quinta-feira, 27 de maio de 2021

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 38 - Viver com naturalidade




Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 38


Viver com naturalidade


 “... Vivei com os homens de vossa época, como devem viver os homens...”
 “... Fostes chamados a entrar em contato com espíritos de natureza diferente, de caracteres opostos; não choqueis nenhum daqueles com os quais vos encontrardes. Sede alegres, sede felizes, mas da alegria que dá uma boa consciência...” (ESE - Cap. 17, item 10.) 


Viver “felizes segundo as necessidades da Humanidade”(1) é viver com naturalidade, ou seja, participar efetivamente na sociedade usando nosso jeito natural de ser.

Todos nós fomos abençoados com determinadas vocações, e o mundo em que vivemos precisa de nossa cooperação individual, para que possamos, ao mesmo tempo, desenvolver nossas faculdades inatas na prática social e aumentar nossa parcela de contribuição junto à comunidade em que vivemos, no aperfeiçoamento da humanidade.

Possuímos talentos que pre-cisam ser exercitados para que possam florescer, mas poucos de nós damos o real valor a essa tarefa. Esses mesmos talentos estão esperando nosso empenho de “se dar força”, a fim de colocá-los em plena ação no intercâmbio das relações com as pessoas e com as coisas.

Não podemos então olvidar que viver no mundo é “entrar em contato com espíritos de natureza diferente, de caracteres opostos”(2), reconhecendo que cada um dá o que tem, vive do jeito que pode, percebe da maneira que vê, admitindo que, por se tratar de tendências, talentos e vocações, todos nós temos a peculiar necessidade de “ser como somos” e “estar onde quisermos” na vida social.

Talentos são impulsos naturais da alma adquiridos pela repetição de fatos semelhantes, através das vidas sucessivas. Vocação é a “voz que chama”, palavra oriunda do latim vocatus, que quer dizer chamado ou convocação.

Pelo fato de a Natureza ser uma verdadeira “vitrina” de biodiversidade ou multiplicidade de seres, é que cada indivíduo tem suas próprias ferramentas, úteis para laborar na lida social.

Todas as árvores são árvores, mas o pessegueiro não tem as mesmas peculiaridades do limoeiro, nem o abacateiro as da mangueira. Por isso, cada pessoa também se exprime em níveis diversos segundo as múltiplas formas com que a Sabedoria Divina nos plasmou na criação universal.

Assim, todos somos convoca-dos a “agir no social”(3), não com “um aspecto severo e lúgubre, repelindo os prazeres que as condições humanas permitem”, mas sim felizes, fazendo uso de nossos potenciais e faculdades prazerosamente.

Jesus de Nazaré vivia, à sua época, uma vida mística e distante da sociedade?

O Cristo de Deus se integrava intensamente no social, “participando das festas de casamento”(4), do relacionamento fraterno, amando in-tensamente os amigos (5). “Sem preconceito algum fazia visitas e tomava refeições em companhia de variadas criaturas”(6), percorrendo cidades, campos e estradas sempre acompanhado dos amigos queridos e das multidões que O cercavam.

Consequentemente, devemos entender que as leis do Criador deram às criaturas inclinações e aptidões íntimas e originais, para que elas pudessem conviver entre si, oferecendo a cada uma, participação também original na vida comunitária de maneira “sui generis”. 

Devemos, sim, viver no mundo com a consciência de que somos espíritos eternos em crescimento e progresso, e de que o nosso “ânimo de viver” em sociedade depende de colocarmos em prática as nossas verdadeiras capacidades e vocações da alma.

Lembremo-nos, contudo, de que a palavra “ânimo” quer dizer “alma”, do latim animus, e de que devemos cada um de nós “viver com alma” no círculo social do mundo.


Hammed 



(1), (2) e (3) O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo 17º, item 10.
(4) João 2:1 e 2.
(5) João 15:13.
(6) Mateus 9:10.





