segunda-feira, 27 de junho de 2022

Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 2 - Autoanálise



Lancellin - Livro Cirurgia Moral - João Nunes Maia - Cap. 2


Autoanálise


A nossa luta é a maior de todas as batalhas, é aquela em que não precisamos sair fora de nós mesmos, é a guerra interna do corpo a corpo, de pensamento a pensamento, de vontade a vontade.

É dever moral que façamos um exame profundo na nossa conduta, pesquisa essa que vai nos trazer muita felicidade, muita paz.

No entanto, a princípio, vai parecer difícil.

Alguma vez já pensaste na tua conduta, no que tange ao teu dever ante a sociedade?

Já procuraste observar o que falas durante o dia e o que fazes no decorrer deste tempo?

A observação de nós mesmos é trabalho importante, na importância da Vida.

Muitos dizem:

"os meus pensamentos vêm à minha cabeça sem que eu os crie" e, por vezes, tem razão.

Não obstante, a cabeça é tua e é teu dever cuidar da lavoura que te pertence por direito celestial.

Os instintos inferiores são animais que devem ser domesticados, usando-se todos os meios possíveis e dignos.

Não uses a violência; ela, até no bem, pode te causar danos, se a ponderação não estiver presente no teu modo de ser.

Gostas de falar o que te vem à mente?

Sabemos que isto pode parecer um prazer, mas é um prazer momentâneo, que pode nos trazer distúrbios de difícil reparação.

Vê o que pensas e analisa o que falas, para que não entres em dificuldades maiores que aquelas com as quais já lutas para vencer no dia-a-dia.

Coloca-te, meu irmão, frente a frente com as tuas qualidades.

Imagina se fosses tu que estivesses escutando o que falas aos outros e procura sentir o que teu ouvinte sente.

Todas as tuas emoções devem ser disciplinadas no correr dos dias, no trabalho, em casa e nas ruas.

A tua paz depende da paz do teu companheiro; o respeito dos outros para com a tua pessoa depende do teu respeito para com os teus irmãos em caminho.

As leis de Deus são retas e justas; ninguém engana a verdade.

Deus está presente em toda parte, com a dignidade que nos faz compreender o Seu amor.

Ao criticares o teu companheiro, gastas energia e tempo, de modo que esqueces o que deves fazer com sua conduta.

A autoanálise é serviço divino, que nos empresta valores e nos faz descobrir o céu dentro de nós, enriquecendo o nosso coração, acendendo luzes em todos os nossos sentimentos.

Toda a alma que poda as suas investidas no mal, afiniza-se com o Bem e deixa brilhar a fraternidade em todo o seu andar.

Confirma o teu proceder em todos os momentos porque muitos olhos estão te olhando.

Analisa as tuas maneiras todos os dias, pois muitos raciocínios estão computando os teus atos, sem que, às vezes, o percebas.

Até as crianças sabem o que não deve ser feito, tanto mais o adulto.

Todas as leis de Deus estão guardadas na nossa consciência, a refletir permanentemente, e todos nós reconhecemos a verdade.

Compete a cada criatura fazer a sua parte na educação individual e crescer com Jesus em busca de Deus.


Lancellin











Carlos - Livro Relicário de luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 103 - Do carinho paternal



Carlos - Livro Relicário de luz - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 103


Do carinho paternal


Meu filho: Deus te abençoe!

Como sempre, acompanho-te os passos.

Não percas a luz que a Mão Invisível do Senhor acendeu em tua mocidade.

Contra ela conspiram as sombras da maldade humana, porque enquanto não possuir a Terra bastante claridade, a treva não perdoa aqueles que tentam com Jesus a descoberta do sol de fraternidade e paz verdadeira para o mundo.

Recebeste um tesouro que a minha luta árdua e absorvente não me permitiu procurar.

Defende-o. Não é o ouro e nem os títulos que fazem o engrandecimento do homem; mas sim a renovação íntima dele, na aquisição da vida superior.

É fácil servir aos governos estabelecidos na Terra; é fácil a nossa submissão às disciplinas de variados matizes para que nos façamos cidadãos respeitáveis à frente das criaturas quase sempre tão frágeis e tão enganadas quanto nós mesmos; mas servir ao Cristo na pessoa do próximo, desvencilhando-nos de nossas vaidades e de nossas ilusões, é tarefa quase sobre-humana.

