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quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Auta de Souza - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16 - Maria



Auta de Souza - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16


Toda a expressão de ternura
Do mundo de provação,
Nos Céus ditosos procura
A sua excelsa afeição.

Consolo das mães piedosas,
Cheias de mágoa e de pranto,
Sobre quem atira as rosas
Do seu Amor sacrossanto.

Ninguém diz, ninguém traduz
Essa visão da Harmonia,
Visão de paz e de luz,
Paz dos Céus! Ave-Maria!


Auta de Souza






Um exemplo em vida na Terra e no Além-túmulo, Auta de Souza nasceu em Macaíba, pequena cidade do Rio Grande do Norte, em 12 de setembro de 1876, desencarnou em 7 de Fevereiro de 1901, portanto, aos 24 anos, em Natal. Antes de ter completado 3 anos, ficou órfã de mãe, e aos 4 anos, de pai. A sua existência na Terra foi assinalada por sofrimentos acerbos. Antes dos 12 anos, foi matriculada no Colégio São Vicente de Paulo, onde recebeu acolhida das religiosas francesas que o dirigiam e lhe ofereceram primorosa educação: literatura, inglês, música, desenho, e aprendeu a dominar também o francês. Deixou um único livro, Horto, cuja primeira edição, prefaciada por Olavo Bilac, em Outubro de 1899, apareceu em 1900 e se esgotou em três meses. Era vista lendo para as crianças pobres, para as mulheres humildes e escravizados. Foi através de psicografias feitas por Chico Xavier que ela, pela primeira vez, revelou sua identidade, ao transmitir suas poesias no ano de 1932 no livro “Parnaso de Além-túmulo".

Sob a orientação do Espírito Auta de Souza, o médium Divaldo Franco fundou a Caravana Auta de Souza no Centro Espírita Caminho da Redenção, em setembro de 1948, para atendimento a famílias necessitadas, com o auxílio de vários colaboradores. Neste ano, a Caravana Auta de Souza completou, no último dia 9, 73 anos ininterruptos de exercício no bem.



quarta-feira, 8 de maio de 2024

Um Desconhecido - Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 54 - Meditando



Um Desconhecido - Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 54


Meditando


Eu fui daquelas almas que viveram
Sem conhecer da Terra os paraísos,
Que somente a amargura dos sorrisos
Pela noite das dores conheceram

Não que eu fosse infeliz e desditoso,
Pois fui também humano entre os humanos,
E através dos meus dias, dos meus anos,
Se eu quisesse gozar, teria o gozo.

É que ao sentir no âmago do peito
A atitude do homem nessa vida,
Coração enganado, alma iludida,
Afastado do Puro e do Perfeito,

O meu ser que sonhara a Humanidade
Qual um ramo de flores perfumosas,
Viu as almas tremerem, desditosas,
Sob o peso da própria iniquidade.

E isolado nos grandes sofrimentos
De ser só, na aspereza dos caminhos,
Encontrei o prazer pelos espinhos,
Ao trilhar os carreiros dos tormentos.

Pois no mundo pequeno da minh'alma,
Quando em dor me envolvia a desventura,
Eu vislumbrava a luz brilhante e pura
Que me trazia a paz, bonança e calma:

— Era a luz que me vinha da visão
De ver o Cristo-Amor, entre cansaços,
E tinha então prazer de ver meus braços
Enlaçados na cruz da provação.


Um Desconhecido













quinta-feira, 18 de abril de 2024

Antero de Quental - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10 - Deus




Antero de Quental - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10


Deus


Quem, senão Deus, criou obra tamanha,
O espaço e o tempo, as amplidões e as eras,
Onde se agitam turbilhões de esferas,
Que a luz, a excelsa luz, aquece e banha?

Quem, senão ELE fez a esfinge estranha
No segredo inviolável das moneras,
No coração dos homens e das feras,
No coração do mar e da montanha?!

Deus!… somente o Eterno, o Impenetrável,
Poderia criar o imensurável
E o Universo infinito criaria!…

Suprema paz, intérmina piedade,
E que habita na eterna claridade
Das torrentes da Luz e da Harmonia!! 


