quarta-feira, 29 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 1 - Luz para todos



Emmanuel - Livro Na Era do Espírito - Espíritos Diversos - Chico Xavier / J. Herculano Pires - Cap. 1


Luz para todos


Estariam os princípios espíritas endereçados à segregação para uso exclusivo daqueles irmãos que carregam provas visíveis no Plano material?

Encontramos, com frequência, na Terra, quem suponha deva ser a Nova Revelação limitada ao trabalho em favor dos que sofrem a penúria do corpo, sob pena de perder a própria simplicidade.

Entretanto, a fulguração solar será menos luz quando clareia o recôncavo de um vale e o topo de um arranha-céu ao mesmo tempo? E, acaso, a fonte se diminuirá em grandeza por deixar-se canalizar em serviço à cidade grande, após haver saciado a sede aos lares do campo?

Decerto, a mensagem da Vida Maior tem significação mais imediata em auxílio a quantos se vejam no mundo em dificuldades abertas, seja no chão das exigências primárias da natureza ou na sombra das grandes tribulações em que a inconformidade os compele a se tornarem francamente infelizes. Imperioso, porém, pensar naqueles outros companheiros da humanidade que a vida situou em outros setores.

Não é a face externa da criatura que lhe determina o grau da necessidade espiritual.

Dói-nos ver as mãos que se nos estendem nas ruas, à cata de pão; no entanto, será justo, igualmente, compreender os obstáculos daqueles que se esfalfam em serviço para que haja pão, tanto quanto possível, à mesa de todos.

Aflige-nos registrar os empeços do amigo em profissão singela, cujo salário não lhe satisfaz a todos os requisitos da vida simples, mas não nos será lícito esquecer os óbices daqueles que se atormentam na orientação da oficina para que o trabalho não se perturbe ou escasseie.

Magoa-nos surpreender irmãos diversos, acomodados nos palheiros humildes que lhes servem de residência; contudo, não podemos desconhecer os impedimentos daqueles outros que encanecem nas administrações, construindo caminhos ao progresso e traçando horizontes ao reconforto geral.

Sensibiliza-nos o martírio das mães que vagueiam nas vias públicas à busca de socorro para filhinhos padecentes; entretanto, seria injusto desconsiderar o sofrimento daquelas outras que se aniquilam, pouco a pouco, dentro de casa, em posição de incessante sacrifício, para sustentarem os descendentes, de modo a que a dignidade humana possa honrosamente sobreviver.

Reflitamos no conjunto dos problemas humanos e a ninguém deserdemos da verdade e do amor, de vez que em qualquer situação pertencemos todos a Deus e, segundo as nossas necessidades, é natural que Deus nos atenda a cada um.


Emmanuel




Chico Xavier nos escreve contando como recebeu a mensagem “Luz para todos”:

Estranho ponto de vista

“Alguns amigos vindos de cidade distante, em consultas e comentários, antes dos encargos em pauta na sessão pública, haviam mostrado estranho ponto de vista. Disseram-me que são contra a apresentação da Doutrina Espírita em programas de televisão e julgam que os doutrinadores e médiuns devem permanecer segregados nos templos espíritas para exemplificarem humildade cristã. Acreditam que os espíritas precisam fugir de contatos com a vida, comum, se quiserem ser modestos e eficientes.

“Ouvi sem concordar com eles, porque os Benfeitores da Vida Maior ensinaram-me que o Espiritismo é uma bênção de Deus para todas as criaturas sem exceção e que não nos cabe desprezar a ninguém. Abstive-me de qualquer discussão. Mas, iniciadas as tarefas, o ponto de estudo em O Evangelho Segundo o Espiritismo, aberto para as lições da noite, foi a página intitulada “O homem no mundo”, item 10 do capítulo XVII. E o nosso Emmanuel produziu a página que lhe coloco nas mãos com a esperança de que lhe ofereça proveito justo em nossos estudos.”


Chico Xavier







terça-feira, 28 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 29 - Compreensão



Emmanuel - Livro Ceifa de Luz - Chico Xavier - Cap. 29


Compreensão


“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.” — PAULO (1 Coríntios, 13:1)

Parafraseando o Apóstolo Paulo, ser-nos-á lícito afirmar, ante as lutas renovadoras do dia a dia:

se falo nos variados idiomas do mundo e até mesmo na linguagem do Plano Espiritual, a fim de comunicar-me com os irmãos da Terra, e não tiver compreensão dos meus semelhantes, serei qual gongo que soa vazio ou qual martelo que bate inutilmente;

se cobrir-me de dons espirituais e adquirir fé, a ponto de transplantar montanhas, e não tiver compreensão das necessidades do próximo, nada sou;

e se vier a distribuir todos os bens que acaso possua, a benefício dos companheiros em dificuldades maiores que as nossas, ou entregar-me à fogueira em louvor de minhas próprias convicções, e não demonstrar compreensão, em auxílio dos que me cercam, isso de nada me aproveitaria.

