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sábado, 25 de junho de 2022

Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 25 - Respeito - O poder sugestivo



Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 25


Respeito - O poder sugestivo


O verbo é, pois, uma fonte de poder extraordinário, ideado pela mente e enriquecido pela conduta. A palavra bem formada nos valores do coração é condutora do ambiente do amor, esse clima suave da alegria e da fraternidade. O seu poder sugestivo, quando é usado para a caridade bem conduzida, faz maravilhas: levanta caídos, estimula a fé e faz aparecer a confiança, dando-nos coragem para as lutas.

Vigia a tua palavra, para que da tua boca nada saia de negativo, que ela não seja poluída pelo orgulho e pelo egoísmo, e que seja ela entregue ao trabalho da coletividade, na universalidade de todas as coisas. Sê aplicado em todos os momentos, com deferência no Bem com Jesus, para que não haja perda de tempo no serviço de Deus.

Alinha, meu filho, a tua vida, na submissão do amor, que ele te indicará o caminho para o divino Mestre. Tem toda a atenção onde a palavra do Cristo irradia, valorizando-a, e nunca te faltará a luz no caminho.

Em todas as tuas conversas, usa o respeito para com os direitos alheios. Tu não podes viver sozinho no mundo; existe uma divisão de funções para cada um e no teu mundo, se há direitos, certamente há deveres para com a vida.

Confia em Deus e, nas tuas orações, pede a Ele que te oriente, para que possas respeitar o ponto de vista dos outros, razão porque, se não estas no princípio da ascensão, não chegaste igualmente ao fim, e o teu dever é ajudar os da retaguarda, para que possam receber, com humildade, orientação dos que se encontram na dianteira, compreendendo que só Deus tem o pleno domínio de todas as coisas.

Passa a usar o teu poder de sugestão, fazendo crescer os valores da alma, porque, como co-criador dos bens eternos, representas pelo menos um canal do que te cabe fazer. Usa a sugestão, criando pensamentos elevados, de maneira que as bênçãos de Deus enriqueçam os teus esforços para a eternidade. Essa é, pois, uma das inúmeras maneiras de curar-te a ti mesmo, pelos processos inumeráveis da caridade, mostrando-te no trabalho divino, quando não esquece o perdão e o amor.

Mas, para tanto, é necessária a educação, porque as forças aprimoradas são balizas de amor no trabalho, em todas as beneficências. Se precisas instruir-te para esse labor, muito mais precisas educar-te, porque a educação da alma é fonte de vida que ilumina a instrução.

Quem trabalha com o poder sugestivo e o aplica na difusão do Evangelho, se encontra no serviço de Deus, tendo como suave vigia, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não uses o verbo em vão, porque ele é instrumento do Criador, na harmonização da vida e, quando nos esforçamos para tal, o primeiro beneficiado é quem se faz digno do salário. Disse Jesus certa vez a Paulo: “Fale e não se cale”, por saber que o apóstolo já sabia falar sob a proteção do amor. Assim, diremos aos espíritas educados no Evangelho do Mestre: Falem e não se calem; entreguem o verbo ao labor do bem imortal, para que possam dizer com alegria: “criamos um paraíso e nele vamos viver com Deus e o Cristo no coração!”

Se escutamos Jesus, estamos curando a nós mesmos de todos os males, na iluminação para a eternidade.


segunda-feira, 5 de abril de 2021

Hammed - Livro Os Prazeres da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 43 - Respeito




Hammed - Livro Os Prazeres da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 43


Respeito 


Somente optando pelo autorrespeito é que conseguiremos o respeito alheio, encontraremos nos outros a mesma dignidade que damos a nós mesmos.

De que maneira as pessoas nos tratam? Sentimo-nos constantemente usados ou desrespeitados? Às vezes, permitimos que os outros nos tracem metas ou objetivos sem antes nos consultar? Sabemos distinguir quando estamos doando realmente ou quando estamos sendo explorados? Respeitamos nossos valores e direitos inatos? Costumamos representar papéis de vítimas ou de perfeitos?

