domingo, 28 de julho de 2024

Miramez - Livro Médiuns - João Nunes Maia - Cap. 2 - Os Talentos



Miramez - Livro Médiuns - João Nunes Maia - Cap. 2


Os Talentos


"A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada um segundo a sua própria capacidade, e então partiu" Mateus — Cap. 24, v. 15.

Médiuns! Eis no corpo desta mensagem o que poderá suceder com as vossas faculdades, se o uso não for dirigido pelo bom senso. Sem dúvida, deveis conhecer a parábola dos talentos. Aquele a quem o Senhor confiou cinco talentos teve a audácia luminosa de multiplicá-los, fazendo o mesmo o que recebeu dois. E o trabalhador de posse de um era o que tinha menos qualidades, e o temor não deixou que ele participasse do progresso, anulando suas possibilidades de trabalho.

Partindo desta parábola, poderemos analisar as condições dos chamados médiuns no campo doutrinário do Espiritismo. Mateus anotou, inspirado na mais alta disciplina espiritual, o que serve a nós, encarnados e desencarnados, que trabalhamos na Terra. Os dons mediúnicos são os talentos correspondentes às nossas responsabilidades perante o próprio Cristo. A cada um ele deu, segundo as suas próprias condições espirituais, por justiça.

É bom que lembremos que Deus não coloca fardos pesados em ombros frágeis. O que recebeu cinco tinha condições, pelo labor da sua própria vida, enriquecida pela maturidade de exercitar a dádiva, dando o dobro do rendimento. Igualmente o que ganhou dois. Todavia, o inexperiente, recebendo um talento, guardou-o consigo, temendo perder, na transação espiritual, o tesouro que lhe foi confiado, de sorte que nada produziu, confirmando, então, o que o Mestre antecipa na anotação do apóstolo, ao terminar sua fala: "Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas o que não tem, até o que tem lhe será tirado".

O médium é um instrumento, de onde poderão ser tirados acordes da mais alta significação, desde que ele se afine em toda a sua estrutura. Conforme o tipo de melodia ampliada por ele, certamente inspira milhares de outras, multiplicando até o infinito suas qualidades, sem dar tempo às sombras, sem se acomodar com o que já fez. A esse tipo de medianeiro será dado mais. No entanto, aquele que a inércia fez adormecer por inúmeras conveniências e, ainda mais, por crime de ter pouco em relação a outros, até mesmo o que já tinha lhe será tirado, porque a sua própria disposição negativa entorpece o que já era seu.

O médium incorporado nas hostes doutrinárias de Jesus Cristo destrona do seu próprio eu o egoísmo, que cede lugar à bondade, e hospitalidade, enfim, ao amor, em suas múltiplas expressões, colocando o Cristo como centro de todas as vidas humanas, com todas as possibilidades que poderemos imaginar e, ainda mais, ultrapassando as nossas deduções racionais.

É bom que lembremos que a nossa conversa não tem exigências, desconhece opressões. Nós olhamos para o estudante do Espiritismo Cristão como se fosse aquele mesmo discípulo estuante e vigoroso do Cristianismo nascente. Portanto, as propostas são cabíveis, como fardos, a quem está acostumado a transportar pesos de desilusões humanas. Revigoremos, pois, com mais um pouco de esforço, reformando-nos interiormente, para que o Cristo apareça como sol, na fecundação das nossas vidas, e Médico das nossas almas.

Médiuns! A afetividade promana de corações amadurecidos nos amanhos da existência. Por que não incorporarmos essa qualidade em nós, mostrando que participamos do banquete do Senhor, quando reparte o pão para todos os discípulos? A cordialidade é produto do tempo em que Jesus passa a dominar. Por que não deixar transparecer essa luz de nós para os outros? A cortesia é talento divino a nosso favor. Por que não a multiplicarmos a cada hora, a cada dia, a cada minuto? Tudo isto é lastro doutrinário do Espiritismo, senão do Cristo em nós, que assegura o equilíbrio de todos os intermediários do bem na Terra e no Céu, da vida e pela vida.

