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terça-feira, 11 de março de 2025

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 1ª Parte - Das causas primárias - Cap. I - De Deus - Provas da existência de Deus - Questão 8 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 1ª Parte - Das causas primárias - Cap. I - De Deus


Provas da existência de Deus


8. Que se deve pensar da opinião dos que atribuem a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou, por outra, ao acaso?

“Outro absurdo! Que homem de bom-senso pode considerar o acaso um ser inteligente? E, demais, que é o acaso? Nada.”

A.K.: A harmonia existente no mecanismo do Universo patenteia combinações e desígnios determinados e, por isso mesmo, revela um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso é insensatez, pois que o acaso é cego e não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um acaso inteligente já não seria acaso.


Allan Kardec




O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez
Questão 08 comentada


O orgulho nos faz esconder Deus, pela fraqueza do entendimento, colocando-O como acaso, palavra que nada expressa na linguagem dos homens. E quem O desmerece esconde os Seus próprios valores, porque dependemos da Sua iluminada presença e da Sua magnânima existência espiritual. Se o acaso não existe, como compará-lo a um ser que existiu sempre e que tem mais existência do que toda a criação junta? Absurdo dos absurdos!

Nada se faz por acaso. Para tudo existem leis que nos pedem obediência. Para que a harmonia se faça, é justo que observes o mundo em que vives. Não se pode viver sem que se tenha leis para obedecer, e ao infrator vem logo a corrigenda. As coisas espirituais obedecem às mesmas regras e o Comando Divino é vigilante, operando em todos os sentidos para que estas leis sejam cumpridas, no sentido de estabelecer a paz e o bem-estar em todas as direções da vida.

A alma já moralizada é obediente; ela estuda e compreende o que deve ser feito e respeita todos os direitos alheios; por isso é que vive em paz com a consciência. Enquanto não trabalharmos os caminhos traçados e vividos por Jesus, permaneceremos em guerra em nós mesmos e sofreremos as conseqüências da nossa ignorância.

A própria ciência dos homens desmente o acaso, porque para tudo tem uma explicação lógica. A gestação de um filho no ventre de sua mãe ou a formação de um fruto e de uma flor era debitada na conta dos mistérios, atribuída ao acaso, por não se saberem os fundamentos da própria vida estuante e vigorosa em toda a criação. Entretanto, agora, no século vinte, na hora da luz, quando os Céus se aproximam dos homens, ou quando os homens abrem os corações ante outras dimensões da vida, não se deve falar em acaso, por esse assunto marcar ou reavivar os caminhos da ignorância espiritual. O acaso, ainda que tivesse existido, teria morrido por falta de alimento.

Se todo efeito tem uma causa, na dedução comum entre os homens, eis que os efeitos invisíveis estão apoiados em causas mais sutis do que pensas. Em tudo, repitamos, existe um Comando Inteligente que de nada esquece, uma Onisciência operando para a harmonia de todas as coisas. Isso certamente nos dá muita alegria, e a esperança cresce para a dimensão do amor.

O respeito a Deus deve ser o primeiro ato de cada dia, como que uma oração de agradecimento por tudo que recebemos do Seu imensurável amor, e esse ato nos colocará mais próximo da Sua ação benfeitora. Cumpre-nos esclarecer que Deus está presente em nossa vida e faz o nosso viver, deixando a nossa parte para que a façamos com as nossas próprias forças. Mesmo assim, a Sua misericórdia é tamanha que, se pedimos ajuda, além da que Ele nos dá naturalmente, pela Sua inestimável bondade e o Seu inesgotável amor a todos os Seus filhos, Ele nos atenderá. Porem, não nos façamos surdos às Suas leis, para que não venhamos cair em novas e piores tentações.

Esqueçamo-nos do nada e lembremo-nos do Tudo. Esqueçamo-nos da inércia e lembremo-nos do trabalho. Trabalhando, esqueçamo-nos do ódio e abracemo-nos, vivendo o amor, porque essa disposição à verdade nos garantirá a paz espiritual e a alegria permanente no coração.

Vamos nos lembrar de Jesus com todo o carinho, Ele que veio anunciar para todas as criaturas o Reino de Deus, lembrando-nos que nenhuma das Suas ovelhas se perderia, e que não existe órfão na casa do Pai. Isso significa esperança para todos nós, encarnados e desencarnados, pela presença da Fé. É bom que deixemos bem claro que todas as combinações da matéria são forças de Deus na luz do teu entendimento.