A compreensão é tolerante, prestimosa, não sente inveja, não se precipita e não se ensoberbece em coisa alguma. Não se desvaira em ambição, não se apaixona pelos interesses próprios, não se irrita, nem suspeita mal. Tudo suporta, crê no bem, espera o melhor e sofre sem reclamar. Não se regozija com a injustiça e, sim, procura ser útil, em espírito e verdade.

De todas as virtudes, permanecem por maiores a fé, a esperança e a caridade; e a caridade, evidentemente, é a maior de todas; entretanto, urge observar que, se fora da caridade não há salvação, sem compreensão a caridade falha sempre em seus propósitos, sem completar-se para ninguém.


Emmanuel










Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. X - João Nunes Maia - Cap. 34 - Escolha dos protegidos



Miramez - Livro Filosofia Espírita Vol. X - João Nunes Maia - Cap. 34


Escolha dos protegidos


493. É voluntária ou obrigatória a missão do Espírito protetor?

“O Espírito fica obrigado a vos assistir, uma vez que aceitou esse encargo. Cabe-lhe, porém, o direito de escolher seres que lhe sejam simpáticos. Para alguns, é um prazer; para outros, missão ou dever.”

a) - Dedicando-se a uma pessoa, renuncia o Espírito a proteger outros indivíduos?
 
“Não; mas protege-os menos exclusivamente.” (O Livro dos Espíritos)


O Espírito protetor tem a liberdade de escolher seu protegido, entretanto, depois de tê-lo escolhido, tem o dever de o proteger dentro do padrão mencionado pela lei. Todos somos escravos da lei, pois ela nos assiste e nos dirige. As leis foram criadas por Deus, para que se estabeleça a harmonia no universo.

Alguns dos benfeitores espirituais dão preferência a assistir ao Espírito encarnado com o qual simpatizam; outros, que são poucos, não escolhem e deixam a cargo dos mestres siderais e, como Espíritos de luz, trabalham sem reclamar em todas as áreas aonde foram chamados a servir.

Se olhássemos com os olhos espirituais a vida que vivemos, ficaríamos espantados de ver tanta proteção em nosso favor, por variados Espíritos que nos assistem por amor á causa do bem comum.

O protetor com a incumbência de proteger alguém pode assistir outras pessoas; no entanto, o seu maior dever é com aquele a quem se entregou no compromisso de amparar. Eles têm a liberdade de optar, mas têm também de escolher o trabalho a ser realizado, e Deus, pelas mãos de Jesus, assiste todos na Terra e tudo que existe, na mais perfeita ordem. Quando somos conscientes dessa verdade, passamos a operar com mais consciência e boa vontade no sentido de tudo fazer certo.

O anjo-guardião, por ser um Espírito de formação moral superior, nos ama profundamente, mas tem todos os meios lícitos de nos educar sem violência, usando a lei de justiça que é, igualmente, o mesmo amor em outra faixa de vida.

Nós também, como Espíritos, já com certo conhecimento da verdade, temos nossos protetores. Essa é uma escala muito grande, de maneira que, ao apurarmos nossos sentimentos na pureza lirial do Mestre, tornamo-nos livres, de modo a saber como andar por nós mesmos, tendo como guia somente as leis que devemos respeitar, na dimensão em que vivemos. É nesse sentido que Jesus falou: - “Conhecereis a verdade e ela tornar-vos-á livres.” Estamos a caminho de conquistarmos essa liberdade espiritual.

Deves ter o maior respeito pelo teu protetor, que pode ter renunciado a certos direitos para empregar quase todo o seu tempo em te auxiliar, em te dar conselhos, direcionando-te para o bem universal, amparando-te mesmo antes de renasceres, acompanhando teu crescimento. Procurando ajudar à família, reúne os protetores do lar, trocando idéias sobre a harmonia da casa e sobre como consegui-la pelos seus moradores; e quando a família entende essa ajuda, abrem-se as portas para maior assistência espiritual. Eis porque insistimos na abertura do Culto do Evangelho no lar, de maneira a dar ambiente para os guias espirituais da casa aconselharem a todos mais diretamente. Muitos resultados têm sido registrados através do Evangelho em casa, com a colaboração da Doutrina dos Espíritos, ondeando luzes em todos os sentimentos e formando palpos em torno da casa, bem como em volta de todas as criaturas que começam a praticá-lo.