Companheiro de jornada terrena: se já recebestes alguns talentos de Deus que vos conferem a faculdade de servir, não interrompais o exercício deste tesouro em benefício da coletividade. Abri as portas da multiplicação. Vigiai a vossa palavra, desde a formação das ideias até os sons imprimidos nelas, para que a mensagem não saia das linhas do amor. Se aflorou na vossa sensibilidade um só dom com evidência, não o enterreis no esquecimento por ciúme de outros com mais possibilidades. Avançai com o que tendes, que vos será dado muitas vezes mais, no reino da consciência. É bom que os que muito receberam não deixem a ferrugem da vaidade estragar a maior importância dos seus tesouros, e que a humildade afrouxe todos os laços dados pela ignorância, de maneira a passar pelos fios da vida. Sede fortes nos tormentos, esperando que, no amanhã, as tempestades vos deixem sentir a luz com mais limpidez, assegurando-vos a certeza de que somente o bem está enraizado na eternidade. Perdoai as ofensas, se porventura vierem ao vosso encontro. Elas, no fundo, ampliam, se souberdes recebê-las, a vossa autoeducação. A mediunidade é um dom universal no rebanho de Jesus, que está sendo educada pelas mãos sábias do Divino Mestre. 

Médiuns! Não importa os talentos que recebestes. Multiplicai-os em favor do próximo, que o próximo fará o mesmo.

"A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada um segundo a sua própria capacidade, e então partiu"


Miramez













Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 79 - Abnegação



Emmanuel - Livro Religião dos Espíritos - Chico Xavier - Cap. 79


Abnegação


Reunião pública de 9 de Novembro de 1959

Questão n.° 912 de “O Livro dos Espíritos”


No estudo da abnegação, fitemos em Cristo o exemplo máximo.

Emissário de Deus entre os homens, podia exigir um palácio para nascer, mas preferiu asilar-se no abrigo dos animais.

Podia frequentar, na meninice, os mais altos grêmios filosóficos e religiosos da nação que o contava entre os seus; todavia, preferiu as rudes experiências da carpintaria de Nazaré.

Podia aderir aos programas de dominação dos maiorais em Jerusalém, impondo-lhes a sua própria condição de missionário excepcional; entretanto, preferiu incorporar-se ao trabalho de pescadores humildes, revelando-se a eles sem violência.

Podia escolher as damas ilustres para entreter-se, com elas, acerca do Reino de Deus, através de tertúlias afetivas no terraço de casas nobres; contudo, preferiu entender-se com as mulheres simples do povo, sem esquecer a filha de Magdala, submetida aos flagelos da humilhação.

Podia insinuar-se no ambiente mais íntimo de Caifás ou Pilatos e agradar-lhes a parentela para ganhar influência; no entanto, preferiu aproximar-se dos enfermos esquecidos na via pública.

Podia acumular ouro e prata, mobilizando os poderes de que dispunha, mas preferiu viver entre os desfavorecidos do mundo, sem reter uma pedra onde repousar a cabeça.

Podia afastar Iscariotes do círculo doméstico, depois de perceber-lhe os primeiros sinais da deserção; todavia, preferiu conservá-lo entre os aprendizes, para não lhe frustrar as oportunidades de reajuste.

Podia agitar a multidão contra os detratores de sua causa; entretanto, preferiu que os detratores a comandassem.

Podia recorrer à justiça de modo a defender-se contra a perseguição sem motivo; no entanto, preferiu morrer perdoando aos algozes, alinhando-se entre os condenados à morte sem culpa.

Não te despreocupes, assim, da abnegação dentro da própria vida, a fim de que possas auxiliar as vidas que te rodeiam.

Supérfluo que nos enfeita é carência que aflige os outros.

O grande egoísmo da Humanidade é a soma dos pequenos egoísmos de cada um de nós.

Sofrer por obrigação é resgate humano, mas sofrer para que outros não sofram é renúncia divina.

Ninguém sabe se existe virtude nos prisioneiros da expiação; entretanto, a virtude mostra-se viva em todo aquele que, podendo acolher-se ao bem próprio, procura, acima de tudo, o bem para todos.

Se podes exigir e não exiges, se podes pedir e não pedes, se podes complicar e não complicas, se podes parar de servir e prossegues servindo, estarás conquistando o justo merecimento.

Não vale, pois, reclamar a abnegação dos outros para a melhoria do mundo, porque o próprio Cristo nos ensinou, à força de exemplos, que a melhoria do mundo começa de nós.