Antero de Quental










Nascido na ilha de S. Miguel, nos Açores, em 1842 e desencarnado por suicídio em 1891. É vulto eminente e destacado nas letras portuguesas, caracterizando-se pelo seu espírito filosófico.





quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Cruz e Souza - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 26 - Anjos da Paz



Cruz e Souza - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 26


Anjos da Paz


Ó luminosas formas alvadias
Que desceis dos espaços constelados
Para lenir a dor dos desgraçados
Que sofrem nas terrenas gemonias!

Vindes de ignotas luzes erradias,
De lindos firmamentos estrelados,
Céus distantes que vemos, dominados
De esperanças, anseios e alegrias.

Anjos da Paz, radiosas formas claras,
Doces visões de etéricos carraras
De que o espaço fúlgido se estrela!…

Clarificai as noites mais escuras
Que pesam sobre a terra de amarguras,
Com a alvorada da Paz, ditosa e bela…


Cruz e Souza




Catarinense. Funcionário público, encarnou em 1861 e desprendeu-se em 1898, no Estado de Minas. Poeta de emotividade delicada, soube, mercê de um simbolismo inconfundível, marcar sua individualidade literária. Sua vida foi toda dores.






domingo, 20 de fevereiro de 2022

Augusto dos Anjos - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15 - Ao homem




Augusto dos Anjos - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 15


Ao homem


Tu não és força nêurica somente,
Movimentando células de argila,
Lama de sangue e cal que se aniquila
Nos abismos do Nada eternamente;

És mais, és muito mais, és a cintila
Do Céu, a alma da luz resplandecente,
Que um mistério implacável e inclemente
Amortalhou na carne atra e intranquila.

Apesar das verdades fisiológicas,
Reflexas das ações psicológicas,
Nas células primevas da existência,

És um ser imortal e responsável,
Que tens a liberdade incontestável
E as lições da verdade na consciência.


Augusto dos Anjos 




Paraibano. Nasceu em 1884 e desencarnou em 1914, na cidade de Leopoldina, Minas. Era professor no Colégio Pedro II. Inconfundível pela bizarria da técnica, bem como dos assuntos de sua predileção, deixou um só livro — Eu — que foi, aliás, suficiente para lhe dar personalidade original.




terça-feira, 14 de setembro de 2021

Auta de Souza - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16 - Prece



Auta de Souza - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 16


Prece


Estendei vossa mão bondosa e pura,
Mãe querida dos fracos pecadores,
Aos corações dos pobres sofredores
Mergulhados nos prantos da amargura.

Derramai vossa luz, toda esplendores,
Da imensidade, da radiosa altura,
Da região ditosa da ventura,
Sobre a sombra dos cárceres das dores!

Ó Mãe! excelsa Mãe de anjos celestes.
Mais amor, desse amor que já nos destes,
Queremos nós em cada novo dia;

Vós que mudais em flores os espinhos,
Transformai toda a treva dos caminhos
Em clarões refulgentes de alegria.


Auta de Souza






Um exemplo em vida na Terra e no Além-túmulo, Auta de Souza nasceu em Macaíba, pequena cidade do Rio Grande do Norte, em 12 de setembro de 1876, desencarnou em 7 de Fevereiro de 1901, portanto, aos 24 anos, em Natal. Antes de ter completado 3 anos, ficou órfã de mãe, e aos 4 anos, de pai. A sua existência na Terra foi assinalada por sofrimentos acerbos. Antes dos 12 anos, foi matriculada no Colégio São Vicente de Paulo, onde recebeu acolhida das religiosas francesas que o dirigiam e lhe ofereceram primorosa educação: literatura, inglês, música, desenho, e aprendeu a dominar também o francês. Deixou um único livro, Horto, cuja primeira edição, prefaciada por Olavo Bilac, em Outubro de 1899, apareceu em 1900 e se esgotou em três meses. Era vista lendo para as crianças pobres, para as mulheres humildes e escravizados. Foi através de psicografias feitas por Chico Xavier que ela, pela primeira vez, revelou sua identidade, ao transmitir suas poesias no ano de 1932 no livro “Parnaso de Além-túmulo".

