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segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Manoel Philomeno de Miranda - Livro Transição Planetária - Divaldo P. Franco - Cap. 9 - Desafios existenciais



Manoel Philomeno de Miranda - Livro Transição Planetária - Divaldo P. Franco - Cap. 9


Desafios existenciais


Embora de nossa comunidade pudéssemos desfrutar da luminosidade do Sol, sobre a área imensa desolada pairava uma nuvem sombria, pesada, resultante da angústia coletiva, do desespero que assolava os sobreviventes, da revolta que a muitos tomava, enfim, dos transtornos psíquicos causados por aqueles que tiveram a desencarnação violenta.

Podíamos ver as tempestades vibratórias que produziam raios e relâmpagos ameaçadores sobre a imensa cortina quase negra que vestia a paisagem espiritual.

A condensação das energias mórbidas, à semelhança do que acontece na atmosfera terrestre com o choque das temperaturas fazendo desencadear as tormentas, os tornados, sucedia de maneira semelhante na imensa faixa avassalada.

Certamente essa psicosfera perturbava os sobreviventes aflitos que mais adensavam os cúmulos escuros e ameaçadores.

Tornava-se um círculo vicioso: as mentes emitindo ondas sombrias e ab­sorvendo os efeitos danosos que pairavam no ar...

A emoção de ternura e compaixão tomou-me e deixei-me arrastar pelas blandícias da oração em favor daquela sociedade atormentada.

Chegou o momento de retornarmos aos labores. Todos nos encontrávamos assinalados pelo bom humor, pela alegria que se deriva do serviço fraternal de amor ao próximo, e nossa condução fez-se da mesma maneira como chegáramos sob o comando do nosso Benfeitor.

Atingida a região do nosso destino, de imediato passamos ao programa de assistência espiritual aos irmãos do carreiro da agonia.

Logo chamou-me a atenção um Espírito feminino que se encontrava sob terrível dominação de outro, masculino, que se apresentava com aspecto terrível e a explorava psiquicamente de maneira cruel.

Totalmente desvairada e presa aos vestígios carnais, a atormentada debatia-se entre as sensações da decomposição cadavérica avançada e a injunção penosa a que era submetida. Podíamos ver o algoz que a explorava emocionalmente, levando-a a acessos contínuos de gritos, blasfêmias e loucura.

Enquanto a contemplava presa ao corpo que tentava reerguer, talvez pensando em fugir à situação penosa, acercou-se-nos uma anciã desencarnada que, lacrimosa e aflita, pediu-nos ajuda, informando-nos ser-lhe a genitora.

Imediatamente, fez um sintético retrato biográfico da infeliz.

- Minha filhinha - começou entre lágrimas de resignação e débil voz - era vendedora de ilusões. Tornou-se profissional aos catorze anos de idade, quando foi consorciada, de acordo com os nossos costumes, com um homem de aparência respeitável e de caráter vil, muito mais idoso do que ela. Os esponsais foram ricos de alegria, porém, passados dois meses, ele a encaminhou a um prostíbulo de luxo de sua propriedade, onde moçoilas inexperientes e sonhadoras vendiam o corpo em volúpias de paixões.

Fez uma pausa, enxugando o pranto, e logo deu continuidade à narração:

- Minha menina foi estimulada à exploração carnal... Recebeu cuidados adequados ao comércio de que iria participar, submeteu-se a uma cirurgia, a fim de evitar a gravidez, e foi treinada em um tipo de dança muito especial­mente sedutora.

"Com o passar dos dias e meses tornou-se tão célebre, quanto cínica e debochada, atraindo, à casa festiva, os aficionados da sensualidade atormentada. Com o desgaste natural, resultante dos abusos e pela necessidade de vender-se mais e sempre mais, derrapou para os infelizes comportamentos sexuais aberrantes e, para tanto, passou a consumir drogas terríveis...

Visitada por mais de uma vez pela minha ternura, já que o seu pai morrera pouco depois do desvario a que ela se entregava, desgostoso, em razão do choque com a religião que professávamos, pois que somos muçulmanos austeros, adverti-a sem cessar, não conseguindo a mínima consideração nem respeito. Por fim, parecendo cansada dos meus conselhos, num momento de desequilíbrio total expulsou-me do seu bordel de luxúria, sempre dirigida pelo maldito explorador - o próprio marido!

Minha filha havia enlouquecido por uma doença que eu não conseguia compreender. De um para outro momento, transformava-se, ficando tigrina e agressiva, perigosa e má, comprazendo-se em atemorizar os servos e mesmo alguns dos clientes, que lamentavam as suas frequentes mudanças de personalidade, o que os desconsertava no vil conúbio a que se entregavam.

Sem que ninguém soubesse o que ocorria, começou a emagrecer, a de­finhar, como se fosse sugada nas suas energias por uma força estranha e maléfica sempre cruel.

"As dores morais foram-me superiores às frágeis resistências, e não su­portando as angústias contínuas, em razão do imenso amor dedicado à minha menina, faleci vitimada por um ataque cardíaco..."

Silenciou, entristecida, olhando o Espírito querido, ainda vitimado pelo seu algoz...

- Por favor, socorram-na - rogou, súplice, de mãos postas e quase ajoelhando-se, no que foi impedida de imediato. Um ser demoníaco toma-a e desgraça-a desde aqueles longes-pertos dias de aberrações.

Não havia dúvidas que a jovem dançarina atraíra terrível amante de outra existência que se lhe vinculara psiquicamente enquanto no corpo físico, enciumado da conduta que se permitia, passando a explorá-la nos conúbios sexuais de ocasião e de perversão, usurpando-lhe as energias emocionais e, não poucas vezes, tomando-a em surtos obsessivos terríveis...

Examinando o psiquismo do perseguidor, pudemos perceber-lhe os clichês mentais das mais chocantes aberrações, a revolta pela morte que a dominara durante o tsunami, assim ameaçando-lhe a exploração de energias. Tão profundos eram os vínculos entre um e outro, perispírito a perispírito, que ele se lhe imanava qual um molusco à concha que conduz, perversamente ameaçando-a.

Aproximei-me da infeliz e apliquei-lhe energias balsâmicas e calmantes, levando­-a a um ligeiro torpor. Enquanto isso, a mãezinha orava as sutras do Corão, dominada por emoção compreensível e acompanhando a nossa terapia.

Quando conseguimos que o Espírito adormecesse, demos início ao seu deslindamento das vísceras orgânicas, o que conseguimos com o auxílio e a bondade de Abdul que veio em nosso socorro. As duas entidades muito ligadas, lembravam-nos um caso de xifopagia espiritual. O malfeitor bradava em alucinação com medo de perder a presa que explorara por alguns anos, enquanto Abdul falou-lhe com ternura e energia sobre o crime que perpetrava, informando-lhe que a exploração infeliz chegara ao fim naquela oportunidade, quando a morte os separaria e ele teria que enfrentar as conseqüências nefastas da sua crueldade.

A conduta mais própria era adormecê-lo também, a fim de ser providenciado recurso de libertação, quando ela pudesse contribuir com o pensamento e os sentimentos renovados, porquanto a atração mantida era resultado do seu comportamento que facilitara a perfeita identificação entre o plugue nos chakras coronário e sexual e as tomadas do seu agressor...