Miramez 






Livro Filosofia Espírita - Vol. 1 - João Nunes Maia
Cap. 8 - O que é o acaso




quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 1ª Parte - Das causas primárias - Cap. 3 - Da criação - Diversidade das raças humanas - Questão 54 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 1ª Parte - Das causas primárias - Cap. 3 - Da criação


Diversidade das raças humanas 


54. Pelo fato de não proceder de um só indivíduo a espécie humana, devem os homens deixar de considerar-se irmãos?

“Todos os homens são irmãos em Deus, porque são animados pelo espírito e tendem para o mesmo fim. Estais sempre inclinados a tomar as palavras na sua significação literal.”


Allan Kardec 



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez
Questão 54 comentada

Somos todos filhos do mesmo Pai, Deus, única força reconhecidamente livre e poderosa, que criou e assiste todas as coisas geradas no Seu seio. Ninguém vive à parte do Criador.

Se, porventura, alguma alma fosse desligada da fonte universal, ela pereceria, porque vivemos e nos alimentamos nela. As variações de raças que existem não impedem a nossa irmandade e nos favorecem numa tônica altamente grandiosa, por constatarmos a grande inteligência d'Aquele que nos fez.

Todos os homens são irmãos em Deus, certamente que o somos, e são esses laços de originalidade que nos levam a amar aos nossos semelhantes, depois que o nosso amor já provou a gratidão ao nosso Pai que está nos céus. Além da afinidade profunda com os nossos semelhantes, a palavra irmão não se aplica somente no reino dos homens; ela avança e domina todos os reinos da natureza, naquele aconchego eterno, porque entre os homens e eles se processa uma troca interminável de valores, que amplia cada vez mais as forças que nos sustentam a todos. E saindo da faixa em que vivem, os homens podem regalar-se, por serem, igualmente irmãos dos anjos, agentes divinos do Senhor, que trabalham e alimentam a vida em todas as direções do infinito.

A humanidade atual está ansiosa para conhecer o desconhecido. Na verdade, terá sempre o desconhecido pela frente, porém, devemos trabalhar para desvendar os segredos da Divindade, sem deixar a porta de entrada mais próxima e verdadeira, para buscar entradas distantes e ilusórias. A ciência exterior é de grande valor e deve ser pesquisada, mas, a porta de ouro por onde deves entrar, na senda da busca, não está fora, mas dentro de cada criatura; não está longe, mas ao toque das mãos. Deus colocou a gema da vida vibrando em cada criatura, com a perfeição das Suas próprias mãos; nunca fez algo imperfeito, por ser Deus.

Todas as divisões que existem na casa maior partem da mesma fonte, nasceram de um só elemento primitivo, que o cinetismo cósmico faz transformar em espécies diferentes, para que o belo se expresse com todo vigor, em nuances indescritíveis, na lavoura do Senhor. Eis aí a igualdade de tudo que vive e se manifesta no universo. No esquema divino ninguém está perto ou longe; todos estamos na eternidade juntos, vivendo e desfrutando da vida do grande Foco Universal, como filhos da Luz.

A lei de amor nos prova o quanto temos em comum com os nossos semelhantes, como as necessidades que temos das vidas dos outros, na Terra e nos Céus. Onde se vive melhor é onde existem mais Espíritos reunidos e despertos para o bem da coletividade. A separação nos traz a carência de muitos valores e o egoísmo nos atrofia, o orgulho nos cega, e o ódio nos faz esquecer a esperança no futuro. Precisamos e temos necessidade de viver juntos, e desse encontro com os nossos semelhantes, se processa uma troca de experiência, que abre nossos caminhos ao alcance da paz. Somente a ignorância induz a criatura à separação.

A vida exterior é de grande importância para todos nós, onde quer que estejamos na escala de ascensão, todavia, se não passarmos pelos caminhos interiores, cheios de obstáculos e carregados de espinhos, não vamos ter olhos para ver o belo na feição do todo. Devemos repetir, quantas vezes nos convier, que todos somos irmãos em Cristo, filhos de Deus. 