A pior situação que podemos viver é passar toda uma existência sem nos dar o devido amor e respeito, fazendo coisas completamente diferentes do que sentimos.

Nossos sentimentos são parte importante de nossa vida. Se permitirmos que eles fluam em nós, então saberemos o que fazer e como nos conduzir diante das mais variadas situações do cotidiano.

Em virtude disso, não devemos nos esquecer de que, quando nos respeitamos plenamente, mostramos aos outros como eles devem nos tratar.

Se nós não nos aceitarmos, quem nos aceitará? Se nós não nos amarmos, quem nos amará?

Marcos relata em seu Evangelho a seguinte orientação:

"Pois ao que tem será dado, e ao que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado." (1)

Realmente, "será dado" (respeito) ao que se respeita e não "ao que não tem ou pensa ter". Assim funciona tudo em nossa vida íntima - "temos o que damos". Devemos esperar dos outros a mesma dignidade que damos a nós mesmos.

Examinemos nossos sentimentos e atitudes e nos perguntemos: Por que permito que me tratem com desconsideração? O que estimula os outros a se comportarem com desprezo em relação à minha pessoa?

Se nós não nos autorresponsabilizamos pela forma como somos tratados, continuaremos impotentes para mudar o contexto penoso em que estamos vivendo. É muito cómodo culpar os outros por qualquer desilusão ou sofrimento que estejamos passando. Não é fácil aceitar a responsabilidade pelas nossas próprias ilusões e desenganos.

Quando renunciamos ao controle de nós mesmos, com toda a certeza outros indivíduos tomarão as rédeas de nossa vida.

Somos iguais perante os olhos da Divindade. "(...) todos tendem ao mesmo fim e Deus fez suas leis para todos. Dizeis frequentemente: o sol brilha para todos. Com isso dizeis uma verdade maior e mais geral do que pensais." (2)

Realmente "o sol brilha para todos", pois "(...) Deus não deu, a nenhum homem, superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte (...)."

Não somos nem melhores nem piores que ninguém. Ao recusarmos o respeito a nós mesmos, estamos abdicando do direito de exigi-lo. Sem senso de valor individual, nos sentiremos diminuídos diante do mundo e destituídos da habilidade de dar e de receber amor. O mais valioso tesouro que possuímos é a dignidade pessoal.

Não é lícito sacrificá-la por nada ou por ninguém. Quando autorizamos os outros a determinar o quanto valemos, uma sensação de vazio nos toma conta da alma. O autodesrespeito é um grande desserviço a nós mesmos. Quando ele se instala em nossa casa mental, passamos a não mais prestar atenção aos avisos e intuições que brotam espontaneamente do reino interior.

As vozes de inspiração divina são sempre ideias claras, providas de síntese e simplicidade, que a Vida Providencial murmura no imo de nossa alma.

Quando nos respeitamos, somos livres para sentir, agir, ir, dizer, pensar e saber o que autodeterminamos, confiantes em que, se estivermos prontos, no tempo exato o Poder Superior o do Universo nos dará todo o suprimento, todo o apoio e toda a orientação para cumprirmos o sublime plano que Ele nos reservou.

Somente optando pelo autorrespeito é que conseguiremos o respeito alheio. Encontraremos nos outros a mesma dignidade que damos a nós mesmos.

Num futuro breve, quando a mulher se legitimar pelo que é por onde quer chegar, adquirirá o respeito dos outros e de si mesma.

À medida que a criança cresce e se desenvolve no convívio familiar, ela reproduz ou copia tudo o que vê, ouve e observa. Os adultos servem de padrões, quer dizer, são modelos e exemplos. Por meio da identificação com os pais, tios, avós ou irmãos mais velhos, ou mesmo da imitação de seus atos e atitudes, a criança, de forma consciente ou inconsciente, modela-se firmemente no ambiente doméstico.