As Divinas Leis jamais recorrem aos recursos de cobranças comuns às criaturas humanas que se comprazem em fazer justiça mediante as concepções infelizes a que se atem.

Ninguém pode permitir-se o luxo desditoso de recuperar débitos morais e espirituais, colocando-se em posição de vítima, que nunca existe, porquanto, se tal houvesse, deparar-nos-íamos com lamentáveis falhas dos códigos da justiça divina.

Mecanismos próprios de reparação fazem parte das legislações superiores da vida, que jamais falham. Nada obstante, o orgulho e a intemperança daqueles que se consideram prejudicados, logo tomam posições de justiceiros e encarceram-se nas redes fortes dos crimes desconhecidos pela sociedade, porém jamais ignorados pela realidade que sempre terão que enfrentar...

Quando a mãezinha percebeu que a filhinha dormia relativamente em paz, embora alguns estertores naturais, como resultado inevitável das construções mentais arquivadas no inconsciente e as emanações morbíficas do adversário que se mantinha vinculado, sorriu feliz e tentou abraçá-la.

Tratava-se, para mim, de um caso muito especial, porquanto era a primeira vez que observava o fenômeno da obsessão que se iniciara durante a vilegiatura carnal, prosseguindo além da morte, sem nenhuma alteração por parte do perseguidor inclemente. Nessas ocorrências lamentáveis, o algoz também sofria as contingências experimentadas pela sua vítima, em torno do processo de desencarnação. Explorada pelo vingador, ela o intoxicava, embora inconscientemente, com as emanações de desespero e de perda do tônus vital (animal), da conjuntura física, que era absorvido pelo inimigo.

Abdul providenciou uma padiola, e amigos cooperadores para o transporte de ambos os Espíritos ao lugar próprio que lhes estava destinado, considerando-se a especificidade da ocorrência.

Emocionada pela felicidade que fruía, a genitora expressou-nos os seus sentimentos de gratidão, inopinadamente osculando nossas mãos, o que muito nos constrangeu, considerando-se que o mais beneficiado éramos nós próprio.

A obsessão sempre apresenta angulações que nos surpreendem, em razão das organizações mentais e espirituais de cada criatura, variando, portanto, de indivíduo para indivíduo.

A observação desse fenômeno perturbador sempre nos convida a acuradas reflexões em torno da conduta interior do ser humano, que sempre procede do campo mental, a irradiar-se em todas as direções, produzindo sintonias compatíveis com a sua equivalência com outros campos e áreas vibratórios que propiciam as vinculações por afinidade.

Quando as criaturas compreenderem que são as responsáveis por tudo quanto lhes diz respeito, certamente serão alterados os comportamentos individuais e coletivos, elegendo-se aquilo que conduz à harmonia e à felicidade, mesmo que a esforço, ao invés do prazer desgastante de um momento com as suas conseqüências perturbadoras de longo prazo. Na sua ilusão orgânica, porém, preferem a intoxicação do gozo doentio até a exaustão, sem qualquer responsabilidade, agasalhando as idéias absurdas de encontrar-se soluções miraculosas quando se lhes manifestam as conseqüências afugentes, que são inevitáveis.

Não é de estranhar-se a grande mole que recorre ao Espiritismo, à mediunidade, procurando solução milagrosa para os problemas que engendraram e pretendem ver resolvidos, assim mesmo sem a sua contribuição sacrificial.

A existência no corpo físico é uma oportunidade de aprendizagem que a vida concede ao ser espiritual no seu processo de crescimento interior, facultando-lhe os recursos apropriados para que a divina chama que existe em todos alcance a plenitude. De acordo com a maneira como cada um se comporte no mister, estará semeando as ocorrências do futuro, que terá de enfrentar, a fim de recompor-se e corrigir o que foi danificado.

Cada reencarnação é sublime concessão divina para a construção ditosa da imortalidade pessoal.

Escola abençoada, a Terra é o reduto formoso no qual todos nos aperfeiçoamos, retirando a ganga pesada do primarismo, que impede o brilho do diamante estelar do Espírito que somos. Os golpes do processo evolutivo encarregam-se de liberar-­nos, permitindo que as facetas lapidadas pela dor e buriladas pelo amor reflitam as belezas siderais.

Onde nos encontrávamos, podíamos notar as diferenças de conduta entre os aflitos, assinalando maior soma de desespero ou de equilíbrio, que nos proporcionava auxiliá-los com maior ou menor eficiência. Nem todos, porém, aos quais buscávamos socorrer, conseguiam ser liberados, tão fortes se lhes faziam os laços da sensualidade da vida orgânica distante de qualquer espécie de crença na sobrevivência do Espírito.

Não foi possível divagar mentalmente por mais tempo, porque o nobre dirigente chamou-nos ao serviço, considerando que novas desencarnações continuavam ocorrendo e os assaltos por Entidades animalizadas se faziam de contínuo.

A visão das ocorrências post mortem surpreendem mesmo aqueles que, à nossa semelhança, se encontram na Erraticidade há expressivo número de anos.

A vida física disfarça pela aparência o Espírito que habilmente se mascara, procurando demonstrar o que gostaria de ser, mas tudo fazem para não se transformar interiormente para melhor. No entanto, a realidade que o caracteriza, desmistifica-o durante o processo da desencarnação, ocorrendo conforme cada um é e de acordo com as suas possibilidades de recuperação e reequilíbrio.

As paisagens, portanto, próximas à fronteira do túmulo, são, normalmente, afugentes, exceção daquelas que acolhem os Espíritos que se esforçaram para viver de acordo com os padrões do dever, do respeito ao próximo e à vida, mesmo que sem qualquer filiação religiosa. O importante é a conduta que se vivência e não a crença que se esposa. Nada obstante, a religião, quando liberta da ignorância, destituída de fantasias e de superstições, caracterizando-se pela lógica e pela razão, é via sublime de acesso à liberdade plena, pelo que proporciona de lucidez e esclarecimento, auxiliando o viajor a melhor contribuir em favor do próprio êxito na jornada imortalista.

Não havia, porém, tempo para mais amplas reflexões e, ao chamado para o trabalho, dispusemo-nos alegremente ao serviço estabelecido.


Manoel Philomeno de Miranda







VÍDEO: 


Título: Transição Planetária
Autor: Manoel Philomeno de Miranda e Divaldo Franco
Narrador: Paulo Paixão
Editora: Leal
Produtora: Tocalivros Studios





Para ouvir este audiolivro completo: https://www.tocalivros.com/audiolivro/transicao-planetaria


sexta-feira, 12 de março de 2021

Manoel Philomeno de Miranda - Livro Transição Planetária - Divaldo P. Franco - Cap. 5 - Novas Experiências




Manoel Philomeno de Miranda - Livro Transição Planetária - Divaldo P. Franco - Cap. 5


Novas Experiências


“Estes são os dias graves do Senhor! É necessário que as criaturas humanas abramo-nos ao Evangelho Restaurado e nos permitamos ser instrumentos do Condutor de Vidas, para que possamos aplainar os caminhos que a sua misericórdia vem percorrer. Espíritas! Assumistes um compromisso antes do berço...” Bezerra de Menezes

Após algum tempo de repouso e de meditação, deixei-me inspirar pela oração, entregando-me ao Senhor da Vida para o ministério que deveria exercer com os nobres Espíritos que logo mais visitaríamos a Terra.

