quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Emmanuel - Livro Cura - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 9 - Responsabilidade



Emmanuel - Livro Cura - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 9


Responsabilidade


“Muito se pedirá a quem muito recebeu.” (Lucas, 12: 48)


Quase sempre registrando a afirmativa do Senhor — “muito se pedirá a quem muito recebeu”  — automaticamente nos recordamos daquelas criaturas a quem devemos apreço pela eminência a que foram guindadas nas telas de nosso tempo e de nossa vida.

E lembramos os grandes mordomos da economia amoedada, os vultos distintos da religião, os destacados criadores do pensamento literário, os cientistas de prol e personalidades outras de nosso convívio que transcenderam por seu trabalho a ordem comum.

E delas exigindo maiores somas de renunciação pessoal em nosso proveito, esquecemo-nos da quota de recursos do espírito que nos foi concedida para que também nós nos ergamos de nível no campo da experiência.

É imperioso saber que a responsabilidade não pode centralizar-se de maneira absoluta em alguém, sob pena de sufocarmos o progresso.

À feição da escola em que a instrução crescente é patrimônio de aprendizes e educadores e à maneira da oficina em que o trabalho é a riqueza de dirigentes e dirigidos, no terreno das conquistas morais é preciso não esquecer que todos somos chamados à obra em conjunto, na qual somos todos devedores à felicidade geral, no esforço que corresponda aos valores que recebemos da vida.

Ante a palavra do Cristo, não te fixes apenas no “muito” que os outros entesouraram, mas lembra acima de tudo os talentos que guardas por tua vez à espera de tua própria consagração ao bem, para que possas responder sem corar no balanço das horas, quando se pedirá de ti contas justas das bênçãos de segurança e conhecimento que acumulas contigo, com a obrigação de faze-las frutificar na esfera do serviço e no campo do rendimento, considerando-se as necessidades do próximo.


Emmanuel










Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 3 - O arado



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 3


O arado 
 

“E Jesus lhe disse: — Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus.” — (LUCAS, 9.62)


Aqui, vemos Jesus utilizar na edificação do Reino Divino um dos mais belos símbolos.

Efetivamente, se desejasse, o Mestre criaria outras imagens. Poderia reportar-se às leis do mundo, aos deveres sociais, aos textos da profecia, mas prefere fixar o ensinamento em bases mais simples.

O arado é aparelho de todos os tempos. É pesado, demanda esforço de colaboração entre o homem e a máquina, provoca suor e cuidado e, sobretudo, fere a terra para que produza. Constrói o berço das sementeiras e, à sua passagem, o terreno cede para que a chuva, o sol e os adubos sejam convenientemente aproveitados.

É necessário, pois, que o discípulo sincero tome lições com o Divino Cultivador, abraçando-se ao arado da responsabilidade, na luta edificante, sem dele retirar as mãos, de modo a evitar prejuízos graves à “terra de si mesmo”.

Meditemos nas oportunidades perdidas, nas chuvas de misericórdia que caíram sobre nós e que se foram sem qualquer aproveitamento para nosso Espírito, no sol de amor que nos vem vivificando há muitos milênios, nos adubos preciosos que temos recusado, por preferirmos a ociosidade e a indiferença.

Examinemos tudo isto e reflitamos no símbolo de Jesus.

Um arado promete serviço, disciplina, aflição e cansaço; no entanto, não se deve esquecer que, depois dele, chegam semeaduras e colheitas, pães no prato e celeiros guarnecidos.


Emmanuel









terça-feira, 4 de novembro de 2025

Ermance Dufaux - Livro Prazer de Viver - Wanderley S. de Oliveira - Cap. 1 - Sob a luz da esperança



Ermance Dufaux - Livro Prazer de Viver - Wanderley S. de Oliveira - Cap. 1


Sob a luz da esperança


"Muito se pedirá àquele a quem muito se houver dado e maiores contas serão tomadas àquele a quem mais coisas se haja confiado". (S. Lucas, 12:47 e 48.) O Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo XVIII - item 10.

É lastimável o contingente de seguidores do Cristo tombados no derrotismo por conta de crenças, que estabelecem uma vida psicológica atormentada.