Fonte: Renovando Atitudes-pdf

Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 32 - O “cisco” e a “trave”



Hammed - Livro Renovando Atitudes - Francisco do Espírito Santo Neto - Cap. 32


O “cisco” e a “trave”


"Por que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, vós que não vedes uma trave no vosso olho? Ou como dizeis ao vosso irmão: Deixe-me tirar um argueiro do vosso olho, vós que tendes uma trave no vosso? Hipócritas, tirai primeiramente a trave do vosso olho, e então vereis como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão." (ESE - Cap. X, Item 9)


Os indivíduos em plenitude não negam suas emoções; permitem que elas venham à tona, e, como elas estão sob seu controle, reconhecem o que estão lhes mostrando sobre seus sentimentos, suas inclinações e suas relações com as pessoas.

As emoções devem ser "integradas", ou seja, primeiramente, devemos nos permitir "senti-las"; logo após, devemos julgá-las e "pensar" sobre nossas necessidades ou desejos; e, a partir disso "agir" com nosso livre-arbítrio, executando ou não, conforme nossa vontade achar conveniente.

O mecanismo de nos "consentir", de "raciocinar" e de "integrar" emoções determinará nossos êxitos ou nossas derrotas nas estradas de nossa existência.

Emoções são muito importantes. Através delas é que nos individualizamos e nos diferenciamos uns dos outros. Ninguém sente, pois, exatamente igual, isto é, com a mesma potencia e intensidade, seja no entusiasmo em uma situação prazerosa, seja na frustração ao observar uma meta perdida. Podemos penar igual aos outros, mas para um mesmo pensamento criaturas diversas têm múltiplas reações emocionais.

Assim considerando, emoções não são certas ou erradas, boas ou impróprias, mas apenas energias que dependem do direcionamento que dermos a elas.

Reconhecê-las ou admiti-las não significa, de modo algum, que vamos sempre agir de acordo com elas.

Em face dessa conjuntura, quando negadas ou reprimidas, não desaparecem como por encanto; ao contrário, sendo energias, elas se alojarão em determinados órgãos e congestionarão as entranhas mais íntimas da estrutura psicossomática dos indivíduos.

Ao abafarmos as emoções, podemos gerar uma grande variedade de doenças auto destrutivas. Abafá-las pode também nos levar a reações muito exacerbadas ou à completa ausência de reações, a apatia.

Portanto, quando tomamos amplo contato com nosso lado emocional, começamos a reconhecer vestígios a respeito de nós mesmos, que nos proporcionarão auto descoberta, auto preservação, segurança íntima e crescimento pessoal.

Ora, se o Poder Divino, através de sua criação, pelo próprio mecanismo da Natureza, delegou as emoções, não poderemos simplesmente negá-las, como se não servissem para nada. Tristeza, alegria, raiva ou medo são emoções básicas e deveremos usá-las como bússolas que nos nortearão os caminhos da vida.

Elas estão conectadas a nosso sistema de pensamento "cognitivo" – atividades psicológicas superiores, tais como: a percepção, a intuição, a memória, a linguagem, a atenção e os demais processos intelectuais e espirituais.

Ao ignorarmos nossas reações emocionais, não investigando sua origem em nós mesmos, teremos sempre a tendência de projetá-las nos outros. Além do que, seremos seres psicologicamente claudicantes, por não integrarmos nossas emoções aos nossos cinco sentidos, que nos facilitam a análise das pessoas e de nós mesmos.

A tendência que certos indivíduos têm de atribuir falhas e erros a outras pessoas ou coisas, não enxergando e não admitindo como sendo suas, denomina-se "projeção".

Às vezes, tentamos fazer nossas emoções desaparecer, porque as tememos. Reconhecer o que realmente sentimos exigiria ação, mudança e decisão de nossa parte, e muitas vezes seríamos colocados face a face com verdades inadmissíveis e inconcebíveis por nós mesmos; e assim, tentamos projetá-las como sendo emoções não nossas, mas dos outros.

"Não sinta isso, é feio" - essa é uma das muitas velhas mensagens que ecoam em nossa mente desde a mais tenra infância; com o passar do tempo, julgamos não mais senti-las, porque as escondemos da recriminação dos adultos.