Miramez 




Livro Filosofia Espírita Vol. 2 - João Nunes Maia 
Cap. 3 - Fonte universal 








domingo, 10 de novembro de 2024

Allan Kardec - Livro O Livro dos Espíritos - 1ª Parte - Das causas primárias - Cap. II - Elementos gerais do Universo - Espaço universal - Questão 36 (Miramez)



Allan Kardec - Livro O Livro dos Espíritos - 1ª Parte - Das causas primárias - Cap. II - Elementos gerais do Universo


Espaço universal


36. O vácuo absoluto existe em alguma parte no Espaço universal? 

“Não, não há o vácuo. O que te parece vazio está ocupado por matéria que te escapa aos sentidos e aos instrumentos.”

 
Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez


O nada, a própria palavra o indica, não existe. O que chamamos de vácuo é, pois onde falta o ar que tanto conhecemos, bafejando a velha Terra que habitamos, servindo para manter a vida na carne.

Toda a criação é tomada pelo Éter Cósmico, que não obedece à química ou física humana, nem tão pouco à máquina de sucção, com que queiram retirá-lo do seu campo. Subordinado somente à vontade de Deus, não se submete a qualquer outra. E se pudéssemos retirá-lo do ambiente em que vibra, certamente alguém perguntaria: O que ficaria depois disso? É segredo de Deus ainda não desvendável, que não iria em nada melhorar os homens, se estes pudessem conhecê-lo. Conhecerás gradativamente, essa é a lei da evolução que nos cabe respeitar e agradecer a Deus.

Essa impetuosidade do ser humano, de querer saber o que lhe escapa aos sentidos, é comum, na faixa evolutiva em que se encontra a humanidade. As necessidades de conhecimento exato daquilo de que se precisa são esquecidas, talvez por conveniência, levando a conhecer a si mesmo, estudar suas próprias reações diante dos acontecimentos, livrar-se da persistência em coisas em que não se deverá insistir e do condicionamento de ideias inferiores. Como conhecer as coisas mais profundas, se ainda há guerra em quase todo o mundo, por simples pedaços de terra, por se sentirem feridos no orgulho, ou por outros povos aceitarem ideologias diferentes? Por que procurar a liberdade, sentindo obrigação política de tolher a dos outros, usando a força e a opressão? A política do futuro será o Socialismo Cristão, e não o carrancismo engendrado no orgulho, mancomunado com o egoísmo. O Cristo nos trouxe a melhor reforma, com uma constituição universal em um punhado de palavras simples, na profundidade do amor: o Evangelho, elo que poderá unir todos os povos, para que surja um só pastor e um só rebanho.

Sabemos somente de um lugar onde existe o vácuo: é onde não existe amor, é onde faltam a caridade, a justiça e o perdão. A humanidade permanece em desgaste em todo o mundo, por faltar-lhe o desprendimento. O egoísmo empana nos corações todos os sentimentos de fraternidade, e a alma fica sufocada sem poder respirar a esperança e sentir a luz do futuro promissor. O que parece vazio para os homens de ciência, ao extraírem o ar, está ocupado por fluidos altamente sensíveis, capazes de registrar até os pensamentos com nitidez absoluta, e ainda gravar todos os sons e imagens emitidos, e o mais interessante é que o poder do Espírito é tão grande, que igualmente consegue fazer na consciência, a operação que se processa nesse Éter. Na consciência profunda estão registrados todos os atos da alma, de todas as suas vidas e, ainda mais, de todas as leis espirituais que garantem a criação divina, existindo ali, em perfeita harmonia, a presença do Criador. Este é, sobretudo um segredo sobre o qual devemos pensar, estudar e orar, para que possamos perceber alguma coisa nesse sentido maior e dar início a nossa própria educação espiritual, aquela parte que Deus nos outorgou fazer.

Convidamos os homens a aumentarem a cota de amor nos corações, a da disciplina na mente e a da fraternidade nos sentimentos, cotas essas que não se podem comprar nos supermercados, não são produzidas por máquinas, mesmo as mais sofisticadas, nem são doadas por outros homens. Esse tesouro de luz é despertado em cada coração, na luz do entendimento e do esforço próprio da claridade de cada dia.