Verificam-se, com certa frequência, algumas crenças que ganharam popularidade na comunidade doutrinária, acerca da definição de verdadeiros espíritas, tais como: "almas com conhecimento bastante para não se deprimir", "criaturas que só podem acertar", "pessoas que devem agradar a todos", "espíritos que não podem perder tempo" e "devem ser rápidos".

Claro que essas crenças, quando utilizadas com sensatez, podem se tornar aspirações educativas.

Entretanto, raros conseguem se enquadrar, espontaneamente, nesses modelos éticos elegidos como referenciais de autenticidade espírita.

Aliás, muitos dos que procuram atender a esses imperativos de fora para dentro, tombam na negação de seus sentimentos, causando danos a seu equilíbrio.

A colocação evangélica é clara: "muito se pedirá", entretanto, a mente derrotista nutre-se de mensagens inconscientes de cobrança e condenação, que fazem as fibras do sentimento interpretarem essa colocação dessa forma: "muito será cobrado".

Imperioso acender a luz da esperança no coração humano, abandonar imposições e cobranças.

Não existe queda nem falência nas Leis Universais.

Existem resultados, efeitos das escolhas e ações.

Tudo é preparo, impermanência e misericórdia.

Muito será pedido! De fato, a vida pede constantemente o tributo de amor e cooperação.

Somente para o Espírito que não aprende com seus equívocos, é que existe a frustração, o vazio e a sensação de fracasso.

Discípulos do Espiritismo: procurem atentar para o foco em que depositam suas esperanças de felicidade e plenitude, a fim de não se enredarem nos climas psicológicos do martírio voluntário.

Inúmeros corações sinceros e motivados pelo ideal de servir e aprender, se rendem às suas provas e dores particulares, acreditando que somente no além-túmulo encontrarão a libertação.

Transferem para a vida dos espíritos uma expectativa de alívio e salvação em razão do sofrimento que lhes assinala a marcha de cada dia.

Toleram provas acerbas na condição passiva, sem a mínima iniciativa que os pudesse defender ou restaurar as energias, ante os golpes lacerantes dos testes.

Asseveram que resgatam carmas e prosseguem contando os dias para que algo ou alguém venha extinguir-lhes os dramas.

Desacreditam totalmente da possibilidade de solução e novos caminhos, onerando-se de exigências e obrigações.

Descrêem, enfim, que possam ser felizes tanto quanto possível ainda na Terra.

Sofrer por sofrer não redime.

Tolerar por tolerar não educa.

Não será a intensidade dolorosa das provas, por si só, que transformará as inclinações e nos libertará das algemas conscienciais.

A dor que redime não é aquela que tolera com revolta, mas a que suporta com constante busca pelo melhor a cada instante. Jamais desistindo de encontrar a solução em si mesmo para as lutas do caminho.

Sem isso, é a morte da esperança.

Amigo querido do Espiritismo com o Cristo, o gesto sublime da reencarnação é um atestado de que foste matriculado na escola do livre-arbítrio para o recomeço, distanciando-te da influência dominadora dos processos de sintonia e atração que vigem fora do corpo.

Essa a primeira condição para talhar a singularidade que te é peculiar.

Não transfiras para o mundo dos espíritos livres da matéria, tuas aspirações mais nobres de realização e alegria.

Ante o momento que a Terra atravessa, e devido ao nível espiritual de seus habitantes, quase todos os que reencarnam levam aproximadamente metade de sua vida para iniciar o processo de descoberta de seu real valor perante a vida, recriando a autoimagem para o campo da realidade, e definindo-se em suas particularidades subjetivas.

Nesse momento rico da alma, o autoamor determina o clima emocional de sua vida, estimulando a construção de sentimentos enobrecedores que sirvam de morada refazedora, ante os percalços do aprendizado.

Acredite na felicidade possível e edifique a crença lúcida em tuas aspirações de harmonia.

Não é o parente que te atormenta, mas como gerências o mundo das emoções em face dos seus gestos de agressão ou descaso.

Não é o corpo abençoado que desanima, no entanto os sentimentos de baixa autoestima que te consomem até a exaustão.

Não é a profissão singela que te sobrecarrega, entretanto a forma como conduzes teus anelos íntimos de crescimento nas conquistas materiais.

Não são as perdas que te preocupam, todavia o hábito contumaz de posse que causa a sensação de segurança em teus passos.

