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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Hammed - Livro Conviver e Melhorar - Lourdes Catherine / Francisco do Espírito Santo Neto - Prefácio



Hammed - Livro Conviver e Melhorar - Lourdes Catherine / Francisco do Espírito Santo Neto


Prefácio


Não existem maridos e esposas, pais e filhos, dirigentes e dirigidos, amigos e parentes. Somos todos professores e alunos, partilhando a mesma Escola da Vida, aprendendo uns com os outros. Os papéis que representamos na atual encarnação são aspectos passageiros da personalidade humana, que ocultam a nossa essência verdadeira. Se pudermos enxergar o que há por trás dessa máscara transitória, aí então compreenderemos a razão de nossos relacionamentos – encontros, reencontros e desencontros; e descobriremos seu significado real.

Nossas necessidades de ascensão evolutiva atraem para nossas vidas indivíduos que têm interiormente fragmentos de lições ou de advertências que precisamos assimilar.

Nossos traços de personalidade são caracterizados pela forma costumeira através da qual percebemos o meio ambiente e a nós mesmos, assim como pela nossa habitual maneira de nos comportar e reagir diante do mundo.

O caráter distintivo das pessoas é um produto complexo das influências do meio em que viveram desde os primeiros dias como bebê (em alguns casos, mesmo antes, no próprio ventre materno) somado às predisposições inatas (resultado de vidas pretéritas).

Ninguém escolhe ter um temperamento complicado intencionalmente. Quem buscaria, de propósito, edificar para si uma personalidade hipersensível, obsessivo-compulsiva, narcisista, possessivo-agressiva, superdependente, maníaco-depressiva, excessivamente ansiosa ou obcecada por detalhes?

Precisamos compreender e respeitar as dificuldades de mudança das criaturas. Mudar implica longo processo de “demolição / reconstrução”. Não se trata apenas de escutar certas regras de conduta, mas sim de desembaraçar-se de outras tantas acumuladas nas noites do tempo.

Portanto, com que direito decidimos o que está certo ou errado e impomos isso a alguém? Muitos de nós temos o hábito de dar “lições de moral” aos outros. Na vida, cabe-nos tão só promover diálogos fraternos de ajuda mútua; encontros sinceros de alma para alma.


Hammed













segunda-feira, 22 de agosto de 2022

Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 1 - Perfume de Deus



Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar -  Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 1


Perfume de Deus


A maioria das pessoas que se proclamam religiosas costumam afirmar categoricamente que a felicidade encontra-se apenas em Deus. Esquecem-se, porém, de que o Todo-Poderoso habita em tudo, inclusive nelas mesmas. Então, por que não começar a procurá-la em sua própria intimidade?

Não importa se as pessoas acreditem ou não em Deus. O fato de não O amarem ou de terem conceitos diferentes a respeito d'Ele, em nada altera a Sagrada Realidade em nós.

O Pai Supremo responde a cada um de acordo com sua necessidade. Encontra-se a felicidade em forma de Toque Divino em toda parte. Na leitura de uma poesia, num buquê de miosótis, na visita amorosa a um lar de idosos, no aroma exótico dos jasmins, na colheita de conchinhas na praia, nos gestos de ternura. São muitos os momentos em que se pode ser venturoso.

Felicidade é sentimento íntimo. Os contextos exteriores nos quais você vive apenas o ajudam a entrar em contato com esse sentimento, já existente em sua intimidade; quer dizer, eles interpretam sua essencialidade divina.

Confie em sua sabedoria interior; só você pode decidir o que é certo para si mesmo.

O homem criou a linguagem para poder comunicar-se com os outros adequadamente. Descobriu que algumas expressões lhe permitiam pensar e agir com maior precisão e organizar melhor suas emoções. Planejou palavras que o ajudassem intelectualmente a cumprir certas funções e a administrar seu meio ambiente.

De início estereotipou na palavra felicidade o conjunto de satisfações dos sentidos, por acreditar apenas na existência do mundo das impressões exteriores em que se movimentava. Começou a agir como se todas as pessoas tivessem essa mesma visão estática e avaliassem a felicidade por esse mesmo estreito prisma.