Por teu exemplo, meu filho, auxiliarás aos teus irmãos na subida espiritual. Em ti tenho as minhas maiores preocupações, e, atualmente, em tua boa vontade e em tua fé, sinto meu ponto de apoio para replantar a lavoura de minhas paternais esperanças.

Em tuas horas de solidão interior, não te confies à amargura ou ao desânimo.

Ouço-te as indagações sem palavras e espero continues avançando no conhecimento superior para que nos irmanemos, mais intimamente, nos trabalhos novos que devemos realizar.

Ajuda, como sempre, a mãezinha, com o teu devotamento de cada dia e, quanto possível, afeiçoemo-nos aos serviços da caridade que nos acenam na estrada renovadora a que fomos conduzidos.

Conduze à tua mãe o meu pensamento diário de carinho, de gratidão, de saudade e de amor; lembra-me aos filhos queridos, e recebe o paternal e afetuoso abraço de teu pai, muito amigo de sempre,


Carlos











domingo, 26 de junho de 2022

Humberto de Campos - Livro Boa Nova - Chico Xavier - Cap. 16 - O testemunho a Tomé



Humberto de Campos - Livro Boa Nova - Chico Xavier - Cap. 16


O testemunho a Tomé


Conta a narrativa de Marcos que, voltando Jesus de uma das suas excursões, se encaminhou para o território de Dalmanuta, onde vários fariseus se puseram a discutir com ele, para experimentá-lo. Entremostrando a dor que lhe causava a incompreensão ambiente, o Mestre exclamou com a sua energia serena: — “Por que pede esta geração um sinal do Céu?” 

Era frequente buscarem o Messias com a preocupação exclusiva do maravilhoso. Alguns exigiam os milagres mais extravagantes, no ar, no firmamento, nas águas. Jesus não afirmava ser o Filho de Deus?!… No exercício do seu ministério, não expulsara Espíritos malignos, não curara paralíticos e leprosos? Os fariseus principalmente eram os que desejavam crer nos ensinamentos novos, mas, dentro das normas do velho egoísmo humano, reclamavam prévias compensações do sobrenatural ao apoio do dia seguinte.

De todos os discípulos, era Tomé o que mais se preocupava com a dilatação, que lhe parecia necessária, da zona de influenciação do Senhor junto dos homens considerados os mais importantes e os mais ricos. Não raro, insistia com Jesus para que atendesse às exigências dos fariseus bem aquinhoados de autoridade e de riqueza.

Naquele dia de breve repouso em Dalmanuta, o Mestre descansava na choupana de um velho pescador por nome Zacarias, quando o discípulo surgiu inesperadamente, reclamando-lhe a atenção nestes termos:

— Senhor, numerosos homens de importância estão na localidade e desejam o sinal de vossa missão divina! Reparando que Jesus guardara silêncio, Tomé continuou a falar, desejoso de acender entusiasmo em torno do seu alvitre.

— São altos funcionários de Herodes, em companhia de doutores de Jerusalém, que excursionam por estas paragens… Além disso, estão acompanhados de patrícios romanos, interessados em conhecer o lago e as suas aldeias mais influentes. Esses viajantes ilustres fizeram-me portador de um convite atencioso e amável, pois vos esperam em casa do centurião Cornélio Cimbro!…

Jesus, entretanto, depois de longo silêncio, no qual pareceu examinar detidamente a atitude mental do interlocutor, perguntou com serenidade, mas em tom algo doloroso:

— Que desejam de mim?

— Querem conhecer-vos, Mestre! — Replicou o apóstolo, mais confortado.

— Não é necessário que me vejam a mim; mas, que sintam a verdade que trago de Nosso Pai. — Redarguiu Jesus, com tranquila firmeza.

Deixando transparecer o desgosto que aquela resposta lhe causava, Tomé insistiu:

— Mestre, Mestre, atendei-os!… Que será do Evangelho do Reino e de nós mesmos, sem o apoio dos influentes e prestigiosos? Acreditais na vitória sem o amparo das energias que dominam o mundo? Mostrai-vos a esses homens, revelai-lhes o vosso poder divino, pois que, ao demais, eles apenas desejam conhecer-vos de perto!…

— Tomé, — exclamou o Senhor, com energia, — Deus não exige que os homens o conheçam senão no santuário do perfeito conhecimento de si mesmos. Eu venho de meu Pai e tenho de ensinar as suas verdades divinas. Nunca reclamei dos meus discípulos as suas homenagens pessoais, apenas tenho recomendado a todos que se amem, reciprocamente, através da vida!