Não é a crítica que te fere; é como reages a ela.

As provas, em si mesmas, são circunstâncias da vida aferindo-te o valor.

A forma como reages é a tua nota de aproveitamento.

Confia na tua decisão de ser feliz e zele com perseverança por esse ideal de paz.

Mereça ser feliz pelo cultivo de teus valores.

Fecha os ouvidos às mensagens externas e internas que profetizam sobre quedas e tropeços nos dias vindouros.

Mereça ser feliz nutrindo teu sistema mental com ideias e projetos luminosos que constituam sonhos de ventura e desejo de harmonia.

Recorda: a vida pede, não cobra.

A crença, para ser sólida e verdadeira, requer trabalho e construção ativa na intimidade.

A crença na felicidade é um trabalho árduo de conquista da autonomia, realização incansável no bem e humildade nas corrigendas necessárias.

Proceda a uma avaliação cristalina à luz da consciência.

Toma por base o princípio universal: recolhemos da vida somente aquilo que precisamos e merecemos.

A partir desse foco, entreveja tua parcela íntima e individual nas dificuldades que te atormentam.

Investigue com persistência a natureza da petição que as Leis naturais te endereçam.

Descoberto esse "lugar psicológico", encontrarás uma mina abundante de respostas e horizontes.

Ninguém e nenhuma situação te podem prejudicar e fazer infeliz sem teu consentimento.

Na vida espiritual, muitos corações que desistiram de seus sonhos enquanto na Terra, alimentando expectativa de descanso e pausa em suas lutas após a morte, colheram o amargo fruto da decepção ao perceberem que a vida terrena é o solo fértil para a semeadura do bem e das conquistas imorredouras, e não um fórum de quitações impostas pela dor.

O fim útil das provas é a melhoria, e não o padecimento.

E melhoria significa aprender a amar a ti mesmo cuidando de defender-te da descrença que rouba de ti a armadura da alegria e, sobretudo, da esperança com a qual, a cada minuto, poderás sustentar o clima interior do otimismo e da certeza na vitória.


Ermance Dufaux











Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 22 - Na palavra e na ação



Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 22


Na palavra e na ação

 
“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” — PAULO (Colossenses, 3.17)


Dizes-te cristão, declaras-te seguidor de Jesus, afirmas-te cultor do Evangelho…

Isso quer dizer que o nome do Senhor se encontra empenhado em tuas mãos.

Se buscamos o Cristo, decerto é necessário refleti-lo.

É imprescindível, assim, saibamos agir como se lhe fôssemos representantes fiéis, no caminho em que estagiamos.

Lembra-te de semelhante obrigação e, cumprindo-a, libertar-te-ás com facilidade das sombras que te atormentam a marcha.

Assevera-nos o Apóstolo: — “e tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.”

Efetivamente, a palavra e os atos representam a força de exteriorização dos nossos sentimentos e pensamentos.

O coração inspira o cérebro. O cérebro dirige a existência.

A emoção cria a ideia. A ideia plasma as ações.

É preciso, pois, sentir com Jesus para que aprendamos a raciocinar e a servir com ele.

Alguém nos sugere a extensão da maledicência, nas teias do julgamento precipitado? Há quem nos chame à contemplação das chagas e cicatrizes alheias? Surgem desavenças e mágoas em nosso campo de ação?

Usemos a palavra nos moldes do Benfeitor Sublime, ajudando para o bem de todos, entre a bondade e o perdão.

Somos tentados ao revide por ofensas inesperadas? Sofremos preterição e calúnia, apodo e perseguição? Padecemos íntimo desencanto ou desgostos e angústias no templo familiar?

Usemos a conduta do Sublime Benfeitor, ajudando para o bem de todos, entre o perdão e a bondade.

Seja onde for e com quem for, busca o lado luminoso das criaturas, mobilizando o amor puro, a fim de que estejas em verdade na companhia do Excelso Cultivador, purificando a eira do mundo.

Não basta declarar a nossa condição de aprendizes do Mestre dos mestres. É indispensável estejamos realmente com ele, para com ele colaborar na construção da Vida Melhor.