Mesmo que o Espírito protetor escolha uma missão engenhosa para desempenhar, ele tem momentos de alegrias, quando depara com seu tutelado pensando na melhoria interna e esforçando-se por modificar. Isso é motivo de festas espirituais para os anjos que protegem o lar. O Espiritismo vem mostrar o que se passa no mundo espiritual, de modo que os encarnados fiquem conscientes dessas verdades e tenham maior esperança, esforçando-se para melhorar moralmente.

Trabalhemos, pois, em todos os sentidos do bem comum, que esse bem, como sendo a caridade, nos salvará de muitos infortúnios que poderiam nos fazer sofrer.


Miramez












Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 30 - Aptidão e habilitação



Emmanuel - Livro Família - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 30


Aptidão e habilitação


"Em Deus está a minha salvação, e a minha glória; de Deus é que espero o meu socorro, e a minha esperança em Deus está." (Salmos, 62:7)


Aptidão é a capacidade do Espírito para executar essa ou aquela tarefa no plano evolutivo em que se vê situado.

Por isso mesmo, aptidão bem aplicada é acesso do homem a níveis mais altos, de conformidade com a Lei Divina que retribui a cada um, segundo as obras que realiza.

A Terra é vasto campo de oportunidades ao desenvolvimento de nossos recursos potenciais.

Com o fim de aperfeiçoá-los, distribui a Bondade Eterna as habilitações humanas, de acordo com as nossas petições e desejos.

Entretanto, não bastará obtê-las para que a alma se honorifique com o triunfo indispensável nesse ou naquele círculo de ação.

Deus concede os títulos, cabendo ao homem o justo dever de usá-los e enobrecê-los.

Aqui vemos um médico, dignamente formado para o sacerdócio da cura, no entanto, se o esculápio, com diploma de mérito, não suporta os enfermos, debalde receberá o beneplácito da escola de medicina.

Além, anotamos um professor devidamente preparado à frente do magistério, mas se lhe falta amor para com os aprendizes, em vão terá recolhido as bênçãos da cultura.

E, em toda parte, vemos operários convocados ao trabalho, desprezando a oficina que os acolheu; mães que se ausentam do templo doméstico, hostilizando a nobre missão que o Céu lhes conferiu, e pais que desertam do lar, fugindo deliberadamente ao apostolado afetivo que lhes poderia preparar no presente de trabalho o futuro iluminado de amor.

Segundo é fácil perceber, somos depositários felizes de preciosas habilitações na Terra que muitas vezes menosprezamos em prejuízo próprio, esquecendo que todos possuímos aptidões para concretizar o melhor em nosso próprio caminho.

Se já podes compreender a verdade, aproveite os títulos que te foram emprestados pelo Senhor na pauta das convenções terrestres, na certeza de que, com eles, deténs contigo as mais amplas oportunidades de servir aos semelhantes e crescer para Deus.

Recorda que a enxada mais rica é simples candidata à ferrugem quando não atende à habilitação a que se destina e, fazendo da própria vida o teu instrumento de trabalho e de estudo, sem que percebas, o mundo conferir-te-á outros talentos e outros valores, armando-te de novos recursos para a conquista de novas e mais belas experiências.


Emmanuel












Meimei - Livro Sentinelas da Alma - Chico Xavier - Cap. 25 - No álbum da compaixão



Meimei - Livro Sentinelas da Alma - Chico Xavier - Cap. 25


No álbum da compaixão 


"Então chegando-se Pedro a ele, perguntou: Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, que eu lhe perdoe? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas que até setenta vezes sete vezes." — (MATEUS, 18:21-22)


Observa: toda a Natureza, por livro de Deus, em qualquer parte, parece um cântico de louvor ao auxílio.

Ignoro se já pensaste nas primeiras árvores da Terra, inclinando-se para as aves fatigadas, a fim de que aprendessem a entretecer os próprios ninhos, nos braços fortes que lhes estendiam.

Nem sei se já meditaste na piedade das flores primitivas do mundo para com as abelhas cansadas e famintas, convidando-as pelo próprio perfume, a lhes retirarem as pequeninas sobras de alimento nas corolas acolhedoras, a fim de que não tombassem na exaustão, quando à procura de recursos que lhes facultassem o fabrico do mel.

Até hoje, as árvores não se queixam dos pássaros que lhes deixam os ramos menos limpos e as flores não protestam contra as abelhas quando lhes aparecem, através de sucessivos enxames, a lhes dilapidarem as pétalas nutrientes.