E, desfazendo as ponderações descabidas do discípulo, continuou:

— Julgas, então, que o Evangelho do Reino seja uma causa dos homens perecíveis? Se assim fosse, as nossas verdades seriam tão mesquinhas como as edificações precárias do mundo, destinadas à renovação pela morte, nos eternos caminhos do tempo. Os patrícios romanos e os doutores de Jerusalém não terão de entregar a alma a Deus, algum dia? Quem será, desse modo, o mais forte e poderoso: Deus, que é o Pai de sabedoria infinita, na eternidade de sua glória, ou um césar romano, que terá de rolar do seu trono enfeitado de púrpura, para o pó tenebroso da sepultura?!

Tomé escutava-o, surpreso e entristecido; todavia, com o propósito de se justificar, acrescentou comovido:

— Mestre, compreendo as vossas observações divinas; no entanto, esses forasteiros desejavam apenas um sinal de Deus nos céus.

— Mas, se são incapazes de perceber a presença do Nosso Pai, como poderão reconhecer-lhe um simples sinal? — Perguntou Jesus, com todo o vigor da sua convicção. — Os pais humanos sabem que sem o seu esforço, ou sem a generosa cooperação de alguém que os substitua, à frente da família, não seria possível o desenvolvimento de seus filhos, no que se refere à assistência material; contudo, os homens do mundo encontram a casa edificada da Natureza, com a exatidão de suas leis, e timbram sempre em negar a assistência da Providência Divina. Vai, Tomé, e dize-lhes que o Evangelho do Reino não se destina aos que se encontrem satisfeitos e confortados na Terra; destina-se justamente aos corações que aspiram a uma vida melhor!

Ante a firmeza das elucidações, o apóstolo não mais insistiu. Ainda, porém, interrogou, hesitante:

— Mestre, qual será então a nossa senha? Como provar às criaturas que o nosso esforço está com Deus?

— Uma só lágrima, que console e esclareça um coração atormentado, — explicou Jesus, — vale mais do que um sinal imenso no céu, destinado tão somente a impressionar os miseráveis sentidos da criatura. A nossa senha, Tomé, é a nossa própria exemplificação, na humildade e no trabalho. Quando quiseres esclarecer o espírito de alguém, nunca lhe mostres que sabes alguma coisa; sofre, porém, com as suas dores e colherás resultado. A redenção consiste em amar intensamente. Se te interessas por um amigo, suporta os seus infortúnios e imperfeições, anda em sua companhia nos dias amargos e dolorosos! O nosso sinal é o do amor que eleva e santifica, porque só ele tem a luz que atravessa os grandes abismos. Vai e não descreias, porque não triunfaremos no mundo somente pelo que fizermos, mas também pelo que deixarmos de fazer, no âmbito das suas falsas grandezas!…

Desde esse dia, o apóstolo Tomé reformou a sua concepção sobre as mensagens do Céu, no capítulo dos milagres; entretanto, não conseguia escapar a pequeninas indecisões, em matéria de fé. Não podia excluir de sua imaginação o desejo de uma vitória ampla e fácil do Evangelho, pela renovação imediata do mundo.

Dentro em pouco, porém, a onda das perseguições vinha desfazer a suave e divina ventura. O Mestre fora preso. Com exceção de João, que se conservara junto de sua mãe, todos os discípulos se afastaram espavoridos.

Também ele não resistiu às grandes vacilações do triste momento. Debandara. Todavia, depois, sentira o coração pungido de remorsos acerbos. Almejava contemplar o Mestre querido, ouvir, se possível, pela última vez, uma palavra de exprobração dos seus lábios divinos. Disfarçando-se, então, de maneira a tornar-se irreconhecível, a fim de se livrar das iras da multidão, incorporou-se, nas ruas movimentadas, ao ruidoso cortejo. Seu coração batia acelerado. Rompeu a massa popular e aproximou-se do Messias, que caminhava sob a cruz a passos vacilantes, seguido de perto pelos soldados que o protegiam contra os ataques da plebe. Sentiu que uma grande angústia lhe dilacerava as fibras mais delicadas da alma. Contudo, seguiu sempre, até que o madeiro se ergueu, exibindo o sentenciado sob os raios do Sol claro, no topo de uma colina, como para apresentar espetáculo às vistas do mundo inteiro.