Emmanuel







(Reformador, novembro 1957, p. 258)

Joanna de Ângelis - Livro Diretrizes para o Êxito - Divaldo P. Franco - Cap. 6 - Medo e autoconfiança



Joanna de Ângelis - Livro Diretrizes para o Êxito - Divaldo P. Franco - Cap. 6


Medo e autoconfiança


Podem-se relacionar seis tipos básicos de medo, que assaltam a criatura humana durante a finitude da sua existência corporal: o medo da morte, da velhice, da doença, da pobreza, da crítica e da perda de um afeto profundo.

Todos eles decorrem da insegurança pessoal remanescente dos conflitos originados em comportamentos infelizes que deram lugar a transtornos de significado especial.

Não compreendendo a Vida como uma realidade constituída por etapas delineadas com firmeza no corpo somático e fora dele, o indivíduo vê na conjuntura material a única realidade, sem a qual tudo é desconhecido ou impossível de existir.

O seu empenho para manter-se em paz não é suficiente para estabelecê-la, antes deixando-se consumir por incertezas que devia trabalhar mediante a reflexão, o estudo e a oração, a fim de as converter em autoconfiança, em harmonia pessoal.

Experienciando as sensações com imenso agrado, as emoções que o visitam ainda são decorrentes dos prazeres a que se entrega, qual fosse a existência um banquete sem fim.

A própria constituição orgânica é possuidora de resistência incomum e ao mesmo tempo mantém-se frágil, porque se dilui de um para outro momento, suas peças e engrenagens complexas se desarticulam arbitrariamente, demonstrando a sua transitoriedade.

Graças a essa contextura, aquele indivíduo que não se firma em conceituação imortalista, aquela que demonstra a perenidade, a infinitude da vida, faculta-se a instalação do medo nos sentimentos, essencialmente o da morte, da interrupção do gozo carnal.

Não obstante, quem da jornada física somente vivenciou amarguras e ansiedades, aprendendo a superar as injunções do medo, não raro, vê, na morte, a libertação do dolorido fadário que carrega.

Detivesse-se o ser humano a meditar em torno do processo existencial e sua colocação no universo, e compreenderia que, pelo fato de existir, a sua não pode ter sido a origem no acaso e a sua não é a finalidade de extinção.

Enriquecido pela inteligência, que o destaca soberanamente em todo o reino animal, por uma memória que o atende quando requisitada, nos seus refolhos profundos jazem lembranças que procedem de experiências rigorosas que lhe preexistem à atual concepção e, por consequência, sobreviverão à diluição das moléculas materiais.

Nesse contexto, o sentimento de amor é-lhe imanente e, desdobrado, transforma-se em vigorosa capacidade para cultivar a esperança e superar-se, bem como a fé para o conseguir.

A autoconfiança é-lhe o passo imediato, abrindo-lhe perspectivas formosas para a conquista da anelada plenitude.

A intercorrência dos medos básicos no indivíduo centraliza-se na incerteza mantida em torno do fenômeno da morte, do que ocorre depois da disjunção molecular, da sobrevivência ou não...

Porque considera que se trata de aniquilamento da consciência e da razão, teme a consumpção total que jamais ocorre.

A fatalidade do ser é atingir a harmonia completa na imortalidade de que se encontra investido.

A dúvida a esse respeito, a negação dessa realidade facultam-lhe o elenco proporcionador de outras expressões fóbicas, como o receio da velhice inevitável, caso não ocorra antes a desencarnação...

A crença atávica de que à velhice sucede a morte, o que é incontestável, retira a compreensão lógica de que ela se manifesta em qualquer idade, apresentando-se em todas as faixas etárias, não sendo privilégio apenas da senectude. Todos nascem condenados à morte biológica, da mesma forma como foram estruturados organicamente.

Referia-se Marco Túlio Cícero, o filósofo, escritor e orador latino, às vantagens da velhice, que não pode nem deve ser considerada como uma desventura, mas sim como uma bênção, pelo quanto permitiu ao ser superar paixões e conflitos existentes durante o percurso evolutivo. Ao mesmo tempo, ofereceu muitos benefícios que decorrem da experiência dos anos e da conquista da sabedoria.

Escultura em madeira policromada com cenas de Jesus pós-ressuscitado. Por outro lado, o medo das doenças encontra-se também enraizado na mesma reflexão de que elas conduzem à morte, assim produzindo o terrível conflito.