Em razão disso, certos indivíduos condenam com veemência os "ciscos" nos outros, pois vêem em tudo luxúria e perversão, desonestidade ou ambição. É possível que esses mesmos indivíduos estejam reprimindo o reconhecimento de que eles próprios trazem consigo emoções sexuais e perversidades mal resolvidas, ou, em outros casos, emoções desmedidas de fama e de dinheiro projetadas sobre todos os que são por eles denominados ambiciosos e desonestos.

Na indagação "ou como dizeis ao vosso irmão: deixai-me tirar um argueiro do vosso olho, vós que tendes uma trave no vosso?", Jesus reconhecia a universalidade desse processo psicológico, "a projeção", e, como sempre, asseverava a necessidade da busca de si mesmo, para não transferirmos nossos traços de personalidade desconhecidos às coisas, às situações e aos outros.

O Mestre nos inspirava ao mergulho em nossa própria intimidade, a fim de que pudéssemos enxergar o "lado obscuro" de nossa personalidade. Ao tomarmos esse contato imprescindível com nossas "sombras", a consciência se torna mais lúcida, crítica e responsável, descortinando amplos e novos horizontes para o seu desenvolvimento e plenitude espiritual.

Finalizando, atentemos para a análise: “as condutas alheias que mais nos irritam são aquelas que não admitimos estar em nós mesmos” “os outros nos servem de espelho, para que realmente possamos nos reconhecer”.


Hammed







Fonte:  Renovando Atitudes-pdf

André Luiz - Livro Entre a Terra e o Céu - Chico Xavier - Cap. 25 - Reconciliação



André Luiz - Livro Entre a Terra e o Céu - Chico Xavier - Cap. 25


Reconciliação


Amaro não registrou o convite da companheira desencarnada, em forma de palavras ouvidas, mas recebeu-o como silencioso apelo à vida mental.

Dirigiu-se a pequenina copa, pensando em Zulmira, com o insopitável desejo de comunicar-lhe o estranho contentamento de que se via possuído.

Não seria justo envolver a esposa doente na onda de alegria em que se banhava?

Vimos que Odila tremeu um instante, ao lhe observar a súbita felicidade com a perspectiva de restauração do carinho para com a segunda mulher. 

Compreendi o esforço que a iniciativa lhe reclamava ao coração feminino e, mais uma vez, reconheci que a morte do corpo não exonera o Espírito da obrigação de renovar-se. 

No fundo, não podia sentir, de imediato, plena isenção de ciúme, entretanto, aceitava o ideal de sublimação que se lhe implantara no sentimento e não parecia disposta a perder a oportunidade de reajuste.

Anotando-lhe a queda de forças, Clara abeirou-se dela e falou, maternal:

— Prossigamos firmes. Todo bem que fizeres a Zulmira redundará em favor de ti mesma. Não esmoreças. Ajuda-te. A vontade, à procura do bem, realiza milagres em nós mesmos. O sacrifício é o preço da verdadeira felicidade.

O abraço afetuoso da benfeitora infundiu-lhe energias novas.

Os olhos dela brilharam outra vez.

Enlaçada ao marido, impeliu-o docemente ao leito em que a pobre doente repousava.

A enferma, por certo, desde muito perdera o contato com qualquer manifestação afetiva por parte do companheiro, e, assim, ao lhe ver o semblante carinhoso e feliz, exibiu larga nota de espanto.

— Zulmira! — Perguntou ele, inclinando-se para o seu rosto ossudo e desconsolado, — estás realmente melhor?

— Sim… sim… — Suspirou a interpelada, hesitante.

— Escuta! Hoje, amanheci pensando em nós, em nossa felicidade… Não julgas seja tempo de reagirmos contra o sofrimento que nos cerca? Preocupo-me por ti, acamada e abatida, desde a morte de Júlio…

Notei que do tórax de Amaro emanava largo fluxo de energia radiante, assim como um jato de raios de luz verde-prateada que envolveram o busto de Zulmira, despertando-lhe emotividade incoercível.

A desventurada senhora começou a chorar, dando-nos a impressão de que os fluidos arremessados sobre ela lhe lavavam o coração.

