quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Emmanuel - Livro Algo Mais - Chico Xavier - Cap. 34 - Alguém contigo




Emmanuel - Livro Algo Mais - Chico Xavier - Cap. 34


Alguém contigo


Nunca estarás a sós.

Ante a névoa das lágrimas, quando a incompreensão de outrem te agite os sentimentos, lembra-te de alguém que sempre te oferece entendimento e conforto.

Ante a deserção de pessoas queridas, quando mais necessitavas de presença e segurança, pensa nesse benfeitor oculto que jamais te abandona.

Ante as ameaças do desânimo, nos obstáculos para a concretização de tuas esperanças mais belas, considera o amparo desse amigo certo que, em tempo algum, te recusa bom-ânimo.

Ante a queda iminente na irritação, capaz de induzir-te à delinquência, refugia-te no clima desse doador de serenidade que te guarda o coração nas bênçãos da paz.

Ante as sugestões do desequilíbrio emotivo, suscetíveis de te impulsionarem a esquecer encargos que assumiste, reflete no mentor abnegado que jamais te nega defesa, para que usufruas a tranquilidade de consciência.

Ante prejuízos, muitas vezes causados por amigos aos quais empenhaste generosidade e confiança, medita nesse protetor magnânimo que nunca te desampara e que promove, em teu favor, sempre que necessário, os recursos precisos à recuperação de que careças.

Ante acusações daqueles que se te fazem adversários gratuitos, amargurando-te os dias, eleva-te em pensamento ao instrutor infatigável que sempre te convida à tolerância e ao perdão.

Ante as crises da existência que te sugiram revolta e desespero, recorda o mestre da paciência que te resguarda constantemente na certeza de que não há problemas sem solução para quem trabalha e serve para o bem sem perder a esperança.

Ante os desgostos e contratempos que te sejam impostos pelos entes amados, não te emaranhes no cipoal das afeições possessivas, refletindo no companheiro que te ama desinteressadamente muito antes que te decidisses a conhecê-lo.

E quando perguntares quem será esse alguém que nunca te desampara e que te garante a vida, em nome de Deus, deixa que os teus ouvidos se recolham aos recessos da própria alma e escutarás o coração a dizer-te na intimidade da consciência que esse alguém é Jesus.


Emmanuel








Léon de Muriane - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano V, Novembro de 1862 - Dissertações espíritas - Fundamentos da ordem social




Léon de Muriane - Revista Espírita - Allan Kardec, Ano V, Novembro de 1862 - Dissertações espíritas


Fundamentos da ordem social


Ei-vos reunidos para ver o Espiritismo em sua fonte, a fim de olhar de frente essa ideia e de apreciar as grandes ondas de amor que ela prodigaliza aos que a conhecem.

O Espiritismo é o progresso moral; é a elevação do Espírito na via conducente a Deus. O progresso é a fraternidade em seu nascedouro, porque a fraternidade completa, tal qual pode o Espírito imaginá-la, é a perfeição.

A fraternidade pura é um perfume do alto, uma emanação do infinito, um átomo da inteligência celeste; é a base de todas as instituições morais e o único meio de elevar a uma condição social que possa subsistir e produzir os efeitos dignos da grande causa pela qual combateis.

Sede irmãos, portanto, se quiserdes que o germe lançado entre vós se desenvolva e se torne a árvore que buscais. A união é a força soberana que baixa à Terra, e a fraternidade é a simpatia da união, é a poesia, o encanto, o ideal no positivo.

Precisais ser unidos para serdes fortes e ser fortes para fundardes uma instituição que não repouse senão sobre a verdade, tornada tão tocante e tão admirável, tão simples e tão sublime. As forças divididas aniquilam-se. Reunidas, são cada vez mais fortes.

E se se considerar o progresso de cada criatura, se se refletir no amor e na caridade que brota de cada coração, a diferença será muito maior. Sob o sublime influxo desse sopro inefável, os laços de família se apertam, mas os laços sociais, tão vagamente definidos, se esboçam, se aproximam e acabam formando um único feixe de todos esses pensamentos, de todos esses desejos, de todos esses objetivos de natureza diversa.

O que é que vedes sem a fraternidade? O egoísmo e a ambição. Cada um tem o seu objetivo; cada um o persegue por seu lado; cada um marcha a seu modo, e todos são fatalmente arrastados para o abismo onde mergulham, há séculos, todos os esforços humanos. Com a união há um só objetivo, pois há um só pensamento, um só desejo, um só coração.