Árvores e abelhas sabem, instintivamente, que a Divina Providência não lhes faltará com a chuva a lavar-lhes todas as folhas e com o acréscimo de seiva, destinado a reajustar-lhes o sustento.

Não será semelhante lição dos agentes simples da natureza determinada mensagem da vida, concitando-nos à prática da bondade, de uns para com os outros?

Onde estiveres, compadece-te de teus irmãos.

Esse precisa apoiar-se em teus ombros para a caminhada difícil, aquele te aguarda o concurso fraterno, de modo a manter-se de pé, na marcha dos dias.

Abençoa e socorre sempre.

Em muitas ocasiões, penso que o ensinamento do Cristo, acerca do perdão, se revestiu de outras derivações no campo das atitudes.

Algum dos companheiros, haverá perguntado ao Senhor:

— Mestre, quantas vezes, devo auxiliar aos meus irmãos?

E, decerto, Jesus terá respondido:

— Não te digo que auxilies uma vez, mas setenta vezes sete vezes.


Meimei












segunda-feira, 27 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 3 - Equilíbrio



Emmanuel - Livro Fé, Paz e Amor - Chico Xavier - Cap. 3


Equilíbrio


Recordando o nosso dever de sustentação do corpo e do espírito, atendamos à harmonia por base de segurança.

Nem mesa lauta.
Nem prato vazio.

Nem excesso.
Nem carência.

Nem vigília demasiada.
Nem repouso constante.

Nem prodigalidade.
Nem sovinice.

É preciso evitar o desvario da fartura para que o abuso não nos entenebreça a razão, tanto quanto abolir as tentações da miséria que nos induziriam ao furto.

Não nos concede o Senhor um corpo entre os homens para menosprezá-lo à feição do lavrador preguiçoso que abandona o arado à ferrugem, nem nos confere na Terra o estágio da encarnação por escola do Espírito para que o convertamos em curso intensivo de anestesia da consciência.

Auxiliar o corpo para que o corpo expresse a alma e iluminar a alma para que a alma o renove e santifique, é o caminho do equilíbrio indispensável à evolução.

Assim, se te decides a cultivar algum cilício, no propósito de estender as próprias virtudes, não te imobilizes nos pensamentos inúteis, mas, sim, verte o próprio suor nas obras da bondade, amparando os enfermos que as dores desfiguram, fabricando o agasalho aos que choram de frio, socorrendo o infortúnio em treva e desespero, ou calejando as mãos no auxílio à terra seca, porque no sacrifício de nossa segurança no amparo ativo aos outros é que surpreenderemos o trabalho do bem que ninguém nos pediu e que ninguém nos paga, por resplendente luz a clarear-nos sempre a rota para o Alto, em plena exaltação do verdadeiro amor.


Emmanuel











domingo, 26 de julho de 2026

Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 96 - Justamente por isso



Emmanuel - Livro Pão Nosso - Chico Xavier - Cap. 96


Justamente por isso


“Não vos escrevi porque ignorásseis a verdade, mas porque a conheceis.” — (1 JOÃO, 2.21)


O intercâmbio cada vez mais intensivo entre os chamados “vivos” e “mortos” constitui grande acontecimento para as organizações evangélicas de modo geral.

Não é tão somente realização para a escola espiritista; pertence às comunidades do Cristianismo inteiro.

Por enquanto, anotamos aqui e ali protestos do dogmatismo organizado, entretanto, a revivescência da verdade assim o exige.

Toda aquisição tem seu preço e qualquer renovação encontra obstáculos espontâneos.

Dia virá em que as várias subdivisões do evangelismo compreenderão a divina finalidade do novo concerto.

O movimento de troca espiritual entre as duas Esferas é cada vez mais dilatado. O devotamento dos desencarnados provoca a atenção dos encarnados.

O Senhor permitiu mundial Pentecostes para o reajustamento da realidade eterna.

Convém notar, contudo, que as vozes comovedoras e revigorantes do Além repetem, comumente, velhas fórmulas da Revelação e relembram o passado da Sabedoria terrestre, a fim de extrair conceituação mais respeitável referentemente à vida.

É neste ponto que recordamos as palavras de João, interrogando sinceramente: comunicar-se-ão os “mortos” com os “vivos”, porque os homens ignoram a verdade?

Isto não.

Se os que partem falam novamente aos que ficam é que estes conhecem o caminho da redenção com Jesus, mas não se animam, nem se decidem a trilhá-lo.


Emmanuel