Socialização é o processo de adaptação do indivíduo ao grupo social; é o desenvolvimento das relações na vida grupai, caracterizado pelo espírito de coletividade e pelo sentimento de cooperação e solidariedade.

Particularmente na criança, a socialização se inicia a partir do momento em que o recém-nascido é conduzido para casa pelos pais. No entanto, não devemos esquecer que, desde a sua concepção, a alma, já ligada ao diminuto embrião humano, sofre forte influência do ambiente em que vive.

De acordo com Jean Piaget, cada criança, na fase da "socialização doméstica", assimila e modela tudo o que a sensibiliza de acordo com sua individualidade — utilizando sua personalidade única e peculiar, o que irá distingui-la de todas as outras pessoas.

Acontecimentos caseiros, atos e opiniões dos adultos, considerações sobre ética, religião, costumes, moral e filosofia, proibições e preconceitos, permissões e intolerâncias, tudo vai-se modelando na "argila plástica", que é a mentalidade infantil, e delineando a criança dentro de preceitos, regras de conduta e de princípios que variam culturalmente, de família para família, e interiormente, de criança para criança.

Mesmo nos gémeos idênticos, o desenvolvimento psicossocial ocorrerá de forma diferenciada devido à bagagem espiritual que cada alma traz consigo - produto de suas vidas sucessivas.

Consulta Kardec a Espiritualidade Maior, na terceira parte, capítulo IX, de O Livro dos Espíritos: De onde se origina a inferioridade moral da mulher em certos países?'. E os Obreiros do Bem respondem: "Do império injusto e cruel que o homem tomou sobre ela. É um resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre os homens pouco avançados, do ponto de vista moral, a força faz o direito" (3)

A formação machista que as crianças recebem na infância as influencia durante toda a vida. Homens são treinados para ser fortes, corajosos, agressivos, seguros, bem-sucedidos e autossuficientes. Para os estudiosos do comportamento humano, o "estereótipo do macho" iniciou-se nas eras pré-históricas, quando os nossos antepassados do sexo masculino tiveram que abandonar o medo e disputar a comida com os animais.

Machismo é um conjunto de normas, costumes, leis e atitudes baseado em regras socioculturais do homem, que tem por finalidade explícita e/ou implícita criar e manter a submissão da mulher em todos os níveis: afetivo, sexual, procriativo, profissional.

Quando a mulher, nos seus mais diversos relacionamentos, romper com essa visão de que deve ser submissa, reclusa, frágil e dependente do homem, ela recuperará toda a estrutura de poder e o senso de iniciativa.

A "guerra dos sexos", na maioria das vezes, tenta impor, com ou sem armas, a supremacia do homem sobre a mulher por meio da violência, clara ou dissimulada, salvaguardando interesses falocratas de mentalidades medievais.

O machista atua como tal, sem poder explicar seus atos ou perceber suas atitudes externas, porque não se dá conta das estruturas preconceituosas que internalizou nesta ou em outras existências. Ele se limita apenas a reproduzir ou pôr em prática tudo aquilo que viveu culturalmente no lar, na escola, no templo religioso, na cidade, no país, enfim em qualquer lugar ou situação que o tenha influenciado.

Muitas mulheres, de forma inconsciente, compartilham do machismo na medida em que não notam as estruturas psicológicas de "hegemonia masculina" que regulam suas relações afetivas e sociais. E podem reproduzi-las, sem perceber, na educação dos filhos, sejam eles homens ou mulheres, contribuindo dessa forma para que a ideia machista se perpetue automaticamente.

São muitos os provérbios humilhantes e os insultos irónicos endereçados às mulheres, estes acompanhados de risos sarcásticos e depreciativos. O "sexismo" — atitude de discriminação fundamentada no sexo - leva mulheres ingénuas, inseguras e dependentes a aceitar essas críticas mordazes como naturais, porquanto o modelo de educação em que organizaram seu mundo íntimo baseou-se nesses valores e crenças distorcidos.