O número de jovens saudáveis que morrem a cada momento é muito grande, especialmente nas metrópoles e megalópoles, vitimados pela imprevidência e precipitação, pela imaturidade e desequilíbrio comportamental.

As estatísticas demonstram que os homicídios, os suicídios e acidentes fatais somados constituem o mais elevado índice de óbitos no mundo, quase sempre arrebanhando a juventude e a maturidade portadora de saúde.

Ainda na mesma área de incorreta reflexão, surge o medo da pobreza, respaldando-se no conceito de que o dinheiro compra a saúde e quase confere a imortalidade, pensando-se que a falta de recursos econômicos abrevia a existência física, em razão de não se dispor dos meios hábeis para atender os fenômenos desgastantes e fatais das enfermidades.

O número, porém, de pessoas destituídas de dinheiro, que atingem idades provectas, é muito maior do que o daqueles que acumulam fortunas e se estressam pelo armazená-las, se desequilibram pelo administrá-las e desfrutá-las, sucumbindo no fulgor da idade adulta, antes de alcançar a velhice.

Desconfiado dos valores íntimos e instável nos objetivos que persegue, teme a crítica, sempre ácida e perniciosa, destrutiva e perturbadora.

O anseio por conseguir o respeito da família e da comunidade onde se movimenta, e as dificuldades para permanecer irretocável ensejam espaços emocionais para recear a agressão inevitável da crítica pertinaz.

Por fim, o medo de perder um afeto legítimo constitui fator de desarmonia ainda resultante da desestruturação emocional.

Somente se perde o que realmente não se tem. Não existem afetos que se percam ou desapareçam, mas fenômenos de afetividade gerada por diversos motivos que se alteram, se afastam, desaparecem, não merecendo, portanto, maior aflição.

... E os medos multiplicam-se, especialmente na atualidade, em razão da insegurança que campeia em todos os setores do comportamento, propiciando o receio de perder-se o emprego, o pavor da agressividade e da violência urbana, a angústia da destruição provocada pelas guerras, pelas calamidades sísmicas, pelos acidentes de vária ordem, a incerteza quanto às amizades reais e incompreensão generalizada mediante essas múltiplas ameaças ...

O medo transforma-se em algoz das almas e calamidade social.

Com Jesus, no entanto, adquire-se a segurança para vencer-se quaisquer tipos de enfrentamentos, em particular, os diversos medos, já que a comunhão com Ele proporciona autoconfiança.

Em face dos Seus ensinamentos, o medo da morte e de todos os seus sequazes desaparece, tendo em vista a Sua conclamação, ao asseverar que todo aquele que n'Ele crê, mesmo morrendo viverá em clima de felicidade, embora os outros também, os que não creiam, viverão em outro clima emocional.

Senhor da imortalidade, demonstrou o triunfo da vida à conjuntura finita do trânsito terreno, volvendo à comunhão com todos aqueles que ficaram na retaguarda carnal.

Medita n'Ele, nas Suas palavras e ações, descobrindo que o medo é transtorno, distúrbio momentâneo que cederá passo à autoconfiança e à paz que defluem da irrestrita entrega ao Bem e ao Amor.


Joanna de Ângelis












segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 83 - Avancemos além



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 83


Avancemos além


“Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina do Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas.” — Paulo. (HEBREUS, 6.1)


Aceitar o poder de Jesus, guardar certeza da própria ressurreição além da morte, reconfortar-se ante os benefícios da crença, constituem fase rudimentar no aprendizado do Evangelho.

Praticar as lições recebidas, afeiçoando a elas nossas experiências pessoais de cada dia, representa o curso vivo e santificante.

O aluno que não se retira dos exercícios no alfabeto nunca penetra o luminoso domínio mental dos grandes mestres.

Não basta situar nossa alma no pórtico do templo e aí dobrar os joelhos reverentemente; é imprescindível regressar aos caminhos vulgares e concretizar, em nós mesmos, os princípios da fé redentora, sublimando a vida comum.

Que dizer do operário que somente visitasse a porta de sua oficina, louvando-lhe a grandeza, sem, contudo, dedicar-se ao trabalho que ela reclama? Que dizer do navio admiravelmente equipado, que vivesse indefinidamente na praia sem navegar?