Clarêncio, calmo, informou:

— Como vemos, a sinceridade dispõe de recursos característicos. Emite forças que não deixam margem a enganos. O sentimento puro com que Amaro se dirige agora à esposa é fator decisivo para que ela se reerga e se cure.

O ferroviário, auxiliado por Odila, enxugou as lágrimas que corriam copiosas daqueles olhos macerados e tristes e continuou:

— Peço confies em mim! Afinal de contas, somos companheiros um do outro… Como poderei ser feliz sem o teu concurso? Não nos casamos para chorar…

— Amaro! — Exclamou a interlocutora agoniada, conservando ainda os últimos resíduos mentais do complexo de culpa em que se torturava, — como te agradeço a alegria desta hora!… Entretanto, a imagem de Júlio não me sai da lembrança… Sinto que o remorso me persegue. Não fiz tudo o que eu devia para salvar o filhinho que me confiaste!…

— Esqueçamos o passado, — asseverou o esposo, decidido, — todos pertencemos a Deus e acredito que a Divina Vontade vive conosco, em toda parte. Indiscutivelmente, Júlio nos faz muita falta, mas não podemos renunciar à vida que o Céu nos concedeu. É imprescindível lutar, procurando a vitória.

Ligado à mente da primeira esposa, que tudo fazia por ajudá-lo, prosseguiu com enternecedora inflexão de voz:

— Não olvides que pertencemos aos compromissos morais que assumimos… O carinho do meu caçula significava muitíssimo para o meu coração, contudo, não pode ser mais importante que o nosso amor!… Refaze-te! Vivamos nossa vida!… Temos Evelina e a nossa felicidade!…

A doente sentou-se, de olhos reanimados e diferentes.

E, enquanto o esposo acomodava-se ao lado dela, vimos Odila, de fisionomia satisfeita, dirigir-se ao quarto da filha.

Instintivamente acompanhamo-la, de modo a assisti-la em qualquer dificuldade. Ela, porém, com inefável surpresa para nós, colocou a destra sobre a fronte da menina, solicitando-lhe a presença.

Findos alguns instantes, Evelina, em Espírito, voltou ao aposento em que seu corpo repousava.

Vendo a mãezinha, correu a abraçá-la. Fundiram-se ambas num amplexo longo e comovedor, misturando-se as lágrimas.

— Enfim! Enfim!… — Clamou a jovem maravilhada.

— Minha filha! Minha filha!

E, em seguida, a genitora descansou nela os olhos inflamados de esperança, pedindo súplice:

— Evelina, ajuda-nos! Se não nos unirmos sob a luz da compreensão e do trabalho, nossa casa desaparecerá… Teu pai e eu não podemos dispensar-te o concurso. Da saúde e da paz de Zulmira depende a feliz continuação de nossa tarefa… Deus não nos reúne para a indiferença ou para o egoísmo e sim para o serviço salutar de uns pelos outros!…

— Mãezinha, — explicou a jovem extática, — tenho orado, tenho pedido ao seu coração nos auxilie… n

— Sim, Evelina, sei que em tua abnegação não te descuidas da prece. Jesus terá recebido teus rogos… Achava-me surda, vitimada pelo ruído destruidor de minha própria incompreensão. Sinto, porém, que minh'alma desperta hoje… e vejo que nos compete algo fazer para restaurar o valor de teu pai e a alegria de nossa casa…

— Continuarei orando…

— Não olvides a prece, querida, mas a súplica que não age pode ser uma flor sem perfume. Peçamos o socorro do Senhor, algo realizando para contribuir em seu apostolado divino… 

Comecemos por refundir a confiança em tua nova mãe. Faze-te melhor para ela… Procura-a, desdobra-te no trabalho de preservação da tranquilidade doméstica, a fim de que Zulmira se veja segura de teu afeto e de teu entendimento filial… 

Uma rosa sobre a mesa, uma vassoura diligente, uma peça de roupa cuidadosamente guardada, uma escova no lugar que lhe compete, são serviços de Jesus, no santuário da família, com os quais devemos valorizar o pensamento religioso… 

Não te detenhas tão somente nas boas intenções. Movimenta-te no trabalho encorajador da harmonia. Sê o anjo do serviço em nossa casinha singela! Zulmira necessita de uma irmã, de uma filha!… Aproveita a oportunidade e faze o melhor!…

Evelina, com indefinível contentamento a iluminar-lhe o rosto, enlaçou a mãezinha com extremada ternura e beijou-a, muitas vezes.

