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sábado, 29 de outubro de 2022

Emmanuel - Livro Pensamento e Vida - Chico Xavier - Cap. 7 - Trabalho



Emmanuel - Livro Pensamento e Vida - Chico Xavier - Cap. 7


Trabalho


Se nos propomos retratar mentalmente a luz dos Planos Superiores, é indispensável que a nossa vontade abrace espontaneamente o trabalho por alimento de cada dia.

No pretérito, apreciávamo-lo por atitude servil de quantos caíssem sob o ferrete da injúria.

A escola, as artes, as virtudes domésticas, a indústria e o amanho do solo eram relegados a mãos escravas, reservando-se os braços supostos livres para a inércia dourada.

Hoje, porém, sabemos que a lei do trabalho é roteiro da justa emancipação.

Sem ela, o mundo mental dorme estanque. 

Fugir-lhe aos impositivos é situar-se à margem do caminho, onde o carro da evolução marcha, inflexível, deixando à retaguarda quantos se amolgam à ilusão da preguiça.

O usurário não padece apenas a infelicidade de sequestrar os bens devidos ao Bem de Todos, mas igualmente o infortúnio de erguer para si mesmo a cova adornada em que se lhe estiolarão as mais nobres faculdades do espírito.

Não vale, contudo, agir por agir.

As regiões infernais vibram repletas de movimento.

Além do trabalho-obrigação que nos remunera de pronto, é necessário nos atenhamos ao prazer de servir.

Nas contingências naturais do desenvolvimento terrestre, o Espírito encarnado é compelido a esforço incessante, para o sustento do corpo físico. 

Recolhe, de graça, a água pura, os princípios solares e os recursos nutrientes da atmosfera; entretanto, é preciso suar e sofrer em busca da proteína e do carboidrato que lhe assegurem a euforia orgânica.

Cativo, embora, às injunções do Plano de obscura matéria em que transitoriamente respira, pode, porém, desde a Terra, fruir a ventura do serviço voluntário aos semelhantes todo aquele que descerre o espelho da própria alma aos reflexos da Esfera Divina.

O trabalho-ação transforma o ambiente.

O trabalho-serviço transforma o homem.

As tarefas remuneradas conquistam o agradecimento de quem lhes recebe o concurso, mas permanecem adstritas ao mundo, nas linhas da troca vulgar.

A prestação de concurso espontâneo, sem qualquer base de recompensa, desdobra a influência da Bondade Celestial que a todos nos ampara sem pagamento.

À maneira que se nos alonga a ascensão, entendemos com mais clareza a necessidade de trabalhar por amor de servir.

Quando começamos a ajudar o próximo, sem aguilhões, matriculamo-nos no acrisolamento da própria alma, entrando em sintonia com a Vida Abundante.

Nos círculos mais elevados do espírito, o trabalho não é imposto. 

A criatura consciente da verdade compreende que a ação no bem é ajustamento às Leis de Deus e a ela se rende por livre vontade.

Por isso, nos domínios superiores, quem serve avança para os cimos da imortalidade radiosa, reproduzindo dentro de si mesmo as maravilhas do Céu que nos rodeia a espelhar-se por toda parte.


Emmanuel











domingo, 21 de agosto de 2022

Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 86 - Trabalho - Fala da esperança



Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 86 - 

Trabalho 

Fala da esperança 


Não podemos falar de esperança sem mencionar o trabalho, que dignifica todas as coisas. Tudo o que existe está vinculado ao labor. Falemos, por exemplo, da esperança, mas teremos de lutar para alcançá-la, que ela conforta e traz a paz ao coração.

Busquemos, pois, todos os dias, acertar nossa vida, aprimorando nossas ideias e consertando nossas atitudes, para que possamos alcançar a harmonia, passando a vivê-la. Eis a esperança a surgir nos caminhos de quem lida, buscando o melhor, sem que a blasfêmia saia de sua boca.

O comum é nos alegrarmos somente quando estamos sendo agraciados com a paz, com o bem-estar; vamos, entretanto, agradecer a Deus por tudo o que recebemos, nas dimensões que o Senhor achar conveniente. Espalhar o inconveniente é responsabilizar- se pelo mal que se faz. E é nesta hora que devemos falar da esperança e da fé, e fazer a caridade confiando nela, para que o amor nos sustente a vida.