Sob a orientação do Espírito Auta de Souza, o médium Divaldo Franco fundou a Caravana Auta de Souza no Centro Espírita Caminho da Redenção, em setembro de 1948, para atendimento a famílias necessitadas, com o auxílio de vários colaboradores. Neste ano, a Caravana Auta de Souza completou, no último dia 9, 73 anos ininterruptos de exercício no bem.



sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Castro Alves - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 24 - Marchemos!




Castro Alves - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 24


Marchemos!


Há mistérios peregrinos
No mistério dos destinos
Que nos mandam renascer:
Da luz do Criador nascemos,
Múltiplas vidas vivemos,
Para a mesma luz volver.

Buscamos na Humanidade
As verdades da Verdade,
Sedentos de paz e amor;
E em meio dos mortos-vivos
Somos míseros cativos
Da iniquidade e da dor.

É a luta eterna e bendita,
Em que o Espírito se agita
Na trama da evolução;
Oficina onde a alma presa
Forja a luz, forja a grandeza
Da sublime perfeição.

É a gota d’água caindo
No arbusto que vai subindo,
Pleno de seiva e verdor;
O fragmento do estrume,
Que se transforma em perfume
Na corola de uma flor.

A flor que, terna, expirando,
Cai ao solo fecundando
O chão duro que produz,
Deixando um aroma leve
Na aragem que passa breve,
Nas madrugadas de luz.

É a rija bigorna, o malho,
Pelas fainas do trabalho,
A enxada fazendo o pão;
O escopro dos escultores
Transformando a pedra em flores,
Em Carraras de eleição.

É a dor que através dos anos,
Dos algozes, dos tiranos,
Anjos puríssimos faz,
Transmutando os Neros rudes
Em arautos de virtudes,
Em mensageiros de paz.

Tudo evolui, tudo sonha
Na imortal ânsia risonha
De mais subir, mais galgar;
A vida é luz, esplendor;
Deus somente é o seu amor,
O Universo é o seu altar.

Na Terra, às vezes se acendem
Radiosos faróis que esplendem
Dentro das trevas mortais;
Suas rútilas passagens
Deixam fulgores, imagens,
Em reflexos perenais.

É o sofrimento do Cristo,
Portentoso, jamais visto,
No sacrifício da cruz,
Sintetizando a piedade,
E cujo amor à Verdade
Nenhuma pena traduz.

É Sócrates e a cicuta,
É César trazendo a luta,
Tirânico e lutador;
É Cellini com sua arte,
Ou o sabre de Bonaparte,
O grande conquistador.

É Anchieta dominando,
A ensinar catequizando
O selvagem infeliz;
É a lição da humildade,
De extremosa caridade
Do pobrezinho de Assis.

Oh! bendito quem ensina,
Quem luta, quem ilumina,
Quem o bem e a luz semeia
Nas fainas do evolutir:
Terá a ventura que anseia
Nas sendas do progredir.

Uma excelsa voz ressoa,
No Universo inteiro ecoa:
“Para a frente caminhai!
“O amor é a luz que se alcança,
“Tende fé, tende esperança,
“Para o Infinito marchai!”


Castro Alves





Antônio Frederico de Castro Alves nasceu em Muritiba-BA em 1847 e desencarnou em Salvador a 6 de Julho de 1871. Tornou-se o mais consagrado poeta brasileiro de todos os tempos. Com apenas 24 anos de existência deixou obras de grande alcance social. O quanto pode, trabalhou pela libertação dos escravos. 

Mocidade radiosa, o autor consagrado de Espumas Flutuantes de uma beleza arrebatadora, exerceu nas rodas literárias do seu tempo a mais justa e calorosa das projeções. Nesta poesia sente-se o crepitar da lira que modulou - O Livro e a América. 