É verdade que a maioria dos seres pensa de modo semelhante acerca da palavra felicidade. Usam-na constantemente para denominar um estado de completo bem-estar, contentamento e satisfação. No entanto, apesar da designação comum, ela se apresenta sob os mais variados aspectos, maneiras, situações, fatos e pessoas.

Muitos acreditam que, satisfazendo suas carências afetivas, profissionais ou sexuais, se tornarão plenamente felizes. Alegria não é o resultado de tudo aquilo que possuímos ou desejamos.

Felicidade ou infelicidade não resultam das circunstâncias, mas dependem de sua força de vontade e determinação. Se você aceitar isso como verdade, assumindo a responsabilidade pela sua própria felicidade, se libertará da exigência dos requisitos da sociedade superficial e da falsa importância que o mundo externo lhe impõe. A partir daí, poderá encontrá-la com mais clareza e discernimento.

Quanto mais crer em sua “voz do coração”, tanto mais nitidamente ela falará com você.

Olhando para dentro de si mesmo e analisando sua essência divina, que nunca falha nem se altera, você encontrará realmente a verdadeira alegria de viver.

As criaturas de consciência desperta compartilham e repartem seu contentamento. Aprenderam a amar os outros, porque amam a si mesmas. Desfrutam o tempo de forma singular: seus gestos de benevolência se estendem tanto a seus semelhantes como a si próprias.

As violetas, desde os tempos mais antigos, foram celebrizadas nas poesias, fábulas e narrativas. Shakespeare sempre as citava com admiração. São muito estimadas por seu aroma delicado.

Fazendo alusão às violetas e à sua fragrância, poderíamos dizer, em sinonímia quase que perfeita, que a felicidade é o perfume de Deus.
 

Espírito Lourdes Catherine 











quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 4 - Melancolia




Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 4


Melancolia


Tudo que nos acontece é uma mensagem da Vida Mais Alta tentando equilibrar nosso mundo interior. Se desejamos sair do circuito do desespero e ir gradativamente resolvendo dificuldades e conflitos, comecemos por compreender que a nossa existência é controlada por uma Fonte Divina - perfeita e harmônica - cuja única intenção é somente a evolução das criaturas.

Reconheço que as dores íntimas são como prelúdios de um violino ferindo o peito profundamente. Mas lembre-se: ninguém pode procurar nos outros um recado que está dentro de si. Aprendamos a ler essas mensagens impronunciáveis; elas são a chave da solução dos sofrimentos. As leis divinas estão em nossa consciência.

Hoje você busca livrar-se da melancolia, apegando-se às pessoas para que cuidem de você; mas haverá um dia em que perceberá que a busca é ineficiente, pois essa pessoa terá que ser você mesma.

Não se faça de fraca e impotente; retire de seus olhos a angústia e a aflição. 

Você pode transformar esse processo doloroso em fator saudável de crescimento e progresso. 

Você gostaria de ser poupada dessa dor aflitiva imediatamente, mas não pode se esquecer de que ela é o resultado de atitudes negativas do passado que você mesmo criou. Somente através de crescente conscientização de suas concepções errôneas, ou de falsas soluções, é que poderá atingir o entendimento exato de seu sistema de causa e efeito.

Não basta mudar um mau comportamento irrefletidamente; é preciso mudar a causa que provoca esse comportamento. Apenas assim poderá efetuar uma autêntica mudança.

De início, não espere satisfação e felicidade imediatas, porque os efeitos negativos vão continuar cruzando o seu caminho - resultado de anos vividos entre padrões inadequados. No entanto, quando descobrir esses padrões e começar a modifica-los de maneira gradativa, automaticamente terá início a redução das sensações desagradáveis e aflitivas que você experimenta.

A alma, na agonia moral, é semelhante a um pássaro de asa partida: quer voar, mas não consegue. Só com o tempo ele se equilibra; aí, então, pode alçar voo perfeitamente.

A imensa decepção dos suicidas é perceber no Além que não podem fugir de si mesmos. Problemas são considerados desafios da vida promovendo o desenvolvimento interior. A autodestruição além de inútil, intensifica a dor já existente, por interferir no processo natural da existência terrena.