Uni-vos, pois, meus amigos, é o que incessantemente vos repete a voz de nosso mundo. Uni-vos e chegareis mais depressa ao vosso objetivo.

É sobretudo nessa reunião inteiramente simpática que deveis tomar a resolução irrevogável de serdes unidos por um pensamento comum a todos os espíritas da Terra, para oferecerdes a homenagem do vosso reconhecimento àquele que vos abriu o caminho do bem supremo; àquele que trouxe a felicidade às vossas cabeças, a alegria aos vossos corações e a fé aos vossos Espíritos.

Vosso reconhecimento é sua recompensa atual. Não lho recuseis, portanto, e fazendo a oferta a uma só voz, dareis o primeiro exemplo de verdadeira fraternidade.

 
Léon de Muriane
Espírito Protetor




Lyon, 16 de setembro de 1862 - Médium: Sr. Émile V...
 
NOTA: Esta comunicação foi obtida num grupo particular, presidido pelo Sr. Allan Kardec.

OBSERVAÇÃO: Esse nome, Léon de Muriane, é completamente desconhecido, até do médium. Isso prova que para ser um Espírito elevado é desnecessário ter o nome inscrito no calendário ou nos fastos da história, e que entre os que se comunicam, muitos há que não têm um nome conhecido.




Boris Freire - Livro Trovas do Mais Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10 - Trovas da razão




Boris Freire - Livro Trovas do Mais Além - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 10 - Trovas da razão


Ciência clara do acerto
Enfeixada em nota breve:
Distinguir o que se pode
Daquilo que não se deve.

Grandeza de coração
Fundamentada no bem
É força que não precisa
Da humilhação de ninguém.

O mal reclama três dotes:
Silêncio, perdão e prece.
Cousa que não se comenta
É como se nunca houvesse.

De toda dor que há na vida
A mais intensa e feroz,
É a da vida de outras vidas
Que luta dentro de nós.

Amigos e opositores
Faço os meus, fazes os teus,
Mas nunca nos esqueçamos
Que o parente vem de Deus.


Boris Freire








Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 44 - Ação




Emmanuel - Livro Palavras de Vida Eterna - Chico Xavier - Cap. 44


Ação


“Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis, e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” — PAULO (1 Coríntios, 15.58)

Nas lutas do dia a dia, todos somos impelidos a várias operações para avançar no caminho…

Sentimos.

Desejamos.

Pensamos.

Falamos.

Estudamos.

Aprendemos.

Conhecemos.

Ensinamos.

Analisamos.

Trabalhamos.

Entretanto, é preciso sentir a necessidade do bem de todos para que saibamos desejar com acerto;

desejar com acerto para pensar honestamente;

pensar honestamente para falar aproveitando;

falar aproveitando para estudar com clareza;

estudar com clareza para aprender com entendimento;

aprender com entendimento para conhecer discernindo;

conhecer discernindo para ensinar com bondade;

ensinar com bondade para analisar com justiça

e analisar com justiça para trabalhar em louvor do bem, porque, em verdade, todos somos diariamente constrangidos à ação e pelo que fazemos é que cada um de nós decide quanto ao próprio destino, criando para si mesmo a inquietante descida à treva ou a sublime ascensão à luz.'


Emmanuel








Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 9 - Experiências pessoais




Emmanuel - Livro Encontro Marcado - Chico Xavier - Cap. 9


Experiências pessoais


TEMA — Experiências perigosas na esfera dos entes queridos.


Sustentar a campanha de esclarecimento contra a influência do mal, preservando-nos contra a criminalidade, é dever nosso.

Em nos referindo, porém, ao plano familiar, surge sempre o instante em que somos constrangidos a ver alguns dos nossos entes queridos à beira de experiências pessoais que consideramos difíceis ou dolorosas.

Nessas ocasiões, supomos perceber toda a extensão dos perigos a que se expõem e costumamos temer por eles; às vezes, caminham na direção de graves riscos que conhecemos de oitiva; noutras circunstâncias, dirigem-se para situações embaraçosas, em cujas correntes de sombra admitimos haver, noutro tempo, sofrido ou navegado.

Que fazer em lances desses, nos quais surpreendemos corações amados, à feição de viajores desprevenidos, escalando o monte agressivo da tentação, ameaçados por avalanches que talvez lhes arrasem as melhores possibilidades da existência?

Antes de tudo, reconheçamos que nenhuma criatura se sente feliz com as nossas intervenções indébitas, no sentido de lhes cercear a liberdade de tentar, por si mesmas, a construção da própria felicidade.

