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quarta-feira, 10 de junho de 2020

Arnaldo Rocha - Livro Mandato de Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 2 - Casos de Psicometria



Arnaldo Rocha - Livro Mandato de Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 2


Casos de Psicometria


Jofre Leles, sobrinho do estimado professor Cícero Pereira, ao retornar de uma viagem a Teófilo Otoni, encontrou, por acaso, às margens do Rio Mucuri, restos do que havia sido uma espada: suas copas com uns dez centímetros de lâmina já bastante enferrujada e carcomida pelo tempo.

Ele contou que, desde o achado, vivia sonhando com lutas sangrentas, soldados guerreiros, espadas e tudo o mais. Bastante impressionado, resolveu procurar Chico para uma conversa em torno do assunto. De espada na mão, melhor dizendo, apenas um pedaço dela, relatou ao médium amigo o ocorrido. Chico pegou o objeto, sem nem mesmo olhá-lo detidamente.

 Limitou-se a tocá-lo, devagarinho, como se naquele gesto extraísse toda a sua história. Uma verdade, pois, sem demora, Chico falou-lhe:

— Capitão Jofre, esta espada lhe pertence há muito tempo. Por volta de 1840, você, nas vestes de um capitão da milícia mineira, guerreou bravamente na cidade de Filadélfia, hoje Teófilo Otoni, durante sua revolução, a chamada Revolução Liberal.

Na refrega, foi ferido e a espada lá ficou!

Jofre, espantado, analisava a novidade, sem saber se acreditava ou não nas palavras de Chico. Este, percebendo-lhe a surpresa e a dúvida, informou que, no pedaço de lâmina oxidado, estava gravada sua insígnia de coronel de 100 anos atrás, a mesma que ele usava na atualidade, como capitão da Polícia Militar que era.

Jofre, ao chegar em Belo Horizonte, tudo fez para limpar o metal envelhecido, a fim de certificar-se, de uma vez por todas, da veracidade da história.

E debaixo de tudo que cobria o aço brilhante, lá estavam duas pequeninas palavras. Duas palavras latinas que eram a sua insígnia: HONOR E FIDES [Honra da fé]. Duas palavras que resumiram e atestaram a capacidade psicométrica do médium Chico Xavier.


Arnaldo Rocha





*29 – Jofre Teles, tempos depois, pesquisou os arquivos da Polícia Militar, encontrando dados confirmativos às informações dadas por Chico, inclusive seu nome e o grau de comando – coronelado – que lhe pertencera na época.


Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

terça-feira, 9 de junho de 2020

Arnaldo Rocha - Livro Mandato de Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 2 - Ocorrências e lições



Arnaldo Rocha - Livro Mandato de Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 2


Ocorrências e lições


Nosso querido amigo há muito claudicava. Doía-lhe um pé. Dr. José Rocha, médico vizinho e amigo, já lhe ministrara medicamentos sem, contudo, minorar seu sofrimento. Dr. Rômulo, um admirável gerador magnético, já lhe havia aplicado assistência fluidoterápica. Eu, de minha parte, também colaborara, dentro de minhas limitações. Tudo de pouca valia! As dores persistiam, fazendo Chico manquitolar horrivelmente.

Os funcionários da Fazenda Modelo retornavam às suas casas servindo-se de uma charrete — o “Charretão” — puxada por dois belos cavalos da raça Pocherrão. O veículo adentrava a cidade por uma rua onde localizava-se, então, o meretrício.

Uma tarde, Chico e seus companheiros, ao passarem pelo “Biriba” — designação vulgar dada ao logradouro — foram abordados por uma das moças que habitavam o Ingar. E dirigindo-se a Chico, disse:

— Venha até minha casa. Preciso lhe falar.

Gracejos, motejos, risadas e comentários infelizes fizeram-se ouvir. Chico desceu do carro, com dificuldade, acompanhando a moça até sua residência.

Todas as meretrizes que lá viviam receberam-no com profundo respeito, oferecendo-lhe uma cadeira, na qual Chico assentou-se.

A moça que o abordara trouxe uma pequena bacia, com água limpa. Humildemente, pediu-lhe permissão para descalçá-lo dos sapatos, colocando seu pé doente dentro da bacia. Segurando raminhos de flores do campo, a moça rezou e todas as outras a acompanharam, contritas. Ela molhava os raminhos e os batia, delicadamente, no pé de Chico, repetidamente, por várias vezes. Em seguida, enxugou-o, beijou-o e o calçou novamente.