Devemos usar o nosso tempo no esmero, aprimorando-nos cada vez mais, de maneira que a nossa vida fique mais sublimada em altos entendimentos. Comecemos logo a tarefa nos pensamentos, de modo que as nossas ideias sejam puras e a nossa atenção voltada em direção à palavra, de tal modo que ela seja purificada, fazendo crescer o bem, estendendo o amor por onde quer que seja.

Levanta, meu irmão, o teu ânimo em tudo o que fizeres e confia no Senhor, porque quando nos falta a esperança, sentimo-nos enfraquecidos nas lutas. Se o serviço é bom, vamos em frente, ajudando aos que sofrem; se o trabalho é bom, auxiliemos aos que padecem; se o trabalho é vida, laboremos todos os dias para espalhar essas bênçãos de Deus em todo o mundo. Acha-se entregue a nós o cuidado de fazer circular o exercício da caridade.

Não podemos esquecer a natureza, que trabalha no silêncio, em benefício de todos, sem exigências; são as “mãos” de Deus operando por todos os meios, ajudando e servindo, ofertando paz e alegria para todos os povos: observa os frutos, a alimentação, os remédios, e mesmo as vestes, a variedade do que precisamos... Ela, a natureza, se fez mãe e nos entrega com amor e carinho, na feição de caridade, tudo o que é produto do trabalho divino.

Compete a todos nós agradecer pelo que recebemos e também doar com alegria; libertemo-nos da inércia, abraçando, sem perda das horas, o serviço a fazer, que as bênçãos da luz chegarão ao ambiente do trabalho. E tudo isso ser-nos-á a grande esperança.

Juntemo-nos ao Cristo no trabalho com Deus, porque Ele nos diz que o Pai labora sempre, e que nunca parou na obra do bem universal. Se acreditamos que a vida é movimento, essa é a tarefa universal de Deus.


Miramez









Fonte: Cura-te a ti mesmo-pdf

sábado, 4 de setembro de 2021

Emmanuel - Livro Pensamento e Vida - Chico Xavier - Cap. 7 - Trabalho




Emmanuel - Livro Pensamento e Vida - Chico Xavier - Cap. 7


Trabalho


Se nos propomos retratar mentalmente a luz dos Planos Superiores, é indispensável que a nossa vontade abrace espontaneamente o trabalho por alimento de cada dia.

No pretérito, apreciávamo-lo por atitude servil de quantos caíssem sob o ferrete da injúria.

A escola, as artes, as virtudes domésticas, a indústria e o amanho do solo eram relegados a mãos escravas, reservando-se os braços supostos livres para a inércia dourada.

Hoje, porém, sabemos que a lei do trabalho é roteiro da justa emancipação.

Sem ela, o mundo mental dorme estanque. 

Fugir-lhe aos impositivos é situar-se à margem do caminho, onde o carro da evolução marcha, inflexível, deixando à retaguarda quantos se amolgam à ilusão da preguiça.

O usurário não padece apenas a infelicidade de sequestrar os bens devidos ao Bem de Todos, mas igualmente o infortúnio de erguer para si mesmo a cova adornada em que se lhe estiolarão as mais nobres faculdades do espírito.

Não vale, contudo, agir por agir.

As regiões infernais vibram repletas de movimento.

Além do trabalho-obrigação que nos remunera de pronto, é necessário nos atenhamos ao prazer de servir.

Nas contingências naturais do desenvolvimento terrestre, o Espírito encarnado é compelido a esforço incessante, para o sustento do corpo físico. 

Recolhe, de graça, a água pura, os princípios solares e os recursos nutrientes da atmosfera; entretanto, é preciso suar e sofrer em busca da proteína e do carboidrato que lhe assegurem a euforia orgânica.

Cativo, embora, às injunções do Plano de obscura matéria em que transitoriamente respira, pode, porém, desde a Terra, fruir a ventura do serviço voluntário aos semelhantes todo aquele que descerre o espelho da própria alma aos reflexos da Esfera Divina.

O trabalho-ação transforma o ambiente.

O trabalho-serviço transforma o homem.

As tarefas remuneradas conquistam o agradecimento de quem lhes recebe o concurso, mas permanecem adstritas ao mundo, nas linhas da troca vulgar.