Um balsâmico bem-estar inundou-me os sentimentos e não pude conter as lágrimas de alegria e de gratidão aos Céus, por permitir-me aprender no trabalho e com o exemplo dos mais abnegados.

Às 18h, encontramo-nos, e após uma oração pronunciada pelo Dr. Charles White, tomamos o veículo especial que nos conduziu à cidade de Sumatra, na Indonésia, considerado o quarto país mais populoso da Terra, que fora assolada entre outras cidades dos muitos países atingidos, onde deveríamos instalar-nos com os demais grupos que nos anteciparam. A cidade tivera mais de dois terços da sua área afetada pela inundação e pela destruição... Igualmente considerada o país mais populoso dentre os muçulmanos, seu povo, espalhado pelas inúmeras ilhas, não podia imaginar a grandeza da calamitosa ocorrência, por falta de comunicação entre aquelas de origem vulcânica e as outras de formação calcária...

Alguns Espíritos nobres acercaram-se da região no começo de dezembro (2004), a fim de organizarem as comunidades transitórias para receberem os que desencarnariam em aflição, no terrível futuro evento sísmico.

Transcorrido algum tempo de viagem, chegamos à comunidade espiritual situada sobre a área tristemente atingida.

Embora houvéssemos acompanhado alguns lances da tragédia em nossa Colônia, podíamos agora ver diretamente os danos causados pela onda imensa e as que a sucederam, destruindo tudo com a velocidade e a força ciclópica do terremoto nas águas profundas do oceano Indico, e logo depois, as contínuas vibrações e seguidos choques destruidores.

A força tempestuosa espalhara-se pelas costas da índia, do Sri Lanka, da Tailândia, das Ilhas Phi Phi, das Maldivas, de Bangladesh, de parte da África e de outros países, embora com efeitos menores que alcançaram o Atlântico...

Como resultado lastimável ocorreram alterações na massa terrestre, no seu movimento, na inclinação do eixo, que embora não registradas com facilidade pelos seus habitantes, foram detectadas por instrumentos sensíveis.

A primeira onda avassaladora ceifara mais de 150.000 vidas, enquanto as sucessivas carregadas de destroços de casas, barcos e construções de todo tipo, de árvores arrancadas e pedras, semearam o horror, arrasando as comunidades litorâneas...

A psicosfera ambiental era densa, denotando todos os sinais inequívocos das tragédias de grande porte.

Ouvíamos o clamor das multidões desvairadas, enlouquecidas pelo sofrimento decorrente da morte dos seres queridos, assim como em relação aos desaparecidos, à perda de tudo, vagando como ondas humanas sem destino.

De imediato, começaram a chegar as contribuições internacionais, porém, os instintos agressivos dominavam grupos de exploradores, de vadios e criminosos que se aproveitavam da oportunidade para ampliar a rapina e o terror.

Tempestades vibratórias descarregavam energias densas sobre o rescaldo humano e geográfico, confrangendo-nos sobremaneira.

Logo após encontrarmos o lugar que nos deveria servir de suporte para as incursões ao planeta, onde igualmente se alojavam outros grupos espirituais socorristas, o nosso gentil condutor explicou-nos qual a tarefa que deveríamos desempenhar naqueles primeiros minutos e, orientando-nos, mergulhamos na densa noite que se abatia sobre a região devastada.

Os corpos em decomposição amontoavam-se em toda parte, após ligeira identificação de familiares e a remoção de alguns para outros lugares, chamando-nos a atenção as fortes ligações espirituais mantidas pelos recém-desencarnados, que nem sequer se haviam dado conta da ocorrência grave. Imantados aos despojos, estorcegavam, experimentando a angústia do afogamento, as dores das pancadas produzidas pelos destroços, o desespero defluente da ignorância... De quando em quando escutavam-se preces e súplicas dirigidas a Allah, logo seguidas de blasfêmias e imprecações tormentosas.

Movimentavam-se muitos encarnados em atividades de auxílio, apesar da noite densa, demonstrando a solidariedade humana, inúmeros dos quais haviam chegado de outros países, especialistas nesse tipo de socorro, que se misturavam aos caravaneiros do Além, igualmente dedicados ao amor ao próximo.

O Dr. White caminhou entre os muitos destroços e cadáveres na direção de um grupo de desencarnados, que me fazia recordar uma alcateia de lobos famintos, ou chacais disputando os despojos das presas mortas... A balbúrdia era expressiva, e o pugilato entre alguns Espíritos era igualmente vergonhoso...

- Disputam as energias dos recém-desencarnados - elucidou o respeitável médico.

"Com essa atitude, agridem os Espíritos em desespero, que mais se apavoram e tentam absorver-lhes as energias animais de que se nutrem, iniciando o infeliz processo de vampirização. Identificando-se com aqueles cujas existências foram de irresponsabilidade, o que lhes permite a sintonia vibratória, buscam exauri-los, o que apressará a decomposição cadavérica, arrastando-os para regiões de desdita onde os submeterão a sevícias e exploração mental de longo curso.

"E como são profundamente infelizes, disputam as vítimas como fariam os animais ferozes com os despojos das caças que acreditam pertencer-lhes...

"Nosso compromisso de momento é afastá-los do local e tentar despertá-los para a sua realidade espiritual."

Aproximamo-nos, e a um sinal do médico, Abdul, que se encontrava com a indumentária muçulmana convencional, levantou a voz e recitou um ayat (versículo) de uma das Suras (capítulos) do Corão, em tonalidade ritmada, qual faria um muzlim no seu recitativo na torre da mesquita...

Com vibração especial e profunda, o amigo continuou emitindo o som que envolvia as palavras, e, subitamente, houve um silêncio aterrador, com os bandoleiros espirituais como que despertando da alucinação. Nesse momento, Ana aproximou-se carregando um archote que clareava o ambiente, erguido com o braço direito acima da cabeça e, tomados de espanto, os vampiros e exploradores pararam a agressividade.

Um deles destacou-se com o semblante fescenino e cruel, gritando que nada tinha a temer, e que todos se voltassem contra os invasores e os submetessem.

Abdul, porém, manteve-se irretocável, continuando a recitar o Livro, com respeito e seriedade, o que produzia impacto muito grande na massa alucinada.

Foi então, que o Dr. White explicou-lhes a ocorrência que tivera lugar pouco tempo antes, naquele dia 26 - era ainda dezembro - a partir das 8h da manhã, e todos eles, colhidos pela morte, necessitavam de justo repouso, assim como os seus despojos deveriam ser cremados coletivamente, a fim de serem evitadas as epidemias que sucedem após esses infaustos acontecimentos, recordando que já se anunciavam algumas...

Ante o espanto natural que tomou conta dos desordeiros espirituais, o padre Marcos tomou das mãos que pareciam garras de um deles, o Espírito que se debatia entre os fluidos materiais como resultado das ligações do perispírito ainda não totalmente interrompidas, o que lhe proporcionava angústias inenarráveis e o pavor pelo que experimentava decorrente do rude verdugo, que não resistiu ao gesto bondoso.

