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sábado, 23 de julho de 2022

Léon Denis - Livro O Grande Enigma - 1ª Parte - Deus e o Universo - Cap. VI - As Leis Universais



Léon Denis - Livro O Grande Enigma - 1ª Parte - Deus e o Universo - Cap. VI


As Leis Universais 


Quando estudamos o problema da vida futura, quando examinamos a situação  do Espírito depois da morte — e é esse o objeto capital das pesquisas psíquicas —, encontramo­-nos em presença de um fato  considerável, pleno de consequências morais. Verifica­-se um estado de coisas que é regulado por uma lei de equilíbrio e de harmonia. 

Logo que a Alma transpõe a morte, desde que despertam no mundo dos Espíritos, o quadro de suas vidas passadas se desenrola, pouco a pouco, à sua vista. Ela se mira em um espelho que reflete fielmente todos os atos passados, para acusar  ou  glorificar. Nada de distração, nada de fuga possível. O Espírito obrigado a contemplar­-se, primeiramente, para se reconhecer ou para sofrer, e, mais tarde, para se preparar. Daí, para a maior parte, o remorso, a vergonha e a amargura! 

Os ensinamentos de Além ­Túmulo nos fazem saber que nada se perde, nem o  bem, nem o mal; e sim que tudo se inscreve se repara, se resgata, por meio de outras existências terrestres, difíceis e dolorosas. 

Aprendemos igualmente que nenhum esforço é perdido e que nenhum sofrimento é inútil. O dever não é palavra vã, e o Bem reina sem partilha acima de tudo. Cada um constrói dia por dia, hora por hora, muitas vezes sem o saber, seu  próprio futuro. A sorte que nos cabe na vida atual foi preparada pelas nossas ações anteriores; da mesma forma edificamos no presente as condições da existência futura. Daí para o sábio a resignação ao que lhe é inevitável na vida presente; daí também o estimulante poderoso para agir, devotar-­se, preparando para si próprio um destino melhor.

Quanto isso conhece não se encherão de medo, pensando no que está reservado à sociedade atual, cujos pensamentos, tendências e atos são muitas vezes inspirados pelo  egoísmo  ou por paixões más? À sociedade atual, que acumula, assim, acima dela, sombrias nuvens fluídicas que trazem a tempestade em seu  dorso? 

Como não estremecermos em presença de tantos desfalecimentos morais, diante de tantas corrupções ostensivas? Como não estremecer, verificando que o  sentimento do bem encontra tão pouco lugar em certas consciências? Como não estremecer, enfim, ao constatar, no fundo de tantas Almas, o amor desenfreado pelos gozos, a cupidez ou o ódio?! E se sentimos isso, como hesitar na afirmativa, à face de todos, para fazer conhecida de toda essa Lei de justiça que os ensinamentos do  Além nos mostram tão grande, tão importante; essa Lei que se executa por si mesma, sem tribunal e sem julgamento, mas à qual não escapa, no entanto, nenhum de nossos atos; Lei que nos revela uma Inteligência diretora do mundo moral; Lei viva, razão consciente do Universo, fonte de toda a vida, de todas as leis, de toda a perfeição! 

Eis o que é Deus. Quando esta ideia de Deus tiver penetrado no ensino, e, daí, nos espíritos e nas consciências, compreender­-se-­á que o espírito de justiça não é mais do que o instrumento admirável pelo qual a causa suprema leva tudo à ordem e à harmonia, e sentir­-se-­á que essa ideia de Deus é indispensável às sociedades modernas, que se abatem e perecem moralmente, porque, não compreendendo Deus, não se podem regenerar. Então, todos os pensamentos e todas as consciências se voltarão para esse foco moral, para essa fonte de eterna justiça — que é Deus, e ver­-se­-á transformar a face do mundo. 

A justiça não é somente de origem social, qual a revolução de 1789 procurou  estabelecer. Ela vem de mais alto: é de origem divina. Se os homens são iguais diante da lei humana é porque são iguais diante da Lei eterna. 

E assim é porque saímos todos da mesma fonte de inteligência e de consciência; somos todos os irmãos, solidários uns com os outros, unidos em nossos destinos imortais ­ porque a solidariedade e a fraternidade dos seres só são possíveis quando estes se sentem ligados a um mesmo centro comum. 

Somos filhos de um mesmo Pai, porque a alma humana é emanação da Alma Divina, uma centelha do Pensamento Eterno.