A mulher precisa descobrir que não depende de ninguém para viver a própria existência, pois tem dentro de si uma extraordinária capacidade de fazer mudanças positivas. Ela, como o homem, tem um mundo diante de si, e todos podem crescer até onde permite sua capacidade, seu dom, seu talento nato. Todos nós estamos em constante mutação e nos transformamos todo o tempo nos aspectos físico, mental, emocional e espiritual. Nada na Natureza permanece estático; tudo flui através dos processos da vida, dentro e em torno de nós.

Em muitas ocasiões, a mulher, em vez de reverter a situação desgostosa em que vive, tenta mudar de forma superficial, apenas substituindo o cônjuge por outro, mas sem renovar seu modo de sentir, pensar e agir. Como não se preocupa em erradicar os velhos padrões ou crenças inadequados de seu mundo interior, corre o risco de atrair outro parceiro igual ou muito parecido com o que acaba de deixar. A lei de atração perpétua tanto alegria como tristeza para nossas vidas.

Não devemos jamais deixar que uma empresa, associação ou ligação afetiva, profissional ou de amizade, venha eclipsar nossa vida a ponto de desrespeitarmos quem somos.

Neste novo milénio, cabe à mulher recuperar sua dignidade e o respeito por si mesma. Descobrir, verdadeiramente, que o respeito anda de mãos dadas com a autoestima e o bem-estar. Deve iniciar o processo - que muitas já o fizeram - de valorizar suas forças individuais e únicas, usando a energia interior para descobrir capacidades inatas e novos talentos adormecidos.

Constituições modernas já estabeleceram, há muito tempo, leis e direitos que firmam a igualdade entre os sexos. No entanto, essas leis e direitos só terão valor e significado quando forem totalmente assimilados e colocados em prática por todos aqueles que os validaram.

É possível que determinadas pessoas discordem e não aceitem nossas ponderações, mas nem por isso tudo está perdido. A diversidade de opinião e a forma de olhar o mundo dependem da singularidade evolutiva de cada criatura.

O equilíbrio vai sendo pouco a pouco atingido. A visão g-machista gradativamente se desfaz, nascendo em seu lugar a amizade, o respeito e a cooperação entre seres humanos. Na estrutura social do porvir, pouco importará o sexo do indivíduo, pois todos serão igualmente valorizados e jamais oprimidos.

Num futuro breve, quando a mulher se legitimar pelo que é e por onde quer chegar, adquirirá o respeito - dos outros e de si mesma. Acreditar que alguém exista só para nos servir é uma visão egocêntrica e degradante da atual humanidade. Enquadrar pessoas em papéis sexuais nitidamente definidos - subserviência, inferioridade, subordinação -, usando-as como objetos que podem ser controlados e descartados, é imensamente cruel e impiedoso. O amor cristão não considera os papéis sexuais, e sim encoraja todos os seres a exprimir a liberdade, o respeito e o amor uns pelos outros.


Hammed




(1) Marcos, 4:25

(2) Questão 803 
Todos os homens são iguais diante de Deus?

"Sim, todos tendem ao mesmo fim e Deus fez suas leis para todos. Dizeis frequentemente: O sol brilha para todos. Com isso dizeis uma verdade maior e mais geral do que pensais."

Nota - Todos os homens serão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos nascem com a mesma fraqueza, estão sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Portanto, Deus não deu, a nenhum homem, superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte. Diante dele, todos são iguais.

(3) Questão 818
De onde se origina a inferioridade moral da mulher em certos países?