Tomé contemplou fixamente o Mestre e notou que o espírito se lhe mantinha firme. Sua fisionomia serena, não obstante o martírio daquela hora, não refletia senão o amor profundo que lhe conhecera nos dias mais lindos e mais tranquilos. Seus pés, que tanto haviam caminhado para a semeadura do bem, estavam ensanguentados. Suas mãos generosas e acariciadoras eram duas rosas vermelhas, gotejando o sangue do suplício. Sua fronte, em que se haviam abrigado os pensamentos mais puros do mundo, se mostrava aureolada de espinhos.

Tomé se pôs a chorar discretamente; logo, porém, como se o olhar do Mestre o buscasse, entre os milhares de criaturas reunidas, observou que Jesus o fitara e, magnetizado pela sua feição divina, avançou, hesitante. Desejava escutar daqueles lábios adorados a reprovação franca e sincera que merecia o seu condenável procedimento, fugindo ao testemunho da hora extrema. Aproximou-se ofegante da cruz e, deixando perceber que apenas cedia a uma necessidade espiritual naquele instante supremo, ouviu Jesus dizer-lhe em voz quase imperceptível:

— Tomé, no Evangelho do Reino, o sinal do Céu tem de ser o completo sacrifício de nós mesmos!…

O apóstolo compreendeu-lhe as palavras e chorou amargamente.

Não obstante a advertência do Messias, feita do cimo da cruz da humilhação e do sofrimento, o discípulo continuava naquela atitude que se caracterizava por dúvidas quase invencíveis. Considerava o Cristo a mais alta figura da Humanidade, em se tratando do amor que ilumina as estradas escabrosas da vida material; mas, no que se referia ao raciocínio, Tomé mantinha certas restrições. Sua alma se deixava empolgar por inúmeras indecisões, quando a notícia fulgurante da ressurreição estalou em Jerusalém, por entre vivas manifestações de alegria.

Maria de Magdala, Pedro, João, bem como outros companheiros, tinham visto o Senhor, tinham-lhe escutado a palavra consoladora e divina. Incerto de si mesmo, quase vencido na sua escassa fé, o discípulo procurou os amigos diletos, ansiando pela manifestação do Mestre adorado. Reunida a pequena comunidade, depois das preces habituais, Jesus penetrou na sala humilde com sereno sorriso, desejando aos companheiros paz e bom ânimo, como nos dias venturosos e risonhos da Galileia. Tomé, sentindo o coração bater-lhe precipitado, ergueu os olhos. O Senhor, percebendo-lhe os pensamentos mais ocultos, aproximou-se do discípulo de fé vacilante e o convidou a tocar-lhe as chagas. Depois de pronunciar as palavras que as narrativas apostólicas registraram, acrescentou bondosamente: — “Tomé, põe a tua mão nas minhas chagas e não te esqueças de que este é o sinal…”

Então, a razão fria do apóstolo notou que um clarão novo o invadia e lhe penetrava a alma. Compreendeu finalmente que o martírio do coração que ama se reveste de misterioso poder. Tocado pela humildade do Mestre redivivo, prosternou-se e chorou. Suas lágrimas eram de ventura e lhe proporcionavam ao Espírito um júbilo para cujo preço todos os tronos da Terra eram miseráveis e pequeninos. Sua alma acabava de vencer uma grande batalha. O coração triunfara do cérebro, o sentimento lhe acrisolara a fé. 


Humberto de Campos
(Irmão X)









[Sobre Tomé e o problema da fé, vide o capítulo 28.]


sábado, 25 de junho de 2022

Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 25 - Respeito - O poder sugestivo



Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 25


Respeito - O poder sugestivo


O verbo é, pois, uma fonte de poder extraordinário, ideado pela mente e enriquecido pela conduta. A palavra bem formada nos valores do coração é condutora do ambiente do amor, esse clima suave da alegria e da fraternidade. O seu poder sugestivo, quando é usado para a caridade bem conduzida, faz maravilhas: levanta caídos, estimula a fé e faz aparecer a confiança, dando-nos coragem para as lutas.

Vigia a tua palavra, para que da tua boca nada saia de negativo, que ela não seja poluída pelo orgulho e pelo egoísmo, e que seja ela entregue ao trabalho da coletividade, na universalidade de todas as coisas. Sê aplicado em todos os momentos, com deferência no Bem com Jesus, para que não haja perda de tempo no serviço de Deus.