Se continuarmos no vácuo da indiferença, no que tange a essas verdades espirituais, vamos ser considerados mortos diante da vida, até que decidamos despertar para ela, pela própria vontade, na vontade de Deus.


Miramez


Filosofia Espírita - Vol. 1 - João Nunes Maia 
Cap. 36 - O vácuo não existe







sexta-feira, 5 de abril de 2024

Allan Kardec - Livro O Livro dos Espíritos - 1ª Parte - Das causas primárias - Cap. I - Provas da existência de Deus - Item 6 (Miramez)



Allan Kardec - Livro O Livro dos Espíritos - 1ª Parte - Das causas primárias - Cap. I


Provas da existência de Deus


6. O sentimento íntimo que temos da existência de Deus não poderia ser fruto da educação, resultado de idéias adquiridas?

“Se assim fosse, por que existiria nos vossos selvagens esse sentimento?”

Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas. (O Livro dos Espíritos - Allan Kardec) 


O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez
(Filosofia Espírita Vol. 1 - João Nunes Maia - Cap. 6 - Produto da Educação)

Questão 06 comentada

A educação nos estimula para as coisas mais nobres da vida, sabemos disso; no entanto, ela é gradativa, de acordo com a nossa evolução espiritual. O modo de assimilação da educação nos meios em que se estagia é diferente de uns para os outros, de acordo com os dons despertados em cada criatura. A consciência de cada alma seleciona o que recebe, como produto do meio em que vive e dá condições à inteligência, para que esta amplie os seus valores na pauta da sua existência, e recusa o que não lhe serve, por condições que já atingiu no avanço espiritual.

Toda herança é relativa, respeitando a posição do herdeiro na vida. Consultando as grandes vidas na Terra, a razão certifïcar-nos-á desta verdade. Os Espíritos, mesmo os chamados primitivos, quando reencarnam em um meio mais evoluído, não assimilam o produto da educação oferecida, por não terem capacidade de entendimento na altura dos seus progenitores, das escolas e livros. A assertiva de que somos o produto do meio não encontra segurança nas leis da evolução. Podemos ser ou não esse produto, dependendo da faixa em que nos situemos, com aqueles com quem convivemos. E perguntamos: onde aprenderam os primeiros mestres? Qual a escola?

O aprendizado mais atuante surge das trocas de experiências entre pessoas e nações; entretanto, o surgimento do verdadeiro aprendizado das almas vem pelos processos de despertar das qualidades que, por vezes, dormem em todos os seres. Daí é que dizemos, como já falaram todos os profetas, que Toda sabedoria vem de Deus. Todo amor parte da sua magnânima personalidade.

A ideia de Deus, na grande população indígena que viveu na Terra e da qual ainda restam uns poucos elementos, é uma prova irrefutável de que Ele existe e que não foi produto do meio. Foi revelação dos próprios Espíritos que circundavam e protegiam esses elementos, nas sequências evolutivas em que a vida os colocou.

Muitos dos senhores de engenho que dominaram o Brasil por muito tempo, alimentavam e divulgavam a ideia de que a vida terminava no túmulo e que escravos eram animais de carga. Todavia, mesmo de posse do poder da situação e da força, não tiravam dos cativos a crença da existência de Deus e das almas, que utilizavam nos batuques, os corpos dos sensitivos, para os animarem nas suas provações. Onde fica o produto do meio e da agressão? Quanto mais sofre o Espírito, mais despertam suas qualidades espirituais, mais a verdade o conduz para os caminhos da luz!

Certamente que não vamos parar no exercício sublime da educação e da instrução em todas as faixas de vida e da vida, porque é nessa persistência humana e divina que fazemos a nossa parte, junto à já feita por Deus.

Os sentimentos íntimos que todos temos, quanto à imortalidade da alma e à existência de nosso Pai Celestial, rói a primeira coisa divina colocada em nossos corações espirituais pelas mãos do Criador, em forma de luz que nos ilumina a vida. Essa certeza não se vende, não se dá, ninguém tira: é nosso patrimônio, que brilha em nós com alegria e esperança, a nos falar da felicidade eterna. A meta mais inteligente é educar e instruir. Por esses meios todos os talentos desabrocham e a vida para nós passa a ser uma vida em Cristo, na presença de Deus.