"Do império injusto e cruel que o homem tomou sobre ela. É um resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre os homens pouco avançados, do ponto de vista moral, a força faz o direito."




domingo, 14 de março de 2021

Hammed - Livro Os Prazeres da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 43 - Respeito



Hammed - Livro Os Prazeres da Alma - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 43


Respeito 


Somente optando pelo autorrespeito é que conseguiremos o respeito alheio, encontraremos nos outros a mesma dignidade que damos a nós mesmos.

De que maneira as pessoas nos tratam? Sentimo-nos constantemente usados ou desrespeitados? Às vezes, permitimos que os outros nos tracem metas ou objetivos sem antes nos consultar? Sabemos distinguir quando estamos doando realmente ou quando estamos sendo explorados? Respeitamos nossos valores e direitos inatos? Costumamos representar papéis de vítimas ou de perfeitos?

A pior situação que podemos viver é passar toda uma existência sem nos dar o devido amor e respeito, fazendo coisas completamente diferentes do que sentimos.

Nossos sentimentos são parte importante de nossa vida. Se permitirmos que eles fluam em nós, então saberemos o que fazer e como nos conduzir diante das mais variadas situações do cotidiano.

Em virtude disso, não devemos nos esquecer de que, quando nos respeitamos plenamente, mostramos aos outros como eles devem nos tratar.

Se nós não nos aceitarmos, quem nos aceitará? Se nós não nos amarmos, quem nos amará?

Marcos relata em seu Evangelho a seguinte orientação:

"Pois ao que tem será dado, e ao que não tem, mesmo o que tem lhe será tirado." (1)

Realmente, "será dado" (respeito) ao que se respeita e não "ao que não tem ou pensa ter". Assim funciona tudo em nossa vida íntima - "temos o que damos". Devemos esperar dos outros a mesma dignidade que damos a nós mesmos.

Examinemos nossos sentimentos e atitudes e nos perguntemos: Por que permito que me tratem com desconsideração? O que estimula os outros a se comportarem com desprezo em relação à minha pessoa?

Se nós não nos autorresponsabilizamos pela forma como somos tratados, continuaremos impotentes para mudar o contexto penoso em que estamos vivendo. É muito cómodo culpar os outros por qualquer desilusão ou sofrimento que estejamos passando. Não é fácil aceitar a responsabilidade pelas nossas próprias ilusões e desenganos.

Quando renunciamos ao controle de nós mesmos, com toda a certeza outros indivíduos tomarão as rédeas de nossa vida.

Somos iguais perante os olhos da Divindade. "(...) todos tendem ao mesmo fim e Deus fez suas leis para todos. Dizeis frequentemente: o sol brilha para todos. Com isso dizeis uma verdade maior e mais geral do que pensais." (2)

Realmente "o sol brilha para todos", pois "(...) Deus não deu, a nenhum homem, superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte (...)."

Não somos nem melhores nem piores que ninguém. Ao recusarmos o respeito a nós mesmos, estamos abdicando do direito de exigi-lo. Sem senso de valor individual, nos sentiremos diminuídos diante do mundo e destituídos da habilidade de dar e de receber amor. O mais valioso tesouro que possuímos é a dignidade pessoal.

Não é lícito sacrificá-la por nada ou por ninguém. Quando autorizamos os outros a determinar o quanto valemos, uma sensação de vazio nos toma conta da alma. O autodesrespeito é um grande desserviço a nós mesmos. Quando ele se instala em nossa casa mental, passamos a não mais prestar atenção aos avisos e intuições que brotam espontaneamente do reino interior.

As vozes de inspiração divina são sempre ideias claras, providas de síntese e simplicidade, que a Vida Providencial murmura no imo de nossa alma.

Quando nos respeitamos, somos livres para sentir, agir, ir, dizer, pensar e saber o que autodeterminamos, confiantes em que, se estivermos prontos, no tempo exato o Poder Superior o do Universo nos dará todo o suprimento, todo o apoio e toda a orientação para cumprirmos o sublime plano que Ele nos reservou.

Somente optando pelo autorrespeito é que conseguiremos o respeito alheio. Encontraremos nos outros a mesma dignidade que damos a nós mesmos.