A prestação de concurso espontâneo, sem qualquer base de recompensa, desdobra a influência da Bondade Celestial que a todos nos ampara sem pagamento.

À maneira que se nos alonga a ascensão, entendemos com mais clareza a necessidade de trabalhar por amor de servir.

Quando começamos a ajudar o próximo, sem aguilhões, matriculamo-nos no acrisolamento da própria alma, entrando em sintonia com a Vida Abundante.

Nos círculos mais elevados do espírito, o trabalho não é imposto. 

A criatura consciente da verdade compreende que a ação no bem é ajustamento às Leis de Deus e a ela se rende por livre vontade.

Por isso, nos domínios superiores, quem serve avança para os cimos da imortalidade radiosa, reproduzindo dentro de si mesmo as maravilhas do Céu que nos rodeia a espelhar-se por toda parte.


Emmanuel








segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Emmanuel - Livro Pensamento e Vida - Chico Xavier - Cap. 7 - Trabalho




Emmanuel - Livro Pensamento e Vida - Chico Xavier - Cap. 7


Trabalho


Se nos propomos retratar mentalmente a luz dos Planos Superiores, é indispensável que a nossa vontade abrace espontaneamente o trabalho por alimento de cada dia.

No pretérito, apreciávamo-lo por atitude servil de quantos caíssem sob o ferrete da injúria.

A escola, as artes, as virtudes domésticas, a indústria e o amanho do solo eram relegados a mãos escravas, reservando-se os braços supostos livres para a inércia dourada.

Hoje, porém, sabemos que a lei do trabalho é roteiro da justa emancipação.

Sem ela, o mundo mental dorme estanque. 

Fugir-lhe aos impositivos é situar-se à margem do caminho, onde o carro da evolução marcha, inflexível, deixando à retaguarda quantos se amolgam à ilusão da preguiça.

O usurário não padece apenas a infelicidade de sequestrar os bens devidos ao Bem de Todos, mas igualmente o infortúnio de erguer para si mesmo a cova adornada em que se lhe estiolarão as mais nobres faculdades do espírito.

Não vale, contudo, agir por agir.

As regiões infernais vibram repletas de movimento.

Além do trabalho-obrigação que nos remunera de pronto, é necessário nos atenhamos ao prazer de servir.

Nas contingências naturais do desenvolvimento terrestre, o Espírito encarnado é compelido a esforço incessante, para o sustento do corpo físico. 

Recolhe, de graça, a água pura, os princípios solares e os recursos nutrientes da atmosfera; entretanto, é preciso suar e sofrer em busca da proteína e do carboidrato que lhe assegurem a euforia orgânica.

Cativo, embora, às injunções do Plano de obscura matéria em que transitoriamente respira, pode, porém, desde a Terra, fruir a ventura do serviço voluntário aos semelhantes todo aquele que descerre o espelho da própria alma aos reflexos da Esfera Divina.

O trabalho-ação transforma o ambiente.

O trabalho-serviço transforma o homem.

As tarefas remuneradas conquistam o agradecimento de quem lhes recebe o concurso, mas permanecem adstritas ao mundo, nas linhas da troca vulgar.

A prestação de concurso espontâneo, sem qualquer base de recompensa, desdobra a influência da Bondade Celestial que a todos nos ampara sem pagamento.

À maneira que se nos alonga a ascensão, entendemos com mais clareza a necessidade de trabalhar por amor de servir.

Quando começamos a ajudar o próximo, sem aguilhões, matriculamo-nos no acrisolamento da própria alma, entrando em sintonia com a Vida Abundante.

Nos círculos mais elevados do espírito, o trabalho não é imposto. 

A criatura consciente da verdade compreende que a ação no bem é ajustamento às Leis de Deus e a ela se rende por livre vontade.

Por isso, nos domínios superiores, quem serve avança para os cimos da imortalidade radiosa, reproduzindo dentro de si mesmo as maravilhas do Céu que nos rodeia a espelhar-se por toda parte.


Emmanuel







sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 86 - Trabalho - Fala da esperança



Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 86 - 

Trabalho 

Fala da esperança 


Não podemos falar de esperança sem mencionar o trabalho, que dignifica todas as coisas. Tudo o que existe está vinculado ao labor. Falemos, por exemplo, da esperança, mas teremos de lutar para alcançá-la, que ela conforta e traz a paz ao coração.

Busquemos, pois, todos os dias, acertar nossa vida, aprimorando nossas ideias e consertando nossas atitudes, para que possamos alcançar a harmonia, passando a vivê-la. Eis a esperança a surgir nos caminhos de quem lida, buscando o melhor, sem que a blasfêmia saia de sua boca.

O comum é nos alegrarmos somente quando estamos sendo agraciados com a paz, com o bem-estar; vamos, entretanto, agradecer a Deus por tudo o que recebemos, nas dimensões que o Senhor achar conveniente. Espalhar o inconveniente é responsabilizar- se pelo mal que se faz. E é nesta hora que devemos falar da esperança e da fé, e fazer a caridade confiando nela, para que o amor nos sustente a vida.

Devemos usar o nosso tempo no esmero, aprimorando-nos cada vez mais, de maneira que a nossa vida fique mais sublimada em altos entendimentos. Comecemos logo a tarefa nos pensamentos, de modo que as nossas ideias sejam puras e a nossa atenção voltada em direção à palavra, de tal modo que ela seja purificada, fazendo crescer o bem, estendendo o amor por onde quer que seja.

Levanta, meu irmão, o teu ânimo em tudo o que fizeres e confia no Senhor, porque quando nos falta a esperança, sentimo-nos enfraquecidos nas lutas. Se o serviço é bom, vamos em frente, ajudando aos que sofrem; se o trabalho é bom, auxiliemos aos que padecem; se o trabalho é vida, laboremos todos os dias para espalhar essas bênçãos de Deus em todo o mundo. Acha-se entregue a nós o cuidado de fazer circular o exercício da caridade.

Não podemos esquecer a natureza, que trabalha no silêncio, em benefício de todos, sem exigências; são as “mãos” de Deus operando por todos os meios, ajudando e servindo, ofertando paz e alegria para todos os povos: observa os frutos, a alimentação, os remédios, e mesmo as vestes, a variedade do que precisamos... Ela, a natureza, se fez mãe e nos entrega com amor e carinho, na feição de caridade, tudo o que é produto do trabalho divino.

Compete a todos nós agradecer pelo que recebemos e também doar com alegria; libertemo-nos da inércia, abraçando, sem perda das horas, o serviço a fazer, que as bênçãos da luz chegarão ao ambiente do trabalho. E tudo isso ser-nos-á a grande esperança.

Juntemo-nos ao Cristo no trabalho com Deus, porque Ele nos diz que o Pai labora sempre, e que nunca parou na obra do bem universal. Se acreditamos que a vida é movimento, essa é a tarefa universal de Deus.


Miramez









Fonte: Cura-te a ti mesmo-pdf

sábado, 1 de agosto de 2020

Batuíra - Livro Seguindo Juntos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10 - Trabalho, o grande privilégio



Batuíra - Livro Seguindo Juntos - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10


Trabalho, o grande privilégio


A imagem do Semeador,  trazida por Jesus às nossas considerações, é um ensinamento perfeito.

Em verdade, Deus oferece:

a bênção do sol;

a generosidade da Terra;

a colaboração da fonte;

o amparo do adubo;

a força da vida;

a oportunidade de servir;

a felicidade de imaginar;

a luz do discernimento;

a hospedagem do campo;

a alegria da ação;

os recursos todos que dignificam a paisagem, na qual o Homem — Filho e Colaborador da Criação — é chamado a atuar.

Deus lhe dá tudo — tudo aquilo de que carece para engrandecer-se e resguardar-se, progredir e elevar-se cada vez mais: entretanto, embora lhe conceda tudo, até mesmo a semente que explodirá em prodígios de vida e evolução, felicidade e aperfeiçoamento, pede a ele unicamente para que exerça o privilégio de trabalhar.

A lição evangélica é simples e clara. Nós que estamos despertos para a renovação, aproveitemos o tempo e saibamos trabalhar e servir sempre, porque nisso residem as nossas bênçãos maiores.


Batuíra









Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Léon Denis - Livro Depois da Morte - Cap. 52 - Trabalho, Sobriedade, Continência



Léon Denis - Livro Depois da Morte - Cap. 52

Trabalho, Sobriedade, Continência


A primeira condição para se conservar a alma livre, a inteligência sã, a razão lúcida é a de ser sóbrio e casto. Os excessos de alimentação perturbam-nos o organismo e as faculdades; a embriaguez faz-nos perder toda a dignidade e toda a moderação. O seu uso contínuo produz uma série de moléstias, de enfermidades, que acarretam uma velhice miserável.

