Irmão Jacob - Livro Voltei - Chico Xavier - Cap. 7
Incidente em viagem
Se o homem soubesse a extensão da vida que o espera além da morte do corpo, certamente outras normas de conduta escolheria na Terra!
Não me refiro aqui aos materialistas sem fé. Aliás, a maioria dos ateus não passam de grande assembleia de crianças espirituais, necessitadas de proteção e ensinamento.
Reporto-me, com vigor, aos que adotam uma crença religiosa, usando lábios e paixões, sem se afeiçoarem, no íntimo, às verdades renovadoras que abraçam.
Nós mesmos, os que nos beneficiamos ao contato dos princípios do Espiritismo Cristão, principalmente nós que ouvimos a mensagem dos que respiram noutros Planos da vida eterna, se fôssemos menos palavrosos e mais cumpridores das lições que recebemos e transmitimos, outras condições nos caracterizariam além do sepulcro, porque a justiça indefectível nos espreita em toda parte e porque transportamos conosco, para onde formos, as marcas de nossos defeitos ou virtudes.
Depois da sepultura, sabemos, com exatidão, que o reino do bem ou o domínio do mal moram dentro de nós mesmos.
VÍDEO: Bibliossíntese - projeto do Portal Luz Espírita "VOLTEI" (Irmão Jacob) Chico Xavier Fraternidade Luz Espírita
Bibliossíntese é um projeto do Portal Luz Espírita (www.luzespirita.org.br) cujo objetivo primordial é fazer uma rápida amostragem do conteúdo do específico livro, sem a pretensão de substituir a leitura da referida obra.
Nesta edição, baseada na obra "VOLTEI", psicografada por Francisco Cândido Xavier, o Espírito Irmão Jacob, fala do processo de seu desencarne e entrada no plano espiritual, após a jornada terrena, quando havia sido Frederico Figner, ativista espírita.
Irmão Jacob - Livro Voltei - Chico Xavier - Cap. 3 - Em pleno transe
Entre amigos espirituais
Rogando a Jesus me auxiliasse a encontrar o melhor caminho, observei que minha capacidade visual se dilatava. Curiosos fenômenos de óptica afetavam-me a retina hesitante. Alterara-se-me a noção de perspectiva. A imagem do ambiente parecia penetrar-me. Objetos e luzes permaneciam dentro de mim ou jaziam em derredor?
Dentro de semelhante indecisão, divisei duas figuras ladeando a filha dedicada.
Centralizei quanto possível o propósito de ver mais exatamente, e tive o esforço compensado.
Ambos os presentes se destacaram nítidos.
Que alegria me banhou o ser!
Num deles identifiquei, sem obstáculos, o venerável Bezerra de Menezes e no outro adivinhei o benemérito Irmão Andrade. Pelo sorriso de compreensão que me endereçaram reconheci que os dois me haviam notado a surpresa indescritível.
Todavia, meu júbilo do primeiro instante foi substituído pela timidez. Enquanto nos debatemos na lida material, quase nunca nos recordamos de que somos seguidos pelo testemunho do Plano espiritual nos mínimos atos da existência. Falamos, com referência aos Espíritos, com a desenvoltura das crianças que se reportam aos pais a propósito de insignificantes brinquedos. Senti-me repentinamente envergonhado.
Apesar do natural acanhamento que a presença deles me infligia, tudo fiz por levantar-me, de modo a recebê-los com a veneração que mereciam. Tentei, porém, debalde erguer-me.
Percebendo-me a intenção, abeiraram-se de mim.
Cumprimentaram-me com palavras confortadoras de boas-vindas.
Com gentileza, explicou-me Bezerra que o processo liberatório corria normal, que me não preocupasse com as delongas, porque a existência que eu desfrutara fora dilatada e ativa. Não era possível, — disse, bondoso, — efetuar a separação do organismo espiritual com maior rapidez. Esclareceu também que o ambiente doméstico estava impregnado de certa substância que classificou por “fluidos gravitantes”, desfavorecendo-me a libertação.
Mais tarde vim a perceber que os objetos de nosso uso pessoal emitem radiações que se casam às nossas ondas magnéticas, criando elementos de ligação entre eles e nós, reclamando-se muito desapego de nossa parte a fim de que não nos prendam ou perturbem.
Após instruir-me, benévolo, recomendou-me Bezerra esquecesse o retraimento em que me refugiara, confiando-me a pensamentos mais elevados, de maneira a colaborar com ele para que me subtraísse ao decúbito dorsal.
Pus-me a refletir na infinita bondade de Jesus, enquanto o dedicado amigo me aplicava passes, projetando sobre mim, com as mãos dadivosas, abundantes jatos de luz.