Logo após, passando a obedecer à mensageira, retomou o corpo carnal e acordou deslumbrada.

Tão grande se lhe afigurava a própria ventura que detinha a impressão de estar descendo da Esfera celestial.

A imagem de Odila, carinhosa e bela, ocupava-lhe, agora, todo o espelho da mente.

Estendeu as mãos em torno como se ainda pudesse tocar a genitora com os dedos de carne, conservando perfeita lembrança da inolvidável entrevista.

Intensamente feliz, ergueu-se de um salto e vestiu-se.

Finda a higiene rápida, vimos Odila recolhê-la nos braços, conduzindo-a igualmente até Zulmira.

Induzida pela influência materna, passou pela copa e chegou junto da madrasta, oferecendo-lhe pequena bandeja com a leve refeição da manhã. Amaro e a companheira receberam-na, encantados.

— Meu Deus, — disse a doente, sorrindo, — tenho a impressão de que um anjo penetrou nossa casa. Tudo hoje amanheceu contentamento e bom ânimo!…

Evelina alcançou o leito, reuniu os dois cônjuges num só abraço e falou, jubilosa:

— Sonhei com mãezinha! Vi-a tão nítida, como se ainda estivesse conosco. Afirmou que necessitamos de amor e recomendou seja eu para Zulmira a filha que ela não tem!… Ah! Que felicidade!… Mamãe ouviu minhas preces!

O ferroviário anotou, satisfeito, a informação, guardando, porém, consigo mesmo as recordações da noite para não ferir as suscetibilidades da companheira, e Zulmira, a seu turno, embora lembrasse os repetidos pesadelos que atravessara, sentindo-se atormentada pelos ciúmes de Odila, abafou as próprias reminiscências, para aderir com toda a alma ao otimismo daquele abençoado momento de paz e renovação.

Fixando a madrasta, com embevecimento, a menina acrescentou:

— Quero ser melhor, mais diligente e mais amiga!… Papai, você e eu seremos doravante mais felizes.

A pobre senhora suspirou reconfortada e aduziu:

— Sem dúvida alguma, Odila deve ser o nosso gênio protetor… É muita alegria nesta manhã para que a nossa ventura seja simples sonho ou mera coincidência!

Aquele testemunho de gratidão, partido com a melhor espontaneidade da mulher considerada, até então, por inimiga, tocou as recônditas fibras da primeira esposa de Amaro que, incapaz de suportar a emoção, começou a chorar entre o reconhecimento e o regozijo.

Irmã Clara abraçou-a e falou, humilde:

— Chora, minha filha! Chora de júbilo! Em verdade, quando o amor sublime penetra em nosso coração, a luz do Senhor passa a reger os passos de nossa vida.


André Luiz






VÍDEO:

Entre a Terra e o Céu - Chico Xavier - Cap. 25 & 26
O Espírito da Letra


Apresentação: André Luiz Ruiz





O Espírito da Letra - Analisando a obra de André Luiz Entre a Terra e o Céu - Psicografia de Chico Xavier 

Capítulo 25 - Reconciliação 
Capítulo 26 - Mãe e filho 


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Produção - TV Alvorada Espírita - http://www.tvalvoradaespirita.com.br 
Realização - TV Mundo Maior - http://www.tvmundomaior.com.br


Bittencourt Sampaio - Livro Palavras Sublimes - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 26 - A obra dos espíritas



Bittencourt Sampaio - Livro Palavras Sublimes - Espíritos Diversos / Chico Xavier - Cap. 26


A obra dos espíritas


Irmãos, uma onda de inquietação e de amargura invade toda a Terra. As lutas fratricidas movimentadas pelas doutrinas políticas, na incompreensão sistemática das leis divinas, nodoam de sangue as bandeiras que separam os povos e o homem moderno, na mais intensificada abundância, sente o sopro frio da adversidade e da miséria, conduzindo-o para o esgotamento e para a morte.