A alma humana pode ser comparada a um candelabro: acesas as chamas da verdade, dissipam-se as sombras da ilusão. Todos temos uma tendência de culpar o mundo por nossas ações, comportamentos, emoções e sentimentos inadequados. Justificamos nosso desalento acusando indiscriminadamente, mas é preciso assumirmos plena responsabilidade por tudo o que está acontecendo em nossa vida. Devemos reconhecer honestamente que está em nós a fonte que determina e controla nossas ações e reações. Somos responsáveis tanto pela nossa felicidade quanto pela nossa infelicidade.

Perceba que você nutre uma falsa crença de que está totalmente indefesa e espera que alguém, ou o destino, lhe traga uma milagrosa alegria. Acima de tudo, acredite: nenhuma destinação cruel está vitimando sua existência. Depende essencialmente de você o seu bem-estar, de seus esforços, de sua vontade de mudar, de sua autoconfiança e de um novo senso de força em sua vida interior.

Além disso, a compreensão espírita, acrescida da criação de uma nova visão interior, poderá gerar toda a satisfação que sua alma anseia, anulando os velhos pensamentos destrutivos que você nutria inadvertidamente.

Melhore seu íntimo; essa é a maneira mais eficiente de ser feliz. Podemos destruir o corpo, mas não temos o poder de acabar com a vida.

Quem faz a sua parte e deposita nas mãos de Deus todas as suas dificuldades alcança a tão almejada tranquilidade.


Lourdes Catherine




Fatores limitantes: Sinto uma tristeza profunda! Sou muito fraca e indefesa; estou aqui para você solucionar meu conflito! Sentimentos depressivos envolvem-me repentinamente, tornando-me incapaz de vencer esse estado de alma. Evito a companhia de outras pessoas, pois estou dominada por um desespero insuportável. Por mais que use argumentos racionais e lógicos, permaneço sem condições de reverter esse quadro sombrio. Tenho tudo para ser feliz, mas, infortunadamente, a ideia de suicídio não me sai da mente. Será que viver assim vale a pena?



quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 14 - Exteriorizando a paz




Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 14


Exteriorizando a paz


A paz se exterioriza nos olhos de quem aprendeu a arte de ser sincero consigo mesmo. A meta mais fácil do mundo para se alcançar é ser como somos. A mais difícil é ser como as outras pessoas gostariam que fôssemos. A serenidade interior é conquista de quem possui autolealdade.

A artemísia é uma planta balsâmica, de gosto amargo e utilizada como remédio. O sândalo é uma árvore de madeira resistente, de qual se extrai um óleo empregado em farmácia e perfumaria. Ambos são aromáticos e originários da Ásia, possuem algo em comum, mas tem utilidades completamente diferentes.

A natureza refuta a igualdade. Jamais foram encontradas duas flores idênticas; as semelhantes se modificam com o passar do tempo. Até as folhas de uma mesma árvore são desiguais, assim como variável é cada amanhecer.

Para desfrutarmos a paz verdadeira, precisamos entender que somos um núcleo de vida distinto; vivemos em comunidade, mas sobretudo com nós mesmos. Somente empregando de maneira responsável nossa capacidade de sentir, de raciocinar e de realizar, livre das interferências dos cegos instintos e dos laços de dependência, é que podemos nos apaziguar de modo essencial.

Não nos reportamos a isso para nos envaidecer ou diminuir os outros, e sim para que tenhamos mais consideração pelo nosso universo pessoal.

É preciso que nos perguntemos: quem escolhe o que penso e o que sinto? Quem determina como vou agir? Cabe-nos, portanto, o domínio de nossa vida, pois falsas identidades podem estar controlando-nos a ponto de desperdiçarmos energias imprescindíveis à nossa harmonia e segurança.

Dente-de-leão, no folclore da flora silvestre, significa vontade firme e lealdade aos próprios objetivos, por ser capaz de crescer em abundância em todos os períodos do ano, ou em qualquer campo ou terreno. Seu nome vem do francês, “dent-de-lion”. Essa flor amarelo-ouro apresenta como semente um talo de pelos brancos e sedosos que o vento dissemina com facilidade; por isso se reproduzem rapidamente.

Se você procura serenidade, assimile a linguagem de autofidelidade que lhe inspiram os dentes-de-leão e, ao mesmo tempo, liberte-se dessa reação exagerada aos desejos dos outros.