Ao término da operação, acentuara-se-me a resistência.
A rigor, não pude levantar-me, nem falar. Ambos os benfeitores, porém, seguidos de Marta, que nos observava com visíveis mostras de contentamento, retiraram-me do leito, determinando que me amparasse a eles para uma jornada de repouso.
— “É necessário sair de algum modo, — acentuou Bezerra, em tom grave, — conduzi-lo-emos à praia. As virações marítimas serão portadoras de grande bem ao reajustamento geral.”
Abracei-me aos devotados obreiros da caridade, com esforço, e não obstante verificar que o derradeiro laço ainda me atava às vísceras em descontrole, afastei-me da zona doméstica, reparando que eu era por eles rapidamente conduzido à beira-mar.
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Nesta edição, baseada na obra "VOLTEI", psicografada por Francisco Cândido Xavier, o Espírito Irmão Jacob, fala do processo de seu desencarne e entrada no plano espiritual, após a jornada terrena, quando havia sido Frederico Figner, ativista espírita.
Irmão Jacob - Livro Voltei - Chico Xavier - Cap. 6
A passagem
Quantas vezes julguei que morrer constituísse mera libertação, que a alma, ao se desvencilhar dos laços carnais, voejaria em plena atmosfera, usando as faculdades volitivas. Entretanto, se é fácil alijar o veículo físico, é muito difícil abandonar a velha morada do mundo.
Posso hoje dizer que os elos morais são muito mais fortes que os liames da carne e, se o homem não se preparou, convenientemente, para a renúncia aos hábitos antigos e comodidades dos sentidos corporais, demorar-se-á preso ao mesmo campo de luta em que a veste de carne se decompõe e desaparece.
E se esse homem complicou o destino, assumindo graves compromissos à frente dos semelhantes, através de ações criminosas, debater-se-á, chorará e reclamará embalde, porque as leis que mantêm coesos os astros do céu e as células da Terra lhe determinam o encarceramento nas próprias criações inferiores.
Se o bem salva e ilumina, o mal perde e obscurece.
Livremo-nos do débito, para que não venhamos a mergulhar no resgate laborioso, e corrijamos o erro, enquanto a hora é favorável, evitando a retificação muita vez dolorosa.
Irmão Jacob - Livro Voltei - Chico Xavier - Cap. 17
Na Escola de Iluminação
Infinita é a bondade do Senhor que não força a criatura e espera sempre!
Se fosse fustigado pelos amigos com palavras rudes, logo após a desencarnação; se me relembrassem descaridosamente os erros, talvez me refugiasse na própria resistência, acentuando as sombras que me dominavam a alma. Provavelmente inventaria recursos contra o serviço da luz. As advertências, todavia, alcançavam-me, silenciosas. A assistência de minha filha, os cuidados do Irmão Andrade, as palestras de Guillon e o devotamento de Bittencourt Sampaio transbordavam amor que renova e eleva sem alarde.
Ninguém me humilhava. Ao invés disso, de todos recebia incentivo à melhoria própria. Salutares modificações me alegravam, penetrando-me o coração, sem ruído.
Em razão de tudo isso, no dia imediato ao entendimento com Bittencourt, no grande santuário, trazia o espírito mergulhado em reflexões graves e profundas.
Como receber companheiros para o trabalho se me sentia inapto e obscuro? No íntimo, pretendia absorver-me em preocupações esmagadoras, ganhar tempo aprendendo e servindo; no entanto, nos recessos da consciência perseverava a lembrança daquele ensinamento evangélico alusivo ao “cego guiando cegos”. Não. Não deveria precipitar-me. Convinha meditar em oração, suplicando ao Senhor acréscimo de visibilidade espiritual. Era inadiável o meu reajustamento, antes de entregar-me a novas empresas.
INSTITUIÇÃO RENOVADORA
Nesse estado d'alma, recebi a visita intencional de Guillon, que me asseverou não ignorar quanto me ocorria. Atribuiu-me as dificuldades à transitória inadaptação à vida espiritual e aconselhou-me um curso rápido numa das escolas de iluminação, existentes ali.
E como eu lhe pedisse ajuda, explicou-me, sorridente, que encaminharia a solução do problema com o Irmão Andrade, esclarecendo, leal:
— Nesse serviço novo, Jacob, procure ser menino outra vez. Não guarde ideias preconcebidas. Esqueça o homem de negócios que foi, olvide a sua posição de comandante com subordinados e pessoas agradecidas à sua disposição. Chega sempre o momento em que nos cabe devolver ao Senhor as dádivas que nos empresta a título precário. De mente lavada e fresca, você aprenderá melhor o sentido da vida real. Saber recomeçar aqui é uma ciência agradável e ao mesmo tempo complexa.