Observando os vínculos que se alongavam até um dos cadáveres em deplorável estado de decomposição, o religioso, com movimentos circulares, no sentido oposto aos ponteiros do relógio, trabalhou o chacra coronário, deslindando o Espírito que gemia e retorcia-se em agonias inenarráveis, até que as cargas densas e pútridas que eram eliminadas, a pouco e pouco foram diminuindo de volume e esgarçando-se até diluir-se totalmente. Vi, então, o desencarnado cambalear e desfalecer...

Ajudado por Ivon, o benfeitor retirou-o do magote, colocando-o a regular distância, em sono agitado, dando prosseguimento com outro infeliz.

O agitador que ameaçava Abdul, disparou em velocidade abandonando o grupo, enquanto o servidor do Bem continuava conclamando-os à paz, ao respeito pelas vítimas, à compaixão e misericórdia preconizados pelo seu livro sagrado.

Ato contínuo, embora prosseguisse a agressão de alguns mais rebeldes, seguimos a atitude do padre Marcos e procuramos atender alguns sofredores em comovedora aflição, que se libertavam das mãos perversas que os exploravam, trabalhando-lhes as fixações perispirituais, de modo a atenuar­l-hes os sofrimentos acerbos... À medida que eram diminuídas as ligações com os cadáveres a que se encontravam imantados, experimentavam o torpor da desencarnação, entrando em sono agitado, típico das últimas imagens captadas antes da morte física...

Colocados um pouco distante da zona infectada pelos fluidos densos e danosos, grupos de padioleiros que se dedicavam a transferi-los para nossa comunidade espiritual temporária, conduziam-nos silenciosamente.

Enquanto ocorria essa atividade, Abdul falava diretamente com alguns obsessores e zombeteiros que se encontravam presentes, explicando-lhes o sentido da vida e as Leis que regem o Universo, naturalmente incluindo o sombrio mundo em que se agitavam tentando manter o mesmo comportamento vivenciado na Terra.

Tratava-se da necessidade de transformação moral para melhor, a fim de poderem viver realmente, libertando-se da névoa que lhes entorpecia a inteligência e alucinava os sentimentos.

Conhecedor da alma humana, o hábil esclarecedor não se intimidava ante as ameaças de alguns seres hediondos que dele escarneciam, assim como de todos nós, gritando epítetos vulgares e aberrantes, ameaçando-nos de combate em defesa dos seus interesses.

Sem enfrentamento verbal ou mental, continuávamos cuidadosamente em nosso mister, diminuindo o número daqueles que se mantinham fixados nos corpos danificados, desejando reerguê-los, retomá-los, para prosseguirem na caminhada humana... Dando-se conta da impossibilidade, caindo na realidade que não desejavam aceitar, perdiam completamente a lucidez e atiravam-se de encontro ao solo ou uns contra os outros, revoltados e em pranto de agonia, impedindo qualquer ajuda de nossa parte. Era natural, portanto, que houvesse um ponto de contato que nos facilitasse a execução do mister a que nos dedicávamos.

Não existem violências nas Leis de amor, sendo necessário qualquer forma de identificação entre aqueles que necessitam e quem se predispõe a ajudá-los.

Eis por que, não poucas vezes, o sofrimento ainda é a melhor psicoterapia de que a vida se utiliza para despertar os dementados pelo prazer e os aficionados da crueldade.

O labor era exaustivo e de grande significado, porque o auxílio liberador a cada Espírito que se beneficiava com a dádiva do sono e a imediata transferência para um dos setores de auxílio em nossa Esfera, assinalava-lhe o novo caminho a percorrer, após despertar do letargo que passariam experimentando por algum tempo.

Momentos houve de agitação, porque alguns dos exploradores de energia recusavam-se ceder as suas vítimas ao nosso apoio, altercando e apresentando-se em condições próprias para um pugilato físico, distante de qualquer método de equilíbrio.

O Dr. White, porém, comunicava-se mentalmente conosco, estimulando-nos ao prosseguimento, aproveitando-se da indecisão de alguns verdugos, vinculando-nos a Jesus no Seu ministério de amor junto aos obsidiados a quem socorrera, usando da Sua autoridade, e, desse modo, continuamos.

A patética da gritaria infrene e da desolação em volta comovia-nos, no entanto, não podíamos deslocar-nos mentalmente da atividade que nos dizia respeito naquele reduto de putrefação e loucura.

Atendendo a uma mulher desvairada que segurava uma criança também lacrimosa e inconsolável, percebi-lhe a alucinação defluente do momento em que se desejou salvar com a filhinha de poucos anos de idade, buscando a parte superior da casa em que viviam, e a onda arrancou-a dos alicerces despedaçando-a e esmagando contra os destroços ambos os corpos. Podia-se ver-lhe os registros na mente alucinada... Não parava de gritar suplicando socorro, acreditando-se, como realmente se encontrava, perseguida por seres demoníacos que a desejavam submeter...

Tocando-lhe a fronte espiritual e emitindo sucessivas ondas de amor e de paz, percebi que me captava o pensamento e, porque estivesse estimulada à fé religiosa, pôde perceber-me em seu e no auxílio à filhinha, deixando-se conduzir para fora do círculo em que se encontrava aprisionada, embora ainda vinculada ao corpo reduzido a frangalhos. A pequenina encontrava-se livre da injunção perispiritual da matéria, e logo asserenou-se ao receber as vibrações que se exteriorizavam deste servidor em sua direção.

Ivon veio em meu socorro e começamos a concentrar a nossa atenção nos laços que a mantinham presa ao veículo carnal sem qualquer utilidade naquele momento. Algum tempo depois, após conseguirmos esgarçar as ataduras energéticas entre o Espírito e a matéria, por fim, acalmou-se, deixando-se conduzir, enquanto chorava comovedoramente, lamentando o acontecimento da desencarnação de que se dava conta.

Buscamos falar-lhe de imortalidade através do pensamento que ela cap­tava, apresentando-lhe a filhinha que deveria cuidar, prosseguindo como se estivesse na Terra e preparando-se para auxiliar aos demais familiares que, se não estivessem conduzidos pelo carro da morte, muito necessitariam da sua cooperação, para poderem continuar no processo de recuperação nos dias porvindouros.

Convidada à reflexão da família, o instinto maternal apresentou-se-lhe mais forte e ela acedeu em acalmar-se. Conseguiu locomover-se, embora com alguma dificuldade, abraçando a criancinha que adormecera no seu regaço, e a conduzimos a um grupo de auxiliares especiais que, a partir daquele momento, se encarregariam das providências compatíveis ao seu estado.

Ainda não víramos tudo de que a natureza humana é capaz enquanto lhe predominam as forças brutais do primarismo.

Estávamos absortos no atendimento daquela mole sofrida, quando alguns indivíduos ainda reencarnados, começaram a remover os corpos sem qualquer consideração, aproveitando-se das sombras terríveis da noite.