Visualize a tranquilidade dos ambientes campestres. O vislumbre de uma tarde em lindo campo florido fala de paz a seu coração e o alivia prolongadamente.

Sua memória está repleta dessas associações, que seu dia-a-dia inquieto e intranquilo deixa muitas vezes escondido em sua mente.

Paz é, acima de tudo, harmonia consigo mesmo; em seguida, com os outros. É harmonia com Deus e com a natureza. Paradoxo é almejar a paz e viver em discordância íntima.

A Excelsa Criação deu-lhe habilidade de realização através da natureza, assim como outorgou às plantas a capacidade de florescer. Nenhuma árvore de sândalo necessita que um botânico lhe diga como produzir a essência aromatizante. Se você quiser transluzir a paz, seja fiel ao que é, dando ao Planeta os frutos de sua própria natureza.

A verdade é que, por mais que você se esforce para ser justo e consciente, sempre haverá alguém que interpretará mal seus atos e atitudes. Ninguém consegue agradar a todos.

Confie em si mesmo, confie em Deus. Apenas Ele maneja os fios invisíveis e infinitos de toda existência humana.

Você encontrará a paz conscientizando-se de que cada um é uma ferramenta exclusiva e específica da natureza, circunstancialmente trabalhando na Terra sob o Comando Divino.


Lourdes Catherine




Fatores limitantes: Busco a paz interior. Por isso, passo a vida me dedicando a agradar e socorrer os outros; mas, no final, sou sempre mal compreendido e mal interpretado. Ao ser criticado, fatalmente perco a pouca harmonia interna que havia conseguido, e me sinto “um nada”. Tenho certa tendência para agir sempre de forma irrepreensível. Por que sou tão vulnerável às opiniões alheias? Estou cansado! O que devo
fazer? 




quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 15 - A doce brisa dos ventos




Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 15


A doce brisa dos ventos


Fatores limitantes: Esforço-me intensamente para atingir os altos padrões da Vida Superior. Nunca me permito satisfações ou divertimentos sem que tenha cumprido rigorosamente todos os meus deveres espirituais. Tenho uma noiva, mas não consigo entendê-la. Eu a amo muito, mas estou profundamente desapontado com ela por não viver de acordo com os meus ideais religiosos. Sou um reformador de almas. Quero incentivá-la a uma vida sublimada, porém ela diz que apenas quer viver uma existência normal. Vive sempre afirmando que sou muito crítico em relação a tudo e que criei uma imagem discreta de superioridade, que me afasta da naturalidade. Acusa-me de viver isolado num pedestal e, por isso, de não conseguir entrosar-me com ninguém, a não ser com aqueles que pensam como eu. Gostaria que os Benfeitores Espirituais a impulsionassem a concordar com meus objetivos elevados de atingir a espiritualidade.

Expandindo nossos horizontes:

A Natureza - cântico da perfeição de Deus - representa um longo itinerário no universo das criaturas. Em tudo existe segurança e estabilidade; desde as estrelas até os mais simples vermes.

O homem alcança a espiritualização quando se torna capaz de transcender, ou seja, de se relacionar com a Vida em seus fundamentos mais amplos e profundos. Essa potencialidade humana existe em todos os níveis da civilização.

Permanecer como ser humano é uma das fases que o Criador destinou suas criaturas a viver. Recusar ser o que se é, ou mesmo, não viver essa etapa existencial seria o mesmo que negar os sábios propósitos da Providência Divina.

Para crescer e progredir espiritualmente não é preciso fazer nada fora do comum. Não é necessário executar coisas extraordinárias, mas simplesmente viver ou cumprir a normalidade da condição humana.

Você acredita que viver humanamente é viver na irresponsabilidade, no vício, na ilusão, no orgulho, enfim nas chamadas imperfeições terrenas. No entanto, a grande falha das pessoas, ou mesmo, o seu “pecado oculto” é viver longe do senso de realidade.

Jesus Cristo, Mestre Humanitário, é a criatura que viveu a mais primorosa e perfeita normalidade sobre a Terra.

