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segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. VII - 6. Lei de sociedade - Laços de família - Questão 774 (Miramez)



Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. VII - 6. Lei de sociedade


Laços de família 


774. Há pessoas que, do fato de os animais ao cabo de certo tempo abandonarem suas crias, deduzem não serem os laços de família, entre os homens, mais do que resultado dos costumes sociais e não efeito de uma lei da Natureza. Que devemos pensar a esse respeito?

“Diverso do dos animais é o destino do homem. Por que, então, quererem identificá-lo com estes? Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis por que os segundos constituem uma lei da Natureza. Quis Deus que, por essa forma, os homens aprendessem a amar-se como irmãos.” (205)

Allan Kardec 



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez 

Questão 774 comentada

O destino do homem é bem diferente do destino dos animais, por ter o homem alcançado um degrau a mais na sua dianteira, por maturidade espiritual. Algum dia, os animais irão a esse estágio.

Os animais abandonam suas crias logo que essas se tornam adultas, porque no meio deles a sua missão é somente até aquele ponto; daí para frente, é processo de aprendizado de cada um. A própria natureza os fez assim. Entre os homens é diferente; eles têm necessidade de permanecer mais tempo juntos, em família, porque os seus deveres, a sua preparação, é mais engenhosa, dada a sua capacidade de assimilação ante a vida.

Observemos o reino anterior ao do animal, para que tenhamos uma idéia sobre esse assunto: a árvore frutífera, quando não encontra quem a separe de seus frutos, seus filhos, eles amadurecem e a natureza faz a separação natural, para depois a árvore entrar em preparo, no caso de muitas delas, para gerarem novos filhos. Esse fato é uma lei natural. Na verdade, até os minerais geram minerais. Tudo na vida se multiplica, pelas bênçãos de Deus e necessidade da vida.

Anotemos na escala da alma, ou, se quisermos, na escada evolutiva que se processa pela vontade de Deus: cada degrau que se sobe, é nova expressão que se vê, trazendo cada um o traço do progresso da mônada divina, envolvida em roupagens materiais.

No homem há alguma coisa a mais, além das necessidades físicas, pois começa nele a se incorporar os direitos e os deveres da vida espiritual, pelo fato da sua elevação, em se comparando com a dos animais, comportando dons desenvolvidos que escapam aos da sua retaguarda. Como poderemos entender, os anjos, na sua estrutura, diferem, e muito, dos homens encarnados. Cada posição tem o que merece e precisa, para a sua vida manter-se em equilíbrio.

O ser humano é dotado de razão por maturidade, e não por bênção especial, e essa razão, apresentando-se como inteligência, requer outras necessidades que não as dos animais, que ainda se encontram movidos pelos instintos. O homem tem deveres, que não ficam somente em alimentar-se, como os seus irmãos da retaguarda. Surgem em seus caminhos a higiene, a necessidade do vestuário, a escola, a sociedade e demais outros aspectos que a vida lhes impõe para o seu desenvolvimento espiritual. Ainda mais, ele enfrenta as controvérsias a que chamamos de erros, para fazê-los compreender o alcance dos Espíritos puros, e cada geração vai mostrando mais necessidade de ampliar seus conhecimentos pela força do progresso.

Jesus veio à Terra para inovar conceitos e fazer entender qualidades espirituais até então ignoradas pelos povos. Era por isso que a multidão O buscava, para ouvir Sua palavra iluminada e santa.

Vejamos a anotação de Lucas, no capítulo quinze, versículo um:

Aproximaram-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir.

Os publicanos tinham necessidade de ouvir o que não conheciam. Jesus Cristo era uma escola volante para todas as criaturas que pudessem escutá-Lo. A necessidade de progredir está vinculada à lei de Deus. Mesmo que queiramos ficar estacionados, não o poderemos, porque o progresso é uma lei divina que atinge todas as latitudes humanas.

