quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 10 - Renascimentos



Miramez - Livro Máximas de Luz - João Nunes Maia - Cap. 10 - Renascimentos


A reencarnação na Terra e em outros mundos é lei de Deus para todos os Espíritos obedecerem. É uma necessidade das almas, para despertamento das qualidades internas que, afloradas, as tornarão livres de muitos padecimentos em seus caminhos, e neste avanço espiritual se faz o caminho da felicidade. Não podemos ignorar nem tão pouco ser desobedientes às leis naturais, e o Espiritismo constitui uma escola de amor para todos os que desejam crescer, por lhes mostrar e fazer sentir essas leis.

A reencarnação é uma delas, como se fosse um dogma, porque é imutável tudo, em todos os mundos, troca de estágios, para melhorar tudo renasce, evidenciando que nada morre, na extensão infinita da vida. Todos os Espíritos, sem exceção, passam pelos mesmos caminhos de aprendizado; a variação se encontra no sentir as coisas, no entanto, o peso é o mesmo para todas as criaturas. As diferenças que podemos notar entre os Espíritos, uns sendo mais evoluídos que outros, cada qual em escalas diferentes, está na idade sideral de cada um. A justiça é uma só para todos e para tudo; as mudanças se evidenciam nas diferentes idades da criação, e Deus continua a criar.

Um homem primitivo não pode, por justiça, ser da mesma idade de um anjo, que chegou a essa condição por já ter passado por todas as escolas educativas do universo. O primeiro está começando a se educar, tendo milhares de anos à sua disposição, com os caminhos do aprendizado à sua espera, e a grande professora Dor a lhe abrir os braços, para educá-lo e instruí-lo. Isso á serviço do amor, e Deus, sendo omnisciente, desde o princípio sabe os caminhos que cada um irá percorrer; Ele já fez o ser humano sabendo das escolas que ele deveria frequentar, para desabrochar da luz do seu puro amor.

Tudo renasce para os devidos crescimentos. A reencarnação, pode-se dizer, é infinita, desde que compreendamos a mudança de dimensões, operando na diversidade das mudanças de comportamento. Por isso falamos que somente Deus é imutável, e somente Ele é o poder central que dirige tudo, e tudo Lhe obedece. Para entendê-Lo, precisamos entender as Suas leis, que são justas e fieis ao Seu Criador.

Animar um corpo físico na Terra é um estado transitório, mas como a alma veste muitos corpos, deixa uns e, recebendo outros, continua em todas as faixas de vida, cada vez mais sutis, cada vez mais aprimoradas, sem haver estágio que possa ser considerado como parada final. As mudanças são eternas. A alma não escolhe o tipo de vida a levar; Deus já estabeleceu tudo para todos. Em todos os mundos e em todas as dimensões haveremos de obedecer às leis criadas, pois o Senhor é que sabe das nossas necessidades e como deveremos adquirir a harmonia no centro da vida ou, se assim podemos expressar, despertar a tranquilidade imperturbável na consciência.

Fomos feitos para obedecer ao Senhor, e não para dar palpites no que Ele deve fazer e, para tanto, devemos começar combatendo o orgulho e o egoísmo, crosta magnética inferior que deve ser extirpada dos nossos sentimentos, passando a viver a humildade, força poderosa de paz, e dela passarmos para o perdão, do perdão para a fraternidade, e dela para a caridade, para nos integrarmos a virtude-mãe, que tem todas as chaves da vida: o Amor.

Nascemos sempre de novo, porque sempre nascemos para novas ideias, para novas missões, para novos entendimentos. Quem não deseja ser humilde diante de Deus, as leis o obrigam a obedecer-Lhe pela dor; a violência interna o amansa à força e a razão nos faz crer que somente Deus é a realidade para que possamos obedecer-Lhe, mas com amor.

