberdade - mensagem do Evangelho trazida por Jesus ao presídio humano. 


Espírito Vianna de Carvalho















domingo, 11 de outubro de 2020

Vianna de Carvalho - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 59 - À Memória de Allan Kardec




Vianna de Carvalho - Livro Sementeira da Fraternidade - Espíritos Diversos / Divaldo P. Franco - Cap. 59


À Memória de Allan Kardec


Ante a visão esplêndida dos novos céus que as espaçonaves oferecem ao homem da Terra, a Astronáutica avança a largos passos, rasgando horizontes de infinita amplitude para os que deambulam no caminho carnal.

A Cibernética, na era da Tecnologia, amplia conceitos e fornece dados que transformam e aceleram os programas da civilização moderna, e a Biônica, interpretando as necessidades do homem, parece candidatar-se a substituí-lo nos diversos departamentos da vida, conjugando esforços par.'', o conforto e a comodidade de todos.

Todavia, enquanto os engenhos espaciais vencem, como bólides, o atrito da atmosfera, fugindo à gravitação da Terra, uma inquietante loucura invade os  múltiplos departamentos do conhecimento humano, gerando desespero e alucinação que perturbam inteligências e esmagam sentimentos.

O homem de saber parece, nestes dias, dominado por estranha volúpia de desequilíbrio e jornadeia de especulação em especulação, vitimado em si mesmo por tormentos de difícil interpretação.

Há ânsia de poder em toda a parte e há agonia pelos desmandos em todo o lugar.

Os padrões éticos subitamente naufragaram, enquanto as dominações religiosas se esfacelaram de encontro às realidades do pensamento hodierno.

A Filosofia, sem o amparo de mentes vigorosas, deixa-se substituir pela vacuidade de conceitos forjados pela ilusão, em pleno entorpecimento das paixões.

O caos se instala, e, nesse abismo em que os tumultos da guerra e as malversações dos valores humanos triunfam, a Doutrina Espírita é o sol de esperança a brilhar fulgurante, clareando as cogitações da inteligência que sem rumo se perverte.

Evocando a memória de Allan Kardec, no dia do centenário da sua desencarnação, somos convocados a reverenciar a obra ímpar por ele coligida, que vem traçando diretrizes seguras para o espírito aturdido dos últimos tempos, constituindo porto de segurança para os verdadeiros nautas que velejam no oceano da investigação em torno das realidades da vida.

Ontem, no báratro das indagações não contestadas, o Espiritismo se apresentou como a resposta dos Céus às lágrimas da Terra, conduzindo mentes e corações aos planaltos da fé, instaurando o primado do Espírito imortal.

Quando a Ciência, investigando, mergulhou no organismo complexo de pesquisas valiosas, que ensejaram elucidações de incontestável valia para o espírito do homem, o Espiritismo, esclarecendo os enigmas do ser, do destino e da dor, pôs-se a caminhar lado a lado com as disciplinas psicológicas, oferecendo soluções aos inumeráveis enigmas da mente, então perdidos em sombras.

E hoje, quando alguns parapsicólogos pretendem, como apaixonados partidários do materialismo, destruir as consoladoras realidades da vida espiritual o Espiritismo é a única força que põe diques no rio caudaloso das vaidosas especulações desses desvairados apaniguados do Nada.

Nesse particular, o venerando mestre Allan Kardec assoma no pórtico dos séculos atestando a excelência de sua escolha pelo Mundo Espiritual para embaixador condigno, capaz de, entre as criaturas, preparar o advento do mundo melhor para o futuro, com as bases vigorosas da Obra de que se fez portador.

Na época em que os postulados filosóficos eram grafados em latim, reservados às elites intelectuais, Allan Kardec escreveu em linguagem popular a filosofia espírita, de modo que a mensagem de consolação alcançasse todas as mentes e retificasse as inquietações do mundo conturbado, conseguindo êxito expressivo.

Graças a isso, tudo na lição espírita é simples, é belo, é puro como diamante sem jaça que reflete o sol que faz brilhar a verdade.

Desde os pródromos da filosofia ingênuo-ética da Natureza, de Lao-Tsé, aos estoicos, aos pensadores do Renascimento, a Spinoza, a Kant, a Hegel, a Nietzsche, só a ética otimista do Espiritismo se apresenta fiel ao excelente espírito de “respeito à vida” expressa nas lições de Jesus.

Enquanto a Ética comum não possui qualquer princípio básico de- moral, demorando-se no exame e estudo dos conflitos éticos, o Espiritismo estuda pormenorizadamente tudo quanto diz respeito à vida, tomando posição definida em face dos conflitos éticos e solucionando-os.

Com o Espiritismo o homem começa a pensar sinceramente na vida, tornando-se ético, o que equivale dizer, realizando a luta entre a vontade e o conhecimento, para, liberto das algemas que o limitam e aprisionam, viver consentaneamente com o postulado de amor e dignificação da existência física.

Plasmada pelo pensamento divino, a mensagem espírita é como abençoada antemanhã para os trôpegos que se demoram em trevas medievas, apesar das luzes da atualidade.

Nem sofismas nem discordâncias nos postulados, apresentando-se como um todo harmônico, com imensurável campo de estudo e investigação pela frente.

Obedecendo a uma planificação bem delineada,* as indagações formuladas pelo preclaro mestre ensejam respostas sutis e profundas aos Espíritos Superiores, o que traduz a elevada estirpe do interrogante e dos interrogados.

Passado o período de um século, século no qual ocorreram na Humanidade as maiores convulsões ideológicas de todos os tempos, em que as ciências abandonaram os porões e as câmaras de superstição para se tornarem exatas, o Espiritismo, inalterado, sobreviveu incólume a todos os assaltos, fixando-se cada dia e cada hora no espírito humano, em postulados salutares, edificantes.

Considerando as responsabilidades que dizem respeito ao militante das lides espíritas, este se impõe a tarefa de equacionar o problema dele mesmo e esbater as trevas , em derredor, esparzindo a Doutrina da imortalidade entre todos, quanto lhe permitem as possibilidades.

Agora, não mais a cogitação pura e simples do intercâmbio mediúnico entre os “dois mundos”, buscando informes e fatos, já que estes super abundam, mas estudo acendrado e profundo da Revelação Kardequiana, meditação acurada e sistematização do exame das questões para poder enfrentar o diapasão novo do materialismo que vai dominando os diversos departamentos da cultura, solapados que estão pela insensatez dos seus expoentes máximos.

Incorporar, portanto, a lição kardecista ao dia-a-dia da vida, impregnar-se do conhecimento dela, esforçar-se por viver a mensagem espírita, são deveres que nenhum adepto sincero do Espiritismo pode transferir, a fim de que o seu comportamento ateste a qualidade da convicção religiosa esposada.

Allan Kardec! Evocando o dia em que desferiste voo para a Espiritualidade, deixando o todo granítico da Codificação para atravessar inalterada, os tempos,  nós, os espíritas desencarnados, reverenciando a grandeza do teu nome e o heroísmo .do teu espírito, tanto quanto a dedicação infatigável da tua vida, te exaltamos a nobreza, vexilário dos séculos/ lídimo representante do Consolador prometido por Jesus, o Mestre Excelente que se fez o teu roteiro inconfundível e que é para todos nós o “caminho, a verdade e a vida” na rota da nossa redenção.

Louvado sejas, Benfeitor, em cujo coração depositamos as nossas modestas dádivas de espíritas que procuramos ser, apesar de estarmos longe das tuas pegadas luminosas!


Vianna de Carvalho