Os animais não têm vida religiosa, política e social; as necessidades que emanam deste posicionamento evolutivo são somente para os homens. O dever natural dos animais é criar seus filhos até o ponto que eles bem sabem qual, sem organizar famílias como acontece com os seres humanos.

As famílias na Terra são temporárias, algumas das quais, continuam no mundo dos Espíritos como grupos familiares, até se libertarem definitivamente, por alcançarem o amor universal e sentirem na humanidade a sua família permanente, porque o amor verdadeiro não tem fronteiras.


Miramez 





Livro Filosofia Espírita Vol. 16 - João Nunes Maia
Cap. 9 - O destino do homem







Fonte: IPEAK; Filosofia Espírita Vol. 16-pdf 

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 7 - 6. Lei de sociedade - Necessidade da vida social - Questão 766 (Miramez)




Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - 3ª Parte - Das leis morais - Cap. 7 - 6. Lei de sociedade


Necessidade da vida social 


766. A vida social está na Natureza?

“Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.”


Allan Kardec



O Livro dos Espíritos comentado pelo Espírito Miramez

Questão 766 comentada


A vida social se encontra com mais expressão na natureza. Podemos observar isso em todos os reinos, e ela é o mesmo amor, em faixa onde se mostra a fraternidade.

O que chamamos de afinidade dos elementos e dos homens é o que vem a ser a vida social. é muito comum notar-se que os peixes vivem em cardumes, as aves em bandos, os animais de todas as espécies em grupos e que as árvores têm mais vida quando são plantadas em conjunto. Se analisarmos a lavoura, nos certificaremos da harmonia em todas as espécies de plantações, todas juntas para melhor rendimento.

A vida social está em tudo, em dimensões diversas, como sendo a harmonia divina manifestando-se para a felicidade e o bem-estar também dos homens. Dentre os homens, a vida social faz parte da própria vida. Se o trabalho é a base do equilíbrio, o lazer não deixa de ser o equilíbrio do trabalho. Deus nada fez sem objetivo.

A vida social dos homens começa no lar, e vai buscando outras expressões, até chegar aos conjuntos dos mundos habitados, às formações das galáxias e ao ninho cósmico, onde Deus comanda tudo em plena harmonia, onde todos e tudo se alimentam no Seu amor, na luz de vida que parte do Seu coração.

Para que os homens se entendessem uns aos outros, o Senhor facultou a todos os dons que o tempo passa a despertar na sua esteira. O pensamento, as palavras são o começo de muitos e muitos outros na seqüência da vida. Cada vez que crescemos para a espiritualidade, mais entendemos a preciosidade das existências onde Deus distribui vida e multiplica vidas, pela luz do amor.

Quem observa com sinceridade o desenrolar de tudo, notará as trocas incessantes dos valores imortais das coisas e das criaturas, sem as quais se desfigura o viver. Somente quando entrarmos na intimidade de todos os nossos valores, quando alcançarmos o comando de todos os nossos dons, é que as trocas irão desaparecendo, por encontrarmos em nós tudo de que precisamos, porque encontramos Deus à frente, na cidade iluminada da consciência.

A felicidade dos Espíritos parece uma utopia para os homens, porque as faculdades dos mesmos se encontram adormecidas, sem poderem observar a vida em outras faixas, que se intercruzam infinitamente.

Lucas anota no capitulo um, versículo trinta e sete, o seguinte:

Porque para Deus não haverá impossível em todas as suas promessas.

O que parece impossível para os homens, não o é para Deus. Fomos feitos para a felicidade, e para tanto estamos entregues a Jesus, que nos dirige a todos.

A vida social é uma pequena manifestação de que existe a alegria pura, de que existe a felicidade; basta que os homens entendam o que se chama divertir. Tudo se enquadra como sendo lições, onde o aprendizado é comum a todas as criaturas. Deus fez o homem para viver em sociedade; esta é, pois, uma lei imutável, capaz de assegurar o nosso equilíbrio na vida e para a vida.


Miramez



Filosofia Espírita - Volume XVI - João Nunes Maia
Cap. 1 - Vida social