Existem milhares de crentes da Boa Nova nessa lastimável posição de estacionamento. 

São quase sempre pessoas corretas em todos os rudimentos da doutrina do Cristo. Creem, adoram e consolam-se, irrepreensivelmente; todavia, não marcham para diante, no sentido de se tornarem mais sábias e mais nobres. 

Não sabem agir, nem lutar e nem sofrer, em se vendo sozinhas, sob o ponto de vista humano.

Precavendo-se contra semelhantes males, afirmou Paulo, com profundo acerto: — “Deixando os rudimentos da doutrina de Jesus, prossigamos até à perfeição, abstendo-nos de repetir muitos arrependimentos, porque então não passaremos de autores de obras mortas.”

Evitemos, assim, a posição do aluno que estuda… e jamais se harmoniza com a lição, recordando também que se o arrependimento é útil, de quando em quando, o arrepender-se a toda hora é sinal de teimosia e viciação.


Emmanuel










domingo, 2 de novembro de 2025

Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 81 - Campeonatos



Emmanuel - Livro da Esperança - Chico Xavier - Cap. 81


Campeonatos


“… Buscai e achareis…” — JESUS — Mateus, 7.7.


“Se Deus houvesse isentado do trabalho do corpo o homem, seus membros se teriam atrofiado; se o houvesse isentado do trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância, no estado de instinto animal. Por isso é que lhe fez do trabalho uma necessidade e lhe disse: Procura e acharás; trabalha e produzirás. Dessa maneira serás filho das tuas obras, terás delas o mérito e serás recompensado de acordo com o que hajas feito. — E.S.E. - Cap. XXV, 3


Costumamos admirar as personalidades que se galardoam na Terra.

Tribunos vencem inibição e gaguez, em adestramento laborioso, aprimorando a dicção.

Poetas torturam versos, durante anos, transfigurando-se em estetas perfeitos, ajustando a emoção aos rigores da forma.

Pintores reconstituem os próprios traços, centenas de vezes, fixando, por fim, os coloridos da natureza.

Atletas despendem tempo indeterminado, manejando bolas e raquetas ou submetendo-se a severos regimes, em matérias de alimentação e disciplina, para se garantirem nos galarins da evidência.

Todos eles são dignos de apreço, pelas técnicas obtidas, à custa de longo esforço, e todos, conquanto sem intenção, traçam o caminho que se nos indica às vitórias da alma, porquanto existem campeonatos ocultos, sem qualquer aplauso no mundo, embora atenciosamente seguidos da Esfera Espiritual.

Se aspiramos a libertação da impulsividade que nos arrasta aos flagelos da cólera e da incontinência, é forçoso nos afeiçoemos aos regulamentos interiores.

Tribunos, poetas, pintores e atletas terão lido e ouvido treinadores eméritos, mas, sem a consagração deles mesmos aos exercícios que lhes atribuíram eficiência, não passariam de aspirantes aos títulos que apresentam.

Assim também, no campo do espírito. Não adquiriremos equilíbrio e entendimento, abnegação e fé, unicamente desejando semelhantes aquisições.

Não ignoramos que, em certos episódios da vida, não remediaremos a dificuldade com atitudes meigas e que surgem lances, na estrada, nos quais o silêncio não é a diretriz ideal; não desconhecemos que, em determinadas circunstâncias, a caridade não deve ser vazada em moldes de frouxidão e que o sentimento não é feito de pedra para resistir, intocável, a todos os aguilhões do desejo…

Entretanto, se aplicarmos em nós as regras em cuja eficácia acreditamos, sofreando impulsos inferiores, cinco, duzentas, oitocentas, duas mil, dez mil ou cinquenta mil vezes, praticando humildade e paciência, pela obtenção dos pequeninos triunfos do mundo íntimo, que somente nós próprios conseguimos avaliar, conquistaremos o burilamento do espírito, encontrando a palavra certa e a conduta exata, nas mais diversas situações e nos mais variados problemas.

Tudo é questão de início e o êxito depende da lealdade à consciência, porquanto exclusivamente aqueles que cultivam fidelidade à própria consciência é que se dispõem a prosseguir e perseverar.


Emmanuel









(Reformador, março de 1964, p. 62)