Alinha, meu filho, a tua vida, na submissão do amor, que ele te indicará o caminho para o divino Mestre. Tem toda a atenção onde a palavra do Cristo irradia, valorizando-a, e nunca te faltará a luz no caminho.

Em todas as tuas conversas, usa o respeito para com os direitos alheios. Tu não podes viver sozinho no mundo; existe uma divisão de funções para cada um e no teu mundo, se há direitos, certamente há deveres para com a vida.

Confia em Deus e, nas tuas orações, pede a Ele que te oriente, para que possas respeitar o ponto de vista dos outros, razão porque, se não estas no princípio da ascensão, não chegaste igualmente ao fim, e o teu dever é ajudar os da retaguarda, para que possam receber, com humildade, orientação dos que se encontram na dianteira, compreendendo que só Deus tem o pleno domínio de todas as coisas.

Passa a usar o teu poder de sugestão, fazendo crescer os valores da alma, porque, como co-criador dos bens eternos, representas pelo menos um canal do que te cabe fazer. Usa a sugestão, criando pensamentos elevados, de maneira que as bênçãos de Deus enriqueçam os teus esforços para a eternidade. Essa é, pois, uma das inúmeras maneiras de curar-te a ti mesmo, pelos processos inumeráveis da caridade, mostrando-te no trabalho divino, quando não esquece o perdão e o amor.

Mas, para tanto, é necessária a educação, porque as forças aprimoradas são balizas de amor no trabalho, em todas as beneficências. Se precisas instruir-te para esse labor, muito mais precisas educar-te, porque a educação da alma é fonte de vida que ilumina a instrução.

Quem trabalha com o poder sugestivo e o aplica na difusão do Evangelho, se encontra no serviço de Deus, tendo como suave vigia, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não uses o verbo em vão, porque ele é instrumento do Criador, na harmonização da vida e, quando nos esforçamos para tal, o primeiro beneficiado é quem se faz digno do salário. Disse Jesus certa vez a Paulo: “Fale e não se cale”, por saber que o apóstolo já sabia falar sob a proteção do amor. Assim, diremos aos espíritas educados no Evangelho do Mestre: Falem e não se calem; entreguem o verbo ao labor do bem imortal, para que possam dizer com alegria: “criamos um paraíso e nele vamos viver com Deus e o Cristo no coração!”

Se escutamos Jesus, estamos curando a nós mesmos de todos os males, na iluminação para a eternidade.


Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Saúde - Divaldo P. Franco - Cap. 16 - Em Serenidade



Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Saúde - Divaldo P. Franco - Cap. 16


Em Serenidade


A serenidade é pedra angular das edificações morais e espirituais da criatura humana, sem a qual muito difíceis se tornam as realizações. Resulta de uma conduta correta e uma consciência equânime, que proporcionam a visão real dos acontecimentos bem como facultam a identificação dos objetivos da vida, que merecem os valiosos investimentos da existência corporal.

Na atormentada busca do prazer, desperdiça-se o tesouro da cultura, que se converte em serva das paixões inferiores, perturbadoras, de consequências negativas. Quanto mais se frui do gozo, mais necessidade surge de experimentá-lo, renovando sensações que se disfarçam de emoções.

A serenidade é o estado de anuência entre o dever e o direito, que se harmonizam a benefício do indivíduo.

Quando se adquire a consciência asserenada, enfrenta-se toda e qualquer situação com equilíbrio, nunca se permitindo desestruturar. As ocorrências, as pessoas e os fenômenos existenciais são considerados nos seus verdadeiros níveis de importância, não se tornando motivo de aflição, por piores se apresentem.

A pessoa serena é feliz, porque superou os apegos e os desapegos, a ilusão e os desejos, mantendo-se em harmonia em qualquer situação. Equilibrada, não se faz vítima de extremos, elegendo o caminho do meio com decisão firme, inquebrantável.

A serenidade não é quietação exterior, indiferença, mas plenitude da ação, destituída de ansiedade ou de receio, de pressa ou de insegurança.

Jesus, no fragor de todas as batalhas, na eloquente epopeia das bem-aventuranças ou sendo crucificado, manteve a serenidade, embora de maneiras diferentes, impertérrito e seguro de si mesmo, com irrestrita confiança em Deus.

Buda, meditando em Varanasi, onde apresentou as suas Quatro Nobres Verdades ou açodado por terríveis perseguições que lhe moveram os brâmanes, seus inimigos apaixonados, permaneceu em serenidade, totalmente entregue à paz.