Cada um de nós é um mundo por si, porque o Criador nos dotou a cada um de características individuais, inconfundíveis.

Emoções e pensamentos, tanto quanto as impressões digitais, variam de pessoa a pessoa; consequentemente, determinados caminhos que nos fizeram menos felizes, em outra época, serão provavelmente os mais adequados à edificação da vitória espiritual sonhada pelos entes que amamos, enquanto que certas criaturas que nos parecem menos simpáticas serão possivelmente as mais capazes de resolver-lhes os problemas que, talvez, sem o concurso dessas mesmas criaturas, permanecessem indefinidamente insolúveis. 

Por outro lado, as circunstâncias que rodeiam agora os seres que abençoamos com a nossa extremada afeição podem não ser idênticas àquelas com que fomos defrontados, nos dias que se foram, e, muita vez, nas condições em que falimos, revelar-se-ão eles muito mais vigorosos que nós mesmos, impondo-se a ocorrências desagradáveis e criando talvez respeitáveis padrões de conduta para o reconforto e a segurança de muitos.

Tenhamos, assim, suficiente cautela para não ferir a independência pessoal daqueles a quem amamos, neles enxergando filhos de Deus, quanto nós próprios, com necessidades semelhantes às nossas, guardando o direito de construir suas vidas, segundo o preço das experiências que se proponham a pagar, no mesmo critério com que temos resgatado o custo das nossas. 

E sempre que os vejamos em supostos perigos, saibamos que a melhor forma de auxílio que lhes poderemos prestar será invariavelmente o amparo da oração e a bênção da boa palavra com que se sintam encorajados a trabalhar e servir, lutar e vencer com o apoio do Bem.


Emmanuel









Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 12 - Amai os vossos inimigos - Os inimigos desencarnados - Item 5




Allan Kardec - O Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. 12 - Amai os vossos inimigos


Os inimigos desencarnados


5. Ainda outros motivos tem o espírita para ser indulgente para com os seus inimigos. Sabe ele, primeiramente, que a maldade não é um estado permanente dos homens; que ela decorre de uma imperfeição temporária e que, assim como a criança se corrige dos seus defeitos, o homem mau reconhecerá um dia os seus erros e se tornará bom.

Sabe também que a morte apenas o livra da presença material do seu inimigo, pois que este o pode perseguir com o seu ódio, mesmo depois de haver deixado a Terra; que, assim, a vingança, que tome, falha ao seu objetivo, visto que, ao contrário, tem por efeito produzir maior irritação, capaz de passar de uma existência a outra. Cabia ao Espiritismo demonstrar, por meio da experiência e da lei que rege as relações entre o mundo visível e o mundo invisível, que a expressão: extinguir o ódio com o sangue é radicalmente falsa, que a verdade é que o sangue alimenta o ódio, mesmo no além-túmulo. Cabia-lhe, portanto, apresentar uma razão de ser positiva e uma utilidade prática ao perdão e ao preceito do Cristo: Amai os vossos inimigos. Não há coração tão perverso que, mesmo a seu mau grado, não se mostre sensível ao bom proceder. Mediante o bom procedimento, tira-se, pelo menos, todo pretexto às represálias, podendo-se até fazer de um inimigo um amigo, antes e depois de sua morte. Com um mau proceder, o homem irrita o seu inimigo, que então se constitui instrumento de que a justiça de Deus se serve para punir aquele que não perdoou. 


Allan Kardec








Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 15 - A doce brisa dos ventos




Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 15


A doce brisa dos ventos


Fatores limitantes: Esforço-me intensamente para atingir os altos padrões da Vida Superior. Nunca me permito satisfações ou divertimentos sem que tenha cumprido rigorosamente todos os meus deveres espirituais. Tenho uma noiva, mas não consigo entendê-la. Eu a amo muito, mas estou profundamente desapontado com ela por não viver de acordo com os meus ideais religiosos. Sou um reformador de almas. Quero incentivá-la a uma vida sublimada, porém ela diz que apenas quer viver uma existência normal. Vive sempre afirmando que sou muito crítico em relação a tudo e que criei uma imagem discreta de superioridade, que me afasta da naturalidade. Acusa-me de viver isolado num pedestal e, por isso, de não conseguir entrosar-me com ninguém, a não ser com aqueles que pensam como eu. Gostaria que os Benfeitores Espirituais a impulsionassem a concordar com meus objetivos elevados de atingir a espiritualidade.