A humanidade, no terreno material, nunca produziu tanto, e com tamanha facilidade, como nos anos que correm, e jamais sofreu tanta fome! Nunca as suas possibilidades científicas foram tão longe, como nos tempos atuais. Entretanto, jamais se revelou ela tão cética, caracterizando-se, os fenômenos evolutivos da sua marcha, pelas mais terríveis e ominosas perversidades. Considerando a diferenciação das épocas, estabelecidas pelas balizas da História, o homem do século XX reconhece que o homem primitivo era mais pacífico e mais venturoso.

A causa, porém, de tamanhos amargores que infelicitam a alma coletiva de todos os povos, não nos cansemos de repeti-lo, tem suas raízes profundas no esquecimento, por parte das criaturas, do quanto diz respeito às lições do Evangelho.

Será, debalde, que surjam reformadores à revelia do que já nos foi ensinado há dois mil anos? Todas as perquirições filosóficas que não buscarem no divino Mestre as raízes e a bússola dos seus trabalhos serão apenas fenômenos esporádicos e transitórios das atividades e cogitações de alcance meramente humano.

Ninguém poderá ultrapassar o código divino. O que se faz preciso, na época atual, é a aplicação integral dos princípios desse código.

Todos os sofrimentos que excruciam as nações e as criaturas, tomadas de penosos assombros ante a perspectiva ameaçadora e funesta da guerra, serão eliminados ao preço de experiências sagradas, nas quais o ensinamento de Jesus ressurgirá de todos os escombros para consagrá-lo à personificação de toda a verdade.

Os governos hão de reformar-se adentro desse plano de afinação de todos os espíritos ao ritmo evangélico do Mestre e até que isso se verifique a dor haverá de acepilhar piedosamente os corações.

A atualidade está repleta de arautos e mensageiros novos. Os mais absurdos princípios políticos e religiosos são propagados no mundo em face do esquecimento geral daquela advertência de que haveria falsos cristos. E o homem se entrega a todos os desvairamentos, olvidando que antes das disciplinas austeras dos tempos medievais, em que as criaturas se recolhiam aos conventos fugindo aos méritos da luta e à vitória sobre os pecados, antes dos enunciados do contrato social, antes do verbo de Mirabeau, que proclamava os direitos do homem na Revolução de 93 [Revolução Francesa 1789-1799], e antes que todos os Lenine e Marx engendrassem a teoria do homem econômico à base do materialismo dissolvente na ânsia de solucionar os grandes problemas da sociedade universal e da fraternidade humana, já uma voz, naquela Galileia humilde e agreste, havia ensinado o “amai-vos uns aos outros, amai-vos como eu vos amei”. 

Assim, pois, no problema das fórmulas sociais e políticas, tudo se encontra teoricamente resolvido no Evangelho. O que tem faltado, em todos os séculos assinaladores da rota humana, são os aplicadores desses divinos princípios. As doutrinas religiosas, depositárias do pensamento diretor dos tempos apostólicos, se entregaram às mais lamentáveis defecções espinhais. 

O princípio do auri sacra fames [sagrada fome de ouro] foi o começo de toda a deturpação do Cristianismo. E depois da fome do ouro criou-se, em todos os setores da atividade humana, a teoria do homem-lobo, do homem que devora o semelhante no mais esconso caminho da ambição, do impiedoso egoísmo!

A obra dos espíritas, meus amigos, digo, em vos falando aqui, no templo bendito de nossas preces, que se elevam para Deus em volutas divinas, é a tarefa da restauração, da reconstrução da hora presente, prenhe de apreensões e sombras angustiosas.

A vossa civilização armamentista cresceu com todas as grandezas possíveis, esquecendo que terá de perecer no seu fastígio, humilhada e oprimida por sua própria vaidade e ignorância pervicaz na repulsa ao Evangelho. 

Aquele templo, do qual não ficaria pedra sobre pedra nas afirmações do evangelista, de modo algum pode ser a igreja minúscula da Judeia. Esse edifício, que terá de fender-se e desmoronar de alto a baixo, é o do farisaísmo contemporâneo, no qual, em nome da justiça, do amor, da liberdade e da fraternidade tantas ignomínias se vão praticando.

A hora se aproxima, vem soando devagarinho. Cumpre que os bons trabalhadores se identifiquem plenamente na aplicação e no ensino exemplificado do Evangelho.

Não vos esqueçais de que todos os patrimônios materiais são expressões transitórias do mundo. Atentai, ao invés, na obra espiritual, a única que se eterniza no âmbito das atividades humanas, tantas vezes deslocadas para a semeadura entre espinheiros.

Antes das obras, é preciso lançar os fundamentos da verdade nos corações. A humanidade está tomada de profundas desilusões, em face dos monumentos e das obras grandiosas. Grandes, sim, mas frios, uns e outros, frios em si mesmos, porque destituídos de qualquer vibração de espiritualidade! 

Que a Deus praza derramar sobre todos a Sua bênção e que o manto misericordioso da Mãe de todas as mães vos agasalhe e proteja!

Senhor, bom e divino Mestre, dá aos trabalhadores de Ismael a inspiração profunda de tuas verdades! Vela pela tua casa, Senhor, onde todos os corações te veneram e te amam!

Concede clarividência aos que militam nos labores da tua seara na Terra e protege-os da investida das ondas reacionárias do mundo!

Que a Casa de Ismael possa cumprir seu glorioso destino, elevando bem alto a sua bandeira branca, de paz, na qual o trinômio “Deus, Cristo, Caridade” se gradua em penhor seguro de suas vitórias! Que dentro desse símbolo, Senhor, possam os seus irmãos servir à tua casa na Terra, e que todos eles possam receber o suave bafejo da tua piedade, do teu amor, da tua misericórdia e do teu perdão! [1]


Bittencourt Sampaio





Reformador — 16 de abril de 1937.


[1] Segundo consta do original, a mensagem foi recebida na FEB, em sessão pública do dia 2 de abril de 1937.



terça-feira, 25 de maio de 2021

André Luiz - Livro Conduta Espírita - Waldo Vieira - Cap. 30 - Perante os sonhos




André Luiz - Livro Conduta Espírita - Waldo Vieira - Cap. 30 - Perante os sonhos


“E rejeita as questões loucas...” — Paulo. (II TIMÓTEO, 2:23.)

Encarar com naturalidade os sonhos que possam surgir durante o descanso físico, sem preocupar-se aflitivamente com quaisquer fatos ou idéias que se reportem a eles.

Há mais sonhos em vigília que no sono natural.

Extrair sempre os objetivos edificantes desse ou daquele painel entrevisto em sonho.

Em tudo há sempre uma lição.

Repudiar as interpretações supersticiosas que pretendam correlacionar os sonhos com jogos de azar e acontecimentos mundanos, gastando preciosos recursos e oportunidades da existência em preocupação viciosa e fútil.

Objetivos elevados, tempo aproveitado.

Acautelar-se quanto às comunicações inter vivos, no sonho vulgar, pois, conquanto o fenômeno seja real, a sua autenticidade é bastante rara.

O Espírito encarnado é tanto mais livre no corpo denso, quanto mais escravo se mostre aos deveres que a vida lhe preceitua.

Não se prender demasiadamente aos sonhos de que recorde ou às narrativas oníricas de que se faça ouvinte, para não descer ao terreno baldio da extravagância.

A lógica e o bom senso devem presidir a todo raciocínio.

Preparar um sono tranquilo pela consciência pacificada nas boas obras, acendendo a luz da oração, antes de entregar-se ao repouso normal.

A inércia do corpo não é calma para o Espírito aprisionado à tensão.

Admitir os diversos tipos de sonhos, sabendo, porém, que a grande maioria deles se originam de reflexos psicológicos ou de transformações relativas ao próprio campo orgânico.

O Espírito encarnado e o corpo que o serve respiram em regime de reciprocidade no reino das vibrações.


André Luiz






Chico Xavier - Livro O Evangelho de Chico Xavier - Carlos A. Baccelli - Cap. 245/46 - Convivência conturbada




Chico Xavier - Livro O Evangelho de Chico Xavier - Carlos A. Baccelli - Cap. 245/46


Convivência conturbada


Hoje (…) todas as pessoas estão com pressa. Quando alguém burla um lugar na fila, rebelamo-nos… 

Não estamos endossando a desordem, mas precisamos compreender; precisamos pensar na questão da parcela, por que a surra vem no fim do dia: briga dentro de casa, crime, delinquência… 

No fim do mês, a surra já é um câncer de primeiro grau, uma obsessão começante… Um trauma emocional se comunica ao corpo todo.

Talvez que 60% a 80% de nossas doenças, ou dos donos das doenças, foram adquiridas através dos choques, da intolerância, das ofensas, da falta de perdão…

O mais difícil não é viver, é conviver (…) 

Existem pessoas que gostam muito de usar a franqueza, mas é uma franqueza que joga todo o mundo no chão.


Chico Xavier







segunda-feira, 24 de maio de 2021

Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Coragem - Divaldo P. Franco - Cap. 8 - Conduta de Misericórdia




Joanna de Ângelis - Livro Momentos de Coragem - Divaldo P. Franco - Cap. 8


Conduta de Misericórdia

 
Este cavalheiro insolente, agressivo, que parece dominador, e que, tomando o caminho, investe contra os teus direitos, encontra-se gravemente enfermo, não tendo dimensão do mal que o consome.

Aquela dama, frívola e irreverente, que parece desejar submeter o mundo aos pés, assinalada pelo excesso de joias e tecidos caros, tem o coração dilacerado por terríveis frustrações, que não consegue superar.

Esse jovem rebelde, que desdenha as leis a assoma na tua senda com o cinismo afivelado à face, padece conflitos íntimos que o vesgastam e aos quais não pode fugir.

Estoutro senhor, de cenho carrancudo a aspecto amargo, que não logra dissimular a arrogância de que se vê objeto, tem medo de ser conhecido pelas fraquezas morais que carrega interiormente.

Esta moça, quase despida, que exibe o corpo e a alma ao comércio da luxúria, invejada por uns e por outros malsinada, viva ralada pela carência de um amor verdadeiro que a dulcifique e felicite.

O rapaz que expõe o corpo, para o jogo exaustivo dos prazeres fáceis, símbolo e modelo de beleza, vive aturdido na timidez que o neurotiza, obrigado a uma exterionização que o aniquila a pouco e pouco.

No festival dos sorrisos humanos, no banquete dos triunfos sociais a na passarela da fama as criaturas não são o que demonstram, mas, sim, um simulacro do que não conseguem tornar-se.

É certo que há exceções, como não poderia deixar de ser, o que mais afirma a regra geral.

A pobreza andrajosa, a polidez da face de bom comportamento, a voz melíflua, suave, certamente não significam personalidades humildes e resignadas, a um passo do triunfo sobre as vicissitudes.

Muitas provêm de incontida revolta, de sentimentos desesperados, de vidas em estiolamento pela mágoa e pela rebeldia.

Por isto, não julgues ninguém pela aparência, ou melhor, não te arvores a julgamento algum com desconhecimento da causa reta.

Torna-te tolerante, embora sem conivir.

O problema de cada um, a cada qual pertence.

Sê um momento de esperança para quem te busque, ou uma oportunidade de renovação para quem te perturbe ou desafie, mantendo-te em paz contigo mesmo em qualquer situação.

Da mesma forma que o teu exterior não te reflete a realidade interna, os passantes pelo teu caminho, igualmente, vivem essa dicotomia de comportamento.

Jesus, que identificava a causa das aflições humanas e penetrava o âmago dos corações, por isto mesmo não julgava, não condenava, não desconsiderava ninguém.

Seguindo-Lhe o exemplo e exercendo misericórdia para com o teu próximo, quando, por tua vez, necessites de apoio, não te faltarão o socorro da compreensão e da amizade que alguém te dispensará.


Joanna de Ângelis