Num futuro breve, quando a mulher se legitimar pelo que é por onde quer chegar, adquirirá o respeito dos outros e de si mesma.

À medida que a criança cresce e se desenvolve no convívio familiar, ela reproduz ou copia tudo o que vê, ouve e observa. Os adultos servem de padrões, quer dizer, são modelos e exemplos. Por meio da identificação com os pais, tios, avós ou irmãos mais velhos, ou mesmo da imitação de seus atos e atitudes, a criança, de forma consciente ou inconsciente, modela-se firmemente no ambiente doméstico.

Socialização é o processo de adaptação do indivíduo ao grupo social; é o desenvolvimento das relações na vida grupai, caracterizado pelo espírito de coletividade e pelo sentimento de cooperação e solidariedade.

Particularmente na criança, a socialização se inicia a partir do momento em que o recém-nascido é conduzido para casa pelos pais. No entanto, não devemos esquecer que, desde a sua concepção, a alma, já ligada ao diminuto embrião humano, sofre forte influência do ambiente em que vive.

De acordo com Jean Piaget, cada criança, na fase da "socialização doméstica", assimila e modela tudo o que a sensibiliza de acordo com sua individualidade — utilizando sua personalidade única e peculiar, o que irá distingui-la de todas as outras pessoas.

Acontecimentos caseiros, atos e opiniões dos adultos, considerações sobre ética, religião, costumes, moral e filosofia, proibições e preconceitos, permissões e intolerâncias, tudo vai-se modelando na "argila plástica", que é a mentalidade infantil, e delineando a criança dentro de preceitos, regras de conduta e de princípios que variam culturalmente, de família para família, e interiormente, de criança para criança.

Mesmo nos gémeos idênticos, o desenvolvimento psicossocial ocorrerá de forma diferenciada devido à bagagem espiritual que cada alma traz consigo - produto de suas vidas sucessivas.

Consulta Kardec a Espiritualidade Maior, na terceira parte, capítulo IX, de O Livro dos Espíritos: De onde se origina a inferioridade moral da mulher em certos países?'. E os Obreiros do Bem respondem: "Do império injusto e cruel que o homem tomou sobre ela. É um resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre os homens pouco avançados, do ponto de vista moral, a força faz o direito" (3)

A formação machista que as crianças recebem na infância as influencia durante toda a vida. Homens são treinados para ser fortes, corajosos, agressivos, seguros, bem-sucedidos e autossuficientes. Para os estudiosos do comportamento humano, o "estereótipo do macho" iniciou-se nas eras pré-históricas, quando os nossos antepassados do sexo masculino tiveram que abandonar o medo e disputar a comida com os animais.

Machismo é um conjunto de normas, costumes, leis e atitudes baseado em regras socioculturais do homem, que tem por finalidade explícita e/ou implícita criar e manter a submissão da mulher em todos os níveis: afetivo, sexual, procriativo, profissional.

Quando a mulher, nos seus mais diversos relacionamentos, romper com essa visão de que deve ser submissa, reclusa, frágil e dependente do homem, ela recuperará toda a estrutura de poder e o senso de iniciativa.

A "guerra dos sexos", na maioria das vezes, tenta impor, com ou sem armas, a supremacia do homem sobre a mulher por meio da violência, clara ou dissimulada, salvaguardando interesses falocratas de mentalidades medievais.

O machista atua como tal, sem poder explicar seus atos ou perceber suas atitudes externas, porque não se dá conta das estruturas preconceituosas que internalizou nesta ou em outras existências. Ele se limita apenas a reproduzir ou pôr em prática tudo aquilo que viveu culturalmente no lar, na escola, no templo religioso, na cidade, no país, enfim em qualquer lugar ou situação que o tenha influenciado.