- Trata-se de assaltantes de cadáveres - informou-nos Dr. White - que os estão vasculhando em busca de qualquer coisa de valor, considerando-se que a morte os surpreendeu num momento de atividade normal, sem aviso prévio.

Embora as autoridades estejam tentando pôr ordem no caos, os infelizes aproveitadores recorrem a todos os expedientes possíveis, objetivando lucrar com a desdita dos outros. Removendo os cadáveres em putrefação, não receiam contaminação da alguma natureza e suportam os odores terríveis dominados pelo álcool que antes ingerem e pela ambição desmedida de amealhar algo para os prazeres degradantes.

"Continuemos sem prestar-lhes atenção, desde que estamos em campos vibratórios muito diferentes."


Manoel Philomeno de Miranda








domingo, 20 de setembro de 2020

Manoel Philomeno de Miranda - Livro Transição Planetária - Divaldo P. Franco - Cap. 22 - Preparativos para a conclusão do labor




Manoel Philomeno de Miranda - Livro Transição Planetária - Divaldo P. Franco - Cap. 22


Preparativos para a conclusão do labor


A noite, em especial, estava esplêndida, banhada pelas miríades de astros, quais diamantes estelares piscando no zimbório em festa. Sopravam as ânsias da Natureza carreando ondas de perfume nos braços da leve brisa. Era primavera na região, e o solo, coberto de relva macia e plantas delicadas, exultava ante as bênçãos da vida.

Nosso benfeitor, que demonstrava peculiar alegria, elucidou-nos que se fazia necessária uma revisão dos labores que havíamos realizado durante o período de três meses, desde a primeira incursão à assolada região de Sumatra, na Indonésia, após a qual, com outros companheiros retornamos ao planeta querido para os trabalhos em torno das reencarnações durante o período da grande transição, culminando com as experiências ao lado dos irmãos profundamente equivocados e entregues ao Mal.

Outros serviços, que se encontravam programados nas regiões mais infelizes que sediavam os Espíritos rebeldes e contumazes na crueldade ficariam para momento adequado, quando fossem estabelecidos os parâmetros socorristas para esse fim. Entre esses, receberia cuidados especiais a visita à região infernal em que se encontravam o rabino Eliachim ben Sadoch e os seus súditos desvairados.

O trabalho do bem, que não cessa nunca, prosseguiria em outras áreas, contribuindo para o progresso da Sociedade e do amado planeta. Após as instruções, como lhe era habitual, iniciamos a jornada visitando alguns dos muitos casais que se ofereceram para o programa das reencarnações dos convidados de Alcíone, assim como dos ilustres missionários do passado, ora de retorno, ficando, para a etapa final, a instituição espírita onde nos sediáramos em outra ocasião, de modo a encerrarmos o compromisso assumido naquele reduto de amor e de caridade, onde incontáveis bênçãos eram prodigalizadas a todos.

É evidente que a programação das reencarnações cuidava também daquelas normais no planeta, dos Espíritos que retornavam em condições melhores para poderem participar da construção do novo projeto de iluminação das vidas, assim também apressando a transição.

Milhões de Espíritos terrícolas, portadores de títulos de enobrecimento, encontravam-se assinalados para o prosseguimento de suas tarefas, conforme nos referimos anteriormente, renascendo neste período formoso de renovação e de esperança. Todos, certamente, estariam sob os cuidados especiais dos encarregados da Nova Era, de modo que ninguém pudesse sofrer qualquer tipo de impedimento, desde que se encontrando voltado para os compromissos relevantes e mantendo os propósitos de edificação interior.

Não houve antes, em qualquer época, uma revolução espiritual de tal porte, graças ao significado de que se revestem estes magnos momentos da evolução espiritual das criaturas.

A alegria dos responsáveis pelas reencarnações que, de alguma forma, receberam nossa contribuição, era imensa. Visitando-os e dialogando com os mesmos durante o parcial desprendido pelo sono fisiológico, participamos da sua emoção e dos seus anseios, a fim de que logo pudessem ter no regaço os filhinhos bem-amados, com eles trabalhando nos projetos da nova Terra, do mundo de promissão.

Nesses momentos, atingiam emoções que se convertiam em lágrimas de júbilo e de gratidão a Deus, pela relevância do compromisso espontaneamente assumido. A sublime concessão da progenitura para todos era portadora de um significado muito especial, porque facultava-lhes o desenvolvimento das emoções que se derivam da cocriação ao lado do Excelso Criador.

Por sua vez, os reencarnantes preparavam-se com afinco para corresponder às expectativas da investidura de que se faziam responsáveis. Qualquer clarão na escuridão e no tremedal chama a atenção, atraindo para sua luminosidade, portanto, para o seu epicentro, aqueles que se demoram na treva. Eles seriam, de alguma forma, os novos portadores dos padrões de comportamento moral e espiritual, enfrentando os desafios graves e as perturbações que seriam movimentadas com o objetivo de dificultar-lhes o avanço.

Sempre ocorre esse fenômeno, que é resultado da rebeldia dos insensatos ante a serenidade dos portadores dos significados existenciais, que não se encerram com o túmulo. Em todas as épocas, os bons e nobres nos deveres foram malsinados, incompreendidos, perseguidos, sofrendo o sarcasmo e o repúdio de quantos se comprazem nas situações abomináveis em que permanecem. Nunca, porém, lhes faltarão, com certeza, os recursos originados no mundo espiritual de onde todos procedemos, a fim de que os empreendimentos superiores façam-se coroar do êxito anelado.

Continuamos a ver a descida dos fascículos de luz na direção do orbe terrestre, representando os seres tutelares que penetravam na atmosfera planetária para o desempenho da grandiosa tarefa. Por outro lado, tomávamos conhecimento das ondas volumosas de horror e de sofrimento que esmagavam comunidades inteiras, asfixiando os ideais de muitos e fazendo derruir todas as construções que não estivessem com os seus alicerces fincados na rocha, conforme a expressão vigorosa de Jesus.

De alguma forma, essa luta é bastante antiga, porque sempre houve bons e maus Espíritos na Terra, aqueles que elegeram o progresso como normativa existencial e aqueloutros que optaram por veredas diferenciadas, vinculando-se aos recomeços aflitivos e angustiantes.

Já nos encontrávamos no recinto elegido para o encerramento da nossa excursão, quando Dr. Sílvio foi procurado por um dos membros espirituais da Casa querida.

Apresentando grave apreensão na face, o bondoso amigo solicitou a ajuda do benfeitor para um dos médiuns abnegados da instituição que, naquele momento, se encontrava em uma situação muito grave.

Narrou, em breves palavras, o acontecimento, solicitando a interferência do generoso guia. Tratava-se de um assalto a mão armada, a um trabalhador de Jesus, encontrando-se ele ameaçado de morte por um bandido fortemente drogado.

Orando, na crítica situação, havia recorrido à ajuda dos seus mentores, e, por isso, a sua prece fora ouvida, chegando até nós. Sem mais delongas, o benfeitor convidou-nos a acompanhar o intermediário da solicitação e, deparamo-nos numa rua de péssimo aspecto, em sombras densas como decorrência dos fluidos deletérios de que se vestia a região dedicada ao comércio da carne humana. O assaltante exigira que lhe fossem entregues o relógio, o telefone celular, o dinheiro, e estava em dúvida se o mataria ou o deixaria no corpo, quando nos acercamos da cena perigosa. A arma oscilava na sua mão trêmula, mantendo o dedo no gatilho em posição de disparo. Vitimado por terrível obsessor que o infelicitava, o jovem adicto, usuário de drogas fortes, recebia a inspiração cruel do adversário para que ceifasse a vida daquele que se lhe fizera vitima indefensa.

Nesse momento, Dr. Sílvio dirigiu o pensamento na direção do desencarnado cruel e admoestou-o, informando que ele seria responsável por ambas as existências, tanto a do assassinado como a do assassino, que iria adicionar mais essa hediondez ao seu currículo nefasto. Com austeridade, tocou na fronte do assaltante, que se encontrava sob a ação do malfeitor desencarnado, logrando interromper o fluxo da inspiração inferior, enquanto pôs-se a induzi-lo a que interrompesse o que se converteria em latrocínio.

As descargas de energia do Dr. Sílvio atingiam-lhe os chakras coronário e cerebral, produzindo a liberação momentânea do adversário frio e inclemente, e, de imediato, impôs-lhe uma nova onda de energia vigorosa no centro cardíaco, que leve o efeito de produzir-lhe um grande choque emocional, fazendo-o derrubar o revólver, fazendo-o tombar em seguida vitimado por uma hipotensão circulatória.

Evandro, o médium aturdido, percebeu a interferência do abnegado benfeitor, refez-se do choque, recuperou os seus objetos e, teleguiado pelo guia, afastou-se do local tenebroso em que se encontrava.

Dominado por diferentes emoções que agora o visitavam, começou a recordar-se do motivo que o levara àquele lugar umbralino, dando-se conta de que o seu era um objetivo cristão: caridade a uma jovem mulher em estado lastimável no catre miserável do pardieiro onde, anteriormente, vendia o corpo exausto e descarnado, vivendo os últimos momentos da atormentada existência terrestre.

Não era a primeira vez que a visitava, desde quando foi informado da degradação da sua existência, levando-lhe socorros alimentícios e moedas para a sustentação do corpo fragilizado e vencido, enquanto o anjo da morte rondava-lhe os dias de sofrimento.

As lágrimas escorreram-lhe dos olhos semiabertos, enquanto lhe podíamos ler os pensamentos caracterizados pela compaixão, mas inspirado pelo mentor gentil, tomou o rumo do lar.

Ainda é um grande desafio a ação do bem no mundo tumultuado da atualidade. Nem por isso, devem desanimar aqueles que se dedicam à prática da caridade e ao exercício do bem-fazer, porquanto, se existem os carrascos do além, sempre dispostos ao crime hediondo, também pululam os anjos tutelares, vigilantes e rápidos, na execução da legítima fraternidade.

Pouco depois, o alvoroço tomou conta do sórdido reduto, quando alguém viu o jovem desmaiado que, nesse momento, despertava, alquebrado e ainda sob o efeito da drogadição e do choque vibratório que experimentara. Como era conhecido na área, logo o caso foi encerrada após alguns comentários desairosos, e o local voltou à sua condição tenebrosa de reduto do crime e da vulgaridade.

Concluída a nova tarefa, retornamos ao seio generoso da Casa Espírita, onde fomos recepcionados pelo mentor e diversos colaboradores, inclusive o guia espiritual do nosso Evandro.

A noite seguia alta e as ruas lentamente ficavam desertas, movimentadas por alguns transeuntes retardatários.

O santuário que nos acolhia estava envolto em peregrina luz safirina que o inundava em todos os recantos.

Trabalhadores desencarnados encontravam-se presentes, porque foram informados do encerramento das nossas atividades na atual conjuntura, bem como diversos médiuns e amigos de Jesus, em desdobramento parcial pelo sono fisiológico, igualmente ali se encontravam desejosos de participar das nossas despedidas.

Conduzidos ao salão de conferências e de estudos, que se encontrava repleto, o caroável guia da Casa convidou nosso benfeitor a sentar-se à mesa diretora, enquanto fomos conduzidos a lugares reservados à frente e os demais convidados acomodavam-se nos assentos para eles reservados. Um mesanino elaborado por energias espirituais, ao fundo, apresentava-se, também, totalmente tomado.

No silêncio natural que se fez, ouviu-se uma doce melodia que nos parecia chegar de desconhecida região espiritual, enriquecida por vozes infantis, exaltando a vida e o amor, enquanto flocos delicados de substância luminosa caíam em abundância sobre todos, recolhidos em silenciosa oração.

Quando os últimos sons desapareceram suavemente, a mentora Joaquina ergueu-se e orou comovidamente, rogando as bênçãos de Jesus para a reunião, suplicando-Lhe a presença sublime, de modo a vitalizar-nos, carentes que somos de auxílio e de sabedoria.

Os médiuns presentes, que se encontravam próximos de nós, concentrados, passaram a exteriorizar energia semelhante ao ectoplasma que se direcionava para um tubo transparente colocado sobre o estrado onde se encontrava a mesa diretora.

Lentamente, aquele vapor adentrou-se no cilindro e começou a formar uma figura humana, que logo identificamos como o Dr. Artêmio Guimarães, o que nos produziu indizível júbilo.

Quando terminou a materialização, ele saiu do local em que se condensou, e acercando-se da tribuna, exteriorizando a luminosidade do seu estado de elevação moral, falou com bela entonação vocal:

— Irmãos queridos:

“Abençoe-nos Jesus, o sublime Guia da Humanidade.

“Há pouco tempo, nossos projetos eram possibilidades em delineamento, que hoje se converteram em realidade, graças ao devotamento dos servidores sinceros do Bem.

“Inúmeros grupos de trabalhadores do Evangelho em nosso plano desceram à Terra, a fim de criarem condições para a instalação do Reino dos Céus nos corações, e agora, de retorno à nossa comunidade, deixam espaço para outros lidadores darem prosseguimento ao programa, que se efetivará conforme o progresso dos resultados colhidos nas experiências iniciais.

“Antevemos, felizes, os futuros dias de renovação total do planeta no seu aspecto moral, quando os Espíritos retardatários transferirem-se para outros mundos, onde irão operar o progresso que se negam neste momento e os mensageiros da luz transformarem os mecanismos de guerra em instrumentos de paz, os vícios e crimes em espetáculos de amor e de libertação.

“Os trabalhadores da grande transformação encontram-se, há algum tempo, operando diligentes nos mais variados segmentos sociais e culturais da Terra.

“Nestes dias, porém, dão-se as grandes migrações de Espíritos felizes, interessados na modificação das estruturas sociais do mundo para melhor, quando a dor fugirá envergonhada, por desnecessidade da sua presença entre os seres humanos.

“Tornando factível a promessa de Jesus, a respeito do mundo de regeneração, a caminho de paraíso ou planeta feliz, os abnegados obreiros da Espiritualidade preparam o ambiente em que deverão viver esses construtores do amanhã.

“Congratulamo-nos com os queridos irmãos que agora encerram o seu périplo de fraternidade, após o período que lhes foi concedido para a execução do projeto.

“Como não existe entre nós o repouso em forma de ociosidade, passado breve período de renovação e de estudos, os mesmos volverão ao proscênio terrestre para novas investiduras espirituais, contribuindo mais eficazmente junto aos rebeldes e insanos, em tentativa de despertá-los, a fim de que disponham da oportunidade para o arrependimento e a retificação moral, ao invés do exílio que lhes será imposto pela Divina Legislação.

“Certamente, serão atividades mais penosas e desafiadoras do que as que foram realizadas durante o período que hoje se encerra.

“Confiamos que o Sublime Trabalhador nos equipará de recursos e nos instrumentalizará para a execução do futuro programa, de forma idêntica a esta que se conclui em bênçãos.

“Que Ele mesmo, nosso Exemplo e Modelo, nos conduza com o Seu carinho, são os votos deste vosso amigo devotado e fiel.”

Quando silenciou, novamente ouvimos a música angelical e as vozes infantis em hosanas a Jesus e à vida.

Retornou ao cilindro e diluiu-se diante dos nossos olhos orvalhados de lágrimas quentes.

Foi a vez do Dr. Sílvio erguer-se para agradecer a todos quantos cooperaram com a equipe que lhe coube dirigir.

Com a voz embargada, exorou:

Amado Mestre Jesus:

Convidaste-nos para trabalhar na Tua seara, e totalmente desequipados apresentamo-nos, à última hora, quando nos recebeste, oferecendo-nos o campo a lavrar.

Embora o dia se apagasse em a noite que se aproximava, permitiste que nos apressássemos e arássemos as terras dos corações endurecidos, a fim de podermos nelas ensementar a Tua palavra de amor e luz.

Após os anteriores fracassos em que tombamos, não tergiversaste em conceder-nos o lastro da confiança para a execução do Teu programa de renovação da Terra, apesar da nossa pouca experiência e quase nenhuma sabedoria.

Mesmo lutando contra as nossas imperfeições, visitaste-nos, vezes incontáveis, a fim de sustentar-nos no esforço de autotransformação para melhor, a fim de podermos enfrentar os desafios internos e solucionar as dificuldades exteriores.

Os dias passaram na ampulheta do tempo e chegamos à etapa final com as mãos quase vazias de feitos, embora o coração e a mente agradecidos por todas as Tuas formosas concessões.

Perdoa-nos a imperícia, as limitações, as dificuldades, porém, o que possuímos de melhor oferecemos ao serviço, e o que muito gostaríamos de realizar, tentamos fazê-lo, permanecendo dispostos para os empreendimentos do futuro.

Honra-nos com novos convites e enriquece-nos com a Tua incomparável misericórdia, facultando-nos novos cometimentos de luz.

Agradecemos-Te, Senhor nosso, depositando no Teu coração amoroso os nossos melhores sentimentos de ternura e de gratidão.

Quando silenciou, as emoções haviam alcançado o clímax.

Encerrada a bela reunião, lentamente chegou a hora das despedidas. Repassamos pela mente e pela emoção todos os lances do empreendimento, desde o primeiro tentame junto às vítimas do tsunami do oceano Índico até o socorro ao jovem médium, concluindo pela vitória do amor em todas as suas expressões.

Raiava novo dia, quando nossa caravana, ainda sob o comando do Dr. Sílvio Santana, retornou ao nosso plano espiritual.

À medida que nos afastávamos da Terra querida, podíamos vê-la envolta em luz azul, rodopiando no Cosmo e avançando no rumo de planeta de regeneração.


Manoel Philomeno de Miranda








domingo, 16 de agosto de 2020

Manoel Philomeno de Miranda - Livro Transição Planetária - Divaldo P. Franco - Prefácio - Transição Planetária



Manoel Philomeno de Miranda - Livro Transição Planetária - Divaldo P. Franco - Prefácio


Transição Planetária


Vive-se, na Terra, o momento da grande transição de mundo de provas e de expiações, para mundo de regeneração.

As alterações que se observam são de natureza moral, convidando o ser humano à mudança de comportamento para melhor, alterando os hábitos viciosos, a fim de que se instalem os paradigmas da justiça, do dever, da ordem e do amor.

Anunciada essa transformação que se encontra ínsita no processo da evolução, desde o Sermão profético anotado pelo evangelista Marcos, no capítulo XIII do seu livro, quando o Divino Mestre apresentou os sinais dos futuros tempos após as ocorrências dolorosas que assinalariam os diferentes períodos da evolução.

Sendo o ser humano um Espírito em processo de crescimento intelecto-moral, atravessa diferentes níveis nos quais estagia, a fim de desenvolver o instinto, logo depois a inteligência, a consciência, rumando para a intuição que será alcançada mediante a superação das experiências primevas, que o assinalam profundamente, atando-o, não raro, à sua natureza animal em detrimento daquela espiritual que é a sua realidade.

Mediante as reencarnações, etapa a etapa, dá-se-lhe o processo de eliminação das imperfeições morais, que se transformam em valores relevantes, impulsionando-o na direção da plenitude que lhe está destinada.

Errando e corrigindo-se, realizando tentativas de progresso e caindo, para logo levantar-se, esse é o método de desenvolvimento que a todos propele na direção da sua felicidade plena.

Herdeiro dos conflitos em que estorcegava nas fases iniciais, deve enfrentar os condicionamentos  enfermiços, trabalhando pela aquisição de novas experiências que lhe constituam diretrizes de segurança para o avanço.

Em face das situações críticas pelo carreiro carnal, gerando complicações afetivas, porque distante das emoções sublimes do amor, agindo mais pelos instintos, especialmente aqueles que dizem respeito à preservação da vida, à sua reprodução, á violência para a defesa sistemática da existência corporal, agride, quando deveria dialogar, acusa, no momento em que lhe seria lícito silenciar a ofensa ou a agressão, dando lugar aos embates infelizes geradores do ressentimento, do ódio, do desejo de desforço, esses filhos inconsequentes do ego dominador.

O impositivo do progresso, porém, é inarredável, apresentando-se como necessidade de libertação das amarras vigorosas que o retêm na retaguarda, ante o deotropismo que o fascina e termina por arrebatá-lo.

Colocado, pela força do determinismo, na conjuntura do livre-arbítrio, nem sempre lógico, somente ao impacto do sofrimento desperta para compreender quão indispensável lhe é a aquisição da paz, a conquista do bem estar... Nesse comenos, dá-se conta dos males praticados, dos prejuízos causados a outros, nascendo-lhe o anelo de recuperar-se, auxiliando aqueles que foram prejudicados pela sua inépcia ou primitivismo em relação aos deveres que fazem parte dos soberanos códigos de ética da vida.

Atrasando-se ou avançando pelas sendas libertadoras, desenvolve os tesouros adormecidos na mente e no sentimento, que aprende a colocar a serviço do progresso, avançando consciente das próprias responsabilidades.

Infelizmente, esse despertar da consciência tem-se feito muito lentamente, dando lugar aos desmandos que se repetem a todo momento, às lutas sangrentas terríveis.

Predominam, desse modo, as condutas arbitrárias e perversas, na sociedade hodierna, em contraste chocante com as aquisições tecnológicas e científicas logradas na sucessão dos tempos.

Observam-se amiúde os pródromos dos sentimentos bons, quando alguém é vítima de uma circunstância aziaga, movimentando grupos de socorro, ao tempo que outras criaturas se transformam em seres-bomba, assassinando, fanática e covardemente outros que nada têm a ver com as tragédias que pretendem remediar por meios mais funestos e inadequados do que aquelas que pretendem combater...

Movimentos de proteção aos animais sensibilizam muitos segmentos da sociedade, no entanto, incontáveis pessoas permanecem indiferentes a milhões de crianças, anciãos e enfermos que morrem de fome cada ano, não por falta de alimento que o planeta fornece, mas por ausência total de compaixão e de solidariedade...

Fenômenos sísmicos aterradores sacodem o orbe com freqüência, despertando a solidariedade de outras nações, em relação àquelas que foram vitimadas, enquanto, simultaneamente, armas ditas inteligentes ceifam outras centenas e milhares de vida, a serviço da guerra, ou de revoluções intermináveis, ou de crimes trabalhados por organizações dedicadas ao mal...

São esses paradoxos da vida em sociedade, que a grande transição que ora tem lugar no planeta irá modificar.

As criaturas que persistirem na acomodação perversa da indiferença pela dor do seu irmão, que assinalarem a existência pela criminalidade conhecida ou ignorada, que firmarem pacto de adesão à extorsão, ao suborno, aos diversos comportamentos delituosos do denominado colarinho branco, mantendo conduta egotista, tripudiando sobre as aflições do próximo, comprazendo-se na luxúria e na drogadição, na exploração indébita de outras vidas, por um largo período não disporão de meios de permanecer na Terra, sendo exiladas para mundos inferiores, onde irão ser úteis limando as arestas das imperfeições morais, a fim de retornarem, mais tarde, ao seio generoso da mãe-Terra que hoje não quiseram respeitar.

O egrégio codificador do Espiritismo, assessorado pelas Vozes do Céu, deteve-se, mais de uma vez, na análise dos trágicos acontecimentos que sacudiriam a Terra e os seus habitantes, a fim de despertar os últimos para as responsabilidades para consigo mesmos e em relação à primeira.

Em O Livro dos Espíritos, no capítulo dedicado à Lei de destruição, o insigne mestre de Lyon estuda as causas e razões dos desequilíbrios que se dão no planeta com frequência, ensejando as tragédias coletivas, bem como aquelas produzidas pelo ser humano, e constata que é necessário que tudo se destrua, a fim de poder renovar-se. A destruição, portanto, é somente produzida para a transformação molecular da matéria, nunca atingindo o Espírito, que é imortal.

Desse modo, as grandes calamidades de uma ou de outra procedência têm por finalidade convidar a criatura humana à reflexão em torno da transitoriedade da jornada carnal em relação à sua imortalidade.

As dores que defluem desses fenômenos denominados como flagelos destruidores, objetivam fazer a "Humanidade progredir mais depressa. Já não dissemos ser a destruição uma necessidade para a regeneração moral dos Espíritos, que, em cada nova existência, sobem um degrau na escala do aperfeiçoamento? Preciso é que se veja o objetivo, para que os resultados possam ser apreciados. Somente do vosso ponto de vista pessoal os apreciais; daí vem que os qualificais de flagelos, por efeito do prejuízo que vos causam. Essas subversões, porém, são frequentemente necessárias para que mais pronto se dê o advento de uma melhor ordem de coisas e para que se realize em alguns anos o que teria exigido muitos séculos."(1)

Eis, portanto, o que vem ocorrendo nos dias atuais.

As dores atingem patamares quase insuportáveis e a loucura que toma conta dos arraiais terrestres tem caráter pandêmico, ao lado dos transtornos depressivos, da drogadição, do sexo desvairado, das fugas psicológicas espetaculares, dos crimes estarrecedores, do desrespeito às leis e à ética, da desconsideração pelos direitos humanos, animais e da Natureza... Chega-se ao máximo desequilíbrio, facultando a interferência divina, a fim de que se opere a grande transformação de que todos temos necessidade urgente.

Contribuindo na grande obra de regeneração da Humanidade, Espíritos de outra dimensão estão mergulhando nas sombras terrestres, afim de que, ao lado dos nobres missionários do amor e da caridade, da inteligência e do sentimento, que protegem os seres terrestres, possam modificar as paisagens aflitivas, facultando o estabelecimento do Reino de Deus nos corações.

Reconhecemos que essa nossa informação poderá causar estranheza em alguns estudiosos do Espiritismo, e mesmo reações mais severas noutros... Nada obstante, permitimo-nos a licença de apresentar o nosso pensamento após a convivência com nobres mentores que trabalham no elevado programa da grande transição...

Equipes de apóstolos da caridade no plano espiritual também descem ao planeta sofrido, a fim de contribuir em favor das mudanças que devem operar-se, atendendo aqueles que se encontram excruciados pela desencarnação violenta, inesperada, ou padecendo o jugo de obsessões cruéis, ou fixados em revolta injustificável, considerando-se adversários da Luz, membros da sanha do Mal, afim de melhorar a psicosfera vigente, desse modo, facilitando o trabalho dos Mensageiros de Jesus.

Na presente obra, apresentamos três fases distintas, mas que se interpenetram, em torno do trabalho a que fomos convocado, mercê da compaixão do Amor, de modo a acompanharmos as ações de enobrecimento de dignos e valorosos Benfeitores, vinculados ao programa em desenvolvimento a respeito da transição planetária que se vem operando desde há algum tempo...

Não temos outro objetivo, senão estimular os servidores do Bem a prosseguirem no ministério, a qualquer custo, sem desânimo nem contrariedade, permanecendo certos de que se encontram amparados em todas as situações, por mais dolorosas se lhes apresentem.

Procuramos sintetizar as operações de socorro aos desencarnados vitimados pelo tsunami ocorrido no Oceano Índico, devastador e de consequências graves, que permanece ainda gerando sofrimento e desconforto, especialmente porque sucedido de outros tantos que prosseguem ocorrendo com freqüência assustadora...

Logo após, referimo-nos ao contributo especial dos Espíritos dedicados às tarefas de reencarnação dos novos obreiros, terrestres ou voluntários de outra dimensão cósmica, passando à análise dos tormentos que invadem a Terra, assim como da interferência dos Espíritos infelizes, que se comprazem em manter o terrível estado atual de aturdimento.

Nada obstante, em todos os momentos, procuramos demonstrar a providencial misericórdia de Jesus, sempre atento com os Seus mensageiros a todas as ocorrências planetárias, minimizando as aflições humanas e abrindo espaço ao dia radioso de amanhã, que se aproxima, rico de bênçãos e de plenitude.

Agradecendo ao Senhor de nossas vidas e aos Espíritos superiores investidos da sublime tarefa da grande transição planetária, por haver-nos concedido a honra do trabalho ao seu lado, sou o servidor devotado de sempre.

Salvador, 09 de abril de 2010.


Manoel Philomeno de Miranda





(1) O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Parte 3a - Capítulo VI, questão n° 737  Nota do autor espiritual. 


Fonte: Transição Planetária-pdf