Ouvi-lhe atentamente o conselho e depois de breve combinação com a filha, fui conduzido pelo Irmão Andrade a uma das dependências do mesmo templo que visitáramos na véspera.
Algumas dezenas de Espíritos aí se achavam em contato com os instrutores.
Notei que as aulas iam animadas; todavia, não se revestiam de caráter solene e por esse motivo tornava-se difícil destacar professores e aprendizes.
Tudo simples e cordial.
Primava o ambiente pela expressão acolhedora.
Dissertações graves, em fraternidade envolvente.
Andrade confiou-me à proteção do gabinete administrativo e afastou-se, depois de explicar que me dedicaria ao aprendizado de apenas algumas semanas, por ser detentor de certa bagagem de conhecimentos elevados recolhidos na Esfera carnal, considerando-se que a maioria dos companheiros ali estacionados nas lições diuturnas, disputavam, por enquanto, alguns recursos rudimentares da espiritualidade superior.
INFORMAÇÕES ÚTEIS
Vendo-me a sós com o instrutor que me atendia, surpreendido gravei suas palavras estimulantes e afáveis.
Revelava-se sinceramente interessado em auxiliar-me.
Conduzindo-me a extenso recinto da organização, falou-me, alegre e franco:
— Você apreciará ensinamentos e valer-se-á das possibilidades da escola, com a eficiência precisa, em meio de Espíritos que lhe são desconhecidos até agora. Em matéria de aprendizado iluminativo, as afeições terrestres nem sempre ajudam. Comumente perturbam, aliás.
A conquista de luz interior demanda certa violência aos interesses do “eu” e os parentes ou afins, por vezes, tocados de afeição exclusivista, provocam vibrações de piedade mal conduzida, de amor-próprio ferido, de melindres desnecessários e ciúmes nocivos. Isto, na maior parte das ocorrências, envolve a alma numa redoma de perigosa ilusão, tal como se um material isolante nos afastasse do clima real da vida.
Cada qual de nós é um problema particular na Criação Divina. Enfrentemos corajosamente os nossos enigmas. Se é preciso libertar das zonas inferiores o coração, para religá-lo aos Planos mais elevados, tenhamos suficiente valor para fazê-lo. Em tarefa como a que se vai iniciar, a demora da mente nas fórmulas mais respeitáveis de retenção pode ser ruinosa.
Fitei o interlocutor, esperançoso e contente, e talvez porque me observasse o juvenil anseio de aprender com proveito, bateu-me paternalmente nos ombros e rematou, sorrindo:
— Seja feliz! Lembre-se de sua necessidade de transformação salutar e prossiga fortalecido e sereno.
Daí a instantes, tomava lugar entre os assistentes.
Nenhum conhecido. Nenhum laço que me fizesse retomar mentalmente o passado.
Soube, aliás, mais tarde, que esse característico da instituição é providencial.
Ainda não nos achamos num campo de amor equilibrado. A herança do “círculo consanguíneo”, da “simpatia incondicional”, do “grupo sectário” ou do “impulso preferencial” ainda nos acompanha intensamente à Esfera em que me reajusto.
A autoridade superior nos permite conservar semelhante patrimônio em sua feição venerável de inclinação construtiva, durante o tempo que disputamos; todavia, no regime de aclaramento espiritual, é prudente agir contra qualquer situação exclusivista.
Daí a conveniência da congregação de elementos neutros entre si, porque a amizade que aí se estabelece não tem os resquícios da paixão terrena que, mesmo em seu aspecto formoso e nobre dentro do qual é aproveitada na elevação de nível cultural e sentimental do mundo, funciona contra a harmonia da mente, sem a qual é impossível acender a própria luz.
EM APRENDIZADO
Dentro em pouco, familiarizara-me no curso. Destina-se a organização ao suprimento de valores educativos aos Espíritos procedentes da Esfera carnal, mas sem grandes compromissos no desvio do bem.
É curioso notar que a maioria dos alunos se encontram na posição do homem necessitado de metal precioso, que houvesse demorado muito tempo, junto ao filão aurífero, esquecendo o próprio objetivo.
Os professores são incansáveis em esclarecer que na reencarnação temos o mais valioso instituto iluminativo, acentuando que, na realidade, todas as lutas terrestres objetivam redimir o Espírito e inflamá-lo de virtudes celestiais.