Muitas mulheres, de forma inconsciente, compartilham do machismo na medida em que não notam as estruturas psicológicas de "hegemonia masculina" que regulam suas relações afetivas e sociais. E podem reproduzi-las, sem perceber, na educação dos filhos, sejam eles homens ou mulheres, contribuindo dessa forma para que a ideia machista se perpetue automaticamente.

São muitos os provérbios humilhantes e os insultos irónicos endereçados às mulheres, estes acompanhados de risos sarcásticos e depreciativos. O "sexismo" — atitude de discriminação fundamentada no sexo - leva mulheres ingénuas, inseguras e dependentes a aceitar essas críticas mordazes como naturais, porquanto o modelo de educação em que organizaram seu mundo íntimo baseou-se nesses valores e crenças distorcidos.

A mulher precisa descobrir que não depende de ninguém para viver a própria existência, pois tem dentro de si uma extraordinária capacidade de fazer mudanças positivas. Ela, como o homem, tem um mundo diante de si, e todos podem crescer até onde permite sua capacidade, seu dom, seu talento nato. Todos nós estamos em constante mutação e nos transformamos todo o tempo nos aspectos físico, mental, emocional e espiritual. Nada na Natureza permanece estático; tudo flui através dos processos da vida, dentro e em torno de nós.

Em muitas ocasiões, a mulher, em vez de reverter a situação desgostosa em que vive, tenta mudar de forma superficial, apenas substituindo o cônjuge por outro, mas sem renovar seu modo de sentir, pensar e agir. Como não se preocupa em erradicar os velhos padrões ou crenças inadequados de seu mundo interior, corre o risco de atrair outro parceiro igual ou muito parecido com o que acaba de deixar. A lei de atração perpétua tanto alegria como tristeza para nossas vidas.

Não devemos jamais deixar que uma empresa, associação ou ligação afetiva, profissional ou de amizade, venha eclipsar nossa vida a ponto de desrespeitarmos quem somos.

Neste novo milénio, cabe à mulher recuperar sua dignidade e o respeito por si mesma. Descobrir, verdadeiramente, que o respeito anda de mãos dadas com a autoestima e o bem-estar. Deve iniciar o processo - que muitas já o fizeram - de valorizar suas forças individuais e únicas, usando a energia interior para descobrir capacidades inatas e novos talentos adormecidos.

Constituições modernas já estabeleceram, há muito tempo, leis e direitos que firmam a igualdade entre os sexos. No entanto, essas leis e direitos só terão valor e significado quando forem totalmente assimilados e colocados em prática por todos aqueles que os validaram.

É possível que determinadas pessoas discordem e não aceitem nossas ponderações, mas nem por isso tudo está perdido. A diversidade de opinião e a forma de olhar o mundo dependem da singularidade evolutiva de cada criatura.

O equilíbrio vai sendo pouco a pouco atingido. A visão g-machista gradativamente se desfaz, nascendo em seu lugar a amizade, o respeito e a cooperação entre seres humanos. Na estrutura social do porvir, pouco importará o sexo do indivíduo, pois todos serão igualmente valorizados e jamais oprimidos.

Num futuro breve, quando a mulher se legitimar pelo que é e por onde quer chegar, adquirirá o respeito - dos outros e de si mesma. Acreditar que alguém exista só para nos servir é uma visão egocêntrica e degradante da atual humanidade. Enquadrar pessoas em papéis sexuais nitidamente definidos - subserviência, inferioridade, subordinação -, usando-as como objetos que podem ser controlados e descartados, é imensamente cruel e impiedoso. O amor cristão não considera os papéis sexuais, e sim encoraja todos os seres a exprimir a liberdade, o respeito e o amor uns pelos outros.


Hammed




(1) Marcos, 4:25

(2) Questão 803 
Todos os homens são iguais diante de Deus?

"Sim, todos tendem ao mesmo fim e Deus fez suas leis para todos. Dizeis frequentemente: O sol brilha para todos. Com isso dizeis uma verdade maior e mais geral do que pensais."