Erroneamente, julgamos como anormais os feitos da vida de Jesus. Os prodígios de toda sorte descritos no Evangelho -suas curas “milagrosas”, sua ampla capacidade de amar e compreender - nada mais eram do que manifestações normais, fruto de seu alto grau de desenvolvimento espiritual. Suas façanhas não eram contrárias às leis da Natureza, mas fenômenos naturais, velados somente aos olhos da ignorância, razão pela qual passavam por miraculosos.

Há uma enorme dificuldade em compreender que, para evoluir, ninguém precisa tornar-se santo, mas apenas ser um homem normal.

A criatura religiosa pode não ser necessariamente espiritualizada. Porque muitas religiões são verdadeiros catálogos de modelos e regras que dizem como se deve viver ou se comportar. Por isso, as pessoas ficam presas a uma infinidade de preceitos impostos, enquanto que o ser espiritualizado pensa e age por si mesmo e faz voluntariamente as coisas em seu cotidiano. Percebe a essência da Vida Mais Alta em tudo, quer dizer, vê o “espírito da Natureza”.

A evolução faz parte de um processo natural da humanidade. Decorre de múltiplas experiências consciências; vivências essas que produzem graduais e profundas mudanças na visão interior das criaturas. Não se cresce intimamente sufocando a espontaneidade, as energias inatas ou adotando um comportamento social de intolerância mesclado a uma aparência santificante. Renovação íntima planejada e imposta não transforma, somente artificializa.

Os trigais não buscam orientação nos palavrórios afetados e pomposos, aos formalismos radicais, nem pedem permissão para as filosofias extremistas da Terra - simplesmente produzem o grão de trigo.

Os poetas gregos e romanos descrevem a união de Flora, a divindade dos vegetais, com Zéfiro, o vento Oeste.

Diz-se que um dia ambos se encontraram: A “senhora da primavera” recuou amedrontada e, num gesto de brandura, estende as mãos sobre plantas e flores para protegê-las do ímpeto destruidor de Zéfiro.

Ele tinha como único prazer desacatar a Natureza, danificar as florestas, devastar as plantações, arruinar as flores com seu sopro devastador e impiedoso.

Todavia, ante a luminosa beleza de Flora, a divindade do vento refreia o sopro, enamorando-se ternamente por ela. Após esse encontro, ele não mais se empenhou em desrespeitar a Natureza - a protegida de sua amada.

Embora apaixonada, Flora recusa triste a corte de Zéfiro; teme a sua índole tão diferente da sua. Para não perdê-la, ele promete aprender com o equilíbrio da Natureza a paciência e a serenidade do reino vegetal.

Então, na festa de núpcias, entre cores fulgurantes e perfumes dulcíssimos, une-se Flora a Zéfiro. E desde esse acontecimento, o vento Oeste passa a ser apenas uma doce brisa que tremula as pétalas das roseiras e a ramagem das campinas.

Observe na cartilha da Vida: a fonte nasce de um humilde filete de água para transformar-se um dia em enorme rio que descansará, futuramente, na glória dos oceanos.

O amor e o respeito à Natureza produziram uma verdadeira metamorfose na mentalidade de Zéfiro. Importante notar que ele continuou sendo “vento”, porém transformado agora em “branda aragem”. Aqui está uma expressiva alegoria para todos aqueles que se candidatam à espiritualização.


Lourdes Catherine







sábado, 14 de agosto de 2021

Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 1 - Perfume de Deus




Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar -  Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 1


Perfume de Deus


A maioria das pessoas que se proclamam religiosas costumam afirmar categoricamente que a felicidade encontra-se apenas em Deus. Esquecem-se, porém, de que o Todo-Poderoso habita em tudo, inclusive nelas mesmas. Então, por que não começar a procurá-la em sua própria intimidade?

Não importa se as pessoas acreditem ou não em Deus. O fato de não O amarem ou de terem conceitos diferentes a respeito d'Ele, em nada altera a Sagrada Realidade em nós.

O Pai Supremo responde a cada um de acordo com sua necessidade. Encontra-se a felicidade em forma de Toque Divino em toda parte. Na leitura de uma poesia, num buquê de miosótis, na visita amorosa a um lar de idosos, no aroma exótico dos jasmins, na colheita de conchinhas na praia, nos gestos de ternura. São muitos os momentos em que se pode ser venturoso.