Dois dias depois, chorando de emoção, Chico contou-nos o que presenciara na casa de encontros. Através de sua vidência, registrou que o líquido da bacia foi ficando escuro e lodoso, à medida que a mulher banhava-lhe o pé, fazendo com que a dor se esvaísse lentamente.

Para todos os presentes, a água manteve-se inalterada, límpida, nada mudara.

Chico nunca mais sentiu tal dor. A pobre meretriz, no ato humilde, no gesto simples, na bacia insignificante e nos raminhos de mato, mais que nós outros, colocara em sua oração algo sublime e operador de maravilhas: o amor!


Arnaldo Rocha









Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Arnaldo Rocha - Livro Mandato de Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 2 - O convívio com o nosso Chico. Como o conheci



Arnaldo Rocha - Livro Mandato de Amor - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 2 


Aos leitores

Estas páginas não são fruto de veleidade literária. Posso classificá-las primeiramente como registros de uma profunda e humilde gratidão a um amigo que, com amor, caridade e toda a beleza que enaltece seu espírito, houve por bem amparar-me e orientar-me em momentos de tristeza e inquietudes. Em segundo lugar, como obediência fraterna às solicitações do diletíssimo Sr. José Martins Peralva Sobrinho, vice-presidente da União Espírita Mineira — U. E. M. — colmeia de trabalho e fraternidade, onde modesta e singelamente, porém de todo o coração, nos dedicamos às tarefas de servir, por acréscimo da misericórdia do Excelso Amigo Jesus. Considerações essas — acerca da responsabilidade pertinente a todos que tiveram a oportunidade de uma convivência mais ou menos longa com FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER — que resultaram na narração de fatos, ocorrências e exemplos presenciados, vividos e coletados com o admirável apóstolo da humildade, da renúncia, da abnegação, da honestidade e da lealdade aos sublimes princípios doutrinário-evangélicos do Cristianismo Redivivo.


O convívio com o nosso Chico. Como o conheci


Um simples e fortuito encontro de rua. Um esbarrão para ser sincero.

Foi numa tardezinha de 22 de outubro de 1946.

Subia apressadamente a Av. Santos Dumont, em direção contrária à Estação Ferroviária. Ia triste, angustiado e acabrunhado. Havia perdido minha esposa 21 dias antes e, desde então, estabelecera-se em minha cabeça uma infinidade de pensamentos e reflexões díspares, desconexas. Meus conceitos materialistas e ateus digladiavam-se violenta e brutalmente com uma verdade insofismável: a sobrevivência do ser, a vida além da morte física. Uma verdade constatada casualmente, certa noite.

Buscando abrigar-me de forte temporal, bati à porta da casa de meu irmão Geraldo, no momento exato de iniciar-se uma reunião de intercâmbio espiritual. Convidado a entrar, fiquei diante de um impasse: ou enfrentava a chuva fria e torrencial ou ficava para a reunião. A questão fé, religião e Doutrina Espírita não me interessava. Porém, contrariado, optei por ficar, sendo acomodado não longe da mesa de orações, próximo à D. Eny Fassanelo, uma amiga de longa data, originária da Itália, que, mesmo residindo no Brasil há mais de 30 ou 40 anos, ainda conservava um falar bem “macarronado”.

Atento aos acontecimentos, notei que as luzes foram diminuídas e as leituras e preces iniciadas. Pouco tempo depois, percebi mudanças em D. Eny que, subitamente, tornara-se fremente, estuante. Um estremecimento a fazia sofrer, parecia aflita, como se vomitasse substância grossa, viscosa, pegajosa.

Meu irmão Geraldo, defrontando com a ingerência — que para mim não passava de estultícia — dirigiu-se a ela com palavras ternas e carinhosas, acalmando-a, inspirando-a a relatar o que estava a lhe acontecer. 

Um silêncio longo e inquietante foi logo quebrado pelo som claro, bonito e musical de uma voz que era-me muitíssimo familiar. Uma voz que fazia-me evocar doces recordações e que identifiquei como sendo de minha esposa, Irma, desencarnada havia poucos dias.  

Estupefato, ouvi minha cunhada Luiza chamando-lhe de Naná — seu apelido — pedindo-lhe notícias, portando-se como se nada tivesse acontecido. Agindo tão naturalmente como se Meimei estivesse ali, em carne e osso, ainda que apresentando um corpo e rosto bem diferentes dos seus.

Aumentavam ali minhas perturbações e questionamentos. As elucidações de Geraldo foram insuficientes e, em minha ignorância, revoltei-me, reneguei o fato presenciado veementemente.