Miramez















quarta-feira, 27 de julho de 2022

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 1ª Parte - Das causas primárias - Cap. 2 - Dos elementos gerais do universo - Espírito e matéria - Questão 26 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 1ª Parte - Das causas primárias - Cap. 2 - Dos elementos gerais do universo


Espírito e matéria


26. Poder-se-á conceber o Espírito sem a matéria e a matéria sem o Espírito? 

“Pode-se, é fora de dúvida, pelo pensamento.”


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 26 comentada


A ciência vem trabalhando, pelos meios de que dispõe, para encontrar o Espírito. Ela já sentiu a sua presença em muitas das suas pesquisas, e é por essa verdade que o procura. Notamos o grande interesse de todo o mundo científico e filosófico na busca de mistérios, cujos fenômenos têm beneficiado todos os povos, desde os fatos sociais mais puros à fé humana e divina.

O Espírito é força, dentro da força maior, Deus, que o alimenta e sustenta em todos os rumos, condicionando valores e desatando luzes em todos os corações. A alma, mesmo presa à matéria, é livre na sua essência. Ela tanto cede aos processos inferiores, quanto se interliga com o bem, dando forma à energia, para trabalhar no campo imenso da expansão das qualidades elevadas, que vibra em tudo, pelo amor que irradia em todas as substâncias.

Pelo pensamento podemos deduzir que somos individualidade separada da matéria, e que a matéria é uma substância separada do Espírito, porém, no caso do Espírito encarnado, é forçoso compreender a necessidade da alma progredir e fazer com que a matéria avance com o progresso, desfazendo-se da sua própria letargia. Quanto mais estudamos, mais vamos tomando conhecimento dos segredos da natureza, compatíveis aos segredos do Espírito, e esses conhecimentos nos trazem certa luz e força, de maneira a nos libertar, ou ajudar na nossa libertação espiritual.

Podemos conhecer o Espírito sem a matéria. A experiência do momento pelo qual passamos nos dá meios para este conhecimento, não somente pelas experiências próprias, como pelas anotações e vivência dos outros. Cada trabalhador deste campo dar-nos-á uma parcela de confirmações da existência da alma livre da matéria. Os irmãos que carregam no coração a infelicidade de negar a sua própria existência como Espíritos livres que sobrevivem depois do túmulo, estão mentindo para si mesmos, esforçando-se para apagar a chama de verdade, acesa no coração pela mão divina.

Ninguém consegue contrariar as leis espirituais. A força de Deus as sustenta e dá vida. Negar o próprio Pai é desmantelo da consciência, é desajuste dos próprios sentimentos. Não existe uma família, uma criatura sequer na Terra, que já não tenha constatado um fenômeno de ordem espiritual. Cada vez que o tempo avança, mais visíveis vão ficando as comunicações dos desencarnados com os que transitam na carne, trocando ideias, estimulando sentimentos e inspirando escritores em todos os campos do saber. Negar os fatos tão comuns entre os homens é torcer uma verdade que está desabrochando como o Sol do meio dia.

O Espírito é livre e comunica onde quer que seja, fazendo a vontade de Deus na instrução e no amparo a todas as criaturas da Terra. Quem nega o Espírito está recebendo seus benefícios pela água que bebe, pelas vestes que usa, pela comida que o alimenta, pelo ar que respira e pela paz que desfruta, porque os Espíritos do Senhor, em falanges do bem, têm ação em todos os reinos da natureza, para que surja a harmonia na criação. Se a própria ciência, nos dias que correm, já nos mostra muitas coisas que estavam antes invisíveis, e, se já desfrutamos destes véus que se suspenderam, como não crer no mais além?

A carne é um dos véus inúmeros na escala infinita dos segredos de Deus. Se estudarmos profundamente os fundamentos filosóficos, encontraremos verdadeiramente o Espírito envolvido em outros corpos, que lhe garantem a grande viagem evolutiva para Deus, o seu Criador. Entretanto, ele não depende do corpo para continuar a sua vida em outra faixa, o corpo é que depende dele para lhe garantir a forma que usa como homem.

Procuremos trabalhar para maior liberdade, que nesse esforço, sendo uma prece, os Céus nos atenderão, fazendo-nos cada vez mais livres.