Expandindo nossos horizontes:

A Natureza - cântico da perfeição de Deus - representa um longo itinerário no universo das criaturas. Em tudo existe segurança e estabilidade; desde as estrelas até os mais simples vermes.

O homem alcança a espiritualização quando se torna capaz de transcender, ou seja, de se relacionar com a Vida em seus fundamentos mais amplos e profundos. Essa potencialidade humana existe em todos os níveis da civilização.

Permanecer como ser humano é uma das fases que o Criador destinou suas criaturas a viver. Recusar ser o que se é, ou mesmo, não viver essa etapa existencial seria o mesmo que negar os sábios propósitos da Providência Divina.

Para crescer e progredir espiritualmente não é preciso fazer nada fora do comum. Não é necessário executar coisas extraordinárias, mas simplesmente viver ou cumprir a normalidade da condição humana.

Você acredita que viver humanamente é viver na irresponsabilidade, no vício, na ilusão, no orgulho, enfim nas chamadas imperfeições terrenas. No entanto, a grande falha das pessoas, ou mesmo, o seu “pecado oculto” é viver longe do senso de realidade.

Jesus Cristo, Mestre Humanitário, é a criatura que viveu a mais primorosa e perfeita normalidade sobre a Terra.

Erroneamente, julgamos como anormais os feitos da vida de Jesus. Os prodígios de toda sorte descritos no Evangelho -suas curas “milagrosas”, sua ampla capacidade de amar e compreender - nada mais eram do que manifestações normais, fruto de seu alto grau de desenvolvimento espiritual. Suas façanhas não eram contrárias às leis da Natureza, mas fenômenos naturais, velados somente aos olhos da ignorância, razão pela qual passavam por miraculosos.

Há uma enorme dificuldade em compreender que, para evoluir, ninguém precisa tornar-se santo, mas apenas ser um homem normal.

A criatura religiosa pode não ser necessariamente espiritualizada. Porque muitas religiões são verdadeiros catálogos de modelos e regras que dizem como se deve viver ou se comportar. Por isso, as pessoas ficam presas a uma infinidade de preceitos impostos, enquanto que o ser espiritualizado pensa e age por si mesmo e faz voluntariamente as coisas em seu cotidiano. Percebe a essência da Vida Mais Alta em tudo, quer dizer, vê o “espírito da Natureza”.

A evolução faz parte de um processo natural da humanidade. Decorre de múltiplas experiências consciências; vivências essas que produzem graduais e profundas mudanças na visão interior das criaturas. Não se cresce intimamente sufocando a espontaneidade, as energias inatas ou adotando um comportamento social de intolerância mesclado a uma aparência santificante. Renovação íntima planejada e imposta não transforma, somente artificializa.

Os trigais não buscam orientação nos palavrórios afetados e pomposos, aos formalismos radicais, nem pedem permissão para as filosofias extremistas da Terra - simplesmente produzem o grão de trigo.

Os poetas gregos e romanos descrevem a união de Flora, a divindade dos vegetais, com Zéfiro, o vento Oeste.

Diz-se que um dia ambos se encontraram: A “senhora da primavera” recuou amedrontada e, num gesto de brandura, estende as mãos sobre plantas e flores para protegê-las do ímpeto destruidor de Zéfiro.

Ele tinha como único prazer desacatar a Natureza, danificar as florestas, devastar as plantações, arruinar as flores com seu sopro devastador e impiedoso.

Todavia, ante a luminosa beleza de Flora, a divindade do vento refreia o sopro, enamorando-se ternamente por ela. Após esse encontro, ele não mais se empenhou em desrespeitar a Natureza - a protegida de sua amada.

Embora apaixonada, Flora recusa triste a corte de Zéfiro; teme a sua índole tão diferente da sua. Para não perdê-la, ele promete aprender com o equilíbrio da Natureza a paciência e a serenidade do reino vegetal.

Então, na festa de núpcias, entre cores fulgurantes e perfumes dulcíssimos, une-se Flora a Zéfiro. E desde esse acontecimento, o vento Oeste passa a ser apenas uma doce brisa que tremula as pétalas das roseiras e a ramagem das campinas.

Observe na cartilha da Vida: a fonte nasce de um humilde filete de água para transformar-se um dia em enorme rio que descansará, futuramente, na glória dos oceanos.

O amor e o respeito à Natureza produziram uma verdadeira metamorfose na mentalidade de Zéfiro. Importante notar que ele continuou sendo “vento”, porém transformado agora em “branda aragem”. Aqui está uma expressiva alegoria para todos aqueles que se candidatam à espiritualização.


Lourdes Catherine