Emmanuel











Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Emmanuel - Livro Hora Certa - Chico Xavier - Cap. 20 - Com Jesus



Emmanuel - Livro Hora Certa - Chico Xavier - Cap. 20


Com Jesus


Seguindo com Jesus,

Nada temas. Trabalha.

Não te omitas. Ajuda.

Não te perturbes. Ama.

Não condenes. Ampara.

Não te ofendas. Esquece.

Não te queixes. Caminha.

Não depredes. Constrói.

Não critiques. Instrui.

Não pares. Serve sempre.

Se o mal te desafia.

Com Jesus, vencerás.


Emmanuel














André Luiz - Livro Apostilas da Vida - Chico Xavier - Cap. 1 - Brilhe vossa luz




André Luiz - Livro Apostilas da Vida - Chico Xavier - Cap. 1


Brilhe vossa luz


Corre, incessantemente, o caudaloso rio da vida…

Iniciam-se viagens longas, embarca-se e desembarca-se, entre esperanças renovadas e prantos de despedida. Viajores partem, viajores tornam.

Como é difícil atingir o porto de renovação! Quase sempre, a imprevidência e a inquietude precipitam-se nas profundezas sombrias!…

Para vencer a jornada laboriosa, é preciso aprender com alguém que foi o Caminho, a Verdade e a Vida. 

Ele não era conquistador e fundou o maior de todos os domínios,

não era geógrafo e descortinou os sublimes continentes da imortalidade,

não era legislador e iluminou os códigos do mundo,

não era filósofo e resolveu os enigmas da alma,

não era juiz e ensinou a justiça com misericórdia,

não era teólogo e revelou a fé viva,

não era sacerdote e fez o sermão inesquecível,

não era diplomata e trouxe a fórmula da paz,

não era médico e limpou leprosos, restaurou a visão dos cegos e levantou paralíticos do corpo e do espírito,

não era cirurgião e extirpou a chaga da animalidade primitiva,

não era sociólogo e estabeleceu a solidariedade humana,

não era cientista e foi o sábio dos sábios,

não era escritor e deixou ao planeta o maior dos livros,

não era advogado e defendeu a causa da Humanidade inteira,

não era engenheiro e traçou caminhos imperecíveis,

não era economista e ensinou a distribuição dos bens da vida a cada um por suas obras,

não era guerreiro e continua conquistando as almas há quase vinte séculos,

não era químico e transformou a lama das paixões em ouro da espiritualidade superior,

não era físico e edificou o equilíbrio da Terra,

não era astrônomo e desvendou os mundos novos da imensidade, enriquecendo de luz o porvir humano,

não era escultor e modelou corações, convertendo-os em poemas vivos de bondade e esperança…

Ele foi o Mestre, o Salvador, o Companheiro, o Amigo Certo, humilde na manjedoura, devotado no amor aos infelizes, sublime em todas as lições, forte, otimista e fiel ao Supremo Senhor até a cruz.

Bem aventurados os seus discípulos sinceros, que se transformam em servidores do mundo por amor ao seu amor!

Valiosa é a experiência do homem, bela é a ciência da Terra, nobre é a filosofia religiosa que ilumina os conhecimentos terrestres, admirável é a indústria das nações, vigorosa é a inteligência das criaturas, maravilhosos são os sistemas políticos dos povos mais cultos, entretanto, sem Cristo, a grandeza humana pode não passar de relâmpago, dentro da noite espessa.

“Brilhe a vossa luz”, disse o Mestre Inesquecível. Acenda cada aprendiz do Evangelho a lâmpada do coração.

Não importa seja essa lâmpada pequena. A humilde chama da vela distante é irmã da claridade radiosa da estrela.

É indispensável, porém, que toda a luz do Senhor permaneça brilhando em nossa jornada sobre abismos, até a vitória final no porto da grande libertação.


André Luiz













Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano

Irmã Scheilla - Livro A Mensagem do Dia - Clayton B. Levy - Cap. 2 - Abençoa e Segue



Irmã Scheilla - Livro A Mensagem do Dia - Clayton B. Levy - Cap. 2


Abençoa e Segue


Tempestades te cercam?

Abençoa e segue.

Perdas te ferem?

Abençoa e segue.

Incompreensões te envolvem?

Abençoa e segue.

O Bem que fazes é luz afastando as sombras.

A humildade que vivencias é escudo aparando as agressões.

O amor que espalhas é paz revigorando-te por dentro.