Dar ao corpo o que lhe é necessário, a fim de torná-lo servidor útil e não tirano, tal é a regra do homem criterioso. Reduzir a soma das necessidades materiais, comprimir os sentidos, domar os apetites vis é libertar-se do jugo das forças inferiores, é preparar a emancipação do Espírito. Ter poucas necessidades é também uma das formas da riqueza.

A sobriedade e a continência caminham juntas. Os prazeres da carne enfraquecem-nos, enervam-nos, deviam-nos da sabedoria. A volúpia é como um abismo onde o homem vê soçobrar todas as suas qualidades morais. Longe de nos satisfazer, atiça os nossos desejos. Desde que a deixamos penetrar em nosso seio, ela invade-nos, absorve-nos e, como uma vaga, extingue tudo quanto há de bom e generoso em nós. Modesta visitante ao principio, acaba por dominar-nos, por se apossar de nós completamente.

Evitai os prazeres corruptores em que a juventude se estiola, em que a vida se desseca e altera. Escolhei um momento oportuno uma companheira e sede-lhe fiel. Constituis uma família. A família é o estado natural de uma existência honesta e regular. O amor da esposa, a afeição dos filhos, a sã atmosfera do lar são preservativos soberanos contra as paixões. No meio dessas criaturas que nos são caras e vêem em nós seu principal arrimo, o sentimento de nossa responsabilidade se engrandece; nossa dignidade e nossa circunspecção acentuam-se; compreendemos melhor os nossos deveres e, nas alegrias que essa vida nos concede, colhemos as forças que nos tornam suave o seu cumprimento. Como ousar cometer atos que fariam envergonhar-nos sob o olhar da esposa e dos filhos? Aprender a dirigir os outros é aprender a dirigir-se a si próprio, a tornar-se prudente e criterioso, a afastar tudo o que pode manchar-nos a existência.

É condenável o viver insulado. Dar, porém, nossa vida aos outros, sentirmo-nos reviver em criaturas de quem soubemos fazer pessoas úteis, servidores zelosos para a causa do bem e da verdade, morrermos depois de deixar cimentado um sentimento profundo do dever, um conhecimento amplo dos destinos é uma nobre tarefa.

Se há uma exceção a essa regra, esta será em favor daqueles que, acima da família, colocam a Humanidade e que, para melhor servi-la, para executar em seu proveito alguma missão maior ainda, quiseram afrontar sozinhos os perigos da vida, galgar solitários a vereda árdua, consagrar todos os seus instantes, todas as suas faculdades, toda a sua alma a uma causa que muitos ignoram, mas que eles jamais perderam de vista.

A sobriedade, a continência, a luta contra as seduções dos sentidos não são, como pretendem os mundanos, uma infração às leis morais, um amesquinhamento da vida; ao contrário, elas despertam em quem as observa e executa uma percepção profunda das leis superiores, uma intuição precisa do futuro. O voluptuoso, separado pela morte de tudo que amava, consome-se em vãos desejos. Frequenta as casas de deboche, busca os lugares que lhe recordam o modo de vida na Terra e, assim, prende-se cada vez mais a cadeiras materiais, afasta-se da fonte dos puros gozos e vota-se à bestialidade, às trevas.

Atirar-se as volúpias carnais é privar-se por muito tempo da paz que usufruem os Espíritos elevados. Essa paz somente pode ser adquirida pela pureza. Não se observa isso desde a vida presente? As nossas paixões e os nossos desejos produzem imagens, fantasmas que nos perseguem até no sono e perturbam as nossas reflexões. Mas, longe dos prazeres enganosos, o Espírito bom concentra-se, retempera-se e abre às sensações delicadas. Os seus pensamentos elevam-se ao infinito. Desligado com antecedência das concupiscências ínfimas, abandona sem pesar o seu corpo exausto.

Meditemos muitas vezes e ponhamos em prática o provérbio oriental. Sê puro para seres feliz e para seres forte!


Léon Denis








Fonte: Depois da Morte-pdf