Jan Huss, pregando a desnecessidade de intermediários entre Deus e os homens, ou ardendo nas chamas implacáveis da fogueira a que foi condenado, manteve-se fiel, sereno, sabendo que ninguém o poderia aniquilar.

Os mártires conheceram a serenidade que o ideal lhes deu, em todas as áreas nas quais pugnaram, e, por isso mesmo, não foram atingidos pela impiedade, nem pela perseguição dos maus.

A serenidade provém, igualmente, da certeza, da confiança no que se sabe e se faz e se é. 

Âncora de segurança, finca-se no solo e sustenta a barca da existência, dando-lhe tempo para preparar-se e seguir adiante. 

Age sempre conforme a consciência lúcida, a fim de não caíres em conflito, perdendo a serenidade.

Estuda-te e ama-te, elegendo o melhor, o duradouro para os teus dias, e nunca recuarás. No entanto, se errares, se te comprometeres, se te arrependeres, antes que te perturbe a culpa, recompõe-te, refaze o equívoco, recupera-te e reconquista a serenidade. Sem ela, experimentarás sofrimentos que poderias evitar, e te impedem o avanço.

Serenidade é vida.

  • A realidade divina desperta-me para que me conheça, assim descobrindo-me e identificando-me.
  • A minha busca já não se veste de ilusão, mas, sim, de certeza do próximo encontro com a realidade.
  • Sou o que sou, caminhando para um ser ideal.
  • Aceito-me e aprimoro-me, a ninguém nada exigindo, a todos amando e, a mim, deixando-me dominar pela realidade.

Joanna de Ângelis










Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 16 - O serviço da comunidade



Neio Lúcio - Livro Colheita do Bem - Mensagens familiares do Prof. Arthur Joviano / Chico Xavier - Cap. 16


O serviço da comunidade


27/07/1949

Meus caros filhos, Deus abençoe a vocês, concedendo-lhes muita paz e bom-ânimo aos corações.

Hoje é o nosso dia alegremente comemorado. O júbilo doméstico esteve, graças a Jesus, completo com a presença dos netos em torno de vocês, acentuando-lhes o contentamento. Creiam que de todas as realizações humanas o lar é sempre a mais sublime pela grandeza das bênçãos que o divino Poder nele entesoura. E sou realmente feliz em lhes observando o equilíbrio na experiência familiar, aliado ao desejo firme e incessante de progresso para o que é efetivamente útil, permanente e divino.

Não posso, em minha condição atual, senão renovar-lhes os meus votos de felicidade, rogando ao Senhor para que a existência na Terra, cada vez mais, constitua para vocês um roseiral sem espinhos, cujo perfume sobe sempre para os cumes da vida eterna, conduzindo à Providência o cântico silencioso do agradecimento e do trabalho a que se devotam.

Rejubilo-me, minha querida Maria, com as suas melhoras de saúde para que a data fosse mais integralmente colorida de paz, sem preocupações de qualquer natureza. Você e o Rômulo possuem hoje grandes e santificados compromissos em obras de caráter coletivo e o voo das aspirações de ambos não deve ser circunscrito. 

A reencarnação é um processo de renovação. E acreditem que, em cada ano de boa luta, desde que a criatura se consagre ao espírito de serviço que nos deve presidir as ações, desperta a alma para deveres sempre mais elevados e mais nobres. 

Um serviço que seria valioso em determinada época passa a ser menos construtivo em outra. O que assinala um lustro de ação é diferente naquele mesmo período de tempo que o segue. Estou, portanto, satisfeito e convicto de que a proteção do Senhor nunca nos falta para que nos devotemos aos cometimentos da hora que atravessamos.

São tantas as obrigações espirituais que hoje prendem vocês a círculos mais dilatados de responsabilidade que não me canso de pedir a cooperação de benfeitores nossos para que lhes não faltem os recursos preciosos da saúde, da harmonia e da paz. Que Jesus lhes conserve, acima de tudo, a disposição de operar servindo a todos, espalhando a sementeira do bem através de todas as direções.

Na expectativa do regresso do Roberto dos estudos, estendo igualmente a ele os meus votos de êxito pela aplicação metódica à obra de preparação do próprio futuro. Não se esqueça o meu neto de que em todas as circunstâncias devemos ser sempre “nós mesmos”, agindo com a feição pessoal ajustada ao bem comum. 