Assim, encontraremos a resposta pela natureza a nos favorecer por todos os meios, e o tempo nos levará ao reino da felicidade. Devemos respeitar todas as filosofias, religiões, e mesmo a ciência, que o Senhor fala por estes meios, para todos aqueles que se encontram nessas faixas de vida. Nada existe que Deus não queira; o que Ele não quer é o que não existe.


Miramez









O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. IV — Ninguém poderá ver o reino de Deus se não nascer de novo - Instruções dos Espíritos. - Necessidade da encarnação - Itens 25 e 26.

25. É um castigo a encarnação e somente os Espíritos culpados estão sujeitos a sofrê-la?

A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia. É-lhes necessária, a bem deles, visto que a atividade que são obrigados a exercer lhes auxilia o desenvolvimento da inteligência. Sendo soberanamente justo, Deus tem de distribuir tudo igualmente por todos os seus filhos; assim é que estabeleceu para todos o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir e a mesma liberdade de proceder. Qualquer privilégio seria uma preferência, uma injustiça. Mas, a encarnação, para todos os Espíritos, é apenas um estado transitório. É uma tarefa que Deus lhes impõe, quando iniciam a vida, como primeira experiência do uso que farão do livre-arbítrio. Os que desempenham com zelo essa tarefa transpõem rapidamente e menos penosamente os primeiros graus da iniciação e mais cedo gozam do fruto de seus labores. Os que, ao contrário, usam mal da liberdade que Deus lhes concede retardam a sua marcha e, tal seja a obstinação que demonstrem, podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação, caso em que ela se lhes torna um castigo. — S. Luís. (Paris, 1859.)

26. Nota — Uma comparação vulgar fará se compreenda melhor essa diferença. O escolar não chega aos estudos superiores da ciência, senão depois de haver percorrido a série das classes que até lá o conduzirão. Essas classes, qualquer que seja o trabalho que exijam, são um meio de o estudante alcançar o fim e não um castigo que se lhe inflige. Se ele é esforçado, abrevia o caminho, no qual, então, menos espinhos encontra. Outro tanto não sucede àquele a quem a negligência e a preguiça obrigam a passar duplamente por certas classes. Não é o trabalho da classe que constitui a punição; esta se acha na obrigação de recomeçar o mesmo trabalho.

Assim acontece com o homem na Terra. Para o Espírito do selvagem, que está apenas no início da vida espiritual, a encarnação é um meio de ele desenvolver a sua inteligência; contudo, para o homem esclarecido, em quem o senso moral se acha largamente desenvolvido e que é obrigado a percorrer de novo as etapas de uma vida corpórea cheia de angústias, quando já poderia ter chegado ao fim, é um castigo, pela necessidade em que se vê de prolongar sua permanência em mundos inferiores e desgraçados. Aquele que, ao contrário, trabalha ativamente pelo seu progresso moral, além de abreviar o tempo da encarnação material, pode também transpor de uma só vez os degraus intermédios que o separam dos mundos superiores.

Não poderiam os Espíritos encarnar uma única vez em determinado globo e preencher em esferas diferentes suas diferentes existências? Semelhante modo de ver só seria admissível se, na Terra, todos os homens estivessem exatamente no mesmo nível intelectual e moral. As diferenças que há entre eles, desde o selvagem ao homem civilizado, mostram quais os degraus que têm de subir. A encarnação, aliás, precisa ter um fim útil. Ora, qual seria o das encarnações efêmeras das crianças que morrem em tenra idade? Teriam sofrido sem proveito para si, nem para outrem. Deus, cujas leis todas são soberanamente sábias, nada faz de inútil. Pela reencarnação no mesmo globo, quis ele que os mesmos Espíritos, pondo-se novamente em contato, tivessem ensejo de reparar seus danos recíprocos. Por meio das suas relações anteriores, quis, além disso, estabelecer sobre base espiritual os laços de família e apoiar numa lei natural os princípios da solidariedade, da fraternidade e da igualdade.





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