Miramez



Filosofia Espírita - Volume I - João Nunes Maia
Cap. 26 - Espírito livre







Fonte: Filosofia Espírita - Volume I-pdf; Ipeak - Instituto de Pesquisas Espíritas Allan Kardec
 

domingo, 11 de abril de 2021

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 1ª Parte - Das causas primárias - Cap. I - De Deus - Provas da existência de Deus - Questão 4 (Miramez)




Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 1ª Parte - Das causas primárias - Cap. I - De Deus


Provas da existência de Deus 


4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

“Num axioma que aplicais às vossas ciências: Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”

Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da criação. O universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 04 comentada


A existência de Deus se expressa cada vez mais, com tonalidades fulgurantes, em toda a literatura humana, mostrando e fazendo sentir a todos os povos que o Criador se encontra mais perto de nós do que nós uns dos outros. Ele é a razão do nosso viver e, ainda se conclui, que Ele não tem forma definida e é capaz de tomar todas as dimensões, na proporção das necessidades de cada criatura. Deus está no máximo, mas desce ao mínimo, desde que haja urgência na evidência de Suas qualidades aos sentidos mais apurados da alma.

O Senhor é a ponte de comando de todas as religiões, na feição em que estas podem se expressar, onde foram chamadas a servir. Ele vigia os véus que regulam o saber dos homens ante a própria ciência, para que o equilíbrio se manifeste. Os grandes missionários registram em tudo a Sua presença infalível. Todas as filosofias falam da Sua presença divina, pelos recursos que a linguagem alcançou, e o progresso é o Seu agente revelador em todos os quadrantes do mundo.

Não existe alguém na face da Terra que não creia em Deus. Existem, sim, alguns que ainda não perceberam a Sua paternidade, por orgulho ou ignorância, o que não deixa de ser a mesma coisa. Ele vibra em tudo e pronuncia a mesma mensagem em tudo que ocupa um lugar no Seu "corpo ciclópico", na imensidão universal. E cada um, em cada coisa existente, registra a Sua presença insuperável, de acordo com o Seu porte evolutivo; eis aí a justiça, o próprio Amor.

Computando valores e somando idades, na cronologia peculiar aos homens, a cada dia que passa, a cada ano que corre na tela do nosso tempo, o Arquiteto Divino fica mais presente na nossa visão e nos fala mais de perto, pelos registros dos nossos sentidos. Não que o Senhor se encontre mais ou menos longe. Ele está no mesmo lugar; nós outros é que, pelo despertar dos valores espirituais, vamos gradativamente abrindo as portas do entendimento, pelas mãos da maturidade espiritual.

Nenhuma pessoa, nenhum Espírito, nem algo que exista, é órfão da misericórdia, da bondade e da presença de Deus, que nos comanda todos. Essa é a grande esperança e a grande alegria que nos impulsiona a viver.

Se não há efeito sem causa, não precisamos de maiores explicações para provar a existência de Deus; basta levantarmos os olhos para a extensão infinita dos mundos, que bailam nos espaços, para a mecânica das galáxias, que viajam em velocidades incríveis na grande casa universal, para a vida dos sóis, para a harmonia do universo, e sentiremos constrangimento no centro da consciência, em negar a existência d'Aquele que fez tudo isso, e a nós também, por bondade e alegria.

E, quando se fala na microvida, que são caminhos diversos do macro, apresentando os mesmos roteiros do infinito? Como negar aquilo que existe mais do que nós próprios? Nós, em Espírito, ainda estudamos os princípios da função biológica dos homens. O corpo físico é a síntese do universo, é a cópia perfeita do macrocosmo, que deverá funcionar em plena harmonia com a Divindade, quando o homem se conscientizar dos seus deveres perante a natureza. A maior maravilha da Terra, em se falando das coisas materiais, é o soma humano. E os corpos espirituais a ele interligados, para que o Espírito se manifeste? E o Espírito, essa gema divina? E a harmonia de tudo o que existe?

Como não crer no Criador de todas essas coisas? Começa, meu irmão, a pensar pelo menos no sol que dá vida e sustenta o ambiente em que moras e não terás outro caminho a não ser aceitar um Criador que tenha, na linguagem comum, a Suprema Inteligência.

Repitamos o que afirmou O Livro dos Espíritos: Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa razão vos responderá.


Miramez


Filosofia Espirita - Vol I - João Nunes Maia
Cap. 4 - Existência de Deus