Pois bem: esvaí-me em desesperos e angústias noite e dia e até que se verificasse meu encontro casual com Chico Xavier, 22 dias se passaram. Vinte e dois dias vividos numa intensa comburência mentopsíquica e emocional.

Eu caminhava taciturno e distraído quando, inadvertidamente, fui de encontro a um senhor, derrubando ao chão sua pequena pasta. Desculpei-me de imediato, entregando-lhe o objeto, reparando em suas maneiras simples e modestas, demorando-me em seu olhar de imensa bondade e candura. Reconheci naquele homem a personagem de reportagens lidas, há pouco tempo, na revista “O Cruzeiro”. Sim! O homem simples, modestamente trajado, alvo de meu descuido no andar, era, incontestavelmente, o Sr. Francisco Cândido Xavier, o médium de Pedro Leopoldo!

Indizível emoção me envolveu. Queria falar-lhe, apresentar-me, mas perdera a voz. Pus-me a chorar em plena via pública. Situação desconcertante, nós dois ali parados, atrapalhando os outros, dificultando o fluir normal dos transeuntes!…

O Sr. Francisco olhava-me com infinita ternura. Tomou-me o braço e falou com sua voz quente, modulada de afeto e carinho:

— Escuta, Naldinho, não é assim que Meimei lhe falava? Ela está aqui, conosco, radiante de alegria pelos seus 24 janeiros, ou melhor, ela diz 24 primaveras de amor! Hoje não é o dia de seu aniversário?!? Deixe-me ver o retrato dela que você traz na carteira.

Fiquei estuporado, siderado mesmo! Nada lhe falara, a não ser o pedido de desculpas! Como sabia meu nome? Que sabia de Meimei ou de seu aniversário? Tentava controlar o choro, suava frio, envergonhado de mim mesmo. Inerme, mostrei-lhe a fotografia.

O médium pegou-a delicadamente. Pousou nela os olhos marejados de lágrimas e com um belo e reconfortante sorriso, segredou-me:

— Nossa querida princesa Meimei quer muito lhe falar. E hoje, em comemoração ao seu aniversário, podíamos fazer uma prece. Vamos à casa de Geraldo?

E para lá seguimos. Eu continuava mudo lívido, assustado. Havia terminado a leitura de “O Problema do Ser, de Destino e da Dor” (Léon Denis, 1919, F. E. B.), iniciara a leitura de “No Invisível” (Léon Denis, 1919, F. E. B.) e ainda estudava-o “O Livro dos Espíritos” (Allan Kardec, 1857), entretanto, meus conhecimentos doutrinários eram insignificantes, pequenos! Não compreendia, na essência, o que ocorria, não sabia que estava na companhia de um excelente clarividente.

Meu interlocutor discorria alegremente sobre Meimei, como se de muito a conhecesse. Falou-me de sua alegria de viver, de sua jovialidade, poesias, leituras, sonhos e de sua doença.

Aos poucos, o mutismo e o espanto deram lugar a um encantamento e, mais à vontade, pus-me a conversar, absorvendo atentamente tudo o que aquele homem estava me revelando.

Em casa de Geraldo, preparamos uma reunião íntima e, através da Psicofonia Sonambúlica, por mais de uma hora, Meimei falou-nos de sua nova vida, da amizade dos amigos espirituais — André, Dr. Cornélio, Monsenhor Horta, sua avó Mariana…

A todo momento, exclamava jubilosa:

— “Meu amado, aqui tudo é lindo! Sou tratada como se fosse uma princesa! Todos são fraternos, tão joviais e gentis!… Aceite um conselho: leia, estude, trabalhe e sirva sempre.”  

No dia seguinte, meu novo amigo partiu para Uberaba, a serviço do Ministério da Agricultura, devendo encontrar lá um outro companheiro de Doutrina, o Dr. Rômulo Joviano, presidente do Centro Espírita Luiz Gonzaga, também diretor e superior de Chico na Fazenda Modelo, em Pedro Leopoldo.  

Na Estação Central do Brasil, convidou-me gentilmente a visitá-lo em sua cidade, aconselhando-me que o fizesse em dezembro. E na época aprazada, por volta do dia 20, fiz-lhe minha primeira visita. Contudo, logo logo as visitas tornaram-se constantes e abracei, felicíssimo, a oportunidade de trabalhar conjuntamente com Chico nos serviços de ordem cristã.


Arnaldo Rocha







Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano