sábado, 27 de fevereiro de 2021

Miramez - Livro Horizontes da Mente - João Nunes Maia - Pág. 151 - Banho e Passe




Miramez - Livro Horizontes da Mente - João Nunes Maia - Pág. 151


Banho e Passe


O contato da água no corpo provoca um estímulo magnético, que percorre todo o organismo, deixando-o calmo, e preparando-o para o sono reparador ou as lutas de cada dia. O banho diário, quando encontra na mente apoio, torna-se um passe. Além das virtudes curativas da água. enxertar-se-ão fluidos magnéticos, de acordo com a irradiação da alma. 

A disciplina dos pensamentos é uma fonte de bem-estar, na hora da higiene do instrumento carnal.  No instante do banho é preciso que entendais a necessidade da alegria, que o vosso pensamento sustente o amor, até ao próprio líquido que vos serve de asseio. Visualizai, além da água que cai em profusão, a contraparte, como fluidos espirituais banhando todo o vosso ser. O impulso dessa energia destampa no vosso íntimo a lembrança da fé, da esperança, da solidariedade, do contentamento e do trabalho. 

Por este motivo, banho e passe, conjugados, são uma magia divina ao alcance das vossas mãos. O chuveiro seria como um médium da água e, esta, o fluido que vivifica o corpo. Poder-se-á vincular o banho ao passe, e ele poderá ser uma transfusão de energias eletromagnéticas, dependendo do modo pelo qual pensais. 

Uma mente ordenada na alta disciplina e pela concentração, em segundos, selecionará, em seu derredor, grande quantidade de magnetismo espiritual, e os adicionará, pela vontade, na água que lhe serve de veículo de limpeza física, passando a ser útil na higiene psíquica.

Sabeis por que, ao tomar banho, sentimo-nos comovidos, a ponto de nos tornarmos cantores? É a alegria advinda da esperança, de que a água é portadora pelos fluidos espirituais, que lhes são ajustados por bênção do amor. O lar é o vosso aprisco acolhedor, e nele existem espíritos de grande elevação, cuja dedicação e carinho com a família nos mostrará como Deus é bom. Essa assistência atinge igualmente as coisas materiais, desde a arborização, até o preparo das águas que nos servem. 

Quantas doenças surgem e desaparecem sem que a própria família se cientifique disso? É a misericórdia do Senhor pelos emissários de Jesus, operando na dimensão oculta para os homens, e encarregados de assistir ao lar. Eles colocam fluidos apropriados nas águas para o banho, e nas que tomais. E quando eles encontram disposições mentais favoráveis alegram-se pela grande eficiência do trabalho.
 
Na hora do repasto é sagrado e conveniente que tenhais boas conversações. No momento do banho, é preciso que ajudeis com pensamentos nobres, tanto quanto a prece, para que tenhais mãos mais eficientes operando em vosso favor. Se quereis quantidade maior de oxigénio nitrogenado, basta pensardes firmemente que estais recebendo esses elementos, e a natureza dar-vos-á com abundância. É o "pedi e obtereis" do Cristo. E com o tempo estareis mestre nessa operação. 

A alegria tem também bases físicas. Um corpo sadio nos proporcionará facilidades para expressar o amor. Quando tomardes o vosso café pela manhã, tomai-o convicto de que estais absorvendo, juntamente com os ingredientes materiais, a porção de fluidos curativos, de modo a desembaraçar todo o miasma pesado que impede o fluxo da força vital em vosso corpo. E saireis da mesa dispostos para o trabalho, como também para a vida. Despedi-vos dos vossos familiares com um sorriso agradável, e deixai deslumbrar em vosso olhar o otimismo, de maneira a fascinar todos, que eles, ocultamente, vos beneficiarão, sem que percebais. 

Lembrai-vos de que um copo de água que tomais, onde quer quê seja, é, sobremaneira, um banho e passe, por dentro. Não vos esqueçais de sorvê-lo com alegria e amor. lembrando com gratidão de quem vos deu, porque, se ele vem rico de coisas espirituais, aumentará com o que tendes. Se não, os fluidos que vos cercam, canalizados pela vossa mente, limparão o acrescido na água, inútil à vossa saúde, como vigilância da vossa parte. É muito bom saber, como é muito bom amar. São dois caminhos paralelos, que a felicidade percorre com alegria.

Chico Xavier - Livro Orações de Chico Xavier - Carlos A. Baccelli - Pág. 42 - Lição Difícil




Chico Xavier - Livro Orações de Chico Xavier - Carlos A. Baccelli - Pág. 42


Lição Difícil 


O perdão é a lição mais difícil. Por isto, Jesus a reservou por último, quando nos ensinou que o perdão é muito mais uma questão de atitudes que de palavras.


Chico Xavier






Bezerra de Menezes - Livro Bezerra, Chico e Você - Chico Xavier - Cap. 28 - Sempre luz




Bezerra de Menezes - Livro Bezerra, Chico e Você - Chico Xavier - Cap. 28


Sempre luz


Espinhoso é o caminho dos semeadores da verdade, entretanto, reconforta-nos saber que Jesus amou e serviu, devotou-se e imolou-se para que o bem fulgisse na Terra, sem prejuízo da verdade que é luz, sempre luz para os eternos caminhos.


Bezerra




De mensagem recebida em 18.11.1966.

Emmanuel - Livro Doutrina de Luz - Chico Xavier - Cap. 9 - Obstáculos




Emmanuel - Livro Doutrina de Luz - Chico Xavier - Cap. 9


Obstáculos


Quem admitisse no Espiritismo uma doutrina de acomodação com o menor esforço, na qual as inteligências desencarnadas devessem andar cativas aos caprichos dos homens, decerto vaguearia, irresponsável, à distância da Lei.

Descerrando o intercâmbio entre os dois mundos, a nossa fé não vem pulverizar os óbices do caminho que para todos nós funciona à conta de estímulo e advertência, amparo e lição.

Achamo-nos todos, encarnados e desencarnados, na sublime escola da vida.

Cada criatura estagia na experiência que abraçou ou na luta que preferiu.

Não seria lógico subtrair o remédio ao doente, o serviço ao trabalhador e o ensinamento ao aprendiz.

Somos prisioneiros de nossas próprias culpas, e por essa razão, não burlaremos a justiça.

Todavia, pela nossa conduta no trilho espinhoso da regeneração, podemos conquistar mais amplo socorro da confiança divina.

Eis, porque, antes de pedir, devemos merecer, para que nossos apelos não se apaguem no clamor do petitório vazio e inútil.

Para rogar proteção é preciso também proteger.

Somos elos da imensa corrente da evolução que em se perdendo no abismo insondável das origens repousa, com segurança, nas mãos misericordiosas e justas de Deus.

Desse modo, suplicando auxílio aos Benfeitores que nos auxiliam, não nos esqueçamos de que é necessário auxiliar aos irmãos menos felizes que gravitam em torno de nossos passos.

Os obstáculos são bênçãos em que podemos receber e dar, conforme a nossa atitude perante a vida.

Recolhendo sem revolta as pedras do caminho e oferecendo ao espinheiro as flores de nossa fé, atraímos o concurso do Céu e inspiramos a paz e o perdão, a bondade e a renúncia àqueles que nos partilham as dificuldades e os sonhos de cada dia.

Cada um de nós permanece, portanto, entre os instrutores do monte da luz e os necessitados do vale das trevas, com a possibilidade de amealhar as bênçãos do Alto e com a obrigação de distribuí-las.

Em razão disso, no estudo da assistência salvadora que nos é administrada, não nos esqueçamos de que outros irmãos, em problemas e lutas mais aflitivas que as nossas, estão esperando por nossa fraternidade e por nosso auxílio que somente ao preço de humildade e de amor conseguiremos distender.


Emmanuel







sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Miramez - Livro Francisco de Assis - João Nunes Maia - Cap. 15 - Cristo Fala




Miramez - Livro Francisco de Assis - João Nunes Maia - Cap. 15


Cristo Fala


Shaolin meditava sobre as águas e observava os peixes que se servem d mar como casa, moradia essa que lhes assegura a vida. Sentia as lufadas do vento a brincar com as ondas. Demorou-se tanto ali, que não ouviu o chamado para repasto da tarde. Já surgiam as estrelas no majestoso infinito, estampando para o olhos humanos uma projeção nunca igualada pelos homens, de beleza e de esperança. Fixou o olhar tristonho no firmamento, e sentiu saudades, sem saber de quê e de quem, e o seu coração torturado por lembranças confusas, parecia querer parar e ali conversou com a Majestade Divina, em um tom de humildade que somente o Amor mais puro sabe e entende:

- Grande Força Universal que nos governa a todos! Estou me sentindo como folha seca ao vento, que o destino sopra, sem que eu saiba o que quero e para onde vou. Sei que sustentas todos os Teus filhos, onde quer que estejam, mas sei também que formulaste leis para nos guiar, educar e defender. Eu Te peço para me ensinar com mais eficiência essas leis, para que eu possa respeitá-las, respeitando igualmente a Ti.

Sinto-me, Senhor Jesus, agraciado pela visão deste momento, em que os céus me fascinam e criam em mim algo de esperança, predispondo-me ao Amor, a Ti e ao próximo, que por vezes intento destruir. Esse impulso deve ser a ignorância que ainda vibra em meu ser. Ajuda-me a libertar-me das influências maléficas que me mandam destruir, que me agridem para eu agredir, que me maltratam para eu maltratar...

Disseste, Jesus, muitas vezes, aos Teus discípulos, que eles seriam reconhecidos por muito se amarem, que o Amor não destrói, não maltrata, não agride, não rouba, não mente, não é dado ao ódio, não vinga, não alimenta o egoísmo; o Amor é pura Caridade. Então, Jesus, a Igreja que traz o Teu nome, e em Teu nome faz guerras, não Te obedece, desobedecendo às regras do Teu Evangelho de luz, que tenho n'alma escrito, e posso declamar a qualquer momento. Peço-te, Mestre dos mestres, guiar-me nos caminhos, abençoar-me para que eu não deixe de fazer o que é certo para mim. Porém, acima do que estou pedindo, faça-se a Tua vontade e não a deste Teu servo, que Te pede com humildade: concede-me um lugar no Teu rebanho, para que eu possa melhorar! E abençoa igualmente a todos os dirigentes inconscientes deste movimento trevoso das Cruzadas, para que eles possam mudar de opinião, principalmente no que tange a essas crianças, que sei, serão todas sacrificadas por hábeis guerreiros e ladrões sem sentimentos. Tira esse cálice dos destinos destes jovens, aliviando seus infortúnios. Caso não seja da Tua vontade, dá-lhes força para resistirem ao que deve ser feito, e que não pode ser mudado. Abençoa as estrelas, o mar, os peixes, o vento, a Terra. nAbençoa Senhor, os homens. Amém.

Shaolin recostou-se capim que lhe servia de cama. Sem sono, sentiu que sua mente buscava outras paragens.
Notou que estava como que saindo de uma casca, ou se despindo de pesada roupagem, parecendo-lhe estar perdendo os sentidos, o que não ocorreu. 

Assustou-se com o fenómeno, e era homem de nada temer, mormente quanto a fatos inerentes ao Espírito, pois tinha consciência de que ninguém morre e que apenas muda de residência. Confiou em Deus, e se entregou àquela força que talvez o estivesse testando.

Sentindo as mais estranhas sensações, saiu, consciente, do corpo físico, e viu a sua roupa de carne estirada ao chão. Andou livremente no ambiente, olhos em redor e pensou em Deus. Buscou o Cristo, e uma alegria invadiu o seu ser ao ouvir uma voz que conhecia muito, lhe falando com brandura:

"Shaolin!... Sê bem-vindo, meu filho! Estás em outro plano de vida, sem que a tua consciência mude de dimensão, porque estás consciente do teu estado. O teu corpo de carne está em descanso, mas o Espírito é sempre movimento, e continua a agir e a viver neste plano espiritual".

Nisto, Shaolin começou a ver perfeitamente o seu guia, que sempre o acompanhava. Quis ajoelhar-se com reverência, mas ele não o permitiu, fazendo-o levantar-se, abraçando-o com ternura e dizendo:

- Não percas tempo em reverências com aquele que é simplesmente o teu irmão. Somos iguais na pauta da vida, e estamos juntos em busca da Unidade de que tanto precisamos. Vamos confiar em Deus e em Cristo, e um no outro, para compreender melhor o próximo e amá-lo com mais interesse. A vida, Shaolin, é muito boa, dependendo apenas de entendermos suas leis e vivê-las a cada passo. Não precisamos temer os acontecimentos indesejáveis de que o mundo está cheio, porque cada criatura vive no mundo que criou para si mesmo. Nós refazemos os nossos próprios destinos, com a inteligência aprimorada, e o coração pulsando no Amor. Não temas o que surgir em teu caminho. Se porventura vier o mal à tua procura, é porque ainda existe o mal dentro de ti, e a ti compete extirpá-lo, para que ele tome outro caminho. Rejeita-o quando se aproximar de ti, e segue por outros rumos, onde perceberes afinidade. Sei que estás querendo perguntar-me se deves ir, para onde te comprometeste moralmente; e eu te digo que a guerra somente atrai quem tem guerra por dentro.

Liberta-te de vez dos sentimentos de corrigir os outros, dos sentimentos de opressão, de mando, de egoísmo, de prepotência, de ódio e de inveja. Renuncia as coisas que não te fazem falta, para uma vida simples, e o ambiente de guerra sairá das tuas cogitações espirituais, pois perderás o interesse de defenderes os outros pela violência, o que nunca conseguirás. Cada criatura tem, e carrega consigo, os seus próprios meios de defesa de elevação espiritual. Essas cruzadas, como os tribunais do Santo Ofício, montadas por agentes das trevas, são para os próprios trevosos. Se saíres do mundo deles, claro que eles não o alcançarão? Não é dito no Evangelho que "Conhecereis a verdade e ela vos libertará"?

O como fazer para que não vás aonde pretendias, não é preciso que ensine. Desliga-te, mental e sentimentalmente, que a natureza tem leis apropriadas para te defender e tirar destas linhas de combate, para ti improfícuas. Deus sabe me do que nós como nos defender das forças contrárias ao Bem que já conquista - Quem sente a guerra, está pedindo guerra, quem sente o mal, está pedindo o mal quem sente o ódio, está pedindo o ódio... Faz o contrário, que encontrarás o inverso do que viceja no mundo, por ignorância. Sei que tens forças para tal, e deves com hoje mesmo, buscando a paz, o amor, e o aperfeiçoamento, sentindo-os, para que possa viver tudo o que a vida nos mostra como sendo a realidade. E foi o Cristo quem no revelou a mais pura conduta, que nos levará à verdadeira felicidade...

Eu te ajudo sempre!... Mas se não te ajudares, não fizeres a tua parte embrenhar-te-ás nas sombras, juntando-te aos companheiros que alimentam os mesmos sentimentos, e sofrerás as consequências até compreenderes a Verdade, mesmo que tenhas toda a nossa proteção, porque a libertação é um conjunto de coisas divinas que se dividem para que cada um faça a sua parte. Esta é a lei, esta é a vida.

O guia espiritual de Shaolin, parecendo uma estrela que desceu das alturas, iluminava todo o ambiente em policromia indescritível. Por mais que se esforçasse para não fazê-lo, Shaolin chorava emocionado, e respondeu ao seu amigo espiritual:

- Eu te agradeço, senhor, por tudo o que me deste nesta hora; que Deus te compense sempre e sempre. Nada tenho para te ofertar em troca, por não estar em condições de doar qualquer coisa aos Anjos!

Pegou suas mãos, beijando-as com gratidão. Regressou ao corpo com toda a consciência do ocorrido. Permaneceu quieto, relembrando a conversa que teve com o guia espiritual, e falou baixinho:

"Meus Deus!... Que beleza; quanta alegria existe, mesmo no mundo material... Tudo depende de nós e da compreensão das criaturas; existe aqui de tudo para que possamos viver felizes, dependendo somente de certas mudanças..."

Seu coração irradiava alegria espiritual e triunfante, ele dormiu serenamente, confiando que recebemos aquilo a que realmente fizemos jus.

No dia seguinte, Shaolin amanheceu restabelecido, e analisando a si mesmo, sobre o que poderia e deveria ser mudado na sua vida. Os acontecimentos exteriores ficariam entregues a Deus, que tinha condições de resolvê-los com justiça Daquele dia em diante, iria sim, entrar na guerra, na pior das guerras, naquela declarou a si mesmo, contra as suas próprias inferioridades. Sentia que era a mais difícil das lutas até então encarada por ele. Sabia também que estava começando, mas jamais saberia o dia em que terminaria. Fosse como fosse, começou!...

Havia sido colocado um sino na embarcação, para anunciar a partida, o do dia e chamar para as refeições. Um fanático dos mais afoitos declarou aos gritos:

- Este sino vai anunciar com orgulho, nossa religião e o dia da vitória, que não será nossa, mas de Deus.

E repetiu as palavras do grande pontífice que fundou as Cruzadas no Concilio de Clermont, Urbano II:

"Deus o quer".

A multidão inconsciente, no impulso da inferioridade, levantava bandeiras, desejando a conquista do Santo Sepulcro. As mães, tocadas pelos sentimentos de amor aos seus filhos, apenas choravam, com o pressentimento de que não iriam vê-los mais. Shaolin não tinha de quem se despedir e o navio partiu. Ele apenas olhava para os céus, pedindo a Deus que fizesse a Sua vontade, que tudo estava certo na pauta dos acontecimentos. Uma frota de embarcações partiu de Veneza, pronta para o combate, e Shaolin, edificado no Bem, dentro da sua embarcação esqueceu a guerra e entregou as mãos ao trabalho que lhe competia fazer.


Miramez




Pág. 201 a 205


Joanna de Ângelis - Livro Vida Feliz - Divaldo P. Franco - Cap. 102




Joanna de Ângelis - Livro Vida Feliz - Divaldo P. Franco - Cap. 102


Este teu cansaço contínuo, acompanhado de insatisfação e de mau humor, é um sinal vermelho de perigo em tua vida.

Resulta da maneira irregular de como vens aplicando os teus recursos e energias, sem o competente refazimento.

Não te bastará dormir, dar descanso ao corpo, se permaneceres emocionalmente inquieto, ansioso.

Assim, dá um balanço dos teus atos, medita em profundidade e perceberás que te está faltando o pão do espírito, que nutre e reconforta.

Reorganiza a vida e busca o equilíbrio, enquanto é tempo.


Joanna de Ângelis







Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 101 - A cortina do “eu”



Emmanuel - Livro Fonte Viva - Chico Xavier - Cap. 101


A cortina do “eu” 


“Porque todos buscam o que é seu e não o que é do Cristo Jesus.” — PAULO (Filipenses, 2.21)


Em verdade, estudamos com o Cristo a ciência divina de ligação com o Pai, mas ainda nos achamos muito distantes da genuína comunhão com os interesses divinos.

Por trás da cortina do “eu”, conservamos lamentável cegueira diante da vida.

Examinemos imparcialmente as atitudes que nos são peculiares nos próprios serviços do bem, de que somos cooperadores iniciantes, e observaremos que, mesmo aí, em assuntos da virtude, a nossa percentagem de capricho individual é invariavelmente enorme.

A antiga lenda de Narciso permanece viva, em nossos mínimos gestos, em maior ou menor porção. Em tudo e em toda parte, apaixonamo-nos pela nossa própria imagem.

Nos seres mais queridos, habitualmente amamos a nós mesmos, porque, se demonstram pontos de vista diferentes dos nossos, ainda mesmo quando superiores aos princípios que esposamos, instintivamente enfraquecemos a afeição que lhes consagrávamos.

Nas obras do bem a que nos devotamos, estimamos, acima de tudo, os métodos e processos que se exteriorizam do nosso modo de ser e de entender, porquanto, se o serviço evolui ou se aperfeiçoa, refletindo o pensamento de outras personalidades acima da nossa, operamos, quase sem perceber, a diminuição do nosso interesse para com os trabalhos iniciados.

Aceitamos a colaboração alheia, mas sentimos dificuldade para oferecer o concurso que nos compete.

Se nos achamos em posição superior, doamos com alegria uma fortuna ao irmão necessitado que segue conosco em condição de subalternidade, a fim de contemplarmos com volúpia as nossas qualidades nobres no reconhecimento de longo curso a que se sente constrangido, mas raramente concedemos um sorriso de boa vontade ao companheiro mais abastado ou mais forte, posto pelos Desígnios Divinos à nossa frente.

Em todos os passos da luta humana, encontramos a virtude rodeada de vícios e o conhecimento dignificante quase sufocado pelos espinhos da ignorância, porque, infelizmente, cada um de nós, de modo geral, vive à procura do “eu mesmo”.

Entretanto, graças à Bondade de Deus, o sofrimento e a morte nos surpreendem, na experiência do corpo e além dela, arrebatando-nos aos vastos continentes da meditação e da humildade, onde aprenderemos, pouco a pouco, a buscar o que pertence a Jesus-Cristo, em favor da nossa verdadeira felicidade, dentro da glória de viver.


Emmanuel