Acrescentam, no entanto, que, chegado ao santuário do corpo físico, o homem olvida os imperativos de sua permanência nos vários degraus da preparação e passa a perseguir inutilidades ou vantagens efêmeras, quando se não arvora em observador tirânico ou impiedoso crítico dos próprios irmãos de luta.
Vicia a mente na ociosidade, em face da gloriosa bênção recebida e, muita vez, abandona a escola da carne, em deploráveis condições morais, pelos débitos assumidos no mau uso do livre-arbítrio perante as leis inelutáveis que governam a vida.
Ao invés de respeitar o material de serviço redentor e mobilizá-lo em benefício de si mesmos, os aprendizes da sabedoria, na experiência terrena, inutilizam-no com indiferença, em prejuízo próprio, quando o não aproveitam, lastimavelmente, na perpetração de faltas criminosas. 7 Porém, quando a alma se afasta do Plano carnal seguida de valores intercessores do devotamento fraterno, pela boa vontade que demonstrou no serviço aos semelhantes, é-lhe permitido frequentar as instituições iluminativas, além da morte, com possibilidades na ação prática, entre os núcleos de entidades inferiores.
Compreende-se, então, que todos os conflitos da luta carnal se revestem de sublimes finalidades.
Na vida real do Espírito, o sofrimento perde o aspecto sombrio. Não é entendido tão somente por recurso expiatório ou regenerativo, mas também por bênção salvadora que aprimora e ilumina sempre.
O homem agarrado ao prazer fácil de um minuto perde a bendita sementeira da eternidade. Somente por isso é que não extrai do obstáculo, da dor e da dificuldade o conteúdo de alegria imperecível que oferecem à alma.
Algo surpreendido, vim a saber que, se o solo bruto ajuda o lavrador e educa-o, através do trabalho que o melhora e enriquece, assim também as inteligências inferiores e rudes beneficiam os Espíritos superiores em conhecimento ou virtude, quando estes se interessam na dilatação de seus próprios poderes, tanto quanto numa agremiação escolar o lucro legítimo pertence àquele que ensina e se dedica à preparação de alunos distraídos ou ingratos.
Os casos agrupados na escola são dignos de menção especial. Os companheiros contam os mais interessantes episódios em matéria de fuga ao ensejo da felicidade definitiva. Escaparam ao tesouro da santificação íntima, deliberadamente, por infantil receio de sofrimentos e humilhações. Grandes e abençoadas oportunidades de subida a luminosas culminâncias foram perdidas; e agora, qual me ocorre, reparam o tempo menosprezado por intermédio de mais intenso labor.
CONCEITOS DE UMA CARTILHA PREPARATÓRIA
Do acervo de primorosos livros, cuja existência me foi permitido observar, um dos instrutores retirou certa cartilha de afirmações sintéticas destinadas a despertar a mente, recomendando-me acurada meditação na leitura.
Dentre o conjunto, posso destacar algumas que interessam, de perto, aos companheiros que se dispuserem a receber minhas despretensiosas notícias:
“Cada Espírito é um mundo vivo com movimento próprio, atendendo às causas que criou para si mesmo, no curso do Tempo, gravitando em torno da Lei Eterna que rege a Vida Cósmica.”
“Dois terços das criaturas humanas encarnadas na Crosta da Terra demoram-se em jornada evolutiva da Irracionalidade para a Inteligência ou da Inteligência para a Razão; a terça parte restante acha-se em trânsito da Razão para a Humanidade. Fora do corpo terrestre, mas ligados ao mesmo Plano, evolutem bilhões de seres pensantes nas mesmas condições.”
“Em Esferas mais elevadas do planeta, outros bilhões de almas caminham da Humanidade para a Angelitude.”
“O processo de educação do Ser para a Divindade tem sua base no reencarnacionismo e no trabalho incessante.”
“O instituto das compensações funciona igualmente para todos.”
“Ninguém ilude as leis universais.”
“Os recursos de dignificação da individualidade permanecem ao dispor da comunidade planetária nas diversas escolas religiosas da Terra, escolas que se diferenciam no culto externo, de acordo com os impositivos de espaço e tempo, mas que, no fundo e em essência, se irmanam na Fonte da Eterna Verdade, em que a integração da Alma com a Luz Divina se realiza por intermédio do Supremo Bem.”
“Jesus é o Ministro do Absoluto, junto às coletividades que progridem nos Círculos terrestres; os grandes instrutores do mundo, fundadores de variados sistemas de fé, representam mensageiros d’Ele, que nos governa, desde o princípio.”
“Toda criatura humana possui consigo as sementes da Sabedoria e do Amor; quando ambientar esses divinos germes dentro de si mesma e desenvolvê-los amplamente através dos séculos incessantes, conquistará as qualidades do Sábio e do Anjo, que se revelam na sublime personalidade dos Filhos de Deus, em maioridade divina.”
Enquanto no corpo de carne, muitas vezes apressadamente, como se devorasse qualquer alimento sem mastigá-lo — tomei conhecimento das instruções de ordem superior. Entretanto, ali, à vista das circunstâncias em que me encontrava, a leitura me obrigou a sérios pensamentos.
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Irmão Jacob - Livro Voltei - Chico Xavier - Cap. 13
Revendo círculos de trabalho
AULA DE PREPARAÇÃO ESPIRITUAL
Daí a minutos penetrávamos respeitável instituição, onde cooperaríamos na transformação de entidades perigosas pela avançada cultura desviada para o mal.
Conduzido por Guillon a extensa sala, com surpresa forte aí encontrei Leopoldo Cirne rodeado de dezenas de entidades menos evolutidas a lhe escutarem a palavra, atenciosas.
Era uma aula perfeita na qual o velho amigo preparava futuros companheiros para a contribuição espiritual de ordem elevada.
Notei-lhe a preocupação de sintetizar para ganhar tempo.
Dos tópicos registrados por mim, assinalei, por mais expressivo, o ensinamento da cooperação.
Ainda depois da morte — enunciava ele, — a fraternidade é o caminho da salvação.
Para que um criminoso retome o patrimônio da paz, urge regenerar-se e socorrer os irmãos ignorantes que tiveram também o infortúnio de resvalar nos despenhadeiros do crime; a fim de que o intemperante se reajuste, é imprescindível se cure, colocando-se no auxílio aos que ainda não puderam libertar-se dos maus hábitos; se o ingrato deseja iluminar o próprio caminho, convém-lhe a reparação dos erros em que se mergulhou impensadamente, amparando o próximo de coração enrijecido, despertando-o para os benefícios da gratidão.
Inadiável, portanto, é a reforma íntima com o trabalho de autoaperfeiçoamento, para que a dádiva da reencarnação produza frutos de paz e sabedoria.
Os Espíritos, revelando fundo interesse, ouviam-no com a mesma atenção com que na Terra se registram informes alusivos ao dinheiro fácil.
Sorridente, Guillon comentou a posição diversa em que nos achamos, atravessado o sepulcro. Enquanto no mundo vulgar, esmagadora maioria das criaturas menospreza a alma, atendendo às vantagens imediatas do corpo, sobrevindo a morte assinala-se a reviravolta — os indiferentes de ontem, na maioria, buscam o olvido das impressões que lhes ficam da experiência física, procurando as vantagens da alma.
Ninguém se eleva do chão planetário ostentando asas alheias e, daí, as organizações numerosas de assistência e socorro sobre a Terra mesmo.
Cirne é um dos pioneiros dessas escolas de preparação espiritual. Terminada a aula, veio ter conosco, prestativo e amável.
— Então — disse-lhe, satisfeito, — orientando nossos irmãos para o Céu?
Fitou em mim aqueles mesmos olhos cintilantes que lhe conhecíamos noutro tempo e respondeu:
— Não, Jacob, não é bem isto. Se na Esfera carnal trabalhamos na condução do próximo para que aprenda a bem morrer, cooperamos agora a fim de que saiba renascer com proveito.
NOS SERVIÇOS DE DOUTRINAÇÃO
Não tive tempo para refletir-lhe a resposta sábia. Schutel veio buscar-nos para o serviço de evangelização.
Os trabalhos de socorro aos desencarnados endurecidos estavam iniciados com a prece do orientador da reunião.
Naturalmente, poderiam ser instruídos em nossa Esfera de luta — afirmou Guillon, compreensivo, — entretanto, os benefícios decorrentes da colaboração atingiriam particularmente os amigos encarnados, não somente lhes aumentando o conhecimento e a experiência, mas também lhes suprimindo lastimáveis impulsos para o mal.
Que os infortunados ali diante de nós, eram perseguidores sombrios não padecia dúvida. Não viam os benfeitores que até ali acorriam para melhorar-lhes as condições, embora agissem constrangidos pelas forças magnéticas que deles emanavam; contudo, ouviam-lhes as instruções e advertências edificantes, através daqueles mesmos aprendizes das aulas do Cirne.
Reparei, então, com mágoa, a diferença que existia entre mim e os abençoados companheiros que me haviam trazido. Ao passo que nenhum deles era visível aos irmãos ignorantes e perturbados, não obstante as irradiações brilhantes que lhes marcavam a individualidade, notavam-me a presença, entre os ajudantes intermediários, pertencentes aos cursos preparatórios de espiritualidade superior.
Certa entidade reconheceu-me e gritou:
— Aquele ali não é o Jacob?
E mirando-me de alto a baixo, acentuou:
— Que é da luz dele?
Sentindo a opacidade de minha organização espiritual e envergonhado com o incidente, recolhi-me ao silêncio e à inação, receando intervir nos serviços da noite, no desdobramento dos quais não sobrava tempo para qualquer indagação ociosa de minha parte.
Finda que foi a tarefa, expus ao Guillon o meu caso; todavia, afagando-me os ombros, fraternalmente, exclamou sem humilhar-me:
— Não se atormente, meu caro. Medite, ore e, no momento oportuno, receberá os necessários esclarecimentos. Esteja certo de que a sua luz virá.
Semelhantes palavras de reconforto, porém, não conseguiram afastar a profunda tristeza que me tomou o coração.
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Nesta edição, baseada na obra "VOLTEI", psicografada por Francisco Cândido Xavier, o Espírito Irmão Jacob, fala do processo de seu desencarne e entrada no plano espiritual, após a jornada terrena, quando havia sido Frederico Figner, ativista espírita.
Irmão Jacob - Livro Voltei - Chico Xavier - Cap. 20
Retorno à tarefa
(Sumário)
O trabalho é das maiores bênçãos de Deus no campo das horas. Em suas dádivas de realização para o bem, o triste se reconforta, o ignorante aprende, o doente se refaz, o criminoso se regenera.
Agora que alguns raios de luz se faziam sentir dentro de mim, buscava penetrar a grandeza do ato de orar e meditar.
Pouco a pouco, perdi o interesse pelas indagações de toda sorte e, quando em palestra com os amigos do meu novo círculo, sabia guardar as conveniências da palavra oportuna.
Entendi que receber distinções é acrescentar a responsabilidade individual e, por isso, aprendi a louvar o Supremo Poder sem solicitações particulares em meu benefício.
Compreendi que praticar o bem, dando alguma coisa de nós mesmos, nas aquisições de alegria e felicidade para os outros, é o dom sublime por excelência e, em razão disso, preparava-me para ser mais espontâneo e desinteressado no concurso fraterno, mais eficiente e pronto na ação de servir.
Longas conversações sem vantagens fundamentais para a vida do Espírito perderam o sabor com que se me apresentavam a princípio, quando interpelava Marta e o Irmão Andrade a propósito de mil assuntos diferentes.
Suportava, sereno, as compridas palestras com entidades sofredoras, necessitadas de desabafo, valendo-me de tais ocasiões para a ministração de ensinamentos redentores aos quais se mostrassem inclinadas, mas sentia-me incapaz de tomar tempo aos companheiros de serviço com interrogações ociosas ou prematuras.
Asseverou-me Bezerra, certo dia, que o entendimento da alma é qual lente minúscula no seio da Infinita Obra Universal e que o problema primário da consciência interessada na aquisição de Amor e Sabedoria não é o de perscrutar, com infantilidade ou desespero, os patrimônios da Vida e, sim, o de enriquecer a lente da própria compreensão, aprimorando-a e dilatando-lhe o poder, a fim de que possa refranger e disseminar a Eterna Grandeza do Senhor, aproveitando-a para si e para os outros.
Aceitei, feliz, portanto, o imperativo de recolhimento espiritual e quanto mais buscava entender a pequenez de minh'alma e as minhas gigantescas necessidades de auto-renovação, mais reconforto e paz recolhia da prece que para meu pensamento constituía agora vigoroso manancial de recursos, de cujas forças irradiantes recebia dobradas possibilidades de atacar os novos serviços.
CONSELHO FRATERNO
Sentindo-me incapaz de reiniciar a tarefa, procurei Bezerra para aconselhar-me.
O grande orientador recebeu-me com a bondade habitual e explicou, gentil:
— Jacob, se os nossos irmãos ignorantes, depois da morte do corpo, na maioria das vezes prosseguem algemados às ações ruinosas a que se dedicaram, continuamos, por nossa vez, nos serviços de espiritualização a que nos devotamos.
Sentimo-nos abrasados na sede de conquistar gloriosos cumes, pretendemos adquirir mais luz, mais alegria e vida abundante, de modo a enriquecer a estrada que trilhamos; entretanto, o milagre de nossas antigas concepções terrestres não existe.
O Céu é suficientemente iluminado e jubiloso para cogitar de arrebatar-nos; a nós mesmos compete despir os véus de sombra e eliminar os espinhos do sofrimento que decorrem do nosso desacordo com a Lei e conquistá-lo, começando semelhante serviço em nossa própria alma.
O seu trabalho, pois, é de prosseguimento. Organize um entendimento com os amigos de sua boa luta e retorne aos processos de auxílio. Cada setor de atividade cristã, junto de irmãos obsidiados, doentes, desorientados, ignorantes, criminosos ou infelizes, encarnados ou desencarnados, representa um ângulo da construção de seu próprio paraíso.
O Espírito vale pelas expressões divinas que pode traduzir no próprio caminho, porque o Criador atende a criatura, através da criatura.
Regresse, contente, aos seus casos de socorro. Representam eles a sua melhor oportunidade de servir ao Senhor. Ajudando, libertando e iluminando os outros, você auxiliará, melhorará e engrandecerá a si mesmo.
Porque lhe endereçasse algumas palavras com referência ao recomeço, sugeriu me concentrasse atencioso para recordar todos os serviços dos últimos dez anos, de modo a estabelecer um programa criterioso e metódico.
Findo o nosso entendimento, isolei-me para a rememoração necessária. Com que imensa clareza lembrava os incidentes!
Tive a ideia de que maravilhoso disco de imagens era acionado dentro da minha imaginação, projetando, devagar, sobre a minha retentiva, todos os quadros vividos no último decênio.
Anotei quanto me era preciso para a volta ao ministério que encetara, ao abraçar os princípios evangélicos na Esfera carnal.
Logo após, com a colaboração do Irmão Andrade, providenciei um encontro com todos os cooperadores, junto dos quais meus humildes esforços doravante se desdobrariam.
ANTE OS SERVIÇOS NOVOS
A reunião com os amigos foi confortadora e interessante. Três quartas partes das entidades presentes ligavam-se a mim, através dos trabalhos de doutrinação que efetuara nos Círculos terrestres.
Remanescentes renovados de antigas agremiações de Espíritos obsessores, ainda incapazes de sintonia com os Planos mais elevados, buscavam em mim proteção e arrimo, receando a influência de malfeitores cruéis que os tiranizavam.
Guardava comigo a responsabilidade de lhes haver descortinado os horizontes da vida superior, mas eles continuavam necessitando o concurso de alguém que os ajudasse na movimentação dos recursos não muito complexos de que eram detentores, tanto quanto minha situação reclamava companheiros para as obrigações que me cabia desempenhar.
Permanecíamos todos na posição dos discípulos de boa vontade que, não obstante o devotamento às lições, não conseguem agir sozinhos.
A palavra dos colaboradores expunha-lhes as esperanças no futuro, compelindo-me a refletir nos graves deveres que assumia. Aguardavam a alegria de laborar no próprio aperfeiçoamento. Disputavam forças para a melhora de si mesmos. Traçavam planos de serviço, com entusiasmo confiante. Dirigiam-se a mim, qual se lhes fora um chefe seguro.
As noções de responsabilidade penetravam-me o âmago.
Não registrava as confidências dos amigos, com o otimismo fácil de outro tempo. Recebia-lhes as observações e pareceres, ponderando as dificuldades que sobreviriam. Achava-me realmente confortado, ante a possibilidade de absorver-me na ação edificante; todavia, pesadas reflexões dominavam-me por dentro.
Examinamos e discutimos variados casos de obsessões, perseguições e enfermidades, em cuja zona sombria deveríamos penetrar. Recordamos o imperativo de incentivar a cooperação de diversos companheiros, ameaçados pela treva do desânimo e da discórdia, a fim de não imobilizarem a mente e os braços entre os sofredores do mundo.
O amigo Andrade, presente à reunião, asseverou sensatamente que é tão difícil modificar as disposições de um Espírito perseguidor e vingativo, quanto reerguer um irmão entregue ao desalento.
Nesses minutos de sadia fraternidade, recebi notícias diretas de todos os processos de socorro, nos quais tivera a alegria de funcionar nos últimos anos e, resumindo longas demonstrações verbais, concluímos que era imprescindível atacar o trabalho, semeando o bem.
A morte não interrompe o bom combate da luz contra as sombras; intensifica-o, aliás, dilatando o conhecimento divino em derredor do servo operoso e fiel. Constituiríamos, pois, um conjunto de servidores do Evangelho da Redenção, interessados em estendê-lo, dentro do mais amplo dinamismo espiritual.
Estaríamos sediados, ali mesmo, no pequeno burgo onde Marta me aguardara, cheia de carinho e dedicação.
Com os recursos intercessores de Bezerra, todos os nossos problemas de localização e movimento de serviço foram solucionados satisfatoriamente.
ASSEMBLEIA DE FRATERNIDADE
Foi assim que designamos nova data para as bases definitivas da fase diferente de trabalho.
No dia marcado para essa assembleia de fraternidade, as árvores acolhedoras que nos cercavam a moradia mostravam-se também mais formosas e mais serenas, oferecendo flores abertas que pareciam proclamar-nos a esperança nos frutos do porvir. Pássaros alegres cantavam nos ramos, augurando-nos sublime alegria…
Desde as horas da manhã, grupos de amigos começaram a chegar. Os minutos deslizaram encantadores e, de mim não saberia expressar o júbilo que me dominava as fibras mais íntimas. À noitinha, Bezerra, Sayão, Guillon, Cirne, Inácio Bittencourt, Rosenburg, Frederico Júnior, Ulisses, Tosta, Casimiro Cunha, Batuíra, Romualdo de Seixas, Petitinga, Emmanuel, André Luiz e muitos outros trabalhadores do Cristianismo redivivo no Brasil, permaneciam conosco, encorajando-nos os corações.
Iniciados os trabalhos de comunhão fraternal, diversos orientadores presentes exortaram-nos ao ministério da ação evangélica; e Bezerra de Menezes, conduzindo a parte final, comentou a grandeza da vida que se desdobra, infinita, em todos os ângulos do Universo e a divindade do trabalho edificante que nomeou por escada iluminativa cujos degraus nos conduzem até à Fonte Augusta da Criação.
Explanou sabiamente, com referência aos serviços que nos competiriam de ora em diante e reportou-se aos tesouros da boa vontade, arrancando-nos lágrimas de esperança e contentamento. Por fim, num gesto que provocou alegria geral, convidou André Luiz a fazer a prece de encerramento, aludindo aos seus trabalhos informativos da nossa esfera de ação: O estimado médico da espiritualidade ergueu-se e orou comovidamente:
[Prece de André Luiz]
“Senhor Jesus,
Dá-nos o poder de operar a própria conversão,
Para que o teu Reino de Amor seja irradiado
Do centro de nós mesmos!…
Contigo em nós,
Converteremos
A treva em claridade,
A dor em alegria,
O ódio em amor,
A descrença em fé viva,
A dúvida em certeza,
A maldade em bondade,
A ignorância em compreensão e sabedoria,
A dureza em ternura,
A fraqueza em força,
O egoísmo em cântico fraterno,
O orgulho em humildade,
O torvo mal em infinito bem!
Sabemos, Senhor,
Que de nós mesmos
Somente possuímos a inferioridade
De que nos devemos desvencilhar…
Mas, unidos a Ti,
Somos galhos frutíferos
Na árvore dos séculos
Que as tempestades da experiência jamais deceparão!…
Assim, pois, Mestre Amoroso,
Digna-te amparar-nos
A fim de que nos elevemos
Ao encontro de tuas mãos sábias e compassivas,
Que nos erguerão da inutilidade
Para o serviço da Cooperação Divina,
Agora e para sempre. Assim seja!…”
RECOMEÇO
A oração terminou num deslumbramento de luminosidade e alegria a estender-se além de nós…
Que poderia dizer, em sinal de reconhecimento? De meu júbilo falavam as lágrimas copiosas a me borbulharem dos olhos.
Fizeram-se as despedidas e, em breve, enquanto os companheiros de minha nova luta repousavam no domicílio que nos abrigaria o pensamento orientador, vi-me sozinho, sob o arvoredo banhado de luar.
Nos céus brilhavam aquelas mesmas estrelas que, de quando em quando, me habituara a contemplar da Crosta da Terra e, meditando, de alma feliz, sobre o dia seguinte, em que retomaria o mesmo abençoado trabalho que encetara entre os homens, roguei, em silêncio, a bênção do Eterno, para que me não faltassem a luz e a paz, o equilíbrio e a coragem na tarefa bendita do recomeço.
VÍDEO: Bibliossíntese - projeto do Portal Luz Espírita "VOLTEI" (Irmão Jacob) Chico Xavier Fraternidade Luz Espírita
Bibliossíntese é um projeto do Portal Luz Espírita (www.luzespirita.org.br) cujo objetivo primordial é fazer uma rápida amostragem do conteúdo do específico livro, sem a pretensão de substituir a leitura da referida obra.
Nesta edição, baseada na obra "VOLTEI", psicografada por Francisco Cândido Xavier, o Espírito Irmão Jacob, fala do processo de seu desencarne e entrada no plano espiritual, após a jornada terrena, quando havia sido Frederico Figner, ativista espírita.