Léon Denis







(Parcial, pág. 39/40)


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Léon Denis - Livro O Grande Enigma - 1ª Parte - Deus e o Universo - Cap. VI - As Leis Universais




Léon Denis - Livro O Grande Enigma - 1ª Parte - Deus e o Universo - Cap. VI


As Leis Universais 


Tudo nos fala de Deus, o visível e o invisível. A inteligência o discerne; a razão e a inteligência o proclamam. 

Mas o homem não é somente razão e consciência: é também amor. O que caracteriza o ser humano, acima de tudo, é o sentimento, é o coração. O sentimento é privilégio da Alma; por ele a Alma se liga ao que é bom belo e grande, a tudo que merece sua confiança e pode ser sustentáculo na dúvida, consolação na desgraça. Ora, todos esses modos de sentir e de conceber nos revelam igualmente Deus, porque a bondade, a beleza e a verdade só se acham no ser humano em estado  parcial, limitado, incompleto. A bondade, a beleza e a verdade só podem existir sob a condição de encontrar seu princípio, plenitude e origem em um ser que as possua no estado superior, no estado infinito

A ideia de Deus impõe­-se por todas as faculdades do nosso Espírito, ao  mesmo tempo em que fala aos nossos olhos por todos os esplendores do Universo. A Inteligência suprema se revela a causa eterna, na qual todos os seres vêm haurir a força, a luz e a vida. Aí está o Espírito Divino, o Espírito Potente, que se venera sob  tantas denominações; mas, sob todos esses nomes, é sempre o centro, a lei viva, a razão pela quais os seres e os mundos se sentem viver, se conhecem, se renovam e elevam. 

Deus nos fala por todas as vozes do Infinito. E fala não em uma Bíblia escrita há séculos, mas em uma bíblia que se escreve todos os dias, com esses característicos majestosos, que se chamam oceanos, montanhas e astros do céu; por  todas as harmonias, doces e graves, que sobem do imo da Terra ou  descem dos espaços etéreos. Fala ainda no santuário do ser, nas horas de silêncio e de meditação. Quando os ruídos discordantes da vida material se calam, então a voz interior, a grande voz desperta e se faz ouvir. Essa voz sai da profundeza da consciência e nos fala dos deveres, do progresso, da ascensão da criatura. Há em nós uma espécie de retiro íntimo, uma fonte profunda de onde podem jorrar ondas de vida, de amor, de virtude, de luz. Ali se manifesta esse reflexo, esse gérmen divino, escondido em toda Alma humana.

Por isso a Alma humana se constitui o mais belo testemunho que se eleva em favor da existência de Deus; é uma irradiação da Alma Divina. Contém, em estado de embrião, todas as potências, e seu papel, seu destino consiste em valorizá-las no curso de inúmeras existências, em suas transmigrações através dos tempos e dos mundos.

O ser humano, dotado de razão, é responsável, é suscetível de se conhecer e tem o dever de se governar. Como disse João Evangelista: “A razão humana é essa verdadeira luz que esclarece todo homem que vem ao mundo.” (João, 1:9). A razão humana, dissemos, é uma centelha da Razão Divina.

É subindo à sua origem, é comunicando com a Razão Absoluta, Eterna, que a Alma humana descobre a Verdade e compreende a Ordem e a Lei universais. Assim, direi a todos: Homens, filhos da luz, ó meus irmãos! Lembremo-nos da nossa origem; lembremo-nos do fim, durante a viagem da vida! Desprendamo-nos das coisas que passam! Liguemo-nos às que permanecem!

Não há dois princípios no mundo: o Bem e o Mal. O Mal é efeito de contraste, qual a noite o é do dia. Não tem existência própria. O Mal é o estado de inferioridade e de ignorância do ser em caminho de evolução. Os primeiros degraus da escada imensa representam o que se chama o mal; mas, à medida que o ser se eleva, realiza o bem em si e em torno de si; o mal vai atenuando-se, e depois se desvanece. O mal é a ausência do bem. Se parece dominar ainda em nosso planeta, é porque este é um dos primeiros anéis da cadeia, morada de Almas elementares que estreiam na rude senda do conhecimento, ou, então, de Almas culpadas, em rumo de reparação. Nos mundos mais adiantados, o Bem se expande e, de grau em grau, acaba reinando sem partilha.

O Bem é indefinível por si mesmo. Defini-lo seria minorá-lo. É preciso considerá-lo, não em sua natureza, mas em suas manifestações.


Léon Denis




(Parcial, pág 40/42)