Nota - Todos os homens serão submetidos às mesmas leis da Natureza. Todos nascem com a mesma fraqueza, estão sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Portanto, Deus não deu, a nenhum homem, superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte. Diante dele, todos são iguais.

(3) Questão 818
De onde se origina a inferioridade moral da mulher em certos países?

"Do império injusto e cruel que o homem tomou sobre ela. É um resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre os homens pouco avançados, do ponto de vista moral, a força faz o direito."




sábado, 19 de setembro de 2020

Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 25 - Respeito - O poder sugestivo




Miramez - Livro Cura-te a ti mesmo - João Nunes Maia - Pág. 25


Respeito - O poder sugestivo


O verbo é, pois, uma fonte de poder extraordinário, ideado pela mente e enriquecido pela conduta. A palavra bem formada nos valores do coração é condutora do ambiente do amor, esse clima suave da alegria e da fraternidade. O seu poder sugestivo, quando é usado para a caridade bem conduzida, faz maravilhas: levanta caídos, estimula a fé e faz aparecer a confiança, dando-nos coragem para as lutas.

Vigia a tua palavra, para que da tua boca nada saia de negativo, que ela não seja poluída pelo orgulho e pelo egoísmo, e que seja ela entregue ao trabalho da coletividade, na universalidade de todas as coisas. Sê aplicado em todos os momentos, com deferência no Bem com Jesus, para que não haja perda de tempo no serviço de Deus.

Alinha, meu filho, a tua vida, na submissão do amor, que ele te indicará o caminho para o divino Mestre. Tem toda a atenção onde a palavra do Cristo irradia, valorizando-a, e nunca te faltará a luz no caminho.

Em todas as tuas conversas, usa o respeito para com os direitos alheios. Tu não podes viver sozinho no mundo; existe uma divisão de funções para cada um e no teu mundo, se há direitos, certamente há deveres para com a vida.

Confia em Deus e, nas tuas orações, pede a Ele que te oriente, para que possas respeitar o ponto de vista dos outros, razão porque, se não estas no princípio da ascensão, não chegaste igualmente ao fim, e o teu dever é ajudar os da retaguarda, para que possam receber, com humildade, orientação dos que se encontram na dianteira, compreendendo que só Deus tem o pleno domínio de todas as coisas.

Passa a usar o teu poder de sugestão, fazendo crescer os valores da alma, porque, como co-criador dos bens eternos, representas pelo menos um canal do que te cabe fazer. Usa a sugestão, criando pensamentos elevados, de maneira que as bênçãos de Deus enriqueçam os teus esforços para a eternidade. Essa é, pois, uma das inúmeras maneiras de curar-te a ti mesmo, pelos processos inumeráveis da caridade, mostrando-te no trabalho divino, quando não esquece o perdão e o amor.

Mas, para tanto, é necessária a educação, porque as forças aprimoradas são balizas de amor no trabalho, em todas as beneficências. Se precisas instruir-te para esse labor, muito mais precisas educar-te, porque a educação da alma é fonte de vida que ilumina a instrução.

Quem trabalha com o poder sugestivo e o aplica na difusão do Evangelho, se encontra no serviço de Deus, tendo como suave vigia, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não uses o verbo em vão, porque ele é instrumento do Criador, na harmonização da vida e, quando nos esforçamos para tal, o primeiro beneficiado é quem se faz digno do salário. Disse Jesus certa vez a Paulo: “Fale e não se cale”, por saber que o apóstolo já sabia falar sob a proteção do amor. Assim, diremos aos espíritas educados no Evangelho do Mestre: Falem e não se calem; entreguem o verbo ao labor do bem imortal, para que possam dizer com alegria: “criamos um paraíso e nele vamos viver com Deus e o Cristo no coração!”

Se escutamos Jesus, estamos curando a nós mesmos de todos os males, na iluminação para a eternidade.