O poema “Marchemos” de “Parnaso de Além Túmulo”, editado pela Federação Espírita Brasileira em 6 de julho de 1932, foi o primeiro livro de Chico Xavier.



quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Amaral Ornellas - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 9 - Ave Maria




Amaral Ornellas - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 9


Ave Maria


Ave Maria! Senhora
Do Amor que ampara e redime,
Ai do mundo se não fora
A vossa missão sublime!

Cheia de graça e bondade,
É por vós que conhecemos
A eterna revelação
Da vida em seus dons supremos.

O Senhor sempre é convosco,
Mensageira da ternura,
Providência dos que choram
Nas sombras da desventura.

Bendita sois vós, Rainha!
Estrela da Humanidade
Rosa mística da fé,
Lírio puro da humildade!

Entre as mulheres sois vós
A Mãe das mães desvalidas,
Nossa porta de esperança,
E Anjo de nossas vidas!

Bendito o fruto imortal
Da vossa missão de luz,
Desde a paz da Manjedoura,
Às dores, além da Cruz.

Assim seja para sempre,
Oh! Divina Soberana,
Refúgio dos que padecem
Nas dores da luta humana.

Ave Maria! Senhora
Do Amor que ampara e redime,
Ai do mundo se não fora
A vossa missão sublime!


Amaral Ornellas





Amaral Ornellas. Funcionário público. Nasceu no Rio de Janeiro em 20 de Outubro de 1885 e desencarnou a 5 de Janeiro de 1923. Talento brilhante, deixou dois volumes de Poesia, consagrados pela crítica coeva, além de copiosa literatura teatral e doutrinária.


segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Júlio Diniz - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 39 - O Esposo da Pobreza




Júlio Diniz - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 39


O Esposo da Pobreza


Francisco de Assis, um dia,
Assim que deixara a orgia
No castelo,
Entregou-se à Natureza,
A uma vida de aspereza
Num canto doce e singelo.

Abandonara a vaidade,
Buscando a paz da humildade,
A santa luz da harmonia;
E nas horas de repouso,
Francisco em estranho gozo
A voz de Jesus ouvia:

— «Filho meu, faze-te esposo
Da pobreza desvalida,
Emprega toda a tua vida
Na doce faina do bem.
Francisco, ouve, 
Ninguém vai aos Céus sem a bondade,
Que é a grande felicidade
De todos os corações.

Esquece as imperfeições!.
Vai, conforta os desgraçados,
Sedentos e esfomeados,
Flagelados pela dor.
Quem alivia e consola,
Recebe também a esmola
Das luzes do meu amor!»

Francisco chorava e ria,
E em divinal alegria
Via os lírios e os jasmins,
Que não fiam, que não tecem,
Com roupagens que parecem
Vestidos de Serafins;
As aves que não trabalham
E no entanto se agasalham,
Nos celeiros da fartura,
Saltando de galho em galho,
Buscando a graça do orvalho,
Bênção do Céu, doce e pura.

Via a terra enverdecida
Exaltando a força e a vida,
A seiva misteriosa
No seio dos vegetais,
E a ânsia cariciosa
Das almas dos animais.

E sobretudo, inda via,
A sacrossanta harmonia
Do coração sofredor,
Que não tendo amor nem luz,
Tem tesouros de esplendor
No terno amor de Jesus.

Francisco de Assis, então,
Submerso o coração
Em sublimes alegrias,
Entregou-se às harmonias
Vibrantes da Natureza,
Tornou-se o amparo da dor
E guiado pelo amor
Fez-se o Esposo da Pobreza…


Júlio Diniz



Júlio Diniz. Poeta português, nascido em 1839 e desencarnado na cidade do Porto, em 1871. Com este pseudônimo, pois que o seu nome é Joaquim Guilherme Gomes Coelho, notabilizou-se mais como romancista, principalmente com As Pupilas do Sr. Reitor. A edição póstuma de Poesias exaltou, di-lo um comentador, as suas qualidades primaciais de prosador, sem embargo de possuírem os seus versos um certo encanto melancólico.