Tudo passa e se transforma para melhor.

Em tudo, abençoa e segue, na certeza de que o amor de Deus é bênção constante em nossa vida. 


Irmã Scheilla














quinta-feira, 25 de julho de 2024

André Luiz - Livro O Espírito da Verdade - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 5 - Decálogo para médiuns



André Luiz - Livro O Espírito da Verdade - Espíritos Diversos - Chico Xavier / Waldo Vieira - Cap. 5


Decálogo para médiuns


O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - Cap. XXVI - Item 7


— Rende culto ao dever.

Não há fé construtiva onde falta respeito ao cumprimento das próprias obrigações.

— Trabalha espontaneamente.

A mediunidade é um arado divino que o óxido da preguiça, enferruja e destrói.

— Não te creias maior ou menor.

Como as árvores frutíferas, espalhadas no solo, cada talento mediúnico tem a sua utilidade e a sua expressão.

— Não esperes recompensas no mundo.

As dádivas do Senhor, como sejam o fulgor das estrelas e a carícia da fonte, o lume da prece e a bênção da coragem, não têm preço na Terra.

— Não centralizes a ação.

Todos os companheiros são chamados a cooperar, no conjunto das boas obras, a fim de que se elejam à posição de escolhidos para tarefas mais altas.

— Não te encarceres na dúvida.

Todo bem, muito antes de externar-se por intermédio desse ou daquele intérprete da verdade, procede, originariamente, de Deus.

— Estuda sempre.

A luz do conhecimento armar-te-á o espírito contra as armadilhas da ignorância.

— Não te irrites.

Cultiva a caridade e a brandura, a compreensão e a tolerância, porque os mensageiros do amor encontram dificuldade enorme para se exprimirem com segurança através de um coração conservado em vinagre.

— Desculpa incessantemente.

O ácido da crítica não te piora a realidade, a praga do elogio não te altera o modo justo de ser, e, ainda mesmo que te categorizem à conta de mistificador ou embusteiro, esquece a ofensa com que te espanquem o rosto, e, guardando o tesouro da consciência limpa, segue adiante, na certeza de que cada criatura percebe a vida do ponto de vista em que se coloca.

— Não temas perseguidores.

Lembra-te da humildade do Cristo e recorda que, ainda Ele, anjo em forma de homem, estava cercado de adversários gratuitos e de verdugos cruéis, quando escreveu na cruz, com suor e lágrimas, o divino poema da eterna ressurreição.


André Luiz











(Psicografia de Francisco C. Xavier)
Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano 

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 135 - Desculpa sempre



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 135


Desculpa sempre


“Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai Celestial vos perdoará.” — JESUS (Mateus, 6.14)


Por mais graves te pareçam as faltas do próximo, não te detenhas na reprovação. Condenar é cristalizar as trevas, opondo barreiras ao serviço da luz.

Procura nas vítimas da maldade algum bem com que possas soerguê-las, assim como a vida opera o milagre do reverdecimento nas árvores aparentemente mortas.

Antes de tudo, lembra quão difícil é julgar as decisões de criaturas em experiências que divergem da nossa!

Como refletir, apropriando-nos da consciência alheia, e como sentir a realidade, usando um coração que não nos pertence?

Se o mundo, hoje, grita alarmado, em derredor de teus passos, faze silêncio e espera…

A observação justa é impraticável quando a neblina nos cerca. Amanhã, quando o equilíbrio for restaurado, conseguirás suficiente clareza para que a sombra te não altere o entendimento.

Além disso, nos problemas de crítica, não te suponhas isento dela.

Através da nociva complacência para contigo mesmo, não percebes quantas vezes te mostras menos simpático aos semelhantes!

Se há quem nos ame as qualidades louváveis, há quem nos destaque as cicatrizes e os defeitos.

Se há quem ajude, exaltando-nos o porvir luminoso, há quem nos perturbe, constrangendo-nos à revisão do passado escuro.

Usa, pois, a bondade, e desculpa incessantemente. Ensina-nos a Boa Nova que o Amor cobre a multidão dos pecados.  

Quem perdoa, esquecendo o mal e avivando o bem, recebe do Pai Celestial, na simpatia e na cooperação do próximo, o alvará da libertação de si mesmo, habilitando-se a sublimes renovações.


Emmanuel












Fonte: Bíblia do Caminho † Testamento Xavieriano