Felicidade é sentimento íntimo. Os contextos exteriores nos quais você vive apenas o ajudam a entrar em contato com esse sentimento, já existente em sua intimidade; quer dizer, eles interpretam sua essencialidade divina.

Confie em sua sabedoria interior; só você pode decidir o que é certo para si mesmo.

O homem criou a linguagem para poder comunicar-se com os outros adequadamente. Descobriu que algumas expressões lhe permitiam pensar e agir com maior precisão e organizar melhor suas emoções. Planejou palavras que o ajudassem intelectualmente a cumprir certas funções e a administrar seu meio ambiente.

De início estereotipou na palavra felicidade o conjunto de satisfações dos sentidos, por acreditar apenas na existência do mundo das impressões exteriores em que se movimentava. Começou a agir como se todas as pessoas tivessem essa mesma visão estática e avaliassem a felicidade por esse mesmo estreito prisma.

É verdade que a maioria dos seres pensa de modo semelhante acerca da palavra felicidade. Usam-na constantemente para denominar um estado de completo bem-estar, contentamento e satisfação. No entanto, apesar da designação comum, ela se apresenta sob os mais variados aspectos, maneiras, situações, fatos e pessoas.

Muitos acreditam que, satisfazendo suas carências afetivas, profissionais ou sexuais, se tornarão plenamente felizes. Alegria não é o resultado de tudo aquilo que possuímos ou desejamos.

Felicidade ou infelicidade não resultam das circunstâncias, mas dependem de sua força de vontade e determinação. Se você aceitar isso como verdade, assumindo a responsabilidade pela sua própria felicidade, se libertará da exigência dos requisitos da sociedade superficial e da falsa importância que o mundo externo lhe impõe. A partir daí, poderá encontrá-la com mais clareza e discernimento.

Quanto mais crer em sua “voz do coração”, tanto mais nitidamente ela falará com você.

Olhando para dentro de si mesmo e analisando sua essência divina, que nunca falha nem se altera, você encontrará realmente a verdadeira alegria de viver.

As criaturas de consciência desperta compartilham e repartem seu contentamento. Aprenderam a amar os outros, porque amam a si mesmas. Desfrutam o tempo de forma singular: seus gestos de benevolência se estendem tanto a seus semelhantes como a si próprias.

As violetas, desde os tempos mais antigos, foram celebrizadas nas poesias, fábulas e narrativas. Shakespeare sempre as citava com admiração. São muito estimadas por seu aroma delicado.

Fazendo alusão às violetas e à sua fragrância, poderíamos dizer, em sinonímia quase que perfeita, que a felicidade é o perfume de Deus.
 

Espírito Lourdes Catherine 








segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 21 - Estranho Amor




Lourdes Catherine - Livro Conviver e Melhorar - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 21


Estranho Amor


Na mitologia clássica, cada flor era encarada como uma dádiva dos deuses, uma obra divina do Olimpo. Assim, Narciso era um flor que correspondia à metamorfose de um belo jovem com esse mesmo nome. Filho da ninfa Liríope e do deus fluvial Cefiso, era dotado de extraordinária beleza. Ao nascer, um vidente profetizou que ele viveria muito tempo se jamais se desse conta de sua beleza. Um dia, porém, caçando em uma extensa floresta, se aproxima de um lago límpido a fim de aliviar a sede. Vê sua imagem refletida nas águas e por ela se enamora, vivendo obstinada fascinação. Deitado no solo, contempla fixo o lago que espelha sua face. Imóvel dia e noite, é incapaz de afastar-se; fica perdidamente apaixonado por si mesmo. O jovem deixa de alimentar-se, de dormir, de saciar a sede e vai se consumindo na melancolia de um amor impossível. Quantas vezes em vão mergulha os braços nas águas para abraçar aquele figura admirada. A mesma ilusão que lhe engana os olhos aumenta sua paixão ardente. Depois de morto, os deuses tiveram compaixão dele e o transformaram em uma delicada flor de miolo amarelo rodeado de pétalas brancas; flores que sempre nasceriam às margens das lagoas em memória desse jovem tão infeliz.

