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sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Castro Alves - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 24 - Marchemos!




Castro Alves - Livro Parnaso de Além-Túmulo - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 24


Marchemos!


Há mistérios peregrinos
No mistério dos destinos
Que nos mandam renascer:
Da luz do Criador nascemos,
Múltiplas vidas vivemos,
Para a mesma luz volver.

Buscamos na Humanidade
As verdades da Verdade,
Sedentos de paz e amor;
E em meio dos mortos-vivos
Somos míseros cativos
Da iniquidade e da dor.

É a luta eterna e bendita,
Em que o Espírito se agita
Na trama da evolução;
Oficina onde a alma presa
Forja a luz, forja a grandeza
Da sublime perfeição.

É a gota d’água caindo
No arbusto que vai subindo,
Pleno de seiva e verdor;
O fragmento do estrume,
Que se transforma em perfume
Na corola de uma flor.

A flor que, terna, expirando,
Cai ao solo fecundando
O chão duro que produz,
Deixando um aroma leve
Na aragem que passa breve,
Nas madrugadas de luz.

É a rija bigorna, o malho,
Pelas fainas do trabalho,
A enxada fazendo o pão;
O escopro dos escultores
Transformando a pedra em flores,
Em Carraras de eleição.

É a dor que através dos anos,
Dos algozes, dos tiranos,
Anjos puríssimos faz,
Transmutando os Neros rudes
Em arautos de virtudes,
Em mensageiros de paz.

Tudo evolui, tudo sonha
Na imortal ânsia risonha
De mais subir, mais galgar;
A vida é luz, esplendor;
Deus somente é o seu amor,
O Universo é o seu altar.

Na Terra, às vezes se acendem
Radiosos faróis que esplendem
Dentro das trevas mortais;
Suas rútilas passagens
Deixam fulgores, imagens,
Em reflexos perenais.

É o sofrimento do Cristo,
Portentoso, jamais visto,
No sacrifício da cruz,
Sintetizando a piedade,
E cujo amor à Verdade
Nenhuma pena traduz.

É Sócrates e a cicuta,
É César trazendo a luta,
Tirânico e lutador;
É Cellini com sua arte,
Ou o sabre de Bonaparte,
O grande conquistador.

É Anchieta dominando,
A ensinar catequizando
O selvagem infeliz;
É a lição da humildade,
De extremosa caridade
Do pobrezinho de Assis.

Oh! bendito quem ensina,
Quem luta, quem ilumina,
Quem o bem e a luz semeia
Nas fainas do evolutir:
Terá a ventura que anseia
Nas sendas do progredir.

Uma excelsa voz ressoa,
No Universo inteiro ecoa:
“Para a frente caminhai!
“O amor é a luz que se alcança,
“Tende fé, tende esperança,
“Para o Infinito marchai!”


Castro Alves





Antônio Frederico de Castro Alves nasceu em Muritiba-BA em 1847 e desencarnou em Salvador a 6 de Julho de 1871. Tornou-se o mais consagrado poeta brasileiro de todos os tempos. Com apenas 24 anos de existência deixou obras de grande alcance social. O quanto pode, trabalhou pela libertação dos escravos. 

Mocidade radiosa, o autor consagrado de Espumas Flutuantes de uma beleza arrebatadora, exerceu nas rodas literárias do seu tempo a mais justa e calorosa das projeções. Nesta poesia sente-se o crepitar da lira que modulou - O Livro e a América. 

O poema “Marchemos” de “Parnaso de Além Túmulo”, editado pela Federação Espírita Brasileira em 6 de julho de 1932, foi o primeiro livro de Chico Xavier.



terça-feira, 7 de abril de 2020

Castro Alves - Livro Entender Conversando - Chico Xavier - Cap. 7 - Poema de Castro Alves




Castro Alves - Livro Entender Conversando - Chico Xavier - Cap. 7


Poema de Castro Alves




“ANO INTERNACIONAL DA CRIANÇA” 

— A criança sempre foi a preocupação maior de Chico Xavier — concluiu o apresentador do programa.

E Chico Xavier lê, então, o poema “Ano Internacional da Criança”, que psicografou de Castro Alves, em 11/10/1979:


Na tela imensa da História,
A Era Cristã se eleva
Por luz num trono de treva
Sobre trágico estopim.
O mundo traz na memória
O terror da força bruta,
Vinte séculos de luta
Entre Jesus e Caim.

Depois de trezentos anos
De sacrifícios pungentes,
Os cristãos puros e crentes
Altearam-se em valor;
Aderindo aos novos planos
Da argúcia de Constantino,
Mudou-se-lhes o destino
Ao pulso do Imperador.

Desde o encontro de Niceia,
A Cristandade partida
Na vivência dividida,
Por vezes, perde a razão:
Nas divergências de ideia,
Olvida ensinos e luzes
E explode em crises e obuses
Rugindo condenação.

Nos chamados Tempos Novos
Da cultura de alto nível,
A guerra, — loba terrível,
Parece oculta no ar.
Na trilha dos grandes povos,
Clama o Progresso: — “ao Porvir”!…
Pede o ódio: — “destruir”,
E o Tempo roga: — “Marchar”!…

O mundo atônito avança,
A Ciência vai à Lua,
O cérebro continua
Colecionando lauréis;
Nas almas, a insegurança
Gera conflitos violentos,
Nos Países — armamentos,
Nos Lares — provas cruéis.

Na bárbara desavença,
A Criança vem à vida
Muitas vezes esquecida
Em lúgubres escarcéus.
Hoje, — infância que não pensa
Atirada à indisciplina,
Amanhã, — queda e ruína
No abismo dos grandes réus.

Multidões gritam nas praças
Protestos, lutas e esquemas,
Apresentando os problemas
A que o Homem se conduz.
Indagam nações e raças:
— “Antes que a Paz surja tarde,
Que gênio nos tome e guarde”?
Responde o Brasil: “Jesus”!




Castro Alves




Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano