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segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Hammed - Livro Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 29 - Autopercepção



Hammed - Livro Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 29


Autopercepção


“O Espírito que se comunica por um médium transmite diretamente seu pensamento, ou esse pensamento tem por intermediário o Espírito encarnado no médium?

R.: É o Espírito do médium que o interpreta, porque está ligado ao corpo que serve para falar, e é preciso um laço entre vós e os Espíritos estranhos que se comunicam, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia ao longe, e no fim do fio uma pessoa inteligente a recebe e a transmite.” (O Livro dos Médiuns – 2ª parte – Capítulo XIX – Item 223)


Para cooperarmos convenientemente na mediunidade, a serviço do Bem Maior, devemos, acima de tudo, ser auxiliares do Plano Astral. 

Os médiuns não precisam tomar uma postura de absoluta imobilidade, esperando a manifestação das personalidades desencarnadas, como se fossem um boneco suspenso por fios presos nas mãos de um especialista na arte dramática. Eles, de fato, participam efetivamente, pois são intermediários, visto que recebem, processam, interpretam e transmitem pensamentos, ideias, sensações auditivas ou visuais.

Nas tarefas medianímicas, os sensitivos devem ter como base imprescindível a intuição e a inspiração, provindas do reino da alma. Porém, não podem desconsiderar as sensações do próprio veículo físico, para que haja um desenvolvimento integral e harmonioso da mediunidade.

Quando há equilíbrio entre o nosso “eu espiritual” e o nosso “eu corporal”, somos capazes de nos identificar com os Espíritos comunicantes e, a partir daí, começamos a criar uma maior percepção do fenômeno mediúnico. 

A Vida é energia organizadora, e o corpo denso é uma de suas inúmeras expressões. É tão importante termos uma clara consciência da fonte divina de onde provêm as nossas sensações transcendentais, como também sermos sensíveis às nossas sensações corporais, por mais simples e corriqueiras que possam parecer. Em nós tudo é sagrado, desde a ação mais comum de comer ou caminhar até o ato mais elevado de amor ao Criador.

A autopercepção é o somatório de todas as impressões internas e externas ao mesmo tempo. 

Através dessa “sensação generalizada”, a criatura entra em contato com si mesma, podendo traduzir com certeza se é sua ou não a emoção registrada e de onde ela se origina. Esse exercício constante nos leva a uma “conscientização extra-sensorial” e, consequentemente, a diferenciar ou desvendar as diversas energias que circulam em nossa volta. Quando não sabemos distinguir nossas impressões ou emoções, ficamos à mercê das mais diversas ondas magnéticas, como se estivéssemos oprimidos por um mundo desordenado.

A forma física é a condensação do corpo perispiritual. O sistema nervoso é a conexão do corpo astral à matéria e tem como função sensibilizá-la. Portanto, os “nervos” são elos sutis entre esses dois corpos.

Neste corpo perispiritual é que ocorrem as mais tênues sensações da alma humana. Sensibilidade é o nome que se dá à capacidade de perceber as conexões entre o mundo interior e o exterior.

A mente é a base no processo das comunicações espirituais, mas não podemos nos esquecer de que, além de registrar sentimentos, idéias e pensamentos da Espiritualidade, ela igualmente se manifesta através de uma linguagem corporal.

Querendo ou não, somos uma unidade enigmática. Corpo e alma são coesas e intimamente interligadas. Nada acontece em uma dessas partes sem que a outra não seja afetada.

Nos indivíduos plenamente desenvolvidos, não existe conflito entre corpo e alma, pois descobriram que seu instrumento físico é uma extensão de seu Espírito. Coração e razão decidem e agem lúcidos e unidos amorosamente.

A linguagem corporal é lida por meio das sensações que emergem de nossa intimidade e se expressam diretamente no corpo somático. Essas sensações nos transmitem informações importantes sobre nós mesmos, fazendo-nos usar expressões verbais peculiares. Vejamos alguns exemplos:

Quando a criatura se desenvolve e amadurece, dizemos que “ela caminha sobre as próprias pernas”; a intransigente chamamos de “cabeça dura”; a insensível de “coração de pedra”; a mesquinha de “mão fechada”; a fingida de “olhos apertados” e a inflexível de “perna de pau”. A frase “de todo o coração” quer dizer compromisso profundo e “ir ao fundo do coração” é o mesmo que atingir o âmago de uma questão. Também é comum usarmos as expressões “manteve a cabeça erguida”, quando uma pessoa se autorresponsabilizou por seus atos e atitudes, e “ficou em pedaços”, quando perdeu alguém que muito amava.

As emoções causam reações físicas, ou seja, movimentos ou impulsos internos que, por sua vez, produzem um efeito externo.

Nossas crenças inadequadas podem ter-nos levado a colocar uma forte divisória entre corpo e alma. Acreditávamos que o corpo nada tinha a ver com a alma. Na atualidade, sabemos que, para alcançarmos a plenitude das forças espirituais, é necessário ampla percepção de nossa unicidade – a natureza humana e transcendental.

À medida que a criatura se desenvolve e cresce rumo ao amadurecimento, vai dispondo de uma sensibilidade cada vez mais aguçada ao meio em que transita. Seleciona idéias, pensamentos, oscilações psíquicas, como o garimpeiro que separa do cascalho a gema preciosa ou o metal raro.

“É o Espírito do médium que o interpreta, porque está ligado ao corpo (...)”, assim esclarecem os Espíritos Superiores a Kardec ao se referirem ao mecanismo das comunicações espirituais.

O médium é um ser integral, ele não é somente a alma. O corpo faz parte do seu eu total, quer dizer, acima de tudo é uma individualidade, e não um ser dividido.

A nossa percepção pode vir acompanhada por um conjunto de impressões com qualidades diferentes, como: as sentimentais (amor, alegria, tristeza, angústia), as emocionais (raiva, libido, medo, surpresa), as cinestésicas (tato, olfato, gustação).

Para conseguirmos uma comunicação plena com a própria intimidade e com os outros, nas relações sociais, profissionais, afetivas ou mediúnicas, é necessário que o corpo e a alma estejam em perfeita sintonia. Quanto mais auto-observações fizermos, mais poderemos avaliar as energias das coisas e das pessoas dentro e fora de nós.

Muita gente guarda velhas crenças que valorizam mais o intelecto e desprezam, quase que totalmente, as sensações. Só através de uma observação lúcida é que poderemos recolher maiores registros do mundo invisível, a fim de colaborarmos com eficiência nas oficinas da Espiritualidade Maior.

O instrumento físico é a parte mais densa da alma; em realidade, é o indispensável assistente nos transes transcendentais. Ele pode ser comparado a “(...) um fio elétrico para transmitir uma notícia ao longe (...)”. A autopercepção é uma atividade dos nossos sentidos. 

Portanto, lembremo-nos: se não exercitarmos uma constante comunicação com nós mesmos, simplesmente não poderemos nos comunicar, de forma apropriada, com os outros indivíduos, encarnados ou desencarnados.


Hammed












terça-feira, 28 de setembro de 2021

Hammed - Livro Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 119 - Ponte para a sanidade




Hammed - Livro Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 119


Ponte para a sanidade


A faculdade mediúnica é indicio de um estudo patológico qualquer, ou simplesmente anormal? Algumas vezes anormal mas não patológico; há médiuns de uma saúde vigorosa; os que são doentes, o são por outras causas." (Livro dos Médiuns - Allan Kardec, 2ª parte – Cap. 18, item 221 - lº. ).


Na antiguidade a cura das doenças era assunto dos sacerdotes e, portanto, da religião. Os médicos de clero tratavam os doentes por meio de rituais e cantos mágicos em santuários enormes. A enfermidade era considerada como a cólera de Deus, e os religiosos atuavam como intermediários ou “pontes” entre a Divindade e os homens. Operavam como “pontífices”, ou seja, “construtores de pontes” (do latim “pontifex”, palavra para designar sacerdote). Há muito tempo a tradição católica presta homenagem ao Papa, conferindo-lhe o título de Sumo Pontífice.

No passado, as enfermidades eram vinculadas à culpa, isto é, aos pecados. O arrependimento dos erros estava intimamente ligado à cura do doente; a penitência reconciliava a criatura novamente com Deus.

Como os médiuns, na atualidade, são denominados “intermediários” ou “pontes” entre o mundo físico e o espiritual, e a mediunidade é vista, muitas vezes e de forma confusa, como “dádiva sagrada” ou “corretivo divino”, isso pode levar as criaturas a tirar conclusões equivocadas.

Todos nós somos herdeiros de inúmeras experiências do pretérito. Encontram-se impressos em nossos painéis do inconsciente profundo, ideias e conceitos incorretos, remanescentes do passado distante, depositados desde os tempos imemoriais em nosso arcabouço psicológico. É preciso renovarmos essas concepções inadequadas sobre a Espiritualidade, para melhor entendermos os mecanismos da Vida Providencial. Em muitas circunstâncias, interpretamos novos conhecimentos sem dissociar nossos velhos conceitos.

A capacidade mediúnica é considerada uma percepção inerente à estrutura psíquica das criaturas; por isso é que a encontramos nos mais diferentes níveis de consciência da humanidade. Ela não é moral, mas sim amoral. É simplesmente uma das funções psicofisiológicas do ser humano.

Em virtude disso, podemos enquadrá-la como um dos sentidos de que a alma se utiliza a fim de manifestar-se e desenvolver-se, gradativamente, para a plenitude da vida.

A faculdade medianímica não gera doenças. Ela não pode ser responsabilizada pelo estado patológico das criaturas; é, antes de tudo, uma excelente ferramenta para ajudá-las a despertar espiritualidade e a compreender a si mesmas, os outros seres e o Universo. 

Quando exercitada, porém, de modo impróprio pode trazer riscos às pessoas psicologicamente frágeis ou vulneráveis.

O fenômeno psíquico em si não produz a insanidade. No entanto, em toda e qualquer faculdade, quando exercida de forma exaustiva e prolongada, pode conduzir à fadiga ou à enfermidade.

Uma pessoa tem alto grau o dom de cantar e o utiliza, ou para glorificar as belezas da terra, ou para exaltar canções obscenas. Mas, neste caso não pode ser julgada imoral.

Os olhos, além de transmitir nossos sentimentos e intenções, também colhem as impressões puras e sadias, que nascem do coração, como também inveja e revolta, que exalam um brilho estranho de hipocrisia. Contudo, a visão não pode ser acusada de agente de falsidade ou desequilíbrio.

As mãos quando empregadas na canalização da energia nuclear, podem iluminar e aquecer os lares; assim como podem explodi-los se utilizadas indevidamente.

O sexo é um dos departamentos mais sublimes da natureza humana. Cria, através das emoções sexuais, as energias necessárias para a manutenção dos afetos e a materialização das formas. Há porém, quem o utilize para a satisfação das sensações mais grosseiras e torpes. Isso, contudo, não lhe tira o mérito sublime para o qual foi criado.

É sempre a criatura que, servindo-se de seus sentidos, dá à sua existência um destino construtivo ou destrutivo. Nós é quem decidimos que fim vamos dar aos nossos recursos e possibilidades. Todavia, não podemos nos esquecer de que somos livres para colher atos e atitudes, mas prisioneiros de suas consequências.

Precisamos aprender a usar a mediunidade, assim como usamos normalmente as nossas capacidades humanas – a percepção, a atenção, o bom senso, a memória, o critério lógico, a linguagem, enfim todas as atividades do nosso reino interior.

Por sua vez, não é recomendável utilizar as faculdades psíquicas para explorar “outros mundos”, até que tenhamos o pleno controle do mundo em que estamos vivendo aqui e agora. Desenvolver nosso “sexto sentido”  não é um meio de resolver problemas comportamentais cuja solução está em nosso alcance; de buscar auxílios imediatistas, de tirar proveitos pessoais, de conseguir respostas paliativas para problemas reais. Quando começamos a vivenciar experiências extra-sensoriais, é a hora urgente de intensificarmos a análise distintiva da realidade e da ilusão. Em muitas ocasiões, habilidade  transcendentais quando mal elaboradas podem nos levar ser “servos apaixonados”, mas “discípulos distraídos”.

A compreensão da faculdade mediúnica torna-se confusa e difícil para nós a medida em que também vemos os traços característicos de certas doenças mentais. Pois os sinais precursores da mediunidade podem eclodir e ser confundidos com os sintomas das deficiências fisiopsíquicas. Em razão disso, nem sempre se pode compreender com facilidade, ou ver com clareza, a distinção entre as manifestações mediúnicas, em seu início, e os estados doentios.

Mediunidade é um produto do processo de desenvolvimento da natureza humana. Médiuns não são “agraciados” nem “enfermos”. São uma verdadeira “ponte para a sanidade”. Podem, sim, tornar-se verdadeiros pontífices (“construtores de pontes”) em busca da saúde integral – estado de consciência em harmonia plena com as leis naturais do Universo. Religando a si mesmos com a Fonte Divina, eles são capazes de preparar caminhos para que se estabeleça a cura real para a humanidade.

Diante dessas nossas considerações, finalizamos com a resposta dos Espíritos Superiores quando afirmam a Allan Kardec que o fenômeno mediúnico pode ser considerado “algumas vezes normal, mas não patológico; há médiuns de uma saúde vigorosa; os que são doentes, o são por outras causas.”


terça-feira, 24 de agosto de 2021

Hammed - Livro Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 63 - Instrumento da vida




Hammed - Livro Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 63


Instrumento da vida


O desenvolvimento da mediunidade está em razão do desenvolvimento moral do médium?

"Não; a faculdade, propriamente dita, relaciona-se com o organismo; é independente da moral; não ocorre o mesmo com seu uso, que pode ser mais ou menos bom, segundo as qualidades do médium". (O Livro dos Médiuns - 2a Parte - Cap. XX, Item 226-1°) 


Estamos seguindo na jornada evolutiva um marco instintivo que nos conduz de volta ao "lar" que existe dentro de nós. Podemos perceber que em nossa intimidade há uma seta espiritual que nos indica a direção da volta para a nossa "casa" interior.

O termo ecologia provém das palavras gregas óikos (casa) e lógos (ciência), podendo ser interpretado como "ciência da casa". A Natureza é criação divina, e nós, filhos de Deus, somos também Natureza.

A Terra (nossa casa) é um imenso complexo ecológico. Seus diversos ecossistemas (associações físicas e biológicas entre os elementos naturais - uma espécie de "vida coletiva" - que se autoorganizam e autorreproduzem) não existem isolados uns dos outros, mas se agrupam em unidades cada vez maiores e mais complexas, formando por fim uma unidade global de vida no planeta.

Assim considerando, a Terra pode ser equiparada a uma teia interligada, um intricado sistema integrado, onde todo ser humano tem um papel criativo e revelador a desempenhar em sua jornada existencial - perceber sua relação íntima com a Natureza.

O homem, nesta aurora do terceiro milênio, necessita compreender que nascer, sobreviver, desenvolver, crescer, criar, viver e morrer são partes de uma única movimentação inseparável e coesa. E que ele é somente uma porção dessa grande sinfonia da evolução da vida.

Há dentro de nós uma ânsia inquestionável de sair dos domínios da escuridão e da ignorância de nós mesmos e de entrar no mundo da claridade e da sabedoria. Portanto, a evolução da alma pode ser comparada a uma caminhada das trevas para a luz. O grão de nossa consciência foi plantado nas profundezas escuras do solo da inconsciência, que constitui a semeadura da aprendizagem e das experiências. Por fim, quando ele desabrocha na superfície terrestre e deslumbra o clarão do dia pela primeira vez, se esquece, quase que de imediato, de onde veio. Talvez aí esteja uma analogia perfeita da razão da perda de nosso senso de identidade.

Não podemos dissociar ou separar o Criador da Natureza e o Espírito do corpo. Ao percebermos a íntima ligação da Divindade dentro de nós, também a veremos igualmente no exterior, quer dizer, nos processos cósmicos que deram origem à vida e dos quais nossas vidas dependem - física e espiritualmente.

Os Espíritos Superiores sabem que em todas as coisas vivas e não vivas há uma qualidade divina, que deve ser respeitada. Em razão disso, Leon Denis sintetizou de forma notável: "O psiquismo dorme na pedra, sonha na planta, agita-se no animal e desperta no homem".

Os povos primitivos tinham como crença o "animismo", considerado um dos primeiros sistemas religiosos de nossa civilização. Acreditavam que os rios, montes, florestas, lagos e mares, bem como os animais e o próprio homem, todos eram animados por uma mesma essência divina. Viviam plenamente no mundo natural, numa época de inocência e também de liberdade. Certamente, quando recuperarmos esse nosso senso de identidade com a Natureza, que esses homens primitivos tinham por instinto nato e leve noção, poderemos voltar a viver numa fase paradisíaca, sentindo a imensa harmonia que governa tudo o que existe no Universo.

A faculdade extra-sensorial é um "instrumento da vida", uma condição natural do desenvolvimento dos seres humanos. Independentemente de as criaturas aceitarem ou não, ela faz parte da naturalidade da existência. É uma faculdade comum a todos, ou seja, integra o processo ontogenético do organismo humano; está presente no desenvolvimento inato das criaturas. Assim afirmam os Espíritos Superiores a Kardec: "(...) a faculdade, propriamente dita, relaciona-se com o organismo; é independente da moral (...)".

Além do mais, "Os bons Espíritos não aconselham jamais senão coisas perfeitamente racionais; toda recomendação que se afaste da reta linha do bom senso ou das leis imutáveis da Natureza, acusa um Espírito limitado e, por conseqüência, pouco digno de confiança". (1)

A interação da mediunidade com a Natureza sempre foi reverenciada por inúmeras culturas do passado, e a ligação entre os mundos visível e invisível, cultivada em todos os tempos da humanidade.

Os sensitivos percebem em todos os lugares o toque da inspiração divina. A abertura da sensibilidade proporciona "olhos sutis", que vêem e exaltam os espetáculos ocultos do Universo.

Exemplo disso é a história de Michelangelo e, mais especificamente, uma de suas mais primorosas obras - a estátua de Davi. Conta-se que, em certa ocasião, utilizando-se de sensibilidade espiritual, ele se dirigiu a um bloco de mármore de Carrara para apará-lo. Divinamente inspirado, começou a dar forma à famosa escultura (hoje exposta em Florença), munido de cinzel e martelo. O iluminado artista italiano afirmava, simbolicamente, que apenas removia o excesso de pedra daquele sólido bloco, dele libertando Davi, aprisionado. Revelar a beleza escondida na matéria, captar as dimensões invisíveis do Universo, faz parte do nosso "sexto sentido".

Michelangelo sabia restituir nossas relações rompidas com o mundo da Natureza.

Os médiuns espiritualizados, a nosso ver, são aqueles que investigam a vida através de suas próprias experiências, integradas a um todo de possibilidades cognitivas. Possuem uma predisposição incomum ao serviço da racionalidade e do sentimento, a ponto de se autoprotegerem da superstição e do misticismo fanático. Podem ser encontrados entre os artistas, filósofos, cientistas, escritores, sacerdotes. Eles sempre lançam mão de um estilo de vida reflexivo, desenvolvendo uma associação íntima entre intelecto e fé, entre Natureza e si mesmos. 


Hammed






(1) O Livro dos Médiuns - cap. XXIV, item 267-18º. 



quinta-feira, 18 de março de 2021

Hammed - Livro Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 95 - Vocação, não obrigação




Hammed - Livro Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 95


Vocação, não obrigação


“(...) ao lado da aptidão do Espírito, há a do médium que é para ele um instrumento mais ou menos cômodo, mais ou menos flexível, e no qual descobre qualidades particulares que não podemos apreciar (...)”
“(...) um músico muito hábil tem sob aos mãos vários violinos que, para o vulgo, seriam todos bons instrumentos, mas entre os quais o artista consumado faz grande diferença; neles percebe nuanças de uma delicadeza extrema, que o farão escolher a uns e rejeitar a outros.(...)” Livro dos Médiuns - Allan Kardec, Cap 16, item 185.


A mediunidade é fenômeno inerente ao processo evolutivo; faz parte da condição natural de todos os seres humanos. Não se pode impedi-la, pois seu desenvolvimento vai continuar independentemente de nossos medos, ilusões e incredulidade. Considerada uma aptidão ontogenética do organismo humano, prossegue de forma dinâmica e automática através das vidas sucessivas.

A mediunidade esta intimamente ligada à vocação, aptidão, realização, criatividade, espontaneidade, e desvinculada por completo de qualquer obrigação ou pressão autoimposta.

O termo “desenvolvimento” tem relação etimológica com alguma coisa existente num invólucro e que precisa ser desenrolada ou aberta. Em vista disso, concluímos que a faculdade psíquica está em germe e se manifestará, no tempo oportuno de dentro para fora. Com esta visão mais lúcida do assunto, percebemos a estreita ligação dela com uma “potencialidade/vocação” humana, e não com encargos ou incumbências externas.

A vocação é para o homem o que o perfume é para a flor. O que mata o talento, na maioria das vezes, são as regras autoritárias de conduta, pois todos somos convocados a viver com naturalidade.

Apesar da tendência intima dos indivíduos de viver em grupo, isto é, em sociedade, há neles uma natureza individual e uma necessidade peculiar de seguir seu próprio caminho. Vocação é ouvir a voz da própria alma.

A criatura que percebeu sua tendência descobriu, na verdade, seus talentos – propriedades inatas nos seres humanos e que fazem parte de sua natureza divina. Na Idade Média, a Igreja considerava incompreensível e misterioso o livro da Natureza¹, substituindo-o pelas bulas pontificiais, ou seja, o “livro das infalibilidades”. Neste último, compuseram suas ideias e pensamentos com causas e fins predeterminados, acreditando reinar num mundo situado no centro dos cosmos e lançando suas raízes de poder durante muitos séculos.

Esse pensamento religioso criou uma espécie de “intermediários divinos” entre os Céus e a Terra, isto é, entre a sociedade e as forças supostamente sobrenaturais. Eram forças naturais, mas, por serem inexplicáveis, eram denominadas sobrenaturais e/ou antinaturais, milagrosas.

Esses “intermediários” autodenominavam-se “senhores privilegiados”, convencendo as pessoas de que elas precisavam de guias ou sacerdotes pra ser conduzidas seguramente pelos verdadeiros caminhos da vida plena.

Na atualidade, os Espíritos Superiores afirmam que as leis divinas ou naturais estão escritas no livro da Natureza, que elas se encontram na consciência de todas as criaturas e que podemos conhecê-las perfeitamente, procurando-as em nossa própria intimidade.²

O Espiritismo nos ensina que somos guias e sacerdotes de nós mesmos e que nosso templo consagrado é nosso mundo intimo, libertando-nos, assim, de toda subjugação, separação ou desigualdade que possa ter sido criada no passado.

A Natureza é um livro sagrado. Quem a usar de forma profana certamente dela se apartará. Afastar-se da Natureza é afastar-se de si próprio. Se abusarmos dela, destruiremos a fonte de manutenção de nossa própria existência, porque também somos Natureza.

Não devemos forçar a eclosão das faculdades extra-sensoriais. Mas podemos oferecer condições apropriadas para que venham a aflorar de forma espontânea e equilibrada.

Obrigação pode ser conceituado como tudo aquilo que nos é imposto ou forçado. Obrigar-se a algo ou a alguém implica ser governado pela expressão ilusória “deveria”.

“Devo desenvolver a mediunidade” equivale a dizer “não quero, mas sou obrigado a desenvolver”. Não somos obrigados a nada!

Mesmo quando realizamos algo significativo, se somente pensarmos nele como compromisso ou trabalho, sem o necessário gosto e motivação, alguma coisa está errada conosco. Por mais que concretizemos feitos edificantes envolvidos por motivos sinceros, se sua realização não for feita com prazer/vocação, sentiremos mais esforço e imposição do que felicidade e conforto. Ninguém deve viver e trabalhar sem contentamento.

Deus não dá encargos e incumbências às criaturas, mas coloca nelas vocações ou predisposições inatas. Os dons espirituais são capacidades da alma. Vocação é um talento a exercido de uma forma exclusivamente nossa. A maneira como identificamos ou entendemos as nossas forças psíquicas determinará a produção mediúnica que teremos.

Os Espíritos Superiores definem os fenômenos extra-sensoriais como resultado de uma faculdade comum do Espírito, quando dizem: “(...) ao lado da aptidão do Espírito, há a do médium que é para ele um instrumento mais ou menos cômodo, mais ou menos flexível, e no qual descobre qualidades particulares que não podemos apreciar”.

Mediunidade é uma potencialidade humana que pode ser comparada a um “instrumento de cordas” oculto dentro de nós. As melodias que dele provem, em muitas ocasiões, passam despercebidas de nosso entendimento consciente. “Um músico muito hábil tem sob as mãos vários violinos que, para o vulgo, seriam todos bons instrumentos, mas entre os quais o artista consumado faz uma grande diferença; neles percebe nuanças de uma delicadeza extrema, que o farão escolher a uns e rejeitar a outros (...)”.

A mediunidade se transforma em crescimento  amadurecimento espiritual quando for exercida com prazer e compreendida em termos de espontaneidade e predisposição natural.
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Hammed




(1) O Livro dos Espíritos - Questão 626 

Só por Jesus foram reveladas as leis divinas e naturais? Antes do seu aparecimento, o conhecimento dessas leis só por intuição os homens o tiveram?

"Já não dissemos que elas estão escritas por toda parte? Desde os séculos mais longínquos, todos os que meditaram sobre a sabedoria hão podido compreendê-las e ensiná-las. Pelos ensinos, mesmo incompletos, que espalharam, prepararam o terreno para receber a semente. Estando as leis divinas escritas no livro da Natureza, possível foi ao homem conhecê-las, logo que as quis procurar. Por isso é que os preceitos que consagram foram, desde todos os tempos, proclamados pelos homens de bem; e também por isso é que elementos delas se encontram, se bem que incompletos ou adulterados pela ignorância, na doutrina moral de todos os povos saídos da barbárie."

(2) O Livro dos Espíritos - Questões 621 e 626 (acima)

621. Onde está escrita a lei de Deus?

"Na consciência."

621-a. Visto que o homem traz em sua consciência a lei de Deus, que necessidade havia de lhe ser ela revelada?

"Ele a esquecera e desprezara. Quis então Deus lhe fosse lembrada."




sábado, 1 de agosto de 2020

Hammed - Livro Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 29 - Autopercepção



Hammed - Livro Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 29


Autopercepção


“O Espírito que se comunica por um médium transmite diretamente seu pensamento, ou esse pensamento tem por intermediário o Espírito encarnado no médium?

R.: É o Espírito do médium que o interpreta, porque está ligado ao corpo que serve para falar, e é preciso um laço entre vós e os Espíritos estranhos que se comunicam, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia ao longe, e no fim do fio uma pessoa inteligente a recebe e a transmite.” (O Livro dos Médiuns – 2ª parte – Capítulo XIX – Item 223)


Para cooperarmos convenientemente na mediunidade, a serviço do Bem Maior, devemos, acima de tudo, ser auxiliares do Plano Astral. 

Os médiuns não precisam tomar uma postura de absoluta imobilidade, esperando a manifestação das personalidades desencarnadas, como se fossem um boneco suspenso por fios presos nas mãos de um especialista na arte dramática. Eles, de fato, participam efetivamente, pois são intermediários, visto que recebem, processam, interpretam e transmitem pensamentos, ideias, sensações auditivas ou visuais.

Nas tarefas medianímicas, os sensitivos devem ter como base imprescindível a intuição e a inspiração, provindas do reino da alma. Porém, não podem desconsiderar as sensações do próprio veículo físico, para que haja um desenvolvimento integral e harmonioso da mediunidade.

Quando há equilíbrio entre o nosso “eu espiritual” e o nosso “eu corporal”, somos capazes de nos identificar com os Espíritos comunicantes e, a partir daí, começamos a criar uma maior percepção do fenômeno mediúnico. 

A Vida é energia organizadora, e o corpo denso é uma de suas inúmeras expressões. É tão importante termos uma clara consciência da fonte divina de onde provêm as nossas sensações transcendentais, como também sermos sensíveis às nossas sensações corporais, por mais simples e corriqueiras que possam parecer. Em nós tudo é sagrado, desde a ação mais comum de comer ou caminhar até o ato mais elevado de amor ao Criador.

A autopercepção é o somatório de todas as impressões internas e externas ao mesmo tempo. 

Através dessa “sensação generalizada”, a criatura entra em contato com si mesma, podendo traduzir com certeza se é sua ou não a emoção registrada e de onde ela se origina. Esse exercício constante nos leva a uma “conscientização extra-sensorial” e, consequentemente, a diferenciar ou desvendar as diversas energias que circulam em nossa volta. Quando não sabemos distinguir nossas impressões ou emoções, ficamos à mercê das mais diversas ondas magnéticas, como se estivéssemos oprimidos por um mundo desordenado.

A forma física é a condensação do corpo perispiritual. O sistema nervoso é a conexão do corpo astral à matéria e tem como função sensibilizá-la. Portanto, os “nervos” são elos sutis entre esses dois corpos.

Neste corpo perispiritual é que ocorrem as mais tênues sensações da alma humana. Sensibilidade é o nome que se dá à capacidade de perceber as conexões entre o mundo interior e o exterior.

A mente é a base no processo das comunicações espirituais, mas não podemos nos esquecer de que, além de registrar sentimentos, idéias e pensamentos da Espiritualidade, ela igualmente se manifesta através de uma linguagem corporal.

Querendo ou não, somos uma unidade enigmática. Corpo e alma são coesas e intimamente interligadas. Nada acontece em uma dessas partes sem que a outra não seja afetada.

Nos indivíduos plenamente desenvolvidos, não existe conflito entre corpo e alma, pois descobriram que seu instrumento físico é uma extensão de seu Espírito. Coração e razão decidem e agem lúcidos e unidos amorosamente.

A linguagem corporal é lida por meio das sensações que emergem de nossa intimidade e se expressam diretamente no corpo somático. Essas sensações nos transmitem informações importantes sobre nós mesmos, fazendo-nos usar expressões verbais peculiares. Vejamos alguns exemplos:

Quando a criatura se desenvolve e amadurece, dizemos que “ela caminha sobre as próprias pernas”; a intransigente chamamos de “cabeça dura”; a insensível de “coração de pedra”; a mesquinha de “mão fechada”; a fingida de “olhos apertados” e a inflexível de “perna de pau”. A frase “de todo o coração” quer dizer compromisso profundo e “ir ao fundo do coração” é o mesmo que atingir o âmago de uma questão. Também é comum usarmos as expressões “manteve a cabeça erguida”, quando uma pessoa se autorresponsabilizou por seus atos e atitudes, e “ficou em pedaços”, quando perdeu alguém que muito amava.

As emoções causam reações físicas, ou seja, movimentos ou impulsos internos que, por sua vez, produzem um efeito externo.

Nossas crenças inadequadas podem ter-nos levado a colocar uma forte divisória entre corpo e alma. Acreditávamos que o corpo nada tinha a ver com a alma. Na atualidade, sabemos que, para alcançarmos a plenitude das forças espirituais, é necessário ampla percepção de nossa unicidade – a natureza humana e transcendental.

À medida que a criatura se desenvolve e cresce rumo ao amadurecimento, vai dispondo de uma sensibilidade cada vez mais aguçada ao meio em que transita. Seleciona idéias, pensamentos, oscilações psíquicas, como o garimpeiro que separa do cascalho a gema preciosa ou o metal raro.

“É o Espírito do médium que o interpreta, porque está ligado ao corpo (...)”, assim esclarecem os Espíritos Superiores a Kardec ao se referirem ao mecanismo das comunicações espirituais.

O médium é um ser integral, ele não é somente a alma. O corpo faz parte do seu eu total, quer dizer, acima de tudo é uma individualidade, e não um ser dividido.

A nossa percepção pode vir acompanhada por um conjunto de impressões com qualidades diferentes, como: as sentimentais (amor, alegria, tristeza, angústia), as emocionais (raiva, libido, medo, surpresa), as cinestésicas (tato, olfato, gustação).

Para conseguirmos uma comunicação plena com a própria intimidade e com os outros, nas relações sociais, profissionais, afetivas ou mediúnicas, é necessário que o corpo e a alma estejam em perfeita sintonia. Quanto mais auto-observações fizermos, mais poderemos avaliar as energias das coisas e das pessoas dentro e fora de nós.

Muita gente guarda velhas crenças que valorizam mais o intelecto e desprezam, quase que totalmente, as sensações. Só através de uma observação lúcida é que poderemos recolher maiores registros do mundo invisível, a fim de colaborarmos com eficiência nas oficinas da Espiritualidade Maior.

O instrumento físico é a parte mais densa da alma; em realidade, é o indispensável assistente nos transes transcendentais. Ele pode ser comparado a “(...) um fio elétrico para transmitir uma notícia ao longe (...)”. A autopercepção é uma atividade dos nossos sentidos. 

Portanto, lembremo-nos: se não exercitarmos uma constante comunicação com nós mesmos, simplesmente não poderemos nos comunicar, de forma apropriada, com os outros indivíduos, encarnados ou desencarnados.


Hammed









segunda-feira, 18 de maio de 2020

Hammed - Livro Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 29 - Autopercepção





Hammed - Livro Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto - Pág. 29


Autopercepção


“O Espírito que se comunica por um médium transmite diretamente seu pensamento, ou esse pensamento tem por intermediário o Espírito encarnado no médium?

R.: É o Espírito do médium que o interpreta, porque está ligado ao corpo que serve para falar, e é preciso um laço entre vós e os Espíritos estranhos que se comunicam, como é necessário um fio elétrico para transmitir uma notícia ao longe, e no fim do fio uma pessoa inteligente a recebe e a transmite.” (O Livro dos Médiuns – 2ª parte – Capítulo XIX – Item 223)


Para cooperarmos convenientemente na mediunidade, a serviço do Bem Maior, devemos, acima de tudo, ser auxiliares do Plano Astral. 

Os médiuns não precisam tomar uma postura de absoluta imobilidade, esperando a manifestação das personalidades desencarnadas, como se fossem um boneco suspenso por fios presos nas mãos de um especialista na arte dramática. Eles, de fato, participam efetivamente, pois são intermediários, visto que recebem, processam, interpretam e transmitem pensamentos, ideias, sensações auditivas ou visuais.

Nas tarefas medianímicas, os sensitivos devem ter como base imprescindível a intuição e a inspiração, provindas do reino da alma. Porém, não podem desconsiderar as sensações do próprio veículo físico, para que haja um desenvolvimento integral e harmonioso da mediunidade.

Quando há equilíbrio entre o nosso “eu espiritual” e o nosso “eu corporal”, somos capazes de nos identificar com os Espíritos comunicantes e, a partir daí, começamos a criar uma maior percepção do fenômeno mediúnico. 

A Vida é energia organizadora, e o corpo denso é uma de suas inúmeras expressões. É tão importante termos uma clara consciência da fonte divina de onde provêm as nossas sensações transcendentais, como também sermos sensíveis às nossas sensações corporais, por mais simples e corriqueiras que possam parecer. Em nós tudo é sagrado, desde a ação mais comum de comer ou caminhar até o ato mais elevado de amor ao Criador.

A autopercepção é o somatório de todas as impressões internas e externas ao mesmo tempo. 

Através dessa “sensação generalizada”, a criatura entra em contato com si mesma, podendo traduzir com certeza se é sua ou não a emoção registrada e de onde ela se origina. Esse exercício constante nos leva a uma “conscientização extra-sensorial” e, consequentemente, a diferenciar ou desvendar as diversas energias que circulam em nossa volta. Quando não sabemos distinguir nossas impressões ou emoções, ficamos à mercê das mais diversas ondas magnéticas, como se estivéssemos oprimidos por um mundo desordenado.

A forma física é a condensação do corpo perispiritual. O sistema nervoso é a conexão do corpo astral à matéria e tem como função sensibilizá-la. Portanto, os “nervos” são elos sutis entre esses dois corpos.

Neste corpo perispiritual é que ocorrem as mais tênues sensações da alma humana. Sensibilidade é o nome que se dá à capacidade de perceber as conexões entre o mundo interior e o exterior.

A mente é a base no processo das comunicações espirituais, mas não podemos nos esquecer de que, além de registrar sentimentos, idéias e pensamentos da Espiritualidade, ela igualmente se manifesta através de uma linguagem corporal.

Querendo ou não, somos uma unidade enigmática. Corpo e alma são coesas e intimamente interligadas. Nada acontece em uma dessas partes sem que a outra não seja afetada.

Nos indivíduos plenamente desenvolvidos, não existe conflito entre corpo e alma, pois descobriram que seu instrumento físico é uma extensão de seu Espírito. Coração e razão decidem e agem lúcidos e unidos amorosamente.

A linguagem corporal é lida por meio das sensações que emergem de nossa intimidade e se expressam diretamente no corpo somático. Essas sensações nos transmitem informações importantes sobre nós mesmos, fazendo-nos usar expressões verbais peculiares. Vejamos alguns exemplos:

Quando a criatura se desenvolve e amadurece, dizemos que “ela caminha sobre as próprias pernas”; a intransigente chamamos de “cabeça dura”; a insensível de “coração de pedra”; a mesquinha de “mão fechada”; a fingida de “olhos apertados” e a inflexível de “perna de pau”. A frase “de todo o coração” quer dizer compromisso profundo e “ir ao fundo do coração” é o mesmo que atingir o âmago de uma questão. Também é comum usarmos as expressões “manteve a cabeça erguida”, quando uma pessoa se auto-responsabilizou por seus atos e atitudes, e “ficou em pedaços”, quando perdeu alguém que muito amava.

As emoções causam reações físicas, ou seja, movimentos ou impulsos internos que, por sua vez, produzem um efeito externo.

Nossas crenças inadequadas podem ter-nos levado a colocar uma forte divisória entre corpo e alma. Acreditávamos que o corpo nada tinha a ver com a alma. Na atualidade, sabemos que, para alcançarmos a plenitude das forças espirituais, é necessário ampla percepção de nossa unicidade – a natureza humana e transcendental.

À medida que a criatura se desenvolve e cresce rumo ao amadurecimento, vai dispondo de uma sensibilidade cada vez mais aguçada ao meio em que transita. Seleciona idéias, pensamentos, oscilações psíquicas, como o garimpeiro que separa do cascalho a gema preciosa ou o metal raro.

“É o Espírito do médium que o interpreta, porque está ligado ao corpo (...)”, assim esclarecem os Espíritos Superiores a Kardec ao se referirem ao mecanismo das comunicações espirituais.

O médium é um ser integral, ele não é somente a alma. O corpo faz parte do seu eu total, quer dizer, acima de tudo é uma individualidade, e não um ser dividido.

A nossa percepção pode vir acompanhada por um conjunto de impressões com qualidades diferentes, como: as sentimentais (amor, alegria, tristeza, angústia), as emocionais (raiva, libido, medo, surpresa), as cinestésicas (tato, olfato, gustação).

Para conseguirmos uma comunicação plena com a própria intimidade e com os outros, nas relações sociais, profissionais, afetivas ou mediúnicas, é necessário que o corpo e a alma estejam em perfeita sintonia. Quanto mais auto-observações fizermos, mais poderemos avaliar as energias das coisas e das pessoas dentro e fora de nós.

Muita gente guarda velhas crenças que valorizam mais o intelecto e desprezam, quase que totalmente, as sensações. Só através de uma observação lúcida é que poderemos recolher maiores registros do mundo invisível, a fim de colaborarmos com eficiência nas oficinas da Espiritualidade Maior.

O instrumento físico é a parte mais densa da alma; em realidade, é o indispensável assistente nos transes transcendentais. Ele pode ser comparado a “(...) um fio elétrico para transmitir uma notícia ao longe (...)”. A autopercepção é uma atividade dos nossos sentidos. 

Portanto, lembremo-nos: se não exercitarmos uma constante comunicação com nós mesmos, simplesmente não poderemos nos comunicar, de forma apropriada, com os outros indivíduos, encarnados ou desencarnados.


Hammed