Numerosos foram os pintores e os escritores que se utilizaram da figura mítica de Narciso. Também para muitos estudiosos do comportamento humano, ele passou a representar as tendências ao egocentrismo existentes no ser humano.

Narciso, na verdade, não estava enamorado de si mesmo, mas de sua imagem. O processo ocorre de maneira idêntica nos pais narcisistas. Para eles o filho é sua própria imagem projetada.

A expressão do amor materno é um impulso natural, desprovido de qualquer interesse egoístico. Esse instinto de proteção surge ante a fragilidade do bebê, ainda incapaz de prover sua sobrevivência.

Contudo, grande parte das mães continua se relacionando com os filhos crescidos como se fossem eternas criancinhas. Inconscientemente, creem que eles são ainda parte delas próprias, como realmente o foram quando estavam no ventre.

Assim acreditando, criam condições negativas ao desenvolvimento íntimo deles, prejudicando-lhes a mentalidade quanto ao uso da livre escolha. Estão constantemente interferindo, ordenando e criticando de maneira possessivamente dócil.

A criança, a quem foi permitida a possibilidade de errar para buscar experiências e, mais tarde, colher os frutos da segurança, se tornará uma personalidade sadia e confiante em si mesma. Toda ascensão exige atividade. Não há lição sem preço.

Você deve conceder liberdade a seu filho, obviamente levando em conta sua faixa etária, para que ele não corra risco ou prejuízo em sua vida física, psíquica e social.

Mesmo sem perceber, você pode estar afastando seu filho dos testes do mundo; por isso ele está nessa situação constrangedora, desenvolvendo o medo e uma extrema dependência de tudo.

As crianças são muito sensíveis às energias do ambiente doméstico. Quando elas manifestam dificuldades e problemas, na maioria das vezes estão apenas refletindo os comportamentos familiares.

Ao recomendar-lhe que dê liberdade a seu filho, não estou me referindo ao ato de mimar, à falta de controle, à ausência de limites. Tampouco que o entregue à própria sorte, mas que o ensine a pensar para tomar decisões e tecer os fios de sua felicidade.

Certos pais não transmitem a necessária confiança e apoio a seus filhos, pois não reconhecem nem respeitam sua individualidade. Dificultam, assim, o relacionamento deles com outras crianças no ambiente social. Essas atitudes de superproteção os mantêm presos a laços invisíveis, bloqueando-lhes o anseio de liberdade infantil.

Pais que pensam por suas crianças, como se elas fossem destituídas de inteligência, não se desenvolveram a ponto de reconhecer a existência independente de uma outra pessoa.

Acreditam que os filhos têm sua mesma intenção, querer e propósito, permanecendo durante anos, ainda quando eles se tornam adultos, na mesma expectativa de que deverão estar sempre a postos para suprir todas as necessidades filiais. Crises, infortúnios e dissabores são medidas de socorro com que os Céus amparam as criaturas.

As nódoas da vida e os percalços do caminho, hoje, poderão parecer trevas, mas, amanhã, serão suas luzes. Portanto, modifique essa sua atitude; excesso de zelo prejudica ao invés de beneficiar.

Deus a todos ama e abençoa, nunca desampara e não esquece ninguém. Não sufoque os outros; ao contrário, coopera e incentive.

O narcisista supervaloriza seu próprio mundo e acredita que o mundo do outro é dele. É incapaz de afastar-se de sua imagem, ficando completamente perdido na contemplação de si mesmo. O narcisismo dos pais é uma fascinação por si mesmos refletida nos filhos. Sou especial e, portanto, devo tratar e proteger meu filho especialmente.

A criança, à medida que se vai tornando adulta, não precisa tanto das mães para suprirem suas necessidades corriqueiras; mas carece de sua presença colaboradora e amiga a seu lado.

A insegurança de seu filho é a causa primordial e atrativa dessas influências perturbadoras. Comece a exercitá-lo para sentir-se independente e para participar de forma ativa dentro do próprio lar, e mostre-lhe as limitações naturais de sua liberdade, procurando, no entanto, distingui-la dos caprichos e dos desejos infantis.

Possessividade é um estranho amor que machuca a alma com rudeza, da vida tira a alegria e dos olhos muito pranto.


Lourdes Catherine