Não admita, em hipótese nenhuma, que as edificações da felicidade se façam à revelia do próprio esforço. Tudo o que um homem possui é aquilo que ele mesmo amontoa ao redor de si. Chegamos hoje à ousada afirmativa de que essa lei alcança a todos, inclusive os mais aparentemente miseráveis. 

Não há governos integralmente maus — há coletividades que provocam direções infelizes. Afirme-se cada um no trabalho que foi chamado a executar, imitando a célula no comboio físico e haverá sempre inteligência harmoniosa na administração para enfileirar os problemas e solucioná-los em momento oportuno para a satisfação geral.

Quando um moço compreende a realidade nesse prisma, converte-se em valioso apoio da prosperidade comum. Infelizmente, para muitos, tal concepção é absorvida muito tarde para o “dia de serviço terrestre”, que é uma existência em si e, por essa razão, as dificuldades criadas ao progresso são cada vez mais complexas.

Creia, meu caro Roberto, em você mesmo, diante de Deus, que nos confiou os dons do caminho, e use as ferramentas de sua imaginação, de seu trabalho, de sua esperança e de sua vontade. Sem imaginação, nada ou quase nada consegue ver no mundo para improvisar a própria felicidade; sem trabalho, a inércia vence os mais fortes temperamentos; sem esperança, o caminho não se descortina ante a visão, e sem vontade, o coração e a mente dormem, paralíticos. 

Aproveite, como é natural, por bendito estímulo da senda humana, a possibilidade de conquistar mais alta expressão remunerativa aos seus estudos e serviços, porque, em todos os ângulos da realização terrestre, o espírito deve encontrar o incentivo à marcha para diante, contudo, aprenda a superar toda ideia de lucro imediato, quando se trate de servir. E espiritualmente ligue seus pensamentos aos nossos. Venceremos o combate e o porvir, sem dúvida, materializará os seus sonhos com a supervisão dos pais, que são os seus melhores amigos. Vamos para a frente e não tema.

Agradeço a vocês as facilidades para a execução do novo esforço, singelo embora, de Neio Lúcio, cuja família espiritual, com o auxílio divino, prossegue aumentando. Estou satisfeito com a observação que levaram a efeito no introito do trabalho. A revisão carinhosa e respeitosa de vocês me levou a reconhecer um lapso havido. Não quereremos dizer “pedra” e sim “peça”. O serviço na página será reajustado. 

A cooperação é uma chave maravilhosa, principalmente quando é fundida no divino metal do amor. Verdadeiramente reconhecido, renovo-lhes a minha gratidão e o meu júbilo de sempre. O serviço da comunidade, graças a Jesus, é a nossa meta. Sirvamos com fidelidade ao divino Amigo dos homens, que não descansa no ministério ativo do bem operante e infinito.

O nosso receitista é de opinião que Maria continue com as indicações por mais 5 a 6 dias.

Muito boa noite a todos, com o nosso pensamento voltado para o nosso inesquecível amigo General Aurélio. Desejando a vocês muita alegria na luta edificante de sempre, e pedindo a Jesus nos renove as oportunidades de servir com redobrado empenho aos nossos semelhantes, reúne-os num afetuoso abraço o papai que não os esquece,


A. Joviano
(Neio Lúcio)









Meimei - Livro Amizade - Chico Xavier - Cap. 4 - No caminho das horas



Meimei - Livro Amizade - Chico Xavier - Cap. 4


No caminho das horas


Não te digas inútil. Nem fujas de servir.

Deus é o Sol Supremo, no entanto, podes exercer a função da vela humilde, quando se faz pequena chama arredando as trevas.

Em Deus, brilha a eterna alegria, mas dispões de recursos para ser o sorriso que reanime a esperança em corações desalentados.

Deus é a sabedoria, entretanto, guardas a possibilidade de construir a frase renovadora em auxílio aos irmãos em desespero.

Deus é a misericórdia integral, contudo, nada te impede sustentar o perdão das ofensas.

Deus é todo o poder; trazes, porém, força bastante a fim de prestar esse ou aquele serviço, em favor de alguém.

Não te emaranhes no cipoal do tempo perdido.

Prossegue abençoando e servindo.

Sigamos a luz do bem.

Deus é o amor infinito, no entanto, aqui e além, hoje